31 de jan de 2013

Ex-ministro Fernando Lyra está internado em estado crítico

BRASIL
Ex-ministro Fernando Lyra está internado em estado crítico
Ele sofre de problemas cardíacos há vinte anos e está internado no Incor, sedado e respirando com a ajuda de aparelhos


O ex-ministro da Justiça, Fernando Lyra

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Blog do Jamildo, Veja, Blog do Noblat, G1, Agência Brasil, Diário de Pernambuco

O quadro de saúde do ex-ministro da Justiça, o pernambucano, Fernando Lyra piorou nas últimas 24 horas e é classificado como crítico. Lyra, de 74 anos, respira com a ajuda de aparelhos e está sedado, segundo boletim divulgado nesta quinta-feira pelo Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (Incor).

O ex-ministro está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital para tratamento de uma descompensação de insuficiência cardíaca congestiva grave, que o acomete há vinte anos, associada a quadro de infecção sistêmica e a insuficiência renal aguda.

O próximo boletim médico sobre o caso será divulgado às 17 horas de sexta-feira. Lyra foi deputado federal por oito mandatos consecutivos, entre 1971 e 1999, e ministro do governo de José Sarney. Ele tem passado por internações sucessivas desde o fim de dezembro.

Problemas de caixa da Petrobras começam a contaminar parceiros

BRASIL -
Problemas de caixa da Petrobras começam a contaminar parceiros
A estatal tem atrasado pagamentos a fornecedores e provocado dificuldades financeiras na cadeia de prestadores de serviços, após ter adotado uma política de redução de custos em meio a prejuízos na sua divisão de Abastecimento, aumentos de custos e produção estagnada.

Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, administradora do pepino

Postado por Toinho de Passira
Texto de Leila Coimbra e Jeb Blount, para a Reuters
Fonte: Reuters

A Petrobras tem atrasado pagamentos a fornecedores e provocado dificuldades financeiras na cadeia de prestadores de serviços, após ter adotado uma política de redução de custos em meio a prejuízos na sua divisão de Abastecimento, aumentos de custos e produção estagnada.

Há também o atraso de pagamento para fundos de recebíveis criados para financiar esses prestadores de bens e serviços, disseram fontes à Reuters, observando que a estatal alterou sua política de pagamentos recentemente e vem olhando com mais rigor os contratos.

Com isso, tem demorado mais tempo para liberar os recursos. Em uma espécie de efeito dominó, os prestadores de serviços também atrasam seus compromissos financeiros.

"Não vou dizer que a Petrobras é inadimplente, mas que está em atraso. Enquanto algumas companhias estão sofrendo, estou confiante que os pagamentos serão feitos", disse à Reuters Fernando Werneck, gestor de um portfólio de fundos creditórios na BI Invest, exclusivos de fornecedores da Petrobras.

Alguns dos fundos de investimento dedicados exclusivamente aos fornecedores da Petrobras registraram aumento da inadimplência.

Os pagamentos em atraso em cinco Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) saltaram 58,6 por cento, para 18,4 milhões de reais, em 31 de dezembro, ante 11,6 milhões de reais em setembro, segundo uma pesquisa da Reuters junto à Comissão de Valores Mobiliários.

O FIDC existe para ajudar a Petrobras a terceirizar o negócio de financiamento aos fornecedores. Fundos de investimento fazem empréstimos às empresas que possuem contratos com a estatal utilizando como garantia os recebíveis junto à Petrobras.

Ao longo dos últimos dois anos a Petrobras aportou cerca de 7 bilhões de reais para ajudar os fornecedores.

A Petrobras negou na noite desta quinta-feira que esteja atrasando pagamentos a fornecedores, prestadores de serviços e Fundos de Investimento em Direitos Creditórios, e afirmou que não está sofrendo com problemas de caixa.

"Os pagamentos dos compromissos reconhecidos pela Petrobras são realizados de acordo com os prazos estabelecidos contratualmente", disse a Petrobras em nota, reiterando posição manifestada anteriormente pela assessoria de imprensa da empresa à Reuters.

A empresa ainda destacou que "não enfrenta problemas de caixa, cujo saldo ultrapassa 40 bilhões de reais".

PEDIDOS DE FALÊNCIAS

Problemas financeiros já empurraram algumas empresas fornecedoras da estatal menores, como a GDK, a um processo de recuperação judicial. Grandes empresas, tais como a Lupatech, tiveram que vender ativos e levantar capital novo para evitar o pior.

Preocupações sobre como fazer negócios no Brasil, onde a Petrobras é responsável por mais de 90 por cento da produção de petróleo, levaram a uma queda de 34 por cento nas ações da italiana Saipem na quarta-feira.

A empresa prestadora de serviços e equipamentos offshore disse que os problemas do Brasil poderiam ajudar a cortar o seu lucro em 80 por cento em 2013. As concorrentes Subsea 7 e Technip França, ambas também fornecedoras da Petrobras, chegaram a cair mais de 6 por cento na quarta-feira.

O programa de redução de despesas, que visa cortar custos de 32 bilhões de reais no período de 2013 a 2016, foi anunciado no final do ano passado, após a Petrobras ter acumulado nos nove primeiros meses de 2012 mais de 17 bilhões de reais em prejuízo na área de Abastecimento (combustíveis), ao mesmo tempo que tem um plano de cinco anos de investir mais de 200 bilhões de dólares.

Nessa conjuntura que favorece o crescimento do passivo, a agência de classificação de risco Moody's alterou em dezembro para negativo o rating da dívida da companhia.

DIFICULDADE PARA RECEBER

Segundo fontes de empresas que prestam bens e serviços à estatal, a Petrobras tem demorado mais tempo para liberar os aditivos aos contratos.

Nas licitações, as empresas ganhavam oferecendo um orçamento abaixo do valor de mercado e depois recorriam aos aditivos, uma prática comum, já que depois esses aditivos eram liberados com mais facilidade.

"Agora há um rigoroso processo de avaliação por parte da estatal e sempre há a necessidade de mais e mais documentos. Enquanto isso, o dinheiro não sai", disse uma fonte de uma empreiteira de médio porte que presta serviço à Petrobras.

Com a demora na liberação dos pagamentos, as empresas precisam tomar empréstimo de curto prazo, disse a fonte, a custos altos, gerando um desequilíbrio nas contas.

"Em geral tem demorado uns meses a mais. Como dois terços do nosso faturamento depende de contratos com a Petrobras, há um desajuste", disse à Reuters o executivo, na condição de não ter seu nome divulgado.

Algumas empresas têm quase a totalidade das receitas atreladas aos contratos com a Petrobras e podem acabar falindo com o atraso dos pagamentos.

É o caso da Tenace Engenharia, que com 90 por cento de faturamento oriundo da estatal pediu falência no fim do ano passado.

A empresa tinha um grande contrato de construção de uma unidade de gasolina e diesel no Polo de Guamaré, no Rio Grande do Norte. Também prestava serviços para a estatal em Urucu, no Amazonas.

Segundo uma fonte da empresa, a Petrobras não concordou em renegociar aditivos aos contratos. A Tenace enviou um comunicado aos seus credores responsabilizando a estatal pelo seu fechamento, segundo a fonte, que preferiu não ser identificada.

A construtora GDK, também grande fornecedora da estatal, teve o seu pedido de recuperação judicial aprovado no dia 10 de janeiro pela Justiça da Bahia, segundo nota enviada pela empresa à Reuters.

E a construtora Egesa, responsável por parte das obras de uma unidade de fertilizantes da Petrobras, também anunciou recentemente aos seus funcionários e credores que "está passando por uma reestruturação financeira em função do cenário econômico atual".

30 de jan de 2013

A turma da Ilha das Cabras, de Elio Gaspari, para a Folha de S. Paulo

BRASIL - Opinião
A turma da ilha das Cabras
“No dia 14, Vieira recebeu um telefonema do braço direito do advogado-geral da União: "Consegui". Em seguida, ligou para Miranda: "Tá sentado? Você não sabe da maior. O consultor da União modificou e se manifestou a favor nosso, tá?"


A Ilha de Cabras, o paraíso particular e ilegal do ex-senador Gilberto Miranda

Postado por Toinho de Passira
Texto de Elio Gaspari , para Folha de S. Paulo
Fonte:

A investigação da Polícia Federal que abriu à visitação o jardim de Rose Noronha, a chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo, produziu um mapa para o estudo do patronato companheiro. Desde o estouro da quadrilha, em novembro passado, 25.012 interceptações telefônicas expuseram uma rede de capilés que vão da privataria no porto de Santos à Advocacia-Geral da União.

Há nela o caso da ilha das Cabras, um bem da Viúva, com uns 50 mil m², no litoral paulista. "Cabras" foi concedida ao milionário ex-senador Gilberto Miranda (PMDB-AM). O doutor ganhou o mimo há mais de 20 anos, construiu um heliporto, um deque e ergueu uma mansão. Em 1995, a propriedade foi avaliada em R$ 10 milhões e, desde então, o Ministério Público contesta o usufruto desse paraíso particular.

O doutor batalha pela sua ilha. Conseguiu até uma lei da Assembleia Legislativa, mas o então governador Mario Covas vetou-a. Nos últimos anos, recorreu ao companheiro Paulo Vieira, diretor da Agência Nacional de Águas, flor do jardim de Rose que, por sua vez, estava na rede de amigos do comissário José Dirceu e de Nosso Guia.

Em abril passado, Miranda preocupou-se com sua posse, que precisava de um parecer da Advocacia-Geral da União: "Nós estamos perdendo", mas Vieira tranquilizou-o: "Por que você exige tanto do pobre de mim?... Relaxa, homem, relaxa que vai dar certo."

Em maio, quando o Supremo Tribunal Federal preparava o julgamento dos mensaleiros, Vieira propusera a Rose "parar o Brasil": "O julgamento é político e que eles [ministros do STF] não vão sair de lá ilesos" (...) o negócio agora é tumultuar o processo".

Gilberto Miranda pedia a Vieira "um tiro de canhão" para garantir-lhe a ilha das Cabras. Segundo Rose, a essa época o donatário ajudava a aliviar os penares do comissário José Dirceu, oferecendo-lhe ajuda de advogados.

Quando estava em Brasília, Miranda se celebrizou pela generosidade com que emprestava seus jatinhos. Os repórteres Fausto Macedo e Bruno Boghossian acabam de revelar trechos de telefonemas de um assessor de José Dirceu para Gilberto Miranda no dia 9 de novembro passado:

"O Zé não estava querendo descer lá no Santos Dumont, entende? Cinco horas da tarde é um problema porque ele vai chegar lá às 18h40, é um problema..." Mais adiante: "Não tem ninguém domingo às 9h30, não tem ninguém no Santos Dumont".

Uma mordomia aérea jogou o comissário no registro de uma trama em que não precisava ter entrado. No dia 14, Vieira recebeu um telefonema do braço direito do advogado-geral da União: "Consegui". Em seguida, ligou para Miranda: "Tá sentado? Você não sabe da maior. O consultor da União modificou e se manifestou a favor nosso, tá?"

De fato, um novo parecer atendera aos seus interesses. Nesse mesmo dia, Dirceu precisava de outro avião, mas o do ex-senador estava indisponível.

Nos dias 19 e 21, Paulo Vieira contaria que Rose pedira emprestados R$ 650 mil em dinheiro porque "comprou um apartamento novo em Higienópolis".

Na manhã do dia 23, o advogado-geral-adjunto da União, José Weber Holanda, acordou seu chefe, Luís Inácio Adams: "Eu estou com uma busca e apreensão na minha casa, da Polícia Federal. (...) Estão vasculhando tudo". Seria "alguma coisa ligada com a ilha das Cabras".

Era.
*Acrescentamos subtítulo, foto e legenda a publicação original

Eduardo Campos questiona aliança PT-PMDB. de pronto PMDB rebate

BRASIL – Eleição 2014
Eduardo Campos questiona aliança PT-PMDB,
de pronto PMDB rebate
"Ninguém governará mais o Brasil se não vier com olhar, sentimentos, marcas e compromissos desse Brasil profundo - porque esse Brasil profundo não aguentará mais governos de punhos de rendas, governos dos grandes salões de Brasília". – disse Eduardo Campos

Foto: Raul Buarque/SEI

Morde daqui, sopra dali, e Eduardo Campos vai se mantendo nas manchetes da mídia nacional.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Estadão, Estadão

O governador de Pernambuco Eduardo Campos, presidente nacional do PSB, questionou a aliança PT-PMDB, que deve ser mantida na disputa presidencial de 2014, em entrevista publicada nesta segunda-feira pelo jornal sergipano Cinform.

"Há um grande risco para quem monta coalização para governar quando a aliança política não corresponde à aliança social feita para ganhar a eleição", disse ele.

"Acho que a expressão que o PMDB começa a tomar nessa aliança é muito maior do que o que o PMDB representa na sociedade brasileira e isso, um dia, é resolvido - ou pelos políticos ou pelo povo".

"A gente já viu, em outros momentos, alianças políticas que foram feitas em determinadas conjunturas e que tentaram impor à sociedade a sua manutenção e o povo rapidamente não consentiu e a desmontou", afirmou o governador, ao lembrar que em 1986 o PMDB elegeu governadores de todos os demais Estados do Brasil, exceto em Sergipe, onde o PFL venceu a eleição com Antônio Carlos Valadares.

"Mas, três anos depois, aquela mesma aliança de forças que havia participado disso tudo foi varrida das urnas, e dois candidatos fora do processo, que eram àquela altura o Lula e o Collor, de 1989, foram exatamente a expressão da sociedade brasileira".

Campos, que tem buscado se fortalecer nacionalmente como uma opção em uma futura disputa presidencial, evitou, no entanto, comentar a sucessão. Repetiu, na entrevista, - concedida semana passada, quando foi homenageado em Aracaju pelo Instituto Luciano Barreto Junior (ILBJ) - que ainda é cedo para se discutir o assunto. E reafirmou seu apoio à presidente Dilma Rousseff.

Indagado sobre o que teria a mostrar ao Brasil, mesmo que em 2018, destacou que "Pernambuco, como uma fração do Nordeste, e esta região como um todo, têm sido muito importantes para a travessia do Brasil". Segundo ele, esse último ciclo de expansão econômica que se deu só aconteceu pela vontade política dos nordestinos, que garantiram as vitórias do projeto político que fez o Brasil retomar o crescimento de maneira expressiva.

"Só suportamos a crise econômica de 2008 para cá porque o Nordeste foi a parte do Brasil que mais cresceu. E o Nordeste revela, hoje, talentosos quadros políticos que têm feito administrações excelentes, dos mais diversos partidos, em Governos de Estado ou de Municípios.

De modo que o Nordeste, que era visto pelo Sudeste como uma parte atrasada do Brasil, de práticas patrimonialistas, coronelescas, e coisas desse tipo, hoje já é claramente para o País não um problema, como esses alguns achavam, mas uma solução.

Se somos a solução na economia, poderemos, sim, também ser na política - na medida em que possamos entender que é a hora de renovar a política, não com discursos, com práticas que transformem a política em algo que a sociedade respeita".

"Não é por teses regionalistas que nós devemos começar o debate, mas nenhum projeto nacional pode desconhecer as desigualdades que ainda marcam a cena regional brasileira, sob pena de ele cair em descrédito absoluto". Elas são gritantes, frisou, ao destacar que mais da metade da pobreza do Brasil ainda está no Nordeste.

Considerou fundamental que, para governar o País, se consiga enxergar esse Brasil profundo. "Ninguém governará mais o Brasil se não vier com olhar, sentimentos, marcas e compromissos desse Brasil profundo - porque esse Brasil profundo não aguentará mais governos de punhos de rendas, governos dos grandes salões de Brasília".

O presidente do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), reagiu com cautela às críticas do governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, à aliança de seu partido com o PT da presidente Dilma Rousseff.

Raupp argumentou que hoje o PMDB, segundo pesquisas de opinião, ocupa o segundo lugar na preferência do eleitorado brasileiro, atrás apenas do PT, detendo o maior número de senadores e prefeitos eleitos.

Dizendo não querer polemizar com Campos, o presidente do PMDB não quis ainda comentar uma eventual candidatura do governador de Pernambuco à sucessão de Dilma. Raupp garantiu, no entanto, a legenda lançará candidato próprio à presidência da República em 2018. Para 2014, a ideia é manter a aliança com o PT, com o vice-presidente da República, Michel Temer (SP). "O Eduardo Campos é um grande líder; é uma liderança emergente. Mas a gente não quer polemizar com ele", observou.

Enquanto externamente o comportamento é contemporizar e não bater em Campos, internamente a cúpula do partido analisou as declarações do pernambucano como uma tentativa de tomar o lugar do PMDB na aliança em torno da presidente Dilma. A avaliação é que Eduardo Campos estaria de olho na vaga de vice-presidente.

"Até hoje achávamos que ele (Campos) era candidato à presidência da República no ano que vem. Agora começamos achar que ele quer é mesmo ser candidato à vice-presidente", resumiu um peemedebista.

29 de jan de 2013

O incômodo candidato ao ‘Oscar’, de Dorrit Harazim, para O Globo

ESTADOS UNIDOS- Denúncia
O incômodo candidato ao ‘Oscar’
“Pela primeira vez a prática de abusos sexuais nas fileiras militares americanas é exposta em toda sua extensão”.”Os números absolutos são de estarrecer: segundo dados referentes a dois anos atrás, 19 mil mulheres e homens das três armas foram sexualmente atacados por companheiros de farda enquanto serviam”.


Cartaz do impactante documentário

Postado por Toinho de Passira
Texto de Dorrit Harazim, para O Globo
Fontes: Blog do Noblat

Não, não estamos falando do polêmico “A hora mais escura” (“Zero Dark Thirty”) da diretora Kathryn Bigelow, sobre a operação da CIA que culminou na invasão do Paquistão, captura e assassinato de Osama bin Laden.

Tampouco se trata do exuberante e violento “Django livre”, de Quentin Tarantino, que levou a América politicamente correta ao ridículo, ao denunciar que o epíteto nigger (crioulo), hoje tabu, povoa o filme de ponta a ponta.

Houve quem contabilizasse a heresia — foram 109 vezes — como se o fazendeiro escravocrata pré-abolição do filme devesse chamar sua propriedade humana de “afrodescendentes”.

O tema, aqui, é um dos cinco concorrentes ao Oscar de Melhor Documentário, a ser anunciado no festão do próximo dia 24 de fevereiro. “The Invisible War” (“A guerra Invisível”, em tradução literal), com roteiro e direção de Kirby Dick, tem narrativa convencional, linguagem cinematográfica pedestre e fotografia banal. Ainda assim, provocou vários estrondos nas Forças Armadas dos Estados Unidos.

Pela primeira vez a prática de abusos sexuais nas fileiras militares americanas é exposta em toda sua extensão.

Os números absolutos são de estarrecer: segundo dados referentes a dois anos atrás, 19 mil mulheres e homens das três armas foram sexualmente atacados por companheiros de farda enquanto serviam. Apenas 244 acusados foram condenados.

Pior: o Departamento de Defesa americano avalia que 86% dos abusos permanecem não notificados. Hoje, uma mulher alistada nas Forças Armadas dos Estados Unidos tem mais chances de ser atacada por um colega do que ferida por fogo inimigo.

Com depoimentos na primeira pessoa e um arsenal de dados desenterrados junto às próprias autoridades militares, o filme premiado no Sundance Festival de 2012 expõe a cultura do estupro e do assédio até mesmo no prestigioso Marine Barracks da capital do país, sede dos Fuzileiros Navais desde 1801.

O caso da base aérea de Lackland, em San Antonio, Texas, também abordado no filme, envolve 51 instrutores que abusaram de 52 recrutas, muitas delas ainda adolescentes recém-alistadas e oriundas de famílias de militares.

O depoimento do pai de uma delas é acachapante. Envergando uniforme, ele narra o telefonema da filha que acabara de ser estuprada e perdera a virgindade.

Outra jovem de família militar viu sua denúncia se arrastar por um ano. Encerrado o inquérito, o comandante da guarnição concluiu que o acusado de estupro, embora não tivesse tido “comportamento de cavalheiro”, não merecia ser condenado — recebera a menção honrosa de “Melhor Desempenho Militar” da unidade, naquele ano.

Por ordem do chefe do Estado-Maior da Força Aérea, general Marc Welsh III, todo o comando da base de Lackland teve de assistir ao documentário em novembro passado.

“The Invisible War” também foi exibido para membros do Congresso e nas convenções nacionais dos partidos Democrata e Republicano. O próprio ministro da Defesa, Leon Panetta, não se esquivou e assistiu a uma exibição dirigida a vários integrantes do alto escalão militar.

Fez bem, visto que o comportamento predatório está longe de se manter confinado aos alojamentos da soldadesca. O exemplo vem de cima.

Dos 255 comandantes militares americanos exonerados por má conduta desde 2005, 78 foram defenestrados por ofensas relacionadas a sexo. Alcoolismo e uso de drogas derrubaram outros 27. O quadro no escalão mais alto confirma a regra: dos 18 generais e almirantes exonerados, 10 cometeram crimes sexuais.

Na semana passada, foi apresentada denúncia contra o general Jeffrey Sinclair no tribunal militar de Fort Bragg, Carolina do Norte.

Exonerado de suas funções de comando da 82ª Divisão Aerotransportada no Afeganistão, Sinclair é acusado de sodomia, adultério, pornografia e má conduta sexual contra cinco militares que serviram sob suas ordens.

Submetido à Corte Marcial dentro de três meses, se condenado poderá pegar prisão perpétua.

Envolvidos em guerra ininterrupta há mais de dez anos, os Estados Unidos começam a sentir o esgarçamento moral e físico de seu tecido militar. E foi em meio a este pano de fundo que o Pentágono e o presidente reempossado Barack Obama anunciaram, esta semana, o fim da proibição formal que vetava funções de combate a mulheres nas Forças Armadas.

Decisão histórica, embora tardia. Desde 1948 o general cinco estrelas Dwight Eisenhower já pregava a equiparação.

“A meu ver”, testemunhou o comandante da vitória aliada na II Guerra durante uma audiência no Congresso, “as mulheres da reserva devem ser integradas ao exército regular. Precisamos delas”. E precisam mesmo, pois já representam 15% da força total uniformizada.

No Canadá, mulheres integram unidades de combate há quase um quarto de século, e mesmo nos Estados Unidos elas frequentam as estatísticas de guerra, apenas sem qualquer reconhecimento formal: até agora, 140 já perderam a vida em combate e mais de 800 estão entre os feridos de Iraque e Afeganistão.

Atuam como oficiais de inteligência, pilotos de helicópteros Apache, policiais militares, médicas de campanha, motoristas de blindados.

No entanto, por estarem formalmente em missões “de apoio” e não de combate, permaneciam excluídas das promoções aos mais altos escalões da carreira.

A medida agora anunciada por Obama não precisa de aprovação do Congresso. Em caso de discordância, os parlamentares teriam de encaminhar nova lei proibindo a mudança, o que tem poucas chances de ocorrer.

Embutido na medida, foi dado o recado para quem praticava a guerra que deixou de ser invisível: a condescendência militar com a cultura do estupro tem prazo de validade.
Dorrit Harazim é jornalista

27 de jan de 2013

O risco do desalento, de Míriam Leitão, para O Globo

BRASIL - Opinião
O risco do desalento
“O Congresso se divorcia cada vez mais do sentimento do país”. “O Senado será presidido novamente pelo conhecidíssimo Renan Calheiros (PMDB-AL), aquele que saiu do cargo em 2007 no meio do escândalo de um caso de promiscuidade explícita com empreiteira que pagava suas contas íntimas”.


RETIRANTES, óleo sobre tela de Candido Portinari, 1944
Coleção do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, São Paulo, Brasil

Postado por Toinho de Passira
Texto de Míriam Leitão, para O Globo
Fonte: Blog de Míriam Leitão

O que há de desanimador no noticiário político dos últimos dias é ver o vigor do arcaico. É difícil encontrar algo mais antigo na República do que o truque de os políticos explorarem o drama das secas do Nordeste. E é tudo tão parecido: famílias que dominam a política de estados pobres e que encontram uma forma de ganhar nos contratos das obras contra as secas.

O deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) apresentou emendas que beneficiaram a empresa de Aluízio de Almeida, seu assessor, com recursos do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas, cujo titular o deputado indicou. Ele se defendeu dizendo que nada sabia da empresa; já o funcionário se demitiu depois de 14 anos de bons serviços. Isso não sana as dúvidas em relação ao fato de uma empresa de fachada ter contratos milionários e um bode tomando conta da sede. O pobre do animal foi desalojado depois de fotografado na sede vazia da empresa.

O Departamento Nacional de Obras Contra as Secas foi criado em 1909. Tem, portanto, mais de um século. Nesse período, enriqueceu muitas famílias da oligarquia nordestina. O órgão foi criado para aumentar a liquidez dos ricos e não para eliminar a aridez da vida dos pobres. Uma vasta seca voltou a machucar áreas do Nordeste, provando que um século não é o bastante.

O deputado faz sua campanha à bordo do avião do amigo e parceiro Newton Cardoso (PMDB-MG). Foi a várias capitais do país reunindo-se com os governadores e bancadas, num circuito cujo verdadeiro custo jamais se saberá.

O Senado será presidido novamente pelo conhecidíssimo Renan Calheiros (PMDB-AL), aquele que saiu do cargo em 2007 no meio do escândalo de um caso de promiscuidade explícita com empreiteira que pagava suas contas íntimas. Para se defender, ele apresentou notas frias de venda de gado. A liderança do PMDB, partido do vice-presidente, será do notório Eduardo Cunha (RJ), com tantos e tão controversos casos em sua ficha.

O Congresso se divorcia cada vez mais do sentimento do país. O futuro presidente da Câmara usa como argumento de defesa os seus 11 mandatos. Foi modesto. Deveria fazer até uma conta maior: com quantos mandatos de Alves se fez a política do seu estado nas últimas décadas.

Mais do que o Congresso, a política vai se distanciando dos cidadãos. Quadros que poderiam representar uma novidade repetem os velhos erros de relativizar valores. São Paulo vive uma situação surrealista pela união entre o prefeito Fernando Haddad e Paulo Maluf. O velho e conhecido político é influente na prefeitura a ponto de indicar secretários, mas ao mesmo tempo foi condenado pela Corte de Jersey a devolver R$ 58 milhões à prefeitura. Uma dualidade dessas, de fazer parte do consórcio do poder numa prefeitura à qual terá que indenizar por desvios é surrealista. Até quando o prefeito Fernando Haddad vai fingir que não vê essa fratura exposta?

Novos casos de Renan Calheiros voltam a aparecer no noticiário. A empreiteira Uchôa, de um empresário cujo irmão é sócio do filho de Renan, tem contratos milionários com a Caixa, no programa Minha Casa, Minha Vida. Não entrega as casas, mas a vida de todo o grupo Uchôa-Calheiros fica bem melhor.

A escolha de tais políticos para o comando do Senado, Câmara e liderança de um dos grandes partidos da coligação governista produz desalento. A indignação e revolta são sentimentos fortes, que mostram disposição de luta. O desalento é a véspera da desistência. É mais perigoso. Quando o eleitor vai sendo dominado por esse sentimento há o risco de que ele considere que nada disso vale o preço que custa aos cofres públicos. Esse é o maior dos prejuízos.

Incêndio em boate no Rio Grande do Sul mata 233

BRASIL - Luto
Incêndio em boate no Rio Grande do Sul mata 233
Informações do Corpo de Bombeiros dão conta de que, pelo menos, cerca de 400 pessoas estariam na boate Kiss, no momento do incêndio que teria ocorrido por volta das 2h. A Polícia Civil estima que há, pelo menos, 233 mortos e uma centena de feridos. Na boate acontecia a festa de quatro cursos da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) — Agronomia, Medicina Veterinária, Pedagogia e Tecnologia dos Alimentos. Ainda no local, ocorreria a festa de um bloco de carnaval da cidade, o Nagandaya.

Foto: Germano Roratto/ Agência RBS

Boate Kiss, em Santa Maria, na região central do Rio Grande do Sul, pegou fogo na madrugada de domingo

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Veja, Estadão, Zero Hora, BBC Brasil

Um incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, deixou 245 mortos na madrugada deste domingo, segundo policiais e bombeiros que estão no local. As chamas teriam começado durante um show pirotécnico, no encerramento da apresentação de uma banda. O prédio tinha grande quantidade de material de isolamento acústico, que produz fumaça tóxica em contato com o fogo.

Outras 48 pessoas recebem atendimento, esta manhã, em hospitais da região. O trabalho de rescaldo no local ainda está sendo feito. Bombeiros afirmam que a maior parte das mortes se deu por asfixia.

No momento do incêndio, por volta das 2h deste domingo, havia entre 1.000 e 2.000 pessoas na casa noturna, a maioria jovens e adolescentes. As primeiras informações são de que o cantor da banda que se apresentava na boate acendeu um sinalizador que atingiu o teto. A partir daí, o fogo se espalhou rapidamente.

Segundo o jornal local Diário de Santa Maria, acontecia na boate uma festa dos cursos de Agronomia, Veterinária, Pedagogia e Tecnologia dos Alimentos da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). No local, também ocorria a festa de um bloco de carnaval da cidade, o Nagandaya.

Policiais, guardas municipais e militares estão no local, em um total de aproximadamente 10 forças de segurança. "Os bombeiros estão fazendo o rescaldo e procurando outras vítimas. Não podemos precisar o número exato de vítimas. A maior parte dessas pessoas morreu asfixiada. Elas entraram em pânico e acabaram pisoteando umas às outras. O principal fator (para as mortes) foi a asfixia. O isopor gera uma fumaça muito tóxica", afirmou o comandante geral do Bombeiros, coronel Guido de Melo. Os corpos são levados para o Centro Desportivo Municipal de Santa Maria, porque não há espaço suficiente no Instituto Médico Legal da cidade.

O governador do RS, Tarso Genro, confirmou, por meio de sua conta no Twitter, que se dirigirá a Santa Maria. "Domingo triste! Estamos tomando as medidas cabíveis e possíveis. Estarei em Santa Maria no final da manhã", escreveu o governador.

A presidente Dilma Rousseff cancelou seus compromissos no Chile e viaja para Santa Maria ainda hoje.

A rodada deste domingo do campeonato gaúcho foi cancelada.

Silas Malafaia processa a revista americana Forbes

BRASIL - Polêmica
Silas Malafaia processa a revista americana Forbes
O Pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, disse que seu patrimônio é menor do que 2% do que foi noticiado pela revista americana em reportagem sobre a fortuna dos pastores brasileiros, sua colocação no ranking dos pastores milionários, segundo ele, prejudicou o recebimento de dízimo, e que ele e a congregação vivem de doações, reduzidas drasticamente após a reportagem. Por isso contratou um escritório de advocacia especializado nesse tipo de ação e vai processar nos Estados Unidos a publicação exigindo reparação moral e indenização milionária

Foto: Facebook

"Vou ferrar esses caras (da Forbes)", declarou Malafaia em entrevista à coluna de Mônica Bergamo, no jornal Folha de S. Paulo.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Época, ”thepassiranews”, Forbes, Notícia Gospel, Blog de Monica Bergamo, IstoÉ, Facebook Malafaia

O pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, decidiu processar a revista americana Forbes, que lhe atribuiu em reportagem recente, uma fortuna de R$ 150 milhões. O religioso diz ter um patrimônio de R$ 6 milhões. Para tanto, Malafaia contratou a banca carioca de Jorge Bassit Neto e a orientou a acionar a Forbes nos Estados Unidos.

Na semana passada, a Forbes fez um ranking mostrando o tamanho do patrimônio de pastores brasileiros que ficaram milionários. À frente de Malafaia, estão Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus, e Valdemiro Santiago, fundador da Igreja Mundial do Poder de Deus.

"Vou ferrar esses caras (da Forbes)", declarou Malafaia em entrevista à coluna de Mônica Bergamo, no jornal Folha de S. Paulo. O pastor disse que estima seu patrimônio em R$ 6 milhões, o que não chegaria a 2% dos US$ 150 milhões que a Forbes atribuiu a ele.

"Vivo de renda voluntária. Eles me prejudicaram. [O fiel] vê aquilo e pensa, 'ih, não vou [dar o dízimo], tá me roubando", afirmou.

Malafaia disse que a maior parte do seu patrimônio é formada por nove imóveis, entre eles, uma casa na zona oeste do Rio de Janeiro, estimada em R$ 2,5 milhões, apartamentos para os três filhos avaliados em R$ 400 mil cada um, e um apartamento em Boca Raton, na Flórida, no valor de R$ 500 mil. O pastor disse ainda que doou uma Mercedes blindada à igreja que foi presente de um empresário rico e amigo.

O carioca Silas Malafaia, 54 anos, é um dos mais antigos tele-evangelistas do País, Malafaia é um ex-conferencista que se tornou pastor há apenas dois anos e meio e já administra 120 templos pelo Brasil. Nascido em Jacarepaguá, zona oeste do Rio, casado há 32 anos e pai de três filhos, o sacerdote conta que a maior oferta que um fiel deu em sua igreja foi de R$ 2 milhões e a sua editora fatura R$ 45 milhões por ano.

Em sua página oficial no Facebook, Malafaia se defendeu postando por várias vezes o link de um comunicado oficial emitido por ele sobre o assunto na sexta-feira (18/01) e publicado no site Verdade Gospel, no qual diz que vai se defender da “safadeza” inescrupulosa da Forbes.

O texto, assinado por Malafaia, diz que "existe um jogo muito bem organizado para denegrir pastores evangélicos a fim de que a sociedade tenha uma ideia de que pastor é um malandro usurpando dinheiro de imbecis e idiotas."

O pastor diz que nunca negou informação a nenhum veículo de mídia, que todo o seu patrimônio foi constituído de forma legal e que há 25 anos não recebe salário pelo seu trabalho como pastor.

"Se juntarmos a receita da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, que não é minha, mais a receita da Associação Vitória em Cristo, que não é minha, com mais o faturamento da Editora Central Gospel, que é minha propriedade, mais as ofertas voluntárias que recebo por palestras dadas, não dá a metade do que eles anunciaram como receita pessoal minha. É só para vocês verem a safadeza e a cachorrada desses inescrupulosos", diz um trecho da carta.

Por fim, Malafaia diz que todo o seu patrimônio foi declarado à Receita Federal, segundo a Forbes, os dados mostrados na reportagem foram obtidos com o Ministério Público e a Polícia Federal.
Segundo a Forbes esse é o ranking da fortuna dos pastores evangélicos brasileiros:

1 - Edir Macedo - Fundador e líder da Igreja Universal do Reino de Deus, que também tem templos no Estados Unidos. A fortuna chegaria a US$ 950 milhões.

2 -Valdemiro Santiago - Ex-pastor da Igreja Universal do Reino de Deus e fundador da Igreja Mundial do Poder de Deus. Teria acumulado US$ 220 milhões.

3- Silas Malafaia - Líder do braço brasileiro da Assembleia de Deus, maior igreja pentecostal do Brasil. Em 2011, a fortuna estimada era de US$ 150 milhões dólares.

4 - RR Soares - Compositor, cantor e apresentador Romildo Ribeiro Soares é o fundador da Igreja Internacional da Graça de Deus. O valor estimado seria de US$ 125 milhões dólares .

5 - Estevam Hernandes Filho e sua esposa, Bispa Sonia - Fundadores da Igreja Renascer em Cristo. A fortuna estimada é de US$ 65 milhões.

A boa vida de Demóstenes

BRASIL - Corrupção
A boa vida de Demóstenes
Sem mandato e prestígio, o ex-senador Demóstenes continua a desfrutar dos luxos da época de parlamentar. Comemorou o Réveillon num dos melhores restaurantes de Paris, frequenta uma badalada academia, faz tratamentos em clínicas estéticas e degusta vinhos

Foto: Adriano Machado/IstoÉ

FELIZ E ASSOVIANDO - No dia de seu aniversário, o ex-senador Demóstenes Torres saiu de casa de terno e gravata, mas não teve compromisso social: foi a uma clínica estética e comprou iguarias para o jantar

Postado por Toinho de Passira
Texto de Josie Jeronimo, para IstoÉ
Fontes: IstoÉ, Taillevent

Apanhado nos grampos que ajudaram a condenar o contraventor Carlinhos Cachoeira a 39 anos e 8 meses de prisão, o ex-senador Demóstenes Torres perdeu o mandato de senador em junho de 2012 e foi afastado do Ministério Público de Goiás. Seis meses depois, porém, embora desprovido de cargo e prestígio, o ex-parlamentar do DEM não perdeu a pose nem a boa vida sustentada por luxos e prazeres dos tempos de parlamentar, quando foi considerado no Congresso uma espécie de paladino da ética, antes de ser flagrado em tramoias com o bicheiro. A fama de mocinho acabou, mas sua rotina continua à base do bom e do melhor.

Na quarta-feira 23, em seu primeiro aniversário depois da queda, assistiu-se a uma pequena romaria na entrada do condomínio Parque Imperial, em Goiânia, onde Demóstenes reside num apartamento avaliado em R$ 2 milhões. Vestido de paletó e gravata, Demóstenes saiu de casa pouco depois das 9 da manhã. Ocupado, conforme um assessor, com os preparativos de um jantar de aniversário, assumiu o volante de uma Vera Cruz Hyundai e passou duas horas fora de casa. No fim da tarde, saiu mais uma vez, dirigindo-se a uma clínica estética. No carro com o vidro semiaberto, dava tchauzinho para quem o reconhecia. Em sua vida sem mandato, Demóstenes tem aproveitado para fazer testes frequentes de popularidade.


Semanas antes de comemorar seu aniversário, o ex-senador saiu-se bem quando enfrentou 20 minutos de fila no Vapt-Vupt – nome do Poupatempo em Goiânia – para trocar o passaporte diplomático, a que tinha direito como senador, pelo comum. Foi reconhecido por cidadãos anônimos, que tiraram fotos com celular. A maioria o aplaudia, mas a funcionária Raquel Silva enquadrou a equipe de atendentes que ameaçava entrar na algazarra: “Coloquei o Demóstenes numa fila. Quando o pessoal foi tirar foto, igual a uma celebridade, eu disse: ‘Menos, gente, menos.’” Dias depois da cassação ele foi à rodoviária para renovar a carteira de motorista. Recebeu abraços e cumprimentos. O mesmo aconteceu em suas idas a supermercados.

A situação se inverte quando Demóstenes aparece nos lugares mais nobres da capital de Goiás. Numa badalada academia de ginástica localizada na Praça do Ratinho, que frequenta há anos, o tratamento é outro – revelam os funcionários. Antes, as pessoas daquele local, um dos pontos de concentração do mundo endinheirado da cidade, formavam rodinha para ouvir histórias e perguntar sua opinião. Na última semana, foi visto sozinho, como uma companhia a ser evitada. Um motorista de táxi que costuma levar Demóstenes até o aeroporto conta que recentemente ele estava muito animado e falante até a metade do caminho. Mas, quando o carro passou pelo rio Meia Ponte, ocorreu uma cena significativa. Chovia muito naquele dia, e o taxista comentou: “O rio Meia Ponte está parecendo uma cachoeira.” Ele conta que após ouvir a palavra “cachoeira” Demóstenes amarrou a cara e fez o resto da viagem em silêncio.

A vida de Demóstenes depois da queda tem elementos que lembram um melodrama do século XIX, mas vários capítulos poderiam ser escritos por Robert Parker, o mais celebrado enólogo do planeta. Em dezembro, Demóstenes esteve em Paris para passar o Réveillon e aproveitou a estadia para jantar no Taillevent, um dos mais exclusivos restaurantes da capital francesa. Situado a poucos passos da avenida Champs-Élysées e do Arco do Triunfo, o Taillevent serve vinhos que custam em média 1,8 mil euros, mas podem chegar a 18 mil euros, caso o cliente opte pelo Bordeaux Château Lafite-Rothschild, safra 1846. O gosto do ex-senador por vinhos raros e caros tornou-se conhecido nacionalmente depois que a Polícia Federal descobriu que Cachoeira lhe deu um lote de cinco garrafas do maravilhoso Bordeaux Cheval Blanc (nota mínima de 93 sobre 100 nas avaliações disponíveis de Robert Parker), pagando US$ 14 mil pela iguaria. Como se vê, longe do Senado e dos holofotes da televisão que ajudaram a transformá-lo num campeão da moralidade pública, Demóstenes continua um cálice refinado e aplicado.

Foto: Divulgação

E AGORA GURGEL ? - O Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, promete acelerar investigações, mas o caso que analisa a expulsão de Demóstenes do Ministério Público caminha a passos lentos

Hoje em dia ele só aparece em Brasília uma vez por semana e passa a maior parte de seus dias em Goiânia. Foi ali que, há poucos dias, num jantar no restaurante Madero, degustou uma garrafa de Pêra Manca (nota mínima de 86 na avaliação de Parker), que custa R$ 940. Em outra ocasião, numa visita à cantina San Marco, informou aos garçons que faria um pedido modesto, para uma refeição rápida. Pediu um Sirah Incógnito, português cujo preço é R$ 450 (87 sobre 100 na avaliação de Parker). Ficou contrariado porque o estoque havia acabado. Acabou servindo-se de um Malbec argentino, o Angélica Zapata, a R$ 300 a garrafa (a qualidade varia, mas Parker deu 91 para a safra de 1997). Ao reunir três procuradores para um encontro festivo, Demóstenes pediu um “Barca Velha”, que pode chegar a R$ 1,4 mil nas boas safras. Como brinde de Natal, Demóstenes distribuiu aos amigos e aliados políticos uma garrafa do sugestivo espumante português “Terras do Demo”, vendida a R$ 80. Procurado por ISTOÉ para uma entrevista, Demóstenes alegou que, orientado por seus advogados, preferia não dar depoimento nem responder a perguntas, mas ficou claro que ainda acumula poder no Estado. Instalada nas vizinhanças da residência do ex-senador, a equipe de ISTOÉ foi abordada por uma viatura policial, que pediu documentos.

Do ponto de vista legal, Demóstenes tem algumas complicações pela frente. Em agosto de 2012, com receio de que, mesmo sem mandato, ele ainda tivesse influência para livrar-se de qualquer investigação interna, 82 procuradores de Goiás assinaram um manifesto público exigindo que fosse aberta uma investigação sobre sua conduta. O caso hoje se encontra no Conselho Nacional do Ministério Público, que tem três opções pela frente. Pode transformar o afastamento temporário em permanente, sem maiores consequências para Demóstenes. Pode ainda aposentá-lo compulsoriamente, o que lhe permitiria conservar os vencimentos de R$ de 24 mil. Ou votar por sua demissão, que implicaria perda de qualquer benefício.

Responsável por arquivar as primeiras denúncias sobre Cachoeira que chegaram ao Ministério Público, o procurador-geral, Roberto Gurgel, costuma fazer pronunciamentos enfáticos em que confirma a disposição de acelerar as investigações contra Demóstenes. Procurado para comentar o caso, o procurador-geral mandou dizer, através de uma assessora, que sempre atuou no Conselho de forma isenta, “sem qualquer interferência nas decisões, como qualquer conselheiro poderá confirmar”. Na prática, o caso caminha devagar. Amigo de Demóstenes, o conselheiro Fabio Silveira foi sorteado como primeiro relator e depois de 20 dias declarou-se impedido, o que já atrasou o processo em um mês.

A apreciação dos embargos apresentados pela defesa estava marcada para a terça-feira 29, mas já foi retirada da pauta, o que pode atrasar o exame geral do caso, inicialmente previsto para fevereiro. Com receio daquilo que, em outros tempos, Demóstenes denunciava como pizza, na semana passada três promotores do Ministério Público de Goiás circulavam por Brasília, procurando marcar audiências com os 13 conselheiros que terão a palavra final sobre o caso. “Queremos um julgamento justo, em tempo razoável,” afirma um deles, Reuder Cavalcanti. Ele entende que, numa decisão equilibrada, Demóstenes não deve ter direito a aposentadoria compulsória porque passou os 13 anos fora do Ministério Público. “É por causa desse afastamento que defendemos a demissão.” Para Luiz Moreira Gomes, que foi representante do Congresso no Conselho do Ministério Público, já conseguiu uma nova eleição pelo voto dos deputados e aguarda uma deliberação do Senado que pode reconduzi-lo ao posto, o episódio de Demóstenes tem um caráter exemplar. “A inércia foi uma demonstração de que o Ministério Público não adota para si a conduta criteriosa que exige dos outros,” afirma.

Por causa de uma decisão do ministro Ricardo Lewandowski, vice-presidente do Supremo Tribunal Federal, Demóstenes também enfrenta um inquérito criminal no Tribunal Federal Regional da 1a Região. É investigado por corrupção passiva, prevaricação e advocacia administrativa. Esse processo é mais demorado e não tem prazo definido para chegar a uma conclusão.

Ao perder o mandato, Demóstenes ficou inelegível até 2027. Há poucas semanas, contestando o período em que não poderá candidatar-se, ele apresentou recurso ao Tribunal Regional Eleitoral para rever a decisão. Perdeu, mas cabe uma segunda tentativa. As incertezas da Justiça colocam várias opções no futuro político do ex-senador. Ele não foi totalmente abandonado pelos antigos aliados nem será. Muitos deles têm interesse confesso em sua herança. O deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), que atua na mesma fatia do eleitorado, prepara sua candidatura ao Senado em 2014 e conta com os votos de Demóstenes.

No plano pessoal, Demóstenes pensa em atuar como advogado de grandes empresas. Atualmente, além dos vencimentos como procurador (R$ 24 mil), Demóstenes tem rendimentos como sócio da Nova Faculdade, estabelecimento de ensino em Contagem, Minas Gerais. O dono da instituição é Marcelo Limírio, sócio de Cachoeira em redes de laboratórios de Goiás. Nas conversas em que fala de seus planos, Demóstenes tem dito que, se for condenado pelo Conselho da Magistratura, poderá advogar. Wellington Salgado, ex-senador e amigo fiel, já se dispôs a ajudar.

Foto: Divulgação

ADEGA DO TAILLEVENT - Bordeaux Château Lafite-Rothschild, safra 1846, no centro, pode custar 18 mil euros


Colaboraram: Izabelle Torres e Claudio Dantas Sequeira
Fotos: divulgação; adriano machado; Directphoto
Foto: Adriano Machado

26 de jan de 2013

Ministério Público vai a justiça para obrigar governador do Ceará a devolver cachê pago a Ivete Sangalo

BRASIL – Escândalo
Ministério Público vai a justiça para obrigar governador do Ceará a devolver cachê pago a Ivete Sangalo
O Estado do Ceará pagou R$ 650 mil de cachê à cantora Ivete Sangalo para que ela fizesse um show na inauguração de um hospital em Sobral, base eleitoral do governador Cid Gomes (PSB), na sexta-feira passada. Segundo o procurador federal a verba foi retirada do Fundo Municipal de Saúde (FMS), e questiona a legalidade e a moralidade de se gastar verba destinada a saúde com promoção política.

Foto: Dom Lobo/Prefeitura de Sobral

Ivete no Show em Sobral, uma hora que custou mais de meio milhão aos cofres públicos.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: O Globo, G1, Estadão, Folha de S. Paulo, Facebook Prefeitura de Sobral

A polêmica referente à contratação do show da cantora baiana Ivete Sangalo pelo Governo do Estado do Ceará agora tem um novo ingrediente. O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou na tarde desta quinta-feira uma ação contra o governador Cid Gomes, pedindo que ele seja condenado a devolver o dinheiro aos cofres públicos.

O cachê da cantora foi de R$ 650 mil. Ela fez o show de inauguração de um hospital no município de Sobral, no último dia 18. O procurador da República Oscar Costa Filho solicita que a restituição seja feita com os recursos financeiros do próprio governador. Segundo ele, a verba foi retirada do Fundo Municipal de Saúde (FMS).

— O que ele vem fazendo são privilégios. Isso viola o princípio da moralidade administrativa. Nós vivemos hoje uma verdadeira crise de atendimento nas emergências dos hospitais públicos, que não têm estrutura. É um desrespeito com os pacientes que estão nas filas — argumenta o procurador, que recentemente ingressou com uma outra ação, solicitando a criação de leitos.

Ele pede também que a Justiça determine a abstenção por parte do governador de utilizar recursos públicos vinculados direta ou indiretamente à saúde pública para a realização de eventos festivos.

A assessoria de imprensa do governo do estado informou que ainda não houve notificação oficial em relação à ação civil pública, mas adiantou que o dinheiro utilizado para pagar o show da cantora foi proveniente da Casa Civil, e não do FMS.

Para o Ministério Público de Contas (MPC), é preciso averiguar a legalidade em torno do valor. Segundo o procurador-geral do MPC, Gleydson Alexandre, contratações recentes do show de Ivete feitas por instituições públicas custaram entre R$ 400 e R$ 500 mil. Para justificar o cachê, o Governo havia apresentado dois exemplos de contratação da cantora.

— O problema é que um deles foi há mais de um ano e o outro foi o da penúltima festa de ano-novo de Fortaleza. Nós sabemos que cachê de festa de réveillon não deve ser usado como referência porque normalmente os artistas aumentam o valor. Além disso, a legislação diz que é preciso apresentar três exemplos recentes da contratação do artista para servir como base, e isso não ocorreu — argumenta o procurador.

Já no ano passado ele havia entrado com uma representação junto ao TCE para que fosse feita uma vistoria nas contas. Na semana passada, o então presidente interino do Tribunal, Pedro Timbó, arquivou o processo. Após esse episódio, o MPC ingressou com um recurso na última segunda-feira e agora aguarda a avaliação pelo pleno, que é esperada para o dia 5 de fevereiro.

— A partir desse resultado é que vou tomar as providências cabíveis — sublinhou Gleydson Alexandre.

Vale ressaltar que a polêmica em torno do cachê de Ivete Sangalo foi motivo de um ácido embate entre ele e o governador Cid Gomes, que chegou a classificá-lo como “um garoto que deseja aparecer e fica criando caso”. A declaração gerou muita polêmica e provocou a reação da Associação Cearense do Ministério Público (ACMP) e da Associação Nacional do Ministério Público de Contas (Ampcon), que publicaram nota repudiando a atitude do governador.

“As declarações feitas por ele são desrespeitosas em relação ao Ministério Público de Contas (MPC) e demonstram que o chefe do Executivo estadual não tem o menor respeito pelas instituições democráticas (...) Ademais, o direito de recorrer do MPC é assegurado constitucionalmente e será exercido toda vez que a decisão combatida estiver contrária ao interesse público, à Constituição ou à jurisprudência dos Tribunais Superiores”, defendeu-se o procurador, em nota.

No que tange ao show da cantora Ivete Sangalo, o governo do estado também informou não ter recebido nenhuma notificação sobre o recurso ajuizado pelo MPC.

Foto: André Teixeira/G1

Três milhões pelo show de Plácido Domingo, na inauguração do Centro de Convenções, só para poucos e seletos convidados do Governador Cid Gomes

MAIS POLÊMICAS

Além da discussão em torno do show da cantora Ivete Sangalo, o governo do estado do Ceará deve prestar mais esclarecimentos acerca da contratação do tenor espanhol Plácido Domingo, que teria custado mais de R$ 3 milhões. É o que garante a conselheira do Tribunal de Contas do Estado do Ceará Soraya Victor, relatora do processo que apura o caso. Segundo ela, o despacho para a notificação foi dado na última quarta-feira, 23.

O artista foi uma das atrações da inauguração de um centro de eventos em Fortaleza, em agosto do ano passado, e a contratação também se tornou alvo de muita polêmica. A festa foi restrita a 3 mil convidados do governador Cid Gomes.

O Ministério Público de Contas havia entrado com uma representação junto ao TCE para que o governo do estado apresentasse a justificativa de preço e também a demonstração da exclusividade da empresa contratada, a D & E Consultoria e Promoção de Eventos Ltda. O objetivo era principalmente saber se o trâmite havia respeitado a Lei Nº 8666/93, que rege licitações e contratos públicos.

De acordo com o procurador-geral do MP, Gleydson Alexandre, para contratar trabalho artístico não é preciso fazer licitação, mas a legislação determina que isso seja feito diretamente com o artista ou com a empresa que tenha a exclusividade para agenciar o trabalho dele.

A análise técnica feita pelo TCE foi finalizada na sexta-feira passada. Segundo Soraya Victor, o governo não apresentou a justificativa de preço.

— Em relação à empresa contratada, foi enviada uma documentação, mas isso será avaliado pelo pleno do Tribunal — informa a conselheira.

Ela disse também que ainda não se sabe ao certo qual o custo total da festa.

— Não temos o detalhamento das despesas. É preciso verificar, por exemplo, se os gastos com bufê, mesa, decoração estão incluídos no pacote de R$ 3,3 milhões ou se isso foi somente o cachê do Plácido Domingo. É por isso que pedimos mais esclarecimentos — explicou ela.

A assessoria de comunicação da Casa Civil informou que o governo ainda não foi oficialmente notificado sobre o assunto, mas salientou que todos os esclarecimentos foram encaminhados ao TCE ainda em 2012. O prazo para o pronunciamento agora é de 15 dias a contar da notificação. Por conta do período de férias coletivas, o TCE só deve avaliar o caso novamente em fevereiro.

O governador Cid Gomes é um verdadeiro mecenas, no seu currículo de altos cachês, estão meio milhão para o cantor Luan Santana e a mesma quantia para a dupla Zezé di Camargo e Luciano no réveillon de 2013 promovido pelo governo em Fortaleza.

Isso sem levar em conta os efeitos terríveis da seca que assola o estado do Ceará, os problemas com a saúde, a educação e a segurança. Além, é claro, de evidentes suspeitas de cachês superfaturados e propinas dividida com os contratadores.


Lula se nomeia co-presidente do Brasil

BRASIL – Bizarro
Lula se nomeia co-presidente do Brasil
“Primeiro, Lula comunicou que está aprendendo a ser ex-presidente, e ensinou que “é necessário tomar cuidado para fazer política sem parecer que quer continuar no cargo de mandatário”. Em seguida, deixou claro que continuará fazendo exatamente o contrário do que acha certo”.

Foto: Instituto Lula

Lula num encontro de intelectuais, parece piada e é mesmo

Postado por Toinho de Passira
Texto de Augusto Nunes, para a Veja
Fonte: Blog do Augusto Nunes

Quando Lula agarra um microfone, os plurais saem em desabalada carreira, a gramática se refugia na embaixada portuguesa, a regência verbal se esconde no sótão de um casarão abandonado, o raciocínio lógico providencia um copo de estricnina (sem gelo) e os dicionários se apavoram com a iminência de outra selvagem sessão de tortura. Já no primeiro parágrafo, os brasileiros que não tratam o idioma a socos e pontapés ficam pálidos de espanto ou vermelhos de vergonha. Menos os devotos da seita lulopetista.

“Quando Lula fala, o mundo se ilumina”, jura há quase 10 anos Marilena Chauí, professora da USP que também jura ser filósofa. A descoberta assombrosa justifica o lugar reservado à companheira no “Encontro com Intelectuais sul-americanos”, promovido nesta segunda-feira pelo Instituto Lula: Marilena está no palco, sentada à direita do Mestre. Com o rosto apoiado numa das mãos, parece à espera do momento em que a luminosidade do orador obrigará a plateia a proteger os olhos com óculos escuros.

Os presentes, esclarece a inscrição atrás da mesa, são Intelectuais (assim mesmo, com I maiúsculo). Estão reunidos não para um “encontro de” qualquer, mas para o “Encontro com”. Com Lula, naturalmente. Na abertura da discurseira, o ex-presidente avisou que estava ali para ouvir. Só parou de falar quando a garganta implorou por descanso. Gastou alguns minutos louvando a integração dos Intelectuais da América do Sul. No resto do tempo, tratou do que efetivamente interessa a um palanqueiro em campanha há quase 40 anos.

Primeiro, Lula comunicou que está aprendendo a ser ex-presidente, e ensinou que “é necessário tomar cuidado para fazer política sem parecer que quer continuar no cargo de mandatário”. Em seguida, deixou claro que continuará fazendo exatamente o contrário do que acha certo. “Lula vai cuidar pessoalmente das articulações com a base de Dilma para tentar garantir apoio à reeleição da presidente”, contou o companheiro Paulo Vanucchi aos jornalistas proibidos de testemunhar a aula de incoerência. Segundo o diretor do Instituto Lula, o chefe “vai gastar toda a energia para a manutenção da aliança entre PT, PMDB e PSB”. Ou seja: para assegurar a permanência de Dilma Rousseff no poder, Lula resolveu reduzir-lhe os poderes e nomear-se co-presidente.

O primeiro encontro entre a presidente eleita e o presidente que nunca desencarnou do Planalto deveria ocorrer em Brasília. Dilma sugeriu que conversassem em São Paulo nesta sexta-feira, quando visitará a cidade para participar das comemorações do aniversário. A aparente demonstração de subserviência camufla a esperteza geopolítica. Assombrado pelo caso Rose e pelo pau de macarrão de Marisa Letícia, tudo o que Lula quer é ficar longe de casa. A presidente vai mantê-lo por aqui no feriadão que começa no dia 25.

Pena que a afilhada não se anime a bater de frente com o padrinho. Se lhe estendesse o tratamento que dispensa aos ministros, o local do encontro seria o escritório da Presidência da República em São Paulo. Assim que Lula entrasse na sala que abrigava a chefe de gabinete, Dilma perguntaria se o visitante notou alguma mudança na paisagem. Ou se acha que está faltando alguém.
*Alteramos o título, acrescentamos subtítulo e legenda a publicação original

21 de jan de 2013

O segundo e último ato de Obama, de Caio Blinder, para a Veja

ESTADOS UNIDOS - Opinião
O segundo e último ato de Obama
Barack Obama está diante de um inimigo formidável: ele mesmo

Foto: Pete Souza/White House

Obama voltando à Casa Branca

Postado por Toinho de Passira
Texto de Caio Blinder, de Nova Iorque, para a Veja
Fonte: Blog do Caio Blinder

Em sua curta e intensa carreira política, Barack Obama já derrotou inimigos formidáveis como Hillary Clinton (sua rival nas primárias democratas em 2008) e uma crise econômica que tinha tudo para impedir sua reeleição em novembro passado. Sua sorte é ter enfrentado rivais republicanos menos formidáveis como John McCain e Mitt Romney.

Agora no seu segundo mandato, Obama está diante de um inimigo formidável: ele mesmo. O presidente nunca mais irá concorrer à presidência e até agora se mostrou muito melhor para fazer campanha do que para governar. Aliás, prefere fazer campanha do que fazer política, como se esta última atividade fosse uma tarefa menor.

O risco é Obama enraizar este seu talento para fazer campanha como um componente integral de governança, porque é mais vantajoso e mais fácil, especialmente com a demografia do lado do presidente, com seu bloco eleitoral de mulheres, jovens, minorias e setores profissionais mais sofisticados.

Improdutivos - Nada errado, por outro lado, em pegar pesado contra os republicanos. Eles merecem e Obama finalmente se mostra mais vigoroso para fincar posições, como contra a absurda postura republicana de usar a elevação do teto da dívida como chantagem em negociações fiscais. Até setores empresariais expressam preocupação com a irresponsabilidade e improdutividade da classe política, em particular os republicanos. Nenhuma surpresa que uma pesquisa meio folclórica tenha mostrado que o Congresso americano seja menos popular do que colonoscopia e piolho.

Os republicanos estão perdendo capital político e se tornaram basicamente obstrucionistas. Eles correm o risco de se petrificarem como o partido de brancos sulistas e rancorosos, especialmente homens. No entanto, eles existem. Ademais, uma parcela do país não é alinhada a nenhum dos dois grandes partidos e nunca se deixou enfeitiçar pela magia Obama. O presidente democrata não pode simplesmente passar ao largo de um partido que tem maioria na Câmara e se dirigir diretamente à nação para fazer pressão para concretizar sua agenda.

Recuo tático - Há alguns sinais de ao menos um recuo tático dos republicanos nos duelos com os democratas no impasse fiscal. A linha da ala mais barra pesada é de que “para salvar a aldeia é preciso destruí-la”, no raciocínio de que é melhor a economia despencar a curto prazo para arrumar as contas mais a longo prazo. Mas setores mais responsáveis e pragmáticos fizeram alertas de que até lá, no longo prazo, o partido irá despencar junto com o país. Diante de sinais de bom senso (ou no mínimo de autopreservação politica dos republicanos), Obama precisa responder à altura.

Claro que o presidente e seu partido gostariam de encurralar os republicanos, reforçando sua imagem como um partido radical e atrasado, para reconquistar a Câmara nas eleições de 2014 (os democratas ja controlam o Senado). Normal um partido buscar hegemonia com base nas regras da democracia, mas isto será muito difícil para os democratas a curto prazo. O redistritamento que ocorre a cada dez anos favorece o status quo. Com isto, uma grande onda que reverta as coisas é improvável no ano que vem.

Maioria governante - Mais viável para Obama é conseguir uma “maioria governante” em que sejam possíveis acordos bipartidários em algumas questões urgentes e outras mais estruturais. Por ora, esta costura é um remendo da minoria democrata com setores republicanos na Câmara.

A curto prazo, existem condições para estes acordos em controle de armas e imigração. No primeiro caso, a opinião pública indica ser favorável a algumas medidas (como expansão de exigência de antecedentes criminais para compradores de armas) e há perspectivas para a reforma da imigração, ou seja, ajustes no status dos imigrantes ilegais, pois algumas lideranças republicanas e possíveis candidatos presidenciais estão conscientes de que o partido precisa reciclar sua imagem como um bastião de insularidade e mesmo xenofobia, como ficou demonstrado pelo catastrófico apoio eleitoral em novembro junto a latinos e asiáticos.

O grande teste de Obama será na economia, em termos mais específicos na questão fiscal e na necessidade de enxugar programas sociais. Aqui o presidente precisará mostrar coragem. Desde o furacão Sandy, no final de outubro, o governador republicano de Nova Jersey, Chris Christie, ficou conhecido por sua coragem. Ele rompeu com a ortodoxia do seu partido e foi efusivo com o presidente, demonstrando espirito bipartidário. Na semana passada, Christie novamente mostrou audácia e alertou que seu partido não pode ser refém do lobby das armas, a Associação Nacional do Rifle.

Coragem republicana – Mas há outro republicano muito corajoso que rompeu com a ortodoxia partidária. Tom Coburn, é senador pelo Oklahoma, um daqueles estados mais associados ao atraso republicano, de gente jeca, que questiona a teoria da evolução, duvida do aquecimento global e acha que “os helicópteros pretos” da ONU estão chegando.

Coburn foi um raro republicano que aceitou a necessidade de uma maior arrecadação tributária mesmo antes da crise do abismo fiscal na virada do ano. Ele agora desafia democratas e o presidente Obama a assumirem riscos no corte de gastos, como ele assumiu com arrecadação.

O que pode mover Obama é a necessidade de um legado. O presidente não controla eventos (tragédias naturais ou crises internacionais), mas dentro de casa sua prioridade é engatar uma economia mais saudável. Na semana passada, Obama se reuniu com historiadores e biógrafos presidenciais para debates temas como lições de seus antecessores.

A informação foi a de que ele encontrou semelhanças e inspiração no segundo mandato de dois presidentes: Franklin Roosevelt, que assumiu em 1937 para um segundo mandato ainda com mazelas econômicas, depois da Grande Depressão, e uma oposição empedernida, que o considerava socialista e traidor de sua classe.

Outra inspiração na conversa foi Dwight Einsenhower, o comandante das forças aliadas na Segunda Guerra Mundial, que ao final do segundo mandato em 1961 advertiu sobre os perigos de um “complexo militar-industrial”.

Liberalismo reacionário – Obama está correto: é preciso um Pentágono mais enxuto, mas também é preciso repensar o arsenal social do país e até agora o presidente não deu mostras de ser aguerrido nesta questão de oferecer concessões significativas em programas de saúde e de aposentadoria. O presidente precisaria de coragem para enfrentar o “liberalismo reacionário” de setores da base democrata, que não arredam pé de seus benefícios.

Aliás, estão aí as lições de dois outros presidentes, o republicano Ronald Reagan e o democrata Bill Clinton que souberam negociar e fechar acordos com uma oposição aguerrida. Obama tem agora a segunda e última chance.

Ex-presidente Lula é eleito a personalidade mais corrupta de 2012

BRASIL - Corrupção
Ex-presidente Lula é eleito a personalidade mais corrupta de 2012
‘Algemas de Ouro’ também premiou o senador cassado Demóstenes Torres e o governador Sérgio Cabral. Eleição foi marcada por fraude eletrônica na votação. Perfis falsos no Facebook direcionaram 38% dos votos para candidatos ligados a PSDB e DEM

Foto: Leo Martins / Agência O Globo

O Troféu Algemas de Ouro 2012, premiou os politicos Demóstenes Torres, Sergio Cabral e Lula, representados por integrantes mascarados do Movimento 31 de julho, que foram receber os prêmios, ou seja, as algemas

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Folha de S. Paulo, O Globo, CBN, Trofeu Algemas de Ouro- FaceBook

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começou 2013 vencendo mais uma eleição. Entre as personalidades mais corruptas de 2012, Lula ganhou com 65,69% dos 14.547 votos válidos o Troféu Algemas de Ouro. Em segundo lugar, com 21,82%, ficou o ex-senador Demóstenes Torres (sem partido) seguido pelo governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB), com 4,55%.

Ironicamente, a segunda edição da premiação organizada pelo Movimento 31 de Julho foi marcada pela fraude. Os organizadores detectaram a utilização de um programa de votação automática que criou perfis falsos no Facebook, que direcionou 38% do total de votos (23.557) para candidatos ligados ao PSDB e ao DEM.

A premiação, que aconteceu na tarde deste domingo no Leblon, Zona Sul do Rio, foi marcada pela descontração. Em clima de carnaval, com máscaras representando os candidatos que disputaram o Algemas de Ouro 2012, os manifestantes elogiaram a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) na condução do julgamento do mensalão e lembraram os feitos “históricos” de cada concorrente. Além de Lula, Demóstenes e Cabral, estavam no pleito o senador Jader Barbalho (PMDB-PA); os deputados federais Eduardo Azeredo (PSDB-MG) e Paulo Maluf (PP-SP); o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, e sua ex-companheira de Esplanada, Erenice Guerra; o ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido); e o empresário Fernando Cavendish.

— Depois de eleger poste, o ex-presidente Lula mostra que ainda tem fôlego para ganhar mais eleições daqui para frente. Foram três candidatos que fizeram jus à premiação. Todos eles se destacaram nas páginas do jornal, mas o ex-presidente se sobressaiu. No ano passado, ele foi responsável por um dos momentos mais lamentáveis da história brasileira ao tentar chantagear um ministro do Supremo. Acho que por sua atuação em 2012, e nem quero lembrar de Valérios e Rosemarys, ele mereceu esse troféu e o cheque simbólico de R$ 153 milhões — afirmou Marcelo Medeiros, coordenador do Movimento 31 de Julho.

No último dia 9, os organizadores comunicaram à imprensa e à rede social Facebook — plataforma utilizada para computar os votos — a tentativa de fraude. A denúncia partiu dos próprios eleitores da enquete que perceberam que parte das escolhas foram feitas por perfis falsos, recém-criados no ambiente virtual.

— Não é militância. Se fossem militantes, era válido. O que detectamos foi uma organização criada para fraudar a disputa. Coincidentemente, os votos sempre eram para candidatos da oposição do governo petista e Cabral — explicou Medeiros, que prometeu mudanças na plataforma de computação dos votos na próxima eleição.

Sabrina Sato estreia no cinema, diz que não sabe dar beijo técnico

BRASIL - Mulher
Sabrina Sato estreia no cinema,
diz que não sabe dar beijo técnico
A japa protagoniza um filme como uma sensual atiradora de facas, Martinha Sete Facas. Na vida real, fala de ter sido uma BBB, de conseguido se manter famosa mesmo distante da Rede Globo e da busca do grande amor

Foto:Urbano Erbiste/Extra

Sabrina no personagem do filme, Martinha Sete Facas

Postado por Toinho de Passira
Fonte: Extra

Vestida de mulher fatal na porta de um hotel da Lapa, com unhas que são garras para pegar seu homem e um corpo escultural, Sabrina Sato fará sua estreia como atriz. Apesar de ter feito pontas no filme "A cartomante" (2004) e na novela "Porto dos Milagres" (2001), a japa mais famosa do Brasil está no meio das filmagens de "Concurso público" como Martinha Sete Facas e, agora sim, considera este trabalho como o seu primeiro.

O longa tem orçamento de R$ 5 milhões, estreia em julho e conta a história de quatro rapazes que tentam passar a viver às custas do governo.

Sabrina já foi colocada no fogo no primeiro dia de filmagem. "A primeira cena que eu fiz foi a do beijo, antes de qualquer fala. Avisei que eu não sei dar beijo técnico. Foi com língua e tudo", confessa.

No filme, Martinha é uma arremessadora de facas criada no circo que está passando pelo Rio quando se depara com Bernardo (Rodrigo Pandolfo), seu amor de infância.

"Ele é um estudante nerd e virgem. Já ela não é virgem nem safada, mas o ameaça, porque é louca de paixão por ele, até atira facas nele", explica.

Fora Sabrina Sato, Grazi Massafera é outro exemplo de ex-BBB com grande sucesso na TV. Mas qual das duas se deu melhor? A resposta vem na ponta da língua. "A Grazi, claro! Ela é casada com o Cauã Reymond", dispara e emenda mais uma gargalhada. "E ela trabalha na Rede Glóbulo", brinca.

"O cinema enlouqueceu de vez", brinca. "Na verdade, o Rodrigo queria me pegar há muito tempo, e como não conseguiu, sugeriu meu nome", entrega ela, às gargalhadas, que fez teatro amador por 12 anos e profissional por mais cinco, antes de entrar no "BBB", em 2003.

Na real, o convite partiu do diretor Pedro Vasconcelos e do produtor LG Tubaldini Jr.

"Cheguei dizendo para o Pedro: ‘Sou sua fã!’".

Foram três dias de treinamentos intensos para a japonesa aprender a arremessar o objeto cortante: "Minha mira está ótima, mas o importante é fazer com que ela caia do lado certo. Durante as aulas, eu quase matei um cara. A faca atravessou o portão, mas não pegou em ninguém".

Foto: Rede Globo/Divulgação

Sabrinha com Dhomini, no BBB3 em 2003

Num momento de seriedade, Sabrina afirma que ninguém vence sozinho na vida e divide os louros com pessoas que trabalham com ela, família, fãs e os meninos do "Pânico na Band". No entanto, ela reconhece seu carisma: "Todo brasileiro busca uma oportunidade e eu soube aproveitar as que eu tive. Sempre trabalhando bastante".

Depois de sair do "BBB", Sabrina ficou dividida entre fazer parte da turma do Pânico, que ainda não tinha estreado na Rede TV e era apenas no rádio, ou entrar na novela "Da cor do pecado", na Globo. "Segui minha intuição. Tinha certeza que se o ‘Pânico’ fosse para a TV, ia dar certo. Fora isso, tive tempo de me preparar por alguns meses", justifica. "Eu podia fazer uma novela e depois não fazer mais nada porque eu sou japonesa", acrescenta ela, sobre ficar estereotipada.

Foto: JR Duran/Playboy

Sabrina na Playboy, capa da revista duas vezes, no mesmo ano 2004, com recordes de venda

Sabrina conta que não tem "essa coisa" de não gostar de ser chamada de ex-BBB.

"Tenho muito orgulho de ter participado e sou muito grata ao (diretor) Boninho. Quando encontro com ele na gravação das vinhetas de carnaval, digo ‘muito obrigada’. Ele acha que tenho medo dele até hoje, porque eu quebrava os microfones", relembra.

Dez anos depois, Sabrina é atualmente contratada da Band e não voltaria para a casa: "Hoje eu tenho algo a perder. Na época, eu era praticamente uma adolescente. Sempre fui atrasada no amadurecimento. Com 21, eu era praticamente uma virgem adolescente. Agora, com 31, sou uma adulta, com cabeça de 23".

Com sinceridade, a beldade diz que não vive a expectativa de ir para a Globo:

"Existe vida lá fora. Eu sou a prova disso. Vivo o presente, não sou ambiciosa nem afobada".

De férias em Miami no fim do ano, Sabrina reencontrou seu ex-namorado, o deputado Fábio Faria, com quem ficou por três anos. "Ele que me encontrou. Mas não teve nada. Figurinha repetida não completa álbum", debocha ela.

Solteira, Sabrina garante que até hoje não dá para apontar o seu grande amor: "Ainda não apareceu. Já tive alguns amores e tenho uma relação boa com os meus ex-namorados".

Foto:Urbano Erbiste/Extra

Sabrina exibindo as guarras, no filme e na vida real


Em cerimônia privada, Obama toma posse do segundo mandato

ESTADOS UNIDOS
Em cerimônia privada, Obama toma posse
do segundo mandato, ao lado da família
Com apenas a sua família a seu lado, Barack Hussein Obama foi empossado para um segundo mandato no domingo antes da pompa pública de segunda-feira. Foi um momento breve e íntimo na Casa Branca, realizada por causa de um capricho do calendário que assinalou o começo do novo mandato constitucional em um domingo.

Foto: Doug Mills / The New York Times

O presidente Obama faz o juramento diante do Presidente da Suprema Corte dos Estados Unidos, John Roberts, durante a cerimônia oficial de posse no Salão Azul da Casa Branca neste domingo.

Postado por Toinho de Passira
Fonte: G1, The New York Times, Reuters, Folha de S. Paulo

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fez o juramento oficial para seu segundo mandato no domingo na Casa Branca, em uma cerimônia pequena e privada que definiu um tom mais moderado com relação ao início histórico de sua Presidência quatro anos atrás.

Reunido com sua família no Salão Azul do principal andar cerimonial da Casa Branca, Obama colocou a mão sobre a Bíblia e recitou o juramento de 25 palavras que foi lido para ele pelo presidente da Suprema Corte dos Estados Unidos, John Roberts. Obama abraçou a esposa Michelle e disse: "Obrigado", depois que ela o parabenizou pela posse.

Obama, que se tornou o primeiro presidente negro dos Estados Unidos há quatro anos, tomará posse publicamente do segundo mandato nesta segunda-feira, em uma cerimônia bem maior e perante uma plateia de cerca de 800.000 pessoas em frente ao Capitólio.

A cerimônia de domingo foi necessária porque a Constituição norte-americana determina que o presidente tome posse em 20 de janeiro. Os organizadores optaram por uma cerimônia privada na data real e por fazer festividades inaugurais simbólicas no dia seguinte.

Assim, Obama será empossado quatro vezes, duas vezes em cada mandato, o que o iguala a Franklin Roosevelt, que serviu quatro mandatos. Uma segunda cerimônia de posse foi necessária em 2009, quando Roberts se enganou durante o primeiro juramento.

Obama, que obteve um segundo mandato em 7 de novembro ao derrotar o republicano Mitt Romney, abre a segunda rodada enfrentando muitos dos mesmos problemas que dificultaram o seu primeiro mandato: um desemprego alto e persistente, uma dívida esmagadora e uma divisão partidária profunda sobre como solucionar as questões.

Isso tirou parte da euforia da segunda posse de Obama, mas ele foi animado em um serviço na Igreja Metropolitana Episcopal Metodista Africana, no centro de Washington, onde ele e a esposa Michelle, que está exibindo um novo penteado com franjas, bateram palmas e dançaram ao som de música gospel.

"Avante, avante", gritava o pastor Ronald Braxton a sua congregação, ecoando um slogan de campanha de Obama.

Foto: Josh Haner/The New York Times

Na manhã de domingo, o vice-presidente Joseph R. Biden Jr foi empossado pela Juíza da Suprema Corte Sonia Sotomayor, tornando-a a primeira juíza hispânica a administrar um juramento de gabinete para um dos dois maiores cargos do país.


Pâmela Bório, a Primeira Dama da Paraíba, na mira do Tribunal de Contas

BRASIL – Paraíba – Escândalo
Pâmela Bório, a Primeira Dama da Paraíba,
na mira do Tribunal de Contas
Na última semana a bela, extravagante e polêmica primeira dama da Paraíba vem sendo assunto na imprensa local e nacional, porque o Tribunal de Contas paraibano constatou que ela é uma mulher dispendiosa, mais da conta, nababesca até, dizem alguns, e quem paga a conta é o contribuinte

Foto: Instagram/PamelaBorio - IstoÉ

A BELA E A FERA - Pâmela Bório costuma promover monumentais festanças de cunho particular, com o “maridão”, governador Ricardo Coutinho, por conta do erário público

Postado por Toinho de Passira
Fontes: IstoÉ, Folha de S. Paulo, Época

Pâmela Bório, 29, diz que incomoda. Miss Bahia em 2008 e apresentadora de TV, a mulher do governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), 52, considera-se invejada por sua "beleza, carreira bem-sucedida, família estruturada, vida acadêmica e contatos importantes".

Nesses dois anos como primeira-dama, causou frisson nas redes sociais ao posar com uma bolsa de grife francesa, bater boca com políticos e, em especial, quando exibiu na internet um novíssimo jogo de lingeries.

Foto: Instagram/PamelaBorio

Divulgou no Instagram cinco fotos em que exibe os 13 jogos de lingeries que diz ter ganhado da varejista Suerda, da cidade de Monteiro. Um mais sensual que o outro. A beldade agradeceu: “Presente para mim, mas quem curte é o maridão… RS (abreviação de risos)”.



Nos últimos dias, porém, o frisson em torno de Pâmela não veio de imagens e declarações na internet, mas de uma auditoria do Tribunal de Contas da Paraíba sobre gastos na residência oficial do governo, a Granja Santana.

De acordo com o documento, Pâmela encomendou sem licitação produtos de cama e banho e acessórios para um quarto de bebê. Pediu orçamentos às lojas e priorizou seu gosto pessoal, em vez do menor preço, diz o relatório.

Baiana de Senhor do Bonfim, Pâmela é mãe de Henri Lorenzo, 2, nascido dias antes de Ricardo Coutinho vencer as eleições de 2010.

Editoria de Arte/Folhapres

ESCÂNDALO - A Auditoria do Tribunal de Contas do Estado na residência oficial revela o pagamento de despesas pessoais e gastos absurdos, como a compra de 7,5 toneladas de carne, entre os dias 07 e 13 de dezembro (seis dias)

A auditoria do TCE, como mostrou a revista "IstoÉ" na semana passada, acrescenta ser "curiosa" a quantidade de farinha láctea adquirida: 460 latas em menos de 30 dias.

Houve ainda gastos com "cauda de lagosta de primeira", "bacalhau do Porto" e "carne de carneiro sem osso".

"Tudo do relatório nós compramos. Chama a atenção, mas está dentro da lei. Não há como não ter despesas com a primeira-dama, que não tem cartão corporativo", afirma o chefe da Casa Civil, Lúcio Valadares.

Segundo ele, há questionamentos porque a última criança que nasceu e frequentou a Granja Santana foi Ariano Suassuna, na década de 1920 --o dramaturgo é filho de João Suassuna, que governou o Estado de 1924 a 1928.

"Se assinei algo [para receber os produtos], deve ter sido na correria do momento, pois sempre estava apta a ajudar. Me recordo que atendi a inúmeras solicitações da administração da Granja", afirma a primeira-dama.

Pâmela perdeu o pai quando tinha três anos. Estudou em colégio de freiras e desde pequena é "muito assediada devido ao seu rosto único", diz a tia Maria Eudalice, considerada por ela uma segunda mãe. A verdadeira sofre de depressão e teve dificuldades para se dedicar à filha.

Segundo a tia, a primeira-dama só não ganhou o Miss Brasil Globo de 2008 por uma "questão política" --sobre a qual não cita detalhes.

Pâmela Bório nos tempos de Miss Senhor do Bonfim em 2005
O concurso é uma espécie de segundo escalão das disputas de misses e o mesmo em que Marcela Temer, mulher do vice-presidente da República, Michel Temer, foi vice por São Paulo, em 2003.

Em um desses concursos, em 2005, na Bahia, organizadores disseram que Pâmela desfilou com um salto acima do permitido e se trancou em um quarto de hotel para não ser submetida à medição.

Teria receio de ser considerada baixa pelos jurados e perder pontos. Com 1,64 m, ficou em segundo lugar.

A primeira-dama nega a história. Só reconhece que "sumiu" de um evento para fazer hidratação e bronzeamento artificial.

Nas ruas, táxis e repartições públicas de João Pessoa, a Folha perguntou sobre o casal Pâmela e Ricardo. Como resposta, algumas ironias e o apelido de "A Bela e a Fera".

A primeira-dama comenta: "Admiro o caráter, a sensibilidade e o senso de humor de Ricardo [o governador]. Ele tem porte, um sorriso que me ilumina". Procurado, o governador não quis falar.

Pâmela já amamentou em público e diz que não se acha tão bonita. "Juízos de valor e estereótipos são incoerentes com minha história de vida."

No staff do governador, a primeira-dama é rotulada como "impetuosa", em especial quando está diante de um teclado e conectada à internet. Mas ninguém ousa lhe impor limites ou sugerir que se afaste das redes sociais.

Durante o julgamento do mensalão, exaltou o ministro Joaquim Barbosa, do STF (Supremo Tribunal Federal). Em meio ao caso Rosemary Noronha, bateu forte no ex-presidente Lula. "Fiquei com nojo dele", declarou via internet. O PSB do marido é aliado do PT na esfera nacional.

A primeira-dama falou com a Folha por e-mail e por um canal fechado de bate-papo de uma rede social.

"Sou jornalista e sempre terei compromisso com a informação", diz Pâmela, apresentadora de um programa semanal de variedades e entrevistas da TV Tambaú, afiliada do SBT.

"Sou mulher do meu tempo, emancipada e bem resolvida", diz ela, que vê os questionamentos sobre os gastos como uma manobra da oposição e afirma apoiar "qualquer investigação de uso indevido do dinheiro público".

Jornalista formada pela Uneb (Universidade do Estado da Bahia), em Juazeiro, atualmente faz mestrado na Universidade Federal da Paraíba, no qual diz estudar "interconectividade".

Depois da faculdade, passou a apresentar telejornais. E foi durante uma entrevista que conheceu o marido, então prefeito de João Pessoa, em 2009.

O que o governador fez para conquistá-la? "Conversas inteligentes a fio...".

Foto: Instagram/PamelaBorio

A primeira-dama da Paraíba, Pâmela Bório, belíssima, olhos claros e corpo escultural, gosta de luxo e badalações, nenhuma preocupação com a discrição.