30 de mar de 2012

"Máscara" - Merval Pereira

OPINIÃO
Máscara
Segundo o psicanalista Joel Birman, o senador Demóstenes é um mitômano que acreditou na sua própria fantasia. Ele vestiu uma máscara e ela acabou se colando em seu corpo.

Foto: José Cruz/Agência Brasil

Demonstenes Torres no personagem do senador defensor da moral e dos bons costumes...

Merval Pereira
Fonte: Blog do Merval

O caso do senador Demóstenes Torres do DEM de Goiás vem atraindo a atenção não apenas do mundo político, mas também dos meios artísticos e psicanalíticos. Outro dia escrevi que o senador havia criado um personagem para si próprio, e o ator Antonio Pitanga me disse que está fascinado pelas facetas desse personagem, e pela capacidade do senador de assumir um papel tão complexo quanto esse, de defensor da moral e dos bons costumes enquanto, por baixo do pano, mantinha uma relação promíscua com um contraventor.

Até mesmo agora, apanhado em flagrante por gravações feitas com a autorização da Justiça, o senador trabalha em duas frentes distintas: no Judiciário, pretende anular a validade das gravações, e no plano político tenta o apoio de seus pares para não ser julgado pela Comissão de Ética.

Segundo o psicanalista Joel Birman, professor da UFRJ e da UERJ, o senador Demóstenes é um mitômano que acreditou na sua própria fantasia. Ele vestiu uma máscara e ela acabou se colando em seu corpo. Ao dizer “Eu não sou mais o Demóstenes”, está revelando uma personalidade psicologicamente quebrada, como se dissesse “Eu não sei mais quem é o Demóstenes”.

Está também se fazendo de vítima para seus pares, a fim de evitar um julgamento político na Comissão de Ética do Senado.

Essa vitimização é importante, ressalta Joel Birman, no sentido de revelar uma estratégia de defesa. Esse personagem que ele criou para si próprio não era uma mentira de Demóstenes, ele incorporou esse personagem e acreditava nele.

Podia acusar com veemência seus colegas senadores apanhados em desvios, como o senador Renan Calheiros, enquanto mantinha o relacionamento com o bicheiro Carlinhos Cachoeira por que, como todo psicopata, não misturava as personalidades.

A de homem público era essa, criada por ele, para colocá-lo com destaque entre seus pares na defesa da ética na política, mesmo que tivesse no particular uma conduta antiética.

Outro exemplo recente de psicopatia na política foi o do ex-governador José Roberto Arruda, por sinal também do DEM e já devidamente expulso pelo partido, que chorou na tribuna do Senado, dizendo-se arrependido pela quebra do sigilo da votação no painel eletrônico.

Pediu desculpas públicas a seus pares e aos eleitores, além da família, passou por um período de purgação, para recuperar a popularidade até ser eleito governador de Brasília. Durante um bom tempo foi tido como um governador exemplar e um quadro político de primeiro nível, potencial candidato à Presidência da República e objeto de desejo de políticos de diversos partidos como companheiro de chapa.

Enquanto isso, mantinha nos subterrâneos de seu governo um vastíssimo esquema de corrupção de políticos e fornecedores de sua administração.

O advogado do senador Demóstenes Torres, o famoso Kakay de Brasília, deu também uma declaração interessante outro dia. Disse que o senador estava naturalmente apreensivo com as notícias vazadas, pois elas minavam sua credibilidade, mas que, do ponto de vista jurídico, estavam totalmente tranquilos.

Isso significa que a defesa do senador vai tentar impugnar as gravações feitas pela Polícia Federal, alegando que elas seriam ilegais.

Para o advogado Kakay, não importa que um juiz de primeira instância tenha autorizado as gravações telefônicas, pois como o senador tem foro privilegiado, elas só poderiam ser feitas com a autorização do Supremo.

Como as únicas provas que existem nos autos são as gravações, conforme admite até mesmo o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, a luta será em torno da legalidade ou não das escutas telefônicas.

Há quem defenda a tese de que como o senador Demóstenes Torres não era o objeto das escutas, e sim o bicheiro Carlinhos Cachoeira, não seria preciso pedir autorização do Supremo.

Tendo sido descoberto de maneira indireta, o senador estaria nesse caso sujeito a investigações pelo envolvimento em uma ação criminosa descoberta por acaso.

Caberá ao ministro do Supremo Ricardo Lewandowski decidir sobre o assunto, ao mesmo tempo em que o Senado estará obrigado a decidir se o convoca ao Conselho de Ética.

À medida que as provas vão sendo divulgadas, cria-se na opinião pública um clamor pela punição do senador que dificilmente poderá ser ignorada tanto pelo Supremo quanto pelo Senado.


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"Enigmas brasileiros" - Nelson Motta

OPINIÃO
Enigmas brasileiros
Nosso país é mesmo difícil de entender. Aqui joga-se em tudo, bicho, bingo, cavalos, loterias, raspadinhas e mega-senas ...Mas, em nome da moral e dos bons costumes, os cassinos são proibidos...”

Foto : Drew/To See the Seven Continents

Nelson Motta
Fonte: Estadão

Um país continental, com uma economia vigorosa e uma imenoa classe média com crescente poder aquisitivo, deveria ser um fabuloso mercado para o transporte aéreo. Mas a Gol e a TAM tiveram juntas um prejuízo de R$ 1 bilhão no ano passado e em dois anos perderam metade de seu valor de mercado, mesmo vendendo passagens nacionais a preços abusivos (uma ponte aérea Rio-São Paulo custa R$ 2 mil em alguns horários) e voos internacionais muito mais caros do que em outros países. Do aumento do querosene à crise internacional e aos impostos locais, tudo se explica, mas ninguém entende.

Um país com 190 milhões de habitantes, que adora futebol, com poderosas redes de televisão e ricos patrocinadores, times e jogadores de fama internacional, torcidas apaixonadas e massiva cobertura gratuita da mídia, deveria ser o mercado dos sonhos para uma liga de futebol profissional, como as americanas e europeias, com o seu campeonato visto no mundo inteiro. Mas os clubes brasileiros estão todos falidos ou quase. De administrações desastrosas à corrupção e politicagem, do coronelismo da CBF às anacrônicas leis das sociedades esportivas, tudo se explica, mas ninguém entende.

Nosso país é mesmo difícil de entender. Aqui joga-se em tudo, bicho, bingo, cavalos, loterias, raspadinhas e mega-senas, explorados por bandidos ou pelo Estado, gerando montanhas de dinheiro sujo e de impostos.

Mas, em nome da moral e dos bons costumes, os cassinos são proibidos, até para turistas estrangeiros.

Nos anos 1930 e 40 eles eram o motor do mercado de turismo e entretenimento no Brasil, empregando milhares de pessoas e pagando fortunas de impostos, mas foram extintos por um decreto autoritário do presidente Dutra, há 66 anos, a pedido de sua esposa, dona Santinha, que era muito católica. Isso explica tudo, mas ninguém entende.

Aqui os partidos políticos recebem R$ 265 milhões de fundos constitucionais por ano e usam, vendem ou alugam horários milionários de rádio e TV, gratuitos para eles mas pagos pelo contribuinte às emissoras como renúncia fiscal. Mas querem o "financiamento público" das campanhas.


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26 de mar de 2012

‘Não tem nada de mais’ - a série - Carlos Alberto Sardenberg

OPINIÃO
‘Não tem nada de mais’ - a série
“Vamos supor, portanto, que tenha ocorrido uma enorme coincidência. O ministro precisou de um avião confortável e um assessor desavisado providenciou o aparelho logo com um empresário conhecido e que tem negócios com o ministério.” “Não haveria aí um problema ético? Não gera a suspeita de troca de favores?”

Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

Carlo Lupi: Estão me acusando de quê? (Corrupção pode causar perda de memória)

Carlos Alberto Sardenberg
Fonte: Estadão

E segue a nossa série "não tem nada de mais", feita com a colaboração das autoridades quando explicam algumas situações, digamos, embaraçosas. E vamos falar francamente: há boas mentiras, histórias bem contadas, que ficam de pé por muito tempo. Há também mentiras inocentes, daquelas que todo mundo sabe, mas deixa passar. Não é o caso das versões contadas pelo ministro do Trabalho, Carlos Lupi.

Reparem: não é que ele se esqueceu do nome e do jeitão de um eleitor qualquer, desses com os quais as autoridades vivem topando por aí, apesar dos seguranças. Ele não se lembrou de ter viajado num jatinho com o diretor de uma organização não governamental (ONG) que tem contratos com o seu ministério, nem se lembrou de ter jantado na casa do empresário.

Como não se lembrava, negou. Confrontado com fotos e vídeos, além das declarações do diretor da ONG dizendo que serviu a janta para o ministro pessoalmente, Lupi caiu em si. "É mesmo!" - deve ter comentado - "agora me lembro."

Então o ministro havia mentido na primeira versão?

De jeito nenhum, ele simplesmente não tem "memória absoluta", contestou, não num bate-papo de bar, mas numa reunião oficial no Senado.

Qual é o problema? Político se encontra com tanta gente, frequenta tantos almoços e jantares que é impossível lembrar tudo assim, de memória, explicou Lupi.

E o jatinho? Ora, ministro de Estado está toda hora viajando de jatinhos e jatões, como é que pode se lembrar em qual voou tanto tempo atrás? Mais impossível ainda é lembrar quem era o dono do jatinho ou quem pagou a viagem. Isso lá é atribuição de ministro? - argumentou Lupi.

Vamos supor, portanto, que tenha ocorrido uma enorme coincidência. O ministro precisou de um avião confortável e um assessor desavisado providenciou o aparelho logo com um empresário conhecido e que tem negócios com o ministério.

Não haveria aí um problema ético? Não gera a suspeita de troca de favores?

Só na cabeça da mídia e da oposição. Como se pode pensar nisso - segue a argumentação do ministro -, se ele nem sabia de quem era o avião ou quem estava pagando o aluguel do jatinho?

Reparem: se essa tese, digamos, faz algum sentido, então qualquer autoridade pode apanhar carona no avião de um traficante. Não teria nada de mais, se a autoridade não soubesse quem estava patrocinando sua viagem.

Fico imaginando: o assessor diz ao ministro "arrumei um avião, excelência, o problema é que pertence ao...". E o ministro adverte: "Não me diga nada, quer me comprometer?".

Resumindo, pois: o ministro agora sabe que viajou num jatinho providenciado pelo diretor da ONG que tinha interesse concreto em decisões tomadas por ele, ministro. Mas, como ele não sabia na ocasião, não tem nada de mais. Também não tem nada de mais ele ter apresentado duas versões, porque a primeira fora uma traição da memória.

O problema é que o Código de Conduta da Alta Administração Federal diz, em seu artigo 7.º: "A autoridade pública não poderá receber (...) transporte, hospedagem ou quaisquer favores de particulares de forma a permitir situação que possa gerar dúvida sobre a sua probidade ou honorabilidade".

Ressalva e explica o parágrafo único desse artigo: "É permitida a participação em seminários, congressos e eventos semelhantes, desde que tornada pública eventual remuneração, bem como o pagamento das despesas de viagem pelo promotor do evento, o qual não poderá ter interesse em decisão a ser tomada pela autoridade".

Ou seja, não apenas a autoridade tem de saber quem patrocina sua viagem e sua boca-livre. Todo mundo precisa saber. E se a coisa toda puder gerar alguma suspeita de favorecimento, então não pode fazer.

Poderia uma autoridade alegar que não sabia dessa regra?

Claro que não, no entanto Lupi já deu um drible na Comissão de Ética da Presidência. Informado de que não poderia ser, ao mesmo tempo, ministro de Estado e presidente do Partido Democrático Trabalhista (PDT), depois de ter reclamado muito Lupi se licenciou do cargo no partido. De araque. Todo mundo sabe que ele continuou comandando o PDT. Aliás, na tal viagem, ele estava justamente num trabalho partidário. Tanto que já disse que vai devolver a diária de ministro.

Assim, viajou na condição de ministro de Estado no avião providenciado pelo diretor da ONG contratada pelo ministério, fez campanha partidária e ainda cobrou diária do bolso dos contribuintes. Não tem nada de mais. Devolve o dinheiro e o resto se esquece, certo?

O ministro ainda perguntou: estão me acusando de quê?

Presentinho? O Código de Conduta da Alta Administração ainda esclarece: "É vedada à autoridade pública a aceitação de presentes, salvo de autoridades estrangeiras nos casos protocolares em que houver reciprocidade". Agora, presentinhos pode, desde que "distribuídos por entidades de qualquer natureza a título de cortesia, propaganda, divulgação habitual ou por ocasião de eventos especiais ou datas comemorativas, não ultrapassem o valor de R$ 100 (cem reais)".

Quem sabe o aluguel do jatinho saiu por uns R$ 99,99?..


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Desafio americano - Miriam Leitão

OPINIÃO
Desafio americano
“... a produtividade de um país não deve ser calculada com base na população empregada, mas na população empregável. O que significa que se os lucros das empresas subirem, mas aumentar o desemprego, ou se as exportações crescerem, mas com base na redução de salário, o país não está elevando sua competitividade de longo prazo.”

Miriam Leitão
Fonte: O Globo: Coluna de Miriam Leitão

Em 10 anos, de 1999 a 2009, os EUA tiveram perdas fortes de participação no mercado global de quase todos os setores industriais: -36% no mercado de veículos aeroespaciais e de defesa; -9% na tecnologia de informação; -8% em equipamento de telecomunicação; -3% no setor automotivo. A economia americana tem problemas de competitividade. O que dá a eles vantagem é o nível do debate.

A “Harvard Business Review” fez uma edição especial sobre o tema, conduzido pelo especialista em competitividade Michael Porter, o mais conhecido autor de livros, estudos e pesquisas sobre o tema. A primeira novidade é o avanço da definição do que é competitividade. Seria, segundo ele, a habilidade de as empresas competirem com sucesso na economia global, ao mesmo tempo em que criam as condições para um alto — e crescente — nível de vida para a média da população.

Não basta, portanto, ser capaz de vencer a competição, é preciso também garantir que os trabalhadores ganhem mais. Há um avanço em relação ao conceito dos anos 1990, época em que eram elogiadas as lean and mean: empresas magras e más. Segundo o texto da “Harvard Business Review”, a produtividade de um país não deve ser calculada com base na população empregada, mas na população empregável. O que significa que se os lucros das empresas subirem, mas aumentar o desemprego, ou se as exportações crescerem, mas com base na redução de salário, o país não está elevando sua competitividade de longo prazo.

“Salários baixos nos Estados Unidos não impulsionam a competitividade americana. Nem o dólar barato. Alguns passos que reduzem os custos de curto prazo das empresas podem na verdade trabalhar contra a verdadeira competitividade”, diz o texto de Porter, escrito com Jan Rivkin.

Algumas frases — como essa acima — parecem ter sido escritas para o mundo empresarial brasileiro. Há outra ainda mais eloquente, principalmente neste momento em que pela milionésima vez empresários vão a Brasília pedir ajuda ao governo, em que o cenário político do Congresso é de impasse e os estados esperam que soluções mágicas surjam em Brasília.

“Para restaurar sua competitividade, os Estados Unidos precisam de uma estratégia de longo prazo. Isso vai exigir numerosas mudanças políticas por parte do governo, o que parece improvável com o impasse político de Washington. No entanto, muitos passos cruciais podem ser dados pelos estados e regiões onde estão muitos dos fatores-chave de competitividade. Mais importante, os líderes empresariais podem e devem ter um papel muito mais pró-ativo na transformação da competição e no investimento nas comunidades locais, em vez de serem vítimas passivas das políticas públicas ou reféns de acionistas equivocados.”

Por outro lado, explica Porter, criar mais emprego com medidas de proteção a setores que empregam muita mão de obra, sem aumentar a produtividade, também não resolve o problema. Isso não cria as condições de aumento sustentado do nível do emprego nem elevação do nível de vida da população. As medidas de estímulo do governo como as que o Brasil adota frequentemente conseguem apenas ser um alívio temporário, não são aumento de competitividade.

Segundo os especialistas de Harvard, as empresas durante anos reduziram o número de funcionários e transferiram para o exterior parte de sua produção. Como resultado, os salários ficaram estagnados, e a renda das famílias da classe média reduziu-se. Isso foi compensado com a oferta de crédito barato que deu às pessoas a sensação de riqueza. O excesso de oferta de crédito e a renda estagnada estão na raiz da crise de 2008.

Porter critica também o sistema de remuneração dos executivos baseado em participações acionárias. Isso teria levado os administradores a terem interesse apenas em decisões que elevem o lucro trimestral e desestimulou as estratégias empresariais de longo prazo.

Uma pesquisa feita por Harvard ouviu dez mil ex-alunos da escola de negócios da universidade sobre as perspectivas da economia americana: 71% registraram que estão prevendo um declínio da competitividade dos Estados Unidos nos próximos anos. Disseram também que o país perde duas em cada três disputas com outros países pela localização de um investimento.

Michael Porter acha que, na competitividade, não vale o jogo de que um país só ganha se o outro perder. O aumento do nível de vida da Índia pode fazer com que os indianos comprem mais produtos e serviços do Vale do Silício. A prosperidade americana — sustenta a revista — é do interesse dos outros países do mundo, até pela dimensão da economia dos EUA.

A lista do que fazer é parecida com a nossa: reduzir a complexidade tributária, melhorar a educação, aperfeiçoar o ambiente de negócios, investir na infraestrutura de transportes e telecomunicações. Mas no principal quesito os americanos continuam na frente: a inovação. Nesse ponto, a proposta para os Estados Unidos é apenas continuar sendo inovadores. Um especialista chinês Xu Xiaonian admite, numa coluna escrita na mesma edição, que o modelo chinês de copiar e imitar funcionou até agora, mas criou problemas de longo prazo.


25 de mar de 2012

Navio fantasma japonês

CANADÁ
Navio fantasma japonês
Um ano depois de ter desaparecido no tsunami de Fukushima, um barco japonês de pesca surgiu flutuando à deriva na costa no Canadá. Cientistas dizem que há cerca de 18 milhões de toneladas de escombros que aos poucos estão a ser levados pelas correntes do oceano em direção à América do Norte.

Foto: Department of National Defence/Handout

O pesqueiro japonês trazido por correntes marítimas desde o Japão até o Canadá

Postado por Toinho de Passira
Fontes: The New York Times, The Star, National Post - News, O Globo, TVI 24

O Departamento Nacional de Defesa do Canadá divulgou uma foto de um barco pesqueiro japonês de grande porte, (50m), à deriva à cerca de 140 milhas náuticas (260 quilômetros) de Cape Saint James, costa da Columbia Britânica, originário do tsunami que varreu a costa nordeste do Japão, há cerca de um ano, após um terremoto com magnitude de 8,9 graus na escala Richter.

A Guarda Costeira canadense emitiu um comunicado alertando as embarcações que navegam na área. A embarcação apresenta sinais de desgastes, com ferrugens no casco mais aparentemente não corre risco de afundar, nem representa a princípio nenhum risco de causar poluição marinha.

Os proprietários do navio, foram informados da sua localização e que "inspeção visual aérea do navio" indicou que não havia ninguém a bordo. Como era de se prever.

Autoridades marinhas canadenses confirmaram que recuperar o barco não foi considerada uma prioridade, no momento.

A presença da embarcação alerta e desmente as expectativas de cientistas e autoridades ocidentais que previam que só em 2013, cerca de 18 milhões de toneladas de escombros do tsunami japonês, trazidos pelas correntes marítimas chegariam à costa da América do Norte.


Desabamentos no Rio de Janeiro ainda sem causas ou culpados

BRASIL
Desabamentos no Rio ainda sem causas ou culpados
Dois meses depois do desabamento de três prédios no centro do Rio de Janeiro, ainda se arrasta sem previsão de fim o inquérito policial que apura as causas do acidente. As vítimas estão perdendo a esperança de recuperar e as vítimas e parentes dos mortos estão ansiosas pelo nome dos culpados.

Foto: Getty Images

Desabamento aconteceu na vizinhança do Teatro Municipal do Rio de Janeiro

Reportagem de Júlia Dias Carneiro da BBC Brasil

Fontes:”thepassiranews”, BBC Brasil

Dois meses após o desabamento de três prédios no centro do Rio, ainda não há previsão para fim do inquérito policial que apura as causas do acidente. As vítimas estão perdendo a esperança de recuperar bens perdidos, mas conquistaram seus primeiros benefícios junto ao poder público.

De acordo com a Associação das Vítimas da Avenida Treze de Maio, o prefeito Eduardo Paes baixou, neste mês, um decreto concedendo suspensão dos tributos municipais para os atingidos pelo episódio durante seis meses (35.228, de 12 de março).

Além disso, as vítimas deverão ter acesso a empréstimos com condições especiais, com repasse de recursos do BNDES, de acordo com o presidente da associação criada para dar suporte a elas, o advogado Otávio Blatter.

Segundo Blatter, o empréstimo foi negociado com a Secretaria estadual de Finanças, atendendo a pedido da prefeitura, que intercedeu após uma audiência do grupo com Eduardo Paes em fevereiro. Os detalhes ainda estão sendo fechados, mas a associação enviou nesta semana à secretaria a lista de empresas interessadas.

"Ao que tudo indica, o empréstimo será a longo prazo e a juros extremamente baixos para possibilitar a recuperação das empresas", afirma o advogado, do escritório Blatter e Galvão, que ficava no 13º andar do prédio mais alto que desabou.

Foto: Carlos Ivan/O Globo

Momento dramático: os bombeiros localizam o corpo de uma das vítimas

Recomeço 'precário'

Na noite de 25 de janeiro, três prédios desmoronaram na Avenida Treze de Maio, na Cinelândia, centro do Rio, logo atrás do Teatro Municipal - os destroços atingiram também a bilheteria do teatro.

Os desabamentos mataram 22 pessoas, das quais cinco continuam desaparecidas. Dezessete corpos foram identificados, mas exames de DNA feitos com restos mortais encontrados nos escombros ainda não identificaram os demais.

Nos três prédios funcionavam empresas, escritórios, cursos, consultórios, lojas. As empresas perderam documentos, arquivos, equipamentos e toda a estrutura que tinham, afirma a advogada Simone Argolo Andres, diretora institucional da associação,

"As empresas estão tentando se reerguer. Perdemos todo nosso equipamento de trabalho de forma inesperada e brutal. Todo mundo está procurando um cantinho para se instalar. O recomeço está sendo precário para a grande maioria", afirma.

Ela diz que a linha de crédito que está sendo negociada será importante para que as empresas possam seguir com suas atividades sem demitir funcionários. A situação se torna mais difícil porque nenhum seguro vai dar cobertura ao evento, ressalta.

Material perdido

Após os desabamentos, os escombros foram levados para uma área da companhia de lixo do Rio, a Comlurb, na rodovia Rio-Petrópolis. Uma empresa foi contratada para fazer o trabalho de triagem dos detritos.

De acordo com a prefeitura, no processo já foram encontrados documentos, cartões de crédito, fotografias, pen drives, discos de memória, objetos de escritório e outros bens pessoais. O material está sendo catalogado para que as pessoas tenham acesso ele após o processo.

Simone afirma que as vítimas não têm muita esperança de recuperar documentos e equipamentos importantes. Ela lamenta que o trabalho não tenha sido conduzido de forma diferente nas primeiras semanas após o desabamento, com uma triagem inicial antes de remover o material.

A advogada Simone Andres afirma que o recomeço das empresas afetadas é precário
"Se o trabalho tivesse sido feito de outra forma, nós teríamos recuperado bastante coisa. Mas os escombros já foram muito mexidos, e estão a céu aberto, sob sol, sob chuva. Cada dia que passa fica mais distante a possibilidade de a gente resgatar alguma coisa inteira", diz ela.

Muitos dos documentos encontrados estão apagados, afirma, e muitos objetos de valor ainda não foram achados. "O cofre do nosso escritório não apareceu, assim como vários outros cofres, e bolsas têm sido encontradas abertas, sem nenhum objeto dentro."

Investigações

Logo antes de o episódio completar dois meses, na semana passada, o inquérito policial que apura suas causas foi transferido da Polícia Civil para a Polícia Federal.

Como o desabamento danificou também um patrimônio de competência federal - o Teatro Municipal, tombado pelo Iphan - cabe à PF apurar as causas, explica o delegado Fábio Scliar, da Delegacia de Meio Ambiente e Patrimônio Histórico da PF.

Nesta semana, Scliar recebeu os dois volumes com cerca de 500 páginas com a apuração que havia sido feita até agora pelo delegado Alcides Alves Pereira, da 5ª Delegacia de Polícia.

Pereira havia ouvido mais de 60 testemunhas, entre pessoas que trabalhavam no prédio, que prestavam serviço no local, que trabalhavam nas obras em andamento, que viram o desabamento ou parentes de vítimas fatais.

Nos próximos dias, afirma Scliar, será possível fazer uma estimativa de quanto tempo levará para concluir o processo.

Causas e danos

A principal suspeita levantada após os desabamentos é de que o Edifício Liberdade - o mais alto dos três e primeiro a cair - tinha problemas estruturais, e que estes poderiam ter sido causados por obras que estavam sendo realizadas no edifício.

Material perdido depositado a céu aberto está se deteriorando
"Mas não sabemos se as obras que estavam sendo realizadas no 9º andar (do Edifício Liberdade) foram decisivas para isso ou se foram mais um dos fatores dentre outros que em 40 anos podem ter contribuído para o desmoronamento do prédio", afirma Scliar. "Esta é uma questão fundamental deste inquérito", afirma.

O Conselho Regional de Agronomia (Crea-RJ) também tem um grupo de trabalho com especialistas trabalhando no assunto.

De acordo com o presidente da entidade, Agostinho Guerreiro, as obras que estavam sendo realizadas no Edifício Liberdade continuam sendo a principal hipótese para explicar o acidente.

"O indicador maior são as obras atuais (que vinham sendo realizadas no edifício), mas não podemos descartar obras anteriores. É preciso entender se o desabamento aconteceu a partir das obras recente, ou se elas podem ter sido um gatilho final diante de fragilidades acumuladas ao longo do tempo na estrutura", diz.

De acordo com o advogado Otávio Blatter, as empresas e pessoas prejudicadas aguardam os resultados dos inquéritos para propor ações cíveis por danos materiais e morais.

"Todos os que tiveram prejuízo vão propor uma ação cível. Pretendemos mover uma ação coletiva pela associação. Estamos aguardando a apuração dos fatos", afirma.
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24 de mar de 2012

Jessica Sanchez – canta - "Love You I Do” de Henry Krieger e Siedah Garrett

Jessica Sanchez - canta "Love You I Do”
de Henry Krieger e Siedah Garrett.

Jessica Sanchez, 17 anos, californiana de San Diego, é uma das mais fortes candidatas a vitória no programa “American Idol” 2012, exibido na TV americana. Intepretações que empolgam publico e jurados.
”passiravideo”


Encenação no Planalto - Editorial Estadão

OPINIÃO
Encenação no Planalto
“Como era previsível, a reunião serviu para a presidente encenar alguma iniciativa, num momento de muita dificuldade com a base governamental e de vexaminosas derrotas no Congresso. Além disso, converteu-se, como era também previsível, em mais uma oportunidade para os empresários desfiarem o novelo de suas queixas e reivindicações, todas bem conhecidas e diariamente citadas pela imprensa.”

Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

Imagem da reunião-show: mal ensaiada, sem conteúdo, repleto de lugares comuns e canastrices.

Estado de S. Paulo - Editorial
Fonte: Estadão

A presidente Dilma Rousseff chamou ao Palácio do Planalto 28 dos maiores empresários do País para pedir-lhes mais investimentos - como se algum deles precisasse de um apelo presidencial para investir na ampliação de seus negócios e para ganhar mais dinheiro e mais espaço em seus respectivos mercados. Quanto a esse ponto, pelo menos, dificilmente haverá diferença entre esses líderes da indústria, do comércio e do setor financeiro e a maioria dos dirigentes de empresas pequenas e médias. Os chamados espíritos animais estão bem vivos no empresariado brasileiro, apesar de todas as dificuldades para investir, produzir e vender, especialmente para o mercado externo. A presidente não deveria preocupar-se com isso. Mas os dirigentes de companhias de todos os tamanhos têm motivos para se preocupar com a pouca disposição do governo de adotar as políticas necessárias ao fortalecimento do setor produtivo e ao crescimento seguro da economia brasileira.

Como era previsível, a reunião serviu para a presidente encenar alguma iniciativa, num momento de muita dificuldade com a base governamental e de vexaminosas derrotas no Congresso. Além disso, converteu-se, como era também previsível, em mais uma oportunidade para os empresários desfiarem o novelo de suas queixas e reivindicações, todas bem conhecidas e diariamente citadas pela imprensa.

Os convidados falaram de câmbio, carga tributária, encargos trabalhistas, custo do dinheiro, problemas de infraestrutura e escassez de mão de obra qualificada. Trataram também, é claro, de uma aberração inventada por alguns governadores, a guerra dos portos, gravemente prejudicial à indústria brasileira: produtos importados com incentivos fiscais, por meio de um protecionismo às avessas, são vendidos com grande vantagem de preço em outros Estados, impondo uma concorrência absurdamente desleal ao produtor nacional.

As falas da presidente e do ministro da Fazenda, Guido Mantega, foram igualmente sem novidades, apesar da abundância de palavras. As autoridades prometeram, mais uma vez, um grande plano de redução de custos fiscais e financeiros. O corte de encargos trabalhistas, iniciado em 2011, será estendido a novos setores, haverá diminuição de impostos federais e crédito mais barato será oferecido aos empresários. Além disso, o governo investirá em obras de infraestrutura e tentará baixar o custo da energia. Todas essas promessas eram conhecidas.

Não valeria a pena os empresários irem a Brasília para repetir suas queixas e para ouvir de novo as declarações de bons propósitos do governo, exceto, talvez, por um detalhe: pelo interesse de participar, ao lado de figuras muito importantes do setor privado, de um encontro com a chefe do governo. No caso da presidente Dilma Rousseff, muito menos propensa do que seu antecessor a reuniões desse tipo, a raridade do evento também pode ter sido um atrativo.

Mas a presidente foi além das promessas e da cobrança de mais investimentos. Ela pediu uma atuação mais forte dos empresários a favor da Resolução 72/2011 do Senado, sujeita a forte resistência de várias bancadas estaduais. Se essa Resolução for aprovada, a redução das alíquotas interestaduais tornará muito mais difícil a guerra dos portos.

Mas vários empresários importantes e sindicalistas já estiveram no Congresso, nos últimos dias, participando de sessões especiais sobre o assunto e já deram seu recado. A presidente deve saber disso. Muito mais que um esforço de argumentação e de esclarecimento, ela pediu, portanto, um trabalho para a conquista de votos. Recorreu aos empresários, em suma, na esperança de terem êxito onde ela fracassou. Nesse, como em vários outros casos importantes, o Executivo tem sido incapaz de unir a base governamental em torno de um projeto considerado de alto interesse para o País.

A maior parte do encontro foi mera encenação de uma reunião produtiva entre a presidente e um grande grupo de pesos pesados da economia. O resto foi uma demonstração explícita dos problemas de um governo forçado a comprar e a recomprar, num comércio sem fim, a fidelidade de sua base no Congresso.


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CUBA: Visita do papa desperta esperança de mudanças

CUBA
Visita do papa desperta esperança de mudanças
Catorze anos depois da memorável viagem de João Paulo II a Cuba, o papa Bento 16 irá à ilha na segunda-feira, para uma visita que não se espera que seja um momento de ruptura, mas que para alguns cubanos acendeu esperanças de mais mudanças políticas e econômicas.

Foto: Reuters

EXPECTATIVA - Havana preparada para receber o Papa Bento 16, boataria e esperanças de libertação de presos políticos.

Reportagem de Jeff Franks
Fonte: Reuters

Durante muitos anos os membros do Partido Comunista Cubano se recusaram a entrar na capela católica para cerimônias fúnebres no histórico cemitério Cristóvão Colombo, em Havana.

Eles ficavam do lado de fora enquanto outras pessoas homenageavam o morto porque crenças religiosas eram proibidas pelo partido, e ser visto em uma igreja, especialmente em uma católica, poderia trazer problemas mesmo para alguém de luto.

Mas esses dias se foram e a Igreja assumiu um papel maior na sociedade cubana desde a visita do papa João Paulo 2o, em 1998, comentou Erick Oscio, de 68 anos, que se lembra de ter ficado do lado de fora da capela no cemitério.

"As coisas estão mais relaxadas e o tabu acabou. Depois disso, tudo mudou para a religião em Cuba", disse Oscio, coronel reformado do Exército, que agora trabalha como funcionário de um estacionamento.

"João Paulo deu início a uma diferente evolução aqui, que abriu as coisas para os crentes."

Foto: Michel Gangne/AFP

VISITA HISTÓRICA - O papa João Paulo II e Fidel Castro, em Havana, janeiro de l998

Catorze anos depois da memorável viagem de João Paulo 2o a Cuba, o papa Bento 16 irá à ilha na segunda-feira - após uma parada de três dias no México - para uma visita que não se espera que seja um momento de ruptura, mas que para alguns cubanos acendeu esperanças de mais mudanças políticas e econômicas.

Ele pode ter ensejado aspirações mais ambiciosas do que o esperado. Na sexta-feira, deu uma estocada no governo cubano ao dizer a repórteres que a ilha caribenha precisava de um novo modelo econômico porque o comunismo tinha fracassado.

"Hoje é evidente que a ideologia marxista, do modo como foi concebida, não corresponde mais à realidade", declarou o papa no voo para o México, onde chegou na tarde de sexta-feira.

"Não podemos mais construir uma sociedade deste modo. Novos modelos deveriam ser encontrados com paciência e de um modo construtivo", disse ele, estendendo a oferta da Igreja para ajudar na transição num dos últimos países comunistas do mundo.

Quando lhe perguntaram na sexta-feira sobre os comentários do papa, durante a abertura de um centro de imprensa que será usado durante a visita dele, o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, disse apenas que Cuba iria escutar respeitosamente o pontífice durante sua visita de três dias e que considerava "útil" a troca de idéias.

Apesar de o Partido Comunista ter encerrado sua proibição às crenças religiosas em 1991, é uma tarefa dura seguir o antecessor de Bento 16 porque os cubanos, de modo geral, vêm sua visita em 1998 como um marco que levou à melhoria das relações entre o Estado e a Igreja no país depois de décadas de hostilidade iniciada após a revolução de 1959.

A tarefa deste papa será ampliar os recentes ganhos da Igreja nas relações com o governo e buscar um papel maior em uma época de mudança em Cuba, agora presidida por Raúl Castro, irmão de Fidel Castro.

O cardeal Jaime Ortega, líder da Igreja Católica em Cuba, tem enfatizado o lado spiritual da visita do papa e a esperança de reenergizar a religião na ilha que, durante 15 anos, durante o governo de Fidel, chegou a ser oficialmente declarada um Estado ateísta.

Uma alta autoridade do Vaticano, falando sob anonimato, disse recentemente que o papa queria assegurar ao governo cubano que seu ex-inimigo somente queria ser prestativo, não ameaçador, num momento em que Raúl Castro realiza reformas para melhorar a economia de estilo soviético do país.

A boataria em Cuba está em pleno vapor, com especulações de que, como um gesto de boa vontade para com o papa, o presidente cubano poderá libertar prisioneiros políticos, soltar o empreiteiro norte-americano Alan Gross ou finalmente anunciar reformas na imigração prometidas no ano passado.

Gross, de 62 anos, cumpre pena de 15 anos por ter criado ilegalmente redes de Internet, num caso que emperrou as relações entre EUA-Cuba.

Demóstenes Torres cocheira abaixo

BRASIL - CORRUPÇÃO
Demóstenes Torres cocheira abaixo
Demóstenes Torres veiculou no seu Twitter notas defendendo-se das acusações e da desconfiança que passou a inspirar. Cada vez mais fica difícil defender ou acreditar na inocência do Senador. Uma pena! Adoraríamos que tudo fosse desmentido ou não estivesse acontecendo. A enxurrada de denúncias consistentes não deixam muito espaços às dúvidas. Pesadelo: um dos símbolos da seriedade e da ética parlamenta desfaz-se num mar de lama.

Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

"O senador Demóstenes Torres encontra-se num ambiente muito parecido com um abismo" – Josias de Souza

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Blog do Josias de Souza, Twitter Demonstenes Torre, Carta Capital, Blog do Reinaldo Azevedo, Revista VEJA, UOL - Notícias

O líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres, notabilizado pelo discurso ético-oposicionista, não está conseguindo segurar a enxurrada de acusações que o ligam de forma promíscua e vergonhosa ao contraventor Carlinhos Cachoeira.

Grampos captados pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo, ano passado, revelam a intimidade de Demóstenes com Cachoeira e indica a concessão de favores, do explorador de jogos ilegais ao senador, um promotor licenciado.

Num dos diálogos, ocorrido em 4 de junho de 2011, Demóstenes diz a Cachoeira que seu tablet enguiçara. O amigo o tranquiliza. A Polícia Federal no seu relatório resumiu a conversa: “Demóstenes reclama que seu iPad deu pau, Carlinhos diz que vai mandar alguém entregar um novo.”

Dias antes, em diálogo telefônico de 20 de maio de 2011, o senador conversa com o bicheiro sobre avião e “Carlinhos oferece aeronave para Demóstenes”, que embarca na aeronave disponibilizada.

O Globo informou também, sobre a existência de outro inquérito, anterior à Operação Monte Carlo. Nesse processo, Demóstenes foi flagrado num grampo pedindo R$ 3 mil a Cachoeira para pagar uma despesa com táxi aéreo. Estarrecedoramente a PF acusa-o também de ter compartilhado, com o bicheiro, informações obtidas nos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

Noutra notícia, redigida pelo repórter Leandro Fortes, da Carta Capital, informa-se que a PF acusa Demóstenes de ter extraído vantagens financeiras milionárias de seu relacionamento com Cachoeira. Coisa de R$ 50 milhões. Em seus relatórios, a PF sustenta que o senador amealharia 30% dos negócios ilícitos do amigo, estimados em R$ 170 milhões.

Demóstenes Torres veiculou no seu twitter um lote de notas inusuais. Normalmente, ataca. Teve de defender-se. Habitualmente desconfia. Viu-se compelido a responder à desconfiança que passou a inspirar.

Alvejado por suspeições variadas, emanadas de grampos e relatórios atribuídos à Polícia Federal, Demóstenes concentrou-se na notícia que, como promotor licenciado, sabe ser a mais grave.

Anotou: “De todos os absurdos publicados contra mim, os mais danosos estão no site da CartaCapital. Os informantes da revista estão enganados.” Noticiou-se que Demóstenes seria beneficiário de 30% do faturamento dos negócios do mercador de jogos ilegais Carlinhos Cachoeira.

Não e não, Demóstenes escreveu: “Não faço parte nem compactuo com qualquer esquema ilícito, não integro organização ilegal nem componho algo do gênero.” Durante todo o dia, o senador preferira terceirizar a voz ao advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, seu defensor.

Para explicar o porquê de ter decidido quebrar o silêncio via internet, alegou: “Desminto essas inverdades em respeito a minha família, aos meus amigos, às minhas colegas e meus colegas senadores, a Goiás e ao Brasil.” Absteve-se de comentar notícia por notícia.

Esquivando-se do varejo, defendeu-se no atacado: “As injúrias, as calúnias e as difamações minam a resistência até de quem nada teme, mas permaneço firme na fé de que a verdade triunfará.”

Lamentou que a tempestade lhe chegue na velocidade de um alazão e estimou que a bonança virá montada numa tartaruga: “Dói enfrentar o olhar sofrido de familiares torcendo para o tormento passar logo. Mas as inverdades chegam açodadas; a reparação, lentamente.”

Considera-se injustiçado: “Para tripudiar sobre mim e o mandato que o povo me confiou, desrespeitam os mais elementares princípios constitucionais.” Mas vê luz no final do seu túnel escuro: “A tudo suporto porque nada fiz para envergonhar meu partido, o Senado, Goiás e o Brasil. Essa é a verdade que, ao final, prevalecerá.”

Por fim, Demóstenes escorou-se no divino: “O sofrimento provocado pelos seguidos ataques a minha honra é difícil de suportar, mas me amparo em Deus e na certeza de minha inocência.” A julgar pelo sentimento dos colegas de Senado, entre eles José Agripino Maia, presidente do DEM, a certeza depende agora de investigações que espanquem as dúvidas.

”Se 5% do que a PF diz de Demóstenes for confirmado, o país estará diante de um personagem que é o avesso do avesso do que diz ser.” – conclui o Blogueiro Josias de Souza, da Folha de São Paulo.


*Esse post é baseado em textos publicado no Blog do Josias, com alterações e comentários adicionais.

CHICO ANYSIO estreia show celestial

BRASIL – Luto
CHICO ANYSIO estreia show celestial
Morreu, no início da tarde desta sexta-feira (23), o humorista cearense Chico Anysio. Durante toda a vida dedicou-se à arte de divertir e encantar os brasileiros, ele não foi só personagem de mil faces, interpretou 209 personagens, a maioria criação sua, era também um mestre do texto de humor. Foi escritor de sucesso, pintor e compositor. Casado seis vezes, tem oito filhos. O governo do Ceará decretou três dias de luto pela morte do filho ilustre nascido e Maranguape.

Foto: Rede Globo/Divulgação

Sua atual esposa, Malga Di Paula, resumiu tudo através de seu Twitter:
"Aproximadamente 15h de hoje os refletores do céu foram ligados... O show de Chico Anysio estava para começar. A plateia? Os anjos aplaudindo em pé...", escreveu.

Postado por Toinho de Passira
Fontes:Ego, Dia, Terra, Caras, IG - Gente, Diario do Nordeste

Chico Anysio, 80 anos, faleceu nesta sexta-feira (23), no Rio, em decorrência de paradas cardio-respiratórias.

Batizado Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho, Chico Anysio nasceu no dia 12 de abril de 1931, em Maranguape, no interior do Ceará. Mudou-se com a mãe e três irmãos para o Rio de Janeiro quando tinha oito anos. O pai ficou na cidade natal para tentar se reerguer após perder toda a frota de sua empresa de ônibus num incêndio.

Chico sempre estudou em boas escolas durante a infância. Pretendia ser advogado, mas a vocação de comediante e as oportunidades que lhe foram surgindo levaram-no a escolher outra profissão.

Com dezesseis anos, começou a participar de programas de calouros no rádio. Sua primeira apresentação foi no programa líder de audiência “Papel Carbono”, apresentado por Renato Murce na Rádio Nacional.

Com seu número, o humorista ganhou o primeiro lugar e utilizou o prêmio em dinheiro para comprar uma bicicleta para o seu irmão mais novo, Zelito – que no futuro seria o cineasta Zelito Viana, pai de Marcos Palmeira.

O jovem Chico Anysio ficou tão popular que os programas de calouros pararam de aceitá-lo, pois ele sempre faturava os concursos. Ainda em 1947, ele deixou de ir a uma partida de futebol com os amigos para acompanhar sua irmã em um teste na Rádio Guanabara. Saiu da emissora com o emprego de locutor e rádioator.

Na Guanabara, Chico mostrou muitos dos seus talentos. Com apenas quinze dias de trabalho, virou locutor nas madrugadas, ator de rádionovela, comentarista esportivo e redator de programas humorísticos. Pouco tempo depois, abandonou de vez as rádionovelas para atuar como comediante.

Em 1949, foi convidado para trabalhar na rádio Mayrink Veiga, onde escrevia treze programas por semana. De lá, passou pela Rádio Clube Pernambuco e Rádio Clube do Brasil. Até que, em 1952, foi levado de volta para a Mayrink, como ator e diretor de vários programas. Nessa época, deu origem ao personagem que o consagrou: o Professor Raymundo, que fazia o quadro de encerramento do programa “A cidade se diverte”.

Já em 1957, estreia na televisão no programa humorístico “Aí Vem Dona Isaura”, estrelado por Ema D'Ávila na TV Rio. Nos anos seguintes, Chico Anysio foi redator de vários programas de humor, como “Milhões de Napoleões”, e participou de muitos outros, como o “Noites Cariocas”.

Foto: Arquivo revista «Caras»

Diziam que ele não interpretava, os personagens baixavam nele, como se fora uma incorporação espiritual.

Após uma passagem relâmpago pela TV Excelsior (onde nem chegou a estrear), Chico voltou para a TV Rio, que tinha um novo diretor de programação: José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni. Ele também trabalhou na Tupi e na Record e, em 1968, desistiu de fazer televisão e investiu em seus shows de comédia no teatro.

Chico Anysio voltou para a televisão no ano seguinte em um humorístico transmitido pela TV Globo. Dirigido por Daniel Filho, o programa foi um sucesso e lhe garantiu um contrato com a emissora carioca – onde ele permaneceu até morrer, totalizando 42 anos como contratado da TV Globo.

Na emissora, estrelou diversos humorísticos, como “Chico City” (1973-1980), “Chico Anysio Show” (1982-1990), “Chico Total” (1995), “O Belo e as Feras” (1999), entre outros. Em todos eles, criou inúmeros personagens marcantes que lançaram bordões e marcaram época.

Nos últimos dez anos, Chico passou a atuar em novelas, seriados e programas da TV Globo. Entre as novelas, “Terra Nostra” (1999), “Sinhá Moça” (2006) e “Caminho das Índias” (2009). Também apareceu na versão moderna do "Sítio do Picapau Amarelo" (2005) e em programas como "A Diarista" (2004) e "Guerra e Paz" (2008).

Apesar de se definir como um ator de televisão, Chico Anysio também teve incursões no cinema e no teatro. Na telona, ele participou de várias chanchadas como ator e roteirista durante a década de 50. E nos palcos, realizou inúmeras apresentações, acumulando mais de 10 mil shows no Brasil e fora dele.

Em seus mais de 60 anos de carreira, o comediante também se aventurou em outras áreas. Na música, ele gravou mais de 20 álbuns com composições de sua autoria. Na literatura, publicou mais de quinze livros entre contos, romances e biografias. Como pintor, participou de dezenas de exposições dentro e fora do Brasil, vendendo seus quadros por alguns milhares de reais.

No cinema, sua atuação mais conhecida foi em “Tieta” (1996), de Cacá Diegues, onde encarnou o pai da protagonista (Sônia Braga).

Charge : SINFRÔNIO – Diario do Nordeste- (CE)


22 de mar de 2012

O tempo escoa para Dilma - Editorial Estadão

OPINIÃO
O tempo escoa para Dilma
”Lula inventou Dilma, tornou-a sua sucessora, mas seus poderes não chegam a ponto de conseguir transformá-la naquilo que ela não é.”

Foto: Reuters

Dilma acuada pelo Congresso, até quando?

Estado de S. Paulo - Editorial
Fonte: Estadão

Uma base de apoio assim, melhor não ter. É o que talvez esteja imaginando a presidente Dilma Rousseff diante da enorme dificuldade que encontra a cada dia para manter sob controle e minimamente afinada com os propósitos de seu governo a enorme, heterogênea e, tem-se visto, pouco confiável aglomeração de partidos que compõem aquilo que se convencionou chamar de maioria governista no Parlamento. O episódio da troca dos líderes do governo no Senado e na Câmara foi bem emblemático do espetáculo quase surreal que tem sido oferecido ao distinto público toda vez que Executivo e Legislativo discutem a relação, muitas vezes com o Judiciário formando a terceira ponta do triângulo. Nas últimas semanas, todas as iniciativas do Palácio do Planalto nesse assunto só têm feito piorar o quadro.

Afinal, o que está acontecendo? O governo não tem, de fato, ampla maioria no Parlamento? Tem uma maioria mais ampla do que aquela com que qualquer outro governo jamais pode contar nesses quase trinta anos depois da redemocratização do País. A atual maioria não é tão heterogênea e pouco confiável quanto aquela que deu apoio ao presidente Lula, principalmente em seu segundo mandato? Certamente, sim.

A diferença não está no Congresso. Está no Palácio do Planalto. Lula administrou tranquilamente a maioria parlamentar que ele próprio construiu graças a especialíssimas habilidades políticas respaldadas por sólido apoio popular. Mas ele tem tudo o que Dilma não tem: carisma, poder de sedução, malícia, paciência, uma concepção um tanto ligeira dos fundamentos da democracia e uma enorme capacidade de engolir sapos e fingir que não está vendo tudo o que é melhor ignorar. Lula inventou Dilma, tornou-a sua sucessora, mas seus poderes não chegam a ponto de conseguir transformá-la naquilo que ela não é.

É natural, portanto, que, ao herdar o modelo lulopetista de governar - do qual fez parte desde sempre, como ministra -, Dilma esteja sentindo grande dificuldade para dar continuidade ao pacto de poder construído por seu patrono. Mas isso não a absolve dos erros que tem cometido e que se refletem negativamente no governo. A óbvia obrigação de fazer a máquina do Estado funcionar implica também estabelecer com o Congresso uma relação produtiva em benefício dos interesses nacionais. E para se desincumbir dessa responsabilidade a chefe do governo dispõe de muitos recursos, simbolizados por sua caneta.

É claro que a ausência de uma incontrastável autoridade política como a de Lula estimula as raposas aliadas a ousadias contra Dilma que jamais cogitaram de praticar contra o ex-presidente. Insatisfeita desde a queda de Alfredo Nascimento do Ministério dos Transportes, a bancada do PR no Senado mandou um recado desaforado para o Planalto e declarou-se matreiramente na oposição. Cada vez mais, a matilha de apetite voraz que controla o Senado aumenta a pressão sobre Dilma. Cada vez mais, elevam-se as vozes de rebeldia na bancada governista na Câmara. Não foi por outra razão que Dilma deu bilhete azul para seus líderes no Senado, Romero Jucá, e na Câmara, Cândido Vaccarezza. E tanto pelo que as duas substituições significam em termos de alteração na correlação de forças no Parlamento quanto pela maneira desastrada como foram operadas, o resultado foi o agravamento da crise.

Por causa do clima de revolta reinante no Congresso, adiaram-se votações urgentes e relevantes, como a do Código Florestal e a da Lei Geral da Copa. É um exemplo claro de como a baixaria política que Dilma não consegue controlar pode afetar gravemente os interesses do País.

Não levará muito tempo para Dilma descobrir que, na tentativa de impor sua autoridade com a substituição das lideranças no Congresso, trocou seis por meia dúzia. Mas, mesmo que tenha de assumir o risco de ver a situação piorar muito, antes de melhorar, está mais do que na hora de a presidente da República, há quase quinze meses no poder, decidir se vai começar a governar de fato ou tornar-se definitivamente refém do fisiologismo e do atraso.


*Acrescentamos subtítulo, foto e legenda ao texto original

21 de mar de 2012

Brasileiro assassinado pela polícia australiana

BRASIL - AUSTRÁLIA
Brasileiro assassinado pela polícia australiana
Continua um mistério porque a polícia australiana matou o estudante brasileiro Roberto Laudisio Curti, 21 anos, com uma arma de choque, enquanto o perseguia, por acreditar ser ele suspeito de ter roubado um pacote de biscoito.

Foto: FaceBook

A foto postada no FaceBook, pelo próprio Roberto Laudisio, ao lado de uma amiga não identificada

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Bom Dia Brasil, BBC Brasil, The Australian, Adelaide Now, The Sydney Morning Herald

A morte do jovem brasileiro Roberto Laudisio Curti, 21 anos, assassinado, no domingo, 05h30, pela polícia australiana, continua envolta em mistério e contradições. O rapaz que estava no país para estudar e hospedava-se na casa de parentes, foi perseguido pela polícia, como suspeito de ter roubado um pacote de biscoito em uma loja de conveniencia, levou várias descargas da arma de eletrochoque taser, de um policial e tombou morto.

Foto: APP

Perito da policia colhe material na cena do crime, na rua Pitt Street em Sydnei

Até agora tudo leva a crer que houve um engano de identidade, Roberto Laudisio, não fora o autor do roubo e mesmo que tivesse sido, não poderia sofrer um ataque tão brutal da polícia, a ponto de acabar morto, como se fora um perigoso terrorista.

De acordo com o cônsul do Brasil em Sydney, André Costa, que está acompanhando as investigações e prestando auxílio à família do estudante, a polícia de Sydney ainda está sem respostas para algumas dúvidas que cercam o caso.

Entre elas estão as razões pelas quais as gravações da câmera de segurança da loja de conveniência onde, supostamente, o brasileiro teria furtado um pacote de biscoitos – episódio que deu início à ação policial - ainda não foram divulgadas.

Elas podem comprovar se Laudísio Curti teria realmente sido o responsável pelo furto. Segundo relatos, a descrição do ladrão não corresponderia à descrição de Roberto. O suspeito pelo roubo estaria sem camisa. Já Roberto, quando foi cercado pelos policiais, estava usando camisa.

Foto: Captura de video

Imagens do circuito externo de vídeo mostram o momento em que o brasileiro era perseguido pela polícia, segundos antes de morrer

Uma outra dúvida apontada pelo cônsul é sobre a quantidade de disparos feitos pelas armas taser. Segundo testemunhas, o brasileiro sido atingido mais três vezes mesmo após já estar caído no chão e gritando por socorro.

Foto: Divulgação

Uma arma similar essa, um Teser, utilizada como equipamento de defesa, que aplica uma descarga elétrica, acabou matando o brasileiro.

Segundo apurou o jornal The Daily Telegraph, os policiais não receberam treinamento adequado para usar a arma de choque, fazem apenas um dia de curso - metade teórico e metade prático - e despois de dispararem apenas duas vezes, são considerados aptos e autorizados a carregar e utilizar a arma nas patrulhas. Como consequência eletrocutaram o indefeso brasileiro.

Na Austrália há um acalorado debate visando suspender o uso do taser, pelo menos até que a morte do brasileiro seja completamente esclarecida.

A comissão mista de controle de armas, o Partido Verde de Nova Gales do Sul e representantes dos direito civis devem solicitar a interrupção do uso da arma pelo menos até que as investigações da comissão independente criada pelo governo esclareçam se a morte do brasileiro foi provocada pela arma que provoca paralisia.

Foto: Damian Shaw/APP

O corpo do estudante, visto na foto, no local do crime coberto por um lençol, já foi necropsiado e espera-se para qualquer momento a divulgação dos laudos.

As investigações sobre a morte do brasileiro estão sendo feitas pelo Departamento de Homicídios da polícia local, mas uma comissão independente criada pelo governo australiano para acompanhar o caso também começou a trabalhar nesta quarta-feira.

O tio de Roberto, o empresário João Eduardo Laudísio, que chegou a Sydney na noite desta terça-feira, disse não acreditar que o sobrinho tenha entrado na loja para roubar um pacote de biscoitos, já que ele tinha dinheiro suficiente e era um rapaz com uma conduta exemplar.

Segundo os amigos, Beto, como era tratado pela família, era um rapaz alegre e extrovertido que jamais pegaria um pacote de biscoito sem pagar.

O estudante estava na Austrália desde o ano passado para visitar a irmã e o cunhado e fazer um curso de inglês numa escola de Bondi Junction, um bairro no sul da cidade.

Na terça-feira, o governo brasileiro emitiu um comunicado no qual “deplora a notícia da morte de cidadão brasileiro em circunstâncias ainda não esclarecidas(...)"

Jornais australianos dizem que em São Paulo, amigos do jovem estão planejando para depositar centenas de pacotes de biscoitos na porta do consulado australiano, na próxima na sexta-feira, em protesto contra o que eles acreditam ser a reação da polícia desproporcionada em relação ao suposto roubo.


20 de mar de 2012

As Damas de Branco já estão “livres”?

CUBA
As Damas de Branco já estão “livres”?
As autoridades cubanas libertaram ainda no domingo (18) à noite as mais de 70 ativistas do grupo “Damas de Branco” que haviam sido detidas horas antes, quando realizavam uma marcha silenciosa, próximo a catedral de Havana, após terem assistido a missa dominical. O ato ganhou repercussão internacional, pois no próximo dia 26, o Papa Bento 16 iniciará uma visita de três dias a ilha.

Foto: Foto: Franklin Reyes / AP

Integrantes do grupo dissidente Damas de Branco ao saírem pelas ruas próxima a igreja de Santa Rita em Havana, neste domingo, foram detidas pelas autoridades

Postado por Toinho de Passira
Fontes:Blog Yohandry, Cuba Cuentro, Reuters, Miami Herald, G1

As autoridades cubanas libertaram ainda no domingo, (18) à noite, as 75 ativistas do grupo “Damas de Branco”, que haviam sido detidas, pela manhã quando saíram em caminhada, como fazem rotineiramente, pelas ruas próximas a paróquia de Santa Rita, depois da missa dominical. Após algumas históricas escaramuças no passado, as autoridades cubanas haviam tolerado essas marchas silenciosas das mulheres, e nos últimos tempos, não as haviam incomodado. Ao que parece, com a proximidade da visita do Papa Bento 16, que chega a ilha, no dia 26, mudaram de ideia.

. As Damas de Branco (Damas de Blanco) é um grupo de mães e esposas de "presos politicos" opositores da ditadura dos irmãos Castros, implantada em Cuba. O movimento surgiu em 2003, e possui como tradição a vestimenta branca utilizada com uma espécie de uniforme durante os protestos. Foi fundada pela dissidente Laura Pollán (falecida em outubro passado).

Em 2010, o grupo realizou várias manifestações em Cuba, foram ameaçados por populares simpaticos ao regime e receberam até proteção do governo, para evitar cenas de violência.

Nas últimas semanas, as Damas de Branco têm repetidamente solicitado uma audiencia ao Papa durante a sua visita. Consta que alguns dias antes das prisões as “Damas de Branco” haviam sido informadas extraoficialmente pelas autoridades que os “protestos” mesmo silenciosos não seriam mais permitidos. As integrantes do grupo que não residiam em Havana, na hora da liberação foram "deportadas" para suas cidades de origem, postas a contra gosto em ônibus, com o aviso de não voltarem a capital nos próximos dias, ou seja, estão proibidas de voltar a capital durante a permanência do Papa em Cuba.

O papa Bento 16, de 84 anos, visitará a ilha entre 26 e 28 de março em uma viagem que coincide com as celebrações pelo 400º aniversário do achado da imagem da Nossa Senhora da Caridade do Cobre, a padroeira de Cuba, e considerada o ícone religioso mais popular do país.

Bento em sua estada em Cuba ministrará duas missas e será recebido pelo presidente Raúl Castro, 14 anos depois da viagem do falecido João Paulo II a Havana.

"O grupo seguirá marchando semanalmente pedindo a libertação de todos os presos políticos com ânimo e espírito de valentia", disse Laura Maria Labrada, filha da fundadora Laura Pollán por telefone à Reuters.

O porta-voz do Conselho de Segurança nacional da Casa Branca, Tommy Vietor, disse, nesta segunda-feira, que as detenções na véspera da visita de Bento XVI ", ressalta o desprezo das autoridades cubanas para os direitos universais do povo cubano".

E acrescentou:

"O presidente Obama e o povo americano permanecem firmes aliados com as “Damas de Branco” e outras vozes corajosas na sociedade civil cubana, que demonstram o desejo do povo cubano de determinar livremente o futuro do país."


19 de mar de 2012

Dilma faz as pazes com a FIFA

BRASIL – COPA 2014
Dilma faz as pazes com a FIFA
A presidenta Dilma finalmente reuniu-se com o presidente da Federação Internacional de Futebol (Fifa), Joseph Blatter, nesta sexta-feira, após pedidos de desculpas dos chefões do futebol mundial e endurecimento por parte do governo brasileiro. Segundo ele, a reunião foi positiva e ela teria se comprometido em fazer o Brasil respeitar todos os acordos com a entidade para a organização da Copa do Mundo de 2014. Ninguém falou na sugestão de “pé na bunda” do Brasil sugerida por Jerome Valcke, secretario geral da FIFA.

Foto: Associated Press

Dilma e Joseph Blatter, suspendendo a queda de braço

Postado por Toinho de Passira
Fontes: BBC Brasil, IstoÉ, ESPN, BBC Brasil

O presidente da Federação Internacional de Futebol (FIFA), Joseph Blatter, se reuniu com a presidenta do Brasil, Dilma Rousseff durante uma hora para tratar das questões relativas à realização da próxima Copa do Mundo de Futebol. Essa foi a primeira reunião após a renúncia do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e do COL, Ricardo Teixeira, na última segunda-feira.

O chefão da FIFA Joseph Blatter saiu entusiasmado da reunião dizendo que “o governo brasileiro e a FIFA precisam trabalhar em conjunto para que possamos organizar uma das maiores copas de todos os tempos”, disse Blatter.

Estavam também presentes a reunião o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, e os ex-jogadores Ronaldo, membro do Comitê Organizador Local (COL) da Copa, e Pelé, "embaixador honorário" do Brasil para o Mundial.

O encontro também sucede desentendimentos entre o governo e a FIFA gerados com declaração há duas semanas do secretário-geral da federação, Jerome Valcke, que afirmou que o Brasil precisava levar um “chute no traseiro” para acelerar os preparativos para a Copa.

Tanto Blatter quanto Valcke pediram desculpas pela afirmação, depois de através do Ministro Aldo Rebelo o governo ter endurecido com a FIFA e exigia que o secretario geral Jerome Valcke fosse substituído como o homem de ligação entre a Federação Internacional de Futebol e o governo brasileiro.

Porém, com um tom levemente ameaçador, mostrando que não é refém do Brasil, Blatter comentou que há rumores de que a Inglaterra pode sediar a próxima Copa, caso o Brasil não atenda às reivindicações da federação.

"Tem algumas pessoas que dizem que até a Inglaterra poderia sediar essa próxima Copa, mas um país como o Brasil, que é do futebol, que vive e respira futebol, é muito importante ter essa Copa aqui".

Segundo Blatter, governo e Fifa concordaram em estreitar os laços para "não deixar tanto tempo passar".

A Fifa está descontente com o tempo levado pelo Brasil para aprovar a Lei Geral da Copa, que trata das responsabilidades da entidade e do governo no evento, bem como da venda de ingressos e comércio nos estádios durante os jogos.

Vetada pela legislação brasileira, a autorização para a venda de álcool nos estádios é o ponto da lei que tem gerado mais controvérsias.

Patrocinada pela cervejaria Budweiser, a FIFA diz não abrir mão da venda e que a autorização tinha sido acordada com o governo.

Parlamentares, especialmente da bancada evangélica, dizem, no entanto, que a medida feriria a legislação nacional e ameaçam rejeitar a lei caso o item que prevê a comercialização de álcool não seja retirado do texto.

O novo líder do governo na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), está tentando conciliar com as lideranças para fazer o projeto da Lei Geral ser votado nesta semana, em sessão extraordinária, uma vez que a pauta está obstruída por nove medidas provisórias.

Devido as recentes rebeliões das bancadas do PMDB, PR e ameaças do PDT, a aprovação da lei, ainda é uma incógnita.

Foto: Associted Press

“Se donner un coup de pied aux fesses” disse o secretário-Geral da Fifa, Jèrôme Valcke, sobre os atrazos nas obras para a Copa do Mundo de 2014, no Brasil. Traduzida ao pé da letra, por aqui as palavras do dirigente, pegou muito mal, pois foram interpretadas como que a FIFA precisava “dar um pé na bunda” do Brasil para nos despertarmos do marasmo.

Porém, a coordenadora de língua francesa do departamento de letras da USP, Adriana Zavaglia, afirmou que a expressão foi mal traduzida:

“Trata-se de uma expressão idiomática. Não dá para traduzir palavra por palavra. A expressão idiomática, usada pelo secretario, significa ‘se esforçar’, ‘acelerar o ritmo’.

Mania dos franceses de usar a bunda desnecessariamente.

14 de mar de 2012

Antes da execução, a última entrevista

CHINA
Antes da execução, a última entrevista
O incrível programa da TV chinesa, faz o maior sucesso, entrevistando condenados à morte, as vésperas da execução.

Foto: BBC

Apresentadora, Ding Yu, é conhecida pelos telespectadores como "bela entre as feras"

Postado por Toinho de Passira
Fonte:BBC Brasil

Semanalmente, na província de Henan, no centro da China, milhões de pessoas assistem a um extraordinário programa de televisão intitulado, em tradução literal, "Entrevista Antes da Execução". Nele, a repórter Ding Yu entrevista assassinos condenados à morte.

Para garantir o entrevistado da semana, Ding e sua equipe vasculham relatórios publicados por tribunais à procura de casos.

Os jornalistas têm de agir rápido, porque os prisioneiros podem ser executados sete dias após receberem a sentença.

Aos olhos ocidentais, um programa desse tipo pode parecer uma exploração, mas Ding não concorda.

"Alguns telespectadores podem considerar cruel pedir a um criminoso que conceda uma entrevista quando está prestes a ser executado. Pelo contrário, eles querem ser ouvidos", diz.

"Alguns criminosos que entrevistei me disseram: 'Estou realmente muito satisfeito. Eu disse a você tantas coisas que trazia no meu coração. Na prisão, não havia alguém com quem eu quisesse falar sobre acontecimentos do passado'".

O programa foi transmitido pela primeira vez no dia 18 de novembro de 2006 no Canal Lega de Henan, uma entre 3 mil estações de TV estatais da China. Ding vem entrevistando um prisioneiro por semana desde então.

O objetivo, segundo a produção do programa, é encontrar casos que servirão como um alerta para outras pessoas. Um slogan repetido no início de cada programa pede que a natureza humana acorde e "perceba o valor da vida".

Na China, 55 crimes podem ser punidos com a pena de morte, entre eles, assassinato, traição, rebelião armada, suborno e contrabando.

Recentemente, 13 delitos deixaram de ser puníveis com a pena de morte, entre eles, contrabando de relíquias e alguns tipos de fraude.

O programa, entretanto, tem como foco exclusivo os assassinatos violentos.

Foto: BBC

Ding Yu diante de um presidio onde há prisioneiros condenados à morte, uma macabra rotina semanal

Acredita-se que haja, na China, mais execuções do que em qualquer outro país - embora o número exato seja segredo de Estado

Na lei chinesa não existe uma presunção de que uma pessoa é inocente a não ser que se prove o contrário.

Às vezes, confissões são obtidas antes que o suspeito(a) tenha acesso a um advogado.

Prisioneiros condenados são mortos com um tiro atrás da cabeça ou por injeção administrada dentro de uma unidade móvel de execuções - um caminhão.

Prisioneiros políticos ou casos onde existe dúvida sobre a autoria do crime não são incluídos no programa. E a equipe tem de obter o consentimento do tribunal superior de Henan antes de cada entrevista.

"Sem esse consentimento, nosso programa terminaria imediatamente", disse Ding à BBC.

As transmissões ocorrem nos sábados à noite. Com quase 40 milhões de telespectadores, o programa está entre os dez mais vistos da província, onde vivem cem milhões de pessoas.

Após mais de 200 entrevistas, Ding Yu é hoje uma estrela, conhecida por muitos como "a bela com as feras".

Se as pessoas não prestam atenção aos avisos que o programa oferece, ela diz, então devem sofrer as consequências.

"Sinto pena e lamento por eles. Mas não tenho simpatia por eles, porque devem pagar um preço alto por seus erros. Eles merecem (a punição)."

Muitos dos casos apresentados no programa são motivados por dinheiro e um caso em particular chamou a atenção de Ding.

Os criminosos eram um casal de namorados - jovens, educados e com nível superior.

O plano envolvia roubar os avós da condenada mas não deu certo. O condenado, Zhang Peng, de 27 anos, acabou matando os avós da namorada.

"Eles eram tão jovens. Nunca tiveram a oportunidade de ver o mundo, ou de desfrutar da vida, da carreira, do trabalho ou do amor à família. Fizeram a escolha errada e pagaram com suas vidas", diz.

No entanto, após tantas entrevistas, poucas coisas a surpreendem. "Já entrevistei criminosos ainda mais jovens do que aquele estudante, alguns tinham apenas 18 anos. Esta é a idade mínima em que você pode ser condenado à morte."

Foto: BBC

Bao Ronting condenado à morte por ter matado a mãe foi o primeiro homossexual que Ding Yu conheceu

A homossexualidade ainda é um grande tabu na China. Por isso, em 2008, quando o programa apresentou o caso de Bao Ronting, um homossexual que havia matado a mãe, índices de audiência chegaram ao pico.

Foi a primeira vez que Ding encontrou um homossexual assumido. "Foi a primeira vez que encontrei um homossexual, então não pude aceitar suas ações, palavras e práticas", afirma.

"Embora ele fosse um homem, perguntou-me com um tom muito feminino: 'Você se sente estranha falando comigo?' Na verdade, me senti muito estranha".

Ding e sua equipe fizeram mais três programas sobre o caso de Bao Ronting e o acompanharam até o dia de sua execução, em novembro de 2008.

Durante esses encontros, Bao perguntou a Ding: "Eu vou para o céu?"

Refletindo sobre essas palavras, ela diz: "Eu sou testemunha da transição entre vida e morte".

No dia de sua execução, Bao Ronting foi exibido pelas ruas, em cima de um caminhão, com uma placa pendurada em seu pescoço detalhando seu crime. A prática é ilegal na China hoje - mas a lei nem sempre é respeitada.

Fotos: BBC



Ding Yu, entrevistando seus convidados, prestes a serem executados. Ela diz que alguns dos prisioneiros agradecem pela oportunidade de falarem e serem ouvidos

O juiz Lui Wenling, que dá consultoria à produção do programa, disse que as coisas estão mudando no sistema legal chinês.

"A política criminal na China é matar menos e com mais cautela e combinar brandura com rigor".

"Isso quer dizer, se o caso é apropriado para um tratamento brando, seja brando, e se o caso deve ser tratado de forma rigorosa, dê uma punição rigorosa".

Ding cobriu recentemente o caso de Wu Yanyan, uma jovem mãe que matou o marido após ter, supostamente, sofrido anos de abusos.

Inicialmente, ela foi condenada à morte pelo assassinato mas, desde 2007, todo veredito de execução na China tem que ser aprovado pelo Supremo Tribunal.

O tribunal decidiu que os abusos constituíam circunstâncias atenuantes e retornou o caso várias vezes ao tribunal local, até que a sentença de morte fosse suspensa.

Ding visitou a prisão com a filha de Wu Yanyan para um emocionante reencontro.

Se a jovem mãe continuar a se comportar bem na prisão, pode, após dois anos, acabar sendo libertada - um pequeno sinal de que as coisas estão mudando no país.

O juiz Pan, um dos mais liberais do país, assim como algumas outras importantes autoridades do judiciário chinês, anteveem mais reformas de grande alcance no sistema futuramente.

"Uma vida pode terminar em um piscar de olhos após um julgamento. Eu diria que isso é também muito cruel", disse Pan.

"Deveríamos abolir a pena de morte? Uma vez que a sentença de morte para criminosos é em si mesma um ato violento, deveríamos aboli-la. Entretanto, não acho que nosso país esteja pronto ainda", conclui.


13 de mar de 2012

Arlindo Chinaglia é o novo líder do governo

BRASIL – CÂMARA FEDERAL
Arlindo Chinaglia é o novo líder do governo
A presidente Dilma Rousseff escolheu nesta terça-feira o deputado federal Arlindo Chinaglia (PT-SP) para ser o novo líder do governo na Câmara, que substitui o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) completando as mudanças nas duas casas legislativas, após estremecimento e vacilações na base aliada.

Foto: Roosewelt Pinheiro/Agencia Brasil

Na Câmara desde 1995, Chinaglia está em seu quinto mandato de deputado federal

Postado por Toinho de Passira
Fontes: G1, Agência Brasil, Último Segundo, Reuters, Congresso em Foco

Após ter anunciado a troca na liderança do governo no Senado: Eduardo Braga (PMDB-AM) substituindo Romero Jucá (PMDB-RR), a presidente Dilma Rousseff resolveu trocar também a liderança do governo na Câmara, entronando o deputado federal Arlindo Chinaglia (PT-SP)no lugar de Cândido Vaccarezza (PT-SP).

Além de ter presidido a Câmara entre 2007 e 2009, Chinaglia foi líder do PT entre 2004 e 2005 e líder do governo Lula em 2005.

No ano passado, foi relator-geral da Lei Orçamentária Anual. Durante seu tempo na presidência da Câmara, ficou conhecido pelo apelido de “cinco para as sete”. O petista criou brigas com deputados pela resistência em estender as sessões plenárias e evitar o pagamento de horas extras a servidores. Para não ter que pagar hora extra, ele encerrava as sessões sempre cinco minutos antes das 19h.

Entre as opções colocadas na mesa, a de Chinaglia é que reflete o maior trânsito dentro da bancada do PT. Apesar de ter tido problemas de relacionamento com deputados do baixo clero na época da presidência da Câmara – frequentemente era classificado como arrogante pelos colegas -, Chinaglia é conhecido também pelo poder de debate e persuasão.

A escolha de Chinaglia por Dilma reforça um grupo formado por parte do PT paulista e de outras tendências do partido. O ex-presidente da Câmara foi o principal articulador da candidatura de Marco Maia (PT-RS) à candidatura da Casa em 2010. Na oportunidade, ele conseguiu mobilizar a maior parte da bancada para tirar o então líder do governo Cândido Vaccarezza (PT-SP) da disputa. Na época, Vaccarezza tinha a preferência dos partidos aliados.

Ninguém porém é perfeito, registre-se a estreita influencia do mensaleiro José Dirceu e sua ala paulista, sobre o deputado Chinaglia.


Igreja do Evangelho Quadrangular: A guerra nada santa dos pastores

BRASIL - VIOLÊNCIA
Igreja do Evangelho Quadrangular
A guerra nada santa dos pastores

O líder da Igreja do Evangelho Quadrangular pastor Mário de Oliveira, deputado federal no sétimo mandato, é acusado, novamente, entre outras coisas, de tramar a morte de desafetos.

Foto: Fabio Pozzebom/Agência Brasil

Deputado Mário de Oliveira depondo, em 2007, como acusado no Conselho de Ética da Câmara, acusado de contratar um pistoleiro para matar um colega. No seu blog ele comenta; “Deus não olhou para o passado de Moisés, afinal, ele tinha matado um homem”. O que será que ele está querendo dizer com isso?

Postado por Toinho de Passira
Fonte: Blog do Pastor Deputado Mário de Oliveira, Revista Veja - 12/03/2012

A Igreja do Evangelho Quadrangular é um portento religioso: tem 3 milhões de membros, cerca de 15000 igrejas espalhadas pelo país e uma arrecadação anual estimada em meio bilhão de reais. Presidida pelo pastor Mário de Oliveira, que está no exercício do sétimo mandato de deputado federal, a instituição se orgulha principalmente do trabalho de assistência social que realiza, inclusive no exterior. Seus líderes gostam de repetir, por exemplo, que enviaram mais alimentos às vítimas do tsunami que varreu a Ásia, em dezembro de 2004, do que o governo brasileiro.

"Pregamos uma vida cristã ilibada e de honestidade. Uma vida regrada, sem envolvimento com vícios, com a corrupção", diz Oliveira. Esse receituário é nobre e comum à maioria das designações religiosas. No caso da Igreja do Evangelho Quadrangular, merece destaque por uma aparente contradição. Mário de Oliveira, que é presidente da instituição há dezesseis anos, é acusado por dois pastores de não seguir o que prega. Mais do que isso: de subverter tudo o que qualquer religião proclama ao encomendar a morte de duas pessoas, ludibriar as instituições e enriquecer à custa de fiéis.


Pastor Deputado Mário de Oliveira, pregando numa convenção da Igreja Quadrangular.

Essas acusações foram feitas formalmente, em 19 de fevereiro passado, na Superintendência da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul. Partiram do pastor Osvaldeci Nunes, que privou da intimidade do deputado Mário de Oliveira durante cerca de quatro anos.

Num depoimento que durou sete horas, Osvaldeci Nunes contou que, em 2009, o presidente da Igreja do Evangelho Quadrangular lhe pediu para contratar um pistoleiro para matar Maria Mônica Lopes, ex-cunhada do parlamentar. O assassinato seria encomendado porque Maria Mônica, ao se separar de um irmão de Mário de Oliveira, ficou com metade de uma fazenda que, na verdade, pertenceria ao deputado.

As terras, localizadas em Miranda (MS), foram vendidas e Mônica ficou com uma parte do dinheiro. Mário de Oliveira não gostou, pois considerava a ex-cunhada apenas um laranja.

"Ele tem um ódio mortal dela, que ainda corre risco de morrer", afirmou Osvaldeci Nunes. Para comprovar o que disse, o pastor anexou ao depoimento fotos e informações levantadas por um detetive sobre a rotina de Maria Mônica. Era, segundo ele, a preparação para o crime que acabou não acontecendo.

Na semana passada, o deputado Mário de Oliveira conversou com VEJA. Ele admitiu que conhece muito bem o pastor Osvaldeci Nunes. Confirmou também a venda da fazenda em Miranda e o litígio com a ex-cunhada, mas negou que tenha encomendado a morte dela.

"O Osvaldeci é um mentiroso compulsivo, um psicopata", diz. Mônica não quis se pronunciar. Segundo o deputado, o pastor foi à Polícia Federal porque fracassou na tentativa de extorquí-lo. Desde 2009, o pastor exige dinheiro - sempre ele! - para não contar "tudo o que sabe". Para não revelar os segredos da igreja. Osvaldeci teria pedido 50000 reais e uma promoção na hierarquia da instituição. As supostas ameaças foram feitas por meio de mensagens enviadas por celular. Mário de Oliveira conta que repassou os torpedos ao Ministério Público de Minas Gerais, que ajuizou uma ação contra o antigo colega de pregação.

Osvaldeci Nunes admitiu que mandou as mensagens a Mário de Oliveira, mas ressaltou que só agiu assim para se defender, já que teria sido ameaçado de morte por três vezes. Sobre o motivo da discórdia - dinheiro -, o pastor confirma que pediu, mas nada a ver com extorsão. "Ele me deve uma indenização trabalhista", garantiu.

Foto: Antonio Cruz/ABr
HISTORIA ANTIGA - 16 de Agosto de 2007 - O deputado Carlos Willian, também pastor, chora no Conselho de Ética da Câmara e pede agilidade na apuração do processo contra o deputado Mário de Oliveira, acusado de contratar pistoleiros para matá-lo. O processo acabou arquivado por falta de provas.
Não é, porém, a primeira vez que o líder da Igreja do Evangelho Quadrangular é acusado de mandar matar desafetos. Em 2007, a polícia de São Paulo prendeu um pistoleiro supostamente contratado por Mário de Oliveira para matar o então deputado federal Carlos Willian, ex-integrante da igreja. Por envolver parlamentares, o caso chegou a ser investigado no Supremo Tribunal Federal, mas foi arquivado por falta de provas.

O depoimento de Osvaldeci Nunes também traz novidades sobre o crime. Além de confirmar a participação do deputado na trama abortada pela polícia, ele confessa ter subornado a principal testemunha do caso para livrar Mário de Oliveira das acusações.

"O Mário deu 50000 reais ao Odair (o pistoleiro) para mudar o depoimento. Quem foi levar o dinheiro para o Odair fui eu, no hotel Royal Palace, no centro de Belo Horizonte, em junho de 2007."

Donizete de Amorim é ex-motorista do secretário nacional de comunicação da igreja. Ele frequentava a casa e a fazenda de Mário de Oliveira em Minas Gerais. O motivo do crime? Em seu depoimento, o pastor contou que Mário acusava Carlos Willian de roubar 800000 reais de uma emissora de rádio controlada pela igreja. Na semana passada, o pastor Donizete de Amorim confirmou à PF todas as acusações contra o deputado.

Dinheiro, dinheiro, dinheiro ... O dinheiro parece estar no centro de todas as denúncias que pairam sobre o líder da igreja. Desde 2008, o deputado é investigado no Supremo Tribunal Federal também por formação de quadrilha, estelionato e falsidade ideológica. Trata-se de uma apuração iniciada no Ministério Público de Minas Gerais sobre irregularidades na execução de convênios públicos destinados à recuperação de dependentes químicos - um inusitado e instigante caso de milagre remunerado.

Os pastores prometiam curar viciados em drogas apenas com orações. Não curaram ninguém, evidentemente, mas embolsaram uma fortuna destinada ao programa. O dinheiro foi parar na conta de alguns pastores, em propriedades da igreja e em bancos no exterior. O relatório do processo aponta indícios de que Mário de Oliveira tinha - plena ciência do esquema fraudulento que envolvia os milagrosos convênios da Quadrangular. "Eu já fui inocentado disso", garantiu o deputado.

Nascido numa família humilde, Mário de Oliveira teve uma infância difícil. Ele conta ter calçado um sapato pela primeira vez aos 14 anos de idade. Ganhava a vida como ajudante de padeiro e servente de pedreiro até entrar para a igreja. Aos 19 anos, já pregava, dando início a uma impressionante ascensão dentro da Quadrangular.

"Ele é uma espécie de mito na igreja", conta o pastor Jefferson Campos, que está no terceiro mandato de depurado federal. O mito seria resultado, além de um competente trabalho de evangelização, do crescimento em progressão geométrica da instituição.

Foto:

Congresso Estadual de Mulheres da Igreja do Evangelho Quadrangular, 2010, em São Paulo

Nos últimos dezesseis anos, período em que ele está na presidência, a igreja se espraiou por todas as unidades da federação e amealha um rebanho cada vez maior.

Ao mesmo tempo, Mário de Oliveira trocou a realidade franciscana dos tempos de infância por um patrimônio respeitável. Hoje, a família dele tem casas, lotes, fazendas e carros de luxo.

Na declaração de renda que entregou à Justiça Eleitoral em 2006, o deputado apresenta uma relação de bens no valor módico de 2,3 milhões de reais.

Em 2010, o patrimônio caiu para 687000 reais. Não, o pastor não decidiu fazer voto de pobreza. O político Mário de Oliveira conta ter ficado deprimido, com medo de morrer, e por isso transferiu parte de seus bens para os sobrinhos.