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28 de set. de 2014

Alexandre Padilha - São Paulo: Por que o terceiro 'poste' de Lula não deu certo?

BRASIL - Eleição 214
Alexandre Padilha - São Paulo:
Por que o terceiro 'poste' de Lula não deu certo?
Campanha errática de novato pode repetir o pior desempenho do PT na história: os 9,5% de votos obtidos por Plínio de Arruda Sampaio em 1990

Foto:Felipe Cotrim/VEJA.com/VEJA

POSTE SEM LUZ - Lula insatisfeito com o desempenho do seu candidato poste ao governo de São Paulo, o desconhecido Alexandre Padilha

Postado por Toinho de Passira
Reportagem Felipe Frazão
Fonte: Veja

A menos que a eleição para o governo de São Paulo produza uma reviravolta histórica, o Partido dos Trabalhadores não chegará ao segundo turno – isso se houver segundo turno. Segundo as pesquisas eleitorais, o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha, lançado na disputa como o "terceiro poste" do ex-presidente Lula, deve fracassar na tentativa de conquistar o eleitorado paulista e realizar a maior obsessão de seu padrinho político: desalojar o PSDB do Palácio dos Bandeirantes depois de quase duas décadas.

Após três meses de campanha, Padilha não conseguiu sequer atingir dois dígitos nas pesquisas. Contra o desempenho do PT, que nas eleições recentes amealhou 30% dos votos, o ex-ministro chega à última semana com 9%, segundo o Datafolha. Se o prognóstico se confirmar nas urnas, o percentual representa apenas um quarto dos 35,21% dos votos atingidos em 2010 pelo ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil), candidato do PT com o melhor desempenho até hoje, mas derrotado pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) no primeiro turno. Há doze anos (três eleições seguidas), o PT consegue mais de 30% dos votos no Estado. Se permanecer abaixo dos dois dígitos, Padilha repetirá um resultado que o PT paulista não amarga desde 1990, quando o ex-deputado Plínio de Arruda Sampaio (morto em julho deste ano) teve o pior desempenho de um candidato petista, com 9,55% dos votos válidos.

Apesar de admitir reservadamente que a eleição está perdida, dirigentes do PT paulista ainda com alguma dose de otimismo apostam que Padilha conseguirá chegar a pelo menos 15% dos votos até o próximo domingo. As pesquisas internas são mais modestas: indicam 11%, resultado próximo ao obtido pelo mensaleiro José Dirceu, quando foi candidato ao Palácio dos Bandeirantes há vinte anos.

Foto: Marcos Bezerra/Futura Press

A presidente Dilma Rousseff e o candidato ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha (PT), durante campanha em Osasco, São Paulo

PROPINA

Padilha também entra na reta final fustigado por um novo escândalo em sua gestão no Ministério da Saúde. A Polícia Federal deflagrou na quinta-feira uma operação contra locadoras de veículos da Bahia que fraudaram uma licitação da Secretaria Especial da Saúde Indígena – as apurações apontam para a atuação de uma consultora do ministério que falava em nome de Padilha e teria cobrado propina de 15% em contratos superfaturados em 6,5 milhões de reais.

O petista negou envolvimento e disse que ele mesmo pediu as investigações após verificar o sobrepreço no serviço. Ainda que nada tenha sido provado, o desgaste é inevitável para quem já havia sido alvejado pela PF na Operação Lava Jato, que descobriu as gestões do ex-petista André Vargas no ministério durante a gestão de Padilha, em prol de um convênio com um laboratório Labogen, ligado ao doleiro Alberto Youssef.

Em uma das mensagens interceptadas, Vargas citou a indicação de um funcionário por Padilha – o que o ex-ministro nega. Além dos casos em âmbito nacional, Padilha viu seu discurso de combate ao crime organizado ser fragilizado pela descoberta de que o deputado estadual e ex-presidiário Luiz Moura (PT) havia sido flagrado em uma reunião na qual também estavam dezoito criminosos do Primeiro Comando da Capital (PCC). Expulso do partido e impedido de concorrer à reeleição, o deputado-bomba chegou a anular temporariamente na Justiça a candidatura de Padilha e de todos os candidatos do partido em São Paulo.

Desenhada por Lula, a campanha de Padilha começou a ser planejada em 2013, embora ainda em 2012 ele já sinalizasse que poderia despontar no partido, dada a sua dedicação em acompanhar as eleições municipais no Estado. O PT elegeu para a presidência do Diretório Estadual o ex-prefeito de Osasco Emídio de Souza, que montou ampla base de partidos aliados e rendeu três vitórias seguidas ao PT na cidade da região metropolitana de São Paulo. Ex-coordenador da campanha de Mercadante, Emídio assumiu a mesma função com Padilha, com uma tarefa: popularizar o candidato no PT no interior do Estado – região mais refratária ao partido e simpática ao PSDB – e quebrar a base de apoio de Alckmin, atraindo para a coligação de Padilha partidos à direta do PT no espectro político brasileiro e que apoiavam, ao mesmo tempo, o governo Dilma Rousseff. As duas principais metas traçadas pelo ex-presidente, porém, não foram atingidas. Padilha tem a menor coligação entre os três principais candidatos, ao lado apenas do PR e do PCdoB.

Foto: Paulo Pinto/Analitica

FOTO SEM APOIO - f"Foi a pior coisa possível, ficamos só com a foto do Maluf", admitiu um estrategista da campanha petista.

MALUF

Em junho, na última semana para formalizar as alianças, Padilha viu o PSD, do ex-prefeito Gilberto Kassab, e o PP, do deputado Paulo Maluf, aderirem ao candidato do PMDB, Paulo Skaf. Padilha já tinha passado pelo desgaste público de anunciar, com fotos e abraços, uma aliança do PT com Maluf, que teria barrada sua nova candidatura à Câmara dos Deputados neste mês pela Lei da Filha Limpa. "Foi a pior coisa possível, ficamos só com a foto do Maluf", admitiu reservadamente um estrategista da campanha petista.

Ex-presidente da Federação de Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Skaf acumulava recall da eleição anterior e, com ampla exposição na TV em comerciais da entidade, já despontava como segundo colocado. O peemedebista também conseguiu apoio formal do Pros e do PDT, ambos da base governista – o que frustrou a estratégia recomendada por Lula. O site de VEJA apurou que um deputado estadual do PT chegou a sugerir pessoalmente a Padilha que ele "renunciasse e apoiasse Skaf no primeiro turno" – a aliança é tácita caso haja segundo turno entre Alckmin e Skaf.

Coube ao próprio Lula advertir, no início de setembro, que o candidato do PMDB estava "fazendo a campanha que o PT deveria fazer". "Como se explica numa fábrica que eu vi o Skaf estar na frente do Padilha? No meu tempo, era impensável imaginar um peão votar no seu empregador", reclamou Lula em reunião pública do partido. "Não tem explicação. Só pode ser falta de conhecimento e de motivação."

Foto: Alice Vergueiro/Futura Press/VEJA

AUSÊNCIA - Mensagem da presidente Dilma Rousseff durante o Encontro Estadual do PT de São Paulo. O evento marcou o lançamento das pré-candidaturas de Alexandre Padilha ao Governo Paulista e de Eduardo Suplicy ao Senado

QUEM É ELE?

Dados de pesquisas internas encomendadas pelo PT indicam que Padilha ainda é um total desconhecido de 70% dos eleitores de São Paulo – a mesma taxa de seis meses atrás. O "desconhecimento" de Padilha, aliás, tornou-se a principal justificativa do partido para o iminente fracasso de um candidato estreante, que seguia a cartilha dos "postes". Saiu do governo federal com um programa para exibir como bandeira, o Mais Médicos, que espalhou em um ano 14.462 médicos generalistas por 3.771 municípios do país – capilaridade de 68% das prefeituras, atingida por meio de uma parceria destinada a repassar dinheiro para a ditadura cubana.

O programa, porém, foi apenas tema de propagandas no horário eleitoral na TV, sem grande repercussão a favor ou contra Padilha, ainda que São Paulo tenha recebido o maior contingente – 2.187 profissionais. A suposta desatenção de sete em cada dez eleitores, porém, não impediu que a rejeição de Padilha batesse a casa de 36% na última pesquisa Datafolha.

Segundo aliados, também faltou ao candidato uma articulação fina com o comitê de Dilma em São Paulo. A primeira evidência ocorreu em junho, quando a presidente faltou à Convenção Estadual que homologou a candidatura de Padilha. Alegando estar gripada, Dilma só gravou de última hora uma mensagem em vídeo exibida nos telões do Ginásio do Canindé.

Padilha cumpriu agenda distinta – e distante – da presidente em pelo menos mais quatro atos de grande exposição de Dilma no Estado: caminhada em Campinas e em São Bernardo do Campo, visita à Assembleia de Deus Ministério do Brás e um comício em Jales (promovido pelo PMDB com a presença de Skaf).

Em outros três encontros de Dilma – com centrais sindicais, mulheres e taxistas –, Padilha compareceu, mas não teve destaque no palanque. O Palácio do Planalto hesitou em privilegiar a campanha do petista, já que a presidente dizia ter “dois candidatos” na disputa paulista (Padilha e Skaf), o que considerava uma fórmula para derrotar o tucanato.

Mas Skaf evitou se associar a Dilma por causa da rejeição da presidente, que chegou a 47% entre o eleitorado paulista. Só nesta semana, Dilma apareceu em depoimentos do programa de TV de Padilha – e defendendo investimentos do governo federal no Estado.

Foto: - Vanessa Carvalho/Brazil Photo Press/Estadão Conteúdo

O candidato do PT ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha (d), durante ato político acompanhado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Santo André, no Grande ABC (SP)

DÍVIDA

Coordenador da campanha de Dilma no Estado, o prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho (PT), reconheceu mais um complicador na campanha estadual: a falta de dinheiro, que represou a produção de material de campanha, como cavaletes, bandeiras e adesivos. Uma das críticas é que Padilha gastou demais na fase da pré-campanha, quando percorreu 126 cidades no interior, de ônibus e avião. Além da ínfima repercussão, o candidato e o PT acabaram multados em 50.000 reais por propaganda antecipada com as caravanas.

Os gastos com a empresa Sales Táxi Aéreo durante a campanha, mais um item de valor elevado, ainda não foram declarados, correspondentes aos voos num bimotor turbohélice King Air B200, para oito passageiros. "A escassez de recursos, como nunca visto em campanha eleitoral, fez com que o nível de campanha de Padilha, a intensidade, fosse muito sofrível no começo", disse Marinho na semana passada.

Segundo dados da Justiça Eleitoral, Padilha arrecadou 4,1 milhões de reais, mas gastou 35 milhões de reais – um rombo de 30,9 milhões de reais numa conta parcial até agosto. No mês passado, as equipes de comunicação e marketing, que consumiram cerca de 27 milhões de reais do borderô de campanha, chegaram a ser temporariamente reduzidas por causa de atrasos nos pagamentos.

Padilha investiu pesado em transmissões na internet ao vivo das agendas de campanha, o que demandou uma equipe paralela dedicada a web e redes sociais. Como ficou empacado no terceiro lugar e com previsão de arrecadação baixa em setembro, o comitê passou a concentrar a campanha nos maiores colégios eleitorais, ou seja, nas regiões metropolitanas da capital paulista, de Campinas e da Baixada Santista, onde o PT costuma obter melhor desempenho nas urnas. A coordenação pediu empenho total até ao senador Eduardo Suplicy, que se tornou um fiel acompanhante de Padilha, a ponto de protagonizar uma cena símbolo da campanha: carregou o ex-ministro nas costas durante uma caminhada.

A estratégia de priorizar os grandes centros urbanos também visa a dar a Padilha uma identidade maior com o eleitorado que passou a votar no PT a partir da primeira eleição de Lula – aqueles 30% de votos válidos dos paulistas. Nas últimas semanas, Padilha endureceu o discurso e buscou polarizar com Alckmin – estratégia usada desde o início da campanha por Skaf. Com jeito bonachão, fala mansa e ainda sem muita familiaridade com as câmeras, Padilha começou a campanha com um discurso que soou tímido e tentava atrair eleitores mais conservadores: foi apresentado como "bom moço" e "esperança da família". O estilo levou Lula a taxá-lo como o petista com mais "cara de tucano".

Ele fez questão de exacerbar a religiosidade, citando Deus e a Bíblia na TV e em entrevistas. Sempre apareceu em público ao lado da mulher, a jornalista e ex-assessora de imprensa Thássia Alves, o que provocou uma série de críticas no comitê, principalmente dos deputados que buscavam aparecer ao lado dele. Os políticos reclamavam que a candidata a primeira-dama aparecia demais e dispersava a atenção ao candidato.

Thássia se afastou dos palanques ao longo da campanha. Na quarta-feira, o ex-presidente Lula mostrou que a reclamação chegou até seus ouvidos, e que o desconhecimento de Padilha, de fato, ainda preocupa. Durante comício em Guarulhos, na Grande São Paulo, orientou cabos eleitorais e militantes petistas para a ordem de votação nas urnas no dia 5 de outubro e pediu que confirmassem o voto só quando reconhecessem o rosto de Padilha: "Olhem a cara dele para vocês não esquecerem. A mulher dele não vai aparecer junto, é só ele".

Foto: Felipe Cotrim/VEJA.com/VEJA

O candidato do PT ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha faz caminhada na região central da capital paulista

ÂNCORA

O fraco desempenho surpreende também porque ele sempre se mostrou à vontade entre militantes, andando nas ruas, pulando e cantando gritos e saudações típicas do partido durante caminhadas com juventude. O jeito "boa praça" agradou os militantes, mas não emplacou na TV. O prefeito Fernando Haddad, que não tinha a mesma desenvoltura entre cabos eleitorais e militantes nas eleições de 2012, apresentou um discurso mais claro e objetivo, contrapondo-se como um candidato "novo" contra o tucano José Serra e o fenômeno Celso Russomanno (PRB).

Pouco adepto a reuniões partidárias, Haddad demorou a aderir à campanha de Padilha porque durante a maior parte do pleito ostentou baixíssima popularidade: chegou a ser aprovado por apenas 15% dos paulistanos, e sua gestão, reprovada por 47%. Depois de ter sido cobrado por Lula, Haddad apareceu na TV pela primeira vez nesta semana pedindo votos para a chapa de deputados do PT.

A entrada de Haddad na campanha coincide com sua recuperação de popularidade, agora na casa dos 22%. A reprovação de sua administração diminuiu para 28% após a inauguração de ciclovias na cidade. A campanha de Padilha também mandou rodar um panfleto distribuído nas ruas com promessas de campanha de Haddad já atingidas – ainda que nem todas tenham sido de fato cumpridas como aparece no panfleto. A assinatura é da coligação PT-PCdoB-PR, embora não atenda as exigências da Lei Eleitoral: não há CNPJ registrado, tampouco a tiragem.

Para o PT, a cara campanha de Padilha – ao menos 35 milhões de reais declarados à Justiça Eleitoral até agora – serviu apenas para tirar Haddad do buraco.


O DESEMPENHO DOS CANDIDATOS DO PT AO GOVERNO DE SÃO PAULO

1982 - Luiz Inácio Lula da Silva ficou em 4º lugar com 1.144.648 votos (9.87% dos votos válidos)
1986 - Eduardo Suplicy ficou em 4º lugar com 1.508.589 votos (9.76% dos votos válidos)
1990 - Plínio de Arruda Sampaio ficou em 4º lugar com 1.636.058 votos (9.55% dos votos válidos)
1986 - Eduardo Suplicy ficou em 4º lugar com 1.508.589 votos -9.76% dos votos válidos
1994 - José Dirceu ficou em 3º lugar com 2.085.190 votos -11.32%dos votos válidos)
1998 - Marta Suplicy ficou em 3º lugar com 3.738.750 votos (22.51% dos votos válidos)
2002 - José Genoino ficou em 2º lugar com 6.361.747 votos (32.45% dos votos válidos)
2006 - Aloizio Mercadante ficou em 2º lugar com 6.771.582 votos (31.61% dos votos válidos)
2010 - Aloizio Mercadante ficou em 2º lugar com 8.016.866 votos (35.21% dos votos válidos).


Fonte: Fundação Seade.

22 de ago. de 2013

Quatro mil médicos cubanos estão chegando ao Brasil, nortistas e nordestinos serão os primeiros cobaias

BRASIL - Importação
Quatro mil médicos cubanos estão chegando ao Brasil, nortistas e nordestinos serão os primeiros cobaias
Goela abaixo do Conselho Federal de Medicina e das desconfianças da população o governo começou a importação de médicos cubanos. A questão da saúde do Brasil inclui a falta de médicos, mas essa é só uma parte da história. Os cubanos foram escolhidos porque já estão acostumados a atender em condições precaríssimas e jamais poderão reclamar das condições de trabalho que irão enfrentar.

CHARGE: Pelicano

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Folha de S. Paulo, Blog do Reinaldo Azevedo, Jornal da Globo, Ultimo Segundo

O Brasil vai importar 4.000 médicos cubanos até o final de 2013, 400 deles imediatamente, dentro do programa federal Mais Médicos, segundo informou o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, nesta quarta-feira.

Os profissionais cubanos chegam na condição de mão de obra alugada do regime castristas, não terão liberdade de escolher as cidades em que vão atuar, nem receberão salários diretamente do governo brasileiro, que nem sabe quanto será repassado a eles, dos valores pagos pelo Brasil, ao governo de Cuba.

Os primeiros 400 serão direcionados para 701 municípios que não foram escolhidos por nenhum profissional brasileiro, na primeira etapa do programa, 84% deles no Norte e no Nordeste do país. Nortistas e nordestinos serão, portanto, os primeiros cobaias dessa experiência canhestra.

Os que vierem nos próximos meses serão sempre distribuídos em cidades onde há sobra de vagas. A prioridade no programa continuará sendo dada a médicos brasileiros; em seguida aos formados no exterior e, por fim, aos cubanos.

A previsão é que o primeiro grupo de profissionais de Cuba chegue ao Brasil até a próxima segunda-feira (26) e participe, junto com os demais médicos já selecionados no programa, de uma avaliação que vai durar três semanas. Qualquer um desses médicos, sejam brasileiros ou estrangeiros, pode ser desclassificado se for reprovado nas avaliações, feitas por universidades públicas. Nestes 20 dias, o governo pretende adaptar os cubanos as condições de trabalho que vão enfrentar no interior do Brasil e provavelmente lhe ensinar português, para eles se comunicarem com os pacientes.

O programa Mais Médicos foi lançado em julho pela presidente Dilma Rousseff. Um de seus focos é ampliar a presença de médicos, brasileiros ou estrangeiros, no interior do país e nas periferias das grandes cidades.

Mas ao que parece o plano era mesmo ajudar Cuba a empregar o batalhão de médicos desempregados que estão de braços cruzados na ilha. Logo que soube das necessidades brasileiras, o governo cubano, como havia sido previamente combinado, ofereceu 6.000 profissionais ao Brasil. A oferta gerou polêmica no país. Como já preverá essa reação, o Ministério da Saúde, simulou um recuo, e foi adiante, assim que as coisas se acalmaram.

O acordo com Cuba é o primeiro a ser fechado pelo ministério. Foi intermediado pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) (braço da Organização Mundial da Saúde para as Américas), modalidade de acordo nova para os cubanos, que têm parcerias para o envio de médicos com outros países.

CHARGE: Alpino

REMUNERAÇÃO

O governo brasileiro afirmou que vai repassar a Cuba, via OPAS, R$ 10 mil mensais por cada médico, mesmo valor pago aos médicos que se inscreveram individualmente no programa. Além disso, será repassado à Cuba uma ajuda de custo para instalação do médico no Brasil.

Padilha não soube dizer, no entanto, quanto será pago, de fato, ao médico cubano. Joaquin Molina, chefe da OPAS no Brasil, disse também não ter essa informação. O ministro afirmou que o governo brasileiro e a OPAS vão fiscalizar as condições de trabalho que serão dadas ao profissional.

As cidades que vão receber os médicos ficarão encarregadas de custear alimentação e moradia --tanto para os cubanos, como para os demais profissionais.

REINALDO AZEVEDO COMENTA NO SEU BLOG:

É importante salientar que o contrato do governo brasileiro com médicos espanhóis, portugueses ou de qualquer outro país é celebrado com cada profissional. No caso dos cubanos, o pagamento será enviado à ditadura cubana, que, então, se encarregará de pagar os profissionais — que continuarão a obedecer às ordens daquele regime.

O Brasil pagará R$ 10 mil por médico, e Cuba repassará a cada profissional quanto bem entender — na Venezuela, era quase uma ajuda de custo. Os familiares dos profissionais que foram “exportados” para o regime de Chávez, por exemplo, ficaram na própria ilha, para impedir a deserção. O mesmo acontecerá com os que vierem para o Brasil — até porque eles não teriam como sustentá-los aqui.

A ilha comunista transformou seus médicos numa fonte de renda. Entre trabalhar por uma ração em seu país e a chance de ganhar algum dinheiro, ainda que miserável, no exterior, preferem a segunda opção.
Atenção: só esse lote de 4 mil médicos renderá à ilha R$ 40 milhões por mês. Ainda mais grave: na Venezuela, os médicos cubanos obedecem ao comando de… cubanos! A qualquer momento, os considerados rebeldes podem ser enviados de volta a seu país, sendo substituídos por outros.

Vamos ver como vai atuar o Ministério Público do Trabalho no Brasil. O trabalho similar à escravidão não pode ser exercido em solo brasileiro por nativos ou por estrangeiros. O fato de Cuba escamotear essa prática com o manto da ideologia, ou sei lá do quê, não muda a sua essência. Na Venezuela e no Brasil, a forma de contratação dos médicos viola a Convenção 29 da Organização Internacional do Trabalho.
REPERCUSSÃO

A entrada massiva de médicos estrangeiros é rejeitada pelas entidades médicas, que criticam o fato de o governo brasileiro dispensar os médicos formados no exterior da revalidação de seus diplomas.

Em nota divulgada logo após o anúncio do acordo com Cuba, o CFM (Conselho Federal de Medicina) classificou a decisão de "eleitoreira, irresponsável e desrespeitosa".

"Trata-se de uma medida que nada tem de improvisada, mas que foi planejada nos bastidores da cortina de fumaça do malfadado programa Mais Médicos. O anúncio de nesta quarta-feira coloca em evidência a real intenção do governo de abrir as portas do país para profissionais formados em Cuba, sem qualquer avaliação de competência e capacidade. Estratégia semelhante já ocorreu na Venezuela e na Bolívia, com consequências graves para estes países e suas populações", diz a nota.

16 de jul. de 2012

VEJA: O PT de Dilma

BRASIL – Eleição 2014
O PT de Dilma
Os conflitos entre aliados na eleição municipal levam a presidente a montar grupo de ministros petistas para cuidar da articulação com os partidos e comandar sua campanha à reeleição em 2014, assunto sobre o qual ela já fala abertamente

Foto: Reuters

Dilma se encontrou com Temer para reforçar que o PMDB seguirá como o principal aliado do governo

Postado por Toinho de Passira
Texto de Otávio Cabral
Fonte: Veja - 16/07/2012

Até agora, Dilma Rousseff era um raro caso de alguém que fez sucesso na política praticamente sem tê-la exercitado. Em sua primeira experiência eleitoral, quando não era uma liderança nem mesmo em seu partido, foi eleita presidente do quinto maior país do mundo. Para isso, contou com a popularidade de seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva.

Em seus primeiros dezoito meses como presidente, seguiu a mesma cartilha do tempo em que era ministra e concentrou-se nas questões administrativas — nem aí para a política. Essa parte foi deixada nas mãos de Lula e do PT. De novo, foi um sucesso. Seu governo atingiu índices de aprovação popular maiores que os do anterior.

No último mês, porém, a receita deu para desandar. Convalescendo do tratamento de câncer, Lula deixou a articulação política e focou suas ações na eleição para prefeito de São Paulo. O PT passou a defender interesses contrários aos de Dilma, como a defesa dos réus do mensalão. E, aproveitando o período eleitoral, partidos aliados, como o PSB e o PMDB, começaram a desafiar o governo.

A gota-d’água foi o caso Belo Horizonte, cidade onde o PSB rompeu com o PT e se aliou à oposição. Prevendo turbulências no horizonte, Dilma decidiu pilotar o próprio voo. Convocou cinco de seus ministros mais próximos e montou um grupo que será responsável pela costura política do governo e pela sua campanha à reeleição em 2014 — assunto que ela passou a mencionar abertamente. Com isso, deu o primeiro passo para montar seu próprio PT e afastar-se da órbita de Lula.

Nas duas últimas semanas, a presidente reuniu-se três vezes no Palácio da Alvorada com os ministros de sua nova tropa de elite: Alexandre Padilha (Saúde), Paulo Bernardo (Comunicações), Aloizio Mercadante (Educação), Fernando Pimentel (Desenvolvimento) e Gleisi Hoffmann (Casa Civil). São todos petistas históricos, sendo que os dois primeiros já eram ministros no governo Lula. Hoje, não apenas são os auxiliares mais próximos de Dilma, como também seus principais conselheiros políticos. É a eles que a presidente recorre quando precisa se informar sobre eleições e é a eles que confia missões delicadas como as que envolvem negociações com os partidos aliados e o Congresso.

“A definição dos palanques municipais começou a sair do controle do governo e fez a presidente perceber que precisa dedicar mais tempo à política. Como ela não gosta muito do tema nem tem experiência partidária, montou uma equipe de confiança para isso”, diz um dos cinco ministros do grupo.

A primeira reunião da equipe foi convocada pela presidente assim que ela foi informada da crise na eleição de Belo Horizonte. Na cidade, havia desde 2008 uma inusitada aliança, com os rivais PT e PSDB apoiando o prefeito Marcio Lacerda, do PSB. Agora, o PSB decidiu romper com os petistas e manter o acordo apenas com os tucanos.

Há três fatores que colaboraram para transformar uma disputa local em uma questão nacional – e de honra - para a presidente. Belo Horizonte é sua cidade natal. O líder do PSDB local é o senador Aécio Neves, seu provável rival em 2014. E o mentor da aliança foi Eduardo Campos, presidente do PSB, governador de Pernambuco e, embora aliado do governo, possível adversário de Dilma em 2014.

Diante disso, a presidente resolveu usar a força do governo para equilibrar o jogo na capital mineira: lançou a candidatura do ex-ministro Patrus Ananias, do PT, e levou para o seu palanque uma dezena de partidos, inclusive o PMDB e o PSD, o que lhe dará o maior tempo na propaganda de televisão.

"Dilma se recusava a entrar na campanha municipal. Mas ela viu que o caso de BH terá influência direta em 2014. Foi a primeira vez que a vi falar em reeleição”, afirma outro ministro do grupo.

Na semana passada, a presidente se reuniu com Eduardo Campos e com o governador do Ceará, Cid Gomes, em um jantar no Palácio da Alvorada. Acompanhada de Paulo Bernardo e Gleisi, serviu bacalhau, sopa de legumes e vinho nacional — e foi dura no recado.

Em tom cordial, reafirmou o desejo de continuar ao lado dos socialistas em 2014, mas deixou claro que não aceitará que a eleição municipal sirva de instrumento de chantagem contra ela. Qualquer que seja o resultado, Eduardo Campos não substituirá Michel Temer como vice em sua chapa. E uma eventual tentativa de voo-solo de Eduardo será interpretada pelo governo como um rompimento.

No dia seguinte, Dilma se encontrou com Temer para reforçar que o PMDB seguirá como o principal aliado do governo e que ela nada fará para impedir que o partido ocupe a presidência da Câmara e a do Senado em 2013.

Historicamente, as eleições municipais servem como aquecimento para a disputa presidencial. Neste ano, há outros fatores que ajudam a levar a sucessão de Dilma ao tabuleiro. O principal é a convicção — no governo e em parte da oposição — de que Lula não tentará voltar à Presidência. Além dos problemas de saúde — que hoje dificultam sua fala e locomoção e inviabilizam a participação em uma campanha nacional —, ele perdeu parte da influência que tinha sobre o eleitorado.

Hoje, segundo o Datafolha, Dilma é um cabo eleitoral mais eficiente do que Lula em São Paulo. Há ainda o julgamento do mensalão, em agosto, que, em caso de condenação dos réus, tenderá a enfraquecer o PT de Lula e José Dirceu. Dilma sabe que precisa montar seu próprio PT para buscar um novo mandato. E dá mostras de que, para obtê-lo, está disposta até a fazer política.