31 de mai de 2014

Repercute o topless protesto da filha de Bruce Willis

USA - Protesto
Repercute o topless protesto da filha de Bruce Willis
Reparando bem, foram dois belos protestos em exibição simultâneas, pelas ruas de Nova Iorque

Foto: Twitter

Como nenhum paparrazzo registrou a caminhada, ela mesma se deixou fotografar e publicou as imagens

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Reuters, Estadão, CNN, Uol, Daily Mail

Scout Willis, filha dos atores Bruce Willis e Demi Moore, disse nesta quinta-feira que quer mobilizar as mulheres com seu protesto topless nas mídias sociais contra a política antinudez do site de compartilhamento de fotos Instagram.

Scout, de 22 anos, desencadeou um debate sobre padrões da Internet depois de publicar fotos de si mesma com os seios expostos em Nova York em sua conta no Twitter na terça-feira, angariando o apoio de pessoas como a cantora pop Rihanna.

Ela disse ter se inspirado a confrontar a política do Instagram depois que as fotos de topless que Rihanna publicou de si mesma no Instagram foram retiradas da rede no mês passado.

“Trata-se de ajudar as mulheres a se sentir com poder de fazer escolhas pessoais a respeito dos seus corpos não ditadas pelo que a sociedade diz ser decente", escreveu Scout no Twitter, que permite fotos de nudez.

Scout, que publicou a foto topless com a hashtag #FreeTheNipple (liberte o mamilo), disse que sua conta do Instagram foi suspensa depois que ela publicou fotos de nus “artísticos” e “de bom gosto”.

O Instagram informou em um comunicado que suas políticas são concebidas para estabelecer um equilíbrio entre expressão artística e fazer do serviço “um lugar divertido e seguro”.

“Nossas diretrizes impõem limitações à nudez e a conteúdo adulto”, afirmou o Instagram. “Quando um conteúdo é denunciado, nós analisamos e removemos se violar nossas políticas”.

Foto: Filha de Bruce Willis e Demi Moore faz topless protestando contra proibição de fotos nuas em redes sociais

Como diriam os portugueses: uma bela rapariga com as tetas ao léu

Scout disse que a política do Instagram é contraditória, já que permite fotos de quase nudez de mulheres que ela acredita serem degradantes, mas proíbe qualquer foto que mostre o mamilo de uma mulher, até mesmo de uma mulher amamentando uma criança.

Nos do "thepassiranews" apoia sem restrições, com as duas mãos, esse importante protesto.

O problema ético do carro inteligente do Google

EUA - Tecnologia Futurista
O problema ético do carro inteligente do Google
O software que controla o veículo poderá escolher se preserva a vida do dono do carro ou dos demais envolvidos no acidente iminente? Quem será o responsável pela decisão?

Foto: Divulgação

Veículo tem apenas um botão e será guiado por meio de um smartphone

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Veja, The AtlanticGoogle Self-Driving Car Project

Se nos próximos anos o Google colocar nas ruas seu carro inteligente, os motoristas deixarão, pela primeira vez, de ter controle sobre o funcionamento dos veículos. Sem volante, pedais ou câmbio, o modelo em fase de testes é totalmente controlado por um sistema de software. Em um mundo em que carros tomam decisões a partir de dados coletados por inúmeros sensores, muitos acidentes provocados por falha humana poderão ser evitados. Contudo, a tecnologia certamente apresentará outras questões.

Imagine que ocorra uma situação em que uma colisão é inevitável — afinal, apesar de toda a inteligência contida no veículo inteligente, há na rua outros carros, pedestres etc. À frente do carro sem motorista, surge inesperadamente um caminhão na contramão em alta velocidade. Desviar também não parece uma boa opção: à esquerda há uma moto em direção contrária e, à direita, um grupo de crianças. Em todos os casos, não há tempo suficiente para frear. Se estivesse ao volante, o motorista provavelmente tomaria o caminho que provocasse o menor dano. E o carro inteligente, o que vai fazer?

O Google ainda não esclareceu de que maneira o carro sem motorista lidará com situações como essa. É provável que a decisão envolva um cálculo que leva em conta o risco envolvido em cada situação. Eis o primeiro dilema: o software poderá escolher se preserva a vida do dono do carro ou das demais pessoas envolvidas no acidente iminente? Há ainda, é claro, outras questões: o responsável por eventual acidente é o proprietário do carro ou seu fabricante?

Muita gente já começou a pensar nisso. Patrick Lin, diretor do grupo de pesquisa sobre ética e ciências emergentes da Escola Politécnica da Universidade Estadual da Califórnia, afirma que esse é apenas um dos dilemas com os quais a sociedade terá de lidar diante a aparição dos carros sem motorista. Ele acrescenta ainda que teremos de resolvê-los antes que esses veículos cheguem ao mercado. "Acreditamos que motoristas podem avaliar uma ampla variedade de situações dinâmicas (...) de forma ética e sábia. Carros autônomos são uma nova tecnologia e tão cedo não teremos registros sobre como eles respondem àquelas situações", escreveu Lin em artigo publicado em outubro de 2013 na revista americana The Atlantic.

Ainda não há leis para determinar como os carros autônomos deverão ser programados para atuar em incidentes de trânsito. Segundo Lin, conflitos éticos não deverão parar o avanço tecnológico nos veículos autônomos, mas devem servir como alerta para que regulações efetivas sejam criadas para orientar a correta programação dos veículos que chegarão às ruas nos próximos anos. "Devemos analisar com cuidado todas as opções antes de tomar uma decisão", escreveu Lin em artigo publicado pela revista Wired.

CHARGE: SERGIO PAULO - Jornal de Roraima (RR)



Sergio Paulo- Jornal de Roriama (RPR)



Joaquim Barbosa: um juiz para a História

BRASIL - Opinião
Joaquim Barbosa: um juiz para a História
Barbosa entra para a História, não obstante sua curta permanência no STF. Outros ali ficarão por mais de duas décadas e deles ficará a memória de terem sido antagonistas num julgamento de peso simbólico incomparável.

Foto: STF

O mérito de Barbosa foi a de ter sabido com engenho, coragem e coerência, convencer a maioria de seus pares, homens de grande cultura jurídica, da culpa dolosa dos mensaleiros

Postado por Toinho de Passira
Texto de Ruy Fabiano
Fontes: Blog do Noblat

Jamais o anúncio de uma aposentadoria no Supremo Tribunal Federal, mesmo de alguém que ocupava sua presidência, foi motivo de tanto espanto e comentários quanto a do ministro Joaquim Barbosa, anunciada esta semana.

Isso dá a dimensão que sua figura pública adquiriu, circunstância rara entre os integrantes da Suprema Corte, em regra conhecidos apenas nos meios acadêmicos e jurídicos.

Contrariou colegas, advogados, políticos, militantes; sobretudo, contrariou os padrões vigentes no meio jurídico nacional, onde a graduação política do réu exerce influência decisiva na condução (e desfecho) de seu julgamento.

Não é casual que o Mensalão tenha sido um divisor de águas na história política e jurídica do país. E o Mensalão definitivamente remete à figura de seu relator, o ministro Joaquim Barbosa.

O fato histórico de ter levado a Suprema Corte, por força de seus argumentos e das provas que soube articular, a condenar personagens da elite política e econômica do país – um país cujas tradições as absolveriam –, confere-lhe méritos bem acima de seus proclamados defeitos, que evidentemente existem.

Fala-se, por exemplo, de seu temperamento mercurial: pois foi graças a ele, com todas as suas impropriedades, que convenceu a opinião pública de que o monstro da impunidade estava sendo ali enfrentado. E a opinião pública correspondeu-lhe plenamente ao esforço e audácia, que lhe custaram não poucos contratempos.

A militância partidária o responsabiliza pela condenação de seus líderes, esquecida de que não votou só. E ainda: de que a votação não se baseou em abstrações. Provas havia em abundância, e o mérito de Barbosa foi a de ter sabido enunciá-las e relacioná-las com engenho, coragem e coerência, convencendo a maioria de seus pares, homens de grande cultura jurídica.

As demonstrações de decepção por parte da alta cúpula do PT – sobretudo do ex-presidente Lula -, que esperava subserviência de Barbosa em troca da nomeação, dizem bem da mentalidade tosca e segregacionista ainda vigente no país.

O partido que postulava vocalizar o povo agiu como um clássico senhor de engenho.

João Paulo Cunha, um dos condenados, disse que Barbosa deveria ser grato por ter sido o primeiro negro nomeado para a Suprema Corte do país. Outros, inclusive Lula, disseram coisas na mesma linha de raciocínio. São colocações perfeitamente racistas, que Barbosa soube refutar com sua conduta.

Se o que motivou sua nomeação foi a cor da pele, e a exploração política dela decorrente – e disso não há dúvidas, pois foi mais que confessado -, ele prestou inestimável serviço à causa da luta antirracista, recusando o papel de subserviência que lhe cabia. Respondeu com a exibição de independência, lastreada em sólida cultura jurídica, à altura dos maiorais da Corte. Fez jus aos requisitos constitucionais, ao contrário de outros que ali estão.

Barbosa entra para a História, não obstante sua curta permanência no STF. Outros ali ficarão por mais de duas décadas e deles ficará a memória de terem sido antagonistas num julgamento de peso simbólico incomparável.

Leva consigo o peso da causa que personificou – a quebra da impunidade, numa Justiça jejuna em condenações políticas -, com todos os excessos que protagonizou, sobretudo as desnecessárias picuinhas na execução das penas.

Como quem cumpre uma missão, da qual nem ele parece ter a exata dimensão histórica, deixa atrás de si um rastro de espanto e perplexidade, palavra-síntese de sua passagem-relâmpago pelo Judiciário brasileiro.
Ruy Fabiano é jornalista.
*Alteramos o título, acrescentamos subtítulo, foto e legenda à publicação original

28 de mai de 2014

Confronto entre índios e cavalaria, em Brasília, em manifestação contra a Copa, repercute no mundo

BRASIL - Copa 2014- Protestos
Confronto entre índios e cavalaria, em Brasília, em manifestação contra a Copa, repercute no mundo
Não poderia ser diferente, a imprensa mundial deitou e rolou com as imagens que registrou o confronto entre a cavalaria da PM do Distrito Federal e cerca de 500 índios de diversas etnias, no eixo monumental em Brasília. Um cavalariano levou uma flechada na perna.

Foto: Daily Mail/Reuters

Postado por Toinho de Passira <
Fontes:  Liberation, Hunffington Post, Euro News, NBC News, Al Jazzira, Daily Mail, El Pais

A polícia dispersou com bombas de gás lacrimogêneo uma manifestação em Brasília, a qual aderiram líderes indígenas para protestar contra os gastos na Copa do Mundo e que acabou com um agente ferido por flechada.

Vestindo trajes tradicionais, incluindo roupas com plumas e pinturas rituais, cerca de 500 chefes indígenas se uniram a outros 500 manifestantes e marcharam em apoio a várias causas sociais no eixo monumental da capital federal, em direção ao estádio Mané Garrincha, onde serão disputados vários jogos da Copa.

Quando a polícia montada se preparava para bloquear a passeata, alguns dos índios se lançaram na direção dos cavalos e um deles disparou uma flecha em sua direção, atingindo um policial na perna.

Alguns índios começaram a atirar pedras contra cerca de 700 policiais que cercavam o estádio. Manifestantes também bloquearam as ruas ao redor do Congresso, do Palácio Presidencial e do Supremo Tribunal Federal.

Mais cedo, líderes indígenas haviam subido no teto do Congresso Nacional em um protesto destinado a defender a proteção de seus direitos.

Foto: Associated Press

O protesto, que reuniu cerca de 100 grupos étnicos de todo o Brasil, contou ainda com o cacique caiapó Raoni, de 84 anos, um ícone, internacionalmente conhecido, como defensor da Amazônia.

"Subir no Congresso foi um ato de coragem, demonstração de que somos guerreiros e defendemos nossos direitos", disse à AFP Tamalui Kuikuru, da região do Xingu, no Mato Grosso.

Os índios, que estavam pintados, usando plumas, arcos e flechas tradicionais, desceram pacificamente do teto do Congresso logo depois, percorreram a Esplanada dos Ministérios e, em seguida, juntaram-se às centenas de manifestantes contrários à Copa e ao movimento dos sem-teto que marchavam na direção do estádio.

Duzentos policiais acompanharam o protesto e o mesmo número resguardava o estádio Mané Garrincha, onde estava o troféu da Copa, em exibição para o público das cidades sede antes do torneio.

"A Copa é para quem? Não é para nós!" - clamava um manifestante com um alto-falante. "Não quero a Copa, quero esse dinheiro para a saúde e a educação".

Fotos: Getty Images/Associated Press


O protesto aconteceu em um contexto de greves em vários setores às vésperas do Mundial, que será disputado entre 12 de junho e 13 de julho.

Em Brasília, os indígenas, que são 0,3% da população de 200 milhões de habitantes do país, iniciaram seu protesto com orações tradicionais, ao ritmo de chocalhos, na Praça dos Três Poderes, cercada pelo Palácio do Planalto - sede da Presidência -, pelo Congresso e pelo Supremo Tribunal Federal.

Alguns mais velhos usavam fumaça para "espantar o mal".

"Antes de fazer a Copa do Mundo, o Brasil deveria pensar melhor na saúde, na educação, na moradia. Vemos manifestações dos povos: não se gastam tantos milhões para um evento que não traz benefícios", disse o indígena Neguinho Truká, da etnia Truká de Pernambuco, com um cocar tradicional de plumas azuis e vermelhas na cabeça.

Os indígenas multiplicaram seus protestos na capital durante o governo da presidente Dilma Rousseff, a quem acusam de deter a demarcação de suas terras ancestrais e de favorecer os grandes agricultores.

Fotos: Associated Press


Diversas fotos nos sites de mídias estrangeiras mostram os indígenas com os arcos voltados para os PMs, assustando os cavalos dos militares.

O site do jornal inglês, Daily Mail dá em manchete: "Gás lacrimogênio contra arcos e flechas". A matéria é acompanhada de fotos e videos do protesto e reporta que a exposição da taça da Copa do Mundo foi fechada devido as manifestações.

O espanhol El País repete a manchete: "Arcos y Flechas contra gases lacrimógenos",. Em um longo artigo, o diário descreve os acontecimentos em Brasília, explicando que diversas tribos indígenas, sem teto e movimentos sociais contra o Mundial acabaram se concentrando em uma passeata única.

"El País" fala das reivindicações dos manifestantes: demarcação de terras indígenas, casas para as pessoas transferidas das áreas em que foram construídos novos estádios, derrogação da lei que dá isenção fiscal à FIFA e seus associados comerciais, desmilitarização da polícia e fim da repressão social aos movimentos sociais. Os índios foram a Brasília para participar da Mobilização Nacional Indígena, que será celebrada até quinta-feira (29) e se juntaram aos manifestantes por considerar que "esta é uma causa de todos os brasileiros", publica o jornal espanhol.

Foto: Associated Press

"El País" também lembra que em São Paulo os professores e funcionários públicos estão em greve há 35 dias, reivindicando um aumento salarial de 15,38%; e que os motoristas e cobradores de ônibus iniciaram na terça-feira uma greve de 24 horas no Rio de Janeiro e Belo Horizonte, além dos médicos da rede municipal, que suspenderam seus serviços por dois dias em todos os centros de saúde, sempre pedindo melhores salários.

Indígenas brasileiros protestam no estadio da Copa do Mundo - Indígenas brasileiros se revoltaram na terça-feira, quando a polícia tentou impedi-los de marchar para o estádio Mane Garrincha durante manifestações contra o World Cup, registra o site da NBC News

Foto: Reuters

O jornal francês Libération anuncia no título: "Gás lacrimogênio contra índios e sem teto em Brasília".

O diário de esquerda lembra que cerca de 500 caciques, entre eles o famoso Raoni, defensor da Amazônia, subiram no telhado do Parlamento da capital federal para exigir políticas justas para seus povos. "Aos 84 anos, a figura lendária da resistência dos povos indígenas do Brasil mostrou sua coragem", publica o jornal.

"Afastar o espírito do Mal" é o objetivo dos índios, escreve Libération, lembrando que a taça da Copa do Mundo chegou na terça-feira no estádio Mané Garrincha de Brasília, uma das etapas da turnê em 27 cidades, das quais doze serão palco de jogos do Mundial.

TVs e sites de vários países também noticiaram os protestos, destacando a imagem forte dos índios com arco e flecha diante de militares armados e montados a cavalo.

Esse tipo de noticiário e mais tantos outros, demonstra que foi um tiro no pé, ou melhor, uma flechada na perna, essa história de trazer a Copa do Mundo para o Brasil.

Foto: Associated Press/ Getty Images



Por fim os índios ganharam a batalha

Deputado do PT que participou de reunião com PCC em que se planejavam ataques a ônibus vai discursar hoje. E com o apoio do partido! Faz sentido!

BRASIL - Escândalo
Deputado do PT que participou de reunião com PCC em que se planejavam ataques a ônibus vai discursar hoje. E com o apoio do partido! Faz sentido!
Luiz Moura (PT-SP),deputado estadual, que deverá ir a tribuna proclamar inocência, tem uma biografia controversa, foi condenado a 12 anos de cadeia por vários assaltos a mão armada. Não cumpriu pena porque fugiu e foragido permaneceu por mais de dez anos. Em 2005, assinou, uma declaração de pobreza, cinco anos depois, na disputa eleitoral de 2010, já declarava bens superiores a R$ 5 milhões!!!???

Foto: Veja

Luiz Moura, do PT, deputado estadual em São Paulo (cima), deve discursar hoje na Assembleia Legislativa. Ele vai tentar explicar o que fazia numa reunião com membros do PCC, o partido do crime.

Postado por Toinho de Passira
Texto de Reinaldo Azevedo
Fonte: Blog do Reinaldo Azevedo

Refresco a memória de vocês. Em março, no auge dos incêndios a ônibus na capital, a Polícia Civil estourou uma reunião que acontecia na sede da Transcooper, uma cooperativa de vans e micro-ônibus, em que se planejavam justamente os ataques. Lá estavam, acreditem!, 13 membros do PCC. E quem mais participava do encontro? Ninguém menos do que Luiz Moura, que é presidente de honra da Transcooper.

Atenção, queridos leitores! Em três anos, essa cooperativa faturou, em contratos com a Prefeitura, R$ 1,8 bilhão. Sim, vocês leram direito: um bilhão e oitocentos milhões de reais! Há muito tempo a polícia investiga a infiltração do PCC no sistema de transportes da cidade. Só para registro: as dezenas de ônibus incendiados pertenciam, invariavelmente, às empresas privadas; nunca às cooperativas.

Luiz Moura é irmão do vereador Senival Moura, também do PT e igualmente ligado a associação de perueiros. Ambos são considerados subordinados políticos do secretário dos Transportes da cidade, o deputado federal petista licenciado Jilmar Tatto — aquele senhor que, durante greve recente de motoristas de ônibus, preferiu criticar a Polícia Militar. Tatto, ora vejam!, no papel ao menos, doou, sozinho, R$ 201 mil para a campanha de Moura, o homem que estava na reunião com o PCC. Entendo. Tatto prefere atacar outra sigla: a PM!

Foto: Veja

Jilmar Tatto, secretário de Fernando Haddad e chefe político de Moura

E o que vai dizer o deputado? Petista não é exatamente criativo em situações assim: vai jurar de pés juntos que não sabia que aqueles com quem se reunia eram membros da facção criminosa. Eles nunca sabem de nada. Os termos do discurso foram combinados numa reunião com a bancada petista nesta terça. O partido criou uma comissão interna para analisar o seu caso. Depois que a reunião veio a público, Tatto, o chefe político de Moura, preferiu silenciar.

Moura tem um biografia controversa. Foi condenado a 12 anos de cadeia por vários assaltos a mão armada. Não cumpriu pena porque fugiu e foragido permaneceu por mais de dez anos. Ao sair dessa forma particular de clandestinidade, solicitou e obteve o perdão judicial. Em 2005, assinou, imaginem, uma declaração de pobreza.


Atestado de pobreza Moura

Cinco anos depois, na disputa eleitoral de 2010, já declarava bens superiores a R$ 5 milhões. Em 2012, disputou a Prefeitura de Ferraz de Vasconcelos. Nesse caso, seus bens eram de pouco mais de R$ 1 milhão. Qual vale? Não sei. Bens Luiz Moura




As duas declarações de bens: a de 2010, acima, e a de 2012, no alto


Prestação de contas na Assembléia: enche o tanque no seu próprio posto de gasolina

Na Assembleia, Moura é dado a praticas heterodoxas. Apresentou, por exemplo, o recibo de compra de combustível a que tem direito. O fornecedor, ora vejam!, é um posto de gasolina de que ele próprio é sócio.

Foto: Veja

Padilha discursa animadaço na festa de aniversário do deputado que participou de reunião com membros do PCC

Não é uma figura pequena no partido, não! Tanto é assim que, na festança de seu aniversário, a etrela foi ninguém menos do que Alexandre Padilha, pré-candidato do PT ao governo de São Paulo. O vereador Jair Tatto, irmão do Jilmar, também estava lá. Compreensível! Não é todo diz que se tem a chance de prestigiar o presidente de honra de uma cooperativa que fatura R$ 1,8 bilhão em três anos em contratos com a Prefeitura. Padilha deve ser saber o que faz e por quê.

O PT, como sempre, está dando a maior força a um de seus pilares morais. Quem pode negar que isso faz sentido?


*Acrescentamos subtítulo à publicação original

27 de mai de 2014

Fernando Collor diz não ter relação com o doleiro preso, que depositou 50 mil na sua conta bancária

BRASIL - Operação Lava-Jato
Fernando Collor diz não ter relação com o doleiro
preso, que depositou 50 mil na sua conta bancária
O senador não explicou, da tribuna do Senado, porque o doleiro Alberto Youssef, preso na Operação Lava-Jata, envolvido no escândalo da Petrobras, fez o deposito na conta dele, e por que ele não estranhou a oferenda. Teria sido pelos seus belos olhos?

Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

Collor, indignação contida para evitar mentir da tribuna

Postado por Toinho de Passira
Fontes: O Globo, Epoca, Agência Brasil, Veja, Senado - Portal de Notícias

O ex-presidente da República e senador Fernando Collor (PTB-AL) negou nesta segunda-feira (26/05) ter qualquer relação com o doleiro Alberto Youssef, preso na operação Lava Jato da Polícia Federal.

O juiz da 13ª Vara Criminal Federal do Paraná, Sérgio Fernando Moro, informou na quinta-feira passada ao ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, que a Polícia Federal encontrou no escritório do doleiro Alberto Youssf oito comprovantes de depósitos bancários em espécie no valor total de R$ 50 mil, em nome do senador Fernando Collor de Mello.

Os comprovantes foram encontrados durante busca e apreensão da Operação Lava-Jato feita em março no escritório do doleiro. O juiz informa ao ministro Zavascki que Collor de Mello não é investigado e apenas comunica a existência dos depósitos em nome do ex-presidente da República.

"Posso afirmar de forma e de modo categórico que não o conheço e jamais mantive com ele qualquer relacionamento de forma pessoal ou político", afirmou.

Durante o pronunciamento de 18 minutos da tribuna do Senado assistido por apenas três senadores, Collor não negou ter recebido os depósitos, mas não esclareceu os motivos para o recebimento do dinheiro em sua conta. O ex-presidente anunciou que vai pedir à Polícia Federal, ao juiz federal Sérgio Moro, do Paraná, e ao ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, acesso aos documentos da operação Lava Jato que mencionam os repasses.

O senador do PTB disse que não conhece o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, que estava preso e foi solto na semana passada por ordem do Supremo. Afirmou conhecer Pedro Paulo Leoni Ramos, que foi ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos durante seu mandato presidencial. "Mantenho com ele e a família relação há mais de 30 anos de amizade e de respeito", declarou.

Uma empresa de PP, como Pedro Paulo é conhecido, havia feito um pagamento de R$ 4,3 milhões para uma consultoria de Paulo Roberto Costa e a suspeita da PF é de que Collor seria um dos beneficiários do esquema de distribuição de propina a políticos a partir do desvio de recursos da Petrobrás.

No pronunciamento, o ex-presidente fez questão de citar a manifestação do juiz Sérgio Moro, que, ao enviar toda a operação Lava Jato para o Supremo semana passada, isentou-o de envolvimento com a operação. "Observo que não há qualquer indício do envolvimento do referido parlamentar nos crimes que já foram objeto das aludidas oito ações penais propostas", destacou.

Collor atacou a revista Veja por ter, segundo ele, feito uma publicação seletiva de informações com o intuito de atingi-lo.

"Desde a primeira reportagem da Veja, ficou clara a tentativa de vincular o meu nome à chamada Operação Lava Jato da Polícia Federal. É isso que eles querem, estão loucos. E mais uma vez eles vão levar uma tunda e vão se arrepender pelo resto da vida", afirmou. "Não convém de forma prematura alimentar uma contenda contra um veículo cujo único objetivo é me acusar, condenar e me denegrir perante a opinião pública", completou.

Collor foi seletivo e cauteloso nas suas declarações, pois se for pego mentindo na tribuna do senado, pode ter o mandato cassado. Sua indignação foi contida, pois, sem acesso ao processo, ainda não sabe o que de verdade existe contra ele nos autos. Sua “inocência e indignação” ao que parece serão diretamente proporcional ao tamanho das provas existentes.

25 de mai de 2014

O Partido Pirata do Brasil chega com a cultura de compartilhar, sem ficar só na "curtida"

BRASIL - Política
O Partido Pirata do Brasil nasce com a cultura e o objetivo de compartilhar, sem ficar só na "curtida"
O novíssimo partido é uma ideia séria que está se tornando uma realidade rastreada na juventude que não se acha representada por nenhuma das legendas existentes. A principal característica da nova instituição, será a obrigação de sempre consultar online que posições seus representantes devem tomar antes de cada decisão política importante. Por isso eles usam como mantra a frase: "Não somos o partido do futuro, somos o futuro dos partidos".

Postado por Toinho de Passira
Texto de Osny Tavaresdo UOL, em Curitiba
Fontes: UOL Notícia, Partido Pirata do Brasil, Assembleia Nacional Pirata>

À primeira vista, parece uma versão reduzida da Campus Party. Algumas dezenas de jovens se espalham por uma sala, olhares fixos nas telas dos computadores. O som predominante é o da digitação constante. No entanto, este é evento político-partidário, com direito a todos os clichês que envolvem o assunto: debates, discursos e plenárias. "Pode não parecer, mas eles estão falando um com o outro", diz um dos organizadores.

É assim que transcorre a primeira Assembleia Nacional do Partido Pirata do Brasil, uma legenda que, apesar de ainda não estar registrada junto à Justiça Eleitoral, planeja concorrer às eleições municipais em 2016 e inserir no debate político brasileiro a sua causa: liberdade para os cidadãos brasileiros baixarem músicas, filmes e softwares gratuitamente em seus dispositivos eletrônicos.

O encontro, que começou na sexta-feira (23) e termina neste domingo (25) em Curitiba, reúne cerca de 90 filiados --um número elevado, levando-se em consideração que o partido tem cerca de 500 componentes registrados. Mas mesmo aqueles que não viajaram à capital paranaense podem se fazer presentes: todos eles poderão assistir aos os painéis e participar dos debates via internet.

"Discutimos todas os pontos principais de adianto pela web e trouxemos para a assembleia as questões em que não obtivemos consenso. Mas toda a nossa articulação acontece pela rede", explica Kristian Pasini, um soteropolitano de 29 anos, gerente de projetos e 2º secretário geral do partido.

Foto: Osny Tavares/UOL

Johann Melchior (à esq.) e Christiane Maciel foram de Manaus a Curitiba para participar da primeira assembleia do Partido Pirata e defender ideias como o compartilhamento e a permacultura

Busca por identidade passa pela "absorção" de várias culturas

Ideologicamente, porém, os piratas ainda estão à deriva. "A gente deixa as pessoas à vontade para enquadrar a gente como quiserem", diz Kristian. Entre os membros, entretanto, a maioria afirma participar de outros movimentos sociais contemporâneos, como Marcha das Vadias, Marcha da Maconha, Movimento Passe Livre, além de manifestantes ativos nas passeatas de junho de 2013. "Acho que vão nos definir como esquerda. O fato é que somos libertários em amplo aspecto".

Assim, diversos tipos de movimento são recepcionados. Christiane Maciel, 25 anos, trouxe para o partido as diretrizes da permacultura, que significa, nas palavras dela, um "planejamento holístico de todas as necessidades humanas de sobrevivência". Criado por ecologistas australianos nos 70, esse movimento defende um tipo de vida inspirado nos aborígenes, com cultivo de terra, coletivização da produção e sustentabilidade.

Ela acredita que os canais piratas sejam os ideais para propagar o conceito. "A Globo jamais daria espaço para um negócio desses", afirma.

Sem presidente, tudo é resolvido no voto online

O conceito de rede distribuída , sem hierarquia rígida, é comum a todos os piratas. O partido não tem um presidente, somente secretários, para evitar que uma pessoa tenha poder executivo, fazendo com que a legenda perca em "horizontalidade".

A própria escolha da cidade-sede da assembleia resultado de uma votação online, numa disputa entre Curitiba e Rio de Janeiro. Escolhida a capital paranaense, eles tiveram que mudar o local reservado para o evento, pois o espaço reservado anteriormente não tinha infra-estrutura para conexão em banda larga.

Em pequena escala, o Partido Pirata tem recepcionado a parcela de juventude que anseia por mudanças mas não encontra representação em nenhum dos partidos tradicionais. Dentro do partido, o desafio está sendo criar coesão para que eles encontrar um conteúdo programático objetivo pelo qual militar.

É o caso do manauara Johann Melchior, um tecnólogo em redes de 27 anos, que relata ter aderido ao Partido Pirata há pouco menos de um ano, depois dos protestos de rua. "Nenhum outro partido estava representando as minhas ideias", diz. "Quando falamos em compartilhar, o objetivo é compartilhar todo tipo de conhecimento, inclusive político."

Apesar disso, ele e o pequeno coletivo (espécie de diretório regional) da capital do Amazonas ainda causam estranheza. "Quando falo em piratas acham que somos malucos. Não associam à política", lamenta o militante, usando o icônico chapéu de duas pontas com uma caveira na testa.

Para a Assembleia, ele levou um drone construído por ele mesmo a partir de uma plataforma de software livre. "Desde 12 anos mexo com computador, aprendi a programar e ver que é possível construir coisas. E destruir, o que é ainda mais legal".

Promessa de votações online para definir posição de "vereadores do futuro"

Em 2013, cerca de um ano após a fundação do partido no Brasil, a agremiação publicou seu estatuto no Diário Oficial da União -- uma exigência da Justiça Eleitoral para a obtenção de um CNPJ provisório. Como a publicação no órgão público é paga, tiveram que editar uma versão resumida do texto, que pudesse rodar com o valor que eles tinham levantado em uma vaquinha online, cerca de R$ 20 mil.

A partir da assembleia, eles esperam ampliar o estatuto e aprofundar o programa político. Também precisam levantar 500 mil assinaturas para que o partido obtenha registro e possa disputar as eleições. O caso da Rede Sustentabilidade, de Marina Silva, que não conseguiu cumprir a meta até a data-final para as eleições deste ano, é citado como o exemplo a ser evitado.

A meta que o Partido Pirata busca atingir em 2016 --isso, claro, se conseguir o seu registro na Justiça Eleitoral--, é a conquista de algumas cadeiras de vereador.

Por enquanto, não pensam em lançar candidatos para cargos executivos. Porém, afirmam, os piratas eleitos estariam condicionados a experiências de democracia direta via internet.

A cada votação que contasse com a presença de um legislador do partido, a população seria convidada a participar de um pleito online para decidir a posição a ser adotada pelo representante da legenda. A frase repetida por muitos piratas justifica essa postura: "Não somos o partido do futuro, somos o futuro dos partidos".


Enquanto afinam a coerência ideológica, os piratas mantém na "causa-mãe" a ideia que os une.

"Causa-mãe" é ideia que une perfis tão diferentes

Embora no Brasil o cerco a quem copia, distrubui e consome conteúdo pirateado não seja tão fechado quanto, por exemplo, nos Estados Unidos, onde o FBI vive à caça dos IPs (endereço do computador) que recebem e enviam arquivos com direitos autorais, o partido quer garantias legais de que ninguém será incomodado enquanto assiste a um episódio da série "Game of Thrones" mesmo sem ser assinante do canal HBO.

"O compartilhamento não-comercial tem que ser livre. A troca de cultura é algo de princípio. Os próprios produtores já perceberam que a pirataria é um bom negócio, pois é o que torna os produtos populares, e assim eles lucram de outras formas", defende Kristian.

Os piratas também lutam por reformas nas leis de direito autoral e propriedade intelectual, pela privacidade na internet e por uso de plataformas abertas (open source) de programação.

Piratas europeus já eleitos inspiram adeptos brasileiros

O Partido Pirata do Brasil é diretamente inspirado em iniciativas semelhantes em países do norte da Europa, como Suécia, Finlândia, Polônia e Alemanha. Fundados a partir da metade da década passada, os piratas, hoje presentes em mais de 60 países, começam a conquistar assentos nas casas legislativas e em administrações locais.

Na Alemanha, obteve 12% dos votos nas eleições legislativas de 2012 e elegeu 43 deputados estaduais. O sueco Peter Sunde, co-criador do site Pirate Bay, o mais popular do gênero no mundo, concorre neste ano a uma vaga no Parlamento Europeu.

Foto:
IMAGEM
LEGENDA


*Acrescentamos subtítulo, foto e legenda à publicação original

23 de mai de 2014

O que preocupa - para valer- na copa! - Cesar Maia

BRASIL - Opinião
O que preocupa - para valer - na copa!
A conclusão unânime é que a paz na copa, ou pelo menos as manifestações sob controle dependem muito mais da seleção brasileira que dos esquemas policiais e militares.

Postado por Toinho de Passira
Texto de Cesar Maia
Fontes: Ex-Blog de Cesar Maia

1. Em reunião de simulação de situações em Brasília, os analistas chegaram à conclusão que a Copa em si não será problema. Em torno dos estádios se colocam cinturões de isolamento com duas circunferências concêntricas.

2. Os assistentes mostrariam seus ingressos em cada uma delas e finalmente no estádio. Mobilizações eventuais ficariam na parte externa à primeira circunferência. Um pouco de barulho, alguma ação de separação por parte da polícia e nada mais grave.

3. E assim se iria até a grande final no Maracanã. Bem, se o Brasil for vencendo as etapas anteriores. Mas se não for…

4. Esse é o ponto. Se o Brasil for desclassificado até a semifinal, os riscos de grandes manifestações serão enormes. Nelas estariam os manifestantes de sempre somados aos torcedores frustrados que convergiriam com os demais no sentido que tudo foi um gasto inútil. Um sentimento muito mais intenso que em 1950.

5. A conclusão unânime é que a paz na copa, ou pelo menos as manifestações sob controle dependem muito mais da seleção brasileira que dos esquemas policiais e militares. Que no caso de uma desclassificação prematura da seleção não haverá força policial ou militar capaz de conter as manifestações.

6. Assim, a responsabilidade da seleção será dupla: vencer as partidas e conter as manifestações. E, portanto, governos federal e estaduais nunca torcerão tanto pela seleção canarinha como agora na Copa-2014.

7. E se isso -a desclassificação- acontecer logo na segunda fase…, salve-se quem puder.
Cesar Maia é um economista, político e ex-prefeito do Rio de Janeiro pelos Democratas.

22 de mai de 2014

Forró e outros pretensos anglicismos: ingleses, nem sempre…

BRASIL - Pesquisa
Forró e outros pretensos anglicismos:
ingleses, nem sempre…
O historiador e pesquisador Leonardo Dantas Silva desmascara alguns falsos "anglicismos" que circulam por aí...

Postado por Toinho de Passira
Texto de Leonardo Dantas Silva
Fonte: Besta Fubana

Costuma-se dizer que só o Brasil se acha incapaz de criar, daí sujeitar-se humilhado à imitação. Nada verdadeiramente nacional, entre nós, tem o valor que está a merecer. Temos sempre que encontrar um similar estrangeiro, uma origem européia, uma criação norte-americana, de modo a satisfazer o nosso eterno complexo de povo subdesenvolvido.

Um sobrenome estrangeiro merece fé, pouco importando a competência e muito menos o caráter do indivíduo. E se o dono do sobrenome tem olhos azuis, tez branca e cabelos louros, vale dezenas de vezes mais do que o nosso mestiço com a sua tradição familiar de 400 anos de Brasil.

E o que dizer da língua que falamos? A nossa língua portuguesa falada por mais de 190 milhões de brasileiros, espalhados por este imenso país-continente de 8,5 milhões de quilômetros quadrados?

A tradição cultural do nosso povo, o poder de criação do brasileiro, a inventiva de nossa gente simples, que não perde a sua ironia e o seu jeito próprio de zombar dos fatos do dia-a-dia, cai por vezes no esquecimento e/ou é atribuído a sua criatividade a povos de outras plagas.

Assim é o vocábulo forró. Essa invenção excepcional do nosso povo, hoje motivo de alegria de todas as classes, já conhecida entre nós como forrobodó, com a sua forma alternada para forrobodança, desde o século XIX. Pois bem, o nosso forró, tão exaltado no cancioneiro do pernambucano Zé Dantas (José de Souza Dantas Filho), tem sua origem atribuída, por alguns menos avisados, a expressão inglesa for all (para todos) quando melhor se aplicaria everybody.

Para isso inventaram uma lenda, uma estória da carochinha, de que tal costume tivera início com os ingleses da The Great Western of Brazil Railway, quando promoviam seus bailes populares. A lenda, proclamada inicialmente por Luiz Gonzaga, inspirado, segundo ele próprio, no que lhe foi ensinado pelo engenheiro Luiz Siqueira, nunca veio a ser comprovada por nenhum dos antigos funcionários da Rede Ferroviária e muito menos por anúncio, cartaz ou qualquer outro documento de época.

Agora o forrobodó, como vernáculo expressando “divertimento, pagodeira, festança”, já o encontramos na pequena imprensa do Recife do século XIX (América Ilustrada, nº. 25/1882; O Mephistopheles, nº. 15/1883; O Alphinete, nº. 13/1890), sendo classificados por Rodrigues de Carvalho (Cancioneiro do Norte. Fortaleza, 1903) como “bailes da canalha”. A Pimenta (nº. 373/1905) assim registra: “forrobodó ou forrobodança é um baile mais aristocrático que o Chorão do Rio de Janeiro, obrigado a sanfona, reco-reco e aguardente…”.

E se ainda não estão convencidos, que recorram ao Novo Dicionário da Língua Portuguesa, Cândido Figueiredo (Lisboa, 1913), Dicionário Musical Brasileiro, do Mário de Andrade, ao Pequeno Dicionário da Língua Portuguesa, do Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, ou ao novíssimo Dicionário Houaiss de Língua Portuguesa; todos eles, sem exceção, consagrando o vocábulo forró como originário de forrobodó !!!. E agora, José?

Outra estorinha envolvendo ingleses também foi criada em torno do vocábulo baitola, também registrado pelo Aurélio e Houaiss, no seu sentido chulo de pederasta passivo, como de origem popular no Nordeste do Brasil. E, aliás, bitola em inglês é gauge…

E o mais engraçado de tudo isso, dentre as dezenas de exemplos que poderíamos citar, é o vocábulo madapolão, originário do topônimo indiano do mesmo nome e importante centro de tecelagem do algodão. Os caçadores de anglicismos, por sua vez, depois de inventar uma estória fantasiosa, teimam em atribuir a origem do vocábulo na expressão “Made in Poland” que, segundo eles, estaria impressa nos cortes dos tecidos de algodão (morim) importados da Polônia! – Será que aquele país é especialista na produção de tal produto?

Madapolão, na sua forma conhecida entre nós – tecido fino de algodão, para roupa branca, também chamado de morim –, já era de uso da nossa imprensa na primeira metade do século XIX, como registra o Diario de Pernambuco: “O negro fugiu com calça de brim, camisa de madapolão, e jaqueta de ganga azul”; Diario de Pernambuco, nº. 273/1831. Registra Pereira da Costa, reafirmando a origem indiana do vocábulo, que, pelos anos de 1850, “gozava de grandes créditos no nosso mercado um madapolão em cujas peças se viam estampadas estes versos: ‘Do Brasil foi remetido para Londres o algodão; / Volta agora bem tecido, / Neste bom madapolão’” (Vocabulário Pernambucano).

Explicando melhor Antônio Houaiss, no seu dicionário, dá a origem do topônimo: “Mádhavapalan na cidade de Narasapur (estado de Madras, costa oriental da Índia), onde se fabricava o tecido; prov. pelo fr. madapolam (d1823 madapolame) ‘id.’; f.hist. 1881 madapolan”.

Para os caçadores de anglicismos, galicismos ou quaisquer outros estrangeirismos, nada como a consulta a um bom dicionário. Origem inglesas de certas palavras ou expressões sim, em alguns casos; em outros, nem sempre.

21 de mai de 2014

Desapropriados pela Copa ainda esperam indenização 'justa' na Cidade da Copa em Pernambuco

BRASIL - Copa 2014
Desapropriados pela Copa ainda esperam indenização 'justa' na Cidade da Copa em Pernambuco
A BBC Brasil ouviu reclamações de muitas família que que tiveram que deixar suas casas na região que circunda a Arena Pernambuco, por conta das obras da Copa. Eles dizem ter recebido do governo pernambucano uma indenização muito abaixo do valor de mercado dos seus imóveis e, com isso, estão tendo que morar de aluguel ou de favor.

Foto: Portal da Copa

Estádio foi feito para desenvolver a "Cidade da Copa" em São Lourenço da Mata, mas pouco ou nada saiu do papel. As desapropriações leoninas são uma realidade cruel

Postado por Toinho de Passira
Texto de Renata Mendonça e Júlia Dias Carneiro
Fonte: BBC Brasil

"Eu tinha construído o meu futuro, que era a minha casa, com muito esforço. E, de repente, eles vêm e fazem uma derrota dessas com a gente. Derrubaram o que era nosso sem dar nosso direito."

Jerônimo Sebastião de Oliveira, de 72 anos, é um dos afetados pelas desapropriações para a Copa do Mundo realizadas em Camaragibe, na região metropolitana de Recife. A área será usada para a construção de duas obras de mobilidade urbana do governo de Pernambuco: o Terminal Integrado de Camaragibe e o Ramal da Copa - ambos serviriam para facilitar o acesso à Arena Pernambuco, palco de cinco jogos do Mundial. Os moradores foram removidos, mas nenhuma das duas obras foi concluída.

A reclamação de seu Jerônimo é a mesma de muitas outras famílias que também tiveram que deixar suas casas na região por conta das obras da Copa. Eles dizem ter recebido do governo pernambucano uma indenização muito abaixo do valor de mercado dos seus imóveis e, com isso, estão tendo que morar de aluguel ou de favor.

"Não deu nem a metade do valor [do imóvel]. Então não dá para comprar uma casa. Estou morando de favor com uma sobrinha, e ela está cobrando 400 reais de aluguel. E mesmo assim, ela já está pedindo a casa. Não tenho para onde ir", disse Jerônimo à BBC Brasil.

A casa dele ficava no Loteamento São Francisco, uma área que teve mais de cem desapropriações para a Copa. Em nome do governo pernambucano, a Procuradoria Geral do Estado foi a responsável por cuidar da questão e, para isso, criou a Secretaria das Desapropriações. Foram representantes da Secretaria que procuraram os moradores, avaliaram os terrenos e propuseram a indenização que seria paga assim que eles deixassem o imóvel.

O valor oferecido, porém, foi o que desagradou as famílias desapropriadas e as que não concordavam com a proposta tinham a opção de recorrer à Defensoria Pública - muitas estão brigando na Justiça até agora por uma indenização que consideram mais justa.

"Somos agentes públicos, as indenizações são pagas por dinheiro público e existe uma norma técnica para fazer avaliação do imóvel, tem parâmetros de engenharia para avaliar o valor", explicou o Procurador Geral do Estado, Thiago Arraes de Alencar Norrões, à BBC Brasil.

Foto: : Eduardo Amorim, midiacapoeira.wordpress.com
"
Seu Jerônimo em frente ao terreno onde sua casa foi derrubada. Seu Jerônimo perdeu o braço em um acidente de trabalho e, com a indenização, reformou sua casa

"Tem margem para negociação, mas, se eu pagar R$ 10 mil para um imóvel que vale R$ 2 mil, eu vou preso. Quem fez acordo, já recebeu o dinheiro."

DESENTENDIMENTOS

Segundo o Procurador, as indenizações pagas às famílias desapropriadas variaram de R$ 3 mil a R$ 300 mil, dependendo da avaliação do terreno e regularização do imóvel. "Tem um relatório completo das desapropriações. A gente tinha orçado uma despesa total de R$ 100 milhões e acabou gastando cerca de R$ 90 milhões."

O grande problema para o pagamento de indenizações tão baixas - como as de R$3 mil - foi a situação irregular de alguns proprietários. O governo alega que muitos deles não tinham a documentação completa do imóvel ou ainda tinham a casa no nome de alguém da família já falecido.

"Se você tem uma casinha modesta em um terreno de que não é dono, vai receber de R$ 15 a 20 mil. E a gente procura ser o mais favorável ao desapropriado possível", disso o procurador geral Thiago Norrões.

"Em São Francisco, a gente ajudou a regularizar alguns terrenos até para que o valor fosse maior."

Do outro lado, alguns moradores de Camaragibe alegam que estavam com a documentação regularizada dos seus imóveis e, mesmo assim, dizem ter recebido um valor baixo demais de indenização. É o caso de Jerônimo, que morava há 40 anos na região.

"Eu tinha todos os documentos. Registro de imóvel, escritura, IPTU, declaração do terreno de posse, de tudo eu tinha", contou.

Foto: Portal da Copa

O projeto do terminal era para integrar ônibus e metrô em Camaragibe e facilitar o acesso ao estádio. Com ele, o fluxo de pessoas do metrô e do Corredor Leste-Oeste seria dividido. A obra não ficará pronta para a Copa.

"Quando eu comprei, a casa era pequena. Mas depois fui ampliando. Tirei pedra de dentro do rio com um braço só para melhorar a situação de minha casa. Botei laje. Investi no meu futuro. Mas o esforço foi perdido, porque todo o dinheiro foi por água abaixo", lamentou.

Jerônimo contou que recebeu pouco mais de R$ 30 mil, equivalentes a 80% da indenização a que tinha direito, e entrou na Justiça para reivindicar um pagamento maior. No total, o valor que o Estado propôs a ele não chegou a R$ 50 mil - o preço de um imóvel similar na mesma região em Camaragibe variaria de R$ 100 mil a R$ 200 mil, segundo ele.

PROBLEMAS

A Procuradoria Geral do Estado reconheceu que houve problemas nas desapropriações realizadas em Recife e na região metropolitana da capital e admitiu que "aprendeu com alguns erros".

"Algumas pessoas ficaram em situações difíceis. Nessa fase final, estamos tentando dar um atendimento psicossocial maior. A gente aprendeu e, nas próximas intervenções, vamos ter que corrigir alguns procedimentos", disse o procurador.

Para ele, a principal dificuldade nas desapropriações para a Copa foi o fato de elas terem sido feitas sem uma política habitacional adequada. "O problema é que as políticas públicas são feitas ao contrário. Você tem a Copa e tem que fazer uma série de intervenções na cidade-sede. Mas não tem uma política habitacional que resolva, que dê moradia às pessoas que vão ser removidas por essas obras", explicou.

"Antes de fazer as intervenções na parte urbanística, já tem que pensar em onde colocar as pessoas antes de tirar."

Andando pela região de Camaragibe onde os moradores foram desapropriados, é possível ver que ainda falta muito para as obras ficarem prontas. A reportagem da BBC Brasil esteve lá no início do mês e constatou que as casas já caíram por terra, mas o asfalto do Ramal da Copa ainda não chegou. O projeto do Terminal Integrado de Camaragibe também está em fase inicial e já foi adiado para ser entregue somente após o Mundial.

Segundo relatos de alguns moradores, muitos dos "removidos da Copa" na região voltam frequentemente para conferir o que foi feito no lugar de suas casas. A decepção aumenta quando veem que as obras ainda não saíram do papel.

"Lá onde era a minha casa? Só tem barro. Até o riacho que tinha, o canal que tinha, desmancharam tudo, acabaram com tudo", diz seu Jerônimo.

Foto: Portal da Copa

O Terminal Integrado Cosme e Damião facilitará o acesso ao estádio; governo promete obras prontas em maio

O problema das desapropriações para a Copa não foi exclusivo de Recife. Segundo a apuração da Associação Nacional dos Comitês Populares da Copa (Ancop), as 12 cidades-sede registraram centenas de remoções, mas em poucos casos foi dado a devida assistência aos removidos.

A relatora da ONU (Organização das Nações Unidas) para moradia adequada, Raquel Rolnik, visitou as cidades brasileiras que receberão a Copa do Mundo e também constatou irregularidades nas desapropriações.

"O direito à moradia adequada tem sido violado em praticamente todos os casos de remoção. O padrão é a completa falta de diálogo e transparência com as comunidades e pessoas afetadas", contou à BBC Brasil.

"E quando se paga indenização ou um auxílio-aluguel, os valores são totalmente insuficientes para custear uma nova moradia. De acordo com as leis internacionais sobre este direito, uma pessoa jamais pode ser colocada em situação de moradia pior que a anterior. Mas é o que tem ocorrido."

A BBC Brasil procurou o governo federal para um posicionamento a respeito das críticas da relatora e do próprio governo de Pernambuco - que citou a falta de políticas habitacionais para resolver o problema.

Segundo a Secretaria de Comunicação (Secom) do Executivo, a responsabilidade pelas desapropriações da Copa ficou com os governos municipais e estaduais e não teve interferência federal. Além disso, a Secom ressaltou que o governo federal oferece políticas habitacionais efetivas como o "Minha Casa, Minha Vida", que foram criadas antes do Mundial e permanecerão depois dele.


*Nota da redação: Após a publicação dessa reportagem, soubemos que Seu Jerônimo comprou um barraco na região por R$20 mil e está morando com sua família (mulher e filho) em uma casa bem abaixo do padrão que estava acostumado. Ele aguarda o pagamento do restante da indenização para construir mais um cômodo e ter condições dignas de moradia.

20 de mai de 2014

O erro, quando é Supremo, pede correção divina

BRASIL - Opinião
O erro, quando é Supremo, pede correção divina
Alertado pelo juiz, Ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki, corrige-se mas...

Foto: STF

No primeiro momento, o ministro do STF, Teori Zavascki determinou a liberdade imediata de todos os presos na Operação Lava-Jato da Polícia Federa, mas no dia seguinte, revogou a própria determinação: bom senso e humildade

Postado por Toinho de Passira
Texto de Josias de Souza
Fonte: Blog do Josias de Souza

Sentados ao lado de Deus, os ministros do STF exercem o seu poder supremo. Deus existe, não há dúvida. Mas a onipresença é uma fábula celestial. Deus não dá expediente em tempo integral. É evidente que Ele foi tratar de outra coisa quando o ministro Teori Zavascki, em plena noite de domingo, subscreveu o despacho que mandou soltar os 12 presos da Lava Jato, trancou os oito inquéritos nascidos da operação e avocou tudo para a Suprema Corte.

Abalroado pela decisão, o juiz Sérgio Moro, de Curitiba, agiu com extrema prudência. Soltou apenas Paulo Roberto Costa, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, cuja defesa recorrera ao Supremo. E enviou um ofício para Teori Zavascki. O doutor esclareceu à suprema autoridade que os acusados poderiam dar no pé.

Alguns, como o doleiro Alberto Youssef, dispõem de conta no estrangeiro. Uma, Nelma Kodama, foi presa no instante em que batia em retirada no aeroporto de Guarulhos, com 200 mil euros acondicionados na calcinha. Com outras palavras, o juiz Moro perguntou ao ministro Zavascki: É isso mesmo, Excelência? Tem certeza?

Ainda não se sabe onde diabos estava Deus entre domingo à noite e segunda-feira. Mas sabe-se que Ele passou pelo STF nesta terça. Zavascki reviu parcialmente sua decisão. Manteve na cadeia os 11 presos e presas que o juiz Moro, por prudência, se abstivera de enviar ao meio-fio. Os crentes da República perguntam de si para si: e se o magistrado tivesse cumprido cegamente a ordem original?

Pois bem. Reduzidos os danos, resta um impasse que só Deus —ou um de seus supremos prepostos— pode dissolver. Afora os 11 acusados, continuam trancados os oito inquéritos da Lava Jato. As prisões são provisórias. Para que se tornem definitivas —ou não— é imperioso que o juiz, o Ministério Público e a Polícia sejam autorizados a fazer o seu trabalho.

Ao STF cabe cuidar dos indícios recolhidos contra os deputados que cruzaram o caminho do doleiro Youssef. O juiz Sérgio Moro enviou esses achados a Brasília. Mas Teori Zavascki sustenta que cabe ao Supremo, não ao magistrado de primeiro grau, deliberar sobre o desmembramento. Prevalecendo esse entendimento, o STF terá de chafurdar nos meandros dos inquéritos para checar se a Vara de Curitiba portou-se com acerto. Por ora, a competência do magistrado, auxiliar da ministra Rosa Weber no julgamento do mensalão, não mereceu do Supremo nem o benefício da dúvida.

Há oito meses, numa entrevista ao site Conjur, o ministro Teori Zavascki queixou-se da quantidade de ações penais que chegam ao STF. “Esse é o principal problema”, disse ele. “Hoje, qualquer tema criminal chega ao Supremo, seja constitucional ou não.''

O ministro prosseguiu: “O STF dedica um tempo muito grande a questões penais não constitucionais. E isso tem o custo da demora e de travar processos. Sou partidário de que o Supremo, para se viabilizar institucionalmente, tenha sua competência reduzida no futuro.”

Ao enviar a Brasília apenas os trechos da Operação Lava Jato que envolvem deputados, o juiz Sérgio Moro ofereceu ao STF a oportunidade de organizar “sua competência”, cuidando só do que lhe cabe.

Porém, ao ordenar que lhe sejam remetidos todos os inquéritos da operação, Zavascki informa que faz questão de dedicar “um tempo muito grande a questões penais não constitucionais.” Mesmo que ao “custo da demora e de travar processos.” Quer dizer: além de ser uma espécie de loteria de toga, a Justiça também perde o nexo de vez em quando.

Na entrevista de setembro, o ministro Zavascki dizia que, “só de Direito Tributário, temos mais de 120 processos esperando julgamento” no STF. Que Deus nos acuda. O erro, quando é Supremo, exige correção divina.
*Acrescentamos subtítulo, foto e legenda à publicação original

Aviso aos velejadores olímpicos: não caiam nas águas da baía da Guanabara - alerta o New York Times

BRASIL - Rio 2016
Aviso aos velejadores olímpicos: não caiam nas águas da baía da Guanabara - alerta o New York Times
Reportagem dos jornalistas Simon Romero e Christopher Clarey, para o New York Times, deste domingo, com chamada na primeira página, fala das preocupações e quase desespero do Comitê Olímpico Internacional, com a preparação das Olímpiadas Rio 2016. Diz que um dos pontos mais cruciais, além das obras atrasadas, é a poluição impactante da Baía da Guanabara, onde deverão acontecer as provas náuticas


Detalhe da primeira página do The New York Times

Postado por Toinho de Passira
Fontes: The New York Times, O Globo

A pouco mais de dois anos para o início das Olimpíadas do Rio de Janeiro em 2016, a poluição da Baía de Guanabara continua repercutindo mundo afora. Neste domingo, o jornal americano "The New York Times" publicou ampla reportagem sobre o assunto e fez críticas à falta de ação das autoridades nos últimos anos no local onde serão disputadas as competições de vela.

Entre os personagens ouvidos pela reportagem, um dos depoimentos mais contundentes é o do velejador australiano Nico Delle Karth, que esteve no Rio para um período de treinamentos:

Sem meias palavras Karth disse que a baía da Guanabara é o lugar mais sujo em que ele tinha treinado durante toda a vida.

Comenta que há todo tipo de lixo flutuando na superfície: pneus velhos, colchões descartados, sofás e até animais mortos. A água da baía está tão poluída por esgotos e cheira tão mal, que ele diz ter medo de molhar os pés no momento de colocar seu barco na praia.

No texto, o NYT lembra que o financiamento para a limpeza das águas sempre existiu e cita que rivalidades políticas em várias camadas do governo, municipal, estadual e federal, além da corrupção criaram o impasse sobre quem deveria pagar e com aplicar as verbas destinadas a despoluição.

Foto: Ascom

A Baía da Guanabara, do alto, um cartão postal.

A baía de Guanabara, diz a reportagem, aninhado entre Pão de Açúcar e outros picos de granito, que ofereceria o tipo de imagem de cartão postal que as autoridades do Rio de Janeiro, como anfitriões, queriam exibir durante as Olimpíadas 2016, tornou-se o ponto principal de reclamações, transformando as águas poluídas do Rio de Janeiro em um símbolo de frustrações com os preparativos dos conturbados Jogos Olímpicos do Brasil.

Ambientalistas, biólogos e atletas foram entrevistados. As opiniões são de que trata-se, hoje, de um local impróprio para a prática esportiva e que dificilmente haverá uma melhora acentuada até as Olimpíadas. Em abril, o próprio prefeito, Eduardo Paes, admitiu que não é possível garantir a despoluição da Baía a tempo. Mas crê que os banhistas poderão utilizar partes dela.

Segundo a reportagem, o iatista brasileiro Lars Grael afirmou que já encontrou até quatro cadáveres em suas navegações. Há relatos de toneladas de lixo flutuando, originaria das comunidades ribeirinhas e da falta de uma política de recolhimento de lixo.

Fotos: Ana Carolina Fernandes/The New York Times



Baía da Guanabara, no detalhe: lixo, poluição e mau cheiro

A publicação ainda ressalta que menos de 40% das águas estão sendo tratadas atualmente. A promessa do Rio era entregar 80% do local despoluído até 2016. E os problemas estruturais de um modo geral ganham cada vez mais atenção do Comitê Olímpico Internacional, que faz pressão para acelerar o trabalho.

- O governo poderia implantar porta-aviões para coletar o lixo da baía, que o problema não seria resolvido - disse o biólogo brasileiro Mario Moscatelli.

Entre as críticas, o New York Times também fala dos atrasos para a Copa do Mundo e das dificuldades, em escala menor, que a cidade teve para organizar os Jogos Pan-Americanos de 2007.

Em ofício enviado ao Ministério do Esporte para solicitação de repasse de verba para a construção de duas Unidades de Tratamento de Rios (UTRs), ao qual a agência Associated Press teve acesso, o secretário estadual do meio ambiente, Carlos Portinho, admite que o objetivo do governo de reduzir os níveis de poluição em até 80% não será atingido:

- Mesmo se os recursos necessários para implementar o sistema sanitário forem feitos, não seria possível planejar e implementar todos os projetos a tempo de fazer alguma diferença significante na poluição da água da Baía de Guanabara para as Olimpíadas de 2016 - declarou Portinho.

Os Jogos Olímpicos são dificilmente a preocupação principal para um país onde sobram preocupações com uma desaceleração econômica, diz a reportagem.

Preparar-se para os Jogos Olímpicos pode ser ainda mais difícil do que para a Copa do Mundo.

Autoridades brasileiras imaginavam que o legado dos Jogos Pan-Americanos realizados no Rio, facilitaria com adaptações de baixo custo, para o projeto olímpico. Mas no ano passado tiveram que demolir o velódromo, por que o local destinado as provas de bikes não cumpriram as normas olímpicas. Agora Rio planeja construir uma nova estrutura que custará 10 vezes mais do que o original.

Greves atrasaram reparos no estádio Engenhão, um espaço Jogos Pan-americanos destinados a 2.016 provas de atletismo, que foi o fechado no ano passado sobre os temores de que seu teto podia desmoronar.

Foto: Ana Carolina Fernandes/The New York Times

Baía da Guanabara: sem chance de despoluição satisfatória até as olímpiadas

Algumas autoridades dizem que a situação é mais precária do que a perturbava preparação para os Jogos Olímpicos de Atenas de 2004.

"Eu acho que em termos de tempo disponível, estamos ainda pior", disse Ricci Bitti, presidente da Associação Olímpica.

De todos os desafios que o Brasil enfrenta, a limpeza da Baía de Guanabara pode ser o mais difícil, concluiu o New York Times.

19 de mai de 2014

Miss Aranha: cidade inglesa sedia concurso de beleza de tarântulas

INGLATERRA - Bizarro
Miss Aranha: cidade inglesa sedia concurso
de beleza de tarântulas
Há 29 anos, o evento atrai aracnologistas de todo o mundo. Mais de 800 tipos diferentes de tarântulas foram inscritas na competição deste ano

Foto: British Tarantula Society

A competição deste anos confirmou o sucesso dos anteriores, sucesso de público, mais de dois mil visitantes e recorde de exemplares expostos concorrendo

Postado por Toinho de Passira
Fontes: BBC Brasil, British Tarantula Society

Imagine uma banca de jurados reunida com um único propósito: premiar a aranha mais bela. O concurso inusitado existe e aconteceu neste domingo na cidade de Coventry, na Inglaterra.

Organizado pela British Tarantula Society, a competição deste ano contou com a participação de 50 mil tarântulas.

A premiação se dividia em diferentes categorias, incluindo a Melhor Espécie do Novo Mundo e a Melhor Espécie.

Foto: Thomas Shahan

Exemplar da aranha saltadora do estado americano do Arizona, clicada pelo fotógrafo americano Thomas Shahan

Sucesso de público

O concurso foi um sucesso de público e atraiu mais de 2 mil pessoas ao Ricoh Arena, um conhecido centro de exposições da cidade.

O organizador da competição, Ray Hale, afirmou que o evento "atraiu aracnologistas de todo o mundo debaixo de um mesmo teto". Ele descreveu o concurso como "um grande sucesso" e afirmou que pretende repeti-lo no ano que vem.

"Não demos falta de nenhuma aranha, então Coventry pode dormir tranquila", brincou.

Foto: Thomas Shahan

Outra exemplar registrado pelo americano Thomas Shahan

Competição séria

Jurados avaliaram diversos quesitos, como saúde da aranha e suas cores

Segundo Hale, o que começou como uma "brincadeira" há 29 anos, agora se tornou uma competição séria.

Com mais de 800 tipos diferentes de tarântulas, ele afirmou que os jurados observariam diferentes características, desde a saúde da espécie às cores.

Hale é um apaixonado por aranhas. Ele diz manter 200 tarântulas em sua casa em Sussex, no sudeste da Inglaterra.

Escorpiões e outras criaturas também foram expostas durante o concurso, que contou com a participação de especialistas para responder as perguntas da plateia.

Rosemary Noronha, a amante de Lula, fez chantagem contra o governo Dilma - diz a revista Veja

BRASIL - Corrupção
Rosemary Noronha, a amante de Lula, fez chantagem contra o governo Dilma - diz a revista Veja
Revelada mensagens de celular da ex-chefe de gabinete da Presidência ameaçando autoridades do governo e antigos amigos do PT


Dizendo-se abandonada, a ex-chefe do escritório da Presidência da República queria ajuda — e conseguiu

Postado por Toinho de Passira
Texto de Robson Bonin …
Fontes: Veja

A discrição nunca foi uma característica da personalidade da ex¬-chefe do gabinete da Presidência da República em São Paulo Rosemary Noronha. Quando servia ao ex-presidente Lula em Brasília, ela era temida. Em nome da intimidade com o “chefe”, como às vezes também se referia a ele, Rose fazia valer suas vontades mesmo que isso significasse afrontar superiores ou humilhar subordinados.

Nos eventos palacianos, a assessora dos cabelos vermelhos e dos vestidos e óculos sempre exuberantes colecionou tantos inimigos — a primeira-da¬ma não a suportava — que acabou sendo transferida para São Paulo. Mas caiu para cima. Encarregada de comandar o gabinete de Lula de 2009 a 2012, Rose viveu dias de soberana e reinou até ser apanhada pela Polícia Federal ajudando uma quadrilha que vendia facilidades no governo.

Ela usava a intimidade que tinha com Lula para abrir as portas de gabinetes restritos na Esplanada. Em troca, recebia pequenos agrados, inclusive em dinheiro. Foi demitida, banida do serviço público e indiciada por crimes de formação de quadrilha e corrupção.

Um ano e meio após esse turbilhão de desgraças, no entanto, a fase ruim parece ter ficado no passado. Para que isso acontecesse, porém, Rosemary chegou ao extremo de ameaçar envolver o governo no escândalo.

Em 2013, no auge das investigações, quando ainda lutava para provar sua inocência, a ex-se¬cretária Rosemary procurou ajuda entre os antigos companheiros do PT — inclusive Lula, o mais íntimo deles.

Desempregada, precisando de dinheiro para pagar bons advogados e com medo da prisão, ela desconfiou que seria abandonada. Lula não atendia suas ligações. O ex-ministro José Dirceu, às vésperas da fase final do julgamento do mensalão, estava empenhado em salvar a própria pele e disse que não podia fazer nada.

No Palácio do Planalto, a ordem era aprofundar as investigações. Em busca de amparo, Rose concluiu que a única maneira de chamar a atenção dos antigos parceiros era ameaçar envolver figuras importantes do governo no escândalo.

Mensagens de celular trocadas pela ex-secretária com pessoas próximas mostram como foi tramada a reação. Magoada com o PT por ter permitido que a Casa Civil aprofundasse as investigações sobre suas traficâncias, Rose destila ódio contra a então ministra Gleisi Hoffmann.

Em uma conversa com um amigo, em abril do ano passado, desabafa: “Tão chamando a ministra da Casa Civil de Judas!!! Ela bem que merece!!!”. O interlocutor assente: “Ela vazou a porcaria toda. Vamos em frente”. Rose acreditava que o próprio Palácio do Planalto estava por trás das revelações sobre o desfecho da sindicância — “a porcaria toda” — que apontava, entre outras irregularidades, o seu enriquecimento ilícito no cargo.

Com o fundo do poço cada vez mais próximo, Rosemary decidiu arrastar para dentro do escândalo figuras centrais do Planalto e, se possível, a própria presidente Dilma Rousseff. A estratégia consistia em constranger os antigos colegas de governo pressionando-os a depor no processo que tramitava na Controladoria-Geral da União.

“Quero colocar o Beto e a Erenice Guerra”, diz Rose em uma mensagem. “Você quer estremecer o chão deles?”, questiona o interlocutor. “Sim”, confirma Rose. “Porque vai bombar. Gilberto Carvalho também?”, indaga. “O.k.”, devolve ela.

As autoridades que deveriam “estremecer” não foram escolhidas por acaso. Atual chefe de gabinete da presidente Dilma Rousseff, Beto Vasconcelos era na ocasião o número 2 da Casa Civil. Ao lado da ex-ministra Erenice Guerra, ele servira a Dilma no Planalto durante anos. Rose os conhecia como a palma da mão e sabia que eles tinham plena consciência do seu temperamento explosivo.

A conclusão da conversa no celular, resumida pelo interlocutor, revela as reais intenções da ex-secretária: “Vai rolar muito stress... Vão bater na porta da Dilma. Vão ficar assustados”.

O plano embutia um segundo objetivo. Rosemary também queria se reaproximar de um ex-amigo em especial. Ao tentar “estremecer” o chão de Gilberto Carvalho, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência e homem de confiança de Lula, Rose tinha um propósito bem específico. Ela queria restabelecer as suas ligações com “Deus”, como a ex-sec-retária¬¬ costuma se referir ao ex-presidente Lula.

Em outra troca de mensagens de celular, um interlocutor diz a Rose que, com a indicação das testemunhas — Gilberto Carvalho, Beto Vasconcelos e Erenice Guerra — no processo da CGU, “o momento é oportuno para aproximação com Deus...”. Mas a ex-pro¬tegida de Lula se mostra cética e insatisfeita. “Vai ser difícil. Ele está com muitas viagens. Não posso depender dele”, diz Rose.

Não se sabe exatamente o que aconteceu a partir daí, mas a estratégia funcionou. Um dos homens mais próximos a “Deus”, Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula, cuidou pessoalmente de algumas necessidades mais imediatas da família de Rosemary durante o processo.

Além de conseguir ajuda para bancar um exército de quase quarenta juristas das melhores e mais caras bancas de advocacia do país, a ex-se¬cretária reformou a cobertura onde mora em São Paulo e conseguiu concretizar o antigo projeto de ingressar no mundo dos negócios.

Rosemary comprou uma franquia da rede de escolas de inglês Red Balloon. Para evitar problemas com a ficha na polícia, o negócio foi colocado no nome das filhas Meline e Mirelle e do ex-marido José Cláudio Noronha. A estratégia para despistar as autoridades daria certo não fosse por um fato. A polícia já havia apreen¬dido em 2012, na casa de Rose, todo o planejamento para aquisição da franquia. Os documentos mostravam que o investimento ficaria a cargo da quadrilha que vendia influência no governo. Na época, a instalação da escola foi orçada em 690 000 reais — padrão semelhante aos valores praticados atualmente no mercado —, dinheiro que Rosemary e seus familiares não possuíam.

Como, então, a família que informava ter um patrimônio modesto conseguiu reunir os recursos?

Procurada por VEJA, Meline Torres, responsável pela administração da escola, informou que todos os investimentos foram realizados a partir de “economias”. “Eu trabalhei muito durante a minha vida (Meline tem 29 anos). Trabalho desde os 18 anos com registro em carteira e tenho poupança. Meu pai também está me ajudando com recursos dele, aliás, do trabalho de uma vida”, explicou. Rosemary não quis se pronunciar.