31 de dez de 2012

Hillary Clinton internada por causa de um coágulo sanguíneo

ESTADOS UNIDOS
Hillary internada por causa de coágulo sanguíneo
Médicos optaram por internar a Secretaria de Estado Americano, após terem detectado um trombo, um coágulo sanguíneo, provalmente em virtude de um traumatismo craniano após um desmaio e uma queda sofrida por ela no início do mês.

Foto: J. Scott Applewhite/Associated Press

Hillary é um dos nomes mais destacados, como candidata democrata, para suceder o presidente Obama em 2016

Postado por Toinho de Passira
Fontes: The New York Times, New York Post, Times of Israel, Washington Post, G1, Portal Terra

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Rodham Clinton, foi levada ao New York Presbyterian Hospital de Columbia, neste domingo (30) em Nova York após a descoberta de um coágulo em consequência da concussão sofrida alguns dias antes.

O porta-voz Philippe Reines informou que seus médicos descobriram o coágulo durante exames feitos neste domingo. Segundo ele, a secretária de estado está sendo tratada com anticoagulantes e será monitorada por 48 horas.

O Departamento de Estado anunciou há três semanas que Clinton tinha contraído um vírus estomacal que a levou então a cancelar uma viagem a Marrocos, Tunísia e Emirados Árabes Unidos.

Uma semana mais tarde, 15 de dezembro, seu conselheiro, Philippe Reines, disse que a secretária de Estado, de 65 anos de idade, sofreu uma concussão cerebral depois de ter desmaiado, por causa de uma 'forte desidratação'.

Seus médicos a aconselharam a não retomar, antes de 'meados de janeiro', as longas viagens diplomáticas de avião que costuma fazer por diferentes cantos do planeta.

Apesar da reeleição do presidente Barack Obama em novembro, Hillary deixou claro que não continuará à frente do Departamento de Estado neste segundo mandato. Essa posição foi posta para o presidente desde que ela tomou posse há quatro anos.

Por causa do estado de saúde, ele não compareceu a uma audiência no Congresso, que investiga a responsabilidade do Departamento de Estado, no ataque a representação diplomática americana em Benghazi, na Líbia, onde um diplomata e mais três funcionários da chancelaria foram mortos num ataque terrorista.

Ela também cancelou uma viagem, anteriormente planejada para o Marrocos.

E não compareceu ao anúncio, feito pelo presidente Obama, de que o senador John Kerry, democrata de Massachusetts, seria nomeado para sucedê-la como secretária de Estado. Ela limitou-se a elogiar Kerry, num comunicado.

Segundo o jornal The New York Times, Hillary Clinton é amplamente considerada como um dos principais nomes a sucessão presidencial em 2016, apesar dela negar publicamente essa intenção. Mas assessores próximos a ela não descartou a possibilidade. Em 2008 ela disputou e perdeu a indicação do partido para o presidente Barack Obama.

Em entrevista divulgada, nesta quarta-feira, e gravada bem antes dos problemas de saúde, Hillary declarou a Barbara Walters, da ABC News, em referência aos rumores sobre seu nome para a eleição de 2016:

“Já disse que realmente não é algo que pretenda fazer de novo."

"Tenho estado nos níveis mais altos da atividade americana nos últimos 20 anos e penso que é o momento de dar um passo atrás, talvez me dedicar a escrever, a ensinar ou a fazer conferências".

Hillary Clinton estava entre as "10 personalidades mais fascinantes de 2012", que tradicionalmente são entrevistadas pela jornalista Barbara Walters, da ABC no final do ano.

Aos 65 anos, Clinton descartou, na entrevista, que a idade seja um problema para uma eventual candidatura em 2016. "Por sorte - bato na madeira - não sou uma pessoa apenas saudável, mas também tenho uma energia incrível".

30 de dez de 2012

O ano que não esquentou, de Míriam Leitão, para O Globo

BRASIL - Opinião
O ano que não esquentou
“O que mais atrapalhou o Brasil foi o Brasil mesmo”.

Charge: HUMBERTO - Jornal do Commercio (PE)

Postado por Toinho de Passira
Texto de Míriam Leitão, para O Globo
Fonte: Blog Miriam Leitão

Seria um reflexo no espelho do ano anterior. Essa era a aposta geral. O ano de 2012 começaria frio mas esquentaria ao longo dos meses e trimestres e terminaria dezembro num ritmo de 4%; o oposto de 2011. Mas os indicadores foram decepcionando. O país estagnou, a indústria encolheu, o calote aumentou, a inflação permaneceu alta e o país investiu muito pouco.

No mundo, houve problemas que agravaram a nossa situação. A Europa sangrou o ano inteiro, mas terminou 2012 melhor do que começou, felizmente. A união monetária esteve a um passo de se fragmentar e agora se fortalece na preparação da união bancária. Os Estados Unidos namoraram o abismo, testando o limite da polarização política, mas o pior foi evitado com a reeleição de Obama. O programa do Partido Republicano revisitava ideais de intolerância e de abandono dos mais pobres, incompatíveis com os valores contemporâneos.

O que mais atrapalhou o Brasil foi o Brasil mesmo. O investimento público é menor do que pode e muito menos do que se precisa. Os obstáculos ao investimento privado crescem em vez de diminuir. Quando escolhe projetos e modelos para pôr o dinheiro público, o governo tem errado.

É a transposição do Rio São Francisco que fica pela metade, quando o que deveria ter sido escolhido desde o início era fortalecer o Velho Chico; hidrelétricas na Amazônia que repetem alguns velhos erros; o trem-bala que não sai do lugar, mas seu custo decola a cada revisão. Melhor faria se o mesmo dinheiro fosse investido em outros projetos. Em sumo: investir errado é pior do que não investir. Há cinco trimestres consecutivos cai o investimento no Brasil.

O governo gastou o ano com medidas para levantar o PIB, para usar a expressão do ministro Guido Mantega, autodeclarado “levantador de PIB”, sem êxito. Redução de IPI, clamor para que a população se endivide, mais dinheiro subsidiado para os mesmos grupos empresariais não foram suficientes para produzir um crescimento que se sustente.

A inflação continuou alta. Se forem descontados os efeitos do congelamento da gasolina, redução do IPI e mudança da forma de cálculo do IPCA, pode-se dizer que ela está rondando a 6,5%, o que é altíssimo dadas as circunstâncias. A inflação de alimentos termina o ano em torno de 10%.

Mas a economia vive de contrastes e há boas notícias, felizmente. O mercado de trabalho está forte, e o desemprego, em níveis historicamente baixos. Os juros caíram de 11% para 7,25%, diminuindo o custo da dívida pública. O dólar subiu, melhorando a vida do exportador, mas encareceu a importação.

Foi de perder a conta a quantidade de pacotes, pacotinhos e pacotões para reativar a indústria automobilística: redução de IPI, liberação de compulsório dirigido a financiamentos, aumento da barreira comercial contra importações. Mas diminuiu a produção de veículos e a indústria como um todo está fechando o ano com uma previsão de queda de 2,3% e queda do emprego de 1,4%.

A Petrobras teve o primeiro prejuízo trimestral em 10 anos e o rating da empresa foi colocado em perspectiva negativa pela Moody’s, apesar de hoje haver muita confiança de que a presidente da companhia vai enfrentar os problemas da estatal e não escamoteá-los. A Vale teve um ano de desinvestimento e de queda do preço da sua principal matéria-prima. Os melhores anos ficaram para trás e a Vale precisa se adaptar.

Enfim, o ano passou, mas não esquentou. Tomara que o governo entenda o momento como uma nova chance. Tem de corrigir rotas e não persistir nos erros. Feliz Ano Novo.

Catarina Migliorini, a virgem do leilão, na capa da 'Playboy' de janeiro

BRASIL - Virgem
Catarina Migliorini, a virgem do leilão,
na capa da 'Playboy' de janeiro
Jovem que leiloou a virgindade, mas ainda nem recebeu o dinheiro do japonês, nem consumou a transação, estampa a capa da revista de janeiro. A Playboy revelou que ela não foi a primeira virgem a tirar a roupa para a revista

Foto: JR Duran/Playboy

A capa de janeiro de 2013

Postado por Toinho de PassiraFontes: Ego, Terra, ”thepassiranews”, Playboy

A primeira PLAYBOY de 2013 trará Catarina Migliorini, a catarinense que leiloou a virgindade, na capa. A revista ainda não está nas bancas, mas o site da revista já publicou a capa e pelo menos uma foto para despertar a vontade de se comprar um exemplar.

A virgindade de Catarina foi atestada em um laudo médico.

“Examinei Ingrid Nascimento [nome real da estudante] hoje. A senhorita Nascimento é virgem, com hímen intacto. Esse documento foi entregue para ela, por solicitação dela”, escreveu o doutor Nihad Jackson, em laudo médico, que a revista Playboy teve acesso.

Foto: JR Duran/Playboy

O japonês de nome Natsu que arrematando, em fim de outubro, a primeira transa de Catarina, por US$ 780 mil, o equivalente a mais de R$ 1,5 milhão, no leilão, ainda não consumou o ato, por questões ainda não esclarecidas.

Foto: Playboy/Divulgação

A playboy divulgou também que Catarina Migliorini é a mais nova virgem a sair na Playboy, mas não é a primeira. Em 1987, Luciana Vendramini, então paquita da Xuxa, posou nua na revista antes de ter sua primeira relação sexual.

Foto: Playboy/Divulgação

Na época, Luciana tinha apenas 17 anos, mas como era emancipada, a lei permitia a realização do ensaio. As fotos da edição de dezembro de 1987 aproveitaram esse gancho de virgindade.

Incrível que ainda alguém esteja por aí a vender e outros a comprar virgindade.


AMOR BANDIDO: Carlinhos Cachoeira disse sim a Andressa

BRASIL - Bizarro
Carlinhos Cachoeira disse sim a Andressa
Um dos casais mais badalados do ano, o contraventor condenado a 40 anos de prisão e a ex-mulher de senador casaram nesta sexta-feira, num cerimonia íntima, mais requintada, na presença de selecionados 50 convidados e nenhum político. O casal vai ficar de lua de mel, até que as penas que pesam contra Cachoeira, comecem a ser executadas e o leve de novo para a prisão. Até lá só amor e felicidade.

Foto: Mirelle Irene / Especial para Terra

O BEIJO - Carlinhos Cachoeira beijando pela primeira vez a sua esposa Andressa Mendonça.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: O Hoje, Canal Gama, O Popular, Portal Terra, O Popular, Extra

Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, 49, e Andressa Alves Mendonça – agora Ramos –, de 30 anos, uniram-se em casamento, nesta sexta-feira, dia 28 de dezembro, às 21 horas, num cerimonia intima, apenas 50 convidados e nenhum político, na sua mansão na Rua Lúpus, Condomínio Alphaville Residencial Cruzeiro do Sul em Goiânia. Foi um acontecimento social, policial e político.

Nos velhos tempos, antes da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, que prendeu Cachoeira, no começo deste ano, sob a alegação de comandar a explorar jogo ilegal em Goiás e depois enquadrado como chefe de poderosa quadrilha, essa festa de casamento dez vezes maior com a presença de políticos de inúmeras legendas partidárias, no âmbito municipal, estadual e Federal. Presença certa do Governador tucano Marconi Perillo e do Senador democrata Demóstenes Torres.

A cerimônia civil foi realizada pelo titular do cartório Antônio do Prado, de Goiânia, e a bênção religiosa ocorreu logo depois e foi conduzida pelo pastor Vitor Hugo Queiroz, da Igreja Vida Nova de Anápolis, frequentada pela noiva.

“As tempestades vêm, mas Jesus nos ensinou que elas passam. Há tempo para tudo. Quero hoje profetizar para vocês um tempo sem tempestades; um tempo de alegria, celebração e paz”, disse o pastor Vitor Hugo durante a benção.

Com canções interpretadas por coral, pianista e violino, a cerimônia durou menos de 25 minutos. Ao entregar as alianças, o pastor, da igreja de Andressa e que se referia a Cachoeira como Carlinhos, colocou o casal frente a frente e pediu que fizessem declarações de amor.

Foto: Mirelle Irene / Especial para Terra

SUBMISSÃO - Cachoeira beijando os pés de Andressa no estacionamento do condomínio, diante dos fotógrafos, repetindo o gesto ocorrido na cerimônia do casamento

“Mais que fazer declaração, eu sou um homem de atitude. Então vou beijar os pés dela por agradecimento a tudo que ela fez por mim”, disse Cachoeira, ajoelhando-se e osculando os pés da amada sob aplausos dos convidados presentes. Mais tarde viria a repetir o gesto no estacionamento do condomínio, diante dos fotógrafos.

Foto: Agência Brasil

CHIFRES FEDERAL - Na esteira das interceptações das ligações telefônicas da quadrilha, feitas pela PF, descobriu-se que Cachoeira apropriou-se fisicamente de Andressa, ainda na constância do casamento. Em outras palavras, o atual senador Wilder Pedro de Morais, ex-marido dela, é o único corno brasileiro com atestado Federal.

Andressa Mendonça, 30 anos, é indiscutivelmente bela e ousada. A imprensa a descreve como loura, de olhos claros, elegante, de corpo moldado e dona de um certo ar de ingenuidade. Dizem que ela é mais bonita e inquietante, pessoalmente, que nas fotos estampadas nas publicações brasileiras, desde que foi alçada a Musa da CPI de Cacheira.

Uma empresária bem sucedido, trocou um casamento sólido de seis anos e dois filhos pequenos, com um empresário respeitável, então suplente de senador, para ser uma dedicada mulher de bandido.

Compareceu cheia de charme a todos os atos públicos de interrogatórios e julgamentos de habeas corpus que envolviam Cachoeira e até ganhou um processo, supostamente por tentar chantagear um juiz para obter a liberdade do seu amado.

Na noite desta sexta, esse amor foi coroado. A primeira vez que Cachoeira falou publicamente a respeito do casamento foi em julho deste ano, durante depoimento à Justiça Federal em Goiânia. Na ocasião, o contraventor fez declarações de amor a Andressa e disse que se casaria com a companheira "no primeiro dia em liberdade". Cachoeira ainda brincou sobre seu estado civil. "(Se sou casado) É uma pergunta difícil. É só o Ministério Público me liberar (que eu caso) no primeiro dia", disse, na ocasião.

Foto: Fabiana Pulcineli/O Popular

DISCRETO E CHIC - O vestido de Andressa foi criado pela estilista paulista Lethicia Bronstein. A personal stylist Adriana Forte cuidou da produção de Andressa e também da coordenação da festa ao lado da promoter Fernanda Roriz.

Segundo pessoas próximas ao casal, Cachoeira e Andressa não fizeram questão de divulgar o evento porque queriam restringi-lo a seu círculo mais íntimo, esperando em torno de 50 convidados. Ainda de acordo com as mesmas fontes, nenhum político foi convidado.

Solto no dia 21 de novembro, após 265 dias preso, Cachoeira foi internado poucos dias depois no Instituto Neurológico de Goiânia, com sintomas de depressão e estresse. Ao receber alta, no dia 30, refez a promessa: "o casamento sai este mês ainda", disse.

Uma semana depois, Cachoeira foi novamente preso, adiando o casamento, inicialmente previsto para acontecer no dia 22 de dezembro. "Estou muito triste, mas ainda acredito que Deus nos trará uma solução", disse Andressa na ocasião. No dia 11, o bicheiro foi novamente solto, beneficiado por um habeas-corpus concedido pelo juiz federal Tourinho Neto, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1).

O contraventor deve curtir esses momentos de liberdade, com intensidade, contra ele pesam duas condenações, por enquanto: Ana Claudia Costa Barreto, juíza da 5ª Vara Criminal de Brasília, o sentenciou com uma pena de 5 anos de prisão por tráfico de influência e formação de quadrilha. O juiz Alderico Rocha Santos, da 11ª Vara Federal de Goiás, condenou o bicheiro a 39 anos, 8 meses e 10 dias de reclusão por diversos crimes relativos à Operação Monte Carlo.

O Ministério Público Federal (MPF) de Goiás ainda um denunciou, junto com outras 16 pessoas, por participação de outras ações criminosas em Brasília, ainda não apreciadas pela justiça.

Carlinhos Cachoeira está em liberdade há um mês, mas não sabe quanto tempo vai permanecer livre ao lado da sua amada Andressa. O enredo dessa história, parecida com roteiro de filme B, vai perder o glamour quando ele voltar ao cárcere e os dois passarem a se encontrar apenas nas salas de recepções e nos quartinhos das visitas intimas dos presídios.


27 de dez de 2012

Para não pagar imposto Gerard Depardieu pode deixar de ser frances

FRANÇA - Bizarro
Para não pagar imposto Gerard Depardieu,
pode deixar de ser frances
Taxa de 75% sobre os rendimentos dos mais ricos, criada pelo presidente François Hollande, está a levar vários milionários franceses a mudarem-se para a Bélgica entre eles o ator, agora ameaçado de perder a cidadania francesa

Foto: John Macdougall/AFP

“Apesar dos meus excessos, meu apetite e meu amor pela vida, eu continuo a ser um homem livre." – Disse Depardieu numa nota em resposta ao primeiro ministro Jean-Marc Ayrault

Postado por Toinho de Passira
Fontes: O Globo, Publico, Ultimo Segundo, Estadão, Vanity Fair , ”thepassiranews”, Expresso, Le Monde, Le Journal du Dimanche

O ator francês Gerard Depardieu, de 63 anos, um dos símbolos culturais da França, desde que decidiu mudar a sua residência fiscal para a Bélgica, fugindo das altas taxações de rendas do seu país, vem recebendo uma saraivada de crítica de política e de alguns setores da imprensa.

Depardieu nem está sendo original: a mesma decisão, também já foi tomada por outros milionários franceses, que tem como objetivo escapar à nova taxação, de 75% sobre o rendimento dos mais ricos, criada pelo Presidente François Hollande, do Partido Socialista.

Depardieu juntou-se, assim, a outros franceses com rendimentos superiores a um milhão de euros, por ano, pôs à venda sua suntuosa mansão parisiense, e comprou uma vivenda na localidade de Estaimpuis, um município belga na região da Valónia, a apenas um quilometro da fronteira francesa e a 20 do centro da cidade de Lille, a última localidade em território francês.

Segundo a imprensa, estes cidadãos estrangeiros – como membros das famílias Meunier e Mulliez, proprietárias do Carrefour e do Auchan, ou Bernard Arnault, dono do grupo LVMH e o homem mais rico da França – já representam 27% da população da localidade belga.

Há quem lamente a decisão governamental e peça a harmonização dos impostos a nível europeu. Recorde-se que a taxa criada pelo Presidente François Hollande, prometida durante a campanha eleitoral e que estará em vigor por dois anos, foi também criticada pela direita francesa como uma medida "simbólica", “populista” já que na prática trará pouco dinheiro para os cofres gauleses. Depois do êxodo de algumas fortunas, estas críticas, então, subiram de volume.

Depardieu vivendo Obelix no cinema
A esquerda francesa, escolheu Depardieu, como alvo, nomeado como o símbolo da burguesia egoísta e descompromissada em colaborar com o país em dificuldades.

"Dá vergonha", disse Nathalie Artaud, líder da organização Luta Operária. "O pobrezinho possui vinhas, hotéis e fica incomodado de pagar um pouco de impostos", acrescentou.

Além de cobrar cerca de dois milhões de euros de cachê por filme, Depardieu possui vários negócios e propriedades, uma vinha e um palacete no Vale do Loire, participações em várias adegas em França e noutros cinco países, três restaurantes em Paris, uma peixaria e uma produtora.

Mas não são só os franceses ricos que mudaram de residência fiscal para escapar aos impostos. Segundo o jornal El País, o arquiteto espanhol Santiago Calatrava transferiu a sua fortuna para a Suíça. Assim, a partir de novembro passado, sociedade familiar Calatrava Family Investments passou a estar domiciliada no cantão de Zurique, deixando Madrid para trás.

Os políticos também estão usando Depardieu, com bode expiatório: o primeiro-ministro Jean-Marc Ayrault descreveu a atitude de Depardieu como "patética" e antipatriótica escusando em colaborar, “num momento em que os franceses estão sendo instados a pagar mais impostos para reduzir a enorme dívida nacional”.

"Patético, você disse patético? Como isso é patético?" afirmou Depardieu em uma carta distribuída à mídia. "Estou saindo porque vocês estão penalizando a criatividade, o sucesso e o talento”, escreveu ele que já participou de mais de 170 filmes, alguns deles antológicos.

Um irritado membro do Parlamento propôs que a França aprove uma lei, inspirada nos Estados Unidos, que forçaria Depardieu ou qualquer outra pessoa que tentasse escapar de suas obrigações tributárias a renunciar à sua nacionalidade.

Em contra partida, Depardieu pediu informações sobre os procedimentos para a aquisição de visto de residência na Bélgica e disse que vai entregar seu passaporte e cartão da seguridade social francês.

A ministra da Cultura, Aurelie Filippetti, declarou estar indignada com a carta Depardieu e acrescentou que por muitos anos ele se beneficiou do apoio financeiro do Estado para a indústria cinematográfica.

"Quando você abandona o barco e deserta em meio a uma guerra econômica, você não pode voltar depois para dar lições de moral", disse ela à BFM-TV.

"Só se pode lamentar que Gerard Depardieu não retorne participando apenas de filmes mudos."

O ator disse ter pago 145 milhões de euros (190,08 milhões de dólares) em impostos desde o início de suas atividades profissionais, quando iniciou a vida laborial, como operário numa gráfica aos 14 anos.

Foto: Tobias Schwarz/Reuters

Duas importantes artistas francesas, tão ou mais icônicas que Depardieu, Brigitte Bardot e Catherine Deneuve (foto), saíram em sua defesa.

Os moradores da Bélgica não pagam imposto sobre fortuna, e também não pagam impostos sobre ganhos de capital na venda de ações.

"Nós não temos mais a mesma pátria", disse Depardieu. "Eu, tristemente, não tenho motivos para permanecer aqui. Apesar de continuar a amar os franceses e este público com o qual compartilhei tantas emoções."

Segundo o Le Monde, apesar da mudança fiscal, Gérard Depardieu, continua a circular por Paris. Nestes dias, foi almoçar na rua de Cherche-Midi, com alguns amigos do bairro, num restaurante a poucos passos da mansão que acaba de colocar à venda.

Um dos amigos ,presente no almoço, contou que Depardieu estava "muito bem disposto e decidido a assumir a oposição a François Hollande". Durante a refeição, Depardieu confidenciou que três países já se manifestaram dispostos a lhe dá cidadania: a Bélgica, seu novo endereço; Montenegro [um dos antigos estados da federação jugoslava], onde tem muito amigos, e a Rússia.

"[Vladimir] Putin até já me enviou um passaporte", teria afirmado Depardieu brincando. Mas não era uma piada, de todo! Na quinta-feira, o presidente russo, Vladimir Putin, divulgou que ficaria feliz em ter o ator francês em seu país:

"Tenho certeza que as autoridades francesas não queriam ofender o Sr. Depardieu. Mas se ele precisar ou desejar ter um passaporte russo, pode se considerar atendido.

Depardieu que também é famoso por tomar diariamente várias garrafas de vinho, sempre se envolveu em pequenas trapalhadas, que fazem parte característica do seu caráter bizarro.

Recentemente envolveu-se num acidente de motocicleta e a policia constatou que ele conduzia o veículo em estado de embriaguez o que pode lhe reder um processo. Lembrar que em agosto de 2011 ele urinou no corredor de um avião da Air France. O incidente obrigou o piloto a retornar para o aeroporto para que a aeronave fosse limpa e o ator desembarcasse.

Por último Depardieu disse que vai esfriar a cabeça desse debate todo em alguma praia brasileira. Bienvenue!



EN VENT - A mansão parisiense de Depardieu, posta a venda por 50 milhões de euros. Tombada como monumento histórico, a vivenda já abrigou o Hotel de Chambon, construído no século XIX, fica localizada no coração de Paris, no bairro Saint-Germain-des-Prés, em uma área de 1.800 m², com vinte cômodos, dez quartos, dois terraços, jardins, varanda, piscina na área interna e elevador.

25 de dez de 2012

Brasil já gastou no Haiti R$ 1,9 bi

BRASIL - HAITI
Brasil já gastou no Haiti R$ 1,9 bi
Na lista de heranças malditas do governo Lula, recebida por Dilma, está o beco sem saída das tropas brasileiras no Haiti. Em 2004, fizeram Lula de bobo insinuando que seria possível conseguir um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, se o Brasil enviasse uma tropa para ajudar na situação política a Ilha do Caribe. Passados oito anos, exceto pelo governo brasileiro, o assunto é sequer cogitado.

Foto: Arquivo Minustah

Por que o Brasil está gastando tanto dinheiro no Haiti?

Postado por Toinho de Passira
baseado no texto de Tânia Monteiro e Leonencio Nossa, para O Estado de S.Paulo
Fonte: Estadão

O Brasil num momento de crise, com problemas orçamentários, faltando dinheiro para a educação, saúde, segurança e investimentos na infraestrutura, dá-se o luxo de gastar R$ 1,892 bilhão na manutenção da tropa estacionada no Haiti, no período de abril de 2004 a novembro deste ano.

O país caribenho foi arrasado por uma guerra civil e, mais recentemente, por um terremoto recebe a ajuda brasileira, liderando uma missão de paz da ONU, há oito anos.

O bizarro dessa história, é que todo mundo sabe, que a presença brasileira, não é uma questão apenas humanitária, o governo Lula, resolveu que o Brasil devia participar da missão, pois isso desencadearia a possibilidade do país obter um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. Uma espécie de mensalão internacional, um “dando é que se recebe”.

O certo é que a jogada não funcionou, nem se sabe ao certo, quais vantagens o Brasil teria em obter tal responsabilidade.

Segundo o Ministério da Defesa, do total gasto, a ONU reembolsou R$ 556,5 milhões para o Tesouro Nacional, fazendo nossas despesas, com a missão, mesmo assim, atingirem a vultosa quantia de R$ 1,3 bilhão líquido.

Atualmente, o Brasil mantém 1.910 homens das Forças Armadas na Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah). A maioria do contingente brasileiro é do Exército. Ainda há militares da Aeronáutica (30 homens da Força Aérea Brasileira) e da Marinha (200 fuzileiros navais). A meta para 2013 é reduzir o efetivo para 1.200 militares, mesmo número do início da operação, em 2004 – o acréscimo ocorreu após o terremoto de 2010.

A redução da tropa de forma “responsável”, nas palavras do ministro da Defesa, Celso Amorim, é respaldada por uma resolução da ONU, de outubro. No começo deste mês, o presidente do Haiti, Michel Martelly, escreveu uma carta de duas páginas implorando à presidente Dilma Rousseff para negociar a manutenção do efetivo, argumentando que ainda não conseguiu formar uma polícia nacional para deter o avanço de gangues.

Em oito anos e meio, cerca de 25 mil militares brasileiros passaram pelo Haiti. O governo avalia que a missão, embora não tenha garantido um assento no Conselho de Segurança, derrubou uma das principais críticas ao País no âmbito da ONU. Delegações estrangeiras sempre questionaram a contundência dos discursos dos diplomatas do Itamaraty na área de direitos humanos e a fraca presença real brasileira nos campos de conflito.

O gasto total do Brasil no Haiti é quase nove vezes maior que o valor pedido em 2012 pelo governo de São Paulo ao governo federal para modernizar as áreas de informação e inteligência da polícia – neste ano, o governo paulista reclamou que pediu R$ 148,8 milhões ao Ministério da Justiça e só recebeu R$ 4 milhões.

Se aplicada na área social, a despesa no Haiti daria para pagar o plano de expansão da rede de creches e escolas infantis nos próximos três anos e que, até agora, não saiu do papel. O governo anunciou um investimento de R$ 1,3 bilhão até 2014.

Não estão incluídos no total de despesas os recursos gastos com soldos dos militares. O gasto inclui recursos de diárias, alimentação, comunicação, rede de internet, processamento de dados, explosivos e munições, vestuário, transporte, combustível e produtos médicos e farmacêuticos.

O projeto brasileiro no Haiti começou com festa. Enquanto soldados chegavam a Porto Príncipe para montar base, a seleção liderada por Ronaldo Fenômeno desfilava com a Copa Fifa em blindados da ONU pela capital haitiana, diante de uma multidão eufórica, e aplicaria depois uma goleada de 6 a 0 no time da casa, para a festa dos ricos do país que tiveram acesso ao estádio.

Foto: Arquivo Minustah

Enquanto tentavam se adaptar a um país sem infraestrutura, com mais de 70% da população sem emprego, generais brasileiros pressionavam diplomatas e autoridades para exigir recursos de organismos internacionais para combater a miséria no Haiti. Em janeiro de 2010, o país caribenho foi atingido por um terremoto, que deixou 316 mil mortos, segundo o governo haitiano. A tropa brasileira também foi atingida, com a morte de 18 militares.

Dados do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) indicam que o governo gastou, em 2011 e 2012, R$ 235 mil em bolsas para os filhos dos militares mortos no terremoto. A tragédia de 2010 tornou ainda mais dramática a vida que já era praticamente insuportável no país. Sem árvores – cortadas para lenha de fogão –, as ruas de Porto Príncipe ainda estão tomadas de abrigos improvisados de sobreviventes do terremoto.

Os discursos de dirigentes da ONU pedindo recursos “impactantes” para o Haiti não mobilizaram a comunidade internacional, antes ou depois do começo da crise financeira de 2008. O governo brasileiro deve endurecer, no próximo ano, o discurso contra a própria ONU.

O Ministério da Defesa e o Itamaraty reclamam que o Brasil se comprometeu a gastar US$ 40 milhões, por exemplo, na construção de uma hidrelétrica com capacidade de 32 megawatts no Rio Artibonite, ao sul de Porto Príncipe, e, até agora, os demais países não repassaram um centavo para o projeto orçado em US$ 190 milhões e que beneficiará 1 milhão de pessoas.

Essa foi mais uma das heranças malditas deixadas por Lula.


Newsweek, o último exemplar

ESTADOS UNIDOS – Internet
Newsweek, o último exemplar
Originalmente chamada de News-Week, ela foi fundada por Thomas J.C. Martyn e seu primeiro exemplar foi as bancas em 17 de fevereiro de 1933, é a segunda maior revista em circulação nos EUA. Anunciou que nesta semana, que por dificuldades econômicas, publica seu último exemplar impresso, agora só existirá virtualmente.
Um leitor opinou que, com a referência ao Twitter na manchete da última capa: “a revista estava "usando seu último suspiro para identificar seu assassino".



Última capa impressa da Newsweek

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Newsweek, BBC Brasil, The Wire, Rian, Huffigton Post, New York Magazine

Após 80 anos, a revista americana Newsweek divulgou a capa de sua última edição impressa. A partir de 2013, a tradicional publicação passa a ser veiculada somente na internet.

A capa exibe uma foto em preto e branco da sede do grupo, em Manhattan, e uma manchete que faz referência aos marcadores que permitem a classificação de assuntos na rede de microblogs Twitter: #lastprintissue (#ultimaedicaoimpressa, em português).

Ao longo das últimas oito décadas, a Newsweek tornou-se a segunda maior revista de notícias dos Estados Unidos, ficando atrás apenas da Time.

Ela deixará de circular em papel a partir de 2013 - tornando-se uma publicação digital - por causa de uma queda no número de leitores e da receita com publicidade, que a levaram a registrar persistentes perdas financeiras.

Segundo a editora-chefe da revista, Tina Brown, a mudança marca "um novo capítulo" na história da publicação. Em um editorial desafiador, ela defendeu que a Newsweek não é "convencional", nem "inflexível".

"É nesse espírito que estamos fazendo nossa mais recente mudança, abraçando um meio digital que todos os nossos concorrentes um dia precisarão abraçar com o mesmo fervor. Estamos à frente da curva", argumentou Brown.


O primeiro exemplar, 1933. Falando da derrocada de Hitler, 1943.
O drama de 11 de setembro de 2001

HISTÓRIA

A Newsweek foi criada em 1933, e ganhou destaque na década de 1960 por sua cobertura dos movimentos de defesa dos direitos civis nos EUA.

Em seu auge, a revista chegou a ter uma tiragem de 3 milhões, mas nos últimos anos, com o número de leitores e de anúncios publicitários em declínio, começou a ter prejuízo.

Em 2010, a Newsweek foi vendida por US$ 1 pela Washington Post Company para o empresário e editor Sidney Harman.

Três meses depois a revista foi integrada ao site de notícias The Daily Beast.

Brown tornou-se editora da Newsweek depois dessa fusão. Em 2008, ela ajudou a fundar o Daily Beast e, antes disso, trabalhou como editora das revistas Vanity Fair e New Yorker.


Obama, Dilma e Ahmadinejad

No Twitter, Brown comentou a divulgação da última capa da revista da seguinte maneira: "Agridoce. Desejem-nos sorte."

Um leitor opinou que, com a referência ao Twitter na manchete, a revista estava "usando seu último suspiro para identificar seu assassino".

Tornando-se uma publicação digital, a Newsweek poderá cortar custos de impressão e distribuição. Mas ela perderá os recursos provenientes dos anúncios impressos - em geral mais bem pagos que os anúncios na internet.

Logo que a edição final da revista começou a ser impressa, o Daily Beast confirmou que haverá demissões em sua equipe.


Angeline Jolie, Robert de Niro e Michael Jackson


24 de dez de 2012

Diálogos gravados revelam despreparo de operadores para lidar com apagão

BRASIL
Diálogos gravados revelam despreparo de operadores para lidar com apagão
Transcrição de relatórios da Aneel e do ONS mostra tensão dos técnicos durante o blecaute ocorrido no Nordeste em fevereiro de 2011

Charge: Jean Galvão/Folha de São Paulo

Postado por Toinho de Passira
Texto de Alana Rizzo e Iuri Dantas, para O Estado de S. Paulo
Fonte: Estadão

Diálogos inéditos entre operadores do sistema elétrico revelam o despreparo das subestações e dos centros de controle para enfrentar interrupções no fornecimento. As transcrições constam dos relatórios da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e do Operador Nacional do Sistema (ONS), obtidos pelo ‘Estado’ por meio da Lei de Acesso à Informação.

Elas mostram o "sufoco" dos técnicos durante o apagão de fevereiro do ano passado, que deixou oito Estados do Nordeste sem luz por horas. À época, o governo Dilma Rousseff atribuiu o apagão a um defeito ocorrido em uma placa eletrônica.

Nos minutos seguintes ao blecaute, os técnicos batiam cabeça. Faltou energia para abrir um portão e assim conseguir religar alguns equipamentos. Foi preciso quebrar a fechadura, atrasando a solução.

A subestação desconhecia como proceder e foi preciso ir atrás do manual de instruções em cima da hora. "É porque a gente tem que pegar o guia aqui porque não tem como acessar, aí estamos pegando o guia do normativo aqui e vamos fazer com ele", completa.

Quando o abastecimento de todo o Nordeste dependia apenas da abertura de uma chave, como previa o guia de operações, os técnicos envolvidos discutiam se, em vez de abrir como previa o rito normal, não era melhor fechar essa mesma chave. "Tá dependendo tudo, tem risco até de inundação na usina IV, tem que fechar", respondeu o Centro de Operações.

‘FUNCIONA NÃO’

Duas horas depois de iniciado o apagão, o Centro Regional de Operações (Crop) da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) questionou o técnico da subestação de Sobradinho se lá havia um equipamento chamado mesa de sincronismo. "Funciona não... Vou chamar um rapaz para ver se liga ela, muitos anos sem ligar, viu, chamo você depois", foi a resposta.

O relatório da Aneel lista as irregularidades. Além do portão travado, aparelhos fora de operação, disjuntores fechados, discrepâncias no sistema de supervisão e controle e dificuldade de acesso aos procedimentos operacionais para a recomposição da instalação.

A placa que apresentou defeito dando origem ao apagão deveria ter sido substituída quatro anos antes, informam os relatórios. Responsável pela fiscalização das concessionárias, a Aneel não verificou se o equipamento fora efetivamente trocado. Tampouco sabia que duas usinas não tinham a máquina para religamento automático, para casos como aquele. Ao final, coube à agência reguladora pôr no papel o relato de uma sucessão de problemas facilmente evitáveis. Os erros renderam à Chesf uma multa de R$ 32 milhões.

PROTEÇÃO

Segundo os documentos liberados pela Aneel, a "perturbação" no Sistema Interligado Nacional começou às 0h08 do dia 4 de fevereiro de 2011, quando o sistema de proteção desligou automaticamente a linha de transmissão (LT) entre as subestações de Luiz Gonzaga e Sobradinho. O caso teria se encerrado aí, "caso a falha descrita não fosse acompanhada de procedimentos inadequados de operação das equipes de tempo real da Chesf."

Mesmo depois de tomar as medidas necessárias e religar a linha de transmissão, a energia não voltou. Segundo a Aneel, as equipes "disponibilizaram a LT 500 kV Luiz Gonzaga-Sobradinho, sem no entanto retirar o bloqueio da linha, impossibilitando a reintegração da linha à operação, atrasando o reestabelecimento do sistema".

Top models árabes ascendem e começam a mudar estereótipos femininos

ARÁBIA - Fashion
Top models árabes ascendem e começam a mudar estereótipos femininos
Shaista Gohir, diretora de um grupo de mulheres muçulmanas na Grã-Bretanha e ativista pelos direitos femininos, opina que o Ocidente tem uma visão estereotipada e genérica da mulher árabe-muçulmana. Para ela, a ascensão de modelos pode ajudar a mudar isso

Foto: Associated Press

Hanaa ben Abdesslem é uma das modelos árabes em ascensão

Postado por Toinho de Passira
Texto de Zubeida Malik, para a BBC
Fonte: BBC Brasil

Top models árabes estão ganhando destaque na moda internacional e, em consequência, começando a mudara forma como as mulheres da região são vistas pelo resto do mundo.

Um exemplo é a marroquina Hind Sahli, que, com poucos anos de experiência na profissão, já posou para marcas como Marc Jacobs, Kenzo e Vera Wang.

"Na moda, eles gostam do novo. Tudo o que é novo é bom", explica Hind a respeito de seu sucesso.

Mas ela atribui o interesse também à diversidade e à cultura do mundo árabe.

"Estilistas e fotógrafos gostam que não sejamos todas parecidas e que tenhamos uma cultura tão ampla. É tão diferente de outras (modelos) - podemos nos inspirar em tantas coisas."

Vinda de uma cultura conservadora, Hind explica que sua escolha profissional despertou reações diversas.

"A maioria das reações foi positiva. As pessoas acham bom que haja uma modelo marroquina. Muitas jovens me escreveram no Facebook perguntando como eu comecei. Houve algumas reações negativas, mas não me importo - sou feliz com o que faço."

Estereótipos e fé

Além de Hind, outras modelos árabes têm se destacado, como a tunisiana Hanaa ben Abdesslem, que assinou contrato com a empresa de cosméticos Lancôme. Detalhe: na Tunísia, ser modelo não é considerado uma profissão.

Shaista Gohir, diretora de um grupo de mulheres muçulmanas na Grã-Bretanha e ativista pelos direitos femininos, opina que o Ocidente tem uma visão estereotipada e genérica da mulher árabe-muçulmana. Para ela, a ascensão de modelos pode ajudar a mudar isso.

"É uma carreira definitivamente revolucionária e ousada, principalmente porque (no mundo árabe) as pessoas são muito tradicionais", diz Shaista. "Você sempre precisa de uma primeira pessoa quebrando essa barreira, quebrando os estereótipos e inspirando outras meninas."

Para ela, essa visão estereotipada vem da mídia, "que retrata as mulheres muçulmanas sempre cobertas com véu e sem voz".

"Mas a lista anual das mulheres árabes mais poderosas (que inclui representantes dos setores de finanças, cultura e governo, entre outros) evidencia uma imagem muito diferente delas."

Muitas das modelos árabes são de famílias muçulmanas, explica Hind Sahli, que diz praticar a religião.

Foto: Divulgação

A marroquina Hind Sahli combina a carreira de modelo com a prática da fé muçulmana. Nas fotos posando para Christian Lacroix

Ela conta que seus parentes mais distantes podem se incomodar com seu estilo de vida (e com o fato de ela andar sem o véu), mas ressalta que seus pais a apoiam.

"Minha mãe escolheu usar o hijab (véu islâmico), é a opção dela. Todos nós praticamos a fé muçulmana, rezamos."

Sem exotismo

Para Lauretta Roberts, diretora de uma empresa de tendências de moda, o uso de modelos árabes é um marco para a indústria da moda.

"As modelos estão sendo retratadas de uma maneira cotidiana. Não é algo que pareça revolucionário, embora talvez seja, porque não estão fazendo alvoroço a respeito da cultura de onde essas meninas vêm", explica.

"Elas estão sendo fotografadas exatamente da mesma maneira que qualquer modelo da Europa ou dos EUA, e acho isso extremamente positivo. Houve muitas modelos que romperam os padrões nos anos 1970 - por exemplo, (a conhecida modelo somali) Iman -, mas elas eram sempre retratadas de uma maneira levemente exótica."

Segundo Roberts, outra razão para a ascensão de modelos árabes é o interesse em se aproximar e atender o crescente mercado consumidor árabe.

"Estilistas e marcas vão atrás do dinheiro - e, no momento, há muito dinheiro nos países árabes", opina ela. "Antes, a alta-costura queria atrair os americanos ricos. Hoje, os desfiles querem atrair os consumidores árabes, que são os que podem pagar (pelas roupas)."

Simultaneamente ao aumento do interesse por modelos árabes, o Oriente Médio e o norte da África vivem os desdobramentos da Primavera Árabe, que podem abrir espaço para mudanças - positivas ou negativas - para as mulheres.

Para Hind Sahli, "o fato de eu estar trabalhando e me saindo bem vai dar a outras garotas a coragem para seguir esse caminho".


Rosemary, a mulher do ano, de Guilherme Fiuza , para O Globo

BRASIL -
Rosemary, a mulher do ano
A representante da Presidência da República em São Paulo fez exatamente o que Dilma fez em Brasília: cacifada por Lula, passou a reger o parasitismo do PT

Ilustração "thepassiranews"

LEGENDA

Postado por Toinho de Passira
Texto de Guilherme Fiuza, para O Globo
Fonte: O Globo

Nesses tempos de devoção às minorias, não é justo deixar de destacar a contribuição de Rosemary Noronha para a causa feminina. O Brasil progressista explode de orgulho por ser governado por uma mulher — que aliás deu a Rosemary sua chance de brilhar — e não pode agora se esquecer de reverenciar mais uma expoente do gênero. Assim como Dilma, Rose chegou lá. O fato de estar enrolada com a polícia é um detalhe.

Rose e Dilma escreveram seus nomes na história do Brasil por serem, ambas, utensílios de Lula. A finalidade de cada uma para o ex-presidente não vem ao caso. O que importa é que ambas funcionaram muito bem. Como se nota pelo ufanismo nacional em torno de Dilma, não se espera mais da mulher moderna opinião própria, autonomia e iniciativa. Basta botar um tailleur vermelho, um colar de pérolas e decorar suas falas. E muito importante: falar o mínimo, para errar pouco. Até outro dia isso era piada entre Miguel Falabella e Marisa Orth (“cala a boca, Magda!”). Hoje é sinal de poder.

O grande símbolo feminino brasileiro da atualidade, que desperta a admiração de Jane Fonda — que tempos! — não tinha feito nada de extraordinário na vida até ser levada pela mão do padrinho ao topo. O feminismo realmente mudou muito.

Lá chegando, seu maior mérito foi usar vestido e não ser o Lula (para os que não suportavam mais o ogro bravateiro), ou ser o Lula de vestido (para os que seguem venerando o filho do Brasil). Sem nenhum plano de governo, com um ministério fisiológico de cabo a rabo, sem um mísero ato de estadista em dois anos de mandato, Dilma se destaca por ser ou não ser Lula, dependendo do ponto de vista. É a apoteose da nulidade, que o Brasil progressista e feminista consagra com aprovação recorde.

Diante desses novos valores, seria injusto não consagrar Rosemary também. A representante da Presidência da República em São Paulo fez exatamente o que Dilma fez em Brasília: cacifada por Lula, passou a reger o parasitismo do PT, cuidando da nomeação de companheiros e dando blindagem política às suas peripécias para sucção do Estado.

No caso de Dilma, a grande orquestra fisiológica foi desmoronando ao vivo, com nada menos que sete ministros nomeados (e protegidos até o fim) por ela caindo de podres, graças à ação da imprensa. A mulher-modelo de Jane Fonda ainda havia parido uma Erenice, a quem preparava para ser a dama de ferro de seu governo (Jane não pode imaginar o que seria isso) — derrubada por fazer na Casa Civil algo muito parecido com as operações fantásticas de Rosemary. Até o uso da Anac como balcão de negócios se repetiu. Por que só Dilma é ícone feminino, se Rosemary mostrou ser um prodígio da mesma escola?

Por algum mistério insondável, a Polícia Federal não fez escutas nos telefones de Rose, ou diz que não fez. As conversas da mulher que regia uma quadrilha grudada em Lula, se apresentando como sua namorada, e que tramou até sabotagem ao julgamento do mensalão — o mesmo que Lula tentara com Gilmar Mendes — não interessou aos investigadores. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse que não havia motivos para grampear Rosemary — uma suspeita que está impedida pela Justiça de sair de sua cidade. Esses ministros farsescos do PT podiam ao menos ser mais criativos. Mas não precisa, porque o Brasil engole qualquer coisa.

Marcos Valério disse que Lula teve despesas pagas pelo esquema do mensalão e autorizou operações bancárias do valerioduto. É comovente a desimportância atual dessas declarações. Lula é o líder de um projeto político montado para a permanência no poder a qualquer custo — e essa fraude está exaustivamente demonstrada pelo mensalão, por Dirceu, Erenice, Palocci, Pimentel, aloprados, Rosemary e praticamente todo o estado-maior petista, tanto de Lula quanto de Dilma, flagrados em tráfico de influência para se aferrar ao poder na marra. O que mais é preciso denunciar?

O eleitor brasileiro está brincando com fogo. Enquanto o desemprego estiver baixo, vai continuar afiançando a fraude que finge não ver. O país vai sendo empurrado com a barriga pelos fisiológicos — e essa conta vai chegar. O governo desistiu de controlar a inflação, que vai se afastando da meta (apesar da mudança de cálculo que reduziu o índice). A gastança pública é disfarçada com truques contábeis para esconder o déficit. A arrecadação brutal banca a farra dos companheiros, sem sobra para investimentos decentes — e tome literatura de trem-bala e tarifas mentirosas de energia, que já multiplicam os apagões por manutenção precária.

Como se viu na funesta CPI do Cachoeira, a mafiosa Delta comandava o planejamento da infraestrutura terrestre.

Mas está tudo bem, e oito governadores podem ir de cara limpa prestigiar Lula e sua democracia de aluguel. Se este é o país que queremos, Rosemary é a mulher do ano.
*Acrescentamos subtítulo e ilustração a publicação original

Eduardo Campos: "Estarei com Dilma em 2014"



HUMBERTO- Jornal do Commercio (PE)



BRASIL – Pernambuco
Eduardo Campos: "Estarei com Dilma em 2014"
O governador de Pernambuco diz que não será candidato a presidente – e que, apesar de ser amigo de Aécio Neves, não apoiará o PSDB nas eleições

Foto: Leo Caldas/Ed. Globo

SEM ARROUBOS - O governador Eduardo Campos no Porto de Suape. “Quem é amigo da Dilma, amigo do Brasil, não botará campanha na rua”

Postado por Toinho de Passira
Entrevista concedida a Luiz Maklouf Carvalho, para a revista Época
Fonte: Época

"Não tenho tido a oportunidade nem o tempo de falar o que vou falar aqui. Quero dizer como está minha cabeça neste instante.” Foi com essa disposição de espírito que o governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB recebeu ÉPOCA num final de manhã, em entrevista que entrou pela tarde.

O cenário foi a sala de reuniões contígua a seu gabinete, no subsolo do Centro de Convenções, em Olinda, de onde exerce seu segundo mandato desde que o Palácio do Campo das Princesas entrou em reforma. Pela primeira vez numa entrevista, Eduardo Campos foi taxativo em relação ao assunto do momento: sua possível candidatura à Presidência da República em 2014. “Não é a hora de adesismos baratos, nem de arroubos de oposicionismos oportunistas”, disse. “Queremos que a presidenta Dilma ganhe 2013 para que ela chegue a 2014 sem necessidade de passar pelos constrangimentos que outros tiveram de passar em busca da reeleição.”

ÉPOCA – Estou convencido de que o senhor é candidato a presidente da República em 2014. É?

Eduardo Campos – E aí sou eu que vou ter de lhe desconvencer (risos). Tenho um amigo que é jornalista, experiente, que outro dia me disse: “Fulano de tal é candidato, e ninguém acredita. Você diz que não é, e ninguém acredita”. O que é que posso fazer? Na minha geração, poucos tiveram a oportunidade que tive de conviver com quadros políticos que sempre fizeram o debate com profundidade, olhando objetivos estratégicos, os interesses da nação, do povo. O quadro político que tem acesso a essa formação, e que a amadurece, percebe que suas atribuições e sua responsabilidade impõem essa visão que vai muito além do eleitoral e está até acima do eleitoral.

ÉPOCA – Explique melhor.

Campos –
Nesse curto espaço de tempo, vamos decidir muita coisa no Brasil. Estamos vivendo uma crise sem precedentes lá fora. Essa crise há de gestar outro padrão de acumulação de capital. Outros valores vão surgindo. Com a importância que tem nesse concerto internacional, o Brasil fez, nos últimos anos, alguns avanços importantes. Na quadra mais recente, viveu três ciclos: o ciclo da redemocratização, o ciclo da estabilidade econômica e um ciclo do empoderamento da pauta social, uma coisa que se transformou, inclusive, em política econômica. Na brevíssima democracia que nós temos, tivemos líderes que, a seu modo, por suas virtudes e vicissitudes, interpretaram o que era um acúmulo de consenso na sociedade. Tiveram a capacidade de orquestrar frentes políticas que deram apoio e força política para viver esses ciclos.

ÉPOCA – O que é que o senhor vê neste cenário de crise?

Campos –
Que essa disputa entre estes dois blocos que surgiram no processo da redemocratização, um liderado pelo PT – onde sempre estivemos incluídos – e outro pelo PSDB, muitas vezes com posições assemelhadas em relação a determinadas coisas, fez com que o país e o povo ganhassem. Houve conquistas para a população, no ciclo comandado pelo PSDB, e houve equívocos. E houve muitas conquistas no ciclo em que estivemos sob a liderança do presidente Lula. Essas conquistas não estão inteiramente consolidadas. Se a gente eleitoralizar esse momento, se a gente não pensar o país de forma larga, a gente pode se ver como lá no Quincas Borba (romance de Machado de Assis): “Aos vencedores, as batatas”. Mas o que você não pode, num momento como este, dessa importância, é interditar o debate político.

Foto: Antonio Cruz/ABr

A gente tem de ter calma, paciência, e compreender. Agora, ninguém pode dizer o que acontecerá em 2014, nem quem está liderando esse processo, a própria presidenta Dilma.

ÉPOCA – Debate que já está colocado.

Campos –
A gente tem de compreender, a gente tem de respeitar, tem de fazer esse debate, ter a disposição de estimulá-lo. Os partidos puxam para o eleitoral, os quadros, a militância, a mídia que cobre isso, tudo puxa para o eleitoral. É natural. A gente tem de ter calma, paciência, e compreender. Agora, ninguém pode dizer o que acontecerá em 2014, nem quem está liderando esse processo, a própria presidenta Dilma. Ela tem nossa confiança, foi nossa candidata, com quem temos identidade, respeito pelos valores que ela traz para a vida pública. Ela é uma mulher que tem dignidade, tem força de pelejar com seus valores. Nem ela pode, a uma altura desta do campeonato, permitir que o debate se eleitoralize. Quem é amigo da Dilma, amigo do Brasil, não botará campanha na rua, nem da oposição nem a campanha da Dilma.

ÉPOCA – O senhor daria uma grande contribuição a essa tese que está defendendo agora – não eleitoralizar o debate neste momento – dizendo, com todas as letras, que apoiará a reeleição da presidente Dilma em 2014. Isso é água na fervura, acaba com a eleitoralização do debate.

Campos –
Nosso partido foi o partido que tomou a decisão de não ter um candidato que tinha ponto na pesquisa para apoiar a presidenta Dilma. E passamos todo o tempo dizendo que a candidatura natural é a candidatura da Dilma.

ÉPOCA – Então, o senhor apoiará a reeleição da presidente Dilma em 2014?

Campos –
Não há dúvida, não. Qual é a dúvida? Estamos nas base de sustentação. Não tenho duas posições. Quem defende a presidenta Dilma neste momento deseja cuidar em 2013 do Brasil. Quem pode cuidar do Brasil é Dilma. Nós temos de ajudá-la a ganhar 2013. Ganhando 2013, Dilma ganha 2014. Então a forma de ajudar Dilma é dizer: em 2014 todos nós vamos estar com Dilma. Claro. Por que não vamos estar com Dilma? Nós rompemos com Dilma? Saímos do governo de Dilma? Saímos da base dela? Você conhece algum programa criado pelo PSB constrangendo algum programa, alguma decisão da presidenta Dilma? Não existe nenhum. Agora, entendemos que é a hora de cuidar do Brasil. Temos muitas ameaças e possibilidades pela frente.

Foto: Arquivo

"É uma verdade que eu sou amigo de aécio neves, mas, em palanque nacional, a última vez que estive com ele foi no palanque do Doutor Tancredo"

ÉPOCA – O senhor está dizendo algo como: “Oposição, tira seu cavalinho da chuva, porque em 2014 vou marchar com a presidente Dilma e com esse campo político do qual venho participando ao longo destes últimos anos”?

Campos –
As pessoas dizem: “Eduardo é amigo de Aécio Neves”. É uma verdade. Mas a aliança feita em Belo Horizonte (PSB-PSDB) foi gestada por mim? Não. Foi gestada por Fernando Pimentel, que é uma pessoa ligadíssima à presidenta, ministro dela, e por Aécio. Eles me chamaram para perguntar se o PSB toparia filiar o Márcio (Lacerda, do PSB, que venceu a eleição para prefeito). Essa é que é a história. Em palanque nacional, a última vez que estive com Aécio Neves foi no palanque de doutor Tancredo. Agora, daí a desejar que a gente não dialogue... O presidente hoje do PSDB nacional é um deputado federal (Sérgio Guerra) que foi secretário do meu avô (Miguel Arraes, exilado político e ex-governador de Pernambuco) nos dois governos dele. Convivemos com ele, foi do meu partido, é meu amigo pessoal, com quem dialogo, e nem por isso esteve no meu palanque nas últimas eleições.

ÉPOCA – Dita com as palavras do ex-ministro Roberto Amaral, seu vice-presidente no PSB, a frase seria esta: “No plano nacional, não é possível fazer uma aliança com o PSDB”.

Campos –
O PSDB está numa situação em que não defendeu nem o legado do Fernando Henrique nem propôs ainda algo que se coloque em debate na sociedade. E é isso que Fernando Henrique tem cobrado do partido, com grande lucidez. A hora é de qualificar o debate. Não vou entrar nesse debate de maneira desqualificada. Em respeito a meu partido, em respeito à presidenta e em respeito, sobretudo, ao país.

ÉPOCA – Por que o senhor quer ser presidente da República?

Campos –
Quem lhe disse isso?

ÉPOCA – O senhor quer? O senhor tem esse sonho de ser presidente da República?

Campos –
Deixa eu falar, com toda a tranquilidade: quando quis ser governador, disse às pessoas que queria ser governador. Procure neste país alguém que procurei dizendo: “Quero ser candidato a presidente da República”. Em março de 2005, disse que seria candidato a governador em 2006 (foi e ganhou, no segundo turno, com 65,36% dos votos). Agora eu não disse isso. É preciso saber que, na política, também há pessoas que pensam, sem necessariamente se colocar. E sei o que é que vou viver, esse estresse todo, as pessoas querendo, achando que devo ser, que posso ser, que vou ser, outros olhando de um jeito diferente, ou com uma desconfiança, porque as circunstâncias políticas no Brasil vão, no ciclo pós-Dilma, escolher novas lideranças que pautarão o debate político. Então tem de ter calma. Estou sereno, tranquilo. No dia em que eu vier a querer ser presidente, vou responder a essa pergunta. Mas hoje não.

ÉPOCA – Foi por isso que o seminário dos prefeitos eleitos do PSB, no final de novembro, com 600 participantes, não virou uma festa de lançamento de sua candidatura, como alguns setores esperavam?

Campos –
Se eu quisesse, tocava fogo naquilo ali. Podia pedir a um governador, a um deputado.

ÉPOCA – E por que isso não aconteceu?

Campos –
Porque a gente tem um debate político feito no partido. Nós temos responsabilidade. Calma! O país está numa situação de muita dificuldade. Se a gente não ganhar 2013, podemos botar abaixo 20 anos de construção brasileira. Se a gente importar essa crise, começar a destruir o mercado de trabalho, começar a eleitoralizar esse debate, ir para a luta fratricida e não sei mais o quê, vamos desmontar grande parte do que foi a conquista dos últimos 20 anos. É isso que está em jogo. E quem você acha que vai ser respeitado como quadro político? Quem for fazer a disputa eleitoral pela disputa eleitoral? Ou quem pautar o que interessa à sociedade?



23 de dez de 2012

Governo cubano proíbe o ritmo reggaeton

CUBA - Bizarro
Governo cubano proíbe o ritmo reggaeton
Agora é com a música. O principal inimigo da revolução cubana, hoje, é chamado de reggaeton , um gênero musical que mistura reggae, hip hop e ritmos latinos, tornou-se um dos mais populares na ilha. O governo de Havana tem como alvo porque considera uma ameaça para a cultura musical cubana em si. E um estímulo perigoso à sexualidade fácil, agressivos, degradando as mulheres cubanas a meros objetos de desejo.

Foto: Claudia Daut/Reuters

Jovens cubanas dançam reggaeton na praia, em uma competição durante um evento organizado pela União praia de Cuba e Jovens Comunistas e do Instituto Nacional de Esportes, em Havana, em 2006, quando a música ainda não era considerada ofensiva

Postado por Toinho de Passira
Fontes: The Guardian, Granma , El Mundo, Big Browser, Huffington Post, ABC, Wander Lust, O Globo

O governo cubano lançou uma campanha contra o reggaeton. Orlando Vistel, presidente do Instituto Cubano de Música, denunciou no início do mês o estilo em entrevista ao diário Granma, periódico oficial do Partido Comunista, classificando-o como “expressão vulgar, banal e medíocre”. A medida repressora foi divulgada em todo o mundo.

Na mesma entrevista, Vistel anunciava uma norma jurídica que vetaria “determinadas músicas” em meios de comunicação, estabelecimentos comerciais, centros oficiais, ônibus e espaço públicos. O último ponto visa atingir os “bonches”, festas de reggaeton que acontecem nas ruas e pátios de Havana.

A medida está sendo levada a sério. Danilo Sirio, presidente do Instituto Cubano de Rádio e Televisão, já avisou: “Nos canais nacionais está decidido, não passa mais nenhum número grosseiro, banal, com letra ofensiva ou vídeo que denigra a imagem da mulher”.

Foto: Arquivo

As autoridades dizem que o reggaton degrada as mulheres

A briga é antiga. Em 2005, o jornal Juventud Rebelde, portavoz da União de Jovens Comunistas, relacionava o reggaeton a “vulgaridade, luxo, luxúria, vício e consumo de tóxicos”. No ano passado, o ministro da Cultura, Abel Prieto, interveio para que fosse retirado um prêmio do vídeo “Chupi chupi”, um hino de Osmani Garcia ao sexo oral.

O reggaeton de fato representa um desafio para a moral revolucionária. É evidente a fascinação pelo modo de vida americano, com o consumismo e exibição de marcas. Letras e festas incitam o erotismo e o ritmo sempre foi bem recebido pela frustrada população jovem da ilha.

Durante um tempo, foi um campo de batalha ideológico. Tentaram criar abordagens diferentes, como “Creo”, de Baby Lores, uma homenagem a Fidel Castro. No outro extremo havia o popular Elvis Manuel, músico que desapareceu no mar quando tentava emigrar clandestinamente para os EUA.

Não se trata de um fenômeno novo. Há 20 anos, no leste da ilha, onde chegam rádios jamaicanas, o ritmo já era popular, assim como coreografias que sugeriam o ato sexual. Mas o também chamado “cubaton” só deslanchou com a implantação do rap cubano.

Foto: STR / AFP / Getty

O cantor porto-riquenho René Pérez, um ídolo em Cuba, num espetáculo em Havana. na conhecido como Residente, do hip-hop e reggaeton duo Calle 13, realiza em Havana, Cuba.

Após algumas dúvidas iniciais, o hip-hop foi regulamentado pelas instituições culturais do regime, facilitando a criação de circuitos que se mostraram incontroláveis: os estúdios caseiros agora gravam mais reggaeton que rap. Mais que a Jamaica, têm como mdelos os discos de Porto Rico e Panamá, com uma importante diferença: não se fala de violência.

Como tudo em Cuba, o reggaeton tem uma realidade oficial e um mercado negro. Junto aos artistas com discos e clipes luxuosos, existem os que gravam e vendem sua produçãode formas alternativas. Também há dinheiro estrangeiro, investidores da Europa ou Miami que esperam encontrar ali artistas exportáveis.

Além de Osmani García, destacam-se Gente de Zona, Eddy-K, El Micha, Los Intocables, Candyman, El Médico, Los Faraones... A lista é interminável, o que explica o nervosismo das autoridades.

No “pânico moral” anterior causado pela timba, a repressão não exigiu medidas excepcionais. Foram controlados os locais para turistas, que geravam dólares para as bandas e eram vulneráveis por acolher prostituição.

Mas a timba era um produto complexo: aparentada da salsa, exigia grupos grandes, com instrumentistas de muita técnica. O reggaeton, por outro lado, só precisa de música pré-gravada e vozes entusiastas. E suas mensagens não trazem duplo sentido, são diretas e elementares.


Veja Osmani García – no polêmico reggaeton Chupi Chupi


22 de dez de 2012

Roubar pelo povo, de Carlos Alberto Sardenberg, para O Globo

BRASIL - Opinião
Roubar pelo povo
“Fica assim, pois: José Dirceu não é corrupto, nem quadrilheiro — mas participou da corrupção e da quadrilha porque, se não o fizesse, não haveria como aplicar o programa popular do PT”. “ « ... se as elites são um bando de ladrões agindo contra o povo, qual o problema de roubar “a favor do povo”? ”

Ilustração ”thepassiranews”

Postado por Toinho de Passira
Texto de Carlos Alberto Sardenberg, para O Globo
Fonte: Blog do Noblat

Intelectuais ligados ao PT estão flertando com uma nova tese para lidar com o mensalão e outros episódios do tipo: seria inevitável, e até mesmo necessário, roubar para fazer um bom governo popular.

Trata-se de uma clara resposta ao peso dos fatos. Tirante os condenados, seus amigos dedicados e os xiitas, ninguém com um mínimo de tirocínio sente-se confortável com aquela história da “farsa da mídia e do Judiciário”.

Se, ao contrário, está provado que o dinheiro público foi roubado e que apoios políticos foram comprados, com dinheiro público, restam duas opções: ou desembarcar de um projeto heroico que virou bandidagem ou, bem, aderir à tese de que todo governo rouba, mas os de esquerda roubam menos e o fazem para incluir os pobres.

Vimos duas manifestações recentes dessa suposta nova teoria. Na “Folha”, Fernanda Torres, em defesa de José Dirceu, buscou inspiração em Shakespeare para especular: talvez seja impossível governar sem violar a lei.

No “Valor”, Renato Janine Ribeiro escreveu duas colunas para concluir: comunistas revolucionários não roubam; esquerdistas reformistas roubam quando chegam ao governo, mas “talvez” tenham de fazer isso para garantir as políticas de inclusão social.

Tirante a falsa sofisticação teórica, trata-se da atualização de coisa muito velha. Sim, o leitor adivinhou: o pessoal está recuperando o “rouba mas faz”, criado pelos ademaristas nos anos 50. Agora é o “rouba mas distribui”.

Nem é tão surpreendente assim. Ainda no período eleitoral recente, Marilena Chauí havia colocado Maluf no rol dos prefeitos paulistanos realizadores de obras, no grupo de Faria Lima, e fora da turma dos ladrões.

Fica assim, pois: José Dirceu não é corrupto, nem quadrilheiro — mas participou da corrupção e da quadrilha porque, se não o fizesse, não haveria como aplicar o programa popular do PT.

Como se chega a esse incrível quebra-galho teórico? Fernanda Torres oferece uma pista quando comenta que o PT se toma como o partido do povo brasileiro. Ora, segue-se, se as elites são um bando de ladrões agindo contra o povo, qual o problema de roubar “a favor do povo”?

Renato Janine Ribeiro trabalha na mesma tese, acrescentando casos de governos de esquerda bem-sucedidos, e corruptos. Não fica claro se são bem-sucedidos “apesar” de corruptos ou, ao contrário, por serem corruptos. Mas é para esta ultima tese que o autor se inclina.

Não faz sentido, claro. Começa que não é verdade que todo governo conservador é contra o povo e corrupto.

Thatcher e Reagan, exemplos máximos da direita, não roubavam e trouxeram grande prosperidade e bem-estar a seus povos.

Aqui entre nós, e para ir fundo, Castello Branco e Médici também não roubavam e suas administrações trouxeram crescimento e renda.

Por outro lado, o PT não é o povo. Representa parte do povo, a majoritária nas últimas três eleições presidenciais. Mas, atenção, jamais ganhou no primeiro turno e os adversários sempre fizeram ao menos 40%. E no primeiro turno de 2010, Serra e Marina fizeram 53% dos votos.

Por isso, nas democracias o governo não pode tudo, tem que respeitar a minoria e isso se faz pelo respeito às leis, que incluem a proibição de roubar. E pelo respeito à opinião pública, expressa, entre outros meios, pela imprensa livre.

Por não tolerar essas limitações, os partidos autoritários, à direita e à esquerda, impõem ou tentam impor ditaduras, explícitas ou disfarçadas. Acham que, por serem a expressão legítima do povo, podem tudo.

Assim, caímos de novo em velha tese: os fins justificam os meios, roubar e assassinar.

Renato Janine Ribeiro diz que os regimes comunistas cometeram o pecado da extrema violência física, eliminando milhões de pessoas. Mas eram eticamente puros, sustenta: gostavam de limusines e dachas, mas não colocavam dinheiro público no bolso. (A propósito, anotem aí: isto é uma prévia para uma eventual defesa de Lula, quando começam a aparecer sinais de que o ex-presidente e sua família abusaram de mordomias mais do que se sabe).

Quanto aos comunistas, dizemos nós, não eram “puros” por virtude, mas por impossibilidade. Não havia propriedade privada, de maneira que os corruptos não tinham como construir patrimônios pessoais. Roubavam dinheiro de bolso e se reservavam parte do aparelho do estado, enquanto o povo que representavam passava fome. Puros?

Reparem: na China, misto de comunismo e capitalismo, os líderes e suas famílias amealharam, sim, grandes fortunas pessoais.

Voltando ao nosso caso brasileiro, vamos falar francamente: ninguém precisa ser ladrão de dinheiro público para distribuir Bolsa Família e aumentar o salário mínimo.

Querem tudo?

Dilma consegue aprovar a MP que garante uma queda na conta de luz. O Operador Nacional do Sistema Elétrico diz que haverá mais apagões porque não há como evitá-los sem investimentos que exigiriam tarifas mais caras.
Ou seja, a conta será mais barata, em compensação vai faltar luz.
*Acrescentamos subtítulo e ilustração a publicação original

21 de dez de 2012

Joaquim decide não prender mensaleiros agora

BRASIL – Julgamento do Mensalão
Joaquim decide não prender mensaleiros agora
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, negou no início da tarde desta sexta-feira o pedido de prisão imediata dos réus do mensalão feito pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Em decisão monocrática, por causa do recesso do Judiciário, Barbosa não viu necessidade de execução da prisão nesse momento. Os quadrilheiros que preparavam uma grande movimentação para sensibilizar a população com a prisão as vesperas do Natal, ficaram frustrados.

Foto: Valter Campanato/ABr

Barbosa: “O pleno desta Corte, por maioria (contra o meu voto), entendeu incabível o início da execução penal antes do trânsito em julgado da condenação...”

Postado por Toinho de Passira
Fontes: G1, STF, O Globo, Ultimo Segundo, ”thepassiranews”

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, negou sensata e prudentemente, nesta sexta-feira (21) o pedido do procurador-geral da República, de prisão imediata dos réus condenados no julgamento do mensalão.

Com a decisão, as prisões devem ocorrer somente após a sentença transitar em julgado (momento em que estiverem esgotadas todas as possibilidades de recurso para os réus).

Em seu pedido, o procurador-geral da República havia argumentado ao STF que era possível executar imediatamente a prisão dos condenados porque os recursos à disposição dos réus não teriam o poder de mudar o resultado do julgamento. Na avaliação de Gurgel, uma decisão do Supremo “prescinde do trânsito em julgado” para que seja considerada definitiva.

O Ministério Público também argumentou a Barbosa que o fato de haver uma “pluralidade de réus” na ação penal deve acarretar a apresentação de “dezenas” de recursos que, segundo o MP, impedirão por longo tempo a execução das penas.

Na decisão proferida nesta sexta, o presidente do Supremo usou como referência uma decisão anterior do próprio tribunal, que em outro caso considerou "incabível" a prisão antes do trânsito em julgado.

Barbosa também argumentou que os recursos a serem apresentados pelos réus, embora "eventuais, atípicos e excepcionalíssimos", ainda podem levar a modificações na sentença.

Segundo Barbosa, não se pode, “de antemão”, presumir que os réus condenados apresentarão uma série de recursos com o objetivo de protelar a execução das penas.

“Há que se destacar que, até agora, não há dados concretos que permitam apontar a necessidade da custódia cautelar dos réus, os quais, aliás, responderam ao processo em liberdade”, disse o ministro na decisão.

Além disso, ele afirmou na decisão que, com a apreensão dos passaportes, já foram tomadas as providências necessárias para evitar que os condenados fujam do país

Com o início do recesso do Judiciário, nesta quinta (20), Barbosa ficou responsável por todas as decisões urgentes a serem tomadas pelo tribunal durante as férias dos magistrados.

Receosos de que a questão viesse a ser decidida monocraticamente por Barbosa durante o plantão, advogados do ex-chefe da Casa Civil José Dirceu e de outros cinco réus condenados no julgamento do mensalão tinham protocolado pedido para que o plenário do STF decidisse na quarta (19) se os clientes deviam ser presos imediatamente ou se seria necessário aguardar o trânsito em julgado.

Dos 25 condenados no processo, 11 devem iniciar o cumprimento da pena em regime fechado porque receberam penas superiores a oito anos de prisão. Entre eles, estão o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, o operador do esquema, Marcos Valério, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, e executivos do Banco Rural

Barbosa desarmou o palanque de Dirceu e sua turma, que até devem ter ficados frustrados por não terem sido presos pelo ministro. Estava preparado um clima de comoção que não aconteceu. Nunca ninguém havia ouvido falar que José Dirceu tinha mãe, muito menos Genoino, nós mesmo imaginávamos que eles eram filho de chocadeiras.

Depois da decisão de Barbosa, divulgou-se, sem o impacto que seria caso eles fossem presos, que as mães de ambos, estavam apreensivas e choraram emocionadas, com a decisão que manteve seus filhos fora da cadeia, neste Natal. No próximo eles estarão guardados.

Dirceu até anunciou que vai passar o Natal com a sua mãezinha no interior de Minas, em Passa Quatro, coisa que não fazia há uma dezena de anos.

Como se vê ele nem foi preso ainda e a pena já o está resocializando.

O grande circo místico, de Nelson Motta, para O Globo

BRASIL - Opinião
O grande circo místico
No Brasil, golpistas tentam derrubar ex-presidente. A piada é boa, mas a coisa está feia.

Foto: Ricardo Stckert/AFP

Postado por Toinho de Passira
Texto de Nelson Motta
Fonte: Blog do Moreno

O ministro Gilberto Carvalho já avisou que o bicho vai pegar e Zé Dirceu quer a militância nas ruas para defender Lula e o PT. De Paris, Lula já rosnou que vai voltar a percorrer o Brasil com suas Caravanas da Cidadania, como fez nos anos 90, para falar direto com o povo sobre o país maravilhoso que construiu e a herança maldita que recebeu, para satanizar as elites, a direita, a mídia e a Justiça. Ou para desmentir que protegeu Rose Noronha e os irmãos Vieira ?

Qual será a motivação da caravana, seu apelo ao público, seus slogans e palavras de ordem? Com alguma ironia, talvez possa se chamar Caravana da Verdade, e sirva para dizer que são mentiras todas as acusações. O mais difícil é imaginar multidões lotando as praças, sem um show de graça de um artista popular ou sorteio de um carro, só para ver Lula falar bem dele mesmo e mal de seus adversários.

Lula ama o palanque, é seu habitat natural, seu altar, onde se sente melhor do que nos gabinetes, nos palácios ou nos parlamentos, porque só tem que falar, esbravejar e gritar — o que ele mais sabe e mais gosta de fazer. Para um ser mitológico metade homem-metade palanque, diante da multidão amestrada, não há compromisso com a lógica e a verdade, todas as bravatas são bem-vindas, todas as demagogias são aplaudidas, sem responsabilidades nem consequências.

Sem estar em campanha por algum cargo, ou causa, a não ser ele mesmo, Lula vai precisar da "mídia golpista" para dar dimensão nacional à sua luta contra... a "mídia golpista". Porque, se depender só da TV Brasil e dos blogueiros estatizados, só a militância vai ficar sabendo.

As velhas elites já estão acostumadas a apanhar de Lula, a doar para suas campanhas, e a se dar bem nos seus governos, mas as novas elites sindicais e partidárias não estão preocupadas com as velhas, são progressistas, estão ocupadas com seu próprio progresso.

A direita, como se sabe, ou não existe no Brasil, ou então é tudo que contraria qualquer opinião do Zé Dirceu. O maior perigo da caravana é virar circo.


Publicado no Globo de hoje.
*Acrescentamos foto a publicação original

Cabeças em chamas, por Lucas Mendes, para a BBC Brasil

ESTADOS UNIDOS - Opinião
Cabeças em chamas
Armas! Armas! Armas! Desde o massacre em Sandy Hook, o controle de armas entrou no debate americano, mas o que estava na cabeça de Adam Lanza quando deu quatro tiros na cabeça da mãe na cama e saiu para sua chacina na escola primária? >

Foto: Shannon Hicks/Newtown Bee

Professora conduz um grupo de crianças assustadas, para fora da escola após o massacre

Postado por Toinho de Passira
Texto de Lucas Mendes, para BBC Brasil
Fonte: BBC Brasil

Há 300 milhões de armas nas mãos dos americanos. Só no 23 de novembro, o das liquidações do "Black Friday", três semanas antes do massacre, foram vendidas 154.873 armas. Um recorde que quebrou os do ano passado e atrasado.

Talvez seja possível controlar venda, compra e porte de certas armas e munição, mas é impossível uma lei retroativa para confiscar o que está nas ruas. Há dezenas de propostas, do sensato ao estapafúrdio, algumas podem vir a ser adotadas, mas vão acontecer outros massacres.

Esta praga americana jamais será reduzida a proporções inglesas, japonesas e de outros países civilizados.

Os números dos homicídios nos Estados Unidos são complicados. No sul, há o dobro de crimes do que no norte. Na Louisiana, o índice de homicídios é parecido com o do Brasil, 18 por 100 mil habitantes. Na Nova Inglaterra (região no nordeste que junta 6 Estados), onde houve o massacre, os números são finlandeses, perto de 3 por 100 mil habitantes.

Além do rígido controle de armas em quase todos os países avançados, há uma grande diferença entre os Estados Unidos e os outros ricos: cuidados com a saúde mental.

Em 1963, o presidente John F. Kennedy assinou o Mental Health Act, que, na prática, esvaziou os hospícios e outras instituições que cuidavam de doentes mentais. Os Estados não assumiram a responsabilidade pelos doentes como estava previsto e as seguradoras assumiram despesas mínimas.

Um em cada 17 americanos tem problemas mentais, apenas três recebem tratamentos.

Nadine Kaslow, presidente eleita da Associação de Psicólogos Americanos, tem passado os dias na televisão e rádios informando que "(síndrome de) Asperger e autismo não causam violência. Só um número reduzido de doenças mentais, em geral combinadas com algum remédio, podem provocar reações agressivas".

Dezenas de depoimentos de parentes e amigos de autistas contrariam a presidente dos psicólogos. Um deles, "Eu Sou a Mãe de Adam Lanza", já foi visto por mais de um milhão de pessoas na internet.

Lisa Long tem um filho de treze anos. "Ele é adorável, inteligente, imprevisível. Contrariado, enfurece. Na última crise, pegou uma faca e ameaçou me matar e se suicidar. Os irmãos já sabem o que fazer nestas situações. Correm e se trancam no carro."

O filho foi contido por três policiais e um médico, mas por causa da idade foi solto logo e a mãe não sabe o que fazer. Não há como interná-lo num hospital público, ela não tem dinheiro para clínicas particulares, que também não garantem sucesso nem dão prazo de tratamento. Mais cedo ou mais tarde, a pedido da própria mãe, o destino do filho será a prisão, onde já estão milhares de outros doentes mentais.

Ninguém sabe o que disparou a reação de Adam Lanza, mas a mãe sabia que ele se enfurecia. Quando decidiu tirá-lo da escola porque (ele) se sentia marginalizado e solitário, contratou um tutor/babá para ajudá-la na educação do filho, mas preveniu: "Jamais fique de costas para ele, nem quando for ao banheiro".

No pequeno círculo de amizades, ela tinha reputação de generosa, cordial e inteligente, mas até agora não está claro porque se interessou por armas e ensinou os filhos a atirar.

Com as propostas de controle de armas, logo virão as de mais exames e tratamentos de problemas mentais em crianças e adolescentes, mais fáceis de passarem pelos políticos. As verbas serão difíceis e insuficientes, mas, pela reforma de saúde do presidente Barack Obama, as doenças mentais terão paridade com as físicas e serão cobertas pelas seguradoras. A lei entra em vigor em 2014.

O universo dos problemas mentais é infinito, como podemos ver nas estantes das livrarias, e não apenas às dedicadas a livros científicos.

Neste momento, há três livros para leigos que ilustram a complexidade e os mistérios do cérebro. O neurologista Oliver Sacks já foi comparado a Freud. Seus trabalhos geraram o premiado filme Tempo de Despertar (Awakenings).

Agora, muitos livros depois, no seu recém-lançado Alucinações, ele viaja pelo próprio cérebro sob efeito de LSD, mescalina, outras drogas, e pelos cérebros de dezenas jovens e, em especial, velhos. Alucinações que chegam sem aviso e tomam rumos imprevisíveis. Violência é sempre uma possibilidade.

Susannah Cahalan, de 24 anos, repórter do jornal New York Post, conta a própria miserável e turbulenta viagem no seu livro My Brain on Fire. De um mês para outro, partes do corpo ficavam dormentes, tinha paranoias, comportamento bizarro, indolência. Nas reuniões do jornal, o corpo estava lá, a cabeça, longe.

Uma noite, o namorado acordou aterrorizado com os urros guturais de Susannah, com espuma na boca, braço direito enrijecido como um Frankenstein. Um mês depois e US$ 1 milhão em exames que não mostraram nenhum problema, um médico pediu que ela desenhasse um relógio circular, com os números. No dela, todos estavam no lado direito.

Ele dignosticou uma doença autoimune que ataca um lado do cérebro, rara, e quase todas as vítimas, inexplicavelmente, são mulheres. Susannah está de volta entre nós, mas durante muito tempo não soube onde estava.

Andrew Salomon, jornalista, autor de cinco livros, entre eles o premiado The Noonday Demon: An Atlas of Depression, em que explora suas próprias e outras depressões, publicou, em outubro, Far From the Tree, sobre filhos que nascem ou crescem muito diferentes dos pais.

São gays, anões, surdos-mudos, gênios, assassinos e marginalizados, como Adam Lanza, de Sandy Point. Andrew se tornou amigo dos pais de Dylan Klenbold que, com o colega Eric Harris, fuzilou doze estudantes e um professor em Columbine, no Colorado em 1999.

Ambos se sentiam marginalizados, não tinham amigos, mas nenhum dos dois tinha diagnóstico de problema mental.

Neste cenário político radical, até o fim dos debates das armas e da saúde mental, os cemitérios americanos estarão cheios de inocentes.
*Acrescentamos foto e legenda a publicação original