31 de mai de 2012

Sobriedade de Dilma - Merval Pereira

OPINIÃO
Sobriedade de Dilma
”Ele (Lula) não está preocupado do ponto de vista institucional com as consequências do mensalão, e muito menos com a preservação do Supremo, mas teme que o PT seja atingido nas urnas em caso de condenação de seus membros mais importantes envolvidos no processo (do mensalão) como Dirceu, Genoino ou João Paulo Cunha.”

Foto: Getty Images

Lula é a herança maldita do governo Dilma

Postado por Toinho de Passira
Texto de Merval PereiraFonte: O Globo

Só não há uma crise institucional no país porque a presidente Dilma está tratando a disputa entre o ex-presidente Lula e o ministro do Supremo Gilmar Mendes de maneira equilibrada, sem envolver o governo.

Da mesma maneira, o presidente do Supremo, Ayres Britto, está cuidando de não dar ao fato a dimensão que ele realmente tem, na tentativa de esvaziar suas consequências.

O ministro Gilmar Mendes foi apenas o que denunciou a manobra de Lula para adiar o julgamento do mensalão, mas pelo menos outros dois ministros do Supremo estiveram com Lula nos últimos meses: o ministro revisor Ricardo Lewandowski e o ministro Dias Toffoli.

E Lula, no relato da conversa por Gilmar Mendes, revelou o que tratou com os dois. Considero a essência do relato do ministro verdadeira, pois só os ingênuos podem acreditar que Lula convidasse um ministro do Supremo para um encontro sem que o assunto principal fosse o julgamento do mensalão.

Outros, que fingem acreditar na versão edulcorada de que a reunião foi uma conversa de amigos sobre generalidades, são militantes petistas, empenhados no mesmo movimento de Lula: constranger o Supremo a adiar o julgamento do mensalão, ou pôr em dúvida o seu resultado.

Junto a Toffoli, Lula defendeu a tese de que ele deveria participar do julgamento, quando setores jurídicos consideram que deveria se declarar impedido, pois boa parte de sua carreira foi feita no PT.

De 1995 até 2000 foi assessor parlamentar da Liderança do PT na Câmara. Nas campanhas presidenciais de Lula em 1998, 2002 e 2006, foi o advogado do partido. Foi subchefe para Assuntos Jurídicos da Casa Civil de 2003 a 2005, durante a gestão de José Dirceu, acusado pela Procuradoria Geral da República de ser o chefe da quadrilha do mensalão. Em 2007 assumiu a Advocacia-Geral da União a convite de Lula, de onde saiu para ser ministro do Supremo.

Além de todo esse currículo petista, a namorada de Toffoli foi advogada de mensaleiros.

Lula se referiu a Lewandowski, dizendo que ele somente entregaria seu voto de revisor, sem o qual o processo não pode entrar em julgamento, no segundo semestre, mas está sendo pressionado a entregá-lo este mês.

Como esteve com Lewandowski recentemente, depreende-se que Lula soube dessa mudança de atitude do revisor do mensalão através do próprio, cuja família tem relação de amizade com a da ex-primeira-dama dona Marisa, em São Bernardo do Campo.

O estrago está feito pelo voluntarismo de Lula, que não sabe fazer outra coisa a não ser politizar todas as relações.

Um julgamento no Supremo tem, na visão de Lula, só um lado, o do prejuízo que pode causar aos seus projetos políticos.

Ele não está preocupado do ponto de vista institucional com as consequências do mensalão, e muito menos com a preservação do Supremo, mas teme que o PT seja atingido nas urnas em caso de condenação de seus membros mais importantes envolvidos no processo, como Dirceu, Genoino ou João Paulo Cunha.

Assim como primeiro pediu desculpas ao país pelo que acontecera, em cadeia de TV, para depois afirmar que o mensalão sequer existiu, sendo tentativa de golpe contra seu governo, Lula agora desmente o que prometeu ao sair do Planato. Disse que “desencarnaria” do papel de presidente e não se meteria em política, em crítica à atuação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Pois Lula não apenas não “desencarnou” do papel de presidente como está encarnando outro personagem, o do soberano que tudo pode.

Nunca esteve tão ativo politicamente, apesar de seu estado físico evidentemente precário. Como a confirmar que tudo para ele é política, ontem a única referência que fez aos últimos acontecimentos foi oblíqua, dizendo que tem “muita gente”que não gosta dele e que precisa “tomar cuidado” com essa “minoria”.

Isso para explicar que falaria em pé para que não dissessem que estava doente. Como se fosse possível, e até desejável, unanimidade em torno de sua figura política, ou que os que são contra ele lhe desejam mal.

Tanto Dilma quanto Ayres Britto tiveram a sensatez de não alimentar a disputa pública em que se envolveram Lula e um ministro do Supremo.

Ambos presidem Poderes que estão em confronto devido a uma atitude desastrada do ex-presidente Lula, que mais uma vez demonstra que não tem os cuidados que deveria com a separação e o equilíbrio de poderes, tentando usar sua força política para constranger ministros do STF.

Em vários momentos de seu governo, ele agiu assim, notadamente durante as campanhas eleitorais. A presidente Dilma, descrita normalmente como uma pessoa de pavio curto, está se revelando uma hábil política no exercício da Presidência da República.

Ao reverenciar as políticas sociais do presidente Lula, ela ressaltou o aspecto positivo da sua liderança política, deixando de lado as questões polêmicas em que anda se envolvendo.

A homenagem teve a justa medida de demonstrar sua solidariedade em um momento em que a liderança de Lula está fragilizada, por seus gestos temerários, e a lucidez de não envolver o governo no episódio.


*”Sobriedade” é o título original da coluna do Merval Pereira
**Acrescentamos subtítulo, foto e legenda a publicação original

Demóstenes não fala e deputado pernambucano arma barraco

BRASIL - CPMI
Demóstenes silencia e deputado arma barraco
O senador Demóstenes Torres, na CPMI de Cachoeira, ao comunicar que usaria direito previsto na Constituição de 'permanecer calado' despertou um transe de baixaria no deputado pernambucano Sílvio Costa (PTB), que enfurecido começou a esbravejar e humilhar o interrogado. O senador Pedro Taques (PDT-MT) que o interrompeu pedindo respeito ao direito constitucional do depoente, acabou também sendo xingado pelo descontrolado Silvio que o chamou de “merda e filho da puta!”

Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

O senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) anunciando a intenção de usar o direito constitucional de não responder às perguntas feitas pelos parlamentares na sessão à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Agência Brasil, Folha de São Paulo, Estadão, G1

O presidente da CPI do Cachoeira, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), decidiu encerrar a sessão de depoimento do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) nesta quinta-feira (31) após a recusa dele em falar aos integrantes da comissão e depois de um bate-boca entre parlamentares - um a favor e outro contrário ao direito de Demóstenes ficar calado.

Demóstenes é suspeito de ter utilizado o mandato para beneficiar os negócios do contraventor Carlinhos Cachoeira. Em depoimento no Conselho de Ética do Senado na terça, ele negou a acusação.

Demóstenes ao chegar a sessão, nesta quinta-feira, 30, comunicou que não responderia a perguntas e permaneceria em silêncio durante a sessão, usando a "faculdade prevista na Constituição Federal de permanecer calado".

Assim que Demóstenes manifestou a intenção de não falar, o presidente da CPI, Vital do Rêgo (PMDB-PB), anunciou que o pedido de Demóstenes seria respeitado, assim como feito com outros depoentes que recorreram ao preceito constitucional de permanecerem calados na comissão.

Então o deputado Silvio Costa (PTB-PE) pediu a palavra e começou a questionar a postura do colega, chamando-o, aos gritos, de "hipócrita" e "mentiroso".

"O senhor passou cinco horas no Conselho de Ética e não conseguiu se explicar. Mas, aqui, com cinco minutos, o senhor explicou tudo. O seu silêncio é a mais prefeita tradução da sua culpa", ressaltou o deputado Silvio Costa. "O senhor apelou para Deus, se disse carola, mas o senhor não vai para o céu porque o céu não é lugar para mentiroso, não é lugar de gente hipócrita", disse o deputado se dirigindo a Demóstenes.

Diante da exaltação do parlamentar, o senador Pedro Taques (PDT-MT) reagiu: “Todos aqui, enquanto parlamentares, devem obedecer à Constituição Federal, que afirma que o cidadão, seja lá quem for, merece respeito. Fui procurador da República por mais de 15 anos e tenho a convicção de que um parlamentar não pode tratar quem quer que seja com indignidade". "A Constituição diz que devemos tratar a todos com urbanidade. Não cabe a qualquer parlamentar expor o outro, mesmo em se tratando de CPI", argumentou Pedro Taques.

Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

O deputado Sílvio Costa (PTB-PE) recebendo um caboclo xingador durante reunião da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira.

O aparte de Taques enfureceu ainda mais Silvio Costa que voltou a criticar Demóstenes.

"Vou lhe chamar agora de ex-futuro senador porque esse seu silêncio... Você vai ter 80 votos a favor da sua cassação. Você é um hipócrita, você trabalhou contra o país, você é um demagogo!", bradou Costa.

Com o clima quente, o presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), encerrou a sessão e autorizou Demóstenes Torres a deixar a sala.

De pé e com dedo em riste, Costa disse a Taques: "Você é um merda. Filho da puta. Você é um merda!" O xingamento foi presenciado pelos integrantes da comissão e por jornalistas presentes à sessão.

Costa deixou a sala aos gritos e, em entrevista, criticou Taques. "Ele é metido a paladino da ética. Ele tem que assumir: foi defender Demóstenes. Ele é um dos defensores do Demóstenes. Ele hoje tirou a máscara", disse.

No mesmo momento, Taques foi cercado por colegas da CPI, que o defenderam. "Isso é um abuso de autoridade parlamentar. Nenhum cidadão pode ser humilhado", afirmou o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ). "Os líderes podem falar, mas tem que ser com elegância. Está errado o que o Silvio fez", disse o deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP).

Indagado em entrevista se proporia uma representação contra o deputado por quebra de decoro, Taques afirmou: "Vou analisar o que será feito. Agora, você não pode representar por ofensa ao decoro contra quem não tem decoro". Ele disse ainda que não faz parte da "chacrinha" de Silvio Costa e que "desabafos se fazem em boteco, não em CPI".

SILÊNCIO
No início de sua fala, após dizer que iria ficar calado, Demóstenes informou que iria encaminhar à comissão as notas taquigráficas e a degravação do depoimento que deu na última terça (29) ao Conselho de Ética do Senado onde responde a processo por quebra de decoro parlamentar.

"Comunicamos que nós permaneceremos calados, uma vez que nosso advogado está providenciando junto ao Conselho de Ética a degravação desse depoimento que eu fiz, bem como as notas taquigráficas da sessão para que sejam encaminhadas a essa CPI", afirmou.

Nesta terça, Demóstenes falou por mais de cinco horas no Conselho de Ética do Senado, que o investiga por quebra de decoro parlamentar.


Porcalhada do PT no Recife

PERNAMBUCO – Eleições 2010
Porcalhada do PT no Recife
O mestre Luiz Berto pergunta ao PT recifense: “Vocês não ficam nem um tiquinho constrangidos com essa canalhice nazi-fascistas que o PT recifense está exibindo cinicamente pro resto destepaiz???”

Charge : SPONHOLZ

Postado por Toinho de Passira
Texto: Luiz Berto
Fontes: Besta Fubana, "thepassiranews”, Blog do Jamildo

Deu no jornal que um acordo fez o deputado Maurício Rands (PT-PE) desistir do tapetão, anunciando nesta quarta sua renúncia à pré-candidatura a prefeito de Recife (PE), e o atual prefeito João da Costa, com quem disputava a indicação, também desistirá da postulação. O objetivo é abrir caminho para a candidatura do senador Humberto Costa (PT-PE), o preferido do ex-presidente Lula, que ordenou a solução do impasse.

Acabei de ouvir o prefeito João da Costa, numa rádio local, dizendo que não vai desistir de sua candidatura. Diz que venceu a prévia e que o desejo dos filiados, manifestado livre e democraticamente, deve ser respeitado.

A pergunta é a seguinte:

Vocês todos – vermêios, militantistas, petralhistas, afavoristas, adoradoristas, luleiros, lulosos, lulistas, zisquerdistas -, você não ficam nem um tiquinho com as bochechas vermêias de vergonha?

Vocês não ficam nem um tiquinho constrangidos com essa canalhice nazi-fascistas que o PT recifense está exibindo cinicamente pro resto destepaiz???

O noticiário local de hoje informa que um moleque-de-recados de Lula, o secretário nacional do PT, Paulo Frateschi, não levou uma cambada de pau ontem, aqui no Recife, porque solicitou proteção policial. Os partidários do prefeito João da Costa, vencedor da prévia, queriam pegar o petralha federal de cacete. Além disso, blogue político local traz a seguinte manchete:

"Manobra de Lula em favor de Humberto causa constrangimento entre petistas".

Pergunto mais: Vocês ainda têm a capacidade de ficar constrangidos com alguma coisa??? Ou com alguma coisa que Lapa de Espalha-Merda venha a fazer?

Pra não ofender a nobre classe dos cachorros, não vou chamar essa canalhice de cachorrada.

Pelo tanto de lama e de lixo (cuja coleta na cidade é causa primária da guerra, entre as gangues), vou batizar essa batalha mesquinha de porcalhada. Sem qualquer ofensa à nobre classe suina, claro.


Vem aí a CPI da calcinha

BRASIL - HUMOR
Vem aí a CPI da calcinha
A jornalista Maria Lima do O Globo denunciou que uma calcinha que foi encontrada abandonada no plenário da Câmara, provavelmente após ter caído do bolso de um deputado que foi votar, recolhida por assessores da presidência da casa, acabou incinerada, segundo informes, numa clara queima de arquivo. Já se fala em CPI. Quem era o deputado? De quem era a calcinha? Será que o Cachoeira está por trás disso? Vão ouvir os governadores?


NOTA: Esse não é o retrato falado da calcinha encontrada na câmara, trata-se de uma imagem meramente ilustrativa

Postado por Toinho de Passira
Fonte: O Globo

A jornalista Maria Lima, do jornal O Globo, denunciou que uma calcinha achada há duas semanas no plenário da Câmara dos Deputados foi incinerada, segundo nota do departamento de segurança parlamentar. Acredita-se que a medida extrema visa encobrir a identidade do(a) “proprietário(a)” da peça íntima abandonada involuntariamente no recinto, num momento de votação. Suspeita-se que o ato foi literalmente uma queima de arquivo.

O mistério preocupa parlamentares da base aliada e da oposição há duas semanas. Já estavam sendo recolhidas assinaturas para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar o caso.

Tudo que se sabe é que um parlamentar chegou apressado para uma votação e na entrada principal do plenário, mexeu nos bolsos e sem se dá conta, deixou cair a prova do crime: uma calcinha, branca e vermelha, com babadinhos nas laterais.

Sem saber que deixara para trás o fetiche, o parlamentar foi para o meio do plenário. Um dos seguranças, vendo a calcinha estendida na entrada do plenário, ameaçando a democracia brasileira, fez o que devia fazer, deu um "chutinho" discreto, empurrando a lingerie para o lado da lixeira.

Avisado pelos seguranças, um assessor do presidente Marco Maia (PT-RS), presidente da Câmara e o terceiro homem, na sucessão presidencial, recolheu a calcinha e a escondeu no bolso. A notícia se espalhou rapidamente e a peça íntima acabou exposta a curiosidade de assessores, jornalistas e seguranças que a examinaram à exaustão. Especialistas no assunto concluíram que se tratava de uma peça usada e a proprietária era alguém avantajada, já que a peça era do tamanho GG.

Diante dos fatos, a direção do congresso decidiu que a peça fosse recolhida “aos achados e perdidos” da Segurança da Câmara, posta a disposição do proprietário. Depois de duas semanas ninguém reclamou a posse da calcinha órfã. Paralelamente a polêmica se instalou: a oposição começou a recolher assinaturas para a instalação da CPI da calcinha abandonada, visando identificar a propriedade, e a identidade do parlamentar que conduziu o objeto suspeito para dentro do Congresso, e as consequências do ato para a democracia brasileira.

Há boatos que Carlinhos Cachoeira está por trás do escândalo, já que sua mulher a musa da CPMI, Andressa Mendonça, tem uma rede de lojas de lingerie, em Goiás. Por essas e por outras o pessoal da base está querendo ouvir o governador Marconi Perillo (PSDB-GO), e a oposição o governador Sérgio Cabral (PMDB-RJ). O deputado Antony Garotinhon (PR-RJ) diz ter provas e imagens dessa calcinha ao lado do governador Cabral numa de suas raras passagens pela cidade do Rio de Janeiro.

O PSOL já entrou com uma representação no Conselho de Ética para cassar a calcinha, seja ela de que partido for. A ministra Ideli Salvatti, consultada sobre o tema, disse que não tinha nada a declarar e que inclusive não usa essa peça do vestuário há muito tempo. Há fortes indícios, como era de se esperar, que os deputados Tiririca e Romário, estejam envolvidos com o caso.

Enquanto se encontrava no departamento de achados e perdidos da Câmara a calcinha suspeita, sabendo a possibilidade da abertura da CPI, disse que se fosse convocada a depor ia usar o seu direito constitucional de ficar calada.

Agora que foi incinerada brutalmente a lingerie passou a ser mais uma vítima da tortura e seu caso deve ser investigado pela comissão da verdade.


30 de mai de 2012

FARC libertam jornalista francês sequestrado há um mês

COLÔMBIA
FARC libertam jornalista francês sequestrado há um mês
O jornalista francês foi libertado nesta quarta-feira pela guerrilha das Farc, no povoado de San Isidro, sul da Colômbia. Saudado por habitantes do local, o jornalista caminhou pelas ruas do povoado e concedeu entrevistas, antes de se reunir com a comissão humanitária que veio buscá-lo, após ele ter passado 32 dias em cativeiro.

Foto: GettY Images

Jornalista Romeo Langlois chegando no povoado de San Isidro cercado pelos guerrilheiros

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Diário de Pernambuco, Veja, Jornal do Brasil, Semana, Reuters

O jornalista francês Romeo Langlois foi libertado nesta quarta-feira pela guerrilha das Farc, no povoado de San Isidro, sul da Colômbia.

Saudado por moradores, o jornalista caminhou pelas ruas do povoado e concedeu entrevistas, antes de se reunir com a comissão humanitária que veio buscá-lo, após ele ter passado 32 dias em cativeiro.

Guerrilheiros das Farc leram um documento intitulado "Desagravo a Romeo", em que garantem que entregam o jornalista "em boas condições", e pedem desculpas por terem-no classificado como prisioneiro de guerra.

"Aceito as desculpas, mas não compactuo com a decisão de me manter preso por 33 dias", respondeu o jornalista em um ato público organizado no povoado pelos guerrilheiros.

"Para a França, este é um momento muito aguardado há pouco mais de um mês", lembrou o enviado do governo francês, Jean-Baptiste Chauvin. "Estou muito satisfeito e aliviado por receber meu compatriota. Este é um momento de grande alívio, porque Romeo poderá dar continuidade a seu trabalho jornalístico e se reunir com a família."

Foto: Getty Images

A ex-senador Piedad Córdoba, que sempre é escolhida pelas FARC para compor as missões humanitárias, recebe o jornalista Langlois, das mãos dos guerrilheiros

Além de Chauvin, a missão é integrada pela ex-senadora Piedad Córdoba e por delegados do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV).

Langlois, de 35 anos, correspondente do canal de TV France 24, disse que, em nenhum momento, ficou amarrado: "Sempre me trataram como um convidado e foram respeitosos. Além do fato de eu ter ficado preso por um mês quando estava ferido, de resto foi tudo bem. Não posso me queixar."

Em Paris, o presidente francês, François Hollande, comemorou a libertação. "Nosso compatriota, Romeo Langlois, sequestrado pelas Farc em 28 de abril, acaba de recuperar sua liberdade. É um momento de grande alegria, e compartilho plenamente a felicidade e o alívio de sua família, seus amigos e da redação da France 24", disse.

A França tem outros sete cidadãos mantidos como reféns no exterior, incluindo seis na região do Sahel, na África, e um oficial de inteligência na Somália.

O jornalista foi sequestrado em 28 de abril, quando a patrulha com a qual se deslocava para fazer uma reportagem sobre operações contra o tráfico de drogas foi atacada por guerrilheiros, em Caquetá. Quatro militares morreram no combate, e Langlois foi ferido em um dos braços, entregando-se, em seguida, aos rebeldes.

"Não precisava desta experiência para conhecer o conflito colombiano ou a guerrilha. Tenho a convicção de que é preciso seguir cobrindo este conflito. Comigo, fez-se política de vários lados. Acho triste que seja necessário sequestrar alguém para que as pessoas venham até esta região", lamentou o jornalista.

No povoado onde aconteceu a entrega de Langlois, um ato político foi organizado pela guerrilha.

"Este é um dia muito feliz", disse Piedad Córdoba em seu discurso. A ex-senadora, que já mediou libertações de reféns das Farc, fez um apelo à reconciliação e destacou que, com a entrega do jornalista francês, a guerrilha respeitou o direito humanitário internacional.

Foto:Associated Press

Centenas de moradores de regiões vizinhas assistiram ao ato,
que foi filmado pelo próprio Langlois.

Um líder guerrilheiro leu um comunicado da direção das Farc, segundo o qual "o povo está farto dos governos oligárquicos e corruptos que se negam a atender às reivindicações".

"Os últimos acontecimentos mostram que há um fervor envolvendo a necessidade de se alcançar a paz com dignidade e justiça social", afirma o texto, escrito em 27 de maio.

Para facilitar a libertação, as operações militares na região foram suspensas das 18h00 locais desta terça até as 06h00 de quinta-feira, segundo os protocolos de segurança acertados com o governo colombiano.

Há duas semanas, as Farc anunciaram sua intenção de entregar Langlois unilateralmente a uma missão humanitária.

"Para a França, este é um momento muito aguardado há pouco mais de um mês", lembrou o enviado do governo francês, Jean-Baptiste Chauvin. "Estou muito satisfeito e aliviado por receber meu compatriota. Este é um momento de grande alívio, porque Romeo poderá dar continuidade a seu trabalho jornalístico e se reunir com a família."

Langlois, 35, correspondente do canal de TV France 24, disse que, em nenhum momento, ficou amarrado: "Sempre me trataram como um convidado e foram respeitosos. Além do fato de eu ter ficado preso por um mês quando estava ferido, de resto foi tudo bem. Não posso me queixar."

O jornalista foi sequestrado em 28 de abril, quando a patrulha com a qual se deslocava para fazer uma reportagem sobre operações contra o tráfico de drogas foi atacada por guerrilheiros, em Caquetá. Quatro militares morreram no combate, e Langlois foi ferido em um dos braços, entregando-se, em seguida, aos rebeldes.

"Não precisava desta experiência para conhecer o conflito colombiano ou a guerrilha. Tenho a convicção de que é preciso seguir cobrindo este conflito. Comigo, fez-se política de vários lados. Acho triste que seja necessário sequestrar alguém para que as pessoas venham até esta região", lamentou o jornalista.

As Farc contam no momento com 9,2 mil combatentes, segundo o Ministério da Defesa colombiano. Começaram como um movimento camponês marxista nos anos 1960 depois passaram a sequestrar, extorquir e traficar drogas para financiar a sua insurgência. União Europeia e Estados Unidos classificam as Farc como grupo terrorista.

Foto: Getty Image/Associated Press

Os fotografos registraram a beleza de duas guerrilheirs que acompanhavam o grupo que conduzia o jornalista


NELSON JOBIM: “O retorno do canastrão da sucuri”

BRASIL
JOBIM: “O retorno do canastrão da sucuri”
Vamos dá a Jobim, o que é de Jobim, ele não é apenas testemunha dessa sombria história do encontro de Gilmar e Lula, ele é cumplice ativo e comparsa de luxo da trama.


Quando se imaginava que Jobim havia saído de cena, pendurado a sucuri e nos deixado em paz, eis que ele ressurge das sombras.

Postado por Toinho de Passira

Neste episódio grotesco protagonizado pelo ex-presidente Lula e pelo Ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, imiscui-se um personagem menor, um figurante que teima em aparecer como papagaio de pirata da história, o ex-deputado constitucional, ex-ministro da Justiça, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, ex-ministro da Defesa, Nelson Sucuri Jobim.

Como Lula não fala do episódio - quem emitiu uma nota de indignação foi o Instituto Lula, uma pessoa jurídica - e Jobim a cada vez que se pronuncia sobre os fatos, conta uma versão diferente, sentimo-nos autorizados a fazer ilações sobre os acontecimentos.

Será que Jobim ao convidar Gilmar Mendes ao seu escritório armadilha, sabia o que Lula ia aprontar? Pelo que foi divulgado até agora, parece que sim. Foi preciso dois energúmenos, Lula-Jobim, para bolar esse plano original, com inúmeras possibilidades de não dá certo, imaginando que seria um sucesso.

Em resumo, Gilmar Mendes foi atraído para uma arapuca encomendada por Lula e engatilhada por Nelson Jobim. O ministro do Supremo não tinha como declinar do convite de ir até o escritório de um ex-colega, e ex-presidente do STF, Nelson Jobim, para encontrar-se com o ex-presidente da república. Seria uma descortesia. Não havia nada que o fizesse supor que estava caindo numa emboscada.

Jobim mancomunado por Lula, ficou encarregado de encaminhar a conversa para os lados do mensalão, abrindo o tema, permitindo ao ex-líder sindical sugerir o adiamento do julgamento. Com a falta de receptividade de Gilmar Mendes, Lula adiantou algumas falas e com a falta de sutileza que lhe é peculiar, perguntou de supetão sobre a viagem de Gilmar à Berlim. Havia na mídia noticias maliciosas que o ministro acompanhara o maldito senador Demóstenes na viagem, a bordo de um jatinho de Carlinhos Cachoeira.

Gilmar que fala alemão, entende aonde Lula queria chegar, não vacilou em esnobou o ex-presidente dizendo que vai à Berlim, com a mesma naturalidade e assiduidade que ele ia a São Bernardo do Campo, e sem se intimidar declinou da proteção na CPI.

Como ex-ministro do Supremo, Jobim, não pode alegar ingenuidade, caberia a ele nesse momento, por panos quentes na questão procurado conter ex-presidente, que avançava célere no pantanoso terreno da chantagem, da intromissão na independência do judiciário, da falta de ética, de educação, da civilidade, da canalhice e do escambau.

Consta, que mais que silenciar, Jobim ficou pondo lenha na fogueira, dando deixas, assessorando Lula, no seu intento pouco republicano de constranger um ministro da suprema corte. Analisando assim de lupa, com cuidado, vê-se que Jobim, não é apenas testemunha única dos fatos, na verdade é o cúmplice de Lula, um réptil asqueroso camuflado na folhagem da indignidade, como a sua constrangida sucuri.

Pelo que eles pretendiam, o resultado não poderia ser pior: tudo leva a crer que o Supremo vai agora, mais ainda por causa deles, ter que apressar o julgamento do Mensalão; a CPI de Cachoeira está descontrolada e indo em todas as direções, atingido oposição e aliados da base governista; a possível condenação de petistas pelo STF vai influir negativamente no resultado das eleições, notadamente, em grandes centros como São Paulo; o que é melhor, eles, Lula-Jobim, estão sendo execrados pela opinião pública e principalmente pelos mensaleiros (temeroso de uma rebordosa do STF) e pelos candidatos da base aliada, supondo maiores dificuldades no pleito de outubro.

Para Nelson Jobim, porém, esse é um momento de glória: ele conseguiu retornar à cena como um figurante com falas e nominado nos créditos finais da trama. É bem verdade que isso só foi possível porque a tragicomédia tem um elenco reduzido, os outros atores são canastrões, como ele, e pesou também o fato dele ser o dono da locação.

Mas Jobim, nem precisava se esforçar tanto: há muito, pelo conjunto da “obra” ele já tem garantida uma destacada vaga no panteão lixão da história.


Gilmar enquadra turma de Lula: "Isso é coisa de bandido."

BRASIL
Gilmar enquadra turma de Lula: "Isso é coisa de bandido!"
O Ministro do Supremo, Gilmar Mendes sobe o tom e diz que 'bandidos' tentam desmoralizar STF, ao tentar atingi-lo e na mesma levada diz que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está envolvido na divulgação de "mentiras" a seu respeito.

Foto: Getty Images

O Ministro Gilmar Mendes, visivelmente irritado e com o tom de voz alterado, diz que foi alvo de "gângsteres", "chantagistas" e "bandidos".

Postado por Toinho de Passira
Fontes: ”O Globo”, Terra, Folha de São Paulo, Veja

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes disse nesta terça-feira que é vítima de uma tentativa de desmoralização do tribunal por causa do julgamento do mensalão. Por várias vezes repetiu: "Isso é coisa de bandido", declarou, referindo-se a informações que, segundo ele, estão sendo "plantadas" para denegrir sua imagem.

Mendes afirmou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seria a "central de divulgação" de intrigas contra ele e que a tentativa de envolver seu nome no esquema do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, tem como objetivo "constranger o tribunal" para "melar o julgamento do mensalão".

"O objetivo [de ligar seu nome ao de Cachoeira] era melar o julgamento do mensalão. Dizer que o Judiciário está envolvido em uma rede de corrupção. Era isso. Tentaram fazer isso com o Gurgel e estão tentando fazer isso agora", afirmou o ministro, fazendo referência às críticas recebidas pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, por ter segurado investigação, em 2009, sobre a relação entre Cachoeira e o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO).

Mendes diz que, durante um encontro com Lula no escritório do advogado Nelson Jobim, o ex-presidente teria insistido em argumentar que o mensalão não deveria acontecer neste ano. Após ouvir do ministro do Supremo que o julgamento deve, de fato, ser realizado em breve, Lula teria então começado a fazer ilações sobre a possibilidade de Mendes ser investigado na CPI do Cachoeira.

A assessoria de Lula afirma que ele não vai comentar as declarações de Mendes feitas hoje. Ontem, o ex-presidente divulgou nota dizendo estar "indignado" com a versão, que foi relatada pela revista "Veja" e não é corroborada por Jobim.

Nesta terça-feira, Gilmar Mendes diz que desde sempre defendeu a realização do julgamento do mensalão ainda este semestre. "Não era para efeito de condenação. Todos vocês conhecem as minhas posições em matéria penal. Eu tenho combatido aqui o populismo judicial e o populismo penal".

"Mas por que eu defendo o julgamento? Porque nós vamos ficar desmoralizados se não o fizermos. Vão sair dois experientes juízes, que participaram do julgamento anterior, virão dois novos, que virão contaminados por uma onda de suspicácia. Por isso, o tribunal tem que julgar neste semestre e por isso essa pressão para que o tribunal não julgue", completou.

Visivelmente irritado e com o tom de voz alterado, Mendes diz que foi alvo de "gângsteres", "chantagistas" e "bandidos", que estavam "vazando" informações sobre um encontro que teve com Demóstenes, em Berlim, e que a viagem teria acontecido após Cachoeira disponibilizar um avião ao senador.

"Não viajei em jatinho coisa nenhuma. Vamos parar com fofoca. A gente está lidando com gângsters. Vamos deixar claro: estamos lidando com bandidos que ficam plantando essas informações", disse o ministro, que apresentou notas e cópias de suas passagens aéreas emitidas na TAM pelo Supremo Tribunal Federal.

Questionado se o ex-presidente Lula estaria entre os tais bandidos e gângsters, Mendes apenas respondeu que ele está "sobreonerado" com a tarefa de adiar o julgamento do mensalão. "Estão exigindo dele uma tarefa de Sísifo [trabalho que se renova incessantemente]", disse. Ele não disse quem seriam "eles" a exigir a tarefa.

Mendes afirmou ter dito a Lula que vai a Berlim como o ex-presidente vai a São Bernardo, que frequenta a cidade europeia desde 1979 e que possui atualmente uma filha que vive lá.

Segundo o ministro, ele não precisa de "fundo sindical, nem dinheiro de empresa" para viajar. Mendes citou que apenas um livro seu, o "Curso de Direito Constitucional", vendeu mais de 80 mil cópias desde 2007 e que com o dinheiro poderia dar "algumas voltas ao mundo".

"Vamos parar de futrica. Não preciso ficar extorquindo van para obter dinheiro. O que é isso. Um pouco mais de respeito", afirmou.

O ministro, então, relatou que entre 2010 e 2011 viajou duas vezes para Goiânia em aviões cedidos por Demóstenes Torres, mas que tais fatos são públicos. Segundo Gilmar Mendes, mesmo se, na ocasião de Berlim, o senador goiano tivesse oferecido uma carona, isso não seria um problema.

"Eu poderia aceitar tranquilamente. Estava me relacionando com o senador que tinha o mais alto conceito na República.


Veja no “thepassiranews” Teria Lula tentado chantagear o Ministro Gilmar Mendes?

Os desafios da Petrobras

BRASIL – Economia
Os desafios da Petrobras
Petrobras precisará enfrentar problemas domésticos se quiser se manter na liderança regional e retomar crescimento, dizem analistas. Maior empresa brasileira, a Petrobras tem sofrido com a queda no valor de suas ações a tal ponto de ter perdido neste mês o posto de maior empresa latino-americana em valor de mercado para a petrolífera colombiana Ecopetrol.

Foto: Divulgação

Criada em 1953 durante o governo de Getúlio Vargas, a Petrobras atravessou ao longo de sua história períodos de altos e baixos, assim como importantes transformações

Postado por Toinho de Passira
Fonte: BBC Brasil

Considerada um modelo de sucesso a ser copiado por governantes latino-americanos e uma das principais empresas da região, a Petrobras terá de enfrentar desafios internos se quiser continuar a crescer nos próximos anos. A opinião é de especialistas ouvidos pela BBC.

Na lista dos problemas domésticos citados pelos analistas, estão desde as perdas registradas recentemente pela petrolífera até o aumento da interferência política por parte do governo.

Maior empresa brasileira, a Petrobras tem sofrido com a queda no valor de suas ações a tal ponto de ter perdido neste mês o posto de maior empresa latino-americana em valor de mercado para a petrolífera colombiana Ecopetrol, segundo informou a consultoria Economática.

Com o fim do monopólio, no governo Fernando Henrique, a Petrobras conseguiu se internacionalizar e ser alçada ao topo da lista das empresas latino-americanas
Para analistas, a variação negativa no preço dos papéis da companhia refletem um pessimismo do mercado sobre a atual condução do modelo de negócios da estatal brasileira.

Segundo eles, os custos operacionais aumentaram quando a empresa decidiu não repassar ao consumidor a alta no preço dos combustíveis, resultado da apreciação do dólar no exterior, seguindo uma política do governo de controle da inflação.

Além disso, na opinião dos especialistas, a companhia teria sofrido outro baque com a recente desvalorização do câmbio, uma vez que suas dívidas na moeda americana acabaram aumentando.

Como resultado, nos três primeiros meses deste ano, o lucro da Petrobras caiu 16% em relação a igual período do ano anterior, segundo o balanço divulgado pela companhia.

PRÉ-SAL

Especialistas dizem que o maior desafio da estatal será cumprir as metas estabelecidas, entre as quais dobrar a capacidade de produção até 2020, para 6 milhões de barris por dia.

Para isso, dizem, a empresa conta com o início da exploração comercial na camada pré-sal, localizada a mais de 6 mil metros de profundidade e a 300 quilômetros da costa brasileira.

Segundo o consultor Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), foi a partir do descobrimento das reservas que, paradoxalmente, os grandes problemas e desafios da Petrobras surgiram.

"A partir de 2007, com o anúncio do pré-sal, o modelo não foi mais exportável", disse. "A Petrobras passou a ser uma empresa que se voltou novamente para o mercado interno e o próprio Estado brasileiro se tornou mais intervencionista", acrescentou.

Anunciadas com pompa pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as grandes reservas do pré-sal são estimadas em, pelo menos, 50 bilhões de barris de petróleo, o que poderia elevar o Brasil à condição de um dos cinco maiores produtores de petróleo do mundo na próxima década.

Por outro lado, há um longo caminho até explorá-lo comercialmente, afirmam os especialistas ouvidos pela BBC.

Além da barreira geológica, composta por grossas camadas de rocha e sal, serão necessários vultosos investimentos para retirar o petróleo do fundo do mar.

Foto: Getty Image

Para candidata à Presidência do México,Josefina Vázquez, a Petrobras é "modelo inspirador" para o continente

Para atingir tal objetivo, a Petrobras realizou em 2010 uma venda de ações de US$ 67 bilhões (R$ 134 bilhões), considerada na ocasião a maior ampliação de capital da história.

LIDERANÇA

Embora ainda tenha imensos desafios pela frente, a Petrobras continua bem avaliada por alguns analistas e governantes latino-americanos, ora por sua importância ora por sua trajetória de sucesso quando comparada a outras empresas estatais da região.

Além disso, com a descoberta do pré-sal, as perspectivas sobre o desempenho da petrolífera tendem a ser mais otimistas.

O êxito da estatal brasileira foi um dos recursos utilizados pela presidente da Argentina, Cristina Kirchner, para nacionalizar, no mês passado, a petrolífera YPF, então sob o controle da espanhola Repsol.

Mais recentemente, a candidata à Presidência do México Josefina Vázquez, do governista Partido de Ação Nacional (PAN), lembrou que a Petrobras é um "modelo muito inspirador" para a petrolífera mexicana Pemex.

"(A Petrobras) tem sido um exemplo muito importante de como uma empresa deficitária (...), vulnerável e debilitada se tornou uma instituição sólida", disse dias atrás.

Segundo Tony Volpon, analista do banco de investimento Nomura Securities, "como qualquer empresa petrolífera estatal, a Petrobras alinha suas metas com as necessidades do desenvolvimento do país", disse à BBC.

"Mas isso não é necessariamente destrutivo do ponto de vista do valor acionário", acrescentou. "Em geral, acredito que a Petrobras continua sendo uma companhia bem administrada e líder em seu segmento, além de permanecer na dianteira ao construir uma cadeia de produção e distribuição em torno das reservas do pré-sal", afirmou.

Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República

Com a descoberta das reservas do pré-sal, empresa se expandiu e ampliou desafios

Criada em 1953 como um monopólio estatal durante o governo de Getúlio Vargas, a Petrobras atravessou ao longo de sua história períodos de altos e baixos, assim como importantes transformações.

Um das principais mudanças ocorreu com a lei de 1997, promulgada durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, que acabou com o monopólio da estatal afim de atrair investimentos privados para o mercado de hidrocarbonetos no Brasil.

O fim do monopólio representou uma virada histórica para a companhia, que conseguiu se internacionalizar e ser alçada ao topo da lista das empresas latino-americanas.

"Essa lei transformou a Petrobras num caso de sucesso", disse Adriano Pires.

Ainda que sempre tenha se mantido sob controle estatal, a Petrobras abriu seu capital ao mercado e se expandiu. Atualmente, suas ações são negociadas nas Bolsas de São Paulo e Nova York e a empresa está presente em 24 países de cinco continentes.


29 de mai de 2012

CHARGE: FRANK – A Notícia (SC)



FRANK- A Notícia (SC)


Senador Demóstenes Torres não convenceu

BRASIL - CORRUPÇÃO
Senador Demóstenes Torres não convenceu
"A partir de 29 de fevereiro deste ano, hoje estamos inteirando três meses do episódio, passei a enfrentar algo que nunca tinha enfrentado na minha vida: depressão, remédios para dormir e que não fazem efeito, fuga dos amigos e talvez a campanha sistemática mais orquestrada da história do Brasil", disse o senador Demóstenes no seu depoimento no Conselho de Ética do Senado, onde responde a processo disciplinar acusado de envolvimento com a quadrilha do contraventor Carlinhos Cachoeira

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

DEMÓSTENES: "Sou um homem que tem vergonha na cara."

Postado por Toinho de Passira
Fontes: G1, Veja, Reuters, Folha de São Paulo

Após três meses de silêncio, o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) negou, durante mais de cinco horas, no Conselho de Ética do Senado, onde responde a processo disciplinar, sob acusação de ter utilizado o mandato para auxiliar os negócios de Cachoeira, preso em fevereiro sob a acusação de comandar uma quadrilha de jogo ilegal, que tivesse participação nos negócios do bicheiro.

Fez uma defesa serena, inteligente, apelando para o sentimentalismo dos senadores e ressaltando seu trabalho no Senado. Disse estar sofrendo de depressão e que se encontrou novamente com Deus.

Embora usasse de toda a habilidade e inteligência que lhe são peculiares, não conseguiu rebater com propriedade de todas as acusações que pesam sobre ele. Talvez na justiça, consiga anular a maioria das provas, que foram obtidas de maneira legal, mas no Conselho de Ética, onde será julgado politicamente, com os pares votando a descoberto, não há chances de salvar a própria cabeça.

Em seguida dificilmente, o plenário do Senado, mesmo já tendo absolvido Renan Calheiros, no passado, embora protegidos pelo voto secreto, não vai ter coragem ou vontade de poupar Demóstenes.

Em discurso e após ser interrogado pelos senadores, ele voltou a afirmar que é amigo de Cachoeira, admitiu que o contraventor pagava sua conta de celular nextel, mas negou que tivesse conhecimento de irregularidades cometidas pelo bicheiro.

Ele também citou sua atuação parlamentar e os projetos importantes que ajudou a aprovar, numa tentativa de resgatar a imagem positiva que construiu paralelamente às ligações com a quadrilha. E negou ter usado o mandato a favor de Cachoeira e disse não ser crime informar o contraventor do andamento de um projeto de lei sobre a legalização de jogos de azar. “Que lobista sou eu que nunca procurei nenhum colega senador para aprovar jogo, qualquer que seja o partido?”, questionou.

O senador também afastou a possibilidade de ter ligações com a empreiteira Delta e de conhecer o ex-presidente da construtora, Fernando Cavendish.

“Como posso ser sócio de alguém que não conheço? Não posso ser responsável pelo que os outros dizem de mim”, reclamou o senador. “Tudo foi feito com o intuito de me destruir. Sócio oculto da Delta não sou eu. Se tem sócio oculto da empresa Delta procurem com uma lupa maior aí que não sou eu”, disse.

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

DEMÓOSTENES: "Só pude chegar aqui hoje porque quero dizer para os senhores que redescobri Deus."

MILHÃO - o senador disse ser improcedente a afirmação de que recebia 30% do que era arrecadado pela quadrilha com a exploração de caça-níqueis. Para sustentar sua versão, leu trechos dos autos que poderiam isentá-lo dessa acusação e entregou ao Conselho de Ética extratos de duas de suas contas bancárias. “Podem quebrar (o sigilo) a qualquer momento. Em nenhum momento foi depositado 1 milhão nas minhas contas. É preciso dizer que nem 1 milhão, nem 1 000 reais, nem 3 milhões”, declarou ele. "Todas as autoridades que atuaram nesse inquérito disseram textualmente que eu não tenho nada a ver com o jogo", afirmou.

Nextel - O senador também disse que recebeu o rádio modelo Nextel do bicheiro Carlinhos Cachoeira e o utilizou por “comodidade”. Negou, porém, ter conhecimento de que as conversas supostamente não poderiam ser grampeadas. "Hoje é fácil verificar que foi um erro. Não podia imaginar jamais que 40 ou mais pessoas tinham esses rádios”, afirmou.

AERONAVE - O parlamentar também confirmou ter usado aeronaves de empresários – a cessão de ao menos uma delas foi intermediada por Carlinhos Cachoeira. "Avião de empresários e amigos, utilizei. Vários", afirmou. "Não utilizei isso em troca do meu mandato parlamentar". Demóstenes afirmou, ainda, que nenhum dos aviões pertencia a Cachoeira.

MINISTROS - O senador também tratou do encontro que manteve em Berlim com o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes. Segundo o parlamentar, eles tinham destinos diferentes na Europa e se encontraram na cidade alemã por alguns dias. O retorno teria ocorrido em voos separados. Demóstenes também afirmou ter tido encontros com os ministros Luiz Fux e Antonio Dias Toffoli, mas por razões prosaicas e que nada têm a ver com as atividades do Congresso e do Supremo.

PEREGRINAÇÃO - Em seu depoimento, Demóstenes Torres também afirmou ter intermediado interesses da Vitaplan, empresa do bicheiro Carlinhos Cachoeira, junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “Atuei em favor de todas as empresas do estado de Goiás. A Vitapan me procurou e era de propriedade do Carlos Cachoeira. Fui lá”, relatou. Ele disse ter feito uma espécie de peregrinação a gabinetes de ministros e de empresas para defender interesses do estado de Goiás. Em nenhum caso, disse ele, tratou de “interesses escusos”.

AÉCIO - O senador reconheceu ter pedido ao colega Aécio Neves (PSDB-MG) a nomeação de uma prima de Carlinhos Cachoeira no governo mineiro. Mas se exime: "Como eu disse, eu não tinha naquele momento a dimensão do que estava acontecendo. Mas pedi o emprego, para uma vaga que era do DEM, de uma pessoa extremamente qualificada".

FUNCIONÁRIA - O parlamentar admitiu que manteve uma funcionária na cidade de Anápolis, onde não mantinha escritório parlamentar, mas disse que demitiu a servidora assim que ficou claro que a contratação feria as normas do Senado.

CASSAÇÃO - O PSOL protocolou em março representação contra Demóstenes no Conselho de Ética logo depois de o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, ter pedido abertura de inquérito contra o parlamentar no Supremo Tribunal Federal (STF). Demóstenes pode perder o mandato por quebra de decoro parlamentar em votação secreta no plenário do Senado. Para o relator do processo no Conselho de Ética, Humberto Costa (PT-PE), ele mentiu ao negar relações com o contraventor Carlinhos Cachoeira.

Autor do requerimento que pede a cassação do político goiano, o PSOL diz que Demóstenes recebeu vantagens indevidas de Cachoeira. Conversas telefônicas interceptadas pela Polícia Federal revelam, por exemplo, que o senador pediu dinheiro ao contraventor para arcar com despesas de um táxi aéreo e que atuava, como parlamentar, para defender os interesses do bicheiro.

TRAIÇÃO - Indagado pelo relator do processo, senador Humberto Costa (PT-PE), se sentia-se traído pelo bicheiro, Demóstenes afirmou: “Acho que todo mundo [se sente traído]. Todo mundo que se relacionou com ele e não tinha conhecimento [das atividades ilegais]. Todos nós ficamos na pior situação.”

“O que eu sabia era que me relacionava com um empresário que se relacionava com cinco governadores, e outras dezenas de políticos e empresários. Sim, ele tinha vida social, sim [...] Reafirmo que tinha amizade com ele, sim”, disse.

Costa perguntou se a amizade era "íntima" e Demóstenes respondeu: "De certa forma, sim". Durante sua fala, o senador voltou a confirmar que recebeu presentes do bicheiro.

DEDO DURO - Depois, ao fazer questionamentos, o senador Randolfe Rodrigues perguntou quem eram os cinco governadores citados. Demóstenes respondeu dizendo que os nomes estão na imprensa e que ele não vai fazer papel de "alcagueta".

GRAMPOS - O senador também tentou desqualificar as conversas telefônicas registradas pela Polícia Federal nas investigações sobre a quadrilha de Cachoeira. Segundo ele, algumas gravações foram “montadas”.

“Não [reconheço minha voz em todas as gravações], por isso pedi perícia. Tem muita coisa truncada, editada. Evidentemente que muitas conversas eu travei, agora, muitas conversas foram editadas e montadas”, afirmou.

Demóstenes disse ainda que os grampos são ilegais e deveriam ter sido autorizados pelo Supremo Tribunal Federal. Como é senador e tem foro privilegiado, ele argumenta que a Polícia Federal não poderia ter registrado as conversas sem antes pedir permissão ao STF.

“Tenho condições de enfrentar todas as acusações no mérito. Agora, o fato é que a investigação é ilegal e coloca em risco a democracia no Brasil”, afirmou. Segundo ele, o país corre o risco de se tornar uma “República comandada por procuradores e delegados”.

“Se o Supremo entender que o a investigação pode ser feita pelo primeiro grau e não pelo Supremo, vamos viver numa República comandada por delegados e procuradores do Ministério Público”, disse.

REVELAÇÃO - Ainda em sua fala, Demóstenes disse que, em 2011, Cachoeira revelou para ele e para Marconi Perillo, governador de Goiás, que tinha largado a contravenção e se tornado um "empresário dentro da legalidade".

No depoimento, Demóstenes disse que "jogou verde" com Cachoeira uma vez dizendo que havia uma operação da Policia Federal para investigar jogos ilegais. O senador afirmou que fazia "testes" para detectar se Cachoeira ainda mantinha atividades ilegais. "Evidentemente que o único propósito era para saber se ele ainda estava no jogo", justificou, mas não convenceu.

PREVARICAÇÃO - O senador Demóstenes afirmou ainda que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, "prevaricou" ao suspender, em 2009, as investigações da Operação Vegas, que apurou esquema de jogo ilegal supostamente comandado pelo contraventor.

"Ele [Gurgel] pervaricou [faltou com o dever]. Prevaricação para satisfazer sentimento ou interesse pessoal. Pode ser que não se prove o sentimento pessoal, mas em relação a improbidade administrativa, mais dia menos dias, o procurador vai ter de responder por isso", afirmou Demóstenes Torres.

As investigações, na época, já apontavam a ligação de Cachoeira com o senador Demóstenes Torres e com os deputados federais João Sandes Júnior (PP-GO) e Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO). Em resposta enviada a CPI Mista que investiga as relações do bicheiro com o políticos e empresários, o procurador disse que se não tivesse tomado a decisão de impedir a abertura do inquérito, não teria sido desvendado o esquema criminoso.

Na explicação que encaminhou à CPI Mista, Gurgel afirmou que os "elementos colhidos na operação Monte Carlo", posterior à Vegas, que resultou na prisão de Cachoeira, são uma "demonstração inequívoca do acerto da decisão de sobrestamento [suspensão]" da Vegas. Demóstenes criticou o procurador por não "fazer nada".

"Não arquivou, não pediu diligência, não fez nada. E mais, os argumentos que ele [procurador] fez, para que as investigações sejam retomadas no futuro [...] A outra operação nem começou na Polícia Federal, começou no Ministério Público de Goiás", disse o encurralado Demóstenes.

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O senador Demóstenes Torres e seu advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, durante o depoimento no Conselho de Ética do Senado


Thomaz Bastos, advogado de Cachoeira, é acusado de crime

BRASIL
Thomaz Bastos, advogado de Cachoeira, é acusado de crime
Para o procurador Pastana, o fato de Thomaz Bastos receber R$ 15 milhões em honorários para defender Cachoeira é indício de crime. Na representação à Procuradoria da República em Goiás, Pastana argumenta que o bicheiro não tem recursos de origem lícita para bancar tamanha despesa. Assim, ele quer saber de que forma ele paga os serviços do ex-ministro da Justiça.

Foto: Aílton de Souza/O Globo

Carlinhos Cachoeira e Thomaz Bastos. Para procurador, há indícios de que Cachoeira paga Márcio Thomaz Basto com dinheiro do crime.

Postado por Toinho de Passira
Fonte: Congresso em Foco

O criminalista Márcio Thomaz Bastos já foi advogado do hoje ex-presidente Lula, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (1987) e ministro da Justiça entre 2003 e 2007. Hoje defende o bicheiro Carlos Augusto Ramos, pivô da CPI do Cachoeira. Se depender de uma representação feita pelo procurador Regional da República no Rio Grande do Sul Manoel Pastana, Bastos será investigado agora por supostamente ter praticado crime de lavagem de dinheiro ou receptação não intencional de recursos de atividades criminosas. Pastana ingressará com a ação contra Thomaz Bastos hoje (29). O Congresso em Foco teve acesso com exclusividade à ação movida por Pastana.

Para Pastana, o fato de Thomaz Bastos receber R$ 15 milhões em honorários para defender Cachoeira é indício de crime. Na representação à Procuradoria da República em Goiás, Pastana argumenta que o bicheiro não tem recursos de origem lícita para bancar tamanha despesa. Assim, ele quer saber de que forma ele paga os serviços do ex-ministro da Justiça. Para tanto, o procurador pede a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Thomaz Bastos e informações ao Conselho de Atividades Financeiras (Coaf) sobre eventuais movimentações ilegais de dinheiro do exterior.

Na opinião de Pastana, são claros os “indícios” de que Bastos cometeu ou está prestes a cometer um crime. E poderia mesmo ser preso. “A prisão em flagrante é possível, caso o advogado seja pego recebendo os recursos oriundos de condutas ilícitas praticadas por Cachoeira”, argumentou Pastana no documento, que deve ser protocolado nesta terça-feira (29) no Ministério Público Federal.

Thomaz Bastos foi informado da representação no início da noite de ontem. Ele disse ao Congresso em Foco que poderia prestar esclarecimentos às 21h, mas, no horário combinado, não atendeu mais ao telefone e nem respondeu às mensagens de texto enviadas.

Cachoeira está com os bens bloqueados. Assim,ele não tem como pagar R$ 15 milhões a Thomaz Bastos para defendê-lo. “A medida restritiva parece não ter sido suficiente, porquanto, se o fosse, ele não teria condições de custear o contrato advocatício”, disse Pastana na representação. Segundo noticiou no domingo (27) a coluna Radar, da revista Veja, Bastos disse que são os amigos que custeiam as despesas de clientes em situações como estas. A mesma revista informou que os R$ 15 milhões foram divididos em três parcelas, a primeira já paga.

Na representação ao Ministério Público Federal em Goiás, Pastana disse que a lei da lavagem de dinheiro impede alguém de adquirir ou receber valores provenientes de crimes contra a administração pública ou praticados por organização criminosa – caso de Cachoeira. Se não há indício de branqueamento de recursos, o procurador entende que o art. 180 do Código Penal prevê a receptação não intencional de “coisa que sabe ser produto de crime”. Na mesma situação enquadra-se quem recebe valores que, “pela condição de quem a oferece”, permitem presumir-se terem sido obtidos com crimes, diz o mesmo artigo da lei.

Este é o caso, de acordo com Pastana. “Toda sociedade brasileira sabe que Cachoeira não tem condição de pagar honorários elevados com renda lícita; logo, é de se presumir que os recursos foram obtidos por meio criminoso”, argumentou.

Apesar de não embasar seu pedido em questões morais, o procurador disse que Bastos agiu de maneira antiética. Ele disse não ser “razoável” que Thomaz Bastos, que, como ministro da Justiça, teve a missão de “defender o Estado brasileiro da ação deletéria de infratores”, agora passe a defender um desses infratores. “Isso fere de morte a ética e a moral.”

Pastana disse na representação que, se nada for feito, Carlinhos Cachoeira vai se aproveitar dos resultados dos crimes cometidos por ele. “Permitir que o dr. Márcio Thomaz Bastos usufrua de tais recursos seria o mesmo que (…) entender lícito que o advogado receba honorários de assassino, que paga sua defesa com o dinheiro recebido para matar a vítima”, criticou.

O procurador disse ao Congresso em Foco que não é contra que os criminosos em geral tenham advogados pagos, o que seria uma limitação antidemocrática à defesa deles. Entretanto, Pastana afirmou que eles têm que pagar honorários de acordo com os recursos lícitos que possuem. Ou utilizar os serviços da Defensoria Pública.


Lixo causou racha do PT de Pernambuco

OPINIÃO
Lixo causou racha do PT de Pernambuco
Como sempre acontece no partido, para chegar às causas, siga o lixo!


João da Costa passou a ser hostilizado, em razão do… lixo! Rands é o candidato da cúpula do PT de Pernambuco, do PT Nacional e do governador Eduardo Campos

Reinaldo Azevedo
Fonte: Blog do Reinaldo Azevedo

A direção nacional do PT anulou as prévias do partido feitas para decidir quem será o candidato à Prefeitura de Recife. O atual prefeito, João da Costa, venceu Maurício Rands, que acusa irregularidades na composição do colégio eleitoral (ler posts abaixo). O comando do PT nega que tenha havido fraude, mas cancelou o processo mesmo assim, o que é fabuloso.

Quem encostar o peito no coração do PT de Recife vai entender direitinho o PT nacional. De cabo a rabo. O ex-prefeito por dois mandatos João Paulo fez o seu sucessor em 2008, João da Costa, contra a vontade de lideranças graúdas do estado — o atual senador Humberto Costa entre eles. Poucos meses depois, criador e criatura estavam rompidos. Na origem, como é frequente no PT desde os primórdios, estava uma empresa de coleta de lixo. É incrível como petismo e lixo costumam se estreitar num abraço insano.

Quando Costa assumiu, o contrato com a empresa Qualix, que fazia o serviço desde 1985, estava vencendo. Ele prorrogou emergencialmente o contrato para ter tempo de fazer nova licitação. O problema, e aí a convivência com o ex começou a desandar, é que resolveu dar uma xeretada nos valores. O que circulou nos meios políticos da cidade é que não gostou muito do que viu. Havia o que poderia se chamar, como direi?, sobrepreço… Depois de um barafunda legal, a coleta terminou com a Queiroz Galvão. A partir daí, a cúpula do PT — João Paulo, o antecessor; Humberto Costa e Maurício Rands — começa o trabalho sistemático de desestabilização do “companheiro”.

De fato, a popularidade de João da Costa não anda lá essas coisas. Não é exatamente o preferido do governador Eduardo Campos (PSB) e enfrenta a oposição interna aberta dos petistas graúdos, embora todos eles tenham aliados e cupinchas pendurados na Prefeitura. Há até rancores que nascem de assuntos mais subalternos, como a negativa do prefeito de demitir uma certa funcionária que havia sido contratada em razão de talentos extracurriculares de que desfrutava um figurão do partido. Quando o casal rompeu, o gajo pediu a cabeça da moça. O prefeito não entregou. Por que não dou nomes? Porque sei que é verdade, mas não posso provar. Por que conto mesmo assim? Porque envolve dinheiro público. Sigamos.

É evidente que João da Costa tinha o direito natural de disputar a reeleição, a exemplo do que acontece com todos os que estão em primeiro mandato. A justificativa oficial para haver a troca é a sua impopularidade, que não é maior do que era a de João Paulo ao fim do primeiro mandato, e ninguém tentou defenestrá-lo por isso. A briga, que começou no lixo, se estendeu a outros interesses envolvendo os grupos petistas na cidade.

Rands ganhou uma pasta no governo de Eduardo Campos, que não esconde a simpatia por seu nome e dá a entender que a frente que mantém com o PT pode se desfazer na cidade caso o candidato seja mesmo João da Costa. Rands tentou impugnar alguns delegados na votação das prévias, que obtiveram na Justiça o direito de votar. Ele acusa, então, o adversário interno de ter “judicializado” a disputa, atropelando a instância partidária. Vocês sabem, né? Para o PT, o partido está acima do Poder Judiciário…

Então se chegou a esta situação esdrúxula: queimado desde sempre muito cedo com os caciques do partido em razão do… lixo!, João da Costa passou a ser hostilizado. Tentaram convencê-lo a desistir da disputa e entregar de mão beijada da vaga a Rands, candidato da cúpula do PT de Pernambuco, do PT Nacional e de Campos. Ele se negou a ir para o sacrifício e decidiu disputar as prévias. Venceu. A direção do PT nega que tenha havido fraude, mas cancelou o processo mesmo assim. Se for legal, cancelou por quê?

Desde as primeiras administrações municipais petistas, uma pista continua válida para chegar ao coração do partido: siga o lixo!

PS: No debate das prévias, sobrou baixaria para todo lado. A única coisa que os petistas deixaram de debater foram os problemas de Recife.


*Alteramos o título, acrescentamos subtítulo, foto e legenda a publicação original

CHARGE: SPONHOLZ (PR)



SPONHOLZ (PR)


O ENCONTRO LULA E GILMAR MENDES - A reportagem da VEJA

BRASIL
O ENCONTRO LULA E GILMAR MENDES
A reportagem da VEJA que “é nitroglicerina pura”

Um ex defende o seu legado
“É quase patético o esforço de Lula para reescrever o capítulo mais sombrio de seu governo, o mensalão. Seu foco agora é o Supremo Tribunal, onde os 36 réus do escândalo serão julgados. As abordagens impróprias e os comentários de Lula sobre os juizes da corte têm causado constrangimentos.” – diz a VEJA

Foto: Associated Press

Rodrigo Rangel e Otávio Cabral
Fonte: Veja - 28/05/2012

Desde que deixou o governo, o ex-presidente Lula se empenha em apagar da história o capítulo do mensalão, o esquema de compra de apoio parlamentar criado pelos petistas para ganhar a simpatia de parlamentares e abastecer as campanhas políticas do PT e de aliados com dinheiro sujo. Durante algum tempo, Lula repetiu a tese de que o mensalão não passou de caixa dois, que, na visão dele, seria um crime menor e corriqueiro na política brasileira. Mais recentemente, porém, Lula abandonou a tese do caixa dois e se entregou à pregação messiânica de que o mensalão foi uma grande farsa tramada contra ele por setores da oposição e da imprensa. O esforço para reescrever a história é tão grande que o ex-presidente patrocinou a criação da CPI do Cachoeira, estabelecendo como objetivo explícito criar um fato novo capaz de enfumaçar o julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Essas estratégias são conhecidas. A novidade é que, como elas não surtiram o efeito desejado, entrou em pauta um plano B, um conjunto de ações temerárias que consistem na abordagem direta ou indireta dos ministros do STF. Lula tomou para si essa missão.

Enquanto foi presidente da República, Lula indicou seis dos atuais onze ministros do STF que julgarão os 36 réus do mensalão — entre eles o deputado cassado José Dirceu, grão-petista apontado como "chefe da organização criminosa" pela Procuradoria-Geral da República. Em conversas diretas ou por intermédio de interlocutores, Lula cobra dos ministros o adiamento do início do julgamento, o que significaria a prescrição de muitos dos crimes. Nessa sua cruzada, o ex-presidente da República põe todo o peso de sua influência, mas arrisca-se a perder parte de seu prestígio.

Há um mês, o ministro Gilmar Mendes, do STF, foi convidado para uma conversa com Lula cm Brasília. O encontro foi realizado no escritório de advocacia do ex-presidente do STF e ex-ministro da Justiça Nelson Jobim, amigo comum dos dois. Depois de algumas amenidades, Lula foi ao ponto que lhe interessava e disse a Gilmar: "É inconveniente julgar esse processo agora". O argumento do ex-presidente foi que seria mais correto esperar passar as eleições municipais de outubro deste ano só depois julgar a ação que tanto preocupa o PT, partido que tem o objetivo declarado de conquistar 1 000 prefeituras nas urnas.

Foto: Nelson Jr./SCO/STF

Enquanto foi presidente da República, Lula indicou seis dos atuais onze ministros do STF.
Gilmar Mendes não foi um deles.

Para espíritos mais sensíveis, Lula já teria sido indecoroso simplesmente por sugerir a um ministro do STF o adiamento de julgamento do interesse de seu partido. Mas vá lá Até aí estaria tudo dentro do entendimento mais amplo do que seja uma ação republicana. Mas o ex-presidente cruzaria a fina linha que divide um encontro desse tipo entre uma conversa aceitável e um evidente constrangimento. Depois de afirmar que detém o controle político da CPI do Cachoeira, Lula, magnanimamente, ofereceu proteção ao ministro Gilmar Mendes, dizendo que ele não teria motivo para preocupação com as investigações. O recado foi decodificado. Se Gilmar aceitasse ajudar os mensaleiros, seria blindado na CPI. Decupando acena, o que se tem é um ex-presidente oferecendo salvo-conduto a um ministro da mais alta corte do país, como se o Brasil fosse uma nação de beduínos do século XIX com sua sorte entregue aos humores de um califa. "Fiquei perplexo com o comportamento e as insinuações despropositadas do presidente Lula", disse Gilmar Mendes a VEJA. O ministro defende a realização do julgamento neste semestre para evitar a prescrição dos crimes.

A certa altura da conversa com Mendes, Lula perguntou: "E a viagem a Berlim?". Ele se referia a boatos de que o ministro e o senador Demóstenes Torres teriam viajado para a Alemanha à custa de Carlos Cachoeira e usado um avião cedido pelo contraventor. Em resposta, o ministro confirmou o encontro com o senador em Berlim, mas disse que pagou de seu bolso todas as suas despesas, tendo como comprovar a origem dos recursos. "Vou a Berlim como você vai a São Bernardo. Minha filha mora lá", disse Gilmar, que, sentindo-se constrangido, desabafou com ex-presidente: "Vá fundo na CPI". O ministro Gilmar relatou o encontro a dois senadores, ao procurador-geral da República e no advogado-geral da União.

A certa altura da conversa com Mendes, Lula perguntou: "E a viagem a Berlim?".
Na copa do escritório de Jobim. enquanto Lula comia frutas (recomendação médica), Mendes ainda ouviu relatos nada enobrecedores sobre seu plano B. Lula revelou que encarregaria o amigo Sepúlveda Pertence de conversar sobre o processo com a ministra Cármen Lúcia, do STF. Pertence, que chefia a Comissão de Ética Pública da Presidência, presidiu o STF e é padrinho da indicação de Cármen Lúcia. ""Vou falar com o Pertence para cuidar dela", disse Lula.

Nomeada pelo ex-presidente, Cármen Lúcia — que costuma se referir a Pertence como seu "guru" — contou a VEJA que visitou Lula no hospital, no dia 5 de abril, mas que não falaram sobre o mensalão. Ela negou ter sido procurada por Pertence para conversar sobre o processo. Lula disse que já havia feito aquelas mesmas ponderações ao ministro Ricardo Lewandowski, revisor do processo do mensalão no STF. Entremeou o relato com uma manifestação de contrariedade. O presidente contou ter percebido que, nos últimos meses, Lewandowski estaria propenso a ceder à pressão da opinião pública em favor de uma pronta decisão do Supremo. Como revisor, a Lewandowski cabe averiguar se as etapas do processo foram cumpridas como manda a lei e, em seguida, liberar os autos para julgamento. Como não há prazo para concluir o trabalho, o ministro revisor pode, se precisar ou desejar, adiar pelo tempo que quiser o começo do julgamento. Lewandowski, porém, parece disposto a liberar os autos até junho, o que permitirá o início do julgamento no mais tardar em agosto, logo depois do recesso do Judiciário. Lula não fez questão de esconder seu desapontamento na conversa com Gilmar. "Ele só iria apresentar o relatório no semestre que vem, mas está sofrendo muita pressão".

A respeito de José Dias Toffoli, ex-advogado-geral da Unia em seu governo e outra indicação sua para o STF, Lula foi senhorial na conversa com Gilmar no escritório de Jobim: "Eu disse ao Toffoli que ele tem de participar do julgamento". A participação do ministro Toffoli é uma incógnita, pois, tendo sido assessor de José Dirceu e advogado do PT em duas campanhas presidenciais, o mais adequado seria se declarar impedido de julgar o mensalão. Adicionalmente existe o fato de a atual companheira de Toffoli, a advogada Roberta Rangel, ter atuado na defesa de três mensaleiros, entre os quais o próprio Dirceu.

No encontro entre Gilmar Mendes e Jobim, ao advogar o adiamento do julgamento, Lula argumentou que, se tomada no ano que vem, a decisão seria menos contaminada pelas disputas políticas. Não é só isso que move a estratégia. Em 2013, os ministros Ayres Britto e Cezar Peluso, considerados propensos à condenação, já estarão fora do tribunal. Seria o melhor dos mundos para os integrantes da organização criminosa, que, nos últimos tempos, têm demonstrado sinais de pessimismo. Disse Lula na conversa com Gilmar Mendes: "Zé Dirceu está desesperado". Um dos primeiros nomes escolhidos pelo ex-presidente para o STF, Joaquim Barbosa, relator do processo, é visto agora como um traidor. Barbosa teria dado evidentes sinais de ser refratário às teses dos réus do mensalão. Na conversa com Gilmar, Lula rotulou o ministro Barbosa de "complexado". Sobre o episódio, disse a VEJA um dos mais experientes ministros do STF: "É absolutamente grave e reprovável, além de inaceitável, esse tipo de pressão". "É um fato gravíssimo", acrescentou outro integrante do tribunal.

Jobim confirmou encontrou mas desconversou sobre o tema
Na última quarta-feira, Gilmar Mendes relatou a conversa que tivera com Lula a Ayres Britto, presidente do STF, que disse: "Eu recebi o relato com surpresa". Ayres ainda não sabia, mas também está na agenda de Lula. 0 ex-presidente disse a interlocutores que pedirá ao jurista Celso Antonio Bandeira de Mello, amigo de ambos e um dos patronos da indicação de Ayres Britto para o STF, para marcar a conversa. Ayres Britto contou que o relato de Gilmar ajudou-o a entender uma abordagem que Lula lhe fizera uma semana antes, durante um almoço no Palácio da Alvorada, onde estiveram a convite da presidente Dilma Rousseff. Diz o ministro Ayres Britto: "0 ex-presidente Lula me perguntou se eu tinha notícias do Bandeirinha (Bandeira de Mello) e completou dizendo que "qualquer dia desses a gente toma um vinho". Confesso que, depois que conversei com o Gilmar, acendeu a luz amarela, mas eu mesmo tratei de apagá-la".

Ouvido por VEJA, Jobim confirmou o encontro de Lula e Gilmar em seu escritório em Brasília, mas, como bom político, disse que as partes da conversa que presenciou "foram em tom amigável".

VEJA tentou entrevistar Lula a respeito do episódio. Sem sucesso, enviou a seguinte mensagem aos assessores: "Estamos fechando uma matéria sobre o julgamento do mensalão para a edição desta semana. Gostaríamos de saber a versão do ex-presidente Lula sobre o encontro ocorrido em 26 de abril, no escritório do ex-ministro Nelson Jobim, com a presença do anfitrião e do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, no qual Lula fez gestões com Mendes sobre o julgamento do mensalão".

Obteve a seguinte frase como resposta: "Quem fala sobre mensalão agora são apenas os ministros do Supremo Tribunal Federal".

Certo. Mas eles tem ouvido muito também sobre o mensalão.


Veja no “thepassiranews” Teria Lula tentado chantagear o Ministro Gilmar Mendes?

28 de mai de 2012

Petrobras suspendeu encomenda de navios pernambucanos

PERNAMBUCO - ECONOMIA
Petrobras suspendeu encomenda de navios pernambucanos
Após a entrega festiva do petroleiro João Cândido, com atraso de 22 meses, Estaleiro Atlântico Sul (EAS) em Pernambuco, que chegou a empregar 11 mil trabalhadores, está ameaçado, com a decisão da Transpetro, subsidiária da Petrobras, em suspender o contrato de compra e venda de 16 dos 22 navios encomendados, no valor de R$ 5,3 bilhões. A Transpetro deu um prazo até 30 de agosto para o estaleiro encontrar novo parceiro tecnológico, em substituição à Samsung, que saiu do EAS no início do ano, para reverter a suspensão do contrato.

Foto: Aluísio Moreira/SEI

POLEGARES ERGUIDOS - Presidente da Transpetro, Sergio Machado; o governador de Pernambuco, Eduardo Campos e a presidente da Petrobras, Maria das Graças Silva Foster na cerimônia de lançamento do navio João Candido

Postado por Toinho de Passira
Texto de Adriana Guarda- para o Jornal do Comércio
*Acrescentamos subtítulo, foto e legenda a publicação original
Fontes: Veja, O Globo, Blog do Jamildo

A festa durou pouco para o Estaleiro Atlântico Sul (EAS). O petroleiro João Cândido mal cruzou a bacia do Porto de Suape, na última sexta-feira, e a Transpetro decidiu suspender o contrato de compra e venda de 16 dos 22 navios encomendados à empresa, com valor de R$ 5,3 bilhões. O estaleiro pernambucano terá até o dia 30 de agosto deste ano para cumprir as exigências da estatal, que incluem o contrato com um parceiro tecnológico para a construção dos navios, um plano de ação e cronograma confiável de entrega das embarcações e um projeto de engenharia para que os petroleiros atendam às especificações do contrato. Se o EAS não conseguir obedecer as exigências até o prazo, os contratos poderão ser rescindidos.

Apesar da comemoração da entrega de seu primeiro navio na sexta-feira passada, os sócios do Atlântico Sul (Queiroz Galvão e Camargo Corrêa) já sabiam da decisão do cliente, que foi tomada dois dias antes. De comum acordo, na última quarta-feira, a estatal e os sócios do empreendimento assinaram o aditivo contratual de suspensão da encomenda.

Do total de 22 navios contratados dentro do Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef), apenas seis navios ficaram de fora da suspensão, porque ainda estão cobertos pelo contrato de transferência tecnológica entre o EAS e a Samsung Heavy Industries (SHI). Apesar de ter deixado a sociedade no estaleiro em março (detinham 6%), os coreanos já receberam US$ 60 milhões pela parceria técnica e terão que concluir esses seis petroleiros.

Detalhe do caderno de economia do Jornal do Comércio desta segunda-feira

Símbolo da retomada da indústria naval, EAS enfrenta avalanche de problemas:

• Estaleiro e navio começaram a ser construídos simultaneamente. O EAS foi criticado por receber encomenda enquanto ainda era virtual.
• O estaleiro contratou seus principais guindastes de uma empresa falida na China.
• Teve que refazer a compra e atrasou a construção do 1º navio.
• A qualificação da mão de obra foi um dos principais desafios. Chegou a inflar o quadro, atingindo 11 mil funcionários para dar conta das encomendas.
• A coreana Samsung deixou a sociedade em março deste ano e complicou ainda mais a vida do EAS, que enfrenta problemas de gestão.

A decisão da Transpetro coloca o EAS numa situação financeira ainda mais caótica. Durante o período de suspensão não serão aportados recursos na construção dos navios. Em nota encaminhada à imprensa a estatal também informa que não será responsável por custos incorridos pelo estaleiro em decorrência da suspensão. Em 2011, o Atlântico Sul amargou um prejuízo de R$ 1,4 bilhão e os sócios foram obrigados a fazer vários aportes para manter a operação do empreendimento.

Além de um parceiro tecnológico, o EAS espera atrair um sócio que compre participação de 30% no empreendimento e faça um aporte de US$ 400 milhões para salvar o fluxo de caixa da empresa.

Uma fonte do grupo dos sócios diz que as negociações estão acontecendo com três players japoneses do setor: Ishikawajima-Harima, Mitsui e Mitsubishi.

Segundo informações do mercado, o EAS também estaria em conversas avançadas com a empresa polonesa Remontowa e a companhia de engenharia LMG. A Remontowa entraria com tecnologia, e a LMG, com projetos.

Procurado ontem pela reportagem, o EAS disse que ainda vai avaliar se o pronunciamento sobre o assunto será feito pela diretoria do empreendimento ou pelos sócios.

Foto: Aluísio Moreira/SEI

DISCURSO DE EDUARDO CAMPOS - "São centenas de filhos de cortadores de cana-de-açúcar que entregam o maior e melhor navio feito pelo talento do povo brasileiro", disse o governador diante dos 5 mil funcionários do EAS, que agora estão com os empregados ameaçados. Eduardo procurado por jornalistas não quis se pronunciar sobre a suspensão do contrato.

O silêncio da presidente da Petrobras Maria das Graças Foster durante a solenidade de entrega do João Cândido, na última sexta-feira, foi um prenúncio dos maus ventos para o Estaleiro Atlântico Sul (EAS). Entrou muda e saiu calada, evitando o constrangimento de fazer festa quando, na verdade, se formava uma tempestade.

Graça recebeu carta branca da presidente Dilma Rousseff para pressionar os estaleiros a avançar com as encomendas nacionais. Foi ela quem intermediou a fracassada negociação com os coreanos da Samsung Heavy Industries (SHI), na tentativa de que eles aumentassem de 6% para 30% sua participação no EAS.

Na festa em Suape, deixou o discurso para o presidente da Transpetro, Sérgio Machado, prestes a deixar a presidência da estatal.

Segundo informações do mercado, Machado estaria com os dias contados na presidência da Transpetro (que ocupa desde o primeiro governo Lula), porque não conseguiu fazer o Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef) deslanchar. Lançado há 7 anos, o programa que encomendou 49 embarcações a estaleiros brasileiros, com investimento de R$ 10,8 bilhões, só conseguiu entregar dois navios: o Celso Furtado (no Rio, em novembro de 2011) e o João Cândido.

Os dois sofreram grandes atrasos. O petroleiro fluminense com 13 meses e o pernambucano com 20 meses. Fabricar navios no País foi uma das bandeiras do governo Lula e continua sendo na gestão de Dilma, que chegou a ser batizada de madrinha” da indústria naval por seu empenho para fazer emergir o setor, ainda durante o governo de seu antecessor.

Foto: Arquivo

Dilma não quis participar da inauguração que se seguiria da má notícia, mas esteve por aqui participando da inauguração fajuta, há dois anos, durante a pré-campanha presidencial

A decisão de Sérgio Machado de suspender as encomendas do EAS e de criar um sistema de fiscalização dos estaleiros com encomendas seria uma reação, diante das pressões de Graça Foster. Durante a cerimônia no EAS, o ex-senador cearense chegou a afagar a chefe com elogios, repetindo título de madrinha” da indústria naval para ela, que sequer esboçou um sorriso ao ouvir o comentário.

Prestes a completar 9 anos à frente da Transpetro no próximo dia 17, Machado é um dos poucos remanescestes da diretoria da Petrobras pré-Graça Foster. A expectativa era que ele deixasse o cargo logo após a entrega do João Cândido, apesar de sua ligação com o PMDB e de gozar de bom trânsito entre os líderes do partido no Senado.

Em nota encaminhada ontem à imprensa, a Transpetro diz que vai criar o Setor de Acompanhamento dos Processos de Produção (SAP), que terá como função estimular os estaleiros a melhorarem seus padrões de produtividade, a partir de acompanhamento e auditoria de todas as etapas da linha de montagem dos navios. Até agora, a fiscalização estava focada em aspectos de qualidade, prazos e pagamentos. O SAP vai acompanhar o processo de forma mais ampla, apontando gargalos e soluções para que os prazos de construção no Brasil sejam reduzidos progressivamente.

Foto: Guga Matos/JC Images

Funcionários do Estaleiro Atlântico Sul festejam a entrega do navio em Suape

Durante a festa de entrega do João Cândido, Machado se limitou a dizer que o EAS foi multado por conta do atraso na entrega do petroleiro, mas não informou o valor da multa e disse que a diretoria do empreendimento teria 30 dias para justificar os motivos. Pelo contrato, dependendo da argumentação, a penalidade pode ser suspensa ou ter o valor reduzido. O governador Eduardo Campos, que esteve presente em todas as solenidades festivas do EAS, evita comentar as dificuldades da empresa.

Questionado se acreditava que o EAS entregaria os próximos navios com intervalos de até quatro meses (conforme garantiu em seu balanço), o presidente da Transpetro respondeu de forma evasiva. “Não tenho dúvida. O estaleiro tem tecnologia e um povo com coração pulsando para trabalhar. (esses problemas) não vão matar a indústria naval, minimizou. O momento era de festa e ele deixou a má notícia chegar depois aos pernambucanos.


27 de mai de 2012

Teria Lula tentado chantagear o Ministro Gilmar Mendes?

BRASIL - Escândalo
Teria Lula tentado chantagear o Ministro Gilmar Mendes?
Segundo a Veja, Lula teria tentado chantagear o Ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, no intuito de adiar e amaciar o julgamento do Mensalão em troca blindaria o ministro de supostas acusações na CPI do Cachoeira.
Reinaldo Azevedo comenta no seu Blog: “A reportagem que VEJA traz na edição desta semana expõe aquela que é a mais grave agressão sofrida pelo estado de direito desde a redemocratização do país — muito mais grave do que o mensalão!!!”

Foto: Getty Images

Segundo a reportagem, “o ex-presidente Lula supondo que o ministro do Supremo Gilmar Mendes tivesse algo a temer na CPI do Cachoeira, fez algumas insinuações e ofereceu-lhe uma espécie de “proteção” desde que o ministro se comportasse direitinho”, no julgamento do mensalão.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Blog do Noblat, Blog do Augusto Nunes, Blog do Reinaldo Azevedo, Blog do Moreno

“É nitroglicerina pura a reportagem de Rodrigo Rangel e Otávio Cabral publicada na VEJA que começou a circular. Ela conta a história de um encontro entre Lula e Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), no escritório de advocacia do ex-ministro Nelson Jobim”. – diz Ricardo Noblat no seu Blog.

Tratando do mesmo tema, Augusto Nunes, no seu Blog, comenta:

”O ex-presidente Lula vem erguendo desde o começo de abril o mais obsceno dos numerosos monumentos à cafajestagem forjados desde 2005 para impedir que os quadrilheiros do mensalão sejam castigados pela Justiça. Inquieto com a aproximação do julgamento, perturbado pela suspeita de que os bandidos de estimação correm perigo, o Padroeiro dos Pecadores jogou o que restava de vergonha numa lixeira do Sírio Libanês e resolveu pressionar pessoalmente os ministros do Supremo Tribunal Federal. De novo, como informou VEJA neste sábado, o colecionador de atrevimentos derrapou na autoconfiança delirante e bateu de frente com um interlocutor que não se intimida com bravatas.(referia-se a Ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal”

Reinaldo Azevedo no seu Blog, comenta:

”Luiz Inácio Lula da Silva perdeu completamente a noção de limite, quesito em que nunca foi muito bom. VEJA publica hoje uma reportagem estarrecedora. O ex-presidente iniciou um trabalho direto de pressão contra os ministros do Supremo para livrar a cara dos mensaleiros. Ele nomeou seis dos atuais membros da corte — outros dois foram indicados por Dilma Rousseff. Sendo quem é, parece achar que os integrantes da corte suprema do país lhe devem obediência. Àqueles que estariam fora de sua alçada, tenta constranger com expedientes ainda menos republicanos. E foi o que fez com Gilmar Mendes”.

”A reportagem Rodrigo Rangel e Otávio Cabral reproduz os momentos espantosos e vexatórios do encontro entre Lula e o ministro Gilmar Mendes ocorrido em Brasília no dia 26 de abril último, no escritório mantido em Brasília pelo amigo comum Nelson Jobim, ex-ministro do Supremo e ex-ministro da Defesa.”

TRECHOS DA REPORTAGEM DA VEJA
Transcrito do Blog de Reinaldo Azevedo

Há um mês, o ministro Gilmar Mendes, do STF, foi convidado para uma conversa com Lula em Brasília. O encontro foi realizado no escritório de advocacia do ex-presidente do STF e ex-ministro da Justiça Nelson Jobim, amigo comum dos dois. Depois de algumas amenidades, Lula foi ao ponto que lhe interessava: “É inconveniente julgar esse processo agora”. O argumento do ex-presidente foi que seria mais correto esperar passar as eleições municipais de outubro deste ano e só depois julgar a ação que tanto preocupa o PT, partido que tem o objetivo declarado de conquistar 1.000 prefeituras nas urnas.

Para espíritos mais sensíveis, Lula já teria sido indecoroso simplesmente por sugerir a um ministro do STF o adiamento de julgamento do interesse de seu partido. Mas vá lá. Até aí, estaria tudo dentro do entendimento mais amplo do que seja uma ação republicana. Mas o ex-presidente cruzaria a fina linha que divide um encontro desse tipo entre uma conversa aceitável e um evidente constrangimento.

Depois de afirmar que detém o controle político da CPI do Cachoeira, Lula magnanimamente, ofereceu proteção ao ministro Gilmar Mendes, dizendo que ele não teria motivo para preocupação com as investigações. O recado foi decodificado. Se Gilmar aceitasse ajudar os mensaleiros, ele seria blindado na CPI. (…) “Fiquei perplexo com o comportamento e as insinuações despropositadas do presidente Lula”, disse Gilmar Mendes a VEJA. O ministro defende a realização do julgamento neste semestre para evitar a prescrição dos crimes.

A certa altura da conversa com Mendes. Lula perguntou: “E a viagem a Berlim?”. Ele se referia a boatos de que o ministro e o senador Demóstenes Torres teriam viajado para a Alemanha à custa de Carlos Cachoeira e usado um avião cedido pelo contraventor. Em resposta, o ministro confirmou o encontro com o senador em Berlim, mas disse que pagou de seu bolso todas as suas despesas, tendo como comprovar a origem dos recursos. “Vou a Berlim como você vai a São Bernardo. Minha filha mora lá”, disse Gilmar, que, sentindo-se constrangido, desabafou com ex-presidente: “Vá fundo na CPI”. O ministro Gilmar relatou o encontro a dois senadores, ao procurador-geral da República e ao advogado-geral da União.

Ayres Britto contou que o relato de Gilmar ajudou-o a entender uma abordagem que Lula lhe fizera uma semana antes, durante um almoço no Palácio da Alvorada, onde estiveram a convite da presidente Dilma Rousseff. Diz o ministro Ayres Britto: “O ex-presidente Lula me perguntou se eu tinha notícias do Bandeirinha e completou dizendo que, “qualquer dia desses, a gente toma um vinho”. Confesso que, depois que conversei com o Gilmar, acendeu a luz amarela, mas eu mesmo tratei de apagá-la”.

Ouvido por VEJA, Jobim confirmou o encontro de Lula e Gilmar em seu escritório em Brasília, mas, como bom político, disse que as partes da conversa que presenciou “foram em tom amigável”.

VEJA tentou entrevistar Lula a respeito do episódio. Sem sucesso, enviou a seguinte mensagem aos assessores: “Estamos fechando uma matéria sobre o julgamento do mensalão para a edição desta semana. Gostaríamos de saber a versão do ex-presidente Lula sobre o encontro ocorrido em 26 de abril, no escritório do ex-ministro Nelson Jobim, com a presença do anfitrião e do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, no qual Lula fez gestões com Mendes sobre o julgamento do mensalão”.

Obteve a seguinte frase como resposta: “Quem fala sobre mensalão agora são apenas os ministros do Supremo Tribunal Federal”. Certo. Mas eles têm ouvido muito também sobre o mensalão”.

Foto: Antonio Cruz\Agência Brasil

“Fiquei perplexo com o comportamento e as insinuações despropositadas do presidente Lula”, disse Gilmar a VEJA

Reinaldo Azevedo comenta ainda sobre a publicação:

“Lula deixou claro que está investindo em outros ministros da corte. Revelou já ter conversado com Ricardo Lewandowski, revisor do processo do mensalão — só depende dele o início do julgamento — sobre a conveniência de deixar o processo para o ano que vem. Sobre José Antônio Dias Toffoli, foi peremptório e senhorial: “Eu disse ao Toffoli que ele tem de participar do julgamento”. Qual a dúvida? O agora ministro já foi advogado do PT e assessor de José Dirceu; sua namorada advoga para um dos acusados. A prudência e o bom senso indicam que se declare impedido. Lula pensa de modo diferente — e o faz como quem tem certeza do voto. Luiz Marinho, prefeito de São Bernardo e um dos porta-vozes informais do chefão do PT, já disse algo mais sério: “Ele não tem o direito de não participar”.

”A ministra Carmen Lúcia, na imaginação de Lula, ficaria por conta de Sepúlveda Pertence, ex-ministro do STF e atual presidente da Comissão de Ética Pública da Presidência da República: “Vou falar com o Pertence para cuidar dela”. Com Joaquim Barbosa, o relator, Lula está bravo. Rotula o ministro de “complexado”. Ayres Britto, que vai presidir o julgamento se ele for realizado até novembro, estaria na conta do jurista Celso Antonio Bandeira de Mello, amigo de ambos, que ficaria encarregado de marcar a conversa.

”Ayres Britto contou que o relato de Gilmar ajudou-o a entender uma abordagem que Lula lhe fizera uma semana antes, durante um almoço no Palácio da Alvorada, onde estiveram a convite da presidente Dilma Rousseff. Diz o ministro Ayres Britto: “O ex-presidente Lula me perguntou se eu tinha notícias do Bandeirinha e completou dizendo que, “qualquer dia desses, a gente toma um vinho”. “Confesso que, depois que conversei com o Gilmar, acendeu a luz amarela, mas eu mesmo tratei de apagá-la”.

“É isso aí. Não há um só jornalista de política que ignore essas gestões de Lula, sempre contadas em off. Ele mesmo não tem pejo de passar adiante supostas informações sobre comprometimentos deste ou daquele. Desde o início, estava claro que pretendia usar a CPI como instrumento de vingança contra desafetos — inclusive a imprensa — e como arma para inocentar os mensaleiros. ”

“As informações estarrecedoras da reportagem da VEJA dão conta da degradação institucional a que Lula tenta submeter a República. Como já afirmei aqui, ele exerce, como ex-presidente, um papel muito mais nefasto do que exerceu como presidente. O cargo lhe impunha, por força dos limites legais, certos impedimentos. Livre para agir, certo de que é o senhor de ao menos seis vassalos do Supremo (que estes lhe dêem a resposta com a altivez necessária, pouco importa seu voto), tenta fazer valer a sua vontade junto àqueles que, segundo pensa, lhe devem obrigações. Aos que estariam fora do que supõe ser sua área de mando, tenta aplicar o que pode ser caracterizado como uma variante da chantagem. ”

“Tudo isso para reescrever a história e livrar a cara de larápios”.

“Nem a ditadura militar conseguiu do Supremo Tribunal Federal o que Lula anseia: transformar o tribunal num quintal de recreação de um partido político.”