| OPINIÃO Há método na loucura norte-coreana, mas até quando? “Não existem opções animadoras nesta crise. E uma medida da falta de boas opções para lidar com Kim Jong-il é que a Coréia do Sul espera que a China enquadre o seu afilhado delinqüente” – Caio Blinder
Foto: Kyodo/Getty Images Caio Blinder Você fala norte-coreano? Na praça, existem várias tentativas de tradução das ações teatrais, pirotécnicas e letais do regime comunista de Kim Jong-il, que o subsecretário de estado para assuntos asiáticos dos EUA, Kurt Campbell, define como uma “caixa preta”. Na escalada de tensões, tivemos estes últimos e preocupantes lances que foram a barragem de artillharia contra uma ilha sul-coreana e a revelação ao mundo por um regime recluso que o seu programa de enriquecimento de urânio, de um país já dotado de um pequeno arsenal nuclear, é mais avançado do que se temia. Em março, já ocorrera uma escalada de tensões com o ataque a uma embarcação sul-coreana, que deixou 46 marinheiros mortos, numa ação negada pelos norte-coreanos, apesar das evidências. Uma tradução é que existe método na loucura de uma regime que é uma mistura de relíquia stalinista, organização mafiosa e militarismo ultranacionalista. Kim Jong-il precisa mostrar ao mundo e ao público doméstico a sua força quando empreende a transição de poder ao filho Kim Jong-un, na única monarquia comunista do mundo, pois será a terceira geração no comando. Há também a jogada frequente de botar fogo e fazer extorsão da comunidade internacional para que apague o incêndio com mais negociações nucleares, suprimentos e qualquer tipo de ajuda. Americanos e seus aliados prometem não cair novamente no golpe do método na loucura, mas se assustam. Não existem opções animadoras nesta crise. E uma medida da falta de boas opções para lidar com Kim Jong-il é que a Coréia do Sul espera que a China enquadre o seu afilhado delinquente. E aqui os sinais são incertos. A China está adotando uma diplomacia cada vez mais muscular, batendo de frente com os EUA e outros países ocidentais em questões cambiais, comerciais e de direitos humanos. O irriquieto aliado é um estorvo, mas Pequim parece temer, antes de tudo, a perspectiva da implosão do vizinho e de reunificação da península coreana, num desfecho pró-ocidental. Melhor que, antes de tudo, os chineses também se assustem com a explosão do método da loucura do regime de Kim Jong-il. Afinal, há o cenário de uma escalada de tensões ainda maior. O método da loucura pode falhar, caso a Coréia do Sul revide com mais vigor às provocações do vizinho delinquente e fortemente armado. E o bandido também quer respeito. Apronta inclusive para ser aceito no clube nuclear e chamar atenção quando a Coréia do Sul consolida sua posição como um país próspero e democrático. Semanas atrás inclusive sediou a reunião do G-20. Os norte-coreanos também fizeram provocações perigosas no final dos anos 80 quando Seul foi escolhida para sediar os Jogos Olímpicos de 1988. Tudo parece ser um lance de cartas marcadas, mas o que está em jogo é cada vez mais alarmante. Como a Coréia do Sul e o mundo, inclusive a China, podem continuar a assistir a este espetáculo teatral, pirotécnico e letal? Apesar de alguns sinais de progressos, os anos de diplomacia e sanções econômicas não impediram a Coréia do Norte de desenvolver seu pequeno arsenal nuclear. Lembra o Irã, certo? Os norte-coreanos realizaram testes nucleares em 2006 e 2009 e agora mostram ao mundo sua sofisticada instalação de enriquecimento de urânio. Este regime faz qualquer coisa para desviar as atenções da opressão e miséria ofertadas ao seu povo. E tecnicamente as duas Coréias continuam em estado de guerra, pois em 1953 foi apenas assinado um armistício. É necessário acompanhar a crise dia a dia, hora a hora. O método na loucura pode pifar. É preciso traduzir o perigo? |
30 de nov. de 2010
OPINIÃO: Há método na loucura norte-coreana, mas até quando? - Caio Blinder
BBC acusa Ricardo Teixeira de receber propina
| INGLATERRA BBC acusa Ricardo Teixeira de receber propina Segundo reportagem da TV da BBC de Londres, quatro dirigentes da FIFA estão envolvidos em histórias de propinas, entre eles, como não poderia deixar de ser, está o brasileiro Ricardo Teixeira, o homem que prepara a Copa do Mundo de 2014, no Brasil. O primeiro-ministro britânico, David Cameron, criticou a emissora, acreditando que a denuncia, neste momento, prejudicará a Inglaterra, concorrente em sediar a Copa de 2018. A escolha acontecerá no próximo dia 02 de dezembro.
Fotos: Associated Press/Reuters/Getty Images Postado por Toinho de Passira Três dirigentes da Fifa que votarão nas candidaturas para as Copas do Mundo de 2018 e 2022, entre eles o brasileiro Ricardo Teixeira, receberam propinas durante a década de 1990, segundo reportagem do programa de TV Panorama, da BBC. O programa alega que o paraguaio Nicolas Leoz, o camaronês Issa Hayatou e o presidente da Confederação Brasileira de Futebol receberam dinheiro de uma empresa de marketing esportivo que havia ganhado os direitos de comercialização da Copa do Mundo. As propinas estão incluídas em um documento confidencial que lista 175 pagamentos, totalizando US$ 100 milhões. Nenhum dos três dirigentes respondeu às alegações do Panorama. A Fifa, entidade que dirige o futebol mundial, também negou pedidos de entrevistas para discutir as acusações.
O Panorama, transmitido nesta segunda-feira na Grã-Bretanha, traz ainda evidências do atual envolvimento de um quarto alto dirigente da Fifa na revenda de ingressos da Copa do Mundo para agenciadores. A BBC foi criticada pelo primeiro-ministro britânico, David Cameron, por ter decidido levar o programa ao ar nesta semana, três dias antes da votação do Comitê Executivo que escolherá as sedes dos Mundiais de 2018 e 2022. A Inglaterra compete com a Rússia, Portugal/Espanha e Holanda/Bélgica para sediar a Copa de 2018. A BBC defendeu o momento de transmissão do Panorama, dizendo que as informações divulgadas são de interesse público. Segundo o programa Panorama, as propinas foram pagas aos membros do comitê executivo da Fifa pela empresa de marketing esportivo ISL (International Sports and Leisure) em 1989 e 1999. A empresa faliu em 2001. A Fifa havia concedido à ISL direitos exclusivos para comercializar torneios da Copa do Mundo junto a algumas das maiores marcas do mundo. A empresa suíça recebeu ainda grandes quantias pela negociação de direitos de transmissão para a televisão. Um ex-contador da ISL, Roland Buechel, disse que funcionários da empresa suspeitam há tempos que propinas haviam sido pagas para a obtenção dos lucrativos contratos da Fifa. “É muito dinheiro, bilhões, que podem ser ganhos, e todas as empresas de marketing esportivo competem por eles”, disse Buechel. Alguns detalhes das alegadas propinas emergiram em 2008, quando seis dirigentes da ISL foram acusados de uso irregular de dinheiro da empresa.
O paraguaio Nicolas Leoz, presidente da Confederação Sul-Americana de Futebol, já foi citado em processos anteriores com relação a pagamentos que totalizam US$ 130 mil. Mas o Panorama obteve um documento confidencial da ISL que lista 175 pagamentos secretos. Eles mostram que Leoz recebeu outros US$ 600 mil em três parcelas de US$ 200 mil. Leoz não respondeu a pedidos para comentar as acusações. Ricardo Teixeira é o segundo dirigente da Fifa citado pelo programa. O presidente da CBF é responsável pela organização da Copa do Mundo de 2014, no Brasil. A lista de pagamentos da ISL mostra que uma empresa de fachada em Liechtenstein, chamada Sanud, recebeu 21 pagamentos que totalizam US$ 9,5 milhões. Uma investigação do Senado brasileiro em 2001 concluiu que Teixeira tinha uma relação muito próxima com a empresa. O inquérito descobriu que fundos da Sanud haviam sido secretamente desviados para Teixeira por meio de uma de suas companhias. Teixeira também não respondeu aos pedidos do Panorama para que comentasse as alegações. A lista obtida pelo Panorama também inclui detalhes sobre os 100 mil francos (cerca de US$ 20 mil) pagos a Issa Hayatou, o vice-presidente da Fifa representando as nações africanas. Assim como os outros dois acusados, Hayatou também não respondeu às acusações. O presidente da Fifa, Sepp Blatter, disse por meio de um comunicado que o processo de 2008 já absolveu claramente os ex-dirigentes da ISL. Ele disse que “é importante salientar que nenhum dirigente da Fifa foi acusado de nenhuma infração criminal nestes procedimentos”. Os destinatários da maior parte do dinheiro pago pela ISL para contas em Liechtenstein não foram rastreados.
As últimas alegações de irregularidades cometidas por executivos da Fifa ocorrem após dois dos 24 membros do seu comitê terem sido proibidos, no mês passado, de votar na eleição de quinta-feira para as sedes das próximas Copas do Mundo. As proibições ocorreram após o jornal britânico The Sunday Times ter acusado Amos Adamu e Reynald Temarii de terem a intenção de vender seus votos. Críticos da Fifa afirmam que as denúncias mostram ser necessária uma investigação completa sobre o caso. “A Inglaterra desempenharia um papel melhor se insistisse na reforma da Fifa, para tornar a Fifa mais transparente, mais responsável, em vez de bajular a Fifa para conseguir sediar a Copa do Mundo”, disse David Mellor, responsável por investigações sobre os rumos do futebol no país durante o governo Tony Blair. Um quarto executivo da Fifa é citado pelo Panorama. Seu nome é Jack Warner, de Trinidad e Tobago, um dos vice-presidentes da entidade. O Panorama diz ter visto e-mails e uma fatura que mostram o envolvimento de Warner na aquisição de ingressos para a Copa de 2010 avaliados em US$ 84 mil. Os destinos dos e-mails sugerem que os ingressos estariam destinados ao mercado paralelo. Mas o negócio planejado, incluindo 38 ingressos para a final em Johanesburgo, fracassaram porque os cambistas não queriam pagar o preço pedido. Em 2006, o Panorama revelou que Warner vendeu ingressos no mercado paralelo para a Copa daquele ano na Alemanha.
A Fifa subsequentemente ordenou que a empresa da família de Warner, a Simpaul Ravel, fizesse uma doação de US$ 1 milhão para caridade para “compensar pelos lucros obtidos com a venda de ingressos para a Copa de 2006”. Foto: Ricardo Stuckert/PR |
29 de nov. de 2010
Paula Toller canta “Nada Por Mim” de Paula Toller e Herbert Vianna
| Paula Toller canta " Nada Por Mim” de Paula Toller e Herbert Vianna
NADA POR MIM |
HAITI: Eleição é considerada fraudulenta
| HAITI Eleição é considerada fraudulenta Apesar do Conselho Eleitoral do Haiti ter anunciado que as eleições presidenciais deste domingo foram válidas, os observadores americanos disseram que o pleito estava repleto de irregularidade. Houve protestos pelas ruas da capital, Porto Príncipe, inclusive com a participação de candidatos, que pediam anulação e acusam o governo de querer fraudulentamente eleger o candidato governista Jude Celestin
Foto: Reuters Postado por Toinho de Passira O Conselho Eleitoral do Haiti anunciou, hoje, oficialmente, que as eleições presidenciais de domingo foram válidas na maioria do país, apesar dos protestos de milhares de haitianos, motivados pelas denúncias de fraudes feitas por vários candidatos, que pediram a anulação do processo. O CEP informou que a votação foi anulada em 56 locais de um total de 1.500 em todo o país. O diretor geral do Conselho eleitoral, Pierre-Luis Opent, disse que os problemas vão ser estudados casos a caso, e dentro de do máximo, 72 horas, sairá à decisão das providências legais. Milhares de haitianos protestaram no domingo em Porto Príncipe e pediram a anulação das eleições legislativas e presidenciais, alegando que houve manipulação do partido do presidente René Preval. 12 dos 18 candidatos à presidência, incluindo os favoritos Mirlande Manigat e Michel Martelly, participaram das manifestações e denunciaram em uma declaração conjunta uma "conspiração do governo e do CEP" para beneficiar o candidato governista Jude Celestin. As tropas da ONU foram chamadas a intervir para manter a calma em vários atos de violência no país. Foto: Getty Images Mas não foram só populares e os candidatos que denunciaram irregularidades, os observadores americanos, que acompanhavam o pleito declararam que as eleições presidenciais e legislativas realizadas no domingo no Haiti estavam repletas de irregularidades e chamaram a comunidade internacional a rejeitar esta "farsa óbvia". Foto: Getty Images |
Bispos discordam do Papa e atacam uso de camisinhas
| ESPANHA Bispos discordam do Papa e atacam uso de camisinhas “A conclusão é que o preservativo é sempre imoral” - disse o Bispo espanhol, Martínez Camino, porta voz da Conferência Episcopal espanhola, tentando dá outra interpretação as palavras do Papa, que recentemente justificou o uso de camisinha "em alguns casos” num depoimento transformada em livro por um jornalista alemão
Foto: Getty Images Postado por Toinho de Passira Segundo texto do jornalista Juan G. Bedoya, no jornal El Pais, da Espanha, o porta-voz dos bispos espanhóis, Juan Antonio Martínez Camino, uniu-se na sexta-feira à cerimônia da confusão no mundo católico sobre o preservativo. Bento 16 justifica seu uso "em alguns casos", o Vaticano desmente e a Conferência Episcopal se coloca sem vacilar do lado da suposta doutrina clássica. A conclusão é que o preservativo é sempre imoral. Foi o que disse na sexta-feira Martínez Camino no encerramento da Assembleia Plenária do episcopado. "Nas palavras do papa não há nem de longe uma legitimação do preservativo. Lendo detidamente o livro, não se pode tirar essa conclusão", sentenciou. Referia-se ao livro "Luz do Amor", de Peter Seewald, que acaba de ser publicado. A compreensão do papa pelo uso do preservativo "em alguns casos" já foi atenuada na terça-feira nada menos que pelo diretor do Departamento de Imprensa do Vaticano, Federico Lombardi. Foto: Reuters
O jornal do Vaticano, "L’Osservatore Romano", havia publicado na véspera que Bento 16 afirmava no livro que "pode haver casos individuais nos quais se justifique a utilização do preservativo". Em um comunicado emitido no dia seguinte, o Vaticano negou que isto representasse uma virada. "O papa não reforma ou modifica o ensinamento da Igreja, mas o reafirma." Dois dias depois era o papa quem afirmava que suas palavras não precisavam de matização, ratificando o escrito por Seewald. Isto é o que foi dito por Bento 16 no livro, quando fala sobre hospitais de doentes de Aids administrados por católicos na África: "A realidade é que, sempre que alguém o necessite, se têm preservativos à disposição". Linhas abaixo refere-se a seu uso para "casos fundados de caráter isolado, por exemplo, quando um prostituído utiliza um preservativo, podendo ser isto um primeiro ato de moralização e de responsabilidade". Seewald, consciente de que o que foi dito pelo papa representa uma novidade inusitada, insiste: "Isto significa que a Igreja Católica não é por princípio contra a utilização do preservativo?" Bento 16 responde: "É óbvio que não o vê como uma solução real e moral. No entanto, pode ser, em atenção de reduzir o perigo de contágio, o primeiro passo no caminho para uma sexualidade vivida de forma diferente". Mas o porta-voz dos bispos espanhóis volta à doutrina clássica: "O uso do preservativo sempre se produz em um contexto de imoralidade". Foto:Reuters |
28 de nov. de 2010
CLÁSSICOS DOS QUADRINHOS: CHRIS BROWNE - Hagar, o horrível (028)
| CLÁSSICOS DOS QUADRINHOS CHRIS BROWNE - Hagar, o horrível
028
Veja as publicações anteriores de HAGAR |
BRASIL: A cara e o vigor da oposição real - Augusto Nunes
| BRASIL A cara e o vigor da oposição real Da tribuna do Senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) diz acreditar que Serra seria melhor presidente que Dilma. E acusa o presidente Lula de ter usado a máquina do Estado e infringido a lei eleitoral para eleger sua candidata
Foto: Geraldo Magela - Agência Senado Augusto Nunes Qualquer político com mais quatro anos de mandato no Senado teria repelido a idéia de disputar, em condições desvantajosas, um cargo que já ocupou por duas vezes. Como não é um político qualquer, o senador Jarbas Vasconcelos topou o convite de José Serra para candidatar-se a governador de Pernambuco. Qualquer candidato confrontado com a máquina eleitoral do governador Eduardo Campos teria aproveitado o primeiro pretexto para cair fora do duelo dramaticamente desigual. Como nunca foi um candidato qualquer, Jarbas dispensou-se de lamentar publicamente a falta de material de campanha, a escassez de verbas, a deserção coletiva de prefeitos do seu PMDB e do PSDB de José Serra e o sumiço do próprio candidato à Presidência. Fiel à biografia de oposicionista valente, tratou de defender José Serra e criticar Dilma Rousseff. Com notável coerência, atacou o governo Lula e ousou continuar fustigando até o Bolsa Família, que qualifica de “o maior programa oficial de compras de voto do mundo”. Mais: foi ele único candidato a governador que transformou em bandeira de campanha o legado do governo Fernando Henrique Cardoso. Poucas vitórias foram tão contundentes quanto a de Eduardo Campos, reeleito com 82% dos votos válidos. Nenhuma derrota foi tão admiravelmente digna quanto a sofrida por Jarbas. Tão digna quanto a sua reação ao resultado desfavorável: sem se permitir uma única semana de férias, um único dia de prostração, um único minuto de silêncio, seguiu em combate. Como se vê no vídeo, foi ele o primeiro parlamentar a ocupar a tribuna para ler um discurso justificadamente duro sobre as ilegalidades cometidas pelo presidente durante a campanha eleitoral. Dado pelo governo como politicamente morto depois de 31 de outubro, Jarbas vai terminando novembro mais vivo do que nunca. Ele tem a cara e o vigor da oposição real. Veja um resumo do discurso de Jarbas no Senado.
*Acrescentamos subtítulo, foto e legenda ao texto original |
HAITI: Eleições entre cólera, esperanças e tiroteios
| HAITI Eleições entre cólera, esperanças e tiroteios O país símbolo da pobreza caribenha, o Haiti, realiza neste domingo, eleições para eleger o presidente, 99 deputados e 11 dos 99 senadores. Apareceram 19 candidatos querendo ser o chefe da nação, atormentada por terremotos, epidemias e violência.
Foto: Getty Images Postado por Toinho de Passira O Haiti vai às urnas neste domingo em eleições dificultadas por uma epidemia de cólera, tensões políticas e confusão entre o eleitorado, buscando um líder para conduzir o país caribenho pobre em sua recuperação de um terremoto ocorrido em janeiro. Ontem, ultimo dia de campanha, atiradores interromperam o comício, em Les Cayes, do candidato à presidência Michel Martelly, conhecido como "Sweet Micky", um famoso artista da música popular haitiana, um dos bem cotados nas pesquisas. Jornais locais disseram que ao menos uma pessoa morreu e várias ficaram feridas. A comunidade internacional espera que a eleição - na qual serão escolhidos um novo presidente e Parlamento, além de um terço do Senado - possa levar a um governo estável e legítimo, que seja capaz de administrar bilhões de dólares de ajuda para a reconstrução que foram prometidos por doadores.
Foto: Getty Images Representando esse apoio do mundo, forças de paz da ONU, com seus capacetes azuis, liderados pelo Brasil, vêm ajudando a polícia haitiana a garantir a segurança e proteção de mais de 11 mil estações de voto montadas em escolas, barracos pré-fabricados de madeira e tendas em superlotados acampamentos de sobreviventes do terremoto. “Mas, com as tensões políticas em alta e os trabalhos de reconstrução após o terremoto devastador de janeiro aparentemente paralisados pelo avanço da epidemia letal de cólera, muitos temem que uma eleição turbulenta possa simplesmente fazer o país mergulhar ainda mais fundo no caos”, diz Joseph NGuyler Delva, da Reuters. Foto: Reuters As pesquisas de opinião situaram em primeiro lugar nas preferências a ex-primeira-dama Mirlande Manigat, de 70 anos, mas a ausência de um favorito claramente definido aumenta a probabilidade de a disputa ir ao segundo turno, em 16 de janeiro, entre os dois candidatos que tiverem o maior número de votos. Foto: Getty Images Antes que os primeiros votos fossem depositados nas urnas, alguns candidatos já proclamam que há evidencias de planos de fraudes. Foto: Getty Images |
OPINIÃO: O inimigo agora é o mesmo - Guilherme Fiuza
| OPINIÃO O inimigo agora é o mesmo “A ocupação policial de favelas, enxotando traficantes, foi uma medida ousada. Só faltou combinar com a indústria da delinquência, alimentada a pão-de-ló por tanto tempo.” - Guilherme Fiuza
Foto: Getty Images Guilherme Fiuza O governador do Rio declarou que os traficantes estão desesperados. Enquanto isso, o porta-voz da Polícia Militar orientava a população a manter a calma durante os ataques da bandidagem, explicando que é melhor perder o patrimônio do que a vida. E assim, com os bandidos em pânico e a população em paz, o Rio de Janeiro e o Brasil celebrarão mais uma vitória dos seus Napoleões de hospício contra o crime. Foram décadas de investimento público na formação do exército de marginais. Proibição de drogas altamente rentáveis, tolerância populista aos territórios das “bocas de fumo”, polícia corrupta garantindo o ir e vir da cocaína e dos fuzis, governantes fazendo acordos tácitos com chefes de morro em nome da paz e dos votos. De repente, as autoridades resolvem melar o jogo - ou a parte mais visível dele. A ocupação policial de favelas, enxotando traficantes, foi uma medida ousada. Só faltou combinar com a indústria da delinquência, alimentada a pão-de-ló por tanto tempo. Para o público, que se sente vingado pelo Capitão Nascimento quando ele espanca um político na tela do cinema, está tudo OK. As coisas são simples assim. O ideal seria que Wagner Moura assumisse o lugar do secretário Beltrame e acabasse de vez com a raça dos vilões - cuja vocação é essa mesma, apanhar. Foto: Associated Press O problema é que na vida real o roteiro é diferente. Não basta dizer que o inimigo agora é outro e ensinar o pessoal a detestar as milícias enquanto come pipoca. O inimigo agora é o mesmo - exatamente aquele que o poder público cultivou carinhosamente por uns 30 anos, com a hipocrisia bilionária das drogas proibidas e da inundação das favelas com armamento de última geração (que ninguém sabe, ninguém viu por onde passou). Foto: Reuters Na dinastia Garotinho, o antropólogo Luiz Eduardo Soares tentou depurar a polícia e quebrar a espinha dessa indústria. Foi expelido. Seu pecado: atacar a cadeia de complacências jamais quebrada por qualquer governo do Rio ou de Brasília. Foto: Asssociated Press As autoridades do Rio de Janeiro iniciaram, com amplo respaldo do eleitorado, uma guerra que não sabem como vai terminar. Foto: Associated Press O Bope vai tomar a Rocinha numa batalha sangrenta e ficar lá para sempre? O tráfico, conformado, vai desistir dos territórios e das armas e se mudar pacificamente para a internet? Mais fácil o Rio virar Bagdá. Foto: Reuters A pouco mais de um mês de sua posse, a presidente eleita não dá uma palavra sobre a guerra. Parece estar preparando a transição para governar a Noruega. Foto: Reuters *Acrescentamos subtítulo, foto e legenda ao texto original |
27 de nov. de 2010
Obama toma cotovelada em jogo e leva 12 pontos
| ESTADOS UNIDOS Obama toma cotovelada em jogo e leva 12 pontos O presidente americano jogava basquetebol, uma de suas paixões esportivas, com amigos e parentes, quando acidentalmente alguém lhe atingiu com o cotovelo o que acabou abrindo-lhe o lábio inferior. Antes que a Casa Branca divulgasse o nome do jogador que atingiu o presidente, os humoristas estavam dizendo que havia sido um republicano
Foto: Reuters Postado por Toinho de Passira
Jogador de basquete nos tempos de faculdade, o presidente americano, Barack Obama, levou ontem um susto depois de uma cotovelada no rosto que tomou enquanto jogava com parentes e amigos. A brincadeira, durante o feriado de Ação de Graças, lhe rendeu 12 pontos no lábio, informou a Casa Branca. O porta-voz de Obama, Robert Gibbs, disse que a cotovelada foi acidental e ocorreu durante uma partida em Fort McNair, uma base militar em Washington. Obama foi atendido por uma unidade médica da Casa Branca. O excesso de pontos seria para minimizar a cicatriz. O presidente levou anestesia local enquanto recebia o curativo. Mais tarde, ele foi visto por repórteres e segurava uma compressa na boca. O autor da cotovelada foi identificado como sendo um alto funcionário do Congressional Hispanic Caucus Institute, Rey Decerega, que sempre participa desses jogos particulares com o Presidente. A Casa Branca divulgou um comunicado de Decerega, que diz que ele gosta de jogar basquete com Obama, e é certo que o presidente vai estar de volta em quadra novamente em breve. Entre os participantes do jogo estava Reggie Love, também ex-jogador de basquete e assistente pessoal do presidente. O cunhado de Obama, Craig Robinson, técnico do time de basquete masculino da Universidade de Oregon, não teria participado da brincadeira. O sobrinho de Obama, o adolescente Avery, estava entre os jogadores. Assim que foi eleito, Obama, torcedor do Chicago Bulls, mandou reformar a quadra de esportes da Casa Branca. Cartoon de Peter Brookes/Times- 04/11/2009 |
26 de nov. de 2010
Zeca Pagodinho canta “Piston de gafieira” de Billy Blanco
| Zeca Pagodinho canta “Piston de gafieira” de Billy Blanco
PISTON DE GAFIEIRA |
EUA envolve-se militarmente no conflito coreano
| COREIAS EUA envolve-se militarmente no conflito coreano Para Coreia do Norte, exercícios militares dos EUA com a Coreia do Sul, no golfo do Mar Amarelo, tornam guerra iminente
Foto: Yonhap/Associated Press/The New York Times Postado por Toinho de Passira A Coreia do Norte disse nesta sexta-feira que os exercícios militares a serem realizados conjuntamente pelos Estados Unidos e a Coreia do Sul irão empurrar a região para mais perto de uma guerra. Na terça-feira, a Coreia do Norte bombardeou uma ilha sul-coreana, matando quatro pessoas e destruindo dezenas de casas. O Norte alegou que estava reagindo a disparos sul-coreanos nas suas águas. "A situação na península coreana está se aproximando da beira de uma guerra, devido ao imprudente plano desses elementos rápidos no gatilho, ao realizarem novamente exercícios de guerra voltados contra a RDPC (sigla oficial da Coreia do Norte)", afirmou a KCNA, agência oficial de notícias norte-coreana. "O Exército e o povo da RDPC estão agora grandemente enraivecidos pela provocação do grupo fantoche (referência à Coreia do Sul), e se preparando plenamente para dar uma chuva de fogo pavoroso e para explodir o baluarte dos inimigos se eles ousarem investir novamente contra a dignidade e a soberania da RDPC." Foto: Lee Jin-Man/Associated Press Essa linguagem agressiva é típica da imprensa estatal norte-coreana, mas desta vez a tensão derrubou a cotação do won sul-coreano em até 2,2 por cento. A Bolsa de Seul fechou em baixa de 1,3 por cento nesta sexta-feira, refletindo o movimento do mercado asiático. Foto: Divulgação Os EUA estão enviando o porta-aviões nuclear USS George Washington para a região do mar Amarelo, onde ocorrem exercícios conjuntos com a Coreia do Sul, de domingo a quarta-feira da próxima semana. O exercício, criticado também pela China, segundo os americanos, estava programado antes do bombardeio norte-coreano desta semana. Foto: Reuters |
Ataques no Rio tem digitais da FARC
| RIO DE JANEIRO Ataques no Rio tem digitais da FARC Ataques do crime organizado, na Cidade Maravilhosa, é um ato terrorista, com todas as características de uma guerrilha urbana. Todos os atos terroristas se parecem, mas as similaridades dessas ações atuais no Rio, com atos praticados pelo narcoterroristas colombianos em importantes cidades daquele país, podem ser bem mais que simples coincidências
Foto: Associated Press Postado por Toinho de Passira O professor de História Contemporânea da UFRJ Francisco Carlos Teixeira, citado no artigo de Merval Pereira intitulado Desafio e reação, considera um equívoco pensar que só é terrorismo aquilo que parte de grupos políticos, com um programa político, e objetivos bem estabelecidos, como libertação de um território, ou luta contra um regime. “Terrorismo é um método de ação, não um objetivo”, ressalta Teixeira. Quando uma pessoa ou um grupo organizado usa da violência, em especial contra a população civil ou autoridades constituídas num estado de direito, é terrorismo”. Enquanto o economista Sérgio Besserman, que foi um dos estrategistas da política de retomada dos territórios ocupados pelos bandidos no Rio, também citado no mesmo artigo, “lembra que terrorismo não luta para ganhar a guerra, mas para ganhar a comunicação, que no caso do Rio é instalar o pânico na população, sugerir que são capazes de impor elevados custos a todo o estado, de modo a forçar algum tipo de acordo, ou explícito, ou tácito.” Esta sendo assim por longo tempo na Colômbia: os guerrilheiros explodem pequenas bombas, queimam veículos, procurando criar um clima de insegurança, apenas para demonstrar força e realçar a impotência das autoridades em contê-los. Foto: Arquivo As ligações com o crime organizado carioca e os guerrilheiros da FARC, fornecedores de pó aos traficantes do Rio, vem de longa data. Basta lembrar a prisão do traficante Fernandinho Beira-Mar, pelo exercito regular da Colômbia, nas selvas daquele país, quando negociava e era protegido pelos guerrilheiros.
Óbvio que Beira-Mar pode ser apenas uma pequena peça nessa engrenagem. Tanto as FARC, como outras organizações de narcotraficantes, podem estar estimulando, assessorando e até participando dos ataques no Rio, em busca de defender o seu território, e apoiar os lideres criminosos locais, seus sócios, que estão sendo molestados pelas autoridades. Os traficantes cariocas poderão até estar apenas copiando os companheiros da FARC, mas o mais provável é que haja mais que uma cópia do “modus operandi”. Ninguém pense que devido à simpatia que os guerrilheiros colombianos têm com o governo Lula e até exultaram com a eleição da companheira guerrilheira Dilma Rousseff, vá impedi-los de agirem criminosamente no Brasil. Para os traficantes, como no capitalismo, “amigos, amigos, negócios à parte.” Não foram poucas as vezes que se detectou a presença de integrantes da FARC infiltrados nos morros cariocas. Um deles, o ex-padre Olivério Medina, condenado por narcotráfico, sequestro e assassinato no seu país, pode circular livremente pelo Brasil na condição de asilado político. O mais preocupante é que a mulher de Medina, a brasileira Ângela Maria Slongo, ocupa, por determinação, da então ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, cargo de confiança no Ministério da Pesca, em Brasília, com amplo acesso a informações federais. Não é novidade os guerrilheiros da FARC atacarem o Brasil e serem perdoados pelos petista: em 1991, um destacamento de fronteira, do exército brasileiro, perto do rio Traíra, na Amazônia, foi atacado pela guerrilha, no que resultou a morte de três soldados brasileiros. Em abril de 1993, os terroristas colombianos da FARC “explodiram 200 quilos de dinamite na Embaixada do Brasil em Bogotá, causando a morte, de 43 colombianos e deixando feridos cerca de 350 pessoas, entre funcionários e diplomatas lotados na embaixada brasileira”. Mas esse atos terroristas não inibiram o relacionamento do Partido dos Trabalhadores com os companheiros da guerrilha colombiana. Pelo contrário. Em 1994, um ano depois das bombas, liderança do PT de Ribeirão Preto - ligada diretamente ao prefeito Antonio Palocci (um dos porquinhos de Dilma) – fundou o Comitê de Solidariedade aos Movimentos de Libertação Nacional da Colômbia, tendo à frente, entre outras personalidades, o padre terrorista Oliverio Medina, o embaixador informal da FARC no Brasil, queridinho de Lula e protegido de Dilma.
A presidente eleita, Dilma Rousseff, telefonou para o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), para prestar solidariedade e prometer dar continuidade ao apoio federal, quando assumir a Presidência. Disse que Sérgio Cabral está agindo corretamente e que vai tentar exportar a política das autoridades cariocas, no combate ao crime organizado, a outros estados da federação. Não compreendemos bem o que ela quis dizer, mas preferimos que isso não se espalhasse pelo Brasil.
Sérgio Cabral e a segurança pública do Rio, estão atirando no escuro. Aproveitam a situação para atacar alguns locais onde sabiam, há muito, estavam sitiados bandidos perigosos. Não tem certeza, porém, se foram esses os bandidos responsáveis pelos ataques. Em nossa opinião, ele está como Chico Buarque indo atrás do "Leite Derramado". Alegar que os bandidos estão atacando porque o governo do Rio instalou precários quartéis, as unidades de pacificação, em cinco das centenas de favelas cariocas, é tentar valorizar agulhas num palheiro. Um correto serviço de segurança pública não seria surpreendido com as ações dos criminosos. Tudo mais é especulação. Os bandidos vão continuar incendiando veículos e aterrorizando o Rio até quando receberem ordens de pararem. São eles que estão no comando, dão provas de força, mostram que podem e que o estado brasileiro, não tem estrutura para enfrentá-los. Coisa de guerrilheiros consciente, como bem diria aquela guerrilheira também conhecida por Wanda, integrante da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares). Só para apimentar a história, podíamos lembrar que os bandidos esperaram o fim do período eleitoral, para empreender as ações terroristas. Fosse antes das eleições, teriam prejudicado sua “aliada”. Sinceramente, apesar do discurso, temos dúvidas de que lado realmente se encontra a futura presidenta. Foto: Reuters |
CUBA: As tangerinas vem de barco - Yoani Sánchez
| CUBA As tangerinas vem de barco A blogueira cubana, Yoani Sánchez, revelando as carências de Cuba, onde há fartura de intolerância e carência de tangerinas e liberdade
Yoani Sánchez É uma bolsa de malha, uma redezinha entrelaçada de cor avermelhada com cinco tangerinas em seu interior. As trouxe - da Europa – um leitor que descobriu onde vivo graças as pistas deixadas no blog. Depois de brindar-lhe com um vaso de água, tirou os cítricos da sua mochila – com certa vergonha – como se viesse me presentear com algo muito comum nesta Ilha, mais comum inclusive que o marabú* ou a intolerância. Não se explica então porque agarro o pacote e afundo o nariz em cada fruta. Uns segundos e chamo aos gritos a minha família para mostrar-lhes os arredondados alaranjados que já começo a descascar. Afundo minhas unhas na casca e perfumo meus dedos. Tenho uma festa de resina sobre cada mão. Uma trilha de cascas enche a mesa e até o cachorro se entusiasma com o odor que excita toda a casa. Chegaram as tangerinas! Voltou esse aroma quase perdido, essa textura extraviada! Minha sobrinha celebra a aparição e tenho que lhe explicar que uma vez estes frutos não vinham nem de barco nem de avião. Evito confundi-la – porque só tem oito anos – com a história do plano citrícola nacional e das grandes extensões da Ilha da Juventude onde as laranjas e os grapefruit eram colhidos por estudantes de outros países. Tampouco menciono as cifras triunfalistas lançadas da tribuna ou os sucos Tropical Island que começaram sendo fabricados coma polpa extraída das nossas colheitas e agora sabem a xaropes importados. Mas sim lhe conto que quando novembro ou dezembro chegava, todos os meninos da minha escola primária cheiravam a tangerinas. Que dias aqueles! Em que ninguém tinha que trazer-nos de um continente longínquo o que as nossas próprias terras produziam. *Traduzido por Humberto Sisley de Souza Neto **O marabu é uma espécie de um arbusto nativo da África e um praga vegetal em Cuba. Ocupa 18% das áreas agriculturáveis da ilha e reduziu drasticamente a produção de frutas, no país. ***Acrescentamos subtítulo, foto e legenda ao texto original |
25 de nov. de 2010
Rio 2016 - "Video Institucional” - Fernando Meirelles
| Rio 2016 - "Video Institucional” do cineasta Fernando Meirelles
O filme institucional oficial do Comitê Rio 2016, que coordenou a campanha pela escolha do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016 é um espetáculo de marketing. Dirigido pelo cineasta Fernando Meirelles(indicado ao Oscar de melhor diretor, pelo filme, “Cidade de Deus”, sobre a violência no Rio). |
OPINIÃO - “Primeiros riscos” – Mirian Leitão
| OPINIÃO “Primeiros riscos” – Mirian Leitão “Herdada do expresidente Fernando Henrique, a política econômica de austeridade fiscal, câmbio flutuante e metas de inflação foi mantida pelo governo Lula até certo momento. Depois, começou a ser alterada e há dois anos desmontou-se o pilar da austeridade completamente” – Miriam Leitão
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr Miriam Leitão A maioria dos analistas não tem dúvidas da capacidade técnica do novo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, mas muita gente duvida que o BC tenha autonomia no governo Dilma Rousseff. O governo terá que pagar o preço dessa reputação. Sinais ambíguos emitidos pela própria presidente e as teses do ministro da Fazenda, Guido Mantega, levaram a conjuntura a uma situação difícil. Tombini sobe ao ápice de sua carreira de funcionário do Banco Central ao mesmo tempo em que sobem a inflação, os juros futuros, as expectativas de inflação, os preços das commodities, as vendas de varejo e as dúvidas em relação à política monetária. Não precisava ser assim. O país poderia estar agora apenas comemorando o que o grande varejo previu ontem como o melhor Natal em três anos. Valem pouco as palavras da nota da presidente eleita de que será mantida a política econômica de austeridade fiscal, câmbio flutuante e metas de inflação, se, na prática, parte dessa política já mudou. Herdada do expresidente Fernando Henrique, a política foi mantida pelo governo Lula até certo momento. Depois, começou a ser alterada e há dois anos desmontou-se o pilar da austeridade completamente. O ministro Guido Mantega disse ontem que agora a política anticíclica muda de direção, e, em vez de se aumentar os gastos, eles serão reduzidos porque é o que tem que acontecer num período de crescimento econômico. Há só um problema com essa fala dele: está um ano atrasada. Este ano, mesmo com o país em forte recuperação, o Ministério da Fazenda acelerou gastos e maluquices fiscais, porque era ano eleitoral. A crise foi o álibi perfeito para que os comandantes da política econômica ficassem à vontade para dizer o que realmente pensam e fazer o que acham que está certo. Foi assim que Guido Mantega defendeu teses como a de que aumento de gastos não tem a ver com inflação. Foi assim que o BNDES recebeu aportes que superam R$ 200 bilhões do Tesouro, que foram chamados de empréstimos para não constarem na dívida pública. Com esse dinheiro estatizou riscos de projetos duvidosos ou emprestou quantias exorbitantes para algumas empresas. Foi assim que a venda de um direito futuro de exploração de petróleo paga pela Petrobras com títulos emitidos pelo Tesouro virou superávit primário. Essas e outras barbaridades ganham ares de boa gestão de política econômica e foram confirmadas com as nomeações feitas pela presidente. O que a presidente diz hoje com palavras difere do que ela diz com suas escolhas. O Banco Central está numa situação complexa. Ele fez nas atas do Copom e no Relatório de Inflação cenários benignos para a inflação. E esses cenários não se confirmaram. Pelo contrário. A inflação de serviços está em mais de 7%, os IGPs, em 10%, o IPCA deve fechar o ano em 5,7%. No começo do ano, pode cair ligeiramente no acumulado em 12 meses, mas voltará a subir porque em junho, julho e agosto de 2010 as taxas ficaram próximas de zero. Quando elas saírem da conta, certamente o acumulado subirá, avalia o economista Luiz Roberto Cunha, da PUC-Rio. A MB Associados considera que a tendência dos preços dos alimentos e das commodities agrícolas é de alta, com a exceção do arroz, leite e trigo, mas porque trigo teve alta grande demais e agora pode ficar estável. Isso se não for, junto com a soja, alvo da pressão dos fundos financeiros. A carne de gado confinado já foi vendida ao mercado e deve haver uma redução da oferta em dezembro puxando os preços de outros tipos de carne. O café está entrando no ano de baixa produção, o que já pressiona os preços, os estoques estão baixos e houve problemas nas safras da Colômbia, Vietnã e América Central. Açúcar está na hora da renovação das plantações, o que pode reduzir a produção. O milho no Brasil teve uma safra menor do que a esperada. Laranja teve problemas de clima e doença. Alimentos, portanto, continuarão pressionando a inflação. As grandes empresas de varejo que fazem parte do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo divulgaram ontem excelentes números do Índice Antecedente de Vendas (IAV). O indicador é construído com a média das vendas das grandes redes e as previsões que fazem, de tal forma a ser como o nome diz, um antecedente. A previsão é de que as vendas do varejo tenham aumento de 11,8% em novembro, na comparação com o mesmo mês do ano passado, e de 11,1% em dezembro. No setor de duráveis, as vendas do varejo devem crescer 16,5% e 16,7%. Esse seria então, diz o IDV, o melhor Natal desde 2007. É uma boa notícia, mas que somada às pressões inflacionárias, às dúvidas sobre a autonomia do Banco Central e ao expansionismo fiscal do governo podem levar a uma tendência de acomodação de reajustes altos de preços dentro da cadeia produtiva. Neste exato momento, negociações por aumentos de preços estão ocorrendo entre indústria e varejo para o suprimento do Natal. Se for dominante a impressão de que o governo será leniente com uma taxa de inflação maior, ela será maior; é a profecia autorrealizável. Mas se o Banco Central defendeu nas últimas atas e relatórios de inflação um cenário benigno, o que ele fará agora? Elevar o tom da ata? Subir os juros ainda no governo Lula para poupar o governo Dilma de fazer isso logo no início? Elevar os juros na primeira reunião do governo Dilma? Ou tentar adiar a má notícia elevando o recolhimento compulsório? São essas dúvidas que o Banco Central terá que responder nas próximas semanas para restabelecer ou perder de vez a confiança em sua capacidade de decidir de forma autônoma a política monetária. *Acrescentamos subtítulo, foto e legenda ao texto original |
Cidade Maravilhosa sob ataque dos narcoterroristas
| RIO DE JANEIRO Cidade Maravilhosa sob ataque dos narcoterroristas O governo do Rio de janeiro está utilizando blindados da marinha, solicitado ao governo federal, para ter acesso ao complexo da Penha, já que os terroristas do crime organizado tinham conseguido criar barricadas que impediam o acesso aos blindados do Bope, os conhecidos caveirões. Os números são de guerrilha urbana: a policia já eliminou 30 suspeitos no confronto e 55 veículos entre carros, ônibus e vans, foram incendiados pelos criminosos desde domingo. Mas as estatísticas da violência estão sempre sendo atualizadas, para números que cada vez mais aproxima a realidade carioca, como de uma cidade sob ataque guerrilheiro
Foto: EFE Postado por Toinho de Passira Veículos blindados da Marinha e fuzileiros navais se uniram nesta quinta-feira à polícia do Rio nas operações contra o crime organizado, no quinto dia da onda de violência que já deixou ao menos 30 suspeitos mortos e deixa o rio em pânico. O alvo da principal operação das forças de segurança é a favela Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha, zona norte, um dos grandes redutos de criminosos da facção criminosa acusada de comandar os ataques a veículos e alvos polícias esta semana em vários pontos da cidade. Ao menos 10 veículos militares blindados da Marinha com metralhadoras, que nunca foram usados nos combates em favelas da cidade, transportam soldados do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) para o interior da favela.
"O objetivo de hoje é assumir o território novamente que foi tomado pelo tráfico. Estamos tomando esse local e retirando da sociedade essa situação de refém do tráfico", afirmou o coronel Álvaro Rodrigues, chefe do Estado-Maior da PM e comandante da operação. Segundo o coronel, a operação não tem prazo para acabar. Foto: Extra Online Ao menos 55 veículos, entre carros, ônibus e vans, foram incendiados pelos criminosos desde domingo, quando foi deflagrada a onda de ataques a veículos e alvos policiais na cidade e região metropolitana. Foto: Reuters A implantação das UPPs em 15 das centenas de favelas espalhadas pela cidade é considerada o maior avanço na área de segurança pública da capital fluminense nos últimos anos, e a medida foi inclusive citada pelo Comitê Olímpico Internacional como um exemplo de que a cidade será segura para a Olimpíada de 2016. O Rio também será palco central da Copa do Mundo de 2014. Isso se os narcoterroristas permitirem. Foto: Eduardo Naddar/Agência O Dia |




































Base do Exército Brasileiro, no Rio Traíra, na Amazônia, atacada pela FARC









