| SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL - ESCÂNDALO A desculpa esfarrapada do Ministro Toffolli O colunista Augusto Nunes, da Veja, comenta como o “ministro do Supremo convidado para a festa de casamento de um advogado, em Capri, na Itália, jura que nem é amigo do noivo. O que foi fazer lá então?
Foto: Carlos Humberto/SCO/STF Augusto Nunes Especializado em proclamar a inocência de gente cujo prontuário implora por uma temporada na cadeia, o advogado criminalista Roberto Podval aparece frequentemente no noticiário dos jornais ─ sempre do lado errado. No momento, por exemplo, cumpre-lhe garantir que o casal Nardoni não matou a menina Isabella, que Marcelo Sereno se limitou a prestar relevantes serviços à pátria quando foi o braço direito de José Dirceu na Casa Civil, que Denise Abreu só pensou nas vítimas dos acidentes e nos flagelados dos aeroportos enquanto agiu na Anac ou que Sérgio Gomes da Silva, vulgo Sombra, nada teve a ver com o assassinato do prefeito Celso Daniel. Não é pouca coisa. Para tirar uma folga da seção de polícia, e talvez para mostrar que esse tipo de trabalho é pelo menos tão lucrativo que está rico aos 45 anos, Podval resolveu fazer uma escala nas colunas sociais a bordo de um casamento de cinema. Como a noiva tem ascendência italiana, decidiu que o cenário do evento, marcado para 21 de junho, seria o esplêndido spa na Ilha de Capri que abriga o restaurante L’Ollivo (duas estrelas no Guia Michelin). Assegurada a boa mesa, tratou de acentuar o clima romântico com um show do cantor Peppino di Capri, presença obrigatória nas paradas de sucesso dos anos 60. Foto: Última Instância Disposto a tornar irresistível a tentação de cruzar o Atlântico, o noivo avisou aos 200 convidados que todos teriam direito a dois dias de hospedagem gratuita no Capri Palace Hotel (um cinco estrelas cujas diárias oscilam entre R$ 1,5 mil e R$ 15 mil), em apartamentos ornamentados com champanhe, frutas e brindes. Também colocou a disposição dos viajantes uma equipe de cabeleireiros e maquiadores importados do Brasil. E informou que os deslocamentos internos ficariam por conta do anfitrião. Foto: Divulgação Conversa fiada, retrucam normas legais e imperativos éticos. Primeiro, Toffoli tem o dever de provar que não usou dinheiro público na compra das passagens aéreas nem ficou hospedado num hotel por conta do noivo. Se fez isso, deve ressarcir a União e o festeiro perdulário ─ e, imediatamente, declarar-se impedido de participar de qualquer julgamento em que Podval esteja interessado. É muito amigo do advogado para decidir com isenção. Se bancou com o próprio dinheiro uma viagem à Itália só para festejar um casamento, é mais amigo ainda. Em ambas as hipóteses, está definitivamente sob suspeição. *Alteramos o título, acrescentamos subtítulo, foto e legenda ao texto original de Augusto Nunes |
14 de nov. de 2011
A desculpa esfarrapada do Ministro Toffolli
25/072011


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