30 de abr de 2012

Wagner Moura vai ser Fellini no cinema

BRASIL - ENTRETERIMENTO
Wagner Moura vai ser Fellini no cinema
O ator brasileiro vai interpretar o famoso cineasta italiano, num roteiro original que tenta reconstituir às 48 horas em que Fellini, desapareceu nos Estados Unidos, quando em 1957 foi assistir a cerimônia do Oscar

Foto: Divulgação
Fellini e Wagner Moura, parecidos?

Postado por Toinho de Passira
Fontes: G1, Variety, Folha de São Paulo, Collider

O ator brasileiro Wagner Moura foi escolhido para interpretar o cineasta italiano Federico Fellini (1920-93) no cinema, segundo o site da revista "Variety" em nota publicada nesta segunda.

A consagração internacional pelo filme "Tropa de elite", e a semelhança fisionômica do ator, com Fellini jovem, o fez ser escalado para protagonizar o longa independente "Fellini Black and White" (Fellini em Preto e Branco), que será dirigido e roteirizado por Henry Bromell, produtor da série "Homeland".

O elenco deve incluir ainda Terrence Howard, Peter Dinklage (do seriado "Game of Thrones") e William H. Macy (do seriado "Shameless").

O filme contará trechos da vida de Fellini em Los Angeles, em 1957, quando tinha 37 anos, na primeira viagem do cineasta aos Estados Unidos para assistir a festa da entrega do Oscar. Conta a lenda que o diretor desapareceu por 48 horas e quase não conseguiu ir à cerimônia.

O roteiro tentará recriar o que pode ter acontecido nos dois dias de sumiço do consagrado diretor.

Dois anos depois, de ter voltado para a Itália, (1960), dirigiu o seu mais famoso filme, "La Dolce Vita" e três anos depois fez o controverso "8½" (1963).

Combinando memórias pessoais, fantasias e sonhos, Fellini construiu uma visão crítica da sociedade, tendo servido de referência para alguns dos cineastas mais aclamados da atualidade.

Diretores como Woody Allen, David Lynch, Girish Kasaravalli, David Cronenberg, Stanley Kubrick, Martin Scorsese, Tim Burton, Pedro Almodóvar, Terry Gilliam e Emir Kusturica confessam ter sidos profundamente influenciados pela obra do italiano.

O ator brasileiro, Wagner Moura, terá uma chance de ouro se consolidar internacionalmente, interpretando um personagem complexo, carismático e de repercussão mundial.


Farc sequestra jornalista francês

COLOMBIA
Farc sequestra jornalista francês
O governo Colombiano e francês reconhecem que o jornalista Roméo Langlois, correspondente na Colômbia para o canal francês France 24 e o jornal Le Figaro, foi seqüestrado, no sábado, durante um confronto entre as forças colombianas e as FARC

Foto: Woow/AFP

Roméo Langlois, correspondente do jornal francês Le Figaro, e da TV France 24, há 12 anos cobre, como jornalista o conflito colombiano com a guerrilha. Na ocasião acompanhava as tropas regulares do governo, que foram emboscadas pela FARC. Informa-se que ele pode estar ferido no braço.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Semana , Le Figaro, BBC Brasil, Associated Press, Reuters , El Espectador, El Tiempo

O jornalista francês Roméo Langlois, de 35 anos, foi sequestrado durante um confronto entre guerrilheiros das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e o Exército colombiano, confirmou neste domingo o ministro das Relações Exteriores da França, Alain Juppé.

"Já conhecemos as circunstâncias: ele foi levado durante um confronto entre tropas colombianas e as Farc. O enfrentamento foi brutal, houve mortes, e o jornalista foi tomado com prisioneiro", disse o chanceler francês.

Mais cedo, o ministro da Defesa colombiano, Juan Carlos Pinzon, disse que o repórter, que trabalha como correspondente da emissora France 24 e fazia um documentário, foi baleado no braço esquerdo durante os confrontos no sábado.

"Na pressão na zona de combate, ele tirou seu capacete e colete à prova de balas. Após se declarar um civil, ele tentou se aproximar da área de onde os rebeldes estavam disparando", acrescentou Pinzon.

Foto: EFE

Soldados do exercito colombiano, feridos chegam a Florencia, a capital do Departamento de Caquetá, onde ocorreram os combates

Cinco militares que estavam desaparecidos desde ontem foram encontrados neste domingo, e outros três soldados e um policial morreram.

O jornalista francês acompanhava as tropas colombianas durante uma operação para tentar desmantelar um laboratório de refinamento de cocaína que servia como fonte de renda para a guerrilha.

"Sabemos que se trata de uma região perigosa. É claro que estamos preocupados, mas temos confiança no fato de que Roméo conhece bem a região e tem muita experiência. Por isso esperamos que ele esteja bem e em segurança", disse Nahida Nakad, chefe de redação da France 24.

Na sexta-feira oito pessoas morreram, incluindo um bebê, durante ataques das Farc na mesma região.

As Farc estão em guerra com o governo colombiano desde 1964. Acredita-se que há mais de 9 mil guerrilheiros espalhados por areas montanhosas e de mata fechada.

Recentemente a guerrilha sinalizou intenção de não sequestrar mais civis em nome de suas operações.

Desde 2002 as Farc têm visto uma redução em seu contingente conforme as operações do Exército da Colômbia avançaram, com apoio dos Estados Unidos, mas nos últimos três anos a guerrilha conseguiu retomar alguns pontos do país, alavancada pelos lucros com o tráfico de drogas.

A província de Caqueta, onde a operação ocorreu, é um dos pontos de avanço do grupo e um centro logístico para o narcotráfico.

Em fevereiro deste ano, as Farc declararam encerrada sua estratégia de sequestrar civis, e no início de abril o grupo libertou dez reféns que estavam presos por mais de dez anos.

O comandante do grupo, Rodrigo Londono, mais conhecido como Timochenko, se ofereceu para dar início a conversas de paz com o governo do presidente Juan Manuel Santos, que recusou a iniciativa.

Foto: Roméo Langlois/Times

Foto feita pelo jornalista, Roméo Langlois, de guerrilheiros da FARC, em Tacueyo, publicado na revista Times


29 de abr de 2012

A revolta dos inativos - Dora Kramer

OPINIÃO
A revolta dos inativos
Os deputados autorizaram a tramitação de proposta de emenda constitucional que dá ao Congresso a prerrogativa de suspender atos do Poder Judiciário. “Ou seja, em reação a uma presumida interferência da Justiça nas atividades do Legislativo dá-se um peteleco na Constituição com a sem cerimônia de quem vai ao bar da esquina.”

Imagem do projeto original do Congresso feito por Oscar Niemeyer

Dora Kramer -
Fonte: Coluna de Dora Kramer - O Estado de S.Paulo

Com todos os olhos e ouvidos voltados para a CPI que promete abalar Brasília, não se deu a devida atenção a uma decisão tomada pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara na última quarta-feira.

Revoltados com o "ativismo" do Supremo Tribunal Federal, os deputados resolveram exorbitar: autorizaram a tramitação de proposta de emenda constitucional que dá ao Congresso a prerrogativa de suspender atos do Poder Judiciário.

Ou seja, em reação a uma presumida interferência da Justiça nas atividades do Legislativo dá-se um peteleco na Constituição com a sem cerimônia de quem vai ao bar da esquina.

Como bem observa o ministro Luiz Fux, do STF, "não é assim tão fácil". A independência dos Poderes é cláusula pétrea da Constituição, o que significa que para mudá-la de forma ao Legislativo ter o direito de desfazer atos do Judiciário seria necessário convocar uma nova Assembleia Nacional Constituinte.

E por que, então, discorrer sobre isso se o absurdo é assim tão evidente e a chance de prosperar aparentemente nula?

Justamente porque a nulidade é aparente. Existe chance de a proposta prosperar na Câmara se não se atentar para a completa falta de juízo da douta Comissão de Justiça.

Um dos poucos, talvez o único, parlamentar a se posicionar contra, o deputado Chico Alencar previu: "Vai virar discurso de valorização do Legislativo." Na opinião dele a proposta "é tão irracional e ilógica quanto popular aqui dentro".

Precisa previsão. O autor da emenda, deputado Nazareno Fonteles, faz exatamente esse discurso alegando que o Judiciário não tem legitimidade para legislar e defendendo a tese de que o Legislativo "precisa ser o Poder mais forte da República" por seu caráter representativo da sociedade.

O leitor ouviu direito, ele propõe a instituição do conceito de desequilíbrio entre Poderes.

Voltemos ao ministro Fux, que entende do riscado e explica o que se passa. Primeiro há o pressuposto da cláusula pétrea. "Em segundo lugar, se o Congresso está insatisfeito com o que chama de judicialização da política é preciso que seja informado sobre a impossibilidade de o Judiciário não se manifestar sobre os temas postos à sua consulta."

Portanto, estamos bem entendidos até aqui: o Supremo não inventa debates nem levanta questões por iniciativa própria, apenas examina e se pronuncia sobre a constitucionalidade desse ou daquele assunto quando provocado a fazê-lo.

E por que há tantas consultas ao tribunal? Aqui entra o terceiro ponto a ser esclarecido pelo ministro Luiz Fux: "Porque por sua própria estratégia política os parlamentares não enfrentam questões difíceis por receio de assumir eventual impopularidade decorrente dos conflitos que os temas encerram".

Quer dizer, justamente por serem dependentes de votos deputados e senadores se esquivam das polêmicas. E aí, o que ocorre?

Criam-se os vácuos que o Judiciário, quando instado, é obrigado a preencher. O ministro Fux lembra que o Supremo não precisaria ter-se pronunciado a respeito, por exemplo, da interrupção da gravidez de feto anencéfalo, da união homoafetiva, das cotas para negros nas universidades, se o Congresso tivesse legislado sobre essas matérias.

Conclusão, suas excelências não precisam agredir a Constituição nem desconstruir a República para defender as prerrogativas do Poder Legislativo: basta que não se acovardem diante de potenciais controvérsias e saiam da inatividade no lugar de reclamar do ativismo alheio propondo soluções fáceis e equivocadas.


*Acrescentamos subtítulo e foto ao texto original

A pizza cachoeira

BRASIL - CORRUPÇÃO
A pizza cachoeira
Pelo volume das acusações, pela força politica dos envolvidos, pela qualidade dos escolhidos para compor a comissão parlamentar de inquérito que vai investigar supostos atos criminosos de Carlinhos Cachoeira, do senador Demostenes Torres e da construtora Delta, ninguém tem dúvida que mais uma pizza, metade governo, metade oposição, já está a caminho

Charge: Humberto – Jornal do Comércio (PE)

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Congresso em Foco, G1, Veja, Blog do Garotinho, Diário de Pernambuco

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito instalada no Congresso Nacional em Brasília deveria ser processada, preventivamente, por propaganda enganosa. Os sisudos parlamentares que encabeçam e os demais integrantes da comissão mentem ao prometer, em entrevistas, arrebentar, prender e acabar os criminosos e corruptos brasileiros que forem encontrados em situação delituosa durante a investigação.

Há muito que nenhuma comissão parlamentar de inquérito no Brasil, produziu algum resultado prático. Há sempre muito barulho para nada. As expectativas criadas são sempre muito aquém das conclusões. Nesta em particular, a lama espalhada por Carlinhos Cachoeira, senador Demostenes Torres e a Construtora Delta espalha-se epidemicamente pelo mundo político brasileiro, como a peste negra.

Tem-se a impressão que Cachoeira comprou e corrompeu todos quanto quis. Esse é um escândalo que começou Democrata, mas já esbarrou em tucanos, pedetistas, pemedebistas, petistas, enlameando igualmente congressistas, governadores, prefeitos e uma facção preocupante do Governo Federal.

Não nos surpreenderia se fosse encontrada, via Construtora Delta, volumosas doações de campanha, para a candidatura de Dilma, nas últimas eleições.

O site Congresso em Foco, destaca que um quarto dos 32 parlamentares indicados como investigadores na CPI Mista, tem problemas com a Justiça. Respondem, no total, a oito inquéritos e cinco ações penais que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF), a maioria originada de problemas ocorridos na função de cargos públicos que os parlamentares já exerceram. Seis desses oito congressistas pertencem à base aliada do governo.

Os parlamentares enrolados com a Justiça são (em ordem alfabética): Cássio Cunha Lima (PSDB-PB); Delegado Protógenes (PCdoB-SP); Fernando Collor (PTB-AL); Jayme Campos (DEM-MT); Luiz Pitiman (PMDB-DF); Maurício Quintella Lessa (PR-AL); Silvio Costa (PTB-PE), e Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM).

Dá a impressão que mandaram a raposa tomar conta do galinheiro.

Os primeiros sintomas de que a lama pode respingar no governo federal, nos próprios investigadores, ou nos seus partidos é que os representantes do PT e do PMDB, segundo o Jornal Nacional, tentarão restringir as investigações sobre a construtora Delta ao centro-oeste, onde a empresa estaria envolvida, mais explicitamente no pagamento de propinas. Não se pode desprezar que a empreiteira recebeu pagamentos do governo federal que ultrapassam R$ 4 bilhões nos últimos doze anos.

Há, por exemplo, contratos milionários da construtora no estado do Rio de Janeiro, mas que não seriam alvo da CPMI, instalada. “Nós temos de ir além especialmente investigando as relações de promiscuidade dessa quadrilha com os entes públicos, município, estado e União, com contratos milionários, superfaturados”, disse o senador tucano Álvaro Dias (PR).

A oposição critica o que chama de "excesso de controle do comando da CPI", uma vez que as investigações estão nas mãos do governo.

Como tem maioria absoluta no plenário da CPNI, os governistas determinam o que deve e o que não deve ser investigado, pois todos os requerimentos de pedidos de ouvida de suspeitos e do exame de documentos, devem ser aprovados pela suspeita maioria da base aliada.

Em paralelo, muita gente está aproveitando as denuncias e as conversas telefônicas divulgadas para torpedear políticos avulsos que direta ou indiretamente “cachoeiraram”.

Por exemplo, descobriram que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) indicou uma prima do bicheiro Carlinhos Cachoeira, Mônica Beatriz Silva Vieira, para diretoria regional da Secretaria de Estado de Assistência Social em Uberaba, do governo de Minas Gerais, no ano passado. O tucano explicou dizendo que sua intervenção, aconteceu porque a moça tinha um currículo qualificado e que atendeu uma solicitação, do tão então insuspeito colega, o senador Demóstenes Torres. Por mais que tenha explicado e justificado, sempre fica alguma lama grudada na reputação dos acusados.

O ex-governador e atual deputado federal, Anthony Garotinho, da base aliada do governo, tem se deliciado publicando uma série de fotos e vídeos do seu inimigo político, o governador do Rio, Sérgio Cabral, sua mulher, Adriana Ancelmo, o empresário Fernando Cavendish, dono da Delta, empresa que está no centro das investigações da CPI do Cachoeira, a noiva do empresário, Jordana, e outros convidados, numas suspeitas férias em Paris, em 2009.

A divulgação do vídeo segue à publicação, nesta sexta-feira, por Garotinho, de uma sequência de fotos do que seria uma comemoração em Paris, em que aparece, além de Cabral e Cavendish, o alto escalão do governo estadual. Logo após a divulgação das imagens, o governador divulgou nota tentando desmentir Garotinho.

De acordo com a nota, o encontro festivo aconteceu no Clube Inglês (e não no suntuoso Hotel Ritz, como informara Garotinho), para comemorar a condecoração recebida por Cabral (e não o aniversário da primeira-dama Adriana Anselmo), durante viagem oficial à França.

No vídeo divulgado neste sábado, contudo, há referências ao aniversário da primeira-dama. Comenta-se também sobre o futuro casamento de Cavendish com Jordana, morta em acidente de helicóptero em 2011. "Você é padrinho", diz o empresário ao governador, que, momentos depois, pede aos noivos que se beijem.

A amizade entre Cabral e o empresário não é segredo. Mas as suspeitas de favorecimento à construtora em contratos Brasil afora – e a gorda participação da empresa em projetos com dinheiro público no Rio – criam para Cabral um problemão diante da opinião pública.

O Governador em nota rebateu as acusações, atirando:

”Nunca neguei minha amizade com o empresário Fernando Cavendish”.

Jamais imaginei e, muito menos tinha conhecimento, que a sua empresa fizesse negócios com um contraventor no Centro-Oeste brasileiro.”
”Quando assumi o governo, a Delta já era uma das maiores empreiteiras do Rio e do Brasil.”

Cabral comenta que não privilegiou a Delta, do seu amigo Cavendish, durante o seu governo, diz que a empresa teve 7,98%, do total investido no estado, numero similar, embora inferior, do investido no governo anterior ao seu, justamente o de Rosinha Garotinho, esposa deputado federal, Anthony Garotinho, quando a Delta, de Cavendish, teve uma participação de 8,07% no total investido no estado.

Garotinho leva vantagem sobre Cabral por não parar de exibir momentos vexatórios do governador junto com o empresário Cavendish, na milionária farra em Paris.

Será que o pemedebista paraibano, o senador Vital do Rêgo, presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, vai deixar o correligionário Sérgio Cabral sangrar? Será que o Palácio do Planalto vai deixar isso acontecer?

Por essas e por outras, que o forno está esquentando, não para assar os culpados, mas para preparar a pizza cachoeira.


28 de abr de 2012

Dissidente chinês cego abriga-se na embaixada dos EUA

CHINA
Dissidente cego, abriga-se na embaixada dos EUA
A audaciosa fuga do ativista cego chinês Chen Guangcheng, de uma prisão domiciliar para a embaixada dos Estados Unidos, em Pequim, ameaça ofuscar um encontro de dois dias, na China, entre autoridades chinesas e norte-americanas. Está programado que a secretária de Estado, Hillary Clinton, estará em Pequim, a partir desta terça-feira, num esforço diplomático, para tentar distender algumas das tensões políticas e econômica entre os dois países.

Foto: www.chinaaid.org/European Pressphoto Agency

O ativista dissidente chinês Chen Guangcheng, com esposa e filha. Entre as informações desencontradas, há a notícia que ele, apesar da fuga, não pretende pedir asilo político nos Estados Unidos: quer permanecer na China para continuar sua campanha pelos direitos democráticos e do Estado de Direito

Postado por Toinho de Passira
Fontes: BBC Brasil, Veja, The New York Times, Reuters, Chinaaid , The Washington Post

Embora os governos da China e dos Estados Unidos mantenham silêncio quanto ao paradeiro do dissidente cego Chen Guangcheng, que fugiu de prisão domiciliar há quase uma semana, ativistas informaram neste sábado que ele se encontra "sob proteção americana" e que não tem intenção de pedir asilo político.

O grupo de direitos humanos ChinaAid disse à imprensa internacional que há negociações em curso entre Pequim e Washington e que o ativista deseja permanecer na China e continuar seus esforços pró-democracia.

"Ele acredita que a China está em um período de mudanças intensas e que não estamos muito distantes da última mudança fundamental", disse a ativista Hu Jia ao jornal americano The Washington Post neste sábado.

"Ele me disse que não quer pedir asilo político aos EUA. Pelo contrário, ele quer ficar na sua terra e continuar a lutar", acrescentou.

Em entrevista à BBC ainda na sexta-feira, a ativista disse ter-se encontrado com o dissidente na Embaixada dos EUA em Pequim, mas a informação não foi confirmada pelo governo americano.

A fuga do dissidente chega dias de uma visita da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, ao país. Ela vem pedindo que o país liberte o ativista.

Um dos ativistas mais famosos da China, Chen Guangcheng fugiu da prisão domiciliar no domingo passado e divulgou um vídeo dirigido ao primeiro-ministro do país, Wen Jiabao.

Ele cumpria sentença de prisão domiciliar desde que foi libertado da prisão, em 2010.

No vídeo que posto na internet pelo site de notícias sobre dissidentes Boxun, baseado nos Estados Unidos, Chen pede que Wen Jiabao investigue e processe autoridades locais que, de acordo com ele, teriam espancado membros de sua família.

O dissidente também pede garantias de segurança para sua família e faz um apelo ao governo chinês para que enfrente e puna a corrupção no país.

As autoridades da China foram alvo de críticas da comunidade internacional devido ao tratamento dado ao dissidente, que é cego. A filha de Chen chegou a ser proibida de frequentar uma escola e vários amigos ou simpatizantes do dissidente que tentaram visitá-lo teriam sido espancados.

O caso de Chen ficou famoso no mundo todo.

Chen Guangcheng é conhecido como o "advogado descalço". Ele perdeu a visão durante a infância, mas não completou estudos jurídicos formais, pois pessoas cegas não tem permissão de frequentar universidades na China.

Ele acusou autoridades locais de terem coagido mais de 7 mil mulheres de sua província a se submeterem a abortos ou esterilizações.

O ativista também prestou assessoria jurídica a fazendeiros em disputas de terras e fez campanha pela melhora no tratamento de pessoas portadoras de deficiências.

Especialistas em política externa dos EUA disseram que a situação coloca os Estados Unidos em uma posição diplomática nada invejável, principalmente ás vésperas da reunião para tratar de assuntos estratégicos e econômicos.

Apesar dos americanos estarem reclamado há tempo e repetidamente sobre o tratamento abusivo dispenasado a Chen, pelo governo chinês, a administração Obama não gostaria de enfrentar a empreitada de negociar os termos das condições de vida de Chen na China, que será interpretado por Pequim, como uma intolerável interferência nos assuntos internos do país.

Ao mesmo tempo, a diplomacia norte-americanos não se sentirá confortável em ver Chen, ser detido outra vez, assim que deixar a embaixada, como já está acontencendo com várias pessoas que o ajudaram durante sua fuga.

"Este é um momento crucial para a política diplomática dos direitos humanos dos EUA", disse Bob Fu, presidente da Texas Christian do ChinaAid, em um comunicado.

"Por causa da grande popularidade de Chen, o governo Obama deve manter-se firme em apoiá-lo sob o risco de perder credibilidade como um defensor da liberdade e do Estado de direito. Se há uma razão para que dissidentes chineses reverenciam os EUA, é para um momento como este."

Frank Jannuzi, chefe do escritório da Anistia Internacional em Washington disse que os maus tratos do passado sugere que Chen não deve ser devolvido sem um compromisso do governo chinês em respeitar os seus direitos. Ele acrescentou: "Se ele quer sair do país deve ser uma escolha sua não uma imposição do governo dos EUA ou da China."

Para os americanos e chineses o melhor é que essa situação fosse normalizada antes da chegada de Hillary Clinton, do secretário do Tesouro Timothy F. Geithner e de outras autoridades americans à Pequim, mas com a coplexidade do caso e o curto prazo que se dispõe dificilmente isso ocorerá.


27 de abr de 2012

Veto negociado – Merval Pereira

OPINIÃO
Veto negociado
Dilma vai vetar alguns pontos do Código Florestal aprovado pelo Congresso, tenta o impossível acalmar ambientalistas e não enfurecer os ruralistas

Charge- HUMBERTO – Jornal do Comercio (PE)

Postado por Merval Pereira
Fonte: Coluna do Merval Pereira – O Globo

Tudo indica que a presidente Dilma vetará mesmo alguns pontos do novo Código Florestal que foi aprovado pela Câmara, editando uma medida provisória que recuperaria parte do acordo acertado no Senado.

Seria uma maneira de não se confrontar com o Congresso como um todo, alegando que foi descumprido um compromisso negociado politicamente.

Os ambientalistas alegam que alguns pontos são essenciais, como a obrigatoriedade de recomposição das faixas de rio que foram desmatadas.

Eles entendem que da maneira como foi aprovado o texto, os agricultores ficam desobrigados de recuperar o que foi desmatado, o que caracterizaria uma anistia.

No acordo do Senado essa obrigação era explícita no texto do novo Código Florestal, e já foi fruto de muita negociação, pois os ambientalistas mais ortodoxos não queriam nem mesmo essa possibilidade de anistia, exigindo punição especialmente para os que desmataram depois do decreto de crimes ambientais de 2008.

Outro ponto importante para os ambientalistas é a obrigação de fazer o Cadastro Ambiental Rural (CAR), para definir a reserva legal e a Área de Preservação Permanente (APP).

Também seria preciso recolocar na lei a possibilidade de o Comitê de Bacias, onde têm assento os prefeitos, governadores, empresários, determinar medidas suplementares de proteção.

Por fim, mas não menos importante, os ambientalistas querem que seja retirada da legislação a permissão para que sejam autorizadas atividades “agropecuárias” nos topos dos morros, quando o acordo era para que apenas culturas permanentes como café, maçãs ou uvas fossem permitidas.

Os ambientalistas temem que a ampliação do conceito permita a criação de gado nas encostas dos morros.

Até o momento o governo não teme que o veto seja derrubado, pois acham difícil conseguir maioria absoluta contra a Presidente, ainda mais que o veto será feito em pontos específicos, não será total, e retomando o acordo do Senado.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, lembrou que existem compromissos assumidos por Dilma na campanha eleitoral que ela honrará.

Foi o mesmo que a própria presidente disse para seu ex-ministro do Meio Ambiente, atual Secretário do governo do Rio, Carlos Minc.

Ela assegurou, mesmo sem falar diretamente de vetos, que honraria os compromissos assumidos. Minc foi um de seus assessores para a área de Meio Ambiente durante a campanha.


*Acrescentamos subtítulo e charge ao texto original

23 de abr de 2012

Maluf com medo de parar na cadeia dos gringos

BRASIL - CORRUPÇÃO
Maluf com medo de parar na cadeia dos gringos
Maluf quer que o governo brasileiro, via Ministro da Justiça, dê um jeito dele contornar o pedido de prisão feito pela Interpol, a pedido da promotoria de Nova Iorque. A situação é a seguinte: como deputado federal, ele goza, por aqui, de privilégios, imunidades e foro especial, mas se ele por os pés fora do Brasil, vai em cana. Desde março de 2010 que Maluf não pratica seu esporte predileto: fazer turismo em paraísos fiscais.

Foto: Valter Campanato/ABr

Maluf que jeitinho do governo para ele não ser prese no exterior.

Postado por Toinho de Passira
Fonte: Congresso em Foco, ”thepassiranews”, O Globo

Na sua coluna no site Congresso em Foco, o jornalista Leandro Mazzini, diz que o deputado paulista, Paulo Maluf, o patrono dos corruptos brasilerios, na lista de procurados pela Interpol, em 181 países, esta enchendo o saco do ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, para que seja encontrado um ‘jeitinho’ dele não ser capturado, caso ultrapasse as fronteiras brasileiras.

Atualmente Maluf só está livre das garras da Interpol, no Brasil, pois nossa legislação não permite que um brasileiro nato possa ser extraditado.

Acusado pela Promotoria de Nova York pelos crimes de conspiração, auxílio na remessa de dinheiro ilegal para Nova York e roubo de dinheiro público em São Paulo. Segundo denúncia do promotor americano Robert Morgenthau, Paulo Maluf teria enviado, de janeiro a agosto de 1998, US$ 11,68 milhões de fundos roubados para uma conta nos Estados Unidos, que teria servido de ponte para encaminhar o dinheiro para a Ilha de Jersey.

Maluf está numa sinuca de bico, pelo visto seus advogados acreditam que ele seria absolvido caso acontecesse um julgamento, em Nova Iorque, mas para o julgamento acontecer, ele precisaria depor e está presente (não há julgamento à revelia por lá). A prisão de Maluf solicitada pela promotoria deve-se ao fato dele ter esnobado a justiça americana e ter deixado de comparecer inúmeras vezes, quando intimado a depor, num tribunal nova-iorquino. essa ó está na lista da Interpol porque não compareceu ao depoimento em NY.

Se ele tentar entrar em território americano será preso no primeiro aeroporto fora do Brasil que o avião que o conduzir aterrissar. Pelo visto ele não gostou de ficar preso por 40 dias, na Polícia Federal, em 2005, com os bens bloqueados, numa solicitação da Polícia Federal, mas acabou solto graças a um habeas corpus.

Segundo o colunista, o deputado tentou negociar seu depoimento na Embaixada dos Estados Unidos em Brasília, em vão. Agora, Cardozo intervém para que Maluf preste o depoimento por videoconferência.

”Apreciador de bons vinhos e viagens, sua maior prisão é não poder sair do Brasil”. Além do mais ele deve estar morrendo de saudades de suas contas numeradas na Suíça, de passear clandestino pelos bucólicos paraísos fiscais e lavar dinheiro comprando obras de arte em Paris.

Fotomontagem, sobre captura de video, de Toinho de Passira


22 de abr de 2012

Paul McCartney, o arretado

PERNAMBUCO
Paul McCartney, o arretado
Este sábado (21) vai ficar marcado na história de Pernambuco e das cerca de 60 mil pessoas que lotaram o Estádio do Arruda para assistir ao show do cantor britânico Paul McCartney. Crianças, adultos e idosos se entregaram a 3h de uma apresentação repleta de emoção

Foto: Marcos Hermes/Divulgaçao

Paul gritando aos recifenses: “...Povo arretado!”

Postado por Toinho de Passira
Fontes: G1, JC online, UOL, Diario de Pernambuco , Veja

Foi uma noite perfeita para milhares de fãs que rumaram para o estádio do Arruda, neste sábado (21), no Recife. Gente vinda de todos os cantos do país, para conferir de perto mais uma performance de Paul McCartney, 70, apresentando-se pela primeira vez na região Nordeste.

Os shows de Paul trouxe ao Recife fãs de outros estados do Nordeste. Segundo a produtora da turnê, 51% dos ingressos foram vendidos em Pernambuco e o restante ficou dividido entre os estados mais próximos: 12% para a Paraíba, 8% para o Rio Grande do Norte; 7% para o Ceará e 7% para o Alagoas. Fãs de São Paulo e do Rio de Janeiro corresponderam a 4% dos ingressos vendidos.

Foto: Marcos Hermes/Divulgaçao

Saindo do Hotel, acenando para os fãs

O ídolo de várias gerações desde a chegada ao aeroporto, no seu jato particular, às duas da manhã, não se fez de rogado, acessível dentro do possível, aos fãs e a imprensa. Apesar de ser uma estrela internacional, cercado de seguranças, chegou e saiu do hotel, acompanhado de sua esposa, com os vidros do utilitário que o transportava, abaixado, não economizando simpatia.Como já era de se esperar, no show não foi diferente, logo no ínicio, com o carregado sotaque britânico, saudou o público pernambucano e brasileiro em português, levando os fãs ao delírio, mais uma vez:

"Oi, Recife. Boa noite, pernambucanos. Esta noite eu vou tentar falar um pouquinho de português, mas vou falar mais inglês", dizendo o que todos os presentes ali queriam ouvir: ele cantaria, e muito, pelas próximas duas horas e meia.

Foto: Ivanildo Bezerra/Prefeitura-Recife

Um destino especial de ônibus foi criado, a linha Paul McCartney: as pessoas podiam deixar sues carros estacionados no shopping Tacaruna e ir de ônibus até o local do show

O show começou com "Magical Mystery Tour", "Juniors Farm" e "All My Loving". Simpático, ele dançou, gesticulou, acenou e agradou muito os fãs. O público do Recife foi o primeiro, entre os brasileiros, a ouvir "Night before" ao vivo, segundo o própiro Paul. Os românticos também foram contemplados. Para a atual esposa, Nancy Shevell, 52, ele cantou "My Valentine", canção do disco novo composta para ela e executada de surpresa, pela primeira vez no seu casamento. Na sequência, foi a vez de lembrar Linda McCartney, inspiração de "Maybe I'm amazed".

Os telões da lateral do palco acabam se tornando um personagem à parte. Quando a banda executou "Blackbird", uma lua imensa tomou conta, fazendo ainda mais bonita a noite do Recife, verdadeiramente inesquecível, para quem estava no Arruda.

Extremamente simpático, Paul fazia a alegria dos fãs a cada intervalo de músicas. Em um período de 20 minutos, ele perguntou "Tá tudo ótimo?" três vezes. O baterista Abe Laboriel Jr. também agradou em cheio, com mímicas, dancinhas durante "Dance Tonight" e mugangas ao longo do show, transmitidas no telão, levaram o Arruda às gargalhadas.

Foto: Marcos Hermes/Divulgaçao

Antes do show circulou pelo Arruda um novo boneco gigante de Olinda, Sir Paul McCartney

Por volta das 22h50 aconteceu um dos momentos mais emocionantes do show, quando a banda de Paul começou a tocar Something. Fotos de George Harrison foram colocadas no telão.

Foto: Vanessa Bahé / G1

Maysa Valaskas sacrificou as economias e veio de São Paulo ao Recife para ver Paul McCartney

Durante a introdução de "Yellow Submarine" ele revelou, que tocava um instrumento havaiano, um ukulele ganho de presente de George. "

Entretanto, nenhum momento foi mais emocionante do que quando Paul começou a cantar Hey Jude, no bis, já por volta das 23h35. Um dos hinos dos Beatles, a música foi entoada por todo estádio, num clima de êxtase. De volta para o segundo bis, Paul carregava uma bandeira de Pernambuco, elevando ainda mais o clima de entusiasmo e simpatia.

Foto: Luiza Mendonça/G1

Por fim cantou "Yesterday" e "Helter skelter" e tocou ao piano "Golden slumbers". E voltou a falar em português:

"É hora de partir". A plateia reclamou, disse que não, ele retrucou, dizendo que sim. E encerrou, ainda em português. "Mas nós temos que partir. Não vamos dizer tchau, vamos dizer até a próxima", despedindo-se do público sob uma chuva de papel picado.

Foto: Marcos Hermes/Divulgaçao

O dia em que os pernambucanos viraram Beatles


21 de abr de 2012

Os trapalhões do serviço secreto americano e as prostitutas colombianas

ESTADOS UNIDOS
Os trapalhões do serviço secreto americano
e as prostitutas colombianas

Pelo menos três agentes do serviço secreto americano já foram afastados do cargo e outros 11 estão sendo investigados, por terem "interagido", com prostitutas, no hotel, onde estava hospedado o presidente Obama durante sua visita a Colômbia.

CHARGE: Olle Johansson- Norra Västerbotten - Suiça

Onde está o seu canhão?

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Semana , New York Daily News, The New York Times, G1 , Jornal do Brasil

A noticia escandalosa de que agentes do Serviço Secreto e alguns militares dos EUA levaram 20 prostitutas para um hotel em Cartagena, na Colômbia, onde o presidente Barack Obama se hospedou, durante a Cúpula das Américas, na semana passada, acabou abafando a morna participação do mandatário americano, no evento e pôs em cheque o lendário e cinematográfico profissionalismo do pessoal encarregado da segurança do presidente dos Estados Unidos da América.

Devido a existência da Guerrilha da FARC (Forças Armadas Revolucionarias da Colômbia) que mesmo enfraquecida é a principal responsável pelos altos índices de violências no país, que inclui atentados terroristas, envolvimento com carteis de drogas e sequestros de políticos, imagina-se que as preocupações e os cuidados com a segurança do Presidente dos Estados Unidos, em local tão sensível teriam sido redobradas. Pelo menos é o que se esperava.

Foto: New York Daily News

Dania Suarez, 24, a garota de programa que abalou sozinha o poderoso serviço secreto americano

Mas a atuação dos agentes americanos, encarregados de fazer a segurança de Barack Obama na Colômbia, nada tem a ver com a seriedade da missão, pareciam estar atuando num filme pastelão tipo “Loucademia de Polícia”.

A história de que os americanos militares e civis encarregados da segurança do presidente infiltraram no Hotel onde se hospedavam para proteger Obama, pelo menos 20 prostitutas, veio a público, porque uma das garotas, Dania Suarez, armou um barraco, pelo o não cumprimento economico do acordo bilateral. Segundo ela, a paga combinada pela noite de sexo seria 800 dólares, e o americano do serviço secreto, pela manhã, após ter recebido o serviço, só se dispôs a pagar 50.000 pesos, o equivalente 30 dólares.

Dani reclamou, foi ameaçada, aparentemente sem saber quem era o seu cliente, acionou a segurança do hotel, a polícia local foi chamada e a história acabou vazando para o batalhão de jornalistas, de todo mundo, que estava em Cartagena para cobrir o evento.

Dania virou celebridade instantanea, foi entrevistada pelo The New York Times, teve a foto publicada nos principais jornais do planeta e um advogado colombiano, a fez cliente, dizendo que o serviço secreto americano vai ser processado, além da possiblidade dela escrever um livro, sobre a experiência. Ao New York Times Dania, disse porém, que stá morrendo de medo de uma retaliação violenta por parte dos americanos.

Foto: Mandel Ngan/Agence France-Presse/Getty-Images

Hotel El Caribe, em Cartagena, na Colômbia, local onde a festinha aconteceu

Ao que se sabe onze agentes do serviço secreto encarregado da segurança de Obama e pelo menos 10 militares, entre os quais membros das forças especiais do Exército e dos Marines, estão sendo investigados pela conduta irregular.

No primeiro momento, noticiou-se que três agentes do Serviço Secreto foram afastados: um funcionário de "supervisão" será aposentado compulsoriamente, outro já recebeu a notícia de que será demitido e um terceiro renunciou ao cargo.

O que restou de sério do Serviço Secreto está investigando a fundo, tentando obter informações detalhadas, sobre até onde foram quebrados os protocolos de segurança. Se as mulheres tiveram acesso a documentos, equipamentos, planos de segurança, etc.

Os programas da TV americana e cartunistas de todo mundo têm se deliciado com o incidente.

A companhia aérea norte-americana Spirit lançou uma campanha promocional, que mostra um agente, mulheres quase nuas e uma frase de duplo sentido - "More bang for your buck", ou algo como "Mais diversão para seu dinheiro", oferecendo voos para Cartagena e outros destinos por US$ 19,80, mas ironicamente acrescenta ao final: "é solicitado pagamento adiantado".

CHARGE : Michael Ramirez - Investor BusinesDaily-USA


20 de abr de 2012

CHARGE: PLACIDE - França


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Placide- França


Tudo indica que Sarkozy vai perder as eleições

FRANÇA – ELEIÇÕES
Tudo indica que Sarkozy vai perder as eleições
O primeiro turno das eleições francesas, para presidente da republica, neste domingo, levará para o segundo turno, dois candidatos, entre os dez disputantes. O conservador Nicolas Sarkozy, tentando a reeleição e o socialista François Hollande, da chamada "esquerda-caviar" parisiense, devem ser os credenciados nas urnas. As pesquisas apontam um empate técnico no primeiro turno, com Hollande ligeiramente à frente. Mas para o segundo turno, no começo de maio, as pesquisas indicam que uma derrota fragorosa aguarda Nicolas Sarkozy.

Fotos: Getty Images

Sarkozy e Hollande, os prováveis mais votados no primeiro turno

Postado por Toinho de Passira
Fonte: Reuters

Segundo a agência de notícias Reuters, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, está encurralado no cenário eleitoral. Usou o seu penúltimo comício para minimizar as pesquisas ruins para sua candidatura a um novo mandato, a três dias do primeiro turno. Fez um discurso desafiador, ameaçando dar uma "lição" na oposição de esquerda.

Todas as pesquisas indicam um amplo favoritismo do socialista François Hollande no segundo turno da eleição, em 6 de maio.

O penúltimo comício do presidente conservador antes do primeiro turno aconteceu em subúrbio sofisticado de Paris. Num discurso que alternou gritos e sussurros, Sarkozy prometeu reduzir a imigração pela metade, reformar os benefícios para desempregados e pressionar a União Europeia a impor condições mais duras no comércio com nações emergentes.

Mas o principal alvo do discurso foi a "esquerda-caviar" parisiense, que teria, junto à imprensa, decidido de antemão o resultado da eleição, sem esperar a voz das urnas.

Foto: Getty Images

Sarkozy em desvantagem desafia a esquerda francesa e a imprensa

"(A eleição) vai ensinar a toda essa gente uma lição que nunca ninguém ensinou antes", disse ele a cerca de 500 simpatizantes, sem especificar se a "lição" seria a sua vitória eleitoral, ou apenas um resultado melhor do que preveem as pesquisas.

"São nove contra um", disse ele sobre o primeiro turno, com dez candidatos. "Mas o povo da França recusa que lhe diga o que fazer."

Sarkozy chega à eleição com aprovação popular de 33 por cento, menor índice já registrado por um presidente tentando a reeleição na França.

Uma pesquisa do instituto BVA nesta semana apontou Hollande com 29,5 por cento das intenções de voto no primeiro turno, 2 pontos percentuais à frente de Sarkozy. Para o segundo turno, porém, o socialista lidera com folga: 56 x 44 por cento.

Entre os partidários de Sarkozy, o clima na reta final da campanha é um misto de esperança cautelosa, combatividade e tom desafiador contra a imprensa.

"Vocês, jornalistas, deveriam estar sentados atrás; vocês não merecem estar na frente", gritou uma idosa a jornalistas no comício em Saint-Maurice, pitoresco subúrbio com 15 mil habitantes e um prefeito de centro-direita.

Fotos: Getty Images

Os dez candidatos de 2012 eleições presidenciais francesas: Nathalie Arthaud (Lutte Ouvrière) François Bayrou (MoDem), Jacques Cheminade (liberais Solidarité et), Nicolas Dupont-Aignan (Debout la Republique), François Hollande (Partido Socialista), Eva Joly (Europe-Ecologie Les Verts), Marine Le Pen (Frente Nacional), Jean-Luc Mélenchon (Front de Gauche), Philippe Poutou (Nouveau Parti anticapitalista), e atual presidente Nicolas Sarkozy (UMP).


PERFIL: Hollande, o "Sr. Normal", é favorito na eleição

FRANÇA – ELEIÇÕES
PERFIL: Hollande, o "Sr. Normal", é favorito
“Para além das políticas econômicas que são cruciais na atual eleição, Hollande tem uma agenda política típica da centro-esquerda moderna: ele promete autorizar o casamento entre homossexuais, permitir a adoção de crianças por casais do mesmo sexo, e legalizar a eutanásia sob rígidas condições. E diz que não tem a intenção de se casar de papel passado com sua companheira.”

Foto: Associated Press

Brian Love
Fonte: Reuters

A primeira coisa que François Hollande, o "Sr. Normal", planeja fazer caso se torne o primeiro socialista a governar a França em 17 anos será reduzir o próprio salário em 30 por cento.

Uma coisa que ele promete não fazer é promover nacionalizações e gastos públicos desenfreados, como fez o último presidente socialista da França, François Mitterrand, no começo do seu governo (1981-95).

Hollande, de 57 anos, é um político moderado de centro-esquerda, cuja campanha se baseia no compromisso de eliminar o déficit público da França até 2017, elevando impostos, principalmente dos ricos, para financiar gastos públicos prioritários em áreas como a educação.

Tal posição é criticada por muitos economistas que argumentam que a França deveria cortar profundamente os gastos públicos e reduzir o papel do Estado para confrontar a dívida pública, estimular a economia e tornar o país internacionalmente mais competitivo.

Mas Holland argumenta que medidas de austeridade como as recentemente adotadas pela Grécia seriam um tiro no pé, por reduzir a atividade econômica e, consequentemente, a arrecadação tributária, o que acaba elevando o déficit ao invés de reduzi-lo.

Foto: Getty Images

Valerie Trierweiler, a jornalista, companheira do candidato Hollande, poderá ser uma primeira dama, sem casamento formal

Para além das políticas econômicas que são cruciais na atual eleição, Hollande tem uma agenda política típica da centro-esquerda moderna: ele promete autorizar o casamento entre homossexuais, permitir a adoção de crianças por casais do mesmo sexo, e legalizar a eutanásia sob rígidas condições. E diz que não tem a intenção de se casar de papel passado com sua companheira, a elegante jornalista Valerie Trierweiler.

Ele se define como o "Sr. Normal" que o país precisa após cinco anos de governo de Nicolas Sarkozy, um político com momentos de narcisismo e fanfarronice, o que lhe rendeu o apelido de "presidente brilhareco".

Hollande costumava ir trabalhar de motoneta até que os compromissos da campanha e as regras de segurança o obrigaram a aposentar seu modesto meio de transporte. Até recentemente, ele era mais conhecido internacionalmente por ser o ex-companheiro de Ségolène Royal, a fotogênica política socialista com quem ele teve quatro filhos e que foi candidata derrotada à Presidência em 2007. O casal se separou após a campanha.

Sua atual parceira, a jornalista Valerie Trierweiler, diz que pretende continuar trabalhando, mesmo se Hollande for eleito, para ajudar a sustentar os três filhos dela de um casamento anterior.

SERIEDADE

Hollande tem uma verve afiada. Até a ex-primeira-dama Bernadette Chirac, que lhe faz oposição como deputada no Conselho Geral (assembleia deliberativa) do Departamento da Corrèze, presidido por Hollande, admitiu certa vez: "Ele é muito engraçado. Ele sabe trabalhar uma multidão, um mercado, uma feira, uma Câmara de Vereadores".

Sua natural jovialidade ficou em segundo plano, mas sem desaparecer, no momento em que ele busca transmitir a seriedade de um estadista. Ele nunca foi ministro, e sua carreira foi toda traçada na política regional e dentro do Partido Socialista.

Depois de atuar à sombra durante os dois mandatos presidenciais de Mitterrand, ele unificou o partido no turbulento período de dez anos em que serviu como primeiro-secretário (1997-2007).

Críticos o acusam de ser inexperiente, insosso e indeciso. Humoristas o apelidaram de "Flanby", em alusão a um pudim industrializado. Apoiadores dizem que seu ponto forte é a capacidade de formar consensos.

Hollande emagreceu e melhorou o visual para disputar a eleição. Fez uma dieta-relâmpago que o privou de uma das suas grandes paixões, o bolo de chocolate, e trocou os óculos tipo fundo de garrafa por modelos mais modernos, sem armação.

Nascido a 12 de agosto de 1954 em uma família de classe média de Ruão (noroeste), Hollande é filho de um médico e de uma assistente social. Desde jovem, dizia a parentes e amigos que gostaria de um dia ser presidente.

Após se mudar para a região de Paris em 1968, ele frequentou a conceituada escola de gestão HEC, e se formou no final da década de 1970 pela Escola Nacional de Administração, que prepara gestores públicos e por onde grande parte da elite política francesa passa.

De lá, começou uma carreira política como assessor de Mitterrand em 1981, junto com Royal.

Outra coisa que ele promete fazer imediatamente se ganhar a eleição é telefonar para dar a notícia ao seu pai idoso, que atuou politicamente junto à extrema direita na década de 1960, por discordar do processo de independência da Argélia, então colônia francesa.


PERFIL: Estilo de Sarkozy vira um fardo na sua campanha

FRANÇA – ELEIÇÕES
PERFIL: Estilo de Sarkozy vira um fardo na sua campanha
“Aos olhos de muitos eleitores, o maior fracasso de Sarkozy é que, ao invés de acabar com a praga do desemprego, como ele prometeu apaixonadamente, os pedidos de seguro-desemprego cresceram em 750 mil, atingido seu maior nível em 12 anos, devido à crise econômica”.

Foto: Reuters

Catherine Bremer
Fonte: Reuters

Em cinco anos, Nicolas Sarkozy deixou de ser um político que conquistou a França com discursos enérgicos, nos quais prometia colocar dinheiro no bolso dos trabalhadores, para se tornar o mais impopular presidente a tentar a reeleição na história do país.

Em 2007, o conservador Sarkozy atraiu eleitores jovens, operários e centristas com uma campanha agressiva e com a determinação de alcançar o poder apesar de ser filho de um imigrante húngaro e de não ter tido a mesma formação elitista de outros políticos.

Na sua dura batalha para conquistar um segundo mandato em 6 de maio, o jeito impetuoso e agressivo que tanto ajudou Sarkozy há cinco anos desta vez não está seduzindo o eleitorado francês - muito pelo contrário. Sua popularidade atual é a mais baixa desde o começo do mandato.

O presidente lidou com habilidade com uma série de crises internacionais recentes, mas as preocupações econômicas do eleitorado parecem pesar mais. Uma pesquisa do instituto Ifop publicada uma semana antes do primeiro turno da eleição, que será no domingo, mostrou que 64 por cento dos entrevistados estão descontentes com a atuação dele, contra apenas 36 por cento de satisfeitos.

O único outro presidente francês a tentar a reeleição com um grau de aprovação tão baixo foi o conservador Valery Giscard d'Estaing, que tinha apenas 40 por cento de poio quando foi derrotado pelo socialista François Mitterrand em 1981.

Aos olhos de muitos eleitores, o maior fracasso de Sarkozy é que, ao invés de acabar com a praga do desemprego, como ele prometeu apaixonadamente, os pedidos de seguro-desemprego cresceram em 750 mil, atingido seu maior nível em 12 anos, devido à crise econômica.

As principais reformas aprovadas pelo presidente - elevar a idade mínima de aposentadoria de 60 para 62 anos, abrandar a jornada semanal de 35 horas de trabalho, dar mais autonomia às universidades e alterar o sistema tributário para incentivar as horas extras e a propriedade imobiliária - de pouco serviram para lhe dar crédito entre os eleitores.

Em sua campanha deste ano Sarkozy promete reformar o mercado trabalhista e o sistema tributário para estimular a indústria e a geração de empregos. Ele também propõe reduzir a imigração legal pela metade, e convocar referendos para aprovar medidas importantes.

Propostas à parte, muitos franceses dizem sentir repulsa pelo estilo pessoal insolente do presidente, e podem votar mais para se livrar de Sarkozy do que por entusiasmo pelo candidato favorito, o socialista François Hollande

Eleitores de centro se sentem especialmente alienados pelas posições radicais que Sarkozy adota com relação à imigração e à integração europeia, numa estratégia para tentar conquistar os votos de eleitores do partido ultradireitista Frente Nacional. Até mesmo os simpatizantes dele se sentem incomodados com a publicidade que cercou o fim do seu casamento, após poucos meses de mandato, e o espalhafatoso namoro com a supermodelo Carla Bruni, que viria a se tornar sua terceira mulher.

"COMETI UM ERRO"

Sarkozy, de 57 anos, recentemente pediu desculpas pelos rompantes do começo de mandato, e admitiu ter passado uma imagem errada ao comemorar a vitória eleitoral de 2007 com amigos milionários em um restaurante chique, e ao tomar emprestado um iate de um empresário.

Ele manifestou arrependimento por ter tentado garantir um cargo público para o seu filho universitário e por ter batido boca com um pescador que o insultou, em 2007, durante uma acalorada discussão por causa do preço do combustível. Ele prometeu ser um presidente diferente se for reeleito.

"Cometi um erro", disse ele ao canal de TV France 2, sobre o incidente com o pescador. "Quando alguém me insulta, eu não gosto, mas como presidente eu não deveria ter reagido assim."

Isso não adiantou para melhorar sua popularidade, e muitos eleitores que votaram nele sem maior compromisso em 2007 afirmam que desta vez vão votar em branco ou na esquerda.

Foto: Reuters

Após o escândalo do fim do casamento, no início do mandato, o badalado namoro com a supermodelo Carla Bruni, que viria a se tornar sua terceira mulher, com quem teve uma filha, gerada no Palais de l'Élysée

Advogado de formação, Sarkozy, construiu sua base política como prefeito do rico subúrbio parisiense de Neuilly, e angariou atenção nacional ao entrar numa creche para resgatar crianças sequestradas por um homem apelidado de "Bomba Humana".

Tornou-se braço-direito do primeiro-ministro Edouard Balladur, como ministro do Orçamento entre 1993 e 95, e como porta-voz da sua malfadada campanha presidencial, dando as costas ao seu mentor, Jacques Chirac. Depois que Chirac ganhou a eleição em 1995, Sarkozy passou sete anos no limbo político.

Voltou como um duro ministro do Interior de 2002 a 2007, com um intervalo na pasta das Finanças entre 2004 e 2005. Nesse período, a contragosto de Chirac, conquistou o controle do partido governista UMP.

Quando explodiu a crise financeira global de 2008, Sarkozy adotou um tom anticapitalista, prometendo punir especuladores e defendendo um forte papel do Estado na economia. Ele liderou a reação europeia e ajudou a criar as cúpulas do G20 (grandes economias mundiais), dando mais voz às grandes nações emergentes.

Sarkozy melhorou as relações com os EUA, colocando forças francesas no comando militar da Otan pela primeira vez desde 1966. Negociou um cessar-fogo na breve guerra de 2008 entre Rússia e Geórgia e comandou a ação militar ocidental na Líbia no ano passado.

Ridicularizado por seus saltos plataforma e por seu jeito agitado, o diminuto Sarkozy tenta parecer mais presidencial, mas recentemente escorregou em agressivas discussões com jornalistas e adversários políticos.


19 de abr de 2012

CHARGE: HUMBERTO - Jornal do Comércio (PE)



HUMBERTO- Jornal do Comércio (PE)


Congresso cria a CPI de Carlinhos Cachoeira

BRASIL - CORRUPÇÃO
Congresso cria a CPI de Carlinhos Cachoeira
O Congresso Nacional criou na manhã desta quinta-feira (19) a comissão parlamentar mista de inquérito (CPMI) que irá investigar os crimes cometidos pelo contraventor Carlos Cachoeira e o seu envolvimento com deputados e senadores, além de outros agentes públicos e privados. As relações de Cachoeira foram desmontadas pela Polícia Federal nas operações Vegas e Monte Carlo.

Foto: José Cruz/ABr

A vice-presidente do Congresso, deputada Rose de Freitas, que substitui Sarney ainda hospitalizado, durante sessão que criou oficialmente a comissão parlamentar mista de inquérito (CPMI) que vai investigar as relações do empresário de jogos de azar Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com parlamentares e agentes públicos e privados

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Congresso em Foco, Agência Brasil

Em sessão extraordinária, o primeiro-secretário do Congresso, deputado Eduardo Gomes (PSDB-TO), leu em plenário o requerimento de instalação da CPMI. Dessa forma, ela está praticamente criada. A presidente interina do Congresso, deputada Rose de Freitas (PMDB-ES), marcou para a próxima terça-feira (24) a sessão para a leitura dos nomes indicados pelos partidos para compor a comissão, que será formada por 15 deputados e 15 senadores, e igual número de suplentes.

Na contagem final das assinaturas, foram contabilizadas 337 na Câmara e 72 no Senado, números mais do que suficientes para criar uma CPI, que regimentalmente exige a assinatura de 171 deputados e 27 senadores. No entanto, até a meia-noite de hoje (19) os parlamentares ainda podem inserir ou retirar assinaturas.

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Na sessão do Congresso Nacional que instalou a CPMI de cachoeira, os senadores Alvaro Dias (PSDB-PR), Pedro Taques (PDT-MT), Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e Ana Amélia (PP-RS)

Líderes de partidos da base governista negaram a intenção do governo de realizar uma “operação abafa”. De acordo com o presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), a informação de que o governo da presidenta Dilma Rousseff estaria manobrando para manter o controle sobre a CPMI é “fruto da imaginação de quem está trabalhando com isso”. “Não há nenhuma previsão do governo de controlar os trabalhos da CPI. Vamos investigar essa quadrilha que se formou no país e manteve relações com vários agentes públicos”, disse.

O foco da apuração começa pelas relações e negócios do bicheiro Carlos Augusto Ramos com o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) e a construtora Delta, uma das maiores do país, responsável por várias obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal.

De saída, os primeiros passos da investigação já deverão deixar um forte rastilho de pólvora. O mapeamento das verbas recebidas pela empreiteira e dos pagamentos a fornecedores dela, incluindo empresas de fachada, levam a Polícia Federal a suspeitar que o dinheiro desviado pode ter alimentado também campanhas eleitorais em 2010. Os indícios levantados têm potencial para atingir os estados de Goiás, dirigido pelo PSDB, mas também o Distrito Federal, comandado pelo PT, e até talvez o governo federal da presidente Dilma Rousseff.

Os membros da comissão já começam a ser definidos nos partidos, principalmente da oposição. O DEM escalou o senador Jayme Campos (MT) e os deputados Onyx Lorenzoni (RS) e Mendonça Prado (SE). O PSDB terá os deputados Delegado Francischini (PR) e Carlos Sampaio (SP) e é esperado que o senador Randolfe Rodrigues (AP), do PSOL, ocupe uma vaga destinada aos tucanos.

No PMDB, a deputada Dona Íris (GO) quer participar para investigar o grupo político do governador Marconi Perillo (PSDB), adversário político dela e do marido, o ex-governador Íris Rezende (PMDB). Como mostrou o Congresso em Foco, a CPI deve atingir alvos também no PT, no PP e em outros estados.

Quem serão os alvos principais da CPI
e o que já se sabe sobre eles

Foto: Aílton de Freitas/O Globo

Senador Demóstenes Torres e o seu comparsa Carlinhos Cachoeira, os principais investigados.

Fonte: Congresso em Foco

Carlinhos Cachoeira
O bicheiro é o principal alvo das operações Vegas e Monte Carlo, da Polícia Federal. As investigações deslindaram o esquema ilegal de exploração de jogo por parte do empresário. Por conta delas, Cachoeira foi preso, inicialmente na penitenciária de Mossoró (RN), e agora na penitenciária da Papuda (DF). As operações da PF mostram que Cachoeira montou uma vasta rede de apoio político, que tinham no senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) seu nome mais notório. Além das ações irregulares, Cachoeira ainda montou um amplo esquema de espionagem, usando arapongas de sua confiança. Assim, ele teria vídeos e gravações comprometedoras de várias pessoas do mundo político.

Delta Construções

O mundo do jogo não é a única área de interesse de Cachoeira, pelo que mostram as investigações. Ele tinha contatos com a maior empreiteira do PAC do governo federal. A Delta Construções atua em estados como Goiás, Distrito Federal, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Tocantins. Há várias menções à construtora nas investigações. De acordo com grampos incluídos nos inquéritos das Operações Vegas e Monte Carlo, da Polícia Federal, o presidente da empresa, Fernando Cavendish, amigo do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), diz que, com R$ 30 milhões, pode obter com políticos o contrato que quiser para sua empresa. Movimentações financeiras mostram que a Delta pagou a duas empresas de fachada e um irmão de Carlinhos Cachoeira. Só de uma conta de empresa de fachada, o contador de Cachoeira sacou R$ 8,5 milhões. A suspeita é que o dinheiro tenha abastecido o caixa dois de campanhas eleitorais em 2010. Uma dessas empresas comprou uma fazenda no Distrito Federal em uma área irregular. Há uma troca de telefonemas entre os investigados revelando a intenção de subornar servidores do Governo de Distrito Federal para legalizar a área.

Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), senador

Demóstenes foi o primeiro nome a surgir depois da prisão de Cachoeira. As investigações mostram uma íntima ligação entre o bicheiro e o senador, e seus indícios apontam para a hipótese de Demóstenes ter atuado mesmo como uma espécie de lobista do bicheiro e de seus interesses no Congresso. As investigações incialmente mostraram que havia uma intensa troca de telefonemas entre Demóstenes e Cachoeira. Depois, descobriu-se que Cachoeira comprara em Miami rádios-telefones do tipo Nextel para falar com Demóstenes com risco menor de ser grampeado. Nas conversas, Demóstenes é tratado por Cachoeira como “doutor”, e trata o bicheiro pelo apelido de “professor”. Há várias e graves menções a Demóstenes. Os dois são flagrados negociando mudanças em projeto de lei para regulamentar jogos. Demóstenes ainda negocia uma obra do PAC a ser tocada pela Delta, afirmando ter convencido o prefeito de Anápolis, Antônio Gomide, a dar preferência para a empreiteira. Cachoeira pede a Demóstenes que impeça a convocação de Fernando Cavendish, da Delta, em uma comissão do Congresso. Em outra conversa, o senador pede ao bicheiro dinheiro para pagar o aluguel de um táxi aéreo. Cachoeira pede a interferência do senador em decisões de magistrados. As áreas de interesse mostradas nas conversas são variadas: Demóstenes tem interesse em licitações de informática para Infraero; ele também pede a Cachoeira uma forma de obter contratos de publicidade para a organização da Copa do Mundo em Mato Grosso; conversam sobre a demissão de uma funcionária apadrinhada de Cachoeira na cota do gabinete de Demóstenes, para evitar que se descubram servidores fantasmas. Demóstenes ainda defende os interesses da empresa farmacêutica Vitapan, de Cachoeira, perante a Anvisa.

Marconi Perillo (PSDB), governador de Goiás(foto)

A chefe de gabinete do governador de Goiás foi demitida depois de flagrada vazando informações de investigações da Polícia Federal ao prefeito de Águas Lindas (GO). Grampos telefônicos mostram que Cachoeira conseguia nomear apadrinhados políticos no governo de Perillo. O governador diz que só conversou com o bicheiro para falar de assuntos da indústria farmacêutica. A Delta tem contrato de locação de veículos no estado.

Agnelo Queiroz (PT), governador do Distrito Federal

Escutas telefônicas mostram interlocutores dizendo que Agnelo pediu um encontro com Cachoeira. Os grampos ainda revelam a tentativa do grupo de emplacar apadrinhados no Governo do Distrito Federal, que mantém contratos com a Delta na área de coleta de lixo. Diálogos sugerem que o grupo de Cachoeira pagou a servidores do governo de Brasília para que a Delta recebesse pelos serviços prestados. Também há indícios de que o governo do Distrito Federal acessou dados sigilosos de adversários. Da Casa Militar do GDF, por exemplo, policiais acessaram dados do deputado Francisco Francischini (PSDB-PR), logo depois de ele fazer um pedido de prisão do governador Agnelo Queiroz.

Rubens Otoni (PT-GO), deputado federal

Presidente do PT goiano, o deputado federal Rubens Otoni, é flagrado em vídeo numa conversa com Cachoeira. O bicheiro lembra de uma doação de campanha feita a ele, e oferece mais R$ 100 mil, desde que isso não seja declarado. Na conversa, Otoni concorda com as condições propostas por Cachoeira.

Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO), deputado federal

Grampos mostram Leréia cobrando do vereador Wladimir Garcez, ligado a Cachoeira e a Marconi Perillo, o depósito de dinheiro em uma conta corrente. Amigo de Cachoeira, Leréia diz que tem sociedade em um avião com o irmão do bicheiro.

Jovair Arantes (PTB-GO), deputado federal

Pediu doação a Cachoeira à sua pré-campanha para prefeito de Goiânia. “Não tenho relação comercial com ele”, afirmou Jovair. “Sabia que ele lidava com jogo legal.”

Sandes Júnior (PP-GO), deputado federal

Teve o nome citado nas investigações, em conversas que falavam de valores em dinheiro. Segundo o deputado, era um pagamento referente à rescisão de um contrato que tinha com a uma rádio de Goiânia, Rádio Positiva.

Stepan Necerssian (PPS-RJ), deputado federal (foto)
Tomou emprestados R$ 175 mil de Cachoeira, segundo ele para comprar um apartamento e ingresso para o desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro. Diz que já devolveu o dinheiro.

Idalberto Matias, ex-sargento, e Joaquim Thomé, ex-policial federal


Arapongas a serviço de Cachoeira. Idalberto Matias, o Dadá, é ex-sargento da Aeronáutica e presta serviços de arapongagem para policiais, promotores e procuradores do Ministério Público e outros investigadores. É fonte de alguns jornalistas em Brasília. Colaborou com a Operação Satiagraha, coordenada pelo Delegado Protógenes (PCdoB-SP). De acordo com a Operação “Monte Carlo, ele fez escutas e interceptações ilegais de mensagens eletrônicas para Carlinhos Cachoeira, em parceria com o ex-agente da Polícia Federal Joaquim Gomes Thomé Neto.

Jornalistas

Membros do PT esforçam-se para comprometer na investigação a revista Veja, a publicação impressa de maior circulação do país. Há trechos nos inquéritos das operações Vegas e Monte Carlo que mostram uma relação entre o chefe da sucursal da revista em Brasília, Policarpo Júnior, e Carlinhos Cachoeira. Tudo indica que se tratou apenas de uma relação profissional entre jornalista e fonte. Mas os petistas dizem suspeitar que vídeos e gravações usadas em reportagens da revista, a começar pela denúncia de corrupção nos Correios em 2005 (que desembocou no caso do mensalão), tinham como origem os arapongas de Cachoeira, e poderiam servir aos seus propósitos. Há outros jornalistas citados nos inquéritos.

Existe potencial para também serem envolvidos na CPI…

Governos e governadores de Mato Grosso, do Tocantins, do Rio de Janeiro, de Minas Gerais, prefeituras de Belo Horizonte e de outros municípios, além de integrantes do Ministério Público – sem falar do grande número de políticos de atuação meramente local ou regional já citados nas investigações da Polícia Federal.


Cristina Kirchner: o perturbador calote petrolífero

ARGENTINA
Cristina Kirchner: o pertubador calote petrolifero
Enquanto o governo argentino anuncia que não vai pagar nem um “peso furado” pela estatização da petroleira YPF, diante da fatura de US$ 10 bilhões exigidos pela espanhola Repsol. A Petrobras que opera na Argentina desde 1993 e no ano passado, respondeu por 6% da exploração e 14,1% do refino de petróleo e derivados portenho, põe as barbas de molho, até porque, antes mesmo da estatização da YPF, os argentinos já atacaram a petrolífera brasileira, de forma desleal e faltosa, como costumam fazer no futebol.

Charge Financial Times

Cristina Kirchner retratada numa charge na publicação inglesa The Economist.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: G1, BBC Brasil, El Clarin, Petronoticias, ”thepassiranews”, Financial Times, La Nacion

No dia seguinte do anúncio da estatização da petroleira YPF, o governo argentino disse que não vai pagar os US$ 10 bilhões exigidos pela espanhola Repsol.

O senado argentino passou a tarde discutindo a desapropriação da YPF. O ministro do planejamento, Julio de Vido, que assumiu o controle da petroleira, usou fotos para mostrar supostos danos ambientais provocados pela YPF, na província de Mendoza. Ele disse que a empresa terá que pagar por isso.

O vice-ministro da economia, Axel Kicillof, disse ainda que a YPF tem uma dívida de US$ 9 bilhões e, por isso, o governo argentino não vai pagar o que Repsol exige receber pela expropriação.

A petroleira espanhola diz que vai cobrar indenização de US$ 10 bilhões.

O primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, saiu em defesa da YPF. Disse que há um profundo mal-estar. "É uma decisão que rompe o entendimento que sempre existiu entre os dois países."

O embaixador argentino foi convocado para prestar esclarecimentos em Madri. Para o chanceler espanhol, a Argentina deu um tiro no pé e vai perder a confiança do mundo. A chanceler da União Europeia, Catherine Ashton, disse que o governo argentino precisa cumprir com os compromissos firmados com investidores europeus.

A Argentina já vinha recebendo menos investimentos estrangeiros, no ano passado foram US$ 6 bilhões. Para o mercado, a insegurança jurídica na Argentina deverá reduzir ainda mais o interesse dos investidores. Mas Cristina Kirchner deixa claro que vai mesmo seguir o rumo da intervenção.

Foto: Getty Images

Cristina Kirchner lança um olha apaixonado para um tubo com petróleo argentino na cerimônia que anunciou a expropriação da YPF da espanhola Repsol. O Financial Times diz que o ato é apenas mais um gesto perturbador da estridente presidenta.

Embalada nas repercussões positivas o público interno, a presidenta anunciou que foi anexado ao projeto original de expropriação mais uma expropriação a outra empresa da Repsol, ligada ao setor de gás.

Em meio a temores de que mais empresas venham a ser estatizadas pelo governo argentino - a exemplo do que ocorreu na última segunda-feira com a petrolífera Repsol-YPF - especialistas acreditam ser "pouco provável" uma eventual expropriação "em massa" dos ativos da Petrobras, dado o tamanho da relação entre Brasil e Argentina.

Sem, entretanto descartar a hipótese, pela forma impetuosa e assoberbada que a presidente Cristina Kirchner costuma agir. Analistas afiram que reestatização da Repsol-YPF, privatizada em 1999 durante o governo de Carlos Menem (1989-1999) se deveu não só a critérios econômicos, mas também políticos, uma intervenção na Petrobras poderia prenunciar uma crise diplomática com o Brasil, que tem, hoje, grande importância econômica para a Argentina.

"O Brasil é hoje o principal destino das exportações argentinas. Acho pouco provável, portanto, que a Argentina compre briga com seu parceiro comercial mais importante", disse à BBC Brasil Jean Paul Prates, diretor-geral do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE) e ex-secretário de energia do Rio Grande do Norte.

"Além disso, a estatização da YPF mexe com o nacionalismo argentino, pois a companhia foi uma das primeiras estatais do gênero no mundo", acrescentou.

No ano passado, o fluxo de comércio entre Brasil e Argentina somou US$ 39,6 bilhões.

Também não está descartada a hipótese, de em meio à estratégia argentina de aumentar o controle do Estado sobre empresas, a Petrobras poderia querer "negociar" a venda de seus ativos, mediante remuneração "pelo valor de mercado".

"A Petrobras pode, eventualmente, aproveitar o atual momento para se desfazer de alguns ativos na Argentina e, assim, levar adiante seu plano para o Brasil", disse à BBC Brasil Armando Guedes Coelho, ex-presidente da Petrobras.

O plano em questão é o "pré-sal". Nos últimos meses, a petrolífera brasileira tem vendido vários ativos no exterior com o propósito de fazer caixa para se concentrar na operação brasileira de exploração do pré-sal, considerada a principal fronteira energética brasileira pelos próximos anos.

Foto: Divulgação

A Petrobras pode enfrentar problemas na argentina? Só o futuro dirá.

Em maio de 2011, a Petrobras deu o primeiro passo nesse sentido ao vender a refinaria de San Lorenzo, Argentina, e parte de sua rede de postos de gasolina, que hoje inclui 300 unidades.

A petrolífera, no entanto, não confirma ter planos de sair da Argentina, nem reduzir suas operações no país.

No ano passado, por exemplo, investiu, somente em exploração e produção de petróleo e gás, US$ 344 milhões, alta de 54% em relação a 2010.

Ainda que uma expropriação dos ativos da Petrobras nos mesmos moldes do que aconteceu com a Repsol esteja, por ora, descartada, não agradou à companhia brasileira a decisão unilateral da província de Neuquén, anunciada no início deste mês, de decretar o cancelamento da concessão de exploração de três campos de petróleo, um deles pertencente à Petrobras ("Veta Escondida").

Até dezembro do ano passado, a Petrobras mantinha 17 poços em produção de gás não convencional na região, com uma produção diária de 7,8 mil barris/dia.

No campo de 'Veta Escondida', a petrolífera brasileira, como operadora, possuía 55% da concessão e alega que havia feito, nos últimos três anos, investimentos da ordem de US$ 10 milhões.

Na ocasião, o governo da província de Neuquén justificou sua decisão afirmando que a área permanecia sem produção e com investimentos insuficientes.

Para discutir o imbróglio, está prevista uma reunião para a próxima sexta-feira, 20, entre a presidente da Petrobras, Graça Foster, e o ministro do Planejamento argentino, Julio de Vido.

Ainda não há confirmação de um local definido para o encontro, mas fontes disseram a BBC que a reunião acontecerá na capital argentina, Buenos Aires.

A Petrobras opera na Argentina desde 1993. No ano passado, respondeu por 6% da exploração e 14,1% do refino de petróleo e derivados no país.

Em 2011, o faturamento da companhia foi de 704 milhões de pesos (à época, US$ 164 milhões), alta de 15%.

A produção de petróleo e gás gira em torno de uma média de 85,8 mil barris de petróleo equivalente por dia.

Por tudo isso o governo brasileiro tem mantido uma posição cautelosa diante da decisão argentina, dizendo apenas que a expropriação foi um ato soberano do governo de Cristina Kirchner. Apoio mesmo, os argentinos só receberam do ministro do petróleo da Venezuela de Hugo Chávez, que adotou a prática de expropriação semelhante há algum tempo.

Foto: Getty Images

Adesivos ufanistas de partidário do governo, espalhados pelo país, dizem que são igualmente argentinas, CFK (Cristina Fernandes Kirchner e a petrilifera espropriada a YPF (Yacimientos Petrolíferos Fiscales)


18 de abr de 2012

Juan Carlos, o rei caçador, na mira dos ambientalistas

ESPANHA
Juan Carlos, o rei caçador, na mira dos ambientalistas
Enquanto o governo espanhol impõe duras medidas de austeridade e faz cortes no orçamento que tornam a vida dos cidadãos cada vez mais difícil, descobriu que o rei, de férias, mata elefantes na África, sob o patrocínio de um empresário sírio, seu amigo pessoal, unidos pelo prazer da caça. Mesmo pedindo desculpas, confessando que errou, que não vai fazer mais, o rei espanhol, não vai deixar de ser alvo dos ambientalistas, que não perdoam pelo gesto, até por que ele é presidente de honra do World Wildlife Fund, uma das mais importantes organizações em defesa da natureza do mundo.

Foto: FaceBook

MATADOR COSTUMAZ - As imagens publicadas pela imprensa espanhola agravou a crise, nela o rei Juan Carlos I, aparece, em 2008, com um guia de caça, portando uma arma de grosso calibre.

Postado por Toinho de Passira
Fontes:Blog do Ricardo Setti, Correio do Brasil, ABC, David Mixner, El Pais, El Mundo, El Mundo, Lux, ABC

O respeitado rei da Espanha, Juan Carlos Alfonso Víctor María de Borbón y Borbón-Dos Sicilias, Juan Carlos I, 74 anos, protagoniza um escândalo sem precedentes nos seus 36 anos de reinado, que compromete a monarquia espanhola, e a ameaça a sua permanência no trono espanhol, por ter sido flagrado caçando elefantes e outros animais africanos num safari em Botswana, um país da África Austral, que tem fronteiras com a África do Sul, onde a caça é uma prática legal, mediante paga (30 mil euros ou 75 mil reais) por cada animal abatido.

A nebulosa história veio a publico, pois o monarca durante sua permanência de caça na África sofreu um acidente no chalé onde estava hospedando e teve que ser levado emergencialmente a Espanha onde se submeteu a uma bem sucedida cirurgia de implante de prótese de quadril. Incialmente interessados no estado de saúde real, os jornalistas aos poucos foram desvendando os acontecimentos e acabaram constatando que o acidente havia acontecido enquanto o rei estava caçando elefantes na África.

De repente, de vítima o amado rei passou a vilão, principalmente quando os jornais espanhóis, para ilustrar o ocorrido, publicaram uma comprometedora foto datada de 2006, que mostramos acima, onde ele posa, portando uma arma de grosso calibre, junto a um guia de caça, diante de um elefante morto, presumivelmente por ele, na mesma Botswana.

A outra questão imediatamente posta em evidencia, foi o contraste da vida real, envolvido em aventuras exóticas e dispendiosas, com a situação da Espanha, imersa em profunda crise econômica e de credibilidade, obrigando o governo a exigir dos cidadãos sujeitos a taxas insuportáveis de desempregos sacrifícios cada vez maiores.

Foto: Divulgação

CAÇADOR AMIGO DA REALEZA O sírio, Eyad Mohamed Kayali, que financiou a empreitada do amigo, o rei Juan Carlos, posando diante de um búfalo abatido

Questionou-se se a viagem catastrófica de caçador no continente africano teria sido por conta do contribuinte. Depois de muitas especulações tem se afirmado como certo que a ventura foi patrocinada pelo empresário milionário, Eyad Mohamed Kayali, nascido na Síria saudita, residente há 30 anos na Espanha e que serve de ponte, entre Juan Carlos e o príncipe Salman bin Abdulaziz al Saud, ministro da Defesa da Arábia Saudita e terceiro na linha de sucessão à Coroa, de quem é amigo íntimo e cuida dos negócios herdeiro saudita na Espanha.

A amizade que Juan Carlos tem com o príncipe Salman tem sido fundamental para a obtenção de contratos, como exemplo, um que beneficiou um consórcio de empresas espanholas, para a construção de um trem bala, que ligará as cidades sagradas de Meca e Medina (Arábia Saudita) por 7 bilhões de euros (17,5 bilhões de reais) tido como o maior contrato internacional de todos os tempos, uma benção para a Espanha nesses tempos de vacas magras.

O sírio Kayali e o Rei comungam de uma longa amizade, onde é compartilhada, como se viu a grande paixão pela caça silvestre. Kayali como administrador dos interesses do principel Salman na Espanha, toca atualmente a construção de condomínios luxuosos em diversos pontos da Espanha. Um dos investimentos mais conhecido é o Hotel Juan Carlos I, em Barcelona, inaugurado durante a Olimpíada de 1992, obviamento em homenagem a Dom Juan Carlos, o monarca espahol.

Kayali que chegou a Madrid como funcionário da Embaixada da Arábia Saudita em Madrid, tem residências no resort de La Moraleja, Madrid e Marbella, onde o príncipe Salman também é dono de uma mansão.

Foto: Aliance/DPA

LEGAL E IMORAL - Caçadores covardemente alvejam os elefantes, em Botswana.

A caça de elefantes em Botswana é uma prática legal, não apenas permitida como incentivada pelo governo local. Os interessados devem ir às áreas onde a caça é permitida acompanhados de um funcionário do governo. Morto o magnífico animal, o maior mamífero existente sobre a superfície da Terra – absurdo dos absurdos, pois a gestação de cada elefante chega perto de dois anos –, o funcionário do governo fotografa o corpo, para os arquivos oficiais, e registra a posição por meio de GPS.

Foto: Divulgação

DESCULPA PARA MATAR - O governo de Botswana alega excesso de população de elefantas, para permitir a caça aos paquidermes, que no resto da África, estão num processo de extinção por anos de matança.

Oficialmente, o governo de Botswana – país do sul da África com meio milhão de quilômetros quadrados e uma fauna espetacular – alega que há “excesso” de elefantes no país. Estariam sobrando 60 mil animais. Como o elefante, que é o verdadeiro rei dos animais, não tem predadores – ninguém, nem bandos de leões, pode com ele, a menos que esteja ferido ou doente –, esse suposto excesso estaria dizimando as folhas de árvores e as gramíneas que servem de alimentação de outros herbívoros. Com essa desculpa o governo de Botswana “vende” a caça do elefante legalmente, para horror dos ambientalistas de todo o mundo.

Foto: Divulgação

ACAMPAMENTO DOS CAÇADORES - Na savana africana, hotéis cinco estrela, abrigam os caçadores milionários de todo mundo

Os caçadores se hospedam em um dos muitos “acampamentos” — instalações que vão desde acampamentos propriamente dito, simples e austeros, até verdadeiros hotéis cinco estrelas, em plena savana africana, num dos quais estava meio clandestinamente hospedado o rei espanhol, agora questionado.

Juan Carlos, é um monarca diferente e com participação decisiva na história recente da Espanha, na implantação e manutenção da democracia no país. Curiosamente nascido em Roma, na Itália, durante o exílio da família Real, durante a ditadura do Generalissimo Francisco Franco, viveu a partir dos 10 anos na Espanha e foi aluno interno num colégio dos Marianos da cidade suíça de Friburgo.

Discreto e firme, seu nome nunca esteve ligado a situações reprovaveis. Lembrar que foi ele que mandou Hugo Chávez fechar a matraca, com a famosa frase: ¿Por qué no te callas? durante a XVII Conferência Ibero-Americana, realizada na cidade de Santiago do Chile, no final de 2007.

Dele se dizia até então que foi um homem que teve papel crucial para a implantação da democracia da Espanha, um chefe de Estado que impediu um golpe militar em 1981, num momento crucial para a consolidação do regime constitucional após a longa ditadura do general Francisco Franco (1939-1975), um Rei que resolveu complexos problemas diplomáticos para o país e ajudou a consolidar relações econômicas importantíssimas.

Foto: FaceBook

CAÇADOR IMPIEDOSO - Nesta outra imagem, o rei aparece diante de dois bufalos abatidos

Agora alvo de criticas de vários setores da sociedade, espanhola e mundial, estarrecida, em tempos de preservação da natureza, em sabê-lo caçador impiedoso de animais silvestre, como o elefante e búfalos, questionam seu cargo de presidente de honra de uma das mais importantes organizações pró-natureza do mundo, o World Wildlife Fund.

A atriz francesa, Brigitte Bardot, ferrenha defensora dos animais, escreveu uma carta aberta ao rei:

“É um ato indecente, repugnante e fico indignada por ser com uma pessoa de sua posição”, afirmou. “O senhor não vale mais do que os caçadores ilegais que pilham e saqueiam a natureza, é a vergonha da Espanha”, acrescentou. “Não desejo ao senhor um pronto restabelecimento, porque isso o levaria a prosseguir com as suas estadas mortíferas em África ou em outro local”.

Foto: Getty Images

INSUFICIENTE - Rei Juan Carlos saindo do hospital, pedido de desculpas e reconhecendo que errou. Bastará ?



Hoje ao sair do hospital em Madrid, apos seis dias de internação, restabelecido do acidente, apoiado em muletas, o rei Juan Carlos, não fugiu da imprensa e apressou-se em desculpar-se:

"Sinto muito. Eu errei. Não vai acontecer novamente." – declarou afirmando que já no fim dessa semana retorna a sua rotina de trabalho, não se espera que os seus problemas tenham acabado: a opinião pública, por vezes, tem memória de elefante.

Fotos: Getty Images



VITIMAS REAIS - Ativistas exibem cartazes e protestam diante do Hospital San Jose, em Madrid, enquanto o rei esteve hospitalizado.