31 de ago de 2014

Maravilha! - Luis Fernando Veríssimo

BRASIL - Bom Humor
Maravilha!
Hoje os candidatos à Presidência medem suas ideias e diferenças livremente, e todos são iguais perante o William Bonner. Melhor você ser manipulado por marqueteiros políticos, com direito a desacreditá-los, do que pela propaganda oficial e incontestável de um poder ditatorial.

Foto: Cecil Beaton

Winston Churchill, Londres 1940

Postado por Toinho de Passira
Texto de Luis Fernando Veríssimo
Fonte: Blog do Noblat

Pode-se parafrasear Winston Churchill e dizer da democracia o mesmo que se diz da velhice, que, por mais lamentável que seja, é melhor do que sua alternativa.

A única alternativa para a velhice é a morte.

Já as alternativas para a democracia são várias, uma pior do que a outra.

É bom lembrá-las sempre, principalmente no horário político, quando sua irritação com a propaganda que atrasa a novela pode levá-lo a preferir outra coisa. Resista.

Engula sua impaciência com a retórica eleitoral que você sabe que é mentirosa, com o debate vazio, com os boatos maldosos e os golpes baixos, com o desfile de candidatos que variam do patético ao ridículo...

Diante de tudo isso, em vez de “que chateação”, pense “que maravilha!”. É a democracia em ação, com seus grotescos e tudo. Saboreie, saboreie.

O processo, incrivelmente, se autodepura, sobrevive aos seus absurdos e dá certo. Ou dá errado, mas pelo menos de erro em erro vamos ganhando a prática.

Mesmo o que impacienta é aproveitável, e votos inconsequentes acabam consequentes.

O Tiririca, não sei, mas o Romário não deu um bom deputado?

Vocações políticas às vezes aparecem em quem menos se espera.

E é melhor o cara poder dizer a bobagem que quiser na TV do que viver num país em que é obrigado a cuidar do que diz.

Melhor ele pedir voto porque é torcedor do Flamengo ou bom filho do que ter sua perspectiva de vida decidida numa ordem do dia de quartel.

Melhor você ser manipulado por marqueteiros políticos, com direito a desacreditá-los, do que pela propaganda oficial e incontestável de um poder ditatorial.

Hoje os candidatos à Presidência medem suas ideias e diferenças livremente, e todos são iguais perante o William Bonner.

Certo, às vezes as alternativas para a democracia parecem tentadoras.

Ah, bons tempos em que o colégio eleitoral era minimalista: tinha um eleitor só.

O general na Presidência escolhia o general que lhe sucederia, e ninguém pedia o nosso palpite. Era um processo rápido a ascético que não sujava as ruas.

A escolha do poder nas monarquias absolutas também é simples e sumária, e o eleitor do rei também é um só, Deus, que também não se interessa pela nossa opinião.

Ou podemos nos imaginar na Roma de Cícero, governados por uma casta de nobres e filósofos, sem nenhuma obrigação cívica salvo a de aplaudi-los no fórum, só cuidando para não parecer ironia.

A democracia é melhor. Mesmo que, como no caso do Brasil das alianças esquisitas, os partidos coligados em disputa lembrem uma salada mista, e ninguém saiba ao certo quem representa o quê. E onde, com o poder econômico mandando e desmandando, a atividade política termine parecendo apenas uma pantomima.

Não importa, não deixa de ser — comparada com o que já foi — uma maravilha.

Como ministro do TCU se pôs a serviço de Dilma para emplacar esposa para o Superior Tribunal de Justiça

BRASIL - Fisiologia
Como ministro do TCU se pôs a serviço de Dilma para emplacar esposa para o Superior Tribunal de Justiça
Mensagens da Casa Civil da Presidência da República revelam como funciona a troca de favores entre autoridades e seus padrinhos políticos. Ministro do TCU conseguiu indicar a esposa para o Superior Tribunal de Justiça e o irmão para o Tribunal Superior do Trabalho com a ajuda de Dilma Rousseff.

Foto: Veja

O ministro Walton Alencar: ele dava atenção especial a processos de interesse do governo em troca da nomeação da mulher para uma vaga no STJ

Postado por Toinho de Passira
Reportagem de Robson Bonin e Hugo Marques
Fonte: Veja

o organograma dos poderes, o Tribunal de Contas da União (TCU) exerce o papel de guardião dos cofres públicos. Do superintendente de uma repartição federal na Amazônia ao presidente da República, ninguém está livre de prestar contas ao órgão.

É do TCU a missão de identificar e punir quem rouba e desperdiça dinheiro público, seja um servidor de terceiro escalão, um ministro de Estado ou uma dezena de diretores da Petrobras. Enfrentar interesses poderosos é da natureza do trabalho do tribunal.

Por isso, seus ministros gozam de prerrogativas constitucionais, como a vitaliciedade no cargo, destinadas a lhes garantir autonomia no exercício da função.

No mundo ideal, o TCU é plenamente independente. Na prática, troca favores com o governo, sujeita-se às ordens do Palácio do Planalto e, assim, contribui para alimentar a roda do fisiologismo, mal que a corte, em teoria, deveria combater.

VEJA teve acesso a um conjunto de mensagens que mostram que há ministros dispostos a servir aos poderosos de turno a fim de receber generosas contrapartidas, como a nomeação de parentes para cargos de ponta.

Trocadas durante o segundo mandato do presidente Lula, as mensagens revelam o ministro Walton Alencar, inclusive quando comandava o TCU, no pleno gozo de uma vida dupla. Nos julgamentos em plenário e nas manifestações públicas, Walton era o magistrado discreto, de perfil técnico, que atuava com rigor e independência. Em privado, era o informante, os olhos e os ouvidos no TCU de Dilma Rousseff, à época chefe da Casa Civil, e de Erenice Guerra, então braço-direito da ministra.

Walton pôs o cargo e a presidência do tribunal a serviço da dupla. E o fez não por mera simpatia ou simples voluntarismo. Em troca, ele recebeu ajuda para emplacar a própria mulher, Isabel Gallotti, no cargo de ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A trama toda ficou registrada em dezenas de mensagens entre Walton e Erenice, apreendidas em uma investigação da Polícia Federal.

Com a colaboração das mulheres mais poderosas do Palácio do Planalto no segundo mandato de Lula, Walton conseguiu mobilizar um espantoso generalato de autoridades para defender a indicação da esposa.

Principal cabo eleitoral de Marina é o saco cheio

BRASIL - Opinião
Principal cabo eleitoral de Marina é o saco cheio
A ex-petista Marina Silva é o purgatório do ex-PT. Ela se tornou uma espécie de repositório do ‘voto saco cheio’. De saco cheio das alianças espúrias e da tolerância presidencial para com os maus hábitos. De saco cheio da teia de chantagens e exigências feitas em nome da pseudo-governabilidade. De saco cheio do mês que dura sempre mais do que o salário. De saco cheio de tudo isso que está aí.

Foto: Ricardo Moraes/Reuters

A candidata à Presidência pelo PSB, Marina Silva, faz caminhada na comunidade da Rocinha, zona sul do Rio de Janeiro, junto com os colegas de partido Beto Albuquerque, candidato a vice-presidente, e Romário, que é candidato ao Senado.

Postado por Toinho de Passira
Texto de Josias de Souza
Fonte: Blog do Josias de Souza

O ‘Plano A’ era declarar guerra à elite branca do PSDB, fingir que a ruína econômica tem causas externas, pintar o país de rosa na propaganda eleitoral e conquistar mais quatro anos de Poder. O ‘Plano B’ era, era, era… Não havia um ‘Plano B’. O generalato do PT não tinha considerado a hipótese de o ‘Plano A’ dar errado. Ninguém podia imaginar que a morte de Eduardo Campos ressuscitaria a cafuza Marina Silva.

Agora, Dilma Rousseff e seus operadores buscam uma saída que os redima do fiasco. Neste sábado, num comício organizado pelo PMDB, Dilma adotou um ‘Plano B’ que seu vice, Michel Temer, improvisara em cima da perna. “Numa democracia, quem não governa com partidos está flertando com o autoritarismo”, disse a ex-favorita, ecoando um discurso que o vice fizera na véspera, em Porto Alegre. “Não existe um único lugar em que haja regime democrático e que não haja partido.”

Nessa formulação, Marina e sua promessa de governar com “as melhores pessoas” da República seria uma ameaça à normalidade democrática. “As pessoas não podem ser colocadas acima das instituições”, disse Temer, no pronunciamento que inspirou Dilma. “Quando isso aconteceu no mundo, nós fomos para o autoritarismo. Nós temos exemplos dramáticos no mundo, não quero nem mencioná-los!”

A nova estratégia evidencia o desnorteio do conglomerado governista. O que fez de Marina uma alternativa real de poder foi justamente a insuportável normalidade que permeia a democracia brasileira. Oito em cada dez eleitores desejam que o próximo presidente adote providências diferentes das atuais, informa o Datafolha. Ou, por outra: 79% do eleitorado acha que algo de anormal precisa suceder. Sob pena de passar por natural o que é absurdo.

Quem quiser compreender o que está acontecendo deve levar em conta o seguinte: os últimos presidentes brasileiros —FHC, Lula e Dilma— foram prisioneiros de um paradoxo: prometeram o avanço sem chutar o atraso. Pregaram o novo abraçados ao velho. Presidiram a ilicitocracia enrolados na bandeira da moralidade. E terminaram confundindo a plateia. Uma parte acha que são cínicos. A outra avalia que são cúmplices.

Hoje, os quase 80% que estão sedentos por mudança dividem-se em dois grupos. Os que duvidam de tudo enxergam os últimos presidentes como cínicos. Os que não duvidam de mais nada os vêem como cúmplices. As duas alas se juntam na percepção de que, à margem dos avanços econômicos e sociais, proliferou um sistema político-partidário caótico, um mal cada dia menos necessário.

Aos olhos de muita gente, o PT virou um projeto político que saiu pelo ladrão. O PMDB e seus congêneres tornaram-se organizações partidárias com fins lucrativos, todas elas financiadas pelo déficit público. E o PSDB é a mesma esculhambação, só que com doutorado na USP. Se a economia vai bem, o acúmulo de fraudes é tolerado. Se a inflação aperta, a roubalheiras salta às retinas.

Num Brasil remoto, a análise política exigia meia dúzia de raciocínios transcendentes. Era necessário decidir se o pragmatismo do PSDB seria melhor do que o puritanismo do PT, se a social-democracia responderia às dúvidas do socialismo, se a ética da responsabilidade prevaleceria sobre a ética da convicção… Hoje, a coisa é bem mais simples.

Karl Marx e Max Weber tornaram-se descartáveis. Falidas as ideologias, o templo da política abriga uma congregação de homens de bens. Vigora no Executivo, no Legistivo e, por vezes, até no Judiciário a lógica do negócio. Tudo se subordina a ela, inclusive os escrúpulos. A integridade dos ovos não vale mais nada. Importa apenas o proveito do omelete.

Já nem é preciso varrer as cascas para debaixo do tapete. A generalização da desfaçatez, hoje espraiada da Esplanada à Petrobras, tornou a anomalia normal. Tudo parecia tranquilo nessa democracia anestesiada até que as ruas decidiram roncar em junho de 2013. Ao despencar do olimpo das pesquisas, Dilma virou uma espécie de porta-voz do asfalto.

O que os manifestantes querem é o mesmo que o governo deseja, disse ela na época. “O meu governo está ouvindo essas vozes pela mudança. Está empenhado e comprometido com a transformação social”, declarou, antes de acrescentar que passeata é uma coisa normal, que ela mesma já participou de muitas.

Por muito pouco Dilma não jogou uma mochila nas costas e foi à Avenida Paulista cobrar a melhoria dos serviços públicos, ao lado de herois da resistência como Sarney e Renan. “Essa mensagem direta das ruas contempla o valor intrínseco da democracia”, ela festejou. “Essa mensagem é de repúdio à corrupção e ao uso indevido de dinheiro público.”

Candidata de um partido cuja cúpula se encontra na cadeia, Dilma soou esquisito. Não se deu conta de que o excesso de cadáveres políticos dera origem a um defunto mais, digamos, ilustre: o próprio PT. Morreu também o pobre. De suicídio. E, suprema desgraça, não foi para o céu. A ex-petista Marina Silva é o purgatório do ex-PT. Ela se tornou uma espécie de repositório do ‘voto saco cheio’.

É nesse estágio que o país se encontra agora. De saco cheio das alianças espúrias e da tolerância presidencial para com os maus hábitos. De saco cheio da teia de chantagens e exigências feitas em nome da pseudo-governabilidade. De saco cheio do mês que dura sempre mais do que o salário. De saco cheio de tudo isso que está aí.

Ao dizerem que ninguém governa sem os partidos, Dilma e Temer tentam aproximar Marina Silva da figura de Fernando Collor, a “nova política” que terminou em impeachment. O problema é que, tomada pela biografia, ela está mais para Lula, em sua versão 2002, do que para caçadora de marajás. Com uma diferença: foi digerida pelo mercado sem precisar assinar nenhuma carta aos brasileiros.

Para se manter no topo das pesquisas até outubro, Marina talvez não precise fazer nada além de desviar dos laranjas do jato de Eduardo Campos e cuidar das suas boas maneiras. Prevalecendo a bordo do PSB e de sua coligação diminuta, chegaria ao Planalto sem dever nada a ninguém, exceto aos donos dos votos. Diz-se que pode terminar em desastre. Mas o eleitor, de saco cheio, parece cada dia mais disposto assumir o risco de, no mínimo, cometer um erro diferente.

Pânico na elite vermelha - Guilherme Fiuza, O Globo

BRASIL - Opinião
Pânico na elite vermelha
A um mês da votação, surgem as pesquisas indicando que o PT não é mais o favorito a continuar encastelado no Planalto. Desespero total. É questão de vida ou morte: como se sabe, a elite vermelha terá sérias dificuldades de sobrevivência se tiver que trabalhar. Vão “fazer o diabo”, como disse a presidente, para ganhar a eleição e não perder a gerência da boca.

Charge: Regi - Amazonas em Tempo (AM)

Postado por Toinho de Passira
Texto de Guilherme Fiuza
Fonte: O Globo

Pela primeira vez em 12 anos, os companheiros avistam a possibilidade real de ter que largar o osso. Nem a obra-prima do mensalão às vésperas da eleição de 2006 chegara a ameaçar a hegemonia dos coitados sobre a elite branca. A um mês da votação, surgem as pesquisas indicando que o PT não é mais o favorito a continuar encastelado no Planalto. Desespero total.

Pode-se imaginar o movimento fervilhante nas centrais de dossiês aloprados. Há de surgir na Wikipédia o passado tenebroso dos adversários de Dilma Rousseff. Logo descobriremos que foram eles que sumiram com Amarildo, que depenaram a Petrobras, que treinaram a seleção contra os alemães. É questão de vida ou morte: como se sabe, a elite vermelha terá sérias dificuldades de sobrevivência se tiver que trabalhar. Vão “fazer o diabo”, como disse a presidente, para ganhar a eleição e não perder a gerência da boca.

O Brasil acaba de assistir à queda de um avião sobre o castelo eleitoral do PT. Questionada sobre as investigações acerca da situação legal da aeronave que caiu, Dilma respondeu que não está “acompanhando isso”, e que o assunto não é do seu “profundo interesse”. Altamente coerente. Se a presidente e seu padrinho não “acompanharam” as tragédias no governo popular — mensalão, Rosemary e grande elenco — não haveria por que terem “profundo interesse” numa tragédia que veio de fora. Eles sempre fingiram que estava tudo bem e o povo acreditou, não há por que acusar o golpe agora. Avião? Que avião?

Melhor continuar arremessando gaivotas de papel, para distrair o público. Até o ministro decorativo da Fazenda foi chamado para atirar a sua. Guido Mantega, como Dilma e toda a tropa, é militante de Lula. O filho do Brasil ordena, eles disparam. Mantega já chegou a apresentar um gráfico amestrado relacionando o PAC com o PIB — um estelionato intelectual que o Brasil, como sempre, engoliu. Agora o homem forte (?) da economia companheira entra na campanha para dizer que Armínio Fraga desrespeitou as metas de inflação. Uma gaivota pornográfica.

Para encurtar a conversa, bastaria dizer que Armínio Fraga foi um dos homens que construíram aquilo que Mantega e seu bando há anos tentam destruir. Inclusive a meta de inflação. Armínio foi o comandante da etapa de consolidação do Plano Real — última coisa séria feita no Brasil — enfrentando o efeito devastador da crise da Rússia, que teria reduzido a economia nacional a pó se ela estivesse nas mãos de um desses bravateiros com estrelinha. Mantega e padrinhos associados devem a Armínio Fraga e aos realizadores do Plano Real a vida mansa que levaram nos últimos 12 anos. E deve ser mesmo angustiante desconfiar pela primeira vez que essa moleza vai acabar.

Se debate eleitoral tivesse alguma ligação com a realidade, bastaria convidar os companheiros a citar uma medida de sua autoria que tenha ajudado a estruturar a economia brasileira. Uma única. Mas não adianta, porque, como o eleitorado viaja na maionese, basta aos petistas dizer — como passaram a última década dizendo — que eles livraram o Brasil da inflação de Fernando Henrique. A própria Dilma foi eleita em 2010 com esse humor negro, e jamais caiu no ridículo por isso. Com a fraude devidamente avalizada pelo distinto público, Guido Mantega pode se comparar a Armínio Fraga e entrar em casa sem ter que esconder o rosto.

Em meio às propostas ornamentais, aliás, Armínio é o dado concreto da corrida presidencial até aqui. Nada de poesia, de “nova política”, de arautos da “mudança” — conceito tão específico quanto “felicidade”, que enche os olhos da Primavera Burra e dos depredadores do bem. Armínio não é terceira, quarta ou quinta via, nem a mediatriz mágica entre o passado e o futuro. É um economista testado e aprovado no front governamental, que não ficará no Ministério da Fazenda transformando panfleto em gaivota.

O PSDB, como os outros partidos, adora vender contos de fadas. Mas seu candidato, Aécio Neves, resolveu anunciar previamente o seu principal ministro. Eis a sutil diferença entre o compromisso e a conversa fiada.

Marina Silva também é uma boa notícia. Só o fato de ser uma pessoa íntegra já oferece um contraponto valioso à picaretagem travestida de bondade. Nunca é tarde para o feminismo curar a ressaca dos últimos quatro anos. O que seria um governo Marina, porém, nem ela sabe. Se cumprir a promessa de Eduardo Campos e empurrar o PMDB S.A. para a oposição, que grande partido comporia a sua sustentação política? Olhe em volta e constate, com arrepios, a hipótese mais provável: ele mesmo, o PT — prontinho para a mudança, com frete e tudo.

Marina vem do PT e está no PSB, cujo ideário é de arrepiar o maior sonho cubano de José Dirceu. E tentar governar acima dos partidos foi o que Collor fez. Que forças, afinal, afiançariam as virtudes de Marina?

A elite vermelha está pronta para se esverdear.

Hímen artificial chinês torna mulheres "virgens” de novo por R$ 112,00

CHINA - Bizarro
Hímen artificial chinês torna mulheres
“virgens” de novo por R$ 112,00
Um produto natural que devolve sua virgindade, integralmente, por diversas vezes. Indicado para quem quer fazer disso uma fantasia sexual, ou para as “meninas que soltaram a virgindade por acidente”, segundo a tradução do site chinês

Foto: chineseye.com

Postado por Toinho de Passira
Fonte: Aliexpress, Megacurioso

Um produto intrigante vendido pelo site chinês AliExpress promete que as mulheres “podem se tornar virgens em minutos”.

Custando US$ 48 (aproximadamente R$ 112 no câmbio atual, sem taxas de importação), a novidade se trata de uma de cápsula que se dissolve no interior da vagina para formar um hímen artificial, conferindo “sensação de aperto” para o parceiro. Durante a relação sexual, o “hímen” se rompe e acontece o sangramento.

Foto: Divulgação

Apesar dos erros de tradução do anúncio, as vantagens de se utilizar o “hímen artificial cápsula” são bastante interessantes. Segundo o vendedor, o produto é 100% composto por extrato de plantas, sem conter nenhum “produto químico”, além de ser totalmente seguro e não oferecer danos ou efeitos colaterais (“lado-efeito”, diz o anúncio).

Indicado para “amantes que querem ter alguma diversão sexual” ou para “meninas que soltaram a virgindade por acidente”, o hímen artificial se compromete a realizar um “remake do sangramento” da primeira noite, além de “fazer sua vagina apertar como a de uma virgem”. Como se não fosse suficiente, o produto ainda “cuida da sua vagina” e “ajuda a remover problemas ginecológicos”.

A embalagem contém 10 capsula, o que quer dizer que você pode ser virgem para dez parceiros diferentes. Se você tiver urgência tem que se apressar, pois o produto pode demorar até 60 dias para ser entregue, isso sem falar na possibilidade real de atrasos. Depois é só curtir.

Antessala do desemprego - Editorial Correio Braziliense

BRASIL - Economia
Antessala do desemprego
No Brasil, enquanto a indústria vem perdendo espaço (responde hoje por pouco mais de 16% da economia), a expansão dos serviços garantiu participação próxima de 70%. No segundo trimestre, o despenho dos serviços foi negativo em 0,5%, o pior desempenho desde o auge da crise mundial de 2008 (-2,8%).

Postado por Toinho de Passira
Editorial Correio Braziliense

A verdade dos fatos volta a avisar que a economia brasileira vai muito mal. O Produto Interno Bruto (PIB) recuou 0,6% no segundo trimestre, derrubando previsões cor-de-rosa que o governo insistia em fazer ante o mau resultado (crescimento de 0,2%) dos três primeiros meses. Até então, o país estaria em trajetória de crescimento, ainda que lento. Era esse o discurso, mas nem isso se sustentou: o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pelo cálculo, revisou para -0,2% a taxa.

Essa revisão é normal e tecnicamente recomendável. Dela resultou que a economia brasileira, que nos últimos três anos vinha desacelerando, está há seis meses andando para trás. A esta altura, é ocioso discutir se estamos ou não em recessão técnica (quando a taxa de crescimento é negativa por dois trimestres seguidos). O que importa é que, mesmo que haja algum refresco no terceiro e no quarto trimestres, 2014 está fadado a fechar um ciclo de quatro anos de baixo desempenho econômico.

No trimestre encerrado em junho, os feriados da Copa do Mundo e supostos respingos da crise mundial estão sendo culpados pelo desastre. É certamente um exagero de quem não pretende, por motivos de calendário eleitoral, reconhecer erros de condução da política econômica, que se acumularam nos últimos anos. Mais sensato e mais construtivo será encarar o problema e buscar coesão para corrigir o rumo e inverter a escalada que põe em risco os empregos e a renda, conquistas que precisam ser mantidas.

Olhar mais crítico sobre os números do trimestre constata mais uma queda na atividade da indústria, que recuou 1,5%, ampliando o já longo ciclo de perdas de competitividade do setor. Além de grande geradora de empregos formais, a indústria é tradicional investidora em expansão e em modernização de equipamentos.

Mas não é isso o que vem ocorrendo: os investimentos, que deveriam ser um dos motores do crescimento do PIB, recuaram 5,3% no trimestre, na comparação com o trimestre anterior. Pior: na comparação com igual período de 2013, a queda foi 11,3%. Isso revela o nível da desconfiança da indústria numa reação da economia brasileira e na capacidade do governo de criar as condições para a retomada do crescimento em prazo razoável.

Outro dado preocupante que merece reflexão foi o desempenho dos serviços. Como ocorre com a maioria das economias de nações mais urbanizadas, esse é o setor que cresce mais rápido e mais aumenta a participação relativa no PIB. No Brasil, enquanto a indústria vem perdendo espaço (responde hoje por pouco mais de 16% da economia), a expansão dos serviços garantiu participação próxima de 70%. No segundo trimestre, o despenho dos serviços foi negativo em 0,5%, o pior desempenho desde o auge da crise mundial de 2008 (-2,8%).

Parte do recuo pode ter sido um dos efeitos perversos da Copa. Só parte. É relevante lembrar que se trata de atividade diretamente ligada ao aumento da renda da população. Nele estão as faculdades e colégios particulares, os restaurantes, o entretenimento, os cuidados com a saúde e com a beleza, para citar algumas demandas, que, não faz muito tempo, passaram a fazer parte da vida de milhões de consumidores. Será imperdoável perder tudo isso por omissão ou incapacidade de conduzir política econômica que favoreça o crescimento.

30 de ago de 2014

Empate técnico governador Pernambuco: pesquisa mostra Armando Monteiro com 32% e Paulo Câmara com 28%

BRASIL – Pernambuco – Eleição 2014
Empate técnico governador PE: pesquisa mostra Armando Monteiro com 32% e Paulo Câmara com 28%
O candidato socialista Paulo Câmara aparece com 28% das intenções de voto. No levantamento anterior, somava 10% das intenções de voto. Foram impressionantes 18 pontos percentuais em três semanas

Foto: Montagem Leia Já

Empate técnico: pesquisa mostra Armando Monteiro com 32% e Paulo Câmara com 28%

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Leia Já, Blog do Jamildo

A segunda rodada de pesquisas do Instituto Maurício de Nassau, para o Jornal do Commercio e o portal Leia Já, mostra um empate técnico entre os principais concorrentes ao Palácio do Campo das Princesas, a pouco mais de um mês das eleições em Pernambuco.

O candidato de oposição, o petebista Armando Monteiro Neto, continua na frente com 32% das intenções de voto, na pesquisa estimulada. Na edição anterior do levantamento, no começo de agosto, o petebista contava com 37% das intenções de voto.

Pelo lado da situação, o candidato socialista Paulo Câmara aparece com 28% das intenções de voto. No levantamento anterior, somava 10% das intenções de voto. Foram impressionantes 18 pontos percentuais em três semanas.

Os organizadores do estudo informam que a situação configura empate técnico porque a margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais. Nesta situação, os candidatos podem ter dois pontos acima ou abaixo.

Os candidatos Miguel Anacleto (PCB), Jair Pedro (PSTU) e José Gomes (PSOL) registaram apenas 1% cada um nas intenções de voto.

A pesquisa é a primeira divulgada após duas semanas do início do guia eleitoral na TV, em que os candidatos apresentam suas propostas e, no caso dos menos conhecidos, tentam apresentar-se ao eleitor, como é o caso do estreante socialista.

Além do guia, o principal fato de relevância no curso da campanha até o momento foi a morte do ex-governador Eduardo Campos, aliado de Paulo Câmara, no dia 13 de agosto, em um acidente de avião em Santos, no litoral de São Paulo.

Os petebistas apontam essa comoção como o motor do crescimento do socialista e alguns adversários chegaram a reclamar de uso eleitoreiro do velório e sepultamento do líder socialista. Houve até uma guerra pelo uso da imagem do ex-presidenciável no Tribunal Regional Eleitoral, após a morte, no guia da TV.

Dilma muda o alvo e parte para o ataque contra Marina

BRASIL - Eleição
Dilma muda o alvo e parte para o ataque contra Marina
Um dia depois dos novos números do Datafolha, presidente-candidata sugere que a adversária é autoritária e suas propostas são 'fundamentalistas obscurantistas e retrógradas'

Foto: Ivan Pacheco/VEJA.com

Dilma Rousseff durante evento de campanha na cidade de Jales, no interior paulista

Postado por Toinho de Passira
Texto de Felipe Frazão, de Jales
Fonte: Veja

A resposta veio rápido. Em um comício na cidade de Jales, no interior de São Paulo, a presidente-candidata Dilma Rousseff deixou de lado a artilharia contra o PSDB e dirigiu suas críticas a Marina Silva (PSB), seguindo à risca a orientação do PT para centrar fogo na nova rival direta pela disputa ao Palácio do Planalto.

"Numa democracia, quem não governa com partidos está flertando com o autoritarismo. No mundo, não há um único lugar em que se governa sem partidos", disse a petista. Filiada ao PSB somente para disputar as eleições, Marina é idealizadora da Rede Sustentabilidade, partido que foi barrado pela Justiça Eleitoral, e crítica das agremiações regidas pelo que chama de "velha política". Uma das linhas de ação traçadas pelo PT é martelar que, se eleita, Marina não terá respaldo dos partidos no Congresso Nacional que hoje apoiam Dilma.

Sem citar nominalmente Marina, que ontem lançou seu plano de governo, a petista disse que as propostas da adversária são “fundamentalistas, obscurantistas e retrógradas”. “Sabe o que acontece com propostas aventureiras, obscurantistas e atrasadas? Elas fazem parte de uma proposta aparentemente avançada, mas que é demagógica e que, sobretudo, não sei a que interesse serve. Por isso fiquem atentos, olho aberto. Vai afetar a vida de todos nós.”

Ao lado do vice, Michel Temer, anfitrião do ato, a petista também fez um aceno direto ao PMDB, que chamou de "partido da democracia". O comício no Oeste paulista é uma tentativa de atrair prefeitos e lideranças regionais do PMDB para minimizar a rejeição à presidente no Estado de São Paulo. "O Brasil precisa, nesta eleição, conhecer a verdade que existe aqui em São Paulo e que é oculta", afirmou Dilma, sugerindo que o governo estadual, administrado pelo PSDB, esconde parcerias com a administração federal. "O Estado tem de fazer parceira com o município. O que não é certo é esconder a parceria." "Colocamos aqui em São Paulo, recursos no Minha Casa, Minha Vida e teve casas entregues e casas que estão por entregar. Foram beneficiadas 2,4 milhões de pessoas e tem gente que diz que foram eles que fizeram o Minha Casa, Minha Vida", afirmou.

Em mais uma referência a Marina, Dilma defendeu a exploração do pré-sal e afirmou que o país poderia perder 1,3 trilhão de reais em investimentos. “Isso é tirar dinheiro para ampliar creche, porque está na criança a raiz da desigualdade. A gente tem de dar a mesma oportunidade para os brasileirinhos e brasileirinhas", discursou.

“Aqui estão aqueles que acham que a Petrobras e o pré-sal não só têm de ser preservados como têm de ser estimulados, que acreditam que a Petrobras é uma grande empresa, que não querem reduzir seu papel e sabem que o Brasil precisa não só do petróleo, mas de transformar essa riqueza finita em perene, num passaporte para o futuro, para a educação.”

A onda se forma - Merval Pereira, O Globo

BRASIL - Opinião
A onda se forma
Basicamente, o programa lançado ontem pela candidata Marina Silva é o mesmo programa econômico que o PSDB apresentou, já defendido em diversas ocasiões tanto pelo candidato quanto por aquele que seria (será?) seu ministro da Fazenda, o economista Armínio Fraga.

Charge: Sponholz

Postado por Toinho de Passira
Texto de Merval Pereira, O Globo
Fonte: Blog do Merval

Ontem deve ter sido o dia mais difícil da presidente Dilma nos últimos tempos, só teve notícia ruim. Pela manhã, o anúncio oficial de uma recessão econômica, à noite a pesquisa Datafolha no “Jornal Nacional” anunciando o que a maioria já previa: Marina Silva alcançou-a no primeiro turno, preparando a ultrapassagem previsível nas próximas sondagens, e tem vitória confirmada no segundo turno por dez pontos de vantagem.

Para o tucano Aécio Neves, sobra a constatação de estar no lugar certo no momento errado, pois antes do acidente trágico que matou o ex-governador Eduardo Campos tinha condições de chegar ao segundo turno, e até mesmo ganhar a eleição.

Preparado para uma disputa que tinha como mote o fim da era PT, de repente o candidato do PSDB foi atirado em meio a uma nova eleição, que abriu outra perspectiva eleitoral, com o mesmo sentido mas com outros ingredientes: a emoção superando a razão, os símbolos ganhando dimensões de realidade, trocada pelos sonhos.

Basicamente, o programa lançado ontem pela candidata Marina Silva é o mesmo programa econômico que o PSDB apresentou, já defendido em diversas ocasiões tanto pelo candidato quanto por aquele que seria (será?) seu ministro da Fazenda, o economista Armínio Fraga.

Natural, pois Campos e Aécio estiveram muito próximos no início da campanha, e a própria Marina tem em sua equipe economistas de pensamentos similares aos dos do PSDB, inclusive um, André Lara Resende, que já esteve no governo de Fernando Henrique Cardoso.

Outro, Giannetti da Fonseca, já disse que num eventual governo Marina a economia poderia ser comandada pelo mesmo Armínio, o que, mais que uma revelação de decisão, é uma indicação da proximidade na visão econômica dos dois partidos.

O ponto talvez mais polêmico do programa do PSB seja o deslocamento de prioridades na política energética, com o incentivo para fontes de energia alternativas ao petróleo.

O pré-sal, que se transformou em ponta de lança dos governos petistas, passaria a ter um papel secundário, dentro do entendimento de que o crescimento econômico deve obedecer à preservação do meio ambiente.

O petróleo seria “um mal necessário” para Marina, e o país deve preparar-se para viver sem ele, que é um insumo finito e poluidor.

Implícito nessa política está também que o incentivo ao consumo de automóveis, com isenção de impostos e controle do preço da gasolina, será abandonada.

Há outro ponto de aproximação importante entre PSB e PSDB: a intenção de retirar a centralidade do Mercosul na nossa política de comércio exterior, abrindo espaços para acordos bilaterais como vêm fazendo os países da Aliança Atlântica, como Peru e Chile.

Além dos aspectos econômicos, está embutida nessa decisão estratégica uma mudança geopolítica importante, que nos afastaria dos países chamados “bolivarianos” da América Latina.

Essa coincidência de pontos de vista pode facilitar um acordo com o PSDB no segundo turno. Ontem, até mesmo o mote de Aécio de chamar o eleitorado “para conversar” foi utilizado por Marina no Twitter, se propondo a conversar com os eleitores para esclarecer as denúncias que estão pipocando nas redes sociais.

Para a presidente Dilma, em queda e com uma crise econômica pela frente, uma visão esquizofrênica: para explicar o fracasso da economia, seus aliados dizem que a recessão ficou para trás nos dois primeiros trimestres e já estamos crescendo novamente, embora nada indique que isso seja verdade.

Com relação à pesquisa que mostra Dilma sendo alcançada por Marina, uma caindo, a outra em ascensão, veem uma situação imutável, com seu favoritismo mantido.

A pesquisa Datafolha indica que Marina vem crescendo e já superou Dilma no Sudeste e no Centro-Oeste (regiões em que o PSDB venceu nas eleições presidenciais anteriores) e nas cidades médias e grandes em todo o país.

Não parece uma mera onda passageira.
*Acrescentamos subtítulo, foto e legenda à publicação original

No Distrito Federal, principal promessa eleitoral é ‘não roubar’

BRASIL - Eleição 2014
No Distrito Federal, principal promessa eleitoral é ‘não roubar’
Com candidatos envolvidos em casos de corrupção, ataques aos adversários e promessas de um governo honesto viram pano de fundo de campanhas

Foto: Felipe Costa/Futura Press

FAROESTE CABOCLO –(Da esq. para a dir.) Os candidatos ao governo do Distrito Federal: Rodrigo Rollemberg (PSB), Agnelo Queiroz (PT) e José Roberto Arruda (PR) durante debate (Felipe Costa/Futura Press)

Postado por Toinho de Passira
Texto de Marcela Mattos, para Veja
Fonte: Veja

Há mais de uma década, o eleitor do Distrito Federal acostumou-se ao lamentável roteiro de ver seus governadores, assessores e deputados às voltas em escândalos de corrupção. O primeiro senador cassado desde a redemocratização do país, Luiz Estevão, foi eleito pelo Distrito Federal. O primeiro governador preso, José Roberto Arruda, também. Arruda, aliás, é um dos protagonistas das eleições deste ano e lidera as pesquisas de intenções de voto pelo Partido da República (PR). Disputa o cargo com o enrolado governador Agnelo Queiroz, do PT, alvo de três investigações sigilosas no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Depois de participar da violação do painel eletrônico no Senado, em 2001, quando renunciou ao mandato para evitar um processo de cassação, Arruda foi flagrado em vídeo recebendo dinheiro de propina no escândalo conhecido como mensalão do DEM, em 2009. Acabou encarcerado por dois meses, mas isso não o impediu de voltar à cena política. O ex-governador teve o registro cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e aguarda uma definição do Superior Tribunal Federal (STF) sobre a possibilidade de disputar as eleições. Enquanto isso, segue em campanha, afirma ter sido vítima de um golpe, e promete um governo livre de corrupção.

Nestas eleições, Arruda concorre com o apoio de outro ex-governador cuja trajetória também acabou em páginas policiais de jornais. Joaquim Roriz, com base eleitoral nas cidades mais pobres do Distrito Federal, governou a capital do país quatro vezes e agora, impedido de disputar as eleições por ser ficha-suja, tenta manter a influência indicando cargos de confiança em uma eventual gestão Arruda.

Além de herdeiros políticos, como o senador Gim Argello (PTB) – que responde a três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) –, Roriz lançou a mulher, Weslian, como candidata à primeira suplente do Senado. A família também vai às urnas com as filhas Liliane e Jaqueline Roriz, o sobrinho Dedé Roriz e o neto, Joaquim Roriz Neto, que tentam vagas na Câmara Legislativa e na Câmara Federal.

“O Distrito Federal carrega essa mácula da velha política. Brasília são duas cidades: uma na Esplanada dos Ministérios, a da representação oficial, e outra que ainda guarda uma característica de fronteira e atrai muitas pessoas a tentarem a vida aqui”, avalia Paulo Kramer, cientista político da Universidade de Brasília (UnB). “A política não deixa de refletir essa realidade: é uma política de faroeste, mas a gente não encontra o mocinho.”

TELHADO DE VIDRO

Suspeitas de corrupção também cercam o segundo colocado na corrida, Agnelo Queiroz, citado no esquema de desvio de dinheiro do programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte, pasta que comandou entre 2003 e 2006. Não para aí: ele também é investigado em esquema de fraudes e cartel durante sua gestão como diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e nas ações que levaram à prisão do contraventor Carlinhos Cachoeira. Mas seu lema é que “a sujeira e a corrupção não podem voltar a ser a marca do DF”.

Se a ascensão de Arruda reflete uma síntese do atraso da política brasiliense, também é reveladora do descontentamento da população com o atual governo de Agnelo, cuja taxa de rejeição é de 43%.

Governada por um médico, a capital do país é a unidade da federação que mais investe em saúde por ano – tem um gasto anual de 1.042,20 reais por pessoa –, mas registra o pior número de leitos e o mais baixo índice de cobertura em setores da atenção básica, agentes comunitários e equipes de saúde da família, segundo o Conselho Federal de Medicina.

A situação se repete na educação, com índices de aprovação dos ensinos médio e fundamental em queda, na segurança pública, cujo número de furtos e roubos é crescente, no trânsito caótico no Plano Piloto e na descontrolada invasão de terras.

No entanto, em vez de discutir os problemas crônicos da cidade, os principais embates entre os candidatos levam o eleitor a um duelo onde imperam ataques e faltam propostas. Na última segunda-feira, o tema corrupção pontuou o debate promovido pelo SBT.

“É impressionante o desprezo com a inteligência do povo do Distrito Federal. O Arruda é o discípulo da inverdade e ele continua com a velha maneira de fazer política”, disse Agnelo. A resposta veio no mesmo tom: “Agnelo, vejo você trêmulo e nervoso porque o seu governo foi um desastre. Quando eu vejo você falar de corrupção eu acho que você está olhando no espelho”.

“O Distrito Federal vive uma situação desmoralizante na política e nos serviços públicos. Os candidatos se concentram apenas em troca de acusações, e o prejuízo fica para o eleitor, que não é apresentado às propostas para reverter os principais problemas da cidade no ano que vem”, avalia David Fleischer, cientista político da UnB.

TERCEIRA VIA

Empatado com Agnelo Queiroz nas pesquisas, o senador Rodrigo Rollemberg (PSB), que nunca exerceu um mandato no Executivo, preparou um bordão para se colocar como terceira via nas eleições deste ano:

“Brasília não merece nem incompetência nem o ‘rouba mas faz’”. Ainda assim, o socialista está longe de ser uma renovação política: iniciou a carreira pública em 1995, na Câmara Legislativa, passou pela Secretaria de Turismo durante o governo do então petista Cristovam Buarque e foi aliado de Agnelo Queiroz até dezembro de 2012, quando desembarcou do governo para ajudar nos primeiros passos pela candidatura de Eduardo Campos à Presidência da República.

As alianças com a velha política que domina o DF se repetem nos outros dois principais candidatos, que também se colocam como renovação: o deputado Luiz Pitiman (PSDB) foi presidente da Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap) no governo de Arruda e, depois, secretário de Obras de Agnelo. O candidato Toninho do Psol, até os anos 2000, disputava as eleições como o Toninho do PT.

Sem debate de propostas nem renovação política, a principal promessa eleitoral no Distrito Federal é "não roubar".

Com Marina, rumo ao desconhecido - André Singer

BRASIL - Opinião
Com Marina, rumo ao desconhecido
A impossibilidade de explicar, ou condenar, o suposto caixa dois envolvido no avião em que Eduardo Campos viajava, deixou Marina com a resposta típica do que ela chama “velha política”: por enquanto nada tenho a declarar e tudo será investigado.

Charge: Aroeira - O Dia (RJ)

Postado por Toinho de Passira
Texto de André Singer
Fontes: Folha de S.Paulo

Com a ascensão rápida de Marina Silva, confirmada pel. A impossibilidade de explicar, ou condenar, o suposto caixa dois envolvido no avião em que Eduardo Campos viajava, deixou Marina com a resposta típica do que ela chama “velha política”: por enquanto nada tenho a declarar e tudo será investigado. o Datafolha e captada pelas pesquisas desta semana, teremos dois meses de alta indeterminação pela frente. As incógnitas que rondam a candidata, neste momento majoritária no segundo turno, tornarão volátil o cenário político e eleitoral até 26 de outubro. Relação com o agronegócio, programa social, base de apoio para governar, há muito em aberto na candidatura pessebista.

Ao comprometer-se com a independência do Banco Central (BC), Marina traçou o perfil macroeconômico de um possível governo do PSB. Teremos juros altos, recessão bem mais que técnica, corte de gastos públicos e desemprego. Mas como seria possível encaminhar os problemas da população que tem renda familiar mensal (RFM) entre 2 e 5 salários mínimos e mora em grandes centros urbanos, cujo apoio a ex-senadora precisa consolidar para vencer?

De acordo com o Ibope, Marina detém 31% das intenções de votos nesse segmento, encontrando-se empatada tecnicamente com Dilma Rousseff (33%). Como a vantagem de Dilma é nítida entre os mais pobres - sobretudo os que recebem até 1 salário mínimo de RFM (46% contra 23% da candidata ambientalista) -, o fiador da possível eleição de Marina será o eleitor de baixa renda que já superou os problemas da sobrevivência imediata, mas continua às voltas com grandes insatisfações.

A lógica eleitoral indica que Marina vai acentuar promessas, como a realizada no debate da Band (26/8), de destinar 10% da receita da União para a saúde. Ocorre que as referidas propostas são incompatíveis com a orientação sinalizada pela independência do BC. É certo que as campanhas adversárias vão apontar a contradição, ainda que isso cause algum problema de definição para elas próprias.

Outra via de ataque a Marina diz respeito à “nova política”. A entrevista para o “Jornal Nacional” (27/8) deu o tom do que vem pela frente. A impossibilidade de explicar, ou condenar, o suposto caixa dois envolvido no avião em que Eduardo Campos viajava, deixou Marina com a resposta típica do que ela chama “velha política”: por enquanto nada tenho a declarar e tudo será investigado. Casos do gênero vão pipocar, pois a candidata está, e estará cada vez mais, aliada a políticos tradicionais.

Em que medida o eleitor prestará atenção e perceberá tais incongruências? Concluo, após duas décadas de estudos eleitorais, que, apesar de pouco informado, o cidadão médio capta o “cheiro” do que vem pela frente. O difícil é saber se, na hora H, preferirá correr o risco de decepcionar-se com Marina para tirar o PT do poder, ou se optará pela segurança da situação já conhecida, ainda que não animadora.
André Singer é cientista político e professor da USP, onde se formou em ciências sociais e jornalismo. Foi porta-voz e secretário de Imprensa da Presidência no governo Lula.
*Alteramos o título "Rumo ao desconhecido", era o título original) acrescentamos, ainda, subtítulo e ilustração à publicação original

A nova roupa da velha politica - IstoÉ

BRASIL - Eleição 2014
Marina a nova roupa da velha politica
No discurso, Marina Silva se apresenta como novidade, mas para chegar ao poder a candidata do PSB recorre a antigas práticas


CAIXA2? - Entrevistada pelo "Jornal Naciona", Marina Silva não conseguiu explicar o empréstimo do jato utilizado por Eduardo Campos durante a campanha - a Polícia Federal investiga a origem do dinheiro usado para comprar o avião

Postado por Toinho de Passira
Texto de Josie Jeronimo
Fonte:  IstoÉ

O currículo da candidata do PSB à Presidência da República, Marina Silva, 56 anos, enumera passagens por pelo menos três partidos, mandatos parlamentares nas esferas municipal, estadual e federal e o comando de uma pasta ministerial num governo do PT. Desde os 30 anos, Marina vive e respira política, nos moldes ditados pelo sistema partidário. Apesar disso, Marina diz encarnar a “nova política”. É enfática em seus discursos ao frisar que não compactua com o vale-tudo eleitoral e o modelo de alianças adotado por PT e PSDB nos últimos 20 anos. A utopia da candidata, ao pregar uma nova era política, rendeu a seus apoiadores o cativante apelido de “sonháticos”. A oratória envolvente de Marina embala milhões de brasileiros desencantados com “tudo o que esta aí”. Com o verniz da “nova forma de fazer política”, ela mascara as antigas e surradas práticas tão presentes em sua candidatura e biografia.

Desde o início da campanha, Marina tem condenado as alianças forjadas única e exclusivamente, segundo ela, para alcançar o poder. No entanto, foi por pura conveniência política, nada menos do que isso, que ela aderiu ao PSB quando precisou escolher entre manter a coerência do discurso ou ficar alijada das eleições de 2014. Em setembro de 2013, antes de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sepultar as esperanças de Marina em lançar candidatura presidencial pela Rede Sustentabilidade, ela produziu um duro artigo contra o PT, comparando a legenda que a criou politicamente a um camaleão que se mimetiza para sobreviver. “Adaptou-se ao que antes combatia”, escreveu. Marina é rígida com as adaptações dos adversários, mas muito sucinta ao explicar seus ajustes.

A composição, por exemplo, com o deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), seu vice, exigiu esclarecimentos. Marina é a candidata que diz não receber doações da indústria armamentista, barra projetos do agronegócio no Congresso e não aceita intervenção da ciência no ciclo natural da vida, posições opostas às de seu vice. Nas últimas eleições, o deputado federal Beto Albuquerque recebeu doação de R$ 30 mil da Associação Nacional da Indústria de Armas e Munições (Aniam), que tem como filiadas a Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC) e a Taurus.

Recentemente, Marina reiterou ao PSB sua posição sobre a questão: “Estabelecemos que não iríamos receber nenhum tipo de doação da indústria do tabaco e da indústria bélica. Esses compromissos nós continuamos com eles. É uma mensagem de que defendemos uma cultura de paz. Queremos trabalhar com a ideia de promoção da saúde”, afirmou. Nada disse sobre a arrecadação feita por seu vice.

Em entrevista ao “Valor”, o candidato a vice se justificou: “É claro que ela sabe. Ela não veio para o PSB para ser PSB, assim como não nos coligamos com a Rede para sermos Rede. Nós somos de partidos diferentes” afirmou Albuquerque. O que para os adversários inspiraria um estrondoso rótulo de aproximação por interesse, na nova política de Marina Silva ganhou tratamento diferenciado. “Nós somos diferentes e a nova política sabe trabalhar na diversidade”, argumentou em sua entrevista no “Jornal Nacional”, na noite de quarta-feira 28.

Marina defende as ideias de seu vice, mas prega distância de outros políticos tradicionais filiados ao PSB, como o deputado federal Heráclito Fortes (PSB-PI) e Paulo Bornhausen, outro ex-integrante do DEM de Santa Catarina convertido ao socialismo. Marina foge para não encontrar os parlamentares nos palanques estaduais.

Embora imersa nas águas das velhas práticas, ela não quer parecer contaminada e provoca a ira de antigos militantes. Em tom de provocação, Severino Araújo – presidente do PSB do Paraná, tesoureiro da executiva do partido e ex-secretário de Miguel Arraes – conta que confeccionou 28 milhões de santinhos com a dobradinha de Marina Silva e o tucano Beto Richa, candidato à reeleição no Estado. Ele desafia a candidata à Presidência a vetar o material de campanha e alega que ela sabia dos termos durante o período de convenções. Mesmo assim, permaneceu no partido. “Se ela não quiser foto junto com outros candidatos, tem que fazer outra convenção. Não aceitamos. Essa coisa de nova política não tem a menor lógica. É um sonho, mesmo, como eles dizem.”

Quando confrontada, Marina recorre a um desgastado artifício das velhas raposas. A tática do “eu não sabia” entrou em debate quando a candidata foi instada a responder sobre ilegalidades no processo de compra da aeronave utilizada pelo PSB para os deslocamentos da comitiva da campanha presidencial. O comportamento, típico dos políticos descolados em driblar a opinião pública, veio acompanhado do clássico brado por investigações.

“Meu compromisso é com a verdade. A verdade não virá pelo partido nem pela imprensa e sim pela Polícia Federal”, afirmou Marina em entrevista ao “Jornal Nacional”. A PF investiga o caso e uma das hipóteses é que a aeronave tenha sido comprada com recursos de caixa 2.

Loteamento de cargos é outro tema favorito da candidata para atacar os adversários. Porém, a amizade de Marina com o governador do Acre, Tião Viana (PT) garantiu cargo de secretário a seu marido, o técnico agrícola Fábio Vaz de Lima. Somente após Marina assumir a candidatura presidencial ele se afastou da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Florestal, da Indústria, do Comércio e Serviços Sustentáveis.

Analistas políticos acompanham com cautela a retórica de Marina. Apesar de a prática ser outra, a candidata consegue dizer o que o povo quer ouvir e trabalha bem com o imaginário popular, resume o cientista político e professor da Universidade de Brasília (UnB) Paulo Kramer. “Nova política é um rótulo tão gasto que deu nome a uma coleção de discursos de Getúlio Vargas na década de 1950. É um conceito para consumo externo, cativa as grandes massas desencantadas com os partidos políticos”, afirma o especialista.

29 de ago de 2014

Lais Ribeiro, a piauíense, nas passarelas do mundo

BRASIL - Fashion
Lais Ribeiro, a piauíense, nas passarelas do mundo
A menina que queria ser enfermeira no interior do Piauí, mora atualmente em Nova Iorque e é uma das modells mais requisitadas e prestigiada no mundo fashion internacional

Foto: Elle

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Wikipédia, Elle Moda, Elle, Lais - Facebook

Lais Ribeiro, 22 anos, a modelo brasileira, é o mais novo xodó da grife americana de lingerie Victoria' s Secret, é piauiense e começou a carreira em 2009, em Teresina, onde desfilou na primeira edição da Piaui Fashion Week.

Concorreu neste mesmo ano no concurso da Joy Model "Beleza Mundial" onde ficou na 6° colocação. Seu debut internacional, aconteceu no Oi Fashion Rocks, onde desfilou para o estilista Andre Lima ao som da cantora Wanessa Camargo, e para a marca Calvin Klein ao som da cantora americana Mariah Carey.

Foto: Divulgação
.
Lais no catálogo do Victoria' s Secret

Lais é filha de uma professora de português e de um servidor público. É cidadã ilustre do município de Miguel Alves, que possui 40 mil habitantes e fica a 112 km da capital Teresina.

Tem um filho de 4 anos de idade chamado Alexandre. Foi descoberta quando uma amiga a indicou para uma agência de modelos de Teresina, a Milayne Models, nessa época ela pretendia fazer vestibular para enfermagem.

Atualmente mora em Nova Iorque. Ex-namorada de Adrian Cardoso, um modelo espanhol.

Laís fez no ano de 2013 a campanha do perfume Be Delicious by DKNY Frangrance da conceituada estilista Donna Karan, e também do perfume Sahara Noir by Tom Ford.

Fotografou para a Vogue americana, italiana e espanhola e foi capa da Vogue Alemanha, Vogue Brasil e Haper's Bazaar Arabia.

Participou de desfiles, campanhas e editoriais e trabalhou para grifes renomadas como Chanel, Louis Vuitton, Gucci, Dolce & Gabbana, Ralph Lauren, Versace, Marc Jacobs, Tom Ford, Gap, American Eagle e Victoria's Secret.

Ela foi a recordista do verão 2011, com 27 desfiles na São Paulo Fashion Week e 26 no Fashion Riodisso, Laís também é a atual modelo da grife brasileira Ellus, com quem fotografou junto com o ator brasileiro Cauã Reymond.

Fotografa para as campanhas da Victoria' s Secret onde e participa do desfile anual da marca, o Victoria's Secret Fashion Show desde 2010.

Foto: Divulgação
,
Lais no catálogo do Victoria' s Secret

Dilma e o fantasma Marina - Eliane Cantanhêde, para a Folha de S. Paulo

BRASIL - Opinião
Dilma e o fantasma Marina
As duas, Dilma e Marina, encarnaram uma guerra entre “desenvolvimentismo” e “sustentabilidade” e disputaram não só espaço e poder interno, quando eram simples Ministras, mas as graças do ídolo Lula. Dilma venceu todas, e Marina deixou o governo, o lulismo e o PT. Agora ganhou vida própria. E assombra os petistas.

Foto: Facebook

Marina, muito mais petista de raiz do que a neófita Dilma, se tornou a maior ameaça à continuidade do PT no Planalto

Postado por Toinho de Passira
Texto de Eliane Cantanhêde
Fonte: Folha de S. Paulo

A expectativa de segundo turno entre duas mulheres, uma ex-gerentona neopetista e uma evangélica ex-petista, ambas bravas e autoritárias, promete boas emoções. Vai sair faísca.

Duas mulheres, duas histórias diferentes. Dilma Rousseff vem da classe média de Minas e entrou pela porta da frente em bons colégios católicos. Marina Silva emergiu da miséria no Acre e chegou pela porta dos fundos: esfregava chãos e lavava banheiros das freiras para ter direito às aulas.

Dilma vem da resistência armada à ditadura, era do PDT e virou presidente pelo PT. Marina nasceu com a bandeira do meio ambiente, cresceu no PT, fez fama nacional no PV, tentou sem sucesso criar a Rede e acabou candidata a derrotar Dilma pelo PSB. Ou seja: Marina, muito mais petista de raiz do que a neófita Dilma, se tornou a maior ameaça à continuidade do PT no Planalto.

Dilma e Marina conviveram no PT e no ministério do primeiro governo Lula. Foi aí que a encrenca começou. As duas encarnaram uma guerra entre “desenvolvimentismo” e “sustentabilidade” e disputaram não só espaço e poder interno, mas as graças do ídolo Lula. Dilma venceu todas, e Marina deixou o governo, o lulismo e o PT. Ganhou vida própria. E assombra os petistas.

Contrariando pesquisas e evidências de que tudo mudou com a queda do Cessna Citation, a campanha de Dilma continuou, estranhamente, desperdiçando munição contra o tucano Aécio Neves. Demorou a cair a ficha. Talvez porque Dilma e Lula tenham fixação em tucanos. Talvez porque não tenham discurso e bala para atingir Marina, com sua figura frágil e um projeto abstrato.

Dilma acordou ontem (28), tateando, improvisando para acertar a intangível Marina. Com um detalhe: passou a mirar Marina, mas sem tirar o olho de Aécio. Além do medo de perder para Marina, o pavor de Lula, Dilma e o PT é... terem de entregar o Planalto nas mãos de uma aliança da ex-petista Marina com o PSDB.
*Acrescentamos subtítulo, foto e legenda à publicação original

Ministério Público trabalha com hipótese de drone da Aeronáutica ter derrubado avião de Eduardo Campos

BRASIL - Investigação
Ministério Público trabalha com hipótese de drone da Aeronáutica ter derrubado avião de Eduardo Campos
”A possibilidade de um veículo aéreo não tripulado da Aeronáutica ter colidido com o avião no acidente que matou o presidenciável Eduardo Campos (PSB) é uma “hipótese real”, disse Antônio Campos, irmão do candidato, por informações que recebeu do Ministério Público Federal

Foto: AP

Local onde aconteceu o acidente com o candidato Eduardo Campos e outros seis assessores

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Blog do Jamildo, Folha de S.Paulo, Blog do Merval

O Ministério Público Federal de São Paulo está investigando, entre outras, a possibilidade do avião que conduzia o candidato à Presidência da República Eduardo Campos (PSB) e outras seis pessoas no último dia 13 de agosto, ter sido abatido por um drone da Força Aérea Brasileira.

Não se trata de uma teoria de conspiração vinculada nas redes sociais. O procurador da República Thiago Lacerda Nobre, responsável pelo acompanhamento da investigação do caso, encaminhou à Aeronáutica um ofício pedindo explicações sobre o uso de um Veículo Aéreo Não-Tripulado (VANT), popularmente conhecido como drone, no local onde aconteceu a colisão com o avião Cessna Citation 560 XL, que caiu em Santos.

Entre os questionamentos feitos pelo promotor ao Comandante da Aeronáutica, o tenente-brigadeiro do Ar Junini Saito, estão a permissão para o drone realizar sobrevoo no local do acidente. Nobre também questiona se existem relatos de algum drone, em específico o “Acauã”, da Aeronáutica, ter perdido o contato com os controladores no dia do acidente. O desaparecimento do veículo no mesmo dia da tragédia também é alvo dos esclarecimentos solicitados pelo promotor.

Para sustentar a tese, o promotor reuniu fotos do local do acidente e apontou a existência de rodas semelhantes às usadas nos drones do modelo Acauã. O MPF também quer saber quantos drones, do modelo VANT Acauã, existem nos quadros da força aérea e se todos estão em operação. Num questionamento direto o promotor pergunta se há notícia de que um equipamento do gênero que teria desaparecido na área do acidente no dia da queda, 13 de agosto.

Reprodução
.
A jornalista Marcela Balbino, repórter do Blog do Jamildo, obteve cópia do Oficio enviado a Aeronáutica pelo Promotor Federal

O irmão do presidenciável Eduardo Campos, Antônio Campos, em Santos, nesta quarta-feira, 27, confirmou que tem conhecimento da possibilidade de um drone ter colidido com o avião e provocado o trágico acidente aéreo.

”A possibilidade de um veículo aéreo não tripulado da Aeronáutica ter colidido com o avião no acidente que matou o presidenciável Eduardo Campos (PSB) é uma “hipótese real”, disse Antônio Campos, irmão do candidato.

Claro que até agora ninguém oficialmente aventou um atentado, mas numa investigação não se pode abandonar nenhuma possibilidade.

Se foi um ato criminoso, o serviço não teria sido completo, pois a perigosa Marina Silva escapou.

Logo após o acidente ela atribuiu a “providência divina” não se encontrar entre os passageiros do avião acidentado. Segundo o jornalista Merval Pereira, “na verdade, a razão de Marina não estar naquele avião fatídico é bem mais prosaica e humana: ela não queria se encontrar com o deputado Marcio França, do PSB, candidato a vice do governador tucano Geraldo Alckmin, coligação a que ela se opunha em São Paulo, que esperava o grupo em Santos.

Mesmo que tenha sido um drone da aeronáutica, não somos partidários da teoria de atentado, pelas características da nossa força aérea, mais provável seria uma teoria de uma fatalidade gerada por irresponsabilidade e incompetência.

Foto: Reprodução

Vant, ou drone, do modelo Acauã, utilizado pela Aeronáutica, pesa 150 kg e pode causar danos significativos e até derrubar uma aeronave caso se choquem durante voo.

Em Pernambuco, quase um milhão de toneladas de cana ficará no campo por falta de usinas para moer na Mata Sul

BRASIL - Pernambuco - Economia
Em Pernambuco, quase um milhão de toneladas de cana ficará no campo por falta de usinas para moer
O cenário cria um fenômeno único e ameaça a produção canavieira em Pernambuco, porque há cana dos fornecedores independentes para moer, mas não existe usinas para processá-la. Quase um milhão de toneladas não devem ser moídas na Zona da Mata Sul.

Foto: Arquivo

Segundo a Associação dos Produtores de Cana de Pernambuco “a cana ficará no campo e o produtor perderá seu investimento por conta dessa situação".

Postado por Toinho de Passira
Fonte: Blog do Jamildo

Os efeitos negativos da crise no setor sucroenergético nacional também são sentidos em Pernambuco. Mais duas usinas fecharam este ano. São elas: Pedroza (Côrtez) e UnaAçúcar (Água Preta). Cada uma moeu 390 mil toneladas na última safra. Outras cinco unidades fecharam nos últimos anos. O cenário cria um fenômeno único e ameaça a produção canavieira no Estado, porque há cana dos fornecedores independentes para moer, mas não existe usinas para processá-la. Quase um milhão de toneladas não devem ser moídas na Zona da Mata Sul. A informação é da Associação dos Produtores de Cana de Pernambuco (AFCP).

“Pernambuco dever produzir um pouco mais de 14 milhões de toneladas de cana, mas cerca de 0,8 milhões de toneladas deixarão de ser processadas por falta de usinas na Mata Sul”, revela preocupado Alexandre Andrade Lima, presidente da AFCP. O dirigente conta que a cana ficará no campo e o produtor perderá seu investimento por conta dessa situação. O cenário ainda pode ser agravar caso se confirme o fechamento da usina Santa Maria, em Porto Calvo, que fica na divisa entre Pernambuco e Alagoas. A unidade processou aproximadamente 700 mil ton. na última safra. Em função da crise, deixarão de ser moídas cerca de 200 mil ton. de cana no Norte do estado alagoano.

Na avaliação de Lima só existe uma forma de resolver o problema: reabrir usinas no local. A solução seria retomar o funcionamento da usina Pumaty (Palmares). “Por ter ampla capacidade de processamento, a unidade tem condições de absorver toda a sobra de matéria prima que ficará sem moer, salvando a atividade econômica da Mata Sul”, diz Lima. Ele lembra que já há um projeto aprovado dessa natureza no governo estadual desde o início do ano, ainda na gestão de Eduardo Campos, mas abandonado por João Lira. Segundo o projeto em questão, com a reabertura da usina, além da absorção da matéria prima, também seria gerado 4 mil postos de trabalho diretos e o estado não deixaria de arrecadar cerca de 5 milhões de impostos gerados com esta matéria prima deixada no campo sem ser processada.

A crise também afeta o setor na Zona da Mata Norte do Estado. Porém, o cenário só não é idêntico ao da Mata Sul porque há usinas na Paraíba que absorvem parte da produção dos fornecedores pernambucanos de cana. Cerca de 400 mil toneladas são processadas nas unidades Tabu e Giasa. Todavia, antes de 2012, parte desse montante era moído em PE na usina Cruangi. “Em março deste ano, o então governador Eduardo Campos também havia anunciado a aprovação do projeto de reabertura dessa unidade industrial – não encaminhado pelo atual governador”, diz Lima.

28 de ago de 2014

Médicos chineses usam impressora 3D para reconstruir crânio de paciente desfigurado

CHINA – Medicina - Tecnologia
Médicos chineses usam impressora 3D
para reconstruir crânio de paciente desfigurado
Hospital de Xi'an usou tela de titânio criada com impressora 3D. Homem ficou ferido depois que ele caiu do terceiro andar de prédio.

Foto: China Daily/Reuters

Médicos usaram uma impressora 3D para reconstruir o crânio de um paciente

Postado por Toinho de Passira
Fonte:  G1

Médicos usaram uma impressora 3D para reconstruir o crânio de um paciente no hospital de Xi'an, na província de Shaanxi, na China. Segundo o jornal “South China Morning Post”, o homem de 46 anos teve seu crânio esmagado ao cair do terceiro andar de sua casa.

O hospital usou uma tela de titânio criada com uma impressora 3D para dar uma aparência normal ao homem, que teve apenas seu sobrenome, Hu, divulgado.

No acidente, Hu perdeu parte de seu crânio, e ficou com a cabeça desfigurada. A cirurgia vai permitir que ele volte a ter uma cabeça normal. Nesta quarta-feira (27), ele passou por exames prévios à cirurgia.

Foto: China Daily/Reuters

Hospital usou tela de titânio criada com impressora 3D para dar aparência normal a Hu

Fotos: China Daily/Reuters

Homem ficou ferido depois que ele caiu do terceiro andar de um prédio

Marina provoca a mudança de tom, Merval Pereira - O Globo

BRASIL - Opinião
Marina provoca a mudança de tom
Uma bela sacada de Aécio foi dizer que o sonho de todo brasileiro é viver no mundo virtual da propaganda de Dilma, que é muito melhor do que o mundo real. Tanto é assim que a avaliação de seu governo melhora na margem e não se reflete no número final da votação, que está em queda.

Foto: Paulo Whitaker/Reuters

Postado por Toinho de Passira
Texto de Merval Pereira
Fontes: Blog do Merval, para O Globo

A entrada em cena da candidata Marina Silva com ares de favorita tornou a campanha eleitoral mais aberta e franca por parte dela e do candidato do PSDB Aécio Neves. É natural, os dois disputam o mesmo espaço, isto é, a possibilidade de derrotar a presidente Dilma no segundo turno.

O próprio Eduardo Campos achava que quem fosse ao segundo contra a presidente venceria as eleições, diante do clamor da sociedade por mudança.

Chegou até mesmo a imaginar um segundo turno entre PSB e PSDB, candidatos de perfis semelhantes que chegaram a vislumbrar uma parceria. Cenário que ficou impossível com a chegada em cena de Marina Silva, uma oposicionista de outro calibre, que exasperou a disputa.

Aécio foi o mais atingido pelo surgimento de uma candidatura nova na área da oposição, pois está tendo que mudar o ritmo de sua campanha em plena corrida. Com Campos na disputa, teria tempo para apresentar-se ao eleitor, pois o adversário também teria que se apresentar.

Agora, ao mesmo tempo em que se torna mais conhecido, vai subindo o tom para entrar na disputa com uma candidata que foi poupada em toda a primeira parte da campanha e chegou a ela já com índices vigorosos.

A presidente Dilma não pode fazer mais do que tentar convencer o eleitor de que o país não está tão ruim quanto seus adversários dizem. O problema dela, e por isso tem tido um sucesso relativo, é que os eleitores-espectadores sabem o dia a dia que vivem, e não é um filmete publicitário que mudará suas opiniões.

Uma bela sacada de Aécio foi dizer que o sonho de todo brasileiro é viver no mundo virtual da propaganda de Dilma, que é muito melhor do que o mundo real. Tanto é assim que a avaliação de seu governo melhora na margem e não se reflete no número final da votação, que está em queda.

Marina, por sua vez, já entrou no debate da TV Bandeirantes muito mais assertiva do que sempre foi, para enfrentar as tentativas de desqualificação a que será submetida nesses pouco mais de 30 dias de campanha.

Terá que esclarecer posições, assumir compromissos e mostrar-se agregadora, que não é exatamente seu perfil de ação pública até agora. A seu favor, poderá dizer que teve de enfrentar interesses encastelados tanto no governo petista quanto nos partidos em que já esteve, e por isso teve atritos.

Aécio está acelerando a apresentação de seu projeto e a explicitação de seus programas, para ganhar crédito como o candidato da mudança segura, como está se apresentando.

Desse ponto de vista, anunciar formalmente que o ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga será o comandante de sua equipe econômica, ou que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é e será seu grande conselheiro, é uma maneira de marcar posição contra Marina, que classifica como uma “amadora”.

O que atrapalha sua campanha é a ineficiência até agora dos acordos regionais que montou, seu grande trunfo como articulador político. Para quem pretendia sair de São Paulo e Minas com cerca de 5 milhões de votos na frente da presidente Dilma, os resultados até agora são decepcionantes, muito pelo surgimento da opção Marina Silva.

Em SP, Marina está à frente, e Dilma em segundo, mesmo com o PT levando uma surra para governador e senador, o que sugere que a máquina tucana não se move a favor de Aécio. Uma vingança silenciosa pelas campanhas anteriores em Minas não é de se descartar.

Em MG, seu território político, o candidato do PT está à frente na disputa para governador e Aécio aparece quase empatado com Dilma na preferência do eleitorado. Marina reafirma a boa votação que teve em 2010 no Estado, com cerca de 20% das preferências.

No nordeste, onde pretendia reduzir a diferença a favor de Dilma, o candidato do PSDB não está tendo sucesso até mesmo nos Estados onde as dissidências da base aliada teoricamente estariam a seu lado. Na Bahia, Dilma está bem à frente, seguida por Marina.

Em Pernambuco, Marina Silva absorveu a força política de Eduardo Campos e está liderando a disputa, seguida da presidente Dilma. No DF, aonde Aécio chegou a liderar, Marina tomou a frente.

No Rio de Janeiro, primeiro grande estado em que a dissidência do PMDB surgiu em seu apoio, Dilma lidera com folga, seguida de Marina, relegando-o a um terceiro lugar.

Os dias de setembro dirão se esta é uma situação mutável ou se o quadro está cristalizado fora da polarização PT-PSDB, que prevalece há 20 anos.
*Alteramos o título acrescentamos subtítulo, foto e legenda à publicação original

Diogo Mainardi: Sou Marina (até a posse)

BRASIL - Opinião
Diogo Mainardi: Sou Marina (até a posse)
A candidatura de Marina Silva, para quem só sabe torcer contra, como eu, é muito animadora. Depois de 12 anos, há uma perspectiva real de derrotar o PT. E há uma perspectiva real de derrotar o PSDB, sem o qual o PT tende a desaparecer, pois perde seu adversário amestrado.

Charge: Clayton - O Povo (CE)

LEGENDA

Postado por Toinho de Passira
Texto de Diogo Mainardi
Fonte: Folha de S.Paulo

Sou um homem simples: acredito que, a cada quatro anos, é necessário trocar o bandido que nos governa. Tira-se um, põe-se outro qualquer em seu lugar. Nunca votei para presidente e, por isso mesmo, nunca me arrependi por ter votado num determinado candidato.

O voto nulo é sempre o melhor –o menos vexaminoso, o menos degradante. Isso não quer dizer que não me interesse pelas eleições. Ao contrário: acompanho fanaticamente todas as campanhas e, no tempo ocioso, que corresponde a mais ou menos quatro quintos de meu dia, pondero sobre a fanfarronice daquela gente pitoresca que pede nosso voto. Além de ponderar sobre a fanfarronice daquela gente pitoresca que pede nosso voto, sou um especialista em torcer contra.

Torci contra Fernando Henrique Cardoso em 1998. Torci contra Lula em 2002. Torci contra Lula –e torci muito– em 2006. Torci contra Dilma em 2010. Agora estou torcendo novamente contra ela. Como se nota, além de ser um especialista em torcer contra, sou também um especialista em derrotas eleitorais. E quem se importa? Com tanto tempo ocioso, aprendi a esperar.

A candidatura de Marina Silva, para quem só sabe torcer contra, como eu, é muito animadora. Depois de 12 anos, há uma perspectiva real de derrotar o PT. E há uma perspectiva real de derrotar o PSDB, sem o qual o PT tende a desaparecer, pois perde seu adversário amestrado.

O conceito segundo o qual é necessário trocar, a cada quatro anos, o bandido que nos governa (Montesquieu, "O Espírito das Leis", volume 2), finalmente pode ser aplicado. Tira-se um, bota-se outro qualquer em seu lugar. O outro qualquer é Marina Silva? Eu topo.

A possibilidade de derrotar o PT –toc, toc, toc– é o aspecto mais atraente da candidatura de Marina Silva. Com um tantinho de empenho, porém, posso apontar outros. Muitos palpiteiros se alarmaram porque seu primeiro passo foi rachar ao meio o PSB; eu, vendo aquela gente pitoresca do PSB, comemorei. De fato, espero que ela rache ao meio os outros partidos de sua base.

Passei 12 anos denunciando os apaniguados de um partido que se empossava criminosamente de todos os cargos estatais. O que eu quero, agora, é que os partidos se esfarinhem. Em primeiro lugar, o PT. Em seguida, o resto.

Outro aspecto animador de Marina Silva é que ela sabe que o eventual apoio de um petista ou de um tucano só pode tirar-lhe votos, prejudicando suas chances de ser eleita. Isso deve persuadi-la a repelir, neste momento, qualquer tentativa exasperada de adesismo. Se ela ganhar, porém, tudo mudará: voluntários de todos os partidos irão oferecer seus préstimos, e ela, agradecida, aceitará, claro.

Assim como aceitará a serventia e a cumplicidade daqueles que, até hoje, sempre lucraram com Dilma e o PT: no empresariado, no sindicato, na cultura, na imprensa. Mas esse é outro motivo pelo qual me animo com a candidatura de Marina Silva: não espero rigorosamente nada de seu governo, e passarei a torcer contra ela um dia depois da posse. Sou um homem simples.
DIOGO MAINARDI, 51, jornalista, é comentarista do programa Manhattan Connection, da GloboNews, e autor de "Lula é Minha Anta" e "A Queda - Memórias de um Pai em 424 Passos" (ambos pela editora Record), entre outros livros
*Acrescentamos subtítulo e ilustração à publicação original

27 de ago de 2014

“Marina é ‘salto no escuro’" – diz campanha de Aécio Neves

BRASIL - Eleição 2014
“Marina é ‘salto no escuro’" – diz campanha de Aécio
Aécio vai dizer que há três caminhos: o do atual governo, que tem cometidos graves erros, principalmente na economia; o da incerteza e do salto no escuro, que é o de Marina; e do da mudança com segurança que ele representa

Foto: Paulo Whitaker/Reuters

Candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, fala durante debate na Band, em São Paulo, ontem

Postado por Toinho de Passira
Texto de Jeferson Ribeiro, reportagem adicional de Eduardo Simões
Fonte: Reuters

Sob pressão após a entrada da Marina Silva (PSB) na corrida eleitoral à Presidência, o candidato do PSDB, Aécio Neves, vai intensificar o discurso de que é a única escolha segura para fazer as mudanças que o país precisa e que a nova candidata é um "salto no escuro", sem deixar de lado as críticas ao governo.

Na véspera, durante o debate na Band, o tucano já deu a linha da nova estratégia da campanha ao dizer que o Brasil não suporta "novas aventuras, o improviso".

As pesquisas mais recentes mostraram o tucano perdendo eleitores para Marina, o que motivou uma mudança na estratégia inicial do PSDB, que era fazer uma campanha polarizando com o PT e a presidente Dilma Rousseff. Aécio caiu do segundo para o terceiro lugar, na corrida liderada por Dilma.

O alvo agora é duplo: os erros do governo e Marina.

"Cada vez mais, ele vai dizer que há três caminhos. O do atual governo, que tem cometidos graves erros, principalmente na economia; o da incerteza e do salto no escuro; e do da mudança com segurança que ele representa, principalmente porque o PSDB já governou o país e sabe como resolver os problemas", disse à Reuters um dos estrategistas da campanha nesta quarta-feira.

Na próxima semana, o tucano também já deve ingressar numa nova fase da propaganda na TV, atualmente focada na sua biografia e na sua gestão no governo de Minas Gerais.

"Vamos entrar na fase de debates de propostas e comparar com os adversários e isso já vai ajudar na comparação de projetos".

Na visão dos tucanos, será possível nessa nova fase mostrar claramente as contradições de Marina, com posição radical contra o agronegócio no passado e agora uma visão mais amigável do campo, e sua falta de consistência para superar dificuldades econômicas e até mesmo governar, já que dificilmente faria um governo de coalizão com os partidos que ela classifica como "velha política".

Os tucanos avaliam também que a campanha ainda está sob impacto do acidente aéreo que matou o ex-candidato do PSB Eduardo Campos, em 13 de agosto, em Santos (SP).

"Temos que tirar a campanha do emocional e trazer para o racional", disse o estrategista.

Além de apontar as contradições da candidata do PSB, Aécio também colocará mais força em segmentos eleitorais que poderia ter melhor desempenho e setores que Marina está tentando conseguir a liderança.

Um movimento claro foi feito em relação ao mercado financeiro e investidores quando anunciou, ao final do debate de terça, que nomeará o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga como ministro da Fazenda, caso seja eleito.

Aécio não tinha Campos, e muito menos a presidente Dilma Rousseff, como rivais na arena do mercado financeiro. Mas um dos primeiros acenos de Marina feitos após ser oficializada como candidata do PSB foi para esse setor.

Colaboradores de Marina têm procurado construir pontes com o mercado, consolidando nesse segmento a ideia de que ela adotaria uma postura pró-mercado, caso eleita.

"Ela está tentando se viabilizar junto ao mercado, que era um eleitorado seguro do Aécio. Por isso, também, ele fez esse sinal com o anúncio do Armínio, que era uma decisão já conhecida internamente pela campanha", explicou a fonte.

Aécio também vai reforçar suas atividades de campanha em Estados governados pelos tucanos e cujo bom desempenho eleitoral dos governadores não está sendo transferido para a candidatura nacional.

Em São Paulo, por exemplo, o candidato à reeleição Geraldo Alckmin tem um desempenho muito acima do que o de Aécio no Estado. "Temos que aproximar esses desempenhos", disse a fonte, que mencionou também Minas Gerais e Paraná.

"E também temos que torná-lo mais conhecido no Nordeste", acrescentou o estrategista.