22 de jul de 2014

Sem conseguir limpar o nome de Dilma, o PT vai tentar enlamear Aécio Neves

BRASIL – Eleição 2014
Sem conseguir limpar o nome de Dilma,
o PT vai tentar enlamear Aécio Neves
Com a constatação de que a rejeição de Dilma aumenta a cada pesquisa - hoje quase 50 milhões de eleitores, dizem que não votam nela de forma algumas - os petistas partiram no desespero e sem bitola para a calúnia desbragada contra o tucano

Charge: Elvis - Amazonas Em Tempo (AM)

TAREFA ÁRDUA - A ideia é tentar fazer o adversário, Aécio Neves, seja tão rejeitado, quanto a candidata deles, não vai ser fácil

Postado por Toinho de Passira
Fonte: Blog do Camarotti

Segundo Gerson Camarotti, no seu Blog, o PT definiu uma estratégia para combater a pouca rejeição do seu principal adversário, o tucano Aécio Neves. Via enlamear o prestígio do adversário, como forma de combatê-lo. Foi o caminho encontrado para tentar equilibrar a disputa num eventual segundo turno.

No último Datafolha, Dilma tinha 35% de rejeição, enquanto Aécio aparecia com 17%. O eleitor quando rejeita o candidato, diz que de maneira alguma votaria nele na próxima eleição. Assim, baseado no número de eleitores de 2012: 140 milhões, podemos dizer que quase 50 milhões de brasileiros, não votam na criatura de Lula, de forma alguma.

Como não dá para tentar limpar o nome de Dilma, vão tentar trazer o adversário para o lamaçal onde se encontram.

Segunto Camarotti “a ordem no comando petista é explorar temas negativos associados ao candidato do PSDB. A constatação interna é que uma rejeição elevada apenas de Dilma é um problema adicional no segundo turno, pois poderia ajudar Aécio”.

Hoje mesmo, o ex-presidente Lula já começou a colocar a estratégia petista em prática ao defender a investigação da construção de um aeroporto no terreno – situado no município mineiro de Cláudio – que foi de parentes do presidenciável Aécio Neves e desapropriado em 2008 pelo governo mineiro.

Avaliação interna é de que o noticiário negativo envolvendo o candidato do PSDB é a única forma de aumentar a rejeição de Aécio. Por isso, além desse episódio, os petistas devem cobrar durante a campanha uma posição clara do tucano sobre temas econômicos, principalmente de medidas impopulares.

Aécio que se prepare.

O blogueiro não diz, mas claro que calúnias, difamação e injúrias, serão derramadas sobre o adversário para ele ficar mais parecido com a candidata deles. Nisso, ninguém pode negar, o PT é muito bom!

O tal mercado - Merval Pereira, para O Globo

BRASIL - Oponião
O tal mercado
Na semana passada, diante da pesquisa Datafolha que mostra um empate técnico entre a presidente Dilma e o candidato do PSDB Aécio Neves num segundo turno, o Ibovespa subiu, empurrado especialmente pelas ações das estatais. O que quer dizer que os investidores acreditam que num novo governo as estatais não serão mais usadas como instrumentos de política econômica, mas como empresas competitivas num mercado internacional cada vez mais difícil.

Charge: Aroeira - O Dia - (RJ)

Postado por Toinho de Passira
Texto de Merval Pereira
Fonte: Blog do Merval

O comportamento de regozijo do mercado financeiro toda vez que uma pesquisa de opinião mostra a chance de derrota de Dilma na eleição presidencial tem gerado críticas por parte dos petistas, inclusive do mais graduado deles, o ex-presidente Lula, que chegou a ironizar recentemente esse comportamento: "Pelo o que eu sei esse tal de mercado internacional nunca votou em você (Dilma) e nunca votou em mim. Quem vota na gente é o povo, cujo único mercado que conhece é onde compra feijão".

Mas desde sempre a situação da economia não apenas influencia o resultado das eleições como também a situação política interfere na economia, especialmente em anos eleitorais como o que vivemos. “É a economia, estúpido”, já advertiu o marqueteiro James Carville na campanha que elegeu Bill Clinton presidente dos Estados Unidos.

Lula sabe o que é isso. Já tivemos no mercado internacional o lulômetro, que o banco de investimentos americano Goldman Sachs criou na eleição de 2002 para medir a influência na cotação do dólar do risco de Lula vir a ser eleito presidente da República. O modelo matemático previa que o dólar chegaria a 3 reais em outubro, e ele chegou a 4 diante da realidade de Lula subindo a rampa do Palácio do Planalto.

E, diante da desconfiança do tal mercado, Lula teve que lançar a “Carta aos Brasileiros” para garantir que não mudaria a política econômica. Anos depois, Lula se confessaria arrependido de ter feito tal carta, o que só reforça a desconfiança atual dos mercados com o governo Dilma.

Depois de duas eleições em que reeleger Lula ou eleger Dilma não parecia perigoso para a economia do país, chegamos este ano a uma eleição diferente. O ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, que deve ser o principal nome da economia em um eventual governo do tucano Aécio Neves, já previra que a possibilidade de Dilma se reeleger no primeiro turno, como indicavam as pesquisas até pouco tempo, poderia ter o mesmo efeito que a vitória de Lula em 2002.

Em consequência, a possibilidade de haver segundo turno, com boa chance de derrota do PT, poderia fazer a Bolsa de Valores retomar o crescimento, depois de ter caído quase 40% nos anos Dilma.

Na semana passada, diante da pesquisa Datafolha que mostra um empate técnico entre a presidente Dilma e o candidato do PSDB Aécio Neves num segundo turno, o Ibovespa subiu, empurrado especialmente pelas ações das estatais. O que quer dizer que os investidores acreditam que num novo governo as estatais não serão mais usadas como instrumentos de política econômica, mas como empresas competitivas num mercado internacional cada vez mais difícil.

Isso por que o mercado, dizem os especialistas, é essencialmente um instrumento da democracia, como transmissor de informações e expressão da opinião pública. Lembrei-me de um debate, anos atrás, em que fiz a mediação entre dois dos pais do Real, os economistas Gustavo Franco e André Lara Resende, hoje atuando como assessor de Marina Silva, sobre o qual já escrevi na coluna.

Quando o assunto foi o mercado, os dois concordaram em que a sua impessoalidade sai sempre mais barata para o contribuinte. “Goste-se ou não, o mercado é a forma mais eficiente e influente de expressão da opinião pública, e transparência é tudo quando se trata do funcionamento do mercado”, disse Gustavo Franco.

Para ele, uma coisa é certa: “quanto mais distantes do mercado estiverem as relações entre o público e o privado, quanto mais discricionárias as decisões, e quanto menor a transparência, maior será a corrupção”.

André Lara Resende destacou que a contribuição mais relevante do economista austríaco liberal Friederich Hayeck “é o seu papel de defensor dos mercados, como insuperável transmissor de informação e estimulador da criatividade, onde se pode encontrar a mais coerente e fundamentada análise dos riscos econômicos e sociais do aumento do papel do Estado”.

Para Franco, “quem vai terminar com a sociedade do privilégio é a economia de mercado, e não é outro o motivo pelo qual a estabilização, a abertura, a desregulamentação, e a privatização geraram tantas tensões”. A economia de mercado, na definição de Franco, “é subversiva numa sociedade do privilégio, pois propugna a competição, a impessoalidade e a meritocracia, e dispensa, tanto quanto possível, a interveniência de um Estado cheio de vícios”.
*Acrescentamos subtítulo, foto e legenda a publicação original

21 de jul de 2014

CHARGE: Putin, sangue nas suas mãos - Michael Ramirez- (USA)



Michael Ramirez- (USA)



Risco à paz mundial - Veja

RÚSSIA – CRIMES CONTRA A HUMANIDADE
Risco à paz mundial
O presidente russo Vladimir Putin empurra o mundo para o limiar de um conflito bélico ao financiar separatistas no leste da Ucrânia. Seus comandados abateram um avião com 298 a bordo

Foto: Reuters

"Putin estava feliz no Brasil. Ele está claramente usando a América Latina como uma frente contra os Estados Unidos", diz a cientista política ucraniana Lilia Shevtsova

Postado por Toinho de Passira
Reportagem de Duda Teixeira, Nathalia Watkins, Carlo Cauti, Raquel Beer, Leonardo Motta e Valeria Bretas
Fonte: Veja

Grandes guerras começam por motivos bem menos graves do que a derrubada de um avião civil com 298 pessoas a bordo, como ocorreu na semana passada nos céus da Ucrânia. Todos os indícios levantados até agora apontam para milicianos separatistas treinados e monitorados por tropas russas. Eles têm domínio territorial sobre a área de onde, como comprovam fotos de satélites, decolou o míssil supersônico que atingiu em cheio o Boeing 777 da Malaysia Airlines — a mesma companhia que há meses teve um jato idêntico misteriosamente desaparecido nas águas do Oceano Índico.

Grandes guerras começam também por agressões desse tipo, muitas vezes feitas por acidente ou engano. Pode ser essa a explicação para o ataque fatal ao avião da Malaysia Airlines que fazia o voo MH17, de Amsterdã a Kuala Lumpur. Desde que se apoderaram de baterias de mísseis antiaéreos Buk, de fabricação russa, e foram treinados para usá-los por monitores enviados por Moscou, os separatistas vinham tendo crescente sucesso em derrubar aviões inimigos naquela região. Cada disparo certeiro era comemorado em russo nas redes sociais frequentadas pelos separatistas.

Foto: Dmitry Lovetsky / Associated Press

Carros de bombeiros chegar ao local do acidente de um avião de passageiros perto da aldeia de Hrabove, Ucrânia, como o sol se põe 17 de julho.

Na quinta-feira passada, logo depois do desaparecimento do Boeing 777 da Malaysia Airlines, um oficial russo encarregado por Moscou de dar ajuda aos separatistas ucranianos, jubilante, postou durante algumas horas apenas o registro de mais um avião abatido. O oficial julgava tratar-se de um An-26 — Antonov turboélice de transporte de tropas e carga — da Força Aérea da Ucrânia. Não era. O avião abatido foi o Boeing 777 com quase 300 civis inocentes de várias nacionalidades a bordo. Na véspera, quarta-feira 16, os separatistas tinham celebrado na internet a derrubada de um Su-25 ucraniano. Esse anúncio continua lá. O relativo ao An-26 sumiu rapidamente. Foi a primeira tentativa dos russos e seus aliados na Ucrânia de apagar a marca do crime.

Felizmente, no mundo de hoje, as nações contam com redes de prevenção de grandes guerras bem mais eficientes do que as existentes no século passado, quando nas duas deflagrações bélicas mundiais somadas morreram quase 80 milhões de pessoas. Mas, apesar de todos os mecanismos de segurança atuais, pode-se dizer sem muita margem de erro que a derrubada do Boeing 777 civil na região fronteiriça entre a Ucrânia e a Rússia, na semana passada, é a mais grave ameaça à paz mundial neste século. "A indignação que eu sinto neste momento não pode ser descrita com palavras", disse Barack Obama, na última sexta-feira. O presidente americano só não construiu a frase responsabilizando diretamente Moscou pelo atentado. Nem precisava, pois Obama, valendo-se dos eufemismos e despistes de que a linguagem diplomática se nutre, disse a mesma coisa de outra maneira ao aprofundar ainda mais as sanções econômicas à Rússia que a Casa Branca havia decretado antes do disparo letal do míssil.

No epicentro dessa zona de morte e instabilidade encontra-se Vladimir Putin, o presidente russo, que usa o expansionismo como forma de propaganda política interna e, assim, vem conseguindo índices elevados de apoio popular. Na semana passada, enquanto o v mundo assistia atônito ao aparecimento de uma prova atrás da outra de que os russos tinham envolvimento direto na operação que matou quase 300 passageiros inocentes, a taxa de aprovação de Putin batia seu recorde histórico, com 83%. Adoração interna e desaprovação externa é uma receita desastrosa. Os líderes que enveredam por esse caminho oferecem perigo ao seu povo e ao mundo.

Foto: Dmitry Lovetsky / Associated Press

Um homem cobre um corpo com uma folha de plástico perto do local de um avião de passageiros Malaysia Airlines caiu perto da aldeia de Rozsypne, Ucrânia

Quando os corpos foram encontrados despedaçados no chão na Ucrânia, Putin acabava de chegar a Moscou, vindo do Brasil, onde participou de uma cúpula do grupo dos Brics — Brasil, Rússia, índia, China e África do Sul. Na segunda-feira 14, a presidente Dilma Rousseff encontrou-se com Putin depois da reunião e disse: "Somos reconhecidos por nossa atuação autônoma no plano internacional em favor de um mundo mais justo, mais próspero e pacífico". Resta saber agora como os presidentes dos países reunidos sob a sigla Brics reagirão a essa tragédia. Como enfatiza a Carta ao Leitor desta edição, eles não podem simplesmente ignorar o massacre de civis patrocinado por um país-membro: "Se os integrantes do grupo dos Brics fingirem que não viram o crime e passarem a mão na cabeça do companheiro Putin, estarão se condenando ao fracasso ético e moral, justamente o que destrói as chances de sucesso cm todos os outros campos".

Em março, Putin enviou soldados mascarados e sem distintivo no uniforme para a Península da Crimeia, parte da Ucrânia. Os "homenzinhos verdes", como ficaram conhecidos, expulsaram soldados dos quartéis, ocuparam prédios públicos e canais de televisão. Putin dizia que não tinha participação na empreitada. Ainda assim, anexou a Crimeia.

No fim de março, deu medalhas aos que participaram da ação. Simultaneamente, milhares de soldados foram enviados pela Rússia para o leste da Ucrânia. O objetivo era conseguir mais um naco de território ou, na impossibilidade disso, dificultar ao máximo que o país seguisse o caminho bem-sucedido de outros Estados europeus, que saíram da esfera soviética, abraçaram a democracia e o livre mercado e se distanciaram da autocracia e do estatismo russo. Os Estados Unidos e a Europa impuseram sanções econômicas para punir Putin pelo avanço à margem da lei internacional. O efeito foi nulo.

Foto: Dmitry Lovetsky / Associated Press

Pessoas caminham entre os escombros no local do acidente do avião abatido por míssil na Ucrânia

O que farão de concreto agora que a derrubada do avião da Malaysia Airlines vai se tornando impossível de escamotear? "Qualquer controlador de voo treinado sabe distinguir na tela do radar um avião civil de um militar", diz o engenheiro sueco Mikael Robertsson, fundador do site FlightRa-dar24, que acompanha o tráfego aéreo comercial ao redor do planeta. O sistema russo de mísseis Buk é dotado de radar e receptor de sinais de transponder, que diferenciam claramente os tipos de aeronave. "Putin estava feliz no Brasil. Ele está claramente usando a América Latina como uma frente contra os Estados Unidos", diz a cientista política ucraniana Lilia Shevtsova, do Carnegie Endowment, em Moscou. Aos seus amigos tropicais agora só restam duas opções: agem por princípio e isolam Putin ou se rendem ao pragmatismo e entram em uma guerra que não é deles.


*Acrescentamos subtítulo, foto e legenda a publicação original

'Me acode, Lula!' - Ricardo Noblat, para O Globo

BRASIL – Opinião
'Me acode, Lula!'
A semente do escândalo do mensalão caiu em terra fértil quando Lula, na companhia de José Alencar, seu futuro vice, assistiu à compra por pouco mais de R$ 6 milhões do apoio do PL do então deputado Valdemar Costa Neto.

Foto: Ed Ferreira/Agência Estado

TRINDANDE DO PT - Dirceu, Lula e Dilma, o diabo reuniu em dia inspirado

Postado por Toinho de Passira
Texto de Ricardo Noblat
Fonte: blog do Noblat

Quem disse indignado na semana passada: “A política está apodrecida no Brasil”?

E quem disse: “É preciso acabar com partidos laranjas, de aluguel, que utilizam seu tempo [de propaganda eleitoral no rádio e na TV] para fazer negócio"?

Por último, quem disse que deveriam “ser consideradas crime inafiançável doações de empresas privadas para partidos”?

Está de pé? Melhor sentar.Foi Lula quem disse. Acredite!

Estou de acordo: não é de hoje que Lula diz o contrário do que faz. Ou afirma algo que nega amanhã. Ou simplesmente reescreve fatos conhecidos.

Procede assim porque acha que a política é para ser feita assim. Aprendeu de tanto observar os costumes alheios quando era líder sindical ou político novato.

Aprendeu, também, depois de perder três eleições presidenciais seguidas.

Agora, chega! – concluiu em 1998 ao ser derrotado pela segunda vez por Fernando Henrique. Deve ser por isso que sempre o trata mal. Parece esquecido de que foi cabo eleitoral dele.

Adiante.

Lula mandou chamar à sua presença o presidente do PT, à época José Dirceu. E ordenou-lhe que jogasse as regras do jogo para elegê-lo. Não estava mais disposto a bancar o bobo.

A semente do escândalo do mensalão caiu em terra fértil quando Lula, na companhia de José Alencar, seu futuro vice, assistiu à compra por pouco mais de R$ 6 milhões do apoio do PL do então deputado Valdemar Costa Neto.

O negócio foi fechado em um apartamento de Brasília. Lula e Alencar ficaram no terraço. Dirceu, Delúbio Soares, tesoureiro do PT, e Valdemar, se trancaram num quarto.

O efeito devastador sobre o governo do escândalo do mensalão obrigou Lula a convocar uma cadeia nacional de rádio e de televisão para pedir desculpas aos brasileiros.

Uma vez terminado o julgamento do mensalão, disse que ele jamais existiu. E acusou o Supremo Tribunal Federal, cuja maioria dos ministros foi nomeada por ele, de ter se curvado à pressão da mídia.

Incoerência? Que nada. Esperteza!

Em 2005, Severino Cavalcanti (PP-PE), presidente da Câmara dos Deputados, renunciou ao cargo e ao mandato para escapar de ser cassado. Recebera um mensalinho pago pelo dono de um restaurante.

Lula saiu em defesa dele três anos depois. Afirmou que o respeitava muito. E culpou parte da “elite paulista” pela queda de Severino. Ainda não existia a “elite branca” capaz de vaiar Dilma.

A um amigo, em conversa recente, Lula referiu-se a Dilma como “aquela mulher”. Lamentou não ter combinado abertamente com ela que a substituiria já este ano como candidato a presidente.

Dilma conta a história de que consultou Lula sobre seu desejo de voltar ao poder. E diz que ele negou o desejo.

Antes de se lançar candidato do PSB à vaga de Dilma, Eduardo Campos ouviu de Lula que não disputaria a eleição.

O “Volta, Lula!” esfriou. O “Me acode, Lula!” só faz esquentar. Para tristeza de Dilma.

Ela imaginou que chegaria às vésperas da eleição deste ano menos dependente de Lula. Mas não. Em primeiro lugar, depende de Lula para se reeleger. Em segundo, do engenho e arte do seu marqueteiro.

O tempo de propaganda eleitoral de Dilma será três vezes maior que o de Aécio e cinco vezes maior que o de Eduardo. Por que?

Porque Lula costurou uma aliança de 10 partidos, a maioria de aluguel, que doou a Dilma seu tempo de propaganda em troca de dinheiro e de cargos no governo.

Se tudo der certo, Lula promete acabar com os meios reprováveis que teriam ajudado Dilma a se reeleger.

Você acredita?
*Acrescentamos subtítulo, foto e legenda a publicação original

17 de jul de 2014

Goleada democrática – Merval Pereira, para O Globo

BRASIL - Opinião
Goleada democrática
O deputado Miro Teixeira irritou-se com a posição dos petistas e anunciou no microfone que votaria contra o decreto da presidente Dilma por considerá-lo simplesmente eleitoreiro, editado às vésperas da eleição presidencial para ganhar a simpatia dos chamados movimentos sociais, que seriam os beneficiados pela medida.

Charge: Sponholz

Postado por Toinho de Passira
Texto de Merval Pereira
Fonte: Blog do Merval

A aprovação na Câmara dos Deputados terça-feira do pedido de urgência para votar um decreto legislativo que anula o decreto da presidente Dilma Rousseff que cria conselhos populares em órgãos da administração pública está sendo considerada “uma goleada maior que os 7 a 1 da Alemanha na seleção brasileira”, na definição de um deputado que conhece bem a Casa.

Isso por que o pedido de urgência recebeu 294 votos a favor, apesar de todo o trabalho do Palácio do Planalto sobre sua base aliada e as ameaças veladas que os líderes do PT fizeram ao microfone, tratando como uma traição dos aliados a posição contrária e, mais que isso, jogando contra os deputados opositores a pecha de serem contra o povo, que ganharia mais espaço nas decisões do governo, pois estaria representado nesses conselhos.

O deputado Miro Teixeira irritou-se com a posição dos petistas e anunciou no microfone que votaria contra o decreto da presidente Dilma por considerá-lo simplesmente eleitoreiro, editado às vésperas da eleição presidencial para ganhar a simpatia dos chamados movimentos sociais, que seriam os beneficiados pela medida.

Há diversas vertentes na oposição ao decreto, desde os que, como Miro, o consideram inócuo, mas eleitoreiro, quanto os que temem que esse seja um passo a mais na direção de um governo no estilo bolivariano, como os da Venezuela e de outros países da América Latina. Há muitos deputados que votarão contra o decreto para preservar a função do Congresso Nacional no nosso sistema presidencialista, como um dos Poderes da República, um contraponto ao Executivo e ao Judiciário.

O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), foi pressionado por mais de uma dezena de partidos para colocar a proposta de urgência em votação antes do recesso, o que retirou do decreto legislativo organizado pela oposição o caráter de atitude isolada, já que boa parte da base aliada do governo também está contra o decreto presidencial.

O máximo que admitem é que o Palácio do Planalto envie um projeto de lei para ser discutido por deputados e senadores. Mesmo quem não considera que o decreto seja inconstitucional, embora haja quem o considere assim, teme a manipulação que ele permite ao definir, por exemplo, sociedade civil como “o cidadão, os coletivos, os movimentos sociais institucionalizados ou não institucionalizados, suas redes e suas organizações”.

Além de ser uma definição muito ampla que abarca qualquer tipo movimento social, até mesmo os “não institucionalizados”, os parlamentares temem que o Palácio do Planalto se aproveite dessa amplitude conceitual para organizar, através da Secretaria-Geral da Presidência da República, chefiada pelo Ministro Gilberto Carvalho, os próprios conselhos, manipulando suas decisões.

Uma das tarefas de Gilberto Carvalho é, pelo decreto que define seu ministério, atuar “no relacionamento e articulação com as entidades da sociedade civil e na criação e implementação de instrumentos de consulta e participação popular de interesse do Poder Executivo”.

A reação contra o decreto da Presidente Dilma é uma demonstração clara de que, apesar de ter uma maioria teórica que beira os 70% do Congresso, na prática o Palácio do Planalto tem que negociar caso a caso para fazer valer sua vontade. E sempre que uma decisão palaciana vai de encontro à Constituição, há uma maioria parlamentar na defesa da democracia representativa.

Mesmo os partidos mais fisiológicos da base aliada reagem a tentativas de enfraquecer as bases democráticas por que sabem que num governo autoritário, será menor sua influência e maior a força política do PT. O principal responsável por barrar essas tentativas é o próprio PMDB, o maior aliado do PT no Congresso, que tem em seu DNA a defesa da democracia e impede que o PT ultrapasse os limites democráticos.
*Acrescentamos subtítulo e charge à publicação original

14 de jul de 2014

Notas sobre a 'Copa das Copas' - Maria Helena Rubinato

BRASIL - Opinião
Notas sobre a 'Copa das Copas'
Nunca pensei que o resultado de um campeonato fosse interferir com o resultado das eleições. Agora, começo a desconfiar do contrário. E a culpa é de quem? De dona Dilma que, entusiasmada com a vitória contra a Croácia, resolveu unir o Brasil/Governo ao Brasil/Copa do Mundo. Ou por teimosia, ou por ser mal assessorada, fez mal. Água e óleo não se misturam e jamais se misturarão!

Foto: R7/Divulgação

Postado por Toinho de Passira
Texto de Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa
Fonte: Blog do Noblat

Simon Kuper, colunista do ‘Financial Times’, autor de um livro sobre futebol, ‘Soccernomics’ (com Stefan Szymanski, 2009), declara-se encantado com o ambiente no Brasil, apesar de não ter se deixado iludir pelo que viu. É bom jornalista, não é tolo. Sabe que a realidade é muito diferente da fantasia ‘Copa das Copas’.

Mas leiam uma definição que ele faz que explica seus sentimentos: “Procurem, por favor, entender o efeito de Copacabana sobre um cidadão do norte da Europa. (...) Alguns dos meus melhores momentos aqui foram as caminhadas que fiz descalço à beira-mar no Rio, em Fortaleza e em Salvador. Desconfio que muitos estrangeiros sentiram o mesmo”.

(Já tentou andar descalço nas praias da Cornualha ou mesmo da Côte d’Azur? Já? Pois é.)

Ele se deslumbrou, também, com o nosso à vontade e a nossa alegria, que são legítimos. Festas? Somos especialistas! Sempre deixamos o amanhã para o amanhã...

A Copa das Copas nem foi tão ruim quanto previam, nem tão perfeita quanto dizem. Mas tenho cá minha opinião: em qualquer lugar do mundo onde no mês da Copa fosse decretado férias escolares, que nos dias dos jogos fosse ponto facultativo (será que isso existe em outros países?) ou feriado geral nos dias dos jogos do anfitrião, a vida urbana correria muito bem.

Com menos turistas que o esperado, os aeroportos funcionariam, as estradas idem. Comparar o dia a dia do brasileiro com o dia a dia do turista aqui durante a Copa é brincadeira...

Não enganamos aos jornalistas de fora ou aos turistas atentos que mesmo sem compreender as palavras chulas, estúpidas, gritadas para dona Dilma, sentiram que ali não havia uma mensagem de amor. Ao contrário.

Não está nada muito bem no Brasil. Tiramos férias dos problemas de 12/6 a 13/7, mas agora voltamos ao real. E o real, misturado com a derrota vergonhosa para a Alemanha, aumentou a temperatura do desgosto.

Nunca pensei que o resultado de um campeonato fosse interferir com o resultado das eleições. Agora, começo a desconfiar do contrário.

E a culpa é de quem? De dona Dilma que, entusiasmada com a vitória contra a Croácia, resolveu unir o Brasil/Governo ao Brasil/Copa do Mundo.

Ou por teimosia, ou por ser mal assessorada, fez mal. Água e óleo não se misturam e jamais se misturarão!

Resultado: como em qualquer campeonato, o imprevisível podia acontecer. E aconteceu.

Dona Dilma honrou seu cargo e compareceu ao Maracanã para entregar a taça. Mas com que simpatia! Foi por isso que as câmaras de TV evitaram mostrá-la a sós, sempre ao lado de algum convidado.

Encerro com uma pergunta e um desabafo:

*quantos concordam com o prêmio de melhor jogador ao Messi, passando por cima do extraordinário Robben?

10 de jul de 2014

Eike Batista é o novo técnico da seleção brasileira –The í-Piauí Heraldo

BRASIL - Copa 2014 - Humor
Eike Batista é o novo técnico da seleção brasileira
Eike Batista já assumiu anunciando novidades: "A partir de hoje a CBF se chama CBX."


Marin mudou o corte de cabelo para desviar o foco

Postado por Toinho de Passira
Fonte: The í-Piauí Heraldo

HOTEL GLÓRIA - No dia seguinte à partida em que a Alemanha vandalizou o futebol brasileiro, José Maria Marin convocou uma coletiva de imprensa para anunciar mudanças drásticas na CBF:

"Primeiro, vou trocar o acaju por uma tonalidade que deixe meus cabelos com ar mais arrojado", explicou. Em seguida, prometeu investir na base: "Faltam bons goal-keepers, pontas de lança e center-fowards", lamentou, enquanto comia uma fatia de Goiabada Cascão.

Em telegrama, Marin anunciou mudanças na comissão técnica da seleção.

"Nosso Ground Committee decidiu substituir o coach Felipão por um homem que tem uma trajetória fulminante: Eike Batista! Esse tem a confiança do nosso povo, do mercado investidor e da nossa presidenta. É tóis!", exultou.

Num balanço final, Marin destacou que as mudanças no futebol brasileiro devem ser estruturais:

"Precisamos aderir a técnicas mais modernas de gestão. Mandei comprar um fax, aluguei um teletrim e aprendi a falar no walkie talkie", concluiu, antes de sair correndo para adquirir o novo LP de Cauby Peixoto em 78 rotações.

Eike Batista já assumiu anunciando novidades:

"A partir de hoje a CBF se chama CBX." E arrematou: "Nossa tarefa agora é peneirar talentos em águas profundas!"

No fim da tarde, o governo do Uzbequistão negou asilo técnico-político a Felipão.

9 de jul de 2014

Romário: "A falência do futebol brasileiro!"

BRASIL - Opinião - Copa 2014
Romário: "A falência do futebol brasileiro!"
"Nosso futebol vem se deteriorando há anos, sendo sugado por cartolas que não têm talento para fazer sequer uma embaixadinha. Ficam dos seus camarotes de luxo nos estádios brindando os milhões que entram em suas contas. Um bando de ladrões, corruptos e quadrilheiros!" - Romário, político e ex-atacante da Seleção Brasileira

Foto:Danilo Borges / Portal da Copa

Eles levarão a taça e nós ficaremos com nossos estádios superfaturados

Postado por Toinho de Passira
Texto de Romário
Fonte:  Romário - Rio

Galera,
Passado o luto das primeiras horas seguidas da derrota, vamos ao que verdadeiramente interessa! Quem tem boa memória, vai lembrar da minha frase: Fora de campo, já perdemos a Copa de goleada!

Infelizmente, dentro de campo, não foi diferente.

Ontem foi um dia muito triste para nosso futebol. Venceu o melhor e ninguém há de questionar a superioridade do futebol alemão já há alguns anos. Ainda assim, o mundo assistiu com perplexidade esta derrota, porque nem a Alemanha, no seu melhor otimismo, deve ter imaginado essa vitória histórica.

Porém, se puxarmos da memória, vamos lembrar que nossa seleção já não vinha apresentando nosso melhor futebol há muito tempo. Jogamos muito mal. Infelizmente, levamos sete e, por mais que isso cause mal-estar, devemos admitir que a chuva de gols foi apenas reflexo do pânico, da incapacidade de reação dos nossos jogadores e da falta de atitude do treinador de mudar o time.

Vivemos uma crise no nosso esporte mais amado, chegamos ao auge dela. Acha que isso é problema só dos jogadores ou do Felipão? Nem de longe.

Nosso futebol vem se deteriorando há anos, sendo sugado por cartolas que não têm talento para fazer sequer uma embaixadinha. Ficam dos seus camarotes de luxo nos estádios brindando os milhões que entram em suas contas. Um bando de ladrões, corruptos e quadrilheiros!

O meu sentimento é de revolta.

Estou há quatro anos pregando no deserto sobre os problemas da Confederação Brasileira de Futebol, uma instituição corrupta gerindo um patrimônio de altíssimo valor de mercado, usando nosso hino, nossa bandeira, nossas cores e, o mais importante, nosso material humano, nossos jogadores. Porque não se iludam, futebol é negócio, bussiness, entretenimento e move rios de dinheiro. Nunca tive o apoio da presidenta do País, Dilma Rousseff, ou do ministro do Esporte, Aldo Rebelo. Que todos saibam: já pedi várias vezes uma intervenção política do Governo Federal no nosso futebol.

Em 2012, eu apresentei um pedido de CPI da CBF, baseado em uma série de escândalos envolvendo a entidade, como o enriquecimento ilícito de dirigentes, corrupção, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e desvio de verba do patrocínio da empresa área TAM. O pedido está parado em alguma gaveta em Brasília há dois anos.

Exceto por um vexame como o de ontem, o Brasil não precisaria se envergonhar de uma derrota em campo, afinal, derrotas fazem parte do esporte. Mas vergonha mesmo devemos sentir de ter uma das gestões de futebol mais corruptas do mundo.

O presidente da entidade, José Maria Marin, é ladrão de medalha, de energia, de terreno público e apoiador da ditadura. Marco Polo Del Nero, seu atual vice, recentemente foi detido, investigado e indiciado pela Polícia Federal por possíveis crimes contra o sistema financeiro, corrupção e formação de quadrilha. São esses que comandam o nosso futebol. Querem vergonha maior que essa?

Marin e Del Nero tinham que estar era na cadeia! Bando de vagabundos!!!

A corrupção da CBF tem raízes em todos os clubes brasileiros, vale lembrar que são as federações e clubes que elegem há anos o mesmo grupo de cartolas, com os mesmos métodos de gestão arcaicos e corruptos implementados por João Havelange e Ricardo Teixeira e mantidos por Marin e Del Nero. Vale lembrar, que estes dois últimos mudaram o estatuto da entidade e anteciparam a eleição da CBF para antes da Copa. Já prevendo uma possível derrota e a dificuldade que eles teriam de se manter no poder com um quadro desfavorável.

O futebol brasileiro tomou uma goleada e a derrota retumbante, infelizmente, não foi só em campo. Nem sequer tivemos o prazer de jogar no Maracanã, um templo do futebol mundial, reformado ao custo de mais de R$ 1 bilhão. Acha que foi porque não chegamos a final? Não. Poderíamos ter jogado qualquer outro jogo lá. A resposta disso é ganância e arrogância. É a CBF que escolhe onde o Brasil vai jogar, mas, obviamente, poderia ter tido interferência do Ministério do Esporte e da presidência da República, mas nenhum destes se manifestou. Quem levou com essas escolhas?

Para fechar com chave de ouro, a CBF expulsou do vestiário Cafú, capitão de seleção do pentacampeaonato. Cafú foi expulso do vestiário enquanto cumprimentava os jogadores ontem. Este é o retrato do nosso futebol hoje, não honramos a nossa história.

Dilma tem sim que entregar a taça para outra seleção. Este gesto será o retrato do valor que ela deu ao nosso futebol nos últimos anos! Eles levarão a taça e nós ficaremos com nossos estádios superfaturados e nenhum legado material, porque imaterial, mostramos para o mundo que com toda nossa dificuldade, somos um povo feliz.

Essa será a taça da vergonha.
Romário de Souza Faria, Romário, foi um dos maiores atacantes do futebol mundial de todos os tempos. É o terceiro maior artilheiro da Seleção Brasileira, com cinquenta e cinco gols marcados. Na sua carreira marcou 720 gols em competições oficiais. Romário também se caracterizaria por desavenças com técnicos, ex-jogadores e colegas, além de sua boemia e aversão a treinamentos.

"Nunca fui atleta. Se eu tivesse levado uma vida regrada como atleta, eu teria feito muito mais gols, mas não sei se seria feliz como sou hoje", diria em 2004.

Atualmente Romário é Deputado Federal pelo Rio de Janeiro e candidato ao Senado pelo PSB.
Publicamos apenas trecho do post de Romário, se quiser ler o texto na íntegra clique aqui

O Mineirazo e Dilma, de Merval Pereira, para O Globo

BRASIL - Opinião
O Mineirazo e Dilma
A fantasia da Copa do Mundo, que fez o país sair de sua realidade para criar uma bolha de felicidade e segurança nos últimos trinta dias, neutralizou por efêmeros momentos as conseqüências de uma política econômica que produz resultados desastrosos.

Foto: André Dusek/Estadão

Antes da Copa, a presidente recebeu a seleção no Palácio do Planalto, e ficou com a delegação da CBF durante mais de uma hora, tirando fotos e tentando se associar ao possível sucesso do selecionado comandado por Felipão.

Postado por Toinho de Passira
Texto de Merval Pereira
Fonte: Blog do Merval

Assim como Dilma não faz gol, nem defende pênalti, também não escala o time. Por isso, nada tem a ver com o vexame protagonizado pela seleção brasileira na tarde de ontem do Mineirão. Mais uma vez, porém, foi xingada por parte da torcida presente ao estádio, em igualdades de condições com Felipão e Fred.

Nada mais equivocado do que essa repetição de comportamento, mas mais uma vez a equipe de marketing que assessora a candidata à reeleição errou na dose ao imaginar que a campanha da seleção poderia reverter em seu benefício, que não tem nada a ver com o sucesso do campeonato.

Até mesmo a derrota desmoralizante é mais um ingrediente para tornar essa a Copa das Copas, por razões alheias à atuação do governo. Dentro dos estádios, a Copa pode ser considerada a melhor de todos os tempos e provavelmente a goleada de 7 a 1 sofrida pelo Brasil vai consolidar o recorde de gols marcados nesta edição.

Ficou claro, à medida que a seleção brasileira chegava aos trancos e barrancos à semifinal, que o Palácio do Planalto arvorou-se a responsável pelo sucesso da Copa e tudo estava sendo preparado para que a presidente Dilma revertesse a situação da abertura, quando mesmo não discursando por temor das vaias, foi xingada em uníssono no Itaquerão.

Com a seleção se classificando para as semifinais, Dilma confirmou que entregaria a taça ao campeão, e classificou as vaias como “ossos do ofício”, na afoita esperança de que entregando a Copa do Mundo ao capitão brasileiro Thiago Silva, tudo lhe seria perdoado. Fez de tudo para associar sua imagem à da seleção pretensamente vitoriosa, fazendo até o “é toiis” do Neymar para exibir-se nas redes sociais.

Mais grave, fez uma ligação direta – mais desastrada do que os passes longos da defesa brasileira para o ataque inexistente – entre o sucesso da Copa e as previsões pessimistas para a economia brasileira este ano. Como seus críticos supostamente erraram nas previsões catastróficas sobre a realização da Copa do Mundo, Dilma achou-se no direito de dizer que as previsões catastróficas para o crescimento de nossa economia também não se realizarão.

Se a seleção em campo não justificava um otimismo tão grande assim, mas ia seguindo em frente, na economia nada indica que uma previsão otimista tenha base na realidade. Nos últimos trinta dias vivemos em um país, pelo menos nas doze capitais que sediam a Copa, que um dia poderá ser, mas ainda não é.

Mesmo o desabamento do viaduto em Belo Horizonte, que sinaliza a decadência de nossas obras públicas e o açodamento com que o PAC da mobilidade está sendo tocado, não provocou grandes reações, pois estávamos todos anestesiados pelo encantamento do futebol.

A fantasia da Copa do Mundo, que fez o país sair de sua realidade para criar uma bolha de felicidade e segurança nos últimos trinta dias, neutralizou por efêmeros momentos as conseqüências de uma política econômica que produz resultados desastrosos.

Mas eles estão aí, vigendo enquanto a bola rola nos estádios padrão FIFA e assim como voltariam a ditar a vida dos brasileiros na próxima segunda-feira, na hipótese de uma vitória da seleção brasileira numa final que não acontecerá, retornaram ontem mesmo diante da tragédia do Mineirazo.

A inflação superando o limite máximo aceitável é uma demonstração de que os efeitos perversos da política econômica são inexoráveis mesmo no país do futebol.

Já tivemos a tragédia do Maracanazo, quando perdemos a final da Copa de 1950 para o Uruguai em pleno Maracanã. Tivemos a tragédia do Sarriá, quando a notável seleção de 1982 perdeu para a Itália por 3 a 2 quando dependíamos apenas de um empate. Mas nunca uma seleção perdeu de 7 em uma semifinal, onde os jogos são equilibrados geralmente, nem nunca uma seleção brasileira perdeu de 7.

Nada disso teria a ver com a presidente Dilma se ela não tivesse tentado afoitamente se aproveitar da Copa em benefício de sua candidatura. Tendo feito isso de caso pensado, a tragédia de ontem volta-se também contra ela.
*Acrescentamos subtítulo, foto e legenda à publicação original

7 de jul de 2014

Felipão escalará Bruna Marquezine no lugar de Neymar

BRASIL – Copa 2014 - Com humor
Felipão escalará Bruna Marquezine no lugar de Neymar
A atriz global está batendo um bolão, segundo todos os amantes do bom futebol


Na verdade, Marquezine foi, além de Neymar, uma das mais prejudicada com a falta de cometida pelo colombiano Zúñiga: ficará sem "assistência" de Neymar, por seis semanas, tempo em que vai durar o tratamento.

Postado por Toinho de Passira
Fonte: Globo Esporte

Luiz Gustavo e Daniel Alves começaram entre os titulares no treinamento na Granja Comary, na manhã desta segunda-feira. Em seguida, porém, Felipão fez diversas mudanças e deixou um mistério no ar sobre qual será a formação para o jogo contra a Alemanha.

Na última atividade da Seleção antes de embarcar para Belo Horizonte, palco do confronto das semifinais, nesta terça-feira, a única alteração que pareceu garantida foi a entrada de Dante no lugar de Thiago Silva, suspenso pelo segundo cartão amarelo. Sem Neymar, fora da Copa do Mundo devido a uma lesão na terceira vértebra lombar, o suspense sobre quem assume a vaga aberta entre os 11 continua.

Poucas vezes uma distribuição de coletes gerou tanta expectativa. Câmeras apontadas para Felipão, que pouco depois de escolher os prováveis 11 titulares, foi com eles para um dos campos da Granja, sem time adversário. O primeiro time montado foi formado por Julio César, Daniel Alves, David Luiz, Dante e Marcelo; Luiz Gustavo, Fernandinho, Paulinho e Oscar; Hulk e Fred.

O técnico conversou com os jogadores e fez um trabalho em que buscou acertar o posicionamento da equipe. Depois de 10 minutos de treino tático, fez a primeira mudança no time. Tirou Paulinho e colocou Willian em seu lugar. Com quase 30 minutos de trabalho, o treinador escalou Bernard e Maicon para as posições de Oscar e Daniel Alves, respectivamente.

As mudanças não pararam por aí. Felipão tirou Willian e trouxe de volta Oscar, além de colocar Hernanes no lugar de Fernandinho. Com cerca de 40 minutos de treino, uma mudança no ataque: Jô na posição de Fred. No fim do treinamento tático, o técnico ficou alguns minutos conversando reservadamente com Luiz Gustavo. Rachão e cobranças de pênaltis finalizaram a manhã de trabalho na Granja.

A dúvida é se o treinador vai desvendar o mistério sobre a formação do time no encontro que terá com os jornalistas ou deixará o suspense até a divulgação da escalação oficial, no estádio.

O Brasil enfrenta a Alemanha, valendo vaga na grande decisão da competição pelas semifinais da Copa do Mundo, nesta terça-feira, às 17h, no Mineirão, em Belo Horizonte.

Foto:Divulgação

Marquezine seria a carta secreta na manga, que dispõe o treinador brasileiro.


Nas redes sociais, há denuncias de indícios de que foi Laerte, o flautista, quem pagou o colombiano, Zúñiga, para tirar Neymar de combate.

Gastança eleitoral, de Merval Pereira – para O Globo

BRASIL – Opinião - Eleição 2014
Gastança eleitoral
Em 2012, os gastos eleitorais ultrapassaram R$ 3,5 bilhões. Somente o horário eleitoral gratuito custou R$ 606 milhões ao contribuinte brasileiro. Nos últimos dez anos o Estado brasileiro desembolsou mais de R$ 4 bilhões em compensações pelo uso do horário eleitoral. Estudos indicam que os gastos das campanhas eleitorais saíram de cerca de R$ 800 milhões em 2002 para quase R$ 5 bilhões em 2012, e pelo visto caminham para bater recorde este ano.

Foto: Ricardo Stuckert/ Instituto Lula

Suntuosas convenções por conta do contribuinte

Postado por Toinho de Passira
Texto de Merval Pereira
Fonte: Blog do Merval

A divulgação do montante que os candidatos à presidência da República e aos governos estaduais estimam gastar traz de volta a discussão do financiamento das campanhas eleitorais que começou oficialmente. Aumentando a sensação desagradável, os gastos somam-se à verdadeira balburdia das siglas partidárias, a revelar que já não existem mais partidos nem programas a serem seguidos, mas apenas interesses de grupos ou individuais que transformaram as eleições em disputas mais econômicas que programáticas.

São gastos estratosféricos, que na corrida presidencial tiveram um aumento de nada menos que 50% em relação à campanha anterior, quatro anos atrás. Os 11 candidatos estimam gastos com a campanha eleitoral de cerca de R$ 1 bilhão.

Só no Rio de Janeiro, a previsão de gastos com a campanha para governador é o triplo de 2010, podendo consumir R$ 180 milhões, e os mesmo deve acontecer nos demais Estados da Federação.

Esta deve ser a última campanha eleitoral nos termos previstos na legislação atual para o financiamento eleitoral, pois o Supremo Tribunal Federal (STF) já tem maioria para aprovar a proibição de financiamento por empresas privadas, o que deve levar o próximo Congresso a aprovar uma nova lei.

O Supremo tende a proibir qualquer decisão que importe em quebra da isonomia entre os concorrentes, e também em relação aos direitos dos cidadãos. O ministro Luiz Fux, relator da ação de inconstitucionalidade que está em julgamento, também declarou inconstitucionais os trechos da lei que limitam as doações a 10% do rendimento bruto de pessoas físicas e que permitem que os candidatos usem recursos próprios.

A ênfase no financiamento por meio de pessoas físicas, se prevalecer na legislação que o próximo Congresso aprovará, terá de ser acompanhada da permissão de contribuições pela internet para as campanhas eleitorais, coisa que ainda não existe, por incrível que pareça. E de um barateamento da campanha, com limitações ou a adoção do sistema distrital.

Já é histórico o exemplo dos eleitores americanos. Milhões de pessoas físicas fizeram doações pela internet para a campanha do candidato democrata Barack Obama em 2008; desses, cerca de 30% contribuíram com pequenas quantias de até US$20.

O financiamento público de campanha, que é o objetivo do PT, mas tem a objeção da maioria dos partidos por só se adequar ao sistema de lista fechada, já existe no Brasil, embora pouca gente se aperceba disso. Alguns números sobre o financiamento público que já existe: em 2012, os gastos eleitorais apurados pelo TSE ultrapassaram R$ 3,5 bilhões. Somente o horário eleitoral gratuito custou R$ 606 milhões ao contribuinte brasileiro.

Segundo o site Contas Abertas, já citado aqui na coluna anteriormente, nos últimos dez anos o Estado brasileiro desembolsou mais de R$ 4 bilhões em compensações pelo uso do horário eleitoral.

Já o Fundo Partidário distribuiu aos partidos com representação no Congresso cerca de R$ 286 milhões. Estudos indicam que os gastos das campanhas eleitorais saíram de cerca de R$ 800 milhões em 2002 para quase R$ 5 bilhões em 2012, e pelo visto caminham para bater recorde este ano.

O problema é que os setores que concentram as doações são exatamente aqueles que precisam manter estreitas relações com o poder público, como as empreiteiras. Pesquisa realizada pelo Kellogg Institute for International Studies demonstra que as empresas doadoras em campanhas eleitorais recebem, nos 33 primeiros meses após a eleição, o equivalente a 850% do valor doado em contratos com o poder público.

Especialistas também compararam as doações a um sistema de crédito para as empresas, que vão buscar a compensação mais tarde nos cofres públicos. Lucieni Pereira, Auditora do TCU e Presidente da Associação Nacional dos Auditores de Controle Externo dos Tribunais de Contas do Brasil (ANTC) chamou a atenção para o que ocorre com a concessão de benefícios fiscais para atração de empresas, que seriam ao mesmo tempo, segundo especialistas denunciaram na audiência pública sobre o assunto do STF, mecanismo para atrair doações de campanha para os candidatos a governos estaduais.

O financiamento das campanhas eleitorais, como se vê, é um ponto fundamental de uma necessária reforma político-eleitoral que será um dos temas principais do Congresso a ser eleito este ano, pelas regras atuais.
*Acrescentamos subtítulo, foto e legenda à publicação original

CHARGE: Aroeira – O Dia (RJ)



Aroeira - – O Dia (RJ)



6 de jul de 2014

A Copa não é dela - Mary Zaidan – Blog do Noblat

BRASIL – Opinião
A Copa não é dela
Nada – nem o desejado hexa – será capaz de esconder a orgia de gastos que por antecipação assegurou ao Brasil o título da Copa mais cara já realizada. Só as 12 arenas custaram R$ 8 bilhões, 285% acima dos R$ 2,8 bilhões fixados em 2007. Mais do que o dobro dos R$ 3,2 bilhões da África do Sul e dos R$ 3,6 bilhões da Alemanha.

Foto: Thomas Hodel/Reuters

Postado por Toinho de Passira
Texto de Mary Zaidan*
Fonte: Blog do Noblat

Animação geral, bandeiras, emoção. Dentro de campo e nas ruas, tudo é festa só. Até a alegria coletiva a campanha de Dilma Rousseff tenta transformar em feito de seu governo.

“Derrotamos os pessimistas que diziam não haver possibilidade, a menor que fosse, de dar certo a Copa do Mundo aqui. Deu certo e mostrou um País alegre, que sabe receber os turistas”, disse a presidente na sexta-feira, em Porto Alegre, pouco antes da vitória da seleção sobre a Colômbia.

Embalada pela pesquisa Datafolha que lhe conferiu 4 pontos a mais depois do início da Copa, Dilma ocupa todos os espaços para associar sua imagem ao evento. Insufla o ufanismo e pesa na crítica aos adversários, os pessimistas, que acusa torcerem pelo “quanto pior, melhor”.

Vangloria-se dos aeroportos que funcionam (vários deles entre tapumes), dos estádios que ficaram prontos (alguns com gambiarras), como se isso não fosse exigência mínima para a realização de um evento para o qual o País teve sete anos para se preparar. Fala como se seus opositores estivessem torcendo contra o Brasil – a seleção e o País.

Esquece-se, por esperteza ou má fé, que as reais campanhas contra a Copa vinham de movimentos sociais adulados pelo governo. Alguns deles de estimação, como o MTST, com o qual a presidente negociou a inclusão no programa Minha Casa Minha Vida, depois de visitar a invasão batizada de Copa do Povo, próxima ao Itaquerão.

E trata como birra de quem teria “complexo de vira-lata” qualquer crítica ao Mundial.

Mas nada – nem o desejado hexa – será capaz de esconder a orgia de gastos que por antecipação assegurou ao Brasil o título da Copa mais cara já realizada. Só as 12 arenas custaram R$ 8 bilhões, 285% acima dos R$ 2,8 bilhões fixados em 2007. Mais do que o dobro dos R$ 3,2 bilhões da África do Sul e dos R$ 3,6 bilhões da Alemanha. Sem computar o legado muito aquém do prometido: das 100 obras previstas, mais da metade não estão prontas e 20% ficaram para as calendas.

Futebol é futebol, eleição é eleição. Misturá-los, como faz a campanha de Dilma, é aposta de risco.

Não existe jogo fácil; não existe mais bobo no futebol. É o que se diz, com provas. Basta ver as zebras como as quedas prematuras de Portugal, Espanha e Inglaterra, e as dificuldades de seleções fortes como a Alemanha, Argentina e Brasil. Tudo pode acontecer, até a injustiça de deixar de fora da Copa o craque Neymar, vitimado pela violência, pelo anti-jogo.

Agora, a força total é para que a seleção brasileira despache a Alemanha e parta para o hexa, colorindo o Maracanã de verde-amarelo no próximo domingo. Três dias depois, rompe-se a união e o futebol retorna ao digladio das torcidas no Brasileirão.

Nada que se conecte com as urnas.

Não existe eleição fácil. Nem o povo é bobo. Dilma finge não saber.
*Mary Zaidan é jornalista
Acrescentamos subtítulo, foto e legenda à publicação original

A Seleção vai para cima da Alemanha - Juca Kfouri

BRASIL - Copa 2014
A Seleção vai para cima da Alemanha
Juca Kfouri acredita que Felipão, mesmo com a ausência de Neymar, ou até pela ausência de Neymar, vai montar um time ainda mais ofensivo.


Detalhe da primeira página do Diário Catarinense desse domingo

Postado por Toinho de Passira
Texto de Juca Kfouri
Fonte: Blog do Juca Kfouri

Este blog não se surpreenderá se a Seleção Brasileira entrar em campo contra a Alemanha mais na ofensiva do que, como muitos apostam, na defensiva, por causa da ausência de Neymar e de Thiago Silva.

Se o que se espera de Felipão é um time mais cuidadoso, com três volantes, para jogar por uma bola ou mesmo pela decisão na marca do pênalti, a surpresa, inclusive para os alemães, será a entrada de um atacante.

Não exatamente no papel de Neymar, que deve ser reservado a Oscar, mas aberto pela direita com Willian, deixando Hulk com sua força partindo para cima de Lahm, um craque que costuma se irritar quando muito fustigado.

Tanto Willian como Bernard podem ocupar o mesmo espaço e o dilema de Felipão é este: ir para cima e mostrar que não tem medo ou escalar Ramires e jogar com cautela?

Pelo espírito de quem fala que catástrofe é oportunidade, este blog acredita que o time partirá para cima.

Júlio César, Maicon, Dante, David Luiz e Marcelo; Luiz Gustavo, Fernandinho e Oscar; Willian, Fred e Hulk eis o time em que o blog aposta.
*Acrescentamos subtítulo, ilustração e legenda à publicação original

4 de jul de 2014

Empreiteira responsável por viaduto que desabou em Minas executa obras no Metrô do Rio e em Confins

BRASIL - Tragédia
Empreiteira responsável por viaduto que desabou em Minas executa obras no Metrô do Rio e em Confins
A seleção da Argentina passou pela Avenida Pedro I, e por baixo do viaduto que desabou, no dia 21 de junho para chegar ao Mineirão no dia que jogou contra o Irã. As outras seleções que jogaram em Belo Horizonte usaram outras vias para chegarem até o estádio.

Foto: Victor R. Caivano/AP

Durante a madrugada desta sexta-feira (4) foi resgatado o corpo da segunda vítima do desabamento do viaduto, em Belo Horizonte, Charlys Frederico M. do Nascimento, 25 anos, estava nas ferragens de um carro esmagado pela estrutura. Mais dois caminhões – sem ocupantes – e um micro-ônibus foram atingidos. A outra vítima era a motorista do coletivo, Hanna Cristina Santos, também de 25 anos. Outras 22 pessoas ficaram feridas no acidente.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: O Globo, G1

A obra do viaduto que desabou na tarde desta quinta-feira em Belo Horizonte estava à cargo da Construtora Cowan, criada em 1958, no município mineiro de Montes Claros, no Norte de Minas.

A empreiteira executa atualmente obras do Metrô do Rio de Janeiro e de ampliação das pistas de pouso e decolagem do Aeroporto de Confins. Em seu site oficial, ela informa que já realizou grandes obras, entre rodovias, ferrovias, barragens, aeroportos e usinas hidrelétricas.

Entre as obras mais recentes, destacam-se a do BRT/Move da Avenida Pedro I e Antônio Carlos, na capital mineira, além da Linha Verde (que liga o centro de Belo Horizonte ao Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins), duplicações da BR-040 (licitada pelo Dnit antes do leilão), além do Gasoduto do Vale do Aço.

No fim da tarde desta quinta-feira, a Cowan, em nota oficial, lamentou o acidente e afirmou que, no momento, a prioridade é o apoio às vitimas e aos familiares. A empresa declarou ainda ter enviado uma equipe técnica ao local para iniciar as investigações. Em seguida, a empresa retirou seu site do ar, só retornando três horas depois, mas sem acesso a informações disponibilizadas anteriormente, como a estrutura da empresa e o histórico de obras.

O presidente da empresa é Saulo Wanderley e seu filho, Saulo Wanderley Filho, diretor-executivo; e o responsável pela construtora Cowan, um dos três segmentos da empresas, é Paulo Toller.

Em abril de 2012, uma denúncia publicada no GLOBO revelou que o Consórcio formado pela Cowan com a Delta Construções ganhou uma obra de R$ 170 milhões em Belo Horizonte antes mesmo de ser criado. Documentos mostravam que a gestão do prefeito Marcio Lacerda (PSB), de Belo Horizonte, assinou contratos para a ampliação das avenidas Antônio Carlos e Pedro I — onde o viaduto caiu — para a implantação do sistema BRT, três meses antes de o Consórcio Integração ser constituído e ter um CNPJ.

Nos documentos, há o CNPJ do contratante, a prefeitura, mas não há o número do favorecido. Isso porque o consórcio só foi incluído no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica três meses depois, em 12 de abril de 2011.

COMEMORAÇÃO NAS REDES SOCIAIS

Responsável pelas obras, a Cowan chegou a postar uma foto em clima de festa, no dia 17 de setembro do ano passado, comemorando o andamento da obra e dizendo ter “orgulho” de estar realizando aquela construção “histórica”. A postagem foi encontrada hoje por usuários que visitavam a página da empreiteira, logo após a tragédia, cobrando explicações. Um usuário chegou a escrever “A casa cairá pra vocês assim como o viaduto que construíram!”. O post foi deletado posteriormente.

ESCÂNDALO EM CONCESSÃO NO RIO

A empresa mineira envolveu-se num escândalo há dois anos com dois secretários do Rio. Em 2012, a concessão por 30 anos do serviço de coleta e tratamento de esgoto da prefeitura na Zona Oeste foi entregue ao Consórcio Foz/Saab, composto pela construtora Cowan e outras incorporadoras. O consórcio foi declarado vencedor da licitação, elaborada pela prefeitura, em janeiro de 2012; e para isso, pagou uma outorga de R$ 84,2 milhões. A concorrência abrangia 21 bairros da região, e o valor que cada morador pagasse pela conta seria em parte repassado ao consórcio responsável.

O acordo foi firmado quase um ano depois da empreiteira patrocinar uma viagem de lazer ao Caribe para então dois secretários do Rio: Sérgio Dias, do Urbanismo; e Wilson Carlos, Secretário do Governo. Os dois secretários e seus familiares teriam viajado no jato da construtora durante cinco dias, a convite de Saulo Wanderley Filho, dono da Cowan, e ficaram numa casa alugada na Ilha de Saint Barths. Na ocasião, a assessoria do governador Sérgio Cabral informou que a Cowan não tinha contrato com o estado desde 2007. Como participante de um consórcio, a construtora tinha vencido a licitação da Linha 4 do metrô, mas em 1998, em outro governo. Já a assessoria de Eduardo Paes disse que o secretário Sérgio Dias era amigo do casal e não tinha ingerência sobre a Cowan.

Os mesmos dois secretários estavam no grupo do governador Sérgio Cabral fotografado em Paris, em setembro de 2009, numa comemoração com o empresário Fernando Cavendish, ex-presidente da Construtora Delta. A empresa, na época, tinha vários contratos com o estado e com a prefeitura, além do governo federal.

No dia em que a reportagem foi publicada, 14 de novembro de 2012, o Ministério Público estadual abriu um procedimento para investigar possível ato de improbidade administrativa no caso.

Na época, a alegação do governo do Rio não ter informado sobre os negócios com a Cowam foi de não ter qualquer participação na licitação para o saneamento da Zona Oeste, realizado pela prefeitura.

Em seu blog, a colunista do Globo Flávia Oliveira cita que a Cowan também participa do Consórcio Rio Barra, responsáveis pelas obras da Linha 4 do metrô do Rio. As outras incorporadoras são Odebrecht, Servix, Carioca Engenharia e Queiroz Galvão.

Bola na trave – Fernando Gabeira – O Estado de São Paulo

BRASIL - Opinião
Bola na trave
Atacante do “pior time do mundo”, o Íbis Sport Club, Mauro Shampoo disse-me numa entrevista: “O único título que ganhei na minha carreira é o de eleitor. O que fazer com ele?”

Charge: Aroeira - Brasil Econômico (RJ)

Postado por Toinho de Passira
Texto de Fernando Gabeira
Fonte:  Artigo publicado no jornal O Estado de São Paulo

A Copa do Mundo vai bem, dentro e fora dos estádios. Algumas previsões pessimistas, as minhas incluídas, baseadas em algumas evidências, não se confirmaram. Nesse sentido, Dilma tem razão em afirmar que a Copa, ao menos até agora, desmentiu os pessimistas. Mas enquanto o clima no País é de grande unidade, teoricamente favorável a falar dos anseios nacionais, Dilma aposta na fragmentação. Os dirigentes do PT iniciaram o discurso e ela o prolonga com verbos que me deixam perplexo.

Outro dia declarou que ninguém iria vergá-la. Na estrada nem sempre posso acompanhar tudo. Sinceramente, não conheço ninguém que queira vergar a presidente da República. Repassei os principais acontecimentos e não vi na oposição nada parecido com a ideia de vergar Dilma. Um verbo desse tipo é mais adequado, talvez, para relações hierárquicas ou na indústria de construção. Numa atmosfera democrática ninguém verga ninguém.

Um dirigente do PT lançou uma nota acusando nove jornalistas de disseminarem o ódio. Os textos desses jornalistas são públicos e o que há em comum entre eles é uma visão crítica do governo. A organização Repórteres sem Fronteiras protestou contra essa nota do dirigente do PT. E a reação dos parlamentares petistas foi afirmar que a Repórteres sem Fronteiras não deveria intrometer-se em assuntos internos do Brasil. Na verdade, eles estão propondo uma revolução que transformará a entidade em Repórteres com Fronteiras.

Os cubanos também pensam assim. Na leva de 70 intelectuais presos em 2004 havia muitos repórteres que cruzavam a ilha de bicicleta em busca de notícias. Acompanhei a trajetória de Raúl Rivero, poeta e escritor que dirigia a Cuba Press. Foi acusado daquelas coisas de sempre: ligações com o imperialismo, etc. Tive a oportunidade de escrever uma pequena introdução à edição em português do seu livro Provas de Contato. Rivero é um homem que ama Cuba e seu povo, no entanto, teve de se exilar na Espanha.

Não se trata de comparar a situação brasileira com a cubana. Mas de ter a noção de que esse desejo de controle da informação é típico de governos autoritários. Quem o conhece minimamente, como a Repórteres sem Fronteiras, se assusta e protesta ao ver a semente ser plantada.

Como explicar a reação do PT diante de um quadro que poderia favorecê-lo, uma vez que grande parte dos problemas previstos não ocorreu, ou bateu na trave? Isso não significa que não tenha havido problemas. Mas pesquisas com estrangeiros revelam um nível de satisfação e de críticas muito parecido com o dos turistas que nos visitam em épocas mais calmas.

Essa perda de contato com o momento da sociedade e a fixação numa áspera rivalidade política mostram também uma falta de horizonte que lembra o slogan dos punks em Berlim: “No future”. Claro que os petistas não concordam com essa análise. O horizonte, para muitos deles, é aprofundar o controle e levar adiante os grandes destroços do socialismo, uma espécie de Titanic que no século 20 nos deixou, os sobreviventes, agarrados a precárias balsas no oceano da História.

Controlar o Parlamento não basta. Ter maioria no STF, também não basta. O discurso do ódio visa a transformar a campanha eleitoral em pancadaria e manter a imprensa sob a permanente ameaça de controle.

Mas o discurso do ódio vai bater na trave.

No momento em que escrevo o Brasil avançou para as quartas de final na Copa. O País mostrou-se hospitaleiro e despendeu enorme energia estimulando a seleção de futebol. Um vínculo nos uniu de ponta a ponta.

A tragédia é que a política se mostra incapaz de mobilizar parte dessa energia, achar novos vínculos nacionais em torno de grandes temas, como o combate à pobreza e à corrupção, a racionalização da imensa máquina que trava o País. Enfim, algumas Copas em que estamos lutando ainda pela classificação. Com otimismo de torcedor, ainda espero que este Mundial tenha reflexos na política e se aproveite o momento especial para discutir o futuro do Brasil. Por enquanto, com essa de vergar ou não vergar estacionamos na construção civil.

Sei que não é conveniente lembrar isto em período de festa, mas as contas do governo federal em maio foram as piores da História. Coligações e convenções desenrolaram-se no período e passaram quase em branco. Sorte delas. Não foi um bom espetáculo, sobretudo o das coligações. Pornopolítica, bacanal, foram chamadas de tudo e, apesar do apelo erótico, ninguém se interessou por elas.

Atacante do “pior time do mundo”, o Íbis Sport Club, Mauro Shampoo disse-me numa entrevista: “O único título que ganhei na minha carreira é o de eleitor. O que fazer com ele?” Muita gente faz a mesma pergunta nas ruas. Não na expectativa de ouvir a sugestão de uma outra candidatura, mas apenas como pretexto para se lamentar, como se a esfera da política fosse algo fora de controle, marchando para um não acontecimento, sintetizado no “tudo dá no mesmo”.

A sociedade quer mudanças, seria importante definir as principais e transformá-las num grande debate nacional.

Ainda faltam alguns jogos para o fim da Copa. Mas quando soar o apito final começa a contar o tempo para encarar este momento que a sociedade brasileira vive, empolgada com sua seleção, mas sem encontrar no universo da política outros motivos de orgulho de ser brasileiro. E com muito amor, porque o ódio não se encaixa na canção.

A Copa do Mundo trouxe tantas surpresas dentro de campo que o sentido do inesperado prevaleceu em muitas partidas, mostrando que no gramado tudo pode acontecer. Essa imprevisibilidade do futebol transplantada para nossa vida nacional é o que ainda alimenta a esperança de este país mudar.
Nota do autor: Este artigo foi escrito antes da queda do viaduto na zona norte de Belo Horizonte, cidade por onde passei no dia da queda, mas tarde para incluí-la. Isso constará do balanço da segunda fase da Copa.
*Acrescentamos subtítulo, foto e legenda à publicação original