21 de dez de 2014

O drama da Petrobras e de Dilma Rouseff e Graça Foster

BRASIL – Operação Lava Jato
O drama da Petrobras de Dilma Rouseff e Graça Foster
“Se a culpa é minha, boto em quem eu quiser.” O governo usa a máxima de Homer Simpson para lidar com a crise na Petrobras. A Petrobras perdeu R$ 600 bilhões em valor de mercado nos últimos seis anos.

Foto: Diego Nigro/JC Imagem

AMIGAS - Graça Foster com Dilma Rousseff. A presidente encontra dificuldades para demitir uma auxiliar de confiança

Postado por Toinho de Passira
Reportagem de Murilo Ramos com Flávia Tavares e Filipe Coutinho
Fonte: Época

O que vale mais: uma sandália de borracha ou uma ação da Petrobras? Um CD no camelô ou uma ação da Petrobras? Um McLanche Feliz (um cheeseburger, um refrigerante pequeno, uma batata frita pequena e um brinquedo), com sobremesa – ou duas ações da Petrobras?

A resposta parece inacreditável. Infelizmente, não é piada. As ações da empresa, que já foi a maior do Brasil, passaram a valer menos de R$ 10 na semana passada. E não param de cair, cair, cair... O patamar é o menor em dez anos.

A Petrobras perdeu R$ 600 bilhões em valor de mercado nos últimos seis anos. Se cédulas de R$ 100 fossem colocadas lado a lado, seria possível dar 23 voltas ao mundo com a dinheirama da Petrobras que evaporou.

O valor corresponde ao PIB da Finlândia, próspero país escandinavo, ou metade do PIB da Bélgica.

Ganha uma sandália de borracha, um CD de camelô ou até um McLanche Feliz quem adivinhar quanto tempo ainda dura no cargo a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster.

Foi preciso que a situação da Petrobras se deteriorasse ao tragicômico para que a presidente Dilma Rousseff finalmente se convencesse de que a melhor solução para a crise é demitir Graça e a atual diretoria – informação confirmada por quatro pessoas com conhecimento do assunto. Isso depois de Graça pedir três vezes demissão e imolar-se em público ao pedir para ser investigada. A saída de Graça é questão de dias, ou semanas.

A parolagem do governo para se eximir da administração desastrosa da estatal é antiga. Para Dilma, a culpa é dos outros – no caso, da baixa acentuada no preço do petróleo no mercado mundial. Como já disse Homer Simpson: “Se a culpa é minha, eu a boto em quem eu quiser”. O princípio Homer vale para a Petrobras, para a economia (a culpa é da crise lá fora) e para as perenes dificuldades políticas do governo (a culpa é do Congresso).

No caso da Petrobras, fica ainda mais difícil recorrer ao princípio Homer. Dilma é, desde o primeiro mandato do governo Lula, a principal responsável pela Petrobras – na prática e no papel. Foi presidente do Conselho e dava ordens expressas, no segundo mandato de Lula, ao então presidente da empresa, José Sergio Gabrielli. Quando se elegeu presidente da República, escolheu os diretores e a estratégia de curto e longo prazo da empresa. Em termos econômicos e operacionais, a Petrobras deve seu Natal miserável a Dilma. Ao que ela fez antes – e ao que ela deixa de fazer agora.

O princípio Homer não explica a crise na Petrobras. Basta comparar a queda das ações da Petrobras nos últimos seis meses, desde que o preço do petróleo começou a cair, à desvalorização das ações de outras grandes petroleiras. As ações da Petrobras caíram 45%. As da Exxon, 11%; as da Chevron, 17%; e as da British Petroleum, 27%. A queda no preço do petróleo atinge todas as petroleiras – mas atinge muito mais a Petrobras. Ao contrário das maiores petroleiras do mundo, conhecidas como “supermajors”, ela não se preparou para o cenário de queda do petróleo. Também, ao contrário delas, demora a agir para se adaptar à nova realidade do mercado de petróleo.

A PETROBRAS É A EMPRESA MAIS ENDIVIDADA DO PLANETA, COM PAPAGAIOS NO VALOR DE US$ 135 BILHÕES

O despreparo da Petrobras para enfrentar esse momento ruim deve-se, como em qualquer outra empresa, ao despreparo dos executivos escolhidos para comandar a Petrobras. A equipe que a dirige não foi escolhida por reunir os melhores dentre os excelentes quadros da empresa. Foi escolhida por afinidades pessoais e ideológicas com Dilma – e, até outro dia, por atender às demandas dos partidos da base aliada. Quando o aparelhamento político se uniu à ideologia nacionalista do PT, em 2004, o destino da Petrobras estava traçado.

Na prática, transformar a exploração do pré-sal em obsessão empresarial (a ideologia nacionalista) e traçar cenários pouco realistas foram os principais erros cometidos nos últimos anos. Os planos de investimentos da Petrobras tomaram por base o barril do petróleo no patamar de US$ 100. O valor, hoje, está na casa dos US$ 60. A principal razão para a desvalorização do petróleo é o desequilíbrio entre a oferta e a demanda. Estados Unidos e Líbia passaram a produzir muito mais petróleo. Ao mesmo tempo, a desaceleração da economia mundial levou a maioria dos países ricos e emergentes (sobretudo a China) a consumir menos. Há outros fatores mais complexos em jogo. Tudo no mercado de petróleo é complexo e exige um grau de planejamento incomum em nenhuma outra área.

Para persistir em seus ambiciosos planos de investimento, a Petrobras passou a vender ativos no exterior com grande potencial de crescimento. Para financiar a exploração do pré-sal, como revelou ÉPOCA no ano passado, ela desfez-se, em condições desvantajosas, de plataformas e refinarias na Argentina e em países africanos. Para completar, a Petrobras foi usada indiscriminadamente como instrumento de política econômica do governo. Em tempos de alta no preço do petróleo, congelava os preços nas bombas para segurar a inflação. Na baixa, não repassa a queda aos consumidores finais. Hoje, os consumidores brasileiros pagam pelo litro de gasolina um preço 40% acima do praticado em outros países. “Em um momento, a Petrobras subsidia o consumidor. No seguinte, o consumidor subsidia a Petrobras”, afirma o consultor de energia Adriano Pires.

Foto: Fotos: Felipe Dana/AP e Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

DENÚNCIAS - A empresa holandesa SBM disse que ganhou US$ 25 milhões para apressar a inauguração de uma obra da Petrobras

O problema atual da Petrobras é, sobretudo, de confiança. Ela ostenta o nada honroso título de empresa mais endividada do planeta. Sua dívida alcança US$ 135 bilhões. Desse total, 80% em moedas estrangeiras, que têm se valorizado ante o real nos últimos meses.

Já seria difícil para a Petrobras conseguir contrair novos empréstimos para levar adiante seu plano de investimentos. Nas condições atuais, é impossível: ela adiou indefinidamente a publicação do balanço do terceiro trimestre de 2014. É por meio desse documento que os bancos analisam as condições da empresa e decidem se devem ou não emprestar a ela,

Na quarta-feira passada, num tom de lamento, Graça disse que ela e todos os diretores da Petrobras precisavam ser investigados. Está claro que Graça não tem mais condições de conduzir a empresa pelos próximos anos. Por que a demora em substituí-la? Um dos motivos é que a saída de Graça representaria o afastamento de uma das poucas pessoas em quem a presidente Dilma confia.

Elas se conhecem desde os anos 1990, quando Dilma era secretária de Energia do Rio Grande do Sul, e Graça, já na Petrobras, era uma das gerentes responsáveis pela construção do gasoduto que liga a Bolívia ao Brasil. Com a chegada de Dilma ao governo federal, Graça passou a ocupar postos importantes. Entre eles, a Secretaria de Gás e Petróleo do Ministério de Minas e Energia e a presidência da BR Distribuidora. Para os padrões de Dilma, Graça sempre correspondeu a suas expectativas.


Venina Fonseca (acima), subordinada de Paulo Roberto Costa, afirmou que alertara Graça Foster sobre a corrupção na Petrobras
A Operação Lava Jato abalou o prestígio de Graça e obrigou a presidente Dilma a procurar substitutos. “A escolha tem de ter o mesmo impacto que teve a indicação do Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda”, diz um ministro do governo. Até agora, o nome mais cotado é Murilo Ferreira, que preside a Vale desde 2011.

O governo também deverá indicar um novo diretor financeiro para ajudar o futuro presidente. A tendência é que os outros diretores sejam funcionários de carreira.

A soma do endividamento com a pilhagem transformou a Petrobras num mico mundial. Para piorar, as revelações de roubalheira sucedem-se com a mesma rapidez da queda na Bolsa. Na última semana, o jornal Valor Econômico revelou que Venina Fonseca, uma subordinada de Paulo Roberto Costa, alertara Graça para as evidências de corrupção na diretoria ocupada por ele. Foi despachada para Cingapura.

O jornal O Globo mostrou que a empresa holandesa SBM, ré confessa na corrupção na Petrobras, ganhou US$ 25 milhões a mais para que Lula e Dilma inaugurassem apressadamente, durante a campanha de 2010, a plataforma P-57, construída pela SBM.

As más notícias criminais não pararão. Em 2015, a força-tarefa da Polícia Federal e do Ministério Público que investiga os múltiplos ramos da corrupção na Petrobras incluirão mais empreiteiras, dirigentes da Petrobras e políticos no escândalo – os deputados, senadores, ministros e governadores que, segundo os depoimentos de Paulo Roberto e do doleiro Alberto Youssef, participaram do petrolão.

Listas extraoficiais já começam a circular, como a divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo na sexta-feira passada. No começo de fevereiro, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pedirá ao Supremo Tribunal Federal a abertura de inquérito contra eles. Antes, Janot e sua equipe analisam as provas que pesam contra os políticos. A mera citação nos depoimentos de Paulo Roberto ou de Youssef não significa que eles tenham participado do esquema.

“Paulo Roberto estava tão desesperado que citou até quem passou para tomar um cafezinho com ele”, diz um dos procuradores do caso, brincando – mas nem tanto. É preciso cautela antes de julgar quem foi meramente citado pelos delatores. Isolada, a palavra deles vale tanto quanto uma ação da Petrobras.

Queda dos preços do petróleo no mercado mundial agrava escassez de produtos na Venezuela

VENEZUELA – Economia
Queda dos preços do petróleo no mercado mundial
agrava escassez de produtos na Venezuela
Um empresário resumiu a situação: "Não temos guerra mas é uma economia de guerra. Porque mesmo quando você tem dinheiro você não consegue encontrar o que quer”.

Foto: AFP

Produtos básicos, como fralda e leite, sumiram e pessoas fazem filas para tentar comprá-los

Postado por Toinho de Passira
Fonte: BBC Brasil

Eugenia Martinez disse ter acordado às 3h para comprar dois pacotes de fraldas para a filha.

"Em nenhum lugar em Caracas você consegue encontrar fraldas", diz a dona de casa. "Então quando alguém me avisa sobre onde encontrá-las, tenho que ir".

A falta de produtos básicos, como a fralda para a filha de Eugenia, tem se agravado na Venezuela com a forte queda no preço do petróleo nos últimos meses.

O país é altamente dependente dos recursos da exportação do produto - segundo estimativas, 96% das receitas de exportação são provenientes do produto. Petróleo mais barato significa menos dinheiro nos cofres do país para garantir acesso a moeda estrangeira e importações de produtos.

”Todos os dias, tenho que ficar na fila para encontrar o que eu preciso... Desse jeito, vamos passar fome” - Eugenia Martinez, dona de casa
Mesmo tão cedo, Eugenia conta ter enfrentado um metrô lotado, antes de se juntar a mais uma fila. Achadas as fraldas, o desafio agora é encontrar leite.

"Todos os dias eu tenho que ficar na fila para encontrar o que eu preciso. Agora, eu não consigo encontrar uma lata de leite. Não acho em nenhum lugar. Estou preocupada porque só tenho uma lata em casa".

"Não consigo imaginar como serão as coisas em janeiro. Desse jeito, vamos passar fome".

Em junho, o preço do barril do petróleo venezuelano - mais pesado para os padrões internacionais - estava ao redor de US$ 100. Na semana passada, o preço chegou a US$ 57,53.

'ECONOMIA DE GUERRA'

A queda do preço do petróleo significa menos dólares nos cofres do governo da Venezuela e para o pagamento de importações.

Para o empresário Alex Hernández, a queda do preço do petróleo tornou ainda mais difícil o acesso a moeda estrangeira necessária para comprar os produtos importados que ele vende.

"Não temos guerra mas é uma economia de guerra. Porque mesmo quando você tem dinheiro você não consegue encontrar o que quer. Empresários estão sob risco", diz ele.

Foto: Reuters

Homem mostra senha escrita en seu braço para marcar seu lugar numa fila para comprar alimentos em um mercado do governo em Caracas

Em 2003, o governo venezuelano definiu uma taxa fixa para o câmbio. A medida foi adotada para que o governo mantivesse o controle sobre os preços e garantir que alguns itens básicos, como pão e arroz, ficassem mais acessíveis aos pobres.

Diante do controle cambial, pessoas e empresas podem receber dólares na taxa oficial somente através de uma agência do governo - e somente para fins de importação de bens ou pagamento de viagens ao exterior.

Como Hernández disse, o preço de produtos na Venezuela tem subido. A taxa de inflação oficial do governo está em 63,4% e o país está beira da recessão.

”Não temos guerra mas é uma economia de guerra. Porque mesmo quando você tem dinheiro você não consegue encontrar o que quer.” - Alex Hernández, empresário
Foi a primeira vez desde maio que o Banco Central local divulgou o índice de inflação. Críticos acusam o governo de omitir dados por razões políticas.

O BC também não divulgou o índice de escassez, que revela os produtos que estão em falta. Mas é evidente que a dificuldade de se obter produtos básicos tem gerado descontentamento entre muitos.

"Todos os venezuelanos têm sentido no bolso a queda do preço do petróleo. Evidentemente está custando muito para a gente. Porque quando o preço cai há menos moeda estrangeira para os importadores", disse Hernández.

"Aqui na Venezuela 90% dos produtos são importados. Quase tudo o que se consome na Venezuela é importado. E lamentavelmente isso colabora para que a alta dos produtos seja maior".

O mecânico Enrique Moreno também se diz afetado pela escassez de produtos - no caso dele, de peças de reposição importadas.

"Nos dizem que este país tem as maiores reservas de petróleo do mundo. Mas para mim isto é mentira, porque se fosse verdade, não deveríamos estar onde estamos", disse.

"Estamos num período de insatisfação. Você sente nas ruas, falando com as pessoas".

20 de dez de 2014

Petrolão: A vez dos políticos - Merval Pereira

BRASIL – Opinião
Petrolão: A vez dos políticos
A homologação da delação premiada, pelo ministro Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), significa que o magistrado considerou consistente o depoimento do doleiro Alberto Youssef. Ou seja, o delatou apresentou provas e evidências dos atos de corrupção que envolve os nomes de 30 deputados e 6 senadores.

Charge: Aroeira

Postado por Toinho de Passira
Texto de Merval Pereira
Fonte: Blog do Merval

O ministro Teori Zavascki, relator da Operação LavaJato no Supremo Tribunal Federal (STF), homologou hoje, 19, último dia antes do recesso da Justiça, a delação premiada do doleiro Alberto Youssef, um dos operadores do esquema de fraudes na Petrobras. E pode surpreender determinando a imediata abertura do inquérito contra os parlamentares envolvidos no escândalo de corrupção da Petrobras.

Isso significa que ele considerou consistente o depoimento do doleiro, que já lhe foi enviado pelo Procurador-Geral da República Rodrigo Janot juntamente com o relato das fraudes e a lista de políticos, empreiteiros e funcionários públicos, na maioria da Petrobras, envolvidos no esquema. A lista dos políticos tem 30 deputados e 6 senadores, todos com foro privilegiado no momento. Os que não se reelegeram ou não concorreram nas últimas eleições serão enviados para a primeira instância da Justiça Federal em Curitiba, onde atua o juiz Sergio Moro, que coordena a Operaçâo Lava Jato.

O Supremo Tribunal Federal confirmou recentemente que o foro adequado para os envolvidos no processo sobre o esquema de corrupção da Petrobras que não têm prerrogativa de função é a Justiça Federal no Paraná, sob a coordenação do juiz Moro, um especialista em processos sobre lavagem de dinheiro que advogados de muitos dos executivos das empreiteiras envolvidos no escândalo queriam evitar, transferindo o processo para o Rio Ou São Paulo, alegando que a sede das empresas deveria ser o foro escolhido.

O juiz Sérgio Moro já atuou no processo do mensalão como assessor da ministra do STF Rosa Weber, e ganhou experiência nesse tipo de caso. Ao contrário do que aconteceu no julgamento do mensalão, neste processo os casos serão separados, com os acusados que não têm foro privilegiado sendo tratados pela justiça de primeira instância no Paraná.

A partir da decisão de Zavascki de pedir a abertura do inquérito os nomes dos parlamentares envolvidos poderão ser divulgados. O fato de o ministro Teori Zavascki homologar a delação premiada poucos dias depois de tê-la recebido do Procurador-Geral da República, e talvez até mesmo já abrir o inquérito, indica que todos os passos do processo estão sendo dados com a maior cautela e, ao mesmo tempo, os que dele cuidam na Justiça estão empenhados em dar velocidade às apurações.

O ministro Zavascki poderia ter deixado para fevereiro, na volta do recesso, para homologar a delação de Youssef, mas aceitando-a no último dia de trabalho da Justiça antes do recesso está dando uma sinalização de que pretende que o caso seja tocado com a rapidez possível em nosso sistema judicial.

Além disso, homologar a delação premiada significa que a Justiça considerou comprovadas as denúncias apresentadas, e o delator poderá com isso ser liberado do regime fechado e passar ao de prisão domiciliar, como já acontece com o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. A Justiça tem também condições de cruzar as informações dos diversos envolvidos que aderiram à delação premiada para constatar a veracidade das acusações.

A função do relator que o ministro Teori Zavascki exerce no processo é, na definição de um de seus colegas, como se ele fosse delegado e juiz ao mesmo tempo. ELe pode, a partir da abertura do inquérito, determinar quebra de sigilos bancários e telefônicos, interceptação de mensagens telefônicas. Aceitando a denúncia do Procurador-Geral da República, o ministro Zavascki vai oficiar a Polícia Federal para que inicie a investigação.

Provavelmente, essa decisão e seus fundamentos serão públicos. No curso das investigações, a Polícia Federal vai instaurar inquérito contra aqueles em relação aos quais há indícios de que crimes foram cometidos. O inquérito poderá começar mesmo no recesso da Justiça.
*Alteramos o título, atualizamos, acrescentamos subtítulo, foto e legenda à publicação original

Como Gabrielli vendeu uma refinaria na Argentina, a
preço de banana, para um amigo de Cristina Kirchner

BRASIL – Corrupção
Como Gabrielli vendeu uma refinaria na Argentina, a
preço de banana, para um amigo de Cristina Kirchner
O petista, Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras no tempo do governo Lula, além de comprar Pasadena superfaturada, vendeu uma refinaria na Argentina, causando grande prejuízo a estatal, enquanto favorecia escandalosamente, o comprador, um amigo próximo da presidente argentina Cristina Kirchner.


No olho do furacão - O ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli foi denunciado pelo MP-RJ, que pediu a quebra de seus sigilos fiscal e bancário e a indisponibilidade de seus bens. Agora, terá que explicar outro negócio suspeito de sua gestão

Postado por Toinho de Passira
Reportagem de Claudio Dantas Sequeira
Fontes: IstoÉ

Há cerca de um mês, o ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli reuniu-se com o presidente do PT, Rui Falcão, na sede do partido em Brasília. Foi uma conversa tensa. Gabrielli se disse preocupado com o futuro, pois avaliava que o cerco da Polícia Federal poderia se fechar em torno dele. Em um dado momento do diálogo, queixou-se da indiferença com que tem sido tratado pelo governo e pelo partido.

“Não posso ser preso, você sabe!”, reclamou, bastante alterado.

O estado de ânimo demonstrado por Gabrielli naquela ocasião se explica agora. Na última semana, o ex-presidente foi arrolado entre os executivos que serão alvo de processo administrativo pela CGU por causa de irregularidades na compra da refinaria de Pasadena.

Também foi denunciado por conta de desvios de R$ 31,5 milhões em obras do Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes) pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, que ainda pediu à Justiça o bloqueio de seus bens e a quebra de seus sigilos bancário e fiscal.

A Polícia Federal está cada vez mais convicta de que Gabrielli foi um importante protagonista do esquema de corrupção na maior estatal do País. Segundo um integrante da força-tarefa, sua digital aparece em toda parte.

“Praticamente todos os grandes negócios realizados no período em que vigorou o esquema criminoso, no Brasil e no exterior, tiveram a chancela do presidente da estatal”, afirma um delegado.

Um desses negócios consistiu na venda da refinaria San Lorenzo na Argentina durante a gestão de Gabrielli. Segundo revelam documentos obtidos por ISTOÉ, a negociata causou um prejuízo de ao menos US$ 100 milhões à estatal.

A PF abriu inquérito para apurar denúncias de irregularidades no negócio – que incluíam pagamento de propina – em abril deste ano. Acabou descobrindo que Gabrielli adotou conduta semelhante à identificada no caso da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos.

A diferença é que a compra no Texas foi superfaturada, enquanto a venda da usina de San Lorenzo na Argentina ficou bem abaixo do preço de mercado.

Para os investigadores, as suspeitas começaram pelo comprador da refinaria: o empresário Cristóbal López, dono de cassinos e ligadíssimo à presidente Cristina Kirchner.

Ainda surpreendeu a PF o tempo recorde das tratativas para a venda, a contratação de intermediários e a existência de avaliações de mercado que foram desprezadas pela gestão de Gabrielli.

A PETROBRAS ALEGOU QUE A REFINARIA DE SAN LORENZO ESTARIA ULTRAPASSADA E QUE ERA NECESSÁRIO INVESTIR US$ 1 BILHÃO PARA TORNÁ-LA VIÁVEL

Uma delas foi feita pela Petrobras Argentina e devidamente encaminhada à matriz no Brasil. Segundo esse estudo, o valor total do ativo de San Lorenzo, incluindo a refinaria, 360 postos de distribuição e os estoques de combustível, seria de US$ 185 milhões.

Outra avaliação independente feita pela consultoria Ernest & Young, a pedido da estatal, estimou o valor total do negócio em US$ 351 milhões, mais que o triplo dos US$ 102 milhões finalmente pagos pela empresa Oil S&M, do Grupo Indalo de Cristóbal López.

Os pareceres foram sumariamente ignorados. Numa comparação superficial sobre os valores praticados pela Petrobras, pode-se afirmar que por Pasadena pagou-se valor equivalente a US$ 3.800 o barril/dia, enquanto a San Lorenzo foi vendida por US$ 600 o barril/dia.

Para a PF, a divergência de valores já seria indício suficiente de que se tratou de um péssimo negócio para a Petrobras. A suspeita é confirmada pela própria empresa, que em relatório encaminhado à Securities and Exchange Commission (SEC), a bolsa de valores dos Estados Unidos, admite que a transação “resultou numa perda de P$ 209 milhões (petrodólares)”, ou US$ 55 milhões – considerando a cotação média da moeda americana em 2010.

Em relatório financeiro posterior, o prejuízo identificado pela estatal foi ainda maior. No documento, a Petrobras diz que os US$ 36 milhões pagos apenas pela refinaria e pelos postos de combustível, excluídos os US$ 66 milhões dos estoques, foram inferiores ao “valor líquido contábil” da usina, resultando numa perda de “R$ 114 milhões”, ou US$ 68 milhões.

Os prejuízos registrados nos relatórios entregues às autoridades americanas não constam da versão divulgada no Brasil. Tampouco a estatal fez qualquer comunicação ao mercado, como recomendam as boas práticas de governança corporativa.

Batizado de “Projeto Atreu”, o negócio foi formatado pelos executivos da PESA Roberto Gonçalves e José Carlos Vilar Amigo, ligado a Gabrielli, e passou pelo secretário-geral da Petrobras, Hélio S. Fujikawa, diretamente subordinado ao ex-presidente.

Em abril de 2010, a diretoria executiva da estatal reuniu-se para dar o aval e recomendou posterior análise do conselho de administração. O então diretor da área internacional Jorge Zelada convocou o engenheiro argentino Sebastian Augustín Passadore para fazer uma apresentação, complementando as explicações.

Nas justificativas para a venda, a Petrobras alegou que a refinaria de San Lorenzo estaria ultrapassada e que precisaria investir US$ 1 bilhão para torná-la viável operacionalmente. Este ano, no entanto, Cristóbal López iniciou uma reforma na unidade que consumiu US$ 250 milhões.

Outro ponto alegado pela estatal foi a ineficiência e a complexidade logística para recebimento de petróleo e despacho de derivados. Ocorre que a mesma Petrobras assinou com o empresário argentino contrato de fornecimento de nafta virgem para sua indústria petroquímica, “vizinha à refinaria de San Lorenzo”.

Segundo a estatal, o objetivo seria garantir a “sustentabilidade do negócio petroquímico da PESA por 15 anos”. Além disso, no mesmo ano em que negociou a venda da usina, a estatal fechou importantes contratos para a compra de óleo cru e iniciou a operação de quatro novos dutos de carga e descarga.

A refinaria processava em média 49 mil barris/dia para a produção de gasolina premium, podium, comum, diesel de aviação, diesel comum, entre outros produtos.


NEGÓCIO DA ARGENTINA - Avaliação feita pela consultoria Ernest & Young estimou o valor total do negócio da venda da refinaria San Lorenzo (foto) em US$ 351 milhões, mais que o triplo dos US$ 102 milhões pagos

Não bastassem as contradições do negócio e do rombo nas contas da estatal, a PF também questiona benefícios legais fornecidos ao sócio argentino e a complexa engenharia financeira montada para a concretização do negócio. A PF ainda apura denúncia de que o negócio envolveu pagamento de propina de até US$ 10 milhões, que seriam distribuídos entre caciques do PMDB e do PT.

Chamou a atenção dos investidores a diferença de US$ 8 milhões entre o preço de venda de US$ 110 milhões anunciado pela Petrobras e o de US$ 102 milhões registrado posteriormente nos balanços da empresa.

Os investigadores estão atrás agora dos detalhes do contrato de Lopez com o escritório do advogado Sérgio Tourinho Dantas, ex-deputado conterrâneo de Gabrielli. Tourinho receberia um percentual maior em honorários, caso conseguisse reduzir o preço da refinaria. Lopez, de fato, chegou a oferecer US$ 50 milhões por San Lorenzo.

BATIZADO DE “PROJETO ATREU”, O NEGÓCIO FOI FORMATADO PELO EXECUTIVO JOSÉ CARLOS VILAR, LIGADO A JOSÉ SÉRGIO GABRIELLI

O advogado alega, porém, que abandonou a transação antes de concluída, ao saber que deveria repassar parte do dinheiro a terceiros e por meio de offshores em nome de executivos ligados ao empresário argentino. Quem acompanhou a negociação, afirma que, com a saída de Tourinho Dantas, outro intermediário foi contratado e o negócio deslanchou.

A PF suspeita que o intermediário tenha sido Fernando Baiano, operador do PMDB que tinha trânsito livre na área internacional. Hoje, Baiano está preso na carceragem da PF em Curitiba. Gabrielli teme ter o mesmo destino.

19 de dez de 2014

PSDB pede no Tribunal Superior Eleitoral cassação de Dilma e Temer

BRASIL – Eleição 2014
PSDB pede no Tribunal Superior Eleitoral
cassação de Dilma e Temer
O PSDB acusa a coligação vencedora, encabeçada por Dila e Temer, de uso da máquina e abuso do poder econômico, questiona a legitimidade da eleição e pede cassação dos eleitos

Foto: Alvarelio Kurossu/Ag RBS - Alan Marques/Folha

Postado por Toinho de Passira
Reportagem de Josias de Souza
Fonte: Blog do Josias de Souza

Pouco antes da cerimônica de posse de diplomação de Dilma Rousseff e Michel Temer, reeleitos em outubro, o PSDB protocolou no TSE uma ação inédita. Na peça, o partido acusa a coligação vencedora de uso da máquina e abuso do poder econômico, questiona a legitimidade da eleição, pede a cassação do registro da dupla vencedora e reivindica que sejam empossados os tucanos Aécio Neves e Aloysio Nunes Ferreira nos cargos de presidente e vice-presidente da República.

Diz a petição: “A eleição presidencial de 2014, das mais acirradas de todos os tempos, revelou-se manchada de forma indelével pelo abuso de poder, tanto político quanto econômico, praticado em proveito dos primeiros réus, Dilma Vana Rousseff e Michel Miguel Elias Temer Lulia, reeleitos presidente e vice-presidente da República, respectivamente.”

Prossegue o texto: “De fato, foram tantos os ilícitos perpetrados que, no curso da campanha, tornou-se possível compreender que se cuidava de uma ação coordenada visando a garantir o êxito do projeto reeleitoral dos investigados, trazendo derradeiras luzes sobre a expressão que, num típico ato falho, foi utilizada pela Presidente Dilma Rousseff ao entregar, ainda em 4 de março de 2013, um conjunto residencial inserido no programa ‘Minha Casa Minha Vida ‘em João Pessoa-PB: ‘… nós podemos fazer o diabo quando é a hora da eleição…’.”

 COMENTAMOS:  

  A ação do PSDB tem fundamento, embora seja remotíssima a possibilidade do STE aceitar os termos propostos.

Lembrar que nesta história da delação premiada do petrolão os agentes afirmam que algumas doações eleitorais de empreiteiras, feitas como atos legais, eram na verdade fruto de propinas originarias de obras superfaturadas da Petrobras.

Comprovado que dinheiro de propina, em grande volume, ou mesmo em pequena monta, foi depositado na conta da campanha, com consentimento dos beneficiados, pode sim gerar a cassação a cassação do registro da candidata, entre outras coisas por utilizar a máquina pública em seu beneficio e abuso do poder econômico.

Lembrar também que as contas de campanha da candidata foram aprovadas com restrições e que o material que provocou a restrição, irregularidades na arrecadação e nas despesas, foram remetidas ao Ministério Público, à Receita Federal, ao Conselho de Controle de Atividades Financeira (Coaf) para apuração de possíveis irregularidades e identificação dos responsáveis.
Leia à integra texto da ação movida pelo PSDB e pela coligação que deu suporte político à chapa Aécio-Aloysio.

16 de dez de 2014

Na Lava Jato, poder econômico prolonga cadeia - Josias de Souza

BRASIL – Opinião
Na Lava Jato, poder econômico prolonga cadeia
Advogado de poderosos, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, foi um dos primeiros a notar que a grande jurisprudência não-escrita do país começa a ser invertida. “Antes, dizia-se que cadeia no Brasil era para pobre, preto e puta. Agora é o seguinte: fica preso quem tem dinheiro.”

Foto: Arquivo

DESVANTAGEM DE SER RICO - Figurões de empreiteira dividem, a contra gosto, e por períodos nunca dantes imaginados, as suítes nada presidenciais da Polícia Federal em Curitiba

Postado por Toinho de Passira
Texto de Josias de Souza
Fonte: Blog do Josias de Souza

O dinheiro, como se sabe, não traz felicidade. Mas isso jamais chegou a ser tratado pelos milionários como uma questão financeira realmente relevante. A Operação Lava Jato subverteu a ordem natural das coisas. O poder econômico é um dos fatores que esticam a hospedagem compulsória dos executivos de grandes empreiteiras nas dependências da subsidiária curitibana do PF’s Inn.

Alega-se que, soltos, os endinheirados —alguns com conta no estrangeiro— poderiam fugir. No caso de um dos presos, José Aldemário Pinheiro, vulgo Leo Pinheiro, até a mobilidade aérea foi mencionada como motivo para a permanência no xilindró. Presidente da OAS, Leo dispõe de um jatinho particular.

Na contabilidade da Polícia Federal, o mandachuva da OAS voou 11 vezes para o estrangeiro entre junho e outubro. Passou por cidades como Nova Iorque, Joanesburgo, Madri e Buenos Aires. A conta não inclui uma viagem para o Peru, que Leo fizera às vésperas de ser preso, em novembro.

Advogado de poderosos, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, foi um dos primeiros a notar que a grande jurisprudência não-escrita do país começa a ser invertida. “Antes, dizia-se que cadeia no Brasil era para pobre, preto e puta. Agora é o seguinte: fica preso quem tem dinheiro.”

No mensalão, os abastados do núcleo financeiro do Banco Rural também estão em cana. Mas só perderam a liberdade após a conclusão do julgamento. No Petrolão, o juiz Sérgio Moro como que antecipou o castigo. O pessoal das empreiteiras receia ser condenado preso, sem direito de recorrer em liberdade.

Espraiou-se pela hospedaria da PF em Curitiba uma nova moléstia: a ‘Morofobia’. Os mensaleiros sem mandato parlamentar guerrearam sem sucesso para que seus processos fossem julgados na primeira instância do Judiciário. Os petro-réus pegam em lanças para levar seus casos ao STF. Preferem enfrentar a bala de prata da última instância a esperar na cadeia por uma sentença passível de recurso.

Para desassossego dos presos, o ministro Teori Zavaski, do STF, indeferiu na semana passada 11 pedidos de liberdade. Significa dizer que os presos, habituados à vida faustosa, terão de passar o Natal nas celas coletivas de 6 m² do PF’s Inn —sem tevê, dormindo em colchonetes rentes ao chão e com apenas uma hora de banho de sol por dia.

Mantido esse ritmo, haverá uma revolução no sistema prisional brasileiro. As próprias empreiteiras terão interesse em aperfeiçoar os projetos das cadeias. Logo, logo as instalações carcerárias incorporarão facilidades própria de condomínios fechados. Naturalmente, sem superfaturamento.

Dilma chora pela Petrobras? - Ruth de Aquino, para Época

BRASIL – Opinião
Dilma chora pela Petrobras?
Algum dia veremos lágrimas de Dilma pela má gestão petista da Petrobras? Será que Dilma chora às escondidas ao reconhecer, para si mesma, que a Petrobras deixou de ser o orgulho nacional para se tornar a vergonha nacional, processada até no exterior? Será que Dilma chora pelas perdas de todos os pequenos investidores enganados pela empresa?

Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

Postado por Toinho de Passira
Texto de Ruth de Aquino
Fontes: Época

Entendo que a presidente Dilma Rousseff chore pelo trauma da tortura e da prisão durante a ditadura militar. Queria ver a presidente chorando também, com sinceridade, pelas revelações da “outra” Comissão Nacional da Verdade. Uma verdade investigada e denunciada pelo Ministério Público e pela Polícia Federal. Quantas mentiras foram ditas pela senhora, presidente, neste ano eleitoral?

Algum dia veremos lágrimas de Dilma pela má gestão petista da Petrobras? Ninguém pede perdão no Brasil, nem os presidentes militares nem os civis. Será que, no escurinho de seus aposentos no Palácio da Alvorada, Dilma já percebeu que Graça Foster está com os dias contados, porque seu comando na Petrobras se tornou indefensável, por conivência ou desleixo?

Será que Dilma chora às escondidas ao reconhecer, para si mesma, que a Petrobras deixou de ser o orgulho nacional para se tornar a vergonha nacional, processada até no exterior? Será que Dilma chora pelas perdas de todos os pequenos investidores enganados pela empresa?

“Roubaram o orgulho dos brasileiros”, afirma o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, sobre o escândalo. Janot defende a demissão de toda a cúpula da Petrobras pelo “cenário desastroso na gestão da companhia”. Dilma escuta Lula dizer que tem de “botar o dedo na cara” da oposição.

Se Dilma chora pelas 434 vítimas do golpe militar – e nos emociona – , será que chora de tristeza, vergonha e, quem sabe, arrependimento por não ter detido a roubalheira na maior estatal do país, por não ter impedido a compra da Refinaria de Pasadena, por ter deixado rolar os desvios bilionários que sucateiam nossos serviços públicos e punem a população?

A lama já chegou ao Congresso. Logo teremos a lista de políticos no “corredor da cassação”. O deputado fanfarrão André Vargas, recém-cassado, diz ser “apenas um cisco” na Lava Jato. Sabemos que é verdade. Vargas foi um dos anéis defenestrados para o partido manter os dedos. Haverá outros. Em abril, Lula já dizia: “No final quem paga o pato (da amizade de Vargas com o doleiro preso Alberto Youssef) é o PT.” Será que um dia anistiaremos os bandidos?

É um exercício didático lembrar o que Dilma falou, em abril, em Ipojuca, Pernambuco, numa cerimônia alusiva à viagem do navio Dragão do Mar. Ela criticou a “campanha negativa” de denúncias contra a Petrobras e discursou para os operários. “Mais que uma empresa”, disse Dilma há oito meses, “a Petrobras é um símbolo da afirmação do nosso país, e um dos maiores patrimônios de cada um dos 200 milhões de brasileiros. Por isso, a Petrobras jamais se confundirá com qualquer malfeito, corrupção ou qualquer ação indevida de quaisquer pessoas, das mais às menos graduadas.” Ela chora, hoje? Ou só a gente chora?

“Sabemos que (a Petrobras) é a maior empresa e a mais bem-sucedida deste país. Acreditamos na Petrobras, acreditamos na Petrobras mil vezes”, afirmou Dilma ao encerrar o discurso em Pernambuco. Mil e uma vezes, Dilma mentiu ou foi traída. Numa ação coletiva em Nova York, advogados dizem que acionistas da Petrobras foram enganados em “esquema multibilionário de corrupção, suborno e lavagem de dinheiro desde 2006”.

Sete em cada dez brasileiros acham que Dilma tem alguma responsabilidade na corrupção da Petrobras. A pesquisa é do Datafolha, nos dias 2 e 3 de dezembro. A maioria não acredita que Dilma seja inocente.

O ministro Jorge Hage, de 76 anos, pediu semana passada demissão da Controladoria-Geral da União (CGU). Saiu dizendo que as estatais no Brasil não são fiscalizadas. Estão “fora do alcance” da CGU, principal órgão federal de combate à corrupção. Será que Dilma chora quando escuta isso ou se enfurece?

Não é só a Polícia Federal. Não é só o Ministério Público. Não é só a CGU. A penúria da economia real mostra direitinho quem pagará o pato pela incompetência. Não será o PT. Seremos nós. As metas foram mandadas para o inferno, e as contas e os impostos são aumentados com força total.

Será que Dilma chora pelos “crimes contra a humanidade” nos hospitais públicos de Brasília, ali pertinho dela? O programa Bom Dia Brasil da última sexta-feira expôs o descaso assassino com doentes. Ambulâncias paradas por falta de combustível, hospitais sem equipamentos ou médicos, exames cancelados até o ano que vem, internet e telefone cortados. Funcionários com salários atrasados.

“Falta de respeito e consideração com a classe trabalhadora. A gente limpa onde eles pisam, e não pagam a gente”, disse o auxiliar de serviços gerais de um hospital público, José Mário Romano. Famílias processam os hospitais de Brasília pela falta de socorro que provoca mortes. Será que Dilma chora por esses crimes contra a cidadania? Se chora, ninguém vê.

15 de dez de 2014

Milagre de Kátia Abreu: fazendeiros e sem-terra concordam contra sua indicação para Ministério

BRASIL – Bizarro
Milagre de Kátia Abreu: fazendeiros e sem-terra concordam contra sua indicação para Ministério
Não se tem notícia na história desse país, de que fazendeiros e sem-terra, tivessem objetivos comuns sobre qualquer assunto. Embora ainda não estejam unidos, protestam veementemente, ao mesmo tempo, tentando impedir que a senadora assuma o Ministério da Agricultura, no próximo mandato de Dilma.

Fotos: Agência Brasil



Faixas colocadas na entrada da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), em Brasília, por manifestantes ligados ao Movimento Brasileiro dos Sem Terra (MBST), à Frente Nacional de Luta Campo e Cidade (FNL) e à Confederação Nacional dos Agricultores Familiares (Conafer), durante ocupação do prédio nesta segunda-feira (15).

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Estadão, Agência Brasil, G1,

Fazendeiros e sem-terra fazem atos distintos nessa segunda-feira, 15, com um objetivo comum: protestar contra o governo da presidente Dilma Rousseff e contra a indicação da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) ao Ministério da Agricultura. Representantes do agronegócio querem que a senadora deixe a presidência da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) ao assumir o ministério no governo do PT.

A Frente Produtiva do Brasil, criada no início deste mês em Araçatuba, realiza um encontro na segunda, em Presidente Prudente, para protestar contra a indicação da senadora e contra o "projeto de poder" do PT. De acordo com o agropecuarista Luiz Antonio Nabhan Garcia, presidente da União Democrática Ruralista (UDR), a frente deixou de ser integrada apenas por produtores rurais e recebeu a adesão de empresários, profissionais liberais, médicos e líderes de vários segmentos. "O objetivo é impedir democraticamente o projeto de poder desse partido que se tornou a marca da corrupção no Brasil", disse.

O convite para o encontro, marcado para as 10 horas no Rancho Quarto de Milha, convoca interessados em discutir soluções para "a grave crise que assola o Brasil".

No mesmo horário, em Brasília, sem-terra ligados à Frente Nacional de Luta Campo e Cidade (FNL) fazem um protesto em frente ao prédio da CNA contra a nomeação da senadora Kátia Abreu para o Ministério da Agricultura. A senadora é considerada pelos sem-terra "inimiga" da reforma agrária. De acordo com José Rainha Junior, coordenador da Frente, após a manifestação, centenas de sem-terra acampam na Esplanada dos Ministérios para reivindicar mais ações pela reforma agrária que, segundo ele, parou no governo da presidente Dilma Rousseff.

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

Katia Abreu queridinha de Dilma, mas com muitos inimigos

Enquanto Lula falava em Petrobras transparente, holandeses pagavam R$ 102 milhões de suborno

BRASIL – Petrolão
Enquanto Lula falava em Petrobras transparente, holandeses pagavam R$ 102 milhões de suborno
Cinquenta meses depois, sobram evidências de que mais do que nunca a estatal era mesmo uma caixa preta de negócios com dinheiro público. E a plataforma P-57, que o ex-presidente inaugurou com tanto alarde, era simbólica: sua construtora, a holandesa SBM, pagou US$ 36,3 milhões em propinas para obter o contrato da Petrobras, de US$ 1,2 bilhão

Foto: Gabriel de Paiva/O Globo

Lula e Sérgio Cabral durante a inauguração da plataforma propinada. O então presidente disse que o legado do seu governo seria a “retomada do orgulho dos brasileiros” (?)

Postado por Toinho de Passira
Reportagem de: J. Casado, Ramona Ordoñez, Bruno Rosa, Karla Mendes, Antonio WernecK e Thiago Herdy
Fonte: O Globo

“Bem-vindos ao futuro’’ — anunciava a faixa amarrada ao casco rubro-negro do navio-plataforma da Petrobras. Flutuando a cem metros do cais, impressionava pelo tamanho, equivalente a um comboio de 26 ônibus, pela largura, similar à de um campo de futebol, e ainda pela altura, igual à de um prédio de trinta e cinco andares.

Suando dentro de um agasalho laranja, com capacete branco, Lula nem parecia se importar com o sol em Angra dos Reis (RJ), naquela quinta-feira 7 de outubro de 2010. Era um presidente à caça de votos para eleger sua candidata à sucessão, Dilma Rousseff (PT). Apenas noventa e seis horas antes, no primeiro turno eleitoral, ela conquistara 47,6 milhões de votos, com 14,5 pontos à frente do adversário José Serra (PSDB).

Lula queria a Petrobras e o pré-sal na propaganda da candidata do PT. José Sérgio Gabrielli, presidente da estatal, atendeu: antecipou em dois meses o "batismo" da plataforma P-57 e marcou a festa para a semana entre os dois turnos eleitorais, quando a companhia completava 57 anos.

O navio ganhou um nome, "Apolônio de Carvalho" — homenagem a um comunista sergipano, fundador do PT, cuja biografia foi marcada pela voluntária participação na Guerra Civil Espanhola e na Resistência Francesa contra o fascismo.

Diante do colosso mecânico, projetado para extrair óleo e gás de 22 poços interligados a 1.300 metros no fundo do mar, Lula fez o elogio da transparência nos negócios da estatal:

Já teve presidente que falava que a Petrobras era uma caixa preta, que ninguém sabia o que acontecia lá dentro — criticou. — No nosso governo ela é uma caixa branca, e transparente. Nem tão assim, mas é transparente. A gente sabe o que acontece lá dentro. E a gente decide muitas das coisas que ela vai fazer.

UMA CAIXA PRETA

Cinquenta meses depois, sobram evidências de que era mesmo uma caixa preta de negócios com dinheiro público. Nela, a plataforma P-57 era simbólica: sua construtora, a holandesa SBM, pagou US$ 36,3 milhões em propinas para obter o contrato da Petrobras, de US$ 1,2 bilhão.

Foto: Reprodução

Os documentos da SBM enviados à procuradoria e ao fisco da Holanda detalham pagamentos de propinas a dirigentes da Petrobras, entre 2005 e 2011, por seu agente no Rio, Julio Faerman, o registro de US$ 36,3 milhões pela venda da plataforma P-57 - Reprodução

Foi o maior valor que pagou no Brasil em casos de corrupção, admitiu a empresa num acordo com a promotoria da Holanda e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Os inquéritos abrangiam despesas ilícitas da SBM no Brasil, Angola e Guiné Equatorial, disfarçadas de comissões de vendas. De cada dez dólares, sete foram direcionados ao Brasil.

"Esses pagamentos constituem crimes graves de corrupção nos setores público e privado", definiu o Ministério Público da Holanda ao anunciar um acordo de leniência com a SBM nos mês passado. A empresa vai pagar US$ 240 milhões em multas, até dezembro de 2016.

A Receita e o Ministério Público holandeses confirmaram pagamentos de propinas “a partir de empresas" do agente de vendas da SBM no Rio "para funcionários do governo brasileiro". As descobertas — ressalvaram —"resultaram de meios de investigação inacessíveis à SBM". Do lado brasileiro as investigações mal começaram.

Foto: Reprodução

Em 2012, auditores da empresa holandesa recomendaram interrogatórios do agente no Rio para elucidar a divisão das “comissões”, entre outros aspectos do caso, e sugeriram o fim das relações com Julio Faerman

A SBM confessou ter distribuído US$ 102,2 milhões em subornos a dirigentes da Petrobras, no período de 2005 e 2011. Em troca, obteve 13 contratos de fornecimento de sistemas e serviços — os mais relevantes no conjunto de US$ 26,7 bilhões em negócios realizados com a estatal durante os últimos cinco anos da administração Lula e no primeiro ano do governo Dilma.

Dias atrás, um diretor da empresa holandesa apresentou um resumo do caso em Brasília, na Controladoria Geral da União (CGU).

Os pagamentos ilegais oscilavam, em geral, entre 3% e 5%, mas houve casos em que alcançaram 10% do valor total do contrato, como ocorreu, por exemplo, no contrato do projeto e suprimento do sistema de ancoragem (turret) da plataforma P-53 para a Bacia de Campos.

O agente da SBM no Brasil era Julio Faerman. Carioca de 75 anos, ele entrou na Petrobras por concurso, com diploma de engenheiro eletricista. Mais tarde, com a efervescência na exploração da Bacia de Campos, trocou o emprego na estatal pela representação de marcas estrangeiras de equipamentos e serviços para o setor de óleo e gás — entre elas a SBM. Com escritório perto da sede da estatal, no Centro do Rio, ele desfrutava do trânsito livre e da intimidade de alguns dirigentes, que o tratavam por Julinho.

Afável e discreto, chamava a atenção de executivos estrangeiros pela longeva capacidade de influenciar o comando da Petrobras na escolha de empresas privadas para contratação direta, via carta-convite. Numa disputa entre as empresas americanas, Sofec e Imodoco, e a SBM, o representante da Sofec jogou a toalha e desabafou, depois de várias reuniões da comissão de licitação:

Disse estar impressionado com a parcialidade — contou uma testemunha, ressaltando: — Isso aconteceu 25 anos atrás.

Faerman vislumbrou em 2004 uma chance para a SBM no Atlântico Sul, com a decisão do governo Lula de avançar no pré-sal. Dona de uma história de mais de três séculos na engenharia naval holandesa, ela se tornara uma das poucas companhias com capacidade para projetos de plataformas marítimas (do tipo FPSO, na sigla em inglês) que produzem, armazenam e transferem petróleo e gás a navios cargueiros. Era o veículo adequado para um trabalho inédito, a grande profundidade e a mais de 100 quilômetros de distância da costa, sem muitos recursos logísticos para escoamento da produção. Logo a Petrobras se tornou o principal cliente da SBM.

Seguiram-se seis anos lucrativos para a companhia e seu agente no Rio, com uma dezena de empreendimentos somando US$ 27,6 bilhões. Entre 2005 e 2011, ela passou a dominar 34% do total de contratos da Petrobras em plataformas. Há dois anos, quando a SBM se sentiu pressionada por um ex-executivo que ameaçava revelar a corrupção, Faerman foi morar em Londres.

São múltiplas as evidências de que a diretoria da SBM na época conhecia os motivos e o destino das propinas. As investigações mais recentes conduzidas na Holanda mostram um fluxo constante de pagamentos ilegais, a partir de 2005, por três empresas criadas por Faerman no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas (a Jandell Investiments Ltd., a Journey Advisors Co. Ltd. e a Bien Faire Inc.). Numa quarta, a Hades Production Inc., partilhava o controle com o sócio carioca Luis Eduardo Barbosa da Silva.

Na contabilidade oficial, a companhia holandesa remunerava duas empresas do Rio onde Faerman era sócio, a Faercom e a Oildrive , esta dividida com Barbosa da Silva.

Na vida real, o dinheiro fluía do caixa de subsidiárias da SBM em Marly (Suíça), Mônaco, Houston (EUA) e Schiedam (Holanda) diretamente para contas da Jandell, Journey Advisors e Bien Faire em bancos no Brasil (HSBC) e na Suíça (Jacob Safra e Pictet and Cie.). A partir daí, Faerman se encarregava da distribuição.

Na diretoria da SBM só não viu quem não quis. Auditorias internas demonstram que bandeiras vermelhas poderiam ter sido erguidas na companhia desde o primeiro pagamento, de US$ 8,1 milhões, feito em 2005 pela subsidiária de Mônaco.

Foto: Divulgação

O empresário Julio Faerman, o mascarado da foto, apareceu assim, na Veja de fevereiro, citado como o homem-chave para desvendar o escândalo de corrupção da Petrobras, pelas ligações com a holandesa SBM Offshore

PAGAMENTOS DISFARÇADOS

Entre outras razões, porque os contratos para representação no Brasil eram com a Faercom e a Oildrive, do Rio, mas quem recebia eram as empresas de Faerman em paraísos fiscais, que nunca tiveram participação nos acordos com a SBM.

A remuneração ao agente no Rio variou entre 1% e 10% do valor dos contratos da SBM com a Petrobras, bem acima da média do mercado mundial de plataformas. Nesse setor, intermediários costumam receber 0,5%, excepcionalmente até 1% da venda ou aluguel.

Alguns pagamentos foram crescentes, como no caso do aluguel do navio Capixaba, com capacidade para 100 mil barris diários, ancorado no Parque das Baleias, na Bacia de Campos.

No outono de 2005, a Petrobras alugou o equipamento da SBM ao custo de US$ 1,8 bilhão, por 16 anos. Nos primeiros 63 meses desse contrato a companhia holandesa fez cinco “ajustes” na remuneração do agente no Rio, que passou de 3,5% para 4% em setembro de 2010. Houve pagamentos extraordinários, um deles de US$ 1 milhão, justificado na contabilidade de Amsterdã por uma palavra: "Reestruturação".

O recorde em transferências de dinheiro da SBM para empresas de Faerman aconteceu na negociação para a venda da plataforma P-57.

Na manhã de quarta-feira 7 de fevereiro de 2007, a empresa holandesa e seu agente carioca fizeram um acordo com previsão explícita de “uma taxa de 3%" a ser aplicada “a todos os pagamentos feitos pela Petrobras e recebidos pela SBM”, após o desconto de tributos e taxas. Isso ocorreu um ano antes da holandesa assinar o contrato de venda à Petrobras do projeto de engenharia, aquisição e construção da plataforma.

Na tarde de quinta-feira 31 de janeiro de 2008, a diretoria-executiva da estatal brasileira referendou a compra da P-57. Na manhã seguinte, Faerman acompanhou a assinatura do contrato de US$ 1,2 bilhão.

Depois, partiu para um fim de semana tranquilo. Garantira US$ 36,3 milhões na sua parceria com “funcionários do governo brasileiro", como constataram o Ministério Público e a Receita da Holanda.

Negócio obscuro, na avaliação do Tribunal de Contas da União, que trinta e dois meses mais tarde o presidente Lula exaltaria em praça pública como exemplo da transparência na Petrobras.

14 de dez de 2014

A chantagem da petrorroubalheira - Elio Gaspari, para Folha de S, Paulo

BRASIL – Opinião
A chantagem da petrorroubalheira
O argumento segundo o qual a investigação das petrorroubalheiras pode parar obras, gerando desemprego, é chantagem. Em alguns casos as empresas já estavam quebradas, em outras não haverá jeito. Botar dinheiro nelas é remunerar o ilícito.

Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Presidente Dilma Rousseff durante durante encontro com representantes das Centrais Sindicais. (Brasília - DF, 08/12/2014)

Postado por Toinho de Passira
Texto de Elio Gaspari
Fonte: Folha de S. Paulo

Outro dia a doutora Dilma recebeu dirigentes sindicais preocupados com milhares de trabalhadores de empreiteiras que correm o risco de perder seus empregos se obras da Petrobras forem paralisadas. No fim dessa linha está uma chantagem das grandes empresas: se a limpeza avançar, cria-se o risco de "parar o país". Já há milhares de demissões e greves em estaleiros na Bahia e no Rio.

A doutora está jogando na defesa com as petrorroubalheiras. Falta-lhe iniciativa, mesmo que seja para reconhecer o que se fez de errado, para evitar que se faça pior. Está na fila das encrencas o caso da contratação de navios-sondas para perfurações.

Depois da descoberta das reserva do pré-sal a Petrobras precisava contratar navios-sondas de perfuração. Podia ir ao mercado, mas os comissários, com Pedro Barusco no lance (US$ 100 milhões na Suíça), tiveram a ideia de formar uma empresa brasileira e em 2011 criaram a Sete Brasil, na qual a Petrobras tinha 10% e punha seu selo. Entre 2014 e 2018 a Sete Brasil forneceria 28 plataformas. Coisa de US$ 30 bilhões.

Um projeto desse tamanho poderia atrair investidores de todo o mundo. Entraram três bancos (BTG, Bradesco e Santander) e mais os suspeitos de sempre: os fundos Petros, Previ, Funcef, Valia e o FGTS. A Viúva ficou com cerca de 45% do negócio. Passou o tempo, entregaram um casco e cinco estão atrasados. A Sete já desembolsou US$ 8,9 bilhões, com uma parte em adiantamentos. Num caso, com um desembolso de US$ 2 bilhões, não há metade disso em obras. Só há uma sonda dentro do cronograma. No mercado surgiu a figura do "estaleiro PowerPoint".

Se tudo desse certo cada sonda sairia por algo em torno de US$ 1 bilhão. No mercado internacional, custavam US$ 750 milhões. Depois, seriam alugadas para operadoras, pagando-se US$ 600 mil por dia. Lá fora esse serviço valia no máximo US$ 500 mil. Os prazos foram para o espaço, e hoje pode-se torcer para que as sondas fiquem prontas entre 2016 e 2022, se ficarem.

Quando faltou caixa, só o BTG aumentou sua participação, mas a Sete Brasil disse que ia buscar dinheiro no mundo. Piada. No início deste ano acharam US$ 10 bilhões no Fundo de Marinha Mercante. O Banco do Brasil não topou repassar os recursos, e a tarefa foi para o espeto do BNDES. Esse financiamento tornou-se o maior projeto do banco, com uma exposição superior à que ele assumiu com Eike Batista.

A senhora pode dizer que isso são vicissitudes do mercado. Mas veja que a Sete Brasil contratou obras com seis estaleiros. Três (Jurong, Keppel e EAS) estão de pé. A OSX do Eike virou pó. As outras duas, EEP e Rio Grande, estão com gente dormindo em colchonetes da Polícia Federal. (Na EEP há duas greves de trabalhadores.) O doutor Barusco, que defendeu a criação da Sete Brasil e foi seu diretor de operações, está preso, colaborando com a Viúva.

Na última reunião do conselho da Sete Brasil duas operadoras de sondas resolveram cair fora. Não querem migrar das páginas de economia para o noticiário policial.

O argumento segundo o qual a investigação das petrorroubalheiras pode parar obras, gerando desemprego, é chantagem. Em alguns casos as empresas já estavam quebradas, em outras não haverá jeito. Botar dinheiro nelas é remunerar o ilícito. Se as doutoras Dilma e Graça Foster começarem a trabalhar hoje, esse mal pode ser remediado.

Basta mostrar que a Viúva poderá avançar no patrimônio das empresas e dos seus doutores. O Brasil não é a China, mas o companheiro Xi Jinping está fazendo exatamente isso. Primeiro ele limpa o ladrão, depois manda-o para a cadeia. Um dos empreiteiros já está vendendo os cavalos do seu haras. Em vez de tirar dinheiro do Fundo de Marinha Mercante para financiar estaleiros virtuais, depenam-se os ladrões (pessoas físicas e jurídicas) para evitar que eles depenem os trabalhadores.

Chumbo grosso, cabeça fria - Nelson Motta

BRASIL – Opinião
Chumbo grosso, cabeça fria
O mau-caráter, o desonesto, o sem-vergonha, o corrupto nasceram com o homem, mas nunca na história deste país eles foram tantos e tão poderosos. Como diria Paulo Maluf com sua voz anasalada e a crueza de um quibe cru: “Não adianta trocar as moscas, precisamos é sair da merda.”

Postado por Toinho de Passira
Texto de Nelsinho Motta
Fonte: Coluna do Nelson Motta

A emoção serve para ganhar eleição, mas para governar o que vale é a razão. Mas parece cada vez mais difícil, justo num momento muito difícil para o país, estabelecer-se um debate racional e qualificado sobre os graves problemas que todos conhecem. Ninguém, nenhuma corporação, nenhum partido tem força política, popular, econômica e moral para mudar nada sozinho. É hora de negociar soluções para os impasses que atrasam e empobrecem o país, sem ser mais rigoroso com os outros e mais complacente com os seus.

Mas, quando se fala em negociar, qualquer brasileiro logo associa a falcatruas, vantagens indevidas, propinas e outros crimes corriqueiros no cotidiano nacional, em todos os níveis da administração pública. Sim, existem negociações legítimas e possíveis, dependendo dos interlocutores, de sua credibilidade e, principalmente, de boa vontade e tolerância, que, longe de serem sinais de fraqueza, representam superioridade moral.

Na negociação que levou Joaquim Levy ao comando da economia, a razão venceu a emoção. Mas sobre o aparelhamento das estatais, um dos fatores geradores da corrupção, ninguém fala. Não basta trocar de nomes, é preciso mudar conceitos e valores. Ou, como diria Paulo Maluf com sua voz anasalada e a crueza de um quibe cru: “Não adianta trocar as moscas, precisamos é sair da merda.”

Cheios de razão, milhares de funcionários e ex-diretores corretos, eficientes e dedicados da Petrobras, e de outras estatais, a imensa maioria que construiu com seu trabalho a grandeza das empresas, estão indignados com a tática defensiva dos delinquentes de dizer que todos fazem, que sempre foi assim, jogando no mesmo saco de lixo os melhores e os piores para dar a ideia que todos são iguais e, por isso, a culpa deve ser diluída, e ninguém condenado. Como se fossem todos óleo do mesmo barril, querem que a mancha se espalhe no mar do esquecimento e tudo mude para nada mudar.

O mau-caráter, o desonesto, o sem-vergonha, o corrupto nasceram com o homem, mas nunca na história deste país eles foram tantos e tão poderosos, ao mesmo tempo: nada é mais organizado do que o crime no Brasil.

PETROBRAS: começar de novo - Merval Pereira

BRASIL – Opinião
PETROBRAS: começar de novo
As queixas dos investidores internacionais que estão processando a Petrobras nos Estados Unidos: a empresa não respeita seus acionistas minoritários, sonegando-lhes informações sobre casos de corrupção que acabaram derrubando a cotação de suas ações no Brasil e nas bolsas internacionais

Baseado em foto de Vanderlei Almeida/AFP/VEJA

Postado por Toinho de Passira
Texto de Merval Pereira
Fontes: Blog do Merval

A coisa na Petrobras está tão feia que até mesmo quando um diretor é erroneamente acusado de ter sido beneficiário do esquema de corrupção, como aconteceu com José Carlos Cosenza, ele acaba sendo envolvido em outros casos relacionados, e o pedido de desculpas da Polícia Federal acaba sendo neutralizado pelas novas descobertas.

A denúncia de que a gerente Venina Velosa da Fonseca enviou e-mails à atual presidente Graça Foster e a outros superiores, incluindo Cosenza e o seu antecessor, o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa, para apontar desvios em vários setores da empresa, mostra que muito antes da Operação Lava Jato a atual diretoria já tinha conhecimento dos esquemas de corrupção.

As medidas tomadas, como a demissão do responsável pela área de comunicação, ligado ao PT baiano do ex-governador Jacques Wagner e ao ex-presidente da Petrobras José Gabrielli, devido ao pagamento de R$ 58 milhões para serviços que não foram realizados em 2008, não tiveram efeito prático, pois o funcionário saiu de licença e permaneceu mais de cinco anos na empresa.

Já naquela época a gerente denunciava superfaturamento nos custos da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e nada foi feito. Em outra ponta, a Controladoria Geral da União (CGU) anunciou que investiga o aumento do patrimônio do ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque e dos ex-diretores da Área Internacional Nestor Cerveró e Jorge Zelada, em processos administrativos que apuram suposta participação dos três no esquema de pagamento de propina pela empresa holandesa SBM Offshore.

Esse caso é exemplar de como as coisas não funcionam na Petrobras. A revista Veja denunciou, e a estatal tratou de desmentir, alegando que uma comissão interna nada encontrara. Agora, que a empresa holandesa confessou ter dado o suborno, a presidente Graça Foster admitiu que soubera da confirmação dias antes. Só que, como em outras ocasiões, a questão fora abafada e a diretoria da Petrobras somente comentou o assunto por que foi confirmado na imprensa no exterior.

Essa é uma das queixas dos investidores internacionais que estão processando a Petrobras nos Estados Unidos: a empresa não respeita seus acionistas minoritários, sonegando-lhes informações sobre casos de corrupção que acabaram derrubando a cotação de suas ações no Brasil e nas bolsas internacionais. E, para culminar, quem chefia a Comissão Interna de Apuração de desvios na estatal é o mesmo José Carlos Cosenza.

Os fatos mostram que não haverá solução sem que, como sugeriu o Procurador-Geral da República e a oposição agora exige, toda a diretoria seja mudada e a estatal comece da estaca zero sua reorganização.
*Alteramos o título, acrescentamos subtítulo, foto e legenda à publicação original

13 de dez de 2014

PROPINA DELIVERY: políticos recebiam a grana da corrupção em domicílio

BRASIL – Petrolão
PROPINA DELIVERY:
políticos recebiam a grana da corrupção em domicílio
Confira as revelações do homem que entregava dinheiro da Petrobras na casa de deputados, senadores, governadores, ex-presidente, ministros e na sede nacional do PT


Detalhe capa da Veja desta semana

Postado por Toinho de Passira
Reportagem de Robson Bonin e Hugo Marques
Fonte: Veja

Depois de tantas revelações sobre engenharias corruptas complexas de sobrepreços, aditivos, aceleração de obras e manobras cambiais engenhosas, a Operação Lava-Jato produziu agora uma história simples e de fácil entendimento. Ela se refere ao que ocorre na etapa final do esquema de corrupção, quando dinheiro vivo é entregue em domicílio aos participantes.

Durante quase uma década, Rafael Ângulo Lopez, esse senhor de cabelos grisalhos e aparência frágil na capa da Veja, desta semana, executou esse trabalho. Ele era o distribuidor da propina que a quadrilha desviou dos cofres da Petrobras. Era o responsável pelo atendimento das demandas financeiras de clientes especiais, como deputados, senadores, governadores e ministros.

Braço-direito do doleiro Alberto Youssef, o caixa da organização, Rafael era “o homem das boas notícias”. Ele passou os últimos anos cruzando o país de Norte a Sul em vôos comerciais com fortunas em cédulas amarradas ao próprio corpo sem nunca ter sido apanhado. Em cada cidade, um ou mais destinatários desse Papai Noel da corrupção o aguardavam ansiosamente.

Os vôos da alegria sempre começavam em São Paulo, onde funcionava o escritório central do grupo. As entregas de dinheiro em domicílio eram feitas em endereços elegantes de figurões de Brasília, Recife, Porto Alegre, Curitiba, Maceió, São Luís. Eventualmente ele levava remessas para destinatários no Peru, na Bolívia e no Panamá.

Discreto, falando só o estritamente necessário ao telefone, não deixou pistas de suas atividades em mensagens ou diálogos eletrônicos. Isso o manteve distante dos olhos e ouvidos da Polícia Federal nas primeiras etapas da operação Lava-Jato.

Graças à dupla cidadania — espanhola e brasileira —, Rafael usava o passaporte europeu e ar naturalmente formal para transitar pelos aeroportos sem despertar suspeitas.

Ele cumpria suas missões mais delicadas com praticamente todo o corpo coberto por camadas de notas fixadas com fita adesiva e filme plástico, daqueles usados para embalar alimentos. A muamba, segundo ele disse à polícia, era mais fácil e confortável de ser acomodada nas pernas. Quando os volumes era muito altos, Rafael contava com a ajuda de dois ou três comparsas.

A rotina do trabalho permitiu que o entregador soubesse mais do que o recomendável sobre a vida paralela e criminosa de seus clientes famosos, o que pode ser prenúncio de um grande pesadelo. É que Rafael tinha uma outra característica que poucos sabiam: a organização. Ele anotava e guardava comprovantes de todas as suas operações clandestinas.

É considerado, por isso, uma testemunha capaz de ajudar a fisgar em definitivo alguns figurões envolvidos no escândalo da Petrobras.

Para o pesadelo dos envolvidos, Veja diz que o entregador já se ofereceu para fazer um acordo de delação premiada, a exemplo do seu ex-patrão.




Três dos destinatários da propina que Rafael Ângulo Lopez transportava.

Seguindo a trilha de Lulinha, Mercadantezinho também ficou milionário assim de uma hora para outra

BRASIL – Sucesso Empresarial
Seguindo a trilha de Lulinha, Mercadantezinho também ficou milionário assim de uma hora para outra
Empresa do filho de Aloízio Mercadante, no último ano, faturou cerca de R$ 150 milhões em negócios com o governo federal. Surpreende que o sucesso empresarial desses jovens talentos 'coincida' com a chegada do pai ao poder

Foto: Foto: Rodrigo Zorzi/Glamourama

MERCADANTE E MERCADANTEZINHO - A culpa de seu filho não ser milionário é sua.
Quem manda não ser ministro, presidente...?

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Diário do Poder

Petra Energia S/A, que tem como vice-presidente Pedro Barros Mercadante Oliva, filho do ministro Aloízio Mercadante, faturou R$ 148,1 milhões do governo federal entre 2013 e 2014, quando o petista se transformou no poderoso chefe da Casa Civil.

Segundo o Sistema Integrado de Informações Financeiras do Governo Federal (Siafi), a verba foi empenhada pelo Ministério de Ciência e Tecnologia, que foi comandado pelo mesmo Aloizio Mercadante nos anos de 2011 a 2012.

Da verba empenhada pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do ministério, R$ 47,1 milhões já foram pagos à Petra Energia.

Em 2013, o ministério empenhou R$ 42,8 milhões para a Petra Energia em agosto, e mais R$ 47,6 milhões no mês seguinte, setembro.

Fundada em 2008 para explorar petróleo e gás, a Petra virou a maior concessionária de blocos de terra do País, tem áreas em MG, MA e AM O presidente da Petra, Roberto Viana, já perfurou 16 poços na Bacia de São Francisco (MG), e tem expandido negócios para África. Hum…

No meio do tiroteio, Petrobras resolve aumentar o preço do gás de cozinha, dando mais combustível a inflação

BRASIL – Economia
No meio do tiroteio, Petrobras resolve aumentar o preço do gás de cozinha, dando mais combustível a inflação
Surpreendentemente a decisão da petrolífera brasileira vai de encontro aos preços internacionais do GLP que estão em queda desde setembro. Provavelmente teremos o gás de cozinha mais caro do planeta.

Foto: Givaldo Barbosa /Agência O Globo/VEJA

A CARA DA PETROBRAS - Graça Foster, com seu visual apocalíptico, simboliza perfeitamente a Petrobras de hoje.

Postado por Toinho de Passira
Fonte: Radar Online

Nos tempos do regime militar a esquerda inventou, em certa ocasião, que um general havia proposto aumentar o preço do leite no dia das crianças. Queria creditar aos militares uma inoportuníssima insensibilidade política.

Pois bem, no meio desse furacão, as vésperas do Natal, a Petrobras resolveu aumentar, a partir de hoje, o preço da venda do GLP (o gás de cozinha) no granel – modalidade de consumo de comércios, indústrias e condomínios residenciais. O percentual de reajuste será em torno de 15%, no Rio de Janeiro, e de 18% em São Paulo.

O mais surpreendente e prosaico dessa decisão é que a decisão da petrolífera brasileira vai de encontro aos preços internacionais do GLP que estão em queda desde setembro. No mês passado, atingiram um patamar abaixo do preço cobrado pela Petrobras – a média da tonelada de GLP vinda do Golfo do México, por exemplo, sai hoje 14% mais barata do que a produzida pela encrencada estatal brasileira.

Com a alta, a distância de preços aumentará ainda mais, podendo alcançar até 30% acima do cobrado no mercado internacional. Provavelmente teremos o gás de cozinha mais caro do planeta. Seria oportuno perguntar se a alta visa cobrir o rombo causado pela corrupção gerida pelos diretores da estatal, presidida por Graça Foster, ou querem apenas testar a paciência dos brasileiros?

Como cereja do bolo, especialistas preveem que o aumento terá forte impacto na já desenfreada inflação brasileira.

Feliz Natal e prospero ano novo!

12 de dez de 2014

Gerente da Petrobras comprova que alertou os três últimos presidentes sobre os desvios na empresa

BRASIL – Lava Jato
Gerente da Petrobras comprova que alertou os três últimos presidentes sobre os desvios na empresa
Desde 2008, a gerente Venina Velosa da Fonseca, desconfiou de desvios na empresa, e enviou diversos emails alertando, sem obter retorno, tanto aos então presidentes Gabrielli e Jaques Wagner, como a atual Graça Foster. Segundo conta, a funcionária incômoda, perdeu poder, foi ameaçada e acabou sendo transferida para Singapura, onde encontrou outras irregularidades

Foto: Divulgação

Gerente, Venina Velosa, já convocada, apresentará ao Ministério Público Federal, em Curitiba, emails e documentos que comprovam alertas ignorados pela direção da estatal

Postado por Toinho de Passira
Reportagem de Juliano Basile
Fontes: Valor Economico, Folha de São Paulo,

Defendida pela presidente Dilma Rousseff, a atual diretoria da Petrobras recebeu diversos alertas de irregularidades em contratos da estatal muito antes do início da Operação Lava-Jato, em março deste ano, e não apenas deixou de agir para conter desvios que ultrapassaram bilhões de reais como destituiu os cargos daqueles que trabalharam para investigar as ilicitudes e chegou a mandar uma denunciante para fora do país.

As irregularidades foram comprovadas através de centenas de documentos internos da estatal a que teve acesso o jornalista Juliano Basile, do jornal Valor Econômico. Elas envolvem o pagamento de R$ 58 milhões para serviços que não foram realizados na área de comunicação, em 2008, passam por uma escalada de preços que elevou de US$ 4 bilhões para mais de US$ 18 bilhões os custos da Refinaria Abreu e Lima e atingem contratações atuais de fornecedores de óleo combustível das unidades da Petrobras no exterior que subiram em até 15% os custos.

As constatações de problemas nessas áreas foram comunicadas para a presidente da estatal, Graça Foster, e para José Carlos Cosenza, que substituiu o delator Paulo Roberto Costa na Diretoria de Abastecimento e é, 'ironicamente', responsável pela Comissão Interna de Apuração de desvios na estatal.

Para Graça foram enviados e-mails e documentos comunicando irregularidades ocorridas tanto antes de ela assumir a presidência, em 2012, quanto depois. A presidente foi informada a respeito de contratações irregulares na área de comunicação da Diretoria de Abastecimento, sob o comando de Paulo Roberto Costa, e de aditivos na Abreu e Lima, envolvendo o "pool" de empreiteiras da Operação Lava-Jato. Em 2014, foram remetidas a Graça denúncias envolvendo os escritórios da estatal no exterior. Nenhuma providência foi tomada com relação a esse último caso, ocorrido sob a sua presidência.

Cosenza, que em depoimento à CPI mista da Petrobras, em 29 de outubro passado, declarou nunca ter ouvido falar em desvios de recursos na estatal em seus 34 anos na empresa, também recebeu, nos últimos cinco anos, diversos e-mails e documentos com alertas a respeito dos mesmos problemas.

As advertências de que os cofres da Petrobras estavam sendo assaltados partiram de uma gerente que foi transferida para a Ásia. Venina Velosa da Fonseca está na estatal desde 1990, onde ocupou diversos cargos. Ela começou a apresentar denúncias quando era subordinada a Paulo Roberto como gerente executiva da Diretoria de Abastecimento, entre novembro de 2005 e outubro de 20009. Afastada da estatal, em 19 de novembro, Venina vai depor ao Ministério Público, em Curitiba, onde tramita o processo da Lava-Jato.

As suspeitas da geóloga tiveram início em 2008, quando ela verificou que os contratos de pequenos serviços - chamados de ZPQES no jargão da estatal - atingiram R$ 133 milhões entre janeiro e 17 de novembro daquele ano. O valor ultrapassou em muito os R$ 39 milhões previstos para 2008 e a gerente procurou Costa para reclamar dos contratos que eram lançados em diferentes centros de custos, o que dificultava o rastreamento.

Segundo ela, o então diretor de Abastecimento apontou o dedo para o retrato do presidente Lula e perguntou se ela queria "derrubar todo mundo". Em seguida, Costa disse que a gerente deveria procurar o diretor de comunicação, Geovanne de Morais, que cuidava desses contratos.

Venina encaminhou a denúncia ao então presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli. Ele instalou comissão sob a presidência de Rosemberg Pinto para apurar o caso. Assim como Geovanne, Gabrielli e Rosemberg são do PT da Bahia. Esse último foi eleito deputado estadual pelo partido. O relatório da comissão apurou que foram pagos R$ 58 milhões em contratos de comunicação para serviços não realizados. Além disso, foram identificadas notas fiscais com o mesmo número para diversos serviços, totalizando R$ 44 milhões. Dois fornecedores de serviços tinham o mesmo endereço. São as empresas R. A. Brandão Produções Artísticas e Guanumbi Promoções e Eventos. Ambas na rua Guanumbi, 628, em Jacarepaguá, no Rio.

O caso foi remetido para a Auditoria. Geovanne foi demitido, mas entrou em licença médica, o que evitou que fosse desligado imediatamente da Petrobras, onde permaneceu por mais cinco anos.

Em 3 de abril de 2009, Venina enviou um e-mail para Graça Foster pedindo ajuda para concluir um texto sobre problemas identificados na estatal. Na época, Graça era Diretora de Gás e Energia.

Paralelamente aos problemas na área de comunicação com contratos milionários sem execução de serviços, Venina verificou uma escalada nos preços para as obras em Abreu e Lima que elevou os custos para US$ 18 bilhões e fomentou dezenas de aditivos para empreiteiras. Os contratos para as obras na refinaria continham cláusulas pelas quais a Petrobras assumia os riscos por eventuais problemas nas obras e arcava com custos extras. Para executá-las, eram feitos aditivos e as empreiteiras suspeitas de cartel no setor venceram boa parte das concorrências.

Apenas na fase 2 das obras da refinaria havia a previsão de contratações de US$ 4 bilhões junto a empreiteiras. Num ofício de 4 de maio de 2009, Venina criticou a forma de contratação que, em pelo menos quatro vezes naquela etapa, dispensou as licitações e, em várias ocasiões, beneficiou as empresas da Associação Brasileira de Engenharia Industrial (Abemi), entidade que tem firmas acusadas na Lava-Jato como associadas, como a UTC Engenharia e a Toyo Setal. "Entendemos que não devemos mitigar o problema, mas resolvê-lo pela adoção de medidas corretas, ou seja, com o início das licitações em Abreu e Lima", disse a gerente.

Presidente Dilma e Graça Foster, em Suape, num dos eventos de assinatura de contratos para a construção da Refinaria Abreu e Lima
Documento interno da Petrobras de 2009 mostra que Venina fez 107 Solicitações de Modificação de Projetos (SMPs), o que resultaria numa economia de R$ 947,7 milhões nas obras da refinaria. Mas as sugestões da gerente não foram aceitas.

Outra sugestão não atendida foi a de acrescentar uma cláusula chamada "single point responsibility" nos contratos pela qual a construtora se tornaria responsável por eventuais problemas nas obras da refinaria, devendo arcar com os gastos. Mas a área de Serviços, comandada, na época, por Renato Duque, manteve os contratos no formato antigo, sem essa cláusula, transferindo os ônus para a estatal. Duque foi preso pela Polícia Federal na Lava-Jato e Pedro Barusco, seu ex-subordinado na estatal, que também é citado em vários documentos, fez um acordo de delação premiada para devolver US$ 97 milhões obtidos no esquema.

As obras de terraplanagem da refinaria levaram a gastos exponenciais. Elas foram contratadas, em junho de 2007, por R$ 429 milhões junto a um consórcio formado por Camargo Corrêa, Galvão Engenharia, Construtora Queiroz Galvão e Construtora Norberto Odebrecht. Em seguida, vários aditivos foram autorizados pela Diretoria de Engenharia da Petrobras e assinados por Cosenza, presidente do Conselho da Refinaria. Um e-mail mostra que ele foi alertado sobre o aumento nos custos das obras de terraplanagem em Abreu e Lima.

O desgaste de fazer as denúncias e não obter respostas fez com que Venina deixasse o cargo de gerente de Paulo Roberto, em outubro de 2009. No mês seguinte, a fase 3 de Abreu e Lima foi autorizada. Em fevereiro de 2010, a geóloga foi enviada para trabalhar na unidade da Petrobras em Cingapura. Chegando lá, lhe pediram que não trabalhasse e foi orientada a fazer um curso de especialização.

Em 7 de outubro de 2011, Venina escreveu para Graça Foster, na época, diretora de Gás e Energia: "Do imenso orgulho que eu tinha pela minha empresa passei a sentir vergonha". "Diretores passam a se intitular e a agir como deuses e a tratar pessoas como animais. O que aconteceu dentro da Abast (Diretoria de Abastecimento) na área de comunicação e obras foi um verdadeiro absurdo. Técnicos brigavam por formas novas de contratação, processos novos de monitoramento das obras, melhorias nos contratos e o que acontecia era o esquartejamento do projeto e licitações sem aparente eficiência".

Na mensagem, Venina diz que, após não ver mais alternativas para mudar a situação, iria buscar outros meios e sugere apresentar a documentação que possui a Graça. "Parte dela eu sei que você já conhece. Gostaria de te ouvir antes de dar o próximo passo", completa, dirigindo-se à então diretora de Energia e Gás.

Em 2012, a geóloga voltou ao Rio, onde ficou por cinco meses sem nenhuma atribuição. A alternativa foi retornar a Cingapura, agora, como chefe do escritório.

Em 25 de março de 2014, Venina encaminhou um e-mail a Cosenza sobre perdas financeiras em operações internacionais da estatal que ela identificou a partir do trabalho em Cingapura. A Petrobras comercializa combustível para navios, denominados bunkers. As unidades da estatal no exterior recebem óleo combustível feito no Brasil e fazem a mistura com outros componentes para atender à exigências de qualidade para vendê-los a outros países. As perdas ocorrem quando previsões no ponto de carga não refletem o que foi descarregado.

Copias dos emails da gerente
Além desse problema de medição das quantidades de combustível, Venina verificou outro fato ainda mais grave. Negociadores de bunkers estavam utilizando padrões anormais para a venda à estatal. Eles compravam bunkers a um preço e revendiam a valores muito maiores para a Petrobras. A geóloga contratou um escritório em Cingapura que obteve cópias das mensagens das tratativas entre os bunkers com "fortes evidências" de desvios. Mesmo após a denúncia dessas práticas, esses negociadores não foram descredenciados. Pelo contrário, eles mantiveram privilégios junto à estatal, como garantia de vendas para a Petrobras mesmo quando estavam ausentes ou em férias.

Esses problemas da Petrobras no exterior foram comunicados em outro e-mail a Cosenza, em 10 de abril de 2014. Nele, está escrito que as perdas podem chegar a 15% do valor da carga de petróleo e óleo combustível. Esse percentual equivale a milhões de dólares, considerando que apenas o escritório de Cingapura pagou dividendos de US$ 200 milhões, em 2013. O lucro líquido da unidade atingiu US$ 122 milhões até outubro deste ano. Novamente, não houve resposta por parte do diretor sobre o que fazer com relação a perdas de milhões de dólares.

Na tentativa de obter uma orientação da direção da estatal, Venina fez, em 27 de maio, uma apresentação na sede da Petrobras, no Rio, sobre as perdas envolvendo a comercialização de combustível no exterior. Nela, foi alertado que a prática se disseminou pelas unidades da estatal, atingindo vários países. Em junho, Venina propôs a criação de uma área de controle de perdas nos escritórios da empresa no exterior. Nada foi feito.

Uma última mensagem sobre o assunto foi enviada em 17 de novembro. Dois dias depois, a direção da Petrobras afastou Venina do cargo. Após fazer centenas de alertas e recomendações sobre desvios na empresa, ela foi destituída pela atual diretoria, sem saber qual a razão, ao lado de vários funcionários suspeitos na Operação Lava-Jato. A notícia lhe chegou pela imprensa, em 19 de novembro.

Um dia depois, a geóloga escreveu um e-mail para Graça Foster. "Desde 2008, minha vida se tornou um inferno, me deparei com um esquema inicial de desvio de dinheiro, no âmbito da Comunicação do Abastecimento. Ao lutar contra isso, fui ameaçada e assediada. Até arma na minha cabeça e ameaça às minhas filhas eu tive." A geóloga não detalhou no e-mail para Graça o que aconteceu, mas teve a arma apontada para si, no bairro do Catete. Não lhe levaram um tostão, mas houve a recomendação de que ficasse quieta.

"Tenho comigo toda a documentação do caso, que nunca ofereci à imprensa em respeito à Petrobras, apesar de todas as tentativas de contato de jornalistas. Levei o assunto às autoridades competentes da empresa, inclusive o Jurídico e a Auditoria, o que foi em vão", continuou.

Em seguida, ela reitera que se opôs ao esquema de aditivos na Abreu e Lima. "Novamente, fui exposta a todo tipo de assédio. Ao deixar a função, eu fui expatriada, e o diretor, hoje preso, levantou um brinde, apesar de dizer ser pena não poder me exilar por toda a vida", disse, referindo-se a Costa.

"Agora, em Cingapura, me deparei com outros problemas, tais como processos envolvendo a área de bunker e perdas, e mais uma vez agi em favor da empresa (...). Não chegaram ao meu conhecimento ações tomadas no segundo exemplo citado, dando a entender que houve omissão daqueles que foram informados e poderiam agir." A geóloga termina a mensagem fornecendo seu telefone a Graça, que jamais ligou.

O Valor Econômico conclui a reportagem dizendo que perguntou à Petrobras quais providências foram tomadas com relação às denúncias, mas a estatal não respondeu.