28 de fev de 2011

Oscar 2011: Uma festa sem surpresas, os favoritos ganharam

Oscar 2011
Uma festa sem surpresas, os favoritos ganharam
“O Discurso do Rei” foi o grande vencedor da noite, com quatro estatuetas.O filme “Lixo Extraordinário, co-produção brasileiro-britânica, lamentavelmente não ganhou o prêmio

Foto: Monica Almeida/The New York Times

Natalie Portman, 29 anos, ganhou o Oscar de melhor atriz por seu papel como uma bailarina atordoada em "Cisne Negro". Portman treinou cinco horas por dia durante seis meses para representar a bailarina. O filme foi um sucesso de público e crítica, com arrecadação mundial de mais de 200 milhões de dólares. Como bônus, Portman está grávida e vai se casar com o pai do bebê, um dançarino que ela conheceu no set do "Cisne Negro".

Postado por Toinho de Passira
Fontes: The New York Times, O Globo, G1, BBC Brasil, O Globo, BBC Brasil, Le Figaro

O filme O Discurso do Rei foi o grande vencedor da cerimônia do Oscar 2011, realizada em Los Angeles, na noite de domingo.

Colin Firth foi escolhido o melhor ator e a produção britânica levou ainda os prêmios de melhor filme, melhor diretor para Tom Hooper e melhor roteiro original.

A rede social, de David Fincher, recebeu três troféus: roteiro adaptado, trilha original e edição.

Christian Bale e Melissa Leo ficaram com os prêmios de melhor ator e atriz coadjuvantes por suas atuações no filme de boxe O Lutador.

A origem, de Christopher Nolan, dominou os prêmios técnicos da noite, levando os Oscars de efeitos visuais, fotografia, mixagem e edição de som.

Foto: Reuters

Colin Firth, que era o grande favorito por sua interpretação do Rei George VI em sua luta contra a gagueira, fez um discurso bem-humorado.

"Tenho a sensação de que minha carreira acabou de chegar ao seu ponto alto", disse ele.

O diretor Tom Hooper homenageou os astros do filme.

"Muito obrigado a meus maravilhosos atores, o triângulo amoroso masculino formado por Colin Firth, Geoffrey Rush e eu. Eu só estou aqui por causa de vocês."

Natalie Portman, grávida do primeiro filho, fez um discurso emocionado.

"Isso é insano e eu verdadeiramente, sinceramente gostaria que o prêmio hoje fosse trabalhar com as outras indicadas. Eu estou maravilhada com vocês", disse ela a Annette Bening, Nicole Kidman, Jennifer Lawrence e Michelle Williams.

Foto: Divulgação

Toy story 3, que também concorria à estatueta de melhor filme, ficou com os prêmios de melhor longa-metragem de animação e também de canção original, por "We belong together".

A versão de Tim Burton do clássico Alice no País das Maravilhas também levou dois troféus: figurino e direção de arte.

A melhor produção estrangeira foi o filme dinamarquês Em um Mundo Melhor e o prêmio de melhor maquiagem foi para O Lobisomem.

A estatueta de melhor documentário foi para Inside Job (Trabalho Interno), sobre a crise financeira nos Estados Unidos em 2008, que desbancou a coprodução Brasil/Reino Unido Lixo Extraordinário, sobre o trabalho do artista Vik Muniz com catadores de lixo do aterro do Gramacho. Ele foi dirigido pela britânica Lucy Walker e pelos brasileiros Karen Harley(pernambucana) e João Jardim.

Foto: Getty Images

Após receber o prêmio, o diretor Charles Ferguson disse: "Desculpem-me, mas preciso começar dizendo que três anos após a nossa terrível crise financeira causada por fraudes, nenhum executivo sequer do setor financeiro foi para a cadeia e isso está errado".

Arte G1

Confira abaixo os principais vencedores e a lista completa de prêmios.

Melhor direção de arte
- "Alice no País das Maravilhas"

Melhor fotografia
- "A origem"

Melhor atriz coadjuvante:
- Melissa Leo – “O vencedor”

Melhor curta-metragem de animação
- "The lost thing", de Shaun Tan, Andrew Ruheman

Melhor longa-metragem de animação:
- "Toy story 3"

Melhor roteiro adaptado
- “A rede social”

Melhor roteiro original
- “O discurso do rei”

Melhor filme de língua estrangeira
- "Em um mundo melhor" (Dinamarca)

Melhor ator coadjuvante
- Christian Bale – “O vencedor”

Melhor trilha sonora original
- "A rede social" - Trent Reznor e Atticus Ross

Melhor mixagem de som
- "A origem"

Melhor edição de som
- "A origem"

Melhor maquiagem
- "O lobisomem"

Melhor figurino
- "Alice no País das Maravilhas"

Melhor documentário em curta-metragem
"Strangers no more"

Melhor curta-metragem
- "God of love"

Melhor documentário (longa-metragem)
- "Trabalho interno"

Melhores efeitos visuais
- "A origem"

Melhor edição
- "A rede social"

Melhor canção original
- "We belong together", de "Toy story 3"

Melhor diretor
- Tom Hooper – “O discurso do rei”

Melhor atriz
- Natalie Portman – “Cisne negro”

Melhor ator
- Colin Firth – “O discurso do rei”

Melhor filme
- “O discurso do rei”


27 de fev de 2011

CLÁSSICOS DOS QUADRINHOS: CHRIS BROWNE - Hagar, o horrível (040)

CLÁSSICOS DOS QUADRINHOS
CHRIS BROWNE - Hagar, o horrível
040



Veja as publicações anteriores de HAGAR


LÍBIA: Euforia em Benghazi, "Capital" dos rebelados líbios

LÍBIA
Euforia em Benghazi, "Capital" dos rebelados líbios
Em Benghazi, cidade onde a revolta começou, ruínas de quartel-general de Gaddafi viram ponto de visitação. População festeja nas ruas e liberta presos pelo ditador; moradores falam em 1.200 mortos desde início da revolta. Rebeldes aproximam-se cada vez mais de Trípolí, o reduto da resistência de Kadhafi

Foto: Lynsey Addario/The New York Times

Quartel-general do Exército líbio em Benghazi, vira “passeio turístico” rebelde

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Folha de São Paulo, Al Jazeera, The New York Times, Reuters

O jornalista Marcelo Ninio, enviado especial da Folha de São Paulo, conta direto de Benghazi (Líbia), que as ruínas do quartel-general do Exército líbio em Benghazi, a cidade que deu início à revolta popular contra o regime de Muammar Gaddafi, viraram ponto de encontro de famílias e monumento à vitória contra o regime.

No amplo complexo militar ocorreram alguns dos confrontos mais violentos entre manifestantes e forças leais a Gaddafi, e ninguém conta em menos de 500 o número de mortos. Na cidade, o total estimado pelos moradores é de 1.200.

O médico Zakaria Alkatir é um dos que levaram os filhos para ver os destroços da base militar. Ele conta que estava de plantão num dos hospitais da cidade e recebeu dezenas de mortos e feridos a bala nos confrontos.

"Uma das salas do hospital tinha uma pilha de cadáveres", disse o médico. "Quando a poeira baixar e a verdade vier à tona, o mundo ficará horrorizado".

Foto: Getty Images

Rebeldes comemoram diante do dominado quartel-general do Exército líbio em Benghazi

Perto dali, um tumulto se forma quando dezenas de jovens começam a cavar num ponto isolado do complexo.

Munidos de picaretas, marretas e pás, abrem um buraco no chão para livrar prisioneiros que o Exército colocou em masmorras concretadas. É possível ouvir suas vozes pelo pequeno orifício aberto a marretadas.

"Há 150 prisioneiros vivos aí", diz um dos jovens, logo depois de dar um tiro para o alto para conter a euforia.

Segunda maior cidade da Líbia, com cerca de 1 milhão de habitantes, Benghazi respira ares de uma nova era. Desde domingo sob o controle dos opositores, os moradores da cidade acompanham com aflição os desdobramentos da revolta na capital, Trípoli, mas sem perder a confiança de que o ditador está com os dias contados.

A debandada das forças de Gaddafi do leste do país é uma realidade, ainda que o controle da região pelas forças da oposição nem sempre seja visível.

Nos quase 500 km que separam Tobruk de Benghazi, as duas maiores cidades da região, a impressão é de uma terra de ninguém.

Foto: Getty Images

Jovens líbias caras pintadas com as cores da Líbia

Se na estrada entre a fronteira egípcia e Tobruk a reportagem da Folha foi parada várias vezes em barreiras montadas por civis, no percurso até Benghazi praticamente não há ninguém.

Na chegada à cidade, o clima muda. Sob chuva intensa, centenas de pessoas estavam nas ruas para manifestar apoio à revolução.

"Não temos mais motivo para escolher outra palavra: esta é a nossa revolução", exulta o médico Khalifa Ilfaitury. Por toda a cidade alguém para a reportagem para explicar o que houve ou xingar Gaddafi.

O espírito revolucionário dá mostras de comprometimento e generosidade, que inclui ofertas de todo o tipo aos jornalistas estrangeiros.

"Precisamos ajudar a levar a verdade ao mundo", diz o empresário Salah Elghoul. Táxis tornam-se irrelevantes, enquanto motoristas se oferecem para levar repórteres de graça.

Foto: Getty Images

Os revolucionários comemoram sob a antiga bandeira líbia, dos tempos da independência.

A bandeira nacional de Gaddafi, toda verde (cor do islã), foi definitivamente trocada pelas cores da bandeira da independência da Líbia, em listas horizontais vermelha, preta e verde.

Um grande hotel de Benghazi, que costumava ser propriedade do regime, foi tomado pelos manifestantes.

Pelo lobby, circulam jovens vestidos com abrigos esportivos e levando fuzis a tiracolo. Rumores sobre o que acontece na parte do país ainda dominada por Gaddafi proliferam.

Foto: Lynsey Addario/The New York Times

Um colar de munição anti-aérea conduzida por rebeldes

No fim da noite em Benghazi, Alla Benaziz, estudante de 24 anos cujo pai desertou do Exército líbio, chega com notícias "preocupantes" de Trípoli. Diz que um amigo viu mais de 300 tanques partirem da base onde está Gaddafi rumo ao sul da capital.

"Certamente o plano é matar o maior número possível de civis e acabar com a revolução", diz. "Mas eles não vão conseguir, nós vamos resistir", completa.

Foto: Reuters

Rebeldes comemoram nas ruas de Zawiyah

As últimas notícias transmitidas pela agência de notícias Reuters, diz que os rebeldes tomaram o controle da cidade de Zawiyah, cerca de 50 quilômetros ao oeste da capital, Trípoli, neste domingo, e a bandeira vermelha, verde e preta dos rebelde tremula na cidade libertada.

"Essa é a nossa revolução", gritava uma multidão de centenas de pessoas com os punhos erguidos, no centro da cidade. Algumas pessoas estavam em cima de um tanque capturado. Mulheres ficaram no alto dos edifícios torcendo pelos homens, que estavam na multidão.

"A Líbia é a terra dos livres e honrados", dizia uma faixa. Outra mostrava a cabeça de Gaddafi num corpo de cachorro.

Buracos de balas marcavam prédios queimados, onde os conflitos foram mais intensos, enquanto que veículos incendiados estavam abandonados pelas ruas.

Foto: Al Jazeera

CURSO RÁPIDO DE ARTILHEIRO - Um oficial do exército líbio, que desertou para o lado rebelde, ensina o funcionamento de uma bateria anti-aérea para os civis rebeldes, em Benghazi O exército rebelde está se preparando para lutar contra as forças do líder líbio Kadhafi


CUBA: Os policiais do cemitério - Yoani Sánchez

CUBA
Os policiais do cemitério
O regime cubano policia o tumulo do mártir Orlando Zapata Tamayo tentando para evitar homenagens no primeiro aniversário da sua morte

Foto: Geración Y

Yoani Sánchez
Fonte: Desde Cuba - Generación Y

Os cemitérios das aldeias são pitorescos e tristes: tumbas pintadas de cal com o sol caindo todo dia sobre as lousas e umas ruas de terra aprisionada pelo caminhar dos parentes do defunto. São lugares em que, geralmente, só se escuta chorar. Porém há um cemitério no povoadinho de Banes que tem dado abrigo a gritos insólitos nestes doze meses. Cruzes ao redor das quais a intolerância não tem tido pudor, não tem baixado a voz do modo como se faz ante uma lápide. Desde há vários dias, para cúmulo, a entrada do lugar está vigiada, como se os vivos pudessem controlar o espaço onde jazem os mortos. Dezenas de policiais querem impedir que amigos e conhecidos de Orlando Zapata Tamayo vão lembrar o primeiro aniversário da sua morte.

Os que agora mesmo patrulham ao redor da tumba deste pedreiro, sabem muito bem que nunca poderão acusá-lo – como fizeram com outros – de ser um membro da oligarquia que pretendia recuperar suas propriedades. Este mestiço, nascido depois do triunfo da revolução, que não foi autor de uma plataforma política nem pegou em armas contra o governo, converteu-se num símbolo inquietante para os que se aferram – eles sim – as posses materiais que conseguiram com o poder: as piscinas, os iates, as garrafas de whisky, as vultosas contas bancárias e as mansões por todo território nacional. Um homem criado sob a doutrinação ideológica, se lhes escapou pela porta da morte e lhes deixou do outro lado do umbral, mais débeis e mais fracassados.

Às vezes o final de uma pessoa a coloca para sempre na história. É o caso de Mohamed Bouazizi, o jovem tunisiano que se ateou fogo em frente a um edifício governamental porque a polícia lhe havia confiscado as frutas que vendia numa praça. As conseqüências da sua imolação eram totalmente imprevisíveis quanto mais o “efeito dominó” que desencadeou no mundo árabe. A morte de um cubano, ocorrida em 23 de fevereiro de 2010, criou para o governo uma efeméride incômoda no almanaque. Agora mesmo, quando Raúl Castro se apresta a comemorar seus três anos de mando nos timões da nação, muitos se perguntam o que vai ocorrer em Banes, no pequeno cemitério onde os defuntos são mais patrulhados que os presos no cárcere.

Apesar da polícia política cercar muitos, não poderá impedir que durante esta semana – no interior das casas – seja mais evocado o nome do defunto Zapata Tamayo do que o longo rosário de cargos do General Presidente.


* Traduzido por Humberto Sisley de Souza Neto

A banda estreita de Dilma

BRASIL
A banda estreita de Dilma
O governo alardeia um Programa Nacional de Banda Larga. Constata-se que será caro, de baixa velocidade, atingirá apenas para pouco mais de 50% dos lares brasileiros e só estará funcionando no longínquo 2014. Pela velocidade tecnológica da informática, quando, se for concluído, estará tão obsoleto que será inútil.

Ilustração de Toinho de Passira sobre foto de Roberto Stuckert Filho/PR

Fernando Rodrigues
Fontes: Folha de São Paulo

É louvável o governo federal se preocupar em tornar universal o acesso à internet no Brasil. Antes tarde do que nunca. Mas há um evidente exagero em chamar de Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) um programa cuja velocidade de conexão oferecida será de 516 kbps a 784 kbps (kilobits por segundo). Nessas condições, o usuário mal consegue baixar os e-mails que recebe. Com certeza, não os baixará se estiverem com alguns arquivos de fotos anexados.

Para piorar, esse acesso dito barato (até R$ 35 mensais) e de baixa velocidade só estará disponível de forma disseminada (em 68% dos domicílios) em 2014. Daqui a quatro anos, o que hoje é considerado lento talvez se torne inútil. O ministro da Comunicações, Paulo Bernardo, em uma entrevista recente explicou a opção pela lentidão: "Para algumas finalidades, é uma velocidade satisfatória. Para ler jornais, baixar e subir fotos, para um uso modesto. Mas hoje, no Brasil, 34% das conexões são de até 256 kbps; 20%, de 256 kbps a 1 mbps [megabits por segundo]; e acima de 8 mbps tem somente 1%. Então, disseminar 512 kbps vai ser um avanço enorme, mas isso não nos exime de fazer um plano para ter conexões de 2 gbps [gigabits por segundo] no Brasil em oito anos".

O cenário é desalentador. Primeiro, um serviço de internet lento e de baixa qualidade nos próximos quatro anos. Conexões mais sofisticadas, só no final desta década.

Ao resignar-se a esse atraso tecnológico, o governo admite sua incompetência gerencial. Condena o Brasil ao século passado. Informação é uma commodity vital para o desenvolvimento. É inconcebível uma administração há oito anos e dois meses no Palácio do Planalto ainda não ter pensado em como abreviar os prazos de implantação de uma banda larga real no país.

Dilma Rousseff tem repetido em discursos sua promessa de melhorar a educação no país. Sem internet rápida, não cumprirá a meta.


OPINIÃO: Os outonos - Mirian Leitão

OPINIÃO
Os outonos
“O que está acontecendo agora nesta extensa e nevrálgica área do mundo é uma revolução. Não sabemos o que vai dar, haverá desfechos variados, mas é saudável e positivo que centenas de milhões estejam se libertando de governos autocráticos e de oligarquias”. – diplomata Roberto Abdenur

Foto: Getty Images

Míriam Leitão e Alvaro Gribel
Fonte: Coluna de Miriam Leitão - O Globo

Todo patriarca, todo autocrata têm seu outono. E eles se parecem no seu final mais do que no início. Delirantes, de óculos escuros, criminosos. Não fosse pela roupa, Muamar Kadafi poderia se passar por Augusto Pinochet com aqueles óculos escuros. A primavera dos povos da África sob regimes tirânicos ensina o resto do mundo sobre seus erros e prenuncia novas mudanças.

É preciso rever conceitos. O professor Hani Hazime, libanês de nascimento, brasileiro naturalizado, e especialista em estudos islâmicos da UFRJ, ensina até novas definições:

- Oriente Médio é conceito errado. Oriente é onde nasce o Sol, que é China e Japão. Os árabes não são orientais. A cultura árabe está baseada na herança judaico-cristã e helênica. A religião é monoteísta, todos filhos de Abraão. O Norte da África é tratado como parte do Oriente Médio.

Enfim, tudo está em revisão a partir das revoltas que pedem mudanças em toda uma vasta região governada por regimes autocráticos. O diplomata Roberto Abdenur não tem dúvida de uma coisa: estamos diante de um processo revolucionário:

- Houve dois momentos revolucionários na segunda metade do século XX. As rebeliões estudantis de 1968, na França, e a queda do muro de Berlim. A primeira alterou comportamentos, foi uma revolução generacional. A segunda mudou a geopolítica, com o fim do comunismo, extinção da União Soviética e democratização dos países da região. O que está acontecendo agora nesta extensa e nevrálgica área do mundo é uma revolução. Não sabemos o que vai dar, haverá desfechos variados, mas é saudável e positivo que centenas de milhões estejam se libertando de governos autocráticos e de oligarquias.

Conversei com os dois no programa da Globonews. O assunto parece infindável. O executivo de uma empresa brasileira na Líbia disse há dez dias aos superiores no Brasil que tudo estava tranquilo em Trípoli. Ontem, já tinha retirado seus funcionários e abandonado as instalações. É espantosamente rápido como os processos se espalham. Hoje, tudo parece instável. Isso assusta a economia e alimenta esperanças na política. A médio prazo, lembra Abdenur, haverá a verdadeira estabilidade, porque o que parecia estável até agora era uma panela de pressão.

Hani Hazime acha que o que aconteceu até agora contraria a visão tradicional do Ocidente em vários pontos.

-Foram revoltas de jovens. Mais da metade desses países é formada por jovens. São multidões e não partidos políticos. Usam meios modernos, o que derruba o preconceito de um Islã avesso à modernidade. Não há religião até agora envolvida. Eles estão pedindo liberdade e democracia, o que o Ocidente dizia que não condiz com o Islã - diz o professor.

Abdenur alerta que cada país é uma situação:

- Afastados Ben Ali e Hosni Mubarak, começa uma transição política na Tunísia e no Egito tutelada pelos militares, mas sob forte pressão da opinião pública. Na Líbia, é diferente. Lá, o poder político estava concentrado em uma pessoa só, tem muito impacto na economia mundial, que não pode se ver sem 1,5 milhão de barris de petróleo e, dependendo da evolução, pode virar uma Somália no Mediterrâneo.

O grande peão é a Arábia Saudita. País que, como lembrou Abdenur, tem vivido há 80 anos a estranha situação de ter o nome de uma família: os Saud. Hani Hazime ilustra mais essa questão, lembrando que lá, na estrutura do poder, estão seitas radicais islâmicas.

- O golfo árabe não é árabe; em alguns países a maioria da população é paquistanesa ou indiana. No Bahrein, o conflito é religioso, parecido com o do Iraque, em que a maioria xiita é oprimida por uma minoria sunita. A grande pergunta é se as mudanças chegarão à Arábia Saudita. Acho difícil. Lá, atuam radicais islâmicos, como a seita wahabista, que foi adotada pela família real, e que usa isso e o fato de ser sede das duas cidades sagradas, Meca e Medina, para se impor. Lá, ninguém levanta a voz. Não haverá qualquer mudança sem ajuda externa. Isso não quer dizer invasão, mas sim conversas com a oposição, convencimento do governo, pressão por reformas - diz Hazime.

Abdenur, que já foi à Arábia Saudita várias vezes, lembra também que lá nasceu a Al Qaeda:

- Nos outros países, os regimes são desafiados pela esquerda. Na Arábia Saudita, há pressões por reformas, mas o principal risco é o regime ser assaltado pela direita, porque o principal alvo de Bin Laden sempre foi a derrubada da monarquia saudita. Outras monarquias da região têm mais enraizamento: a do Marrocos é um líder religioso e o da Jordânia representa os beduínos. Em alguns países há clamor por reformas, em alguns casos se soma a exigência de queda do ditador.

Hani Hazime disse que um grande teste será como o Ocidente vai lidar com os ventos da democracia sobre os territórios ocupados por Israel, onde os palestinos, ele diz, são tratados como cidadãos de segunda classe. Ele acha que o mundo Ocidental esqueceu seus valores e se guiou apenas por interesses. E que num momento em que se fala de proteção da Terra é necessário resgatar valores universais. Abdenur acha que o ponto é importante. Pensa que a região que passa hoje por convulsões foi tratada da mesma forma como os Estados Unidos trataram a América Latina na guerra fria. Os governos latinos não precisavam ser democráticos, apenas simpáticos aos Estados Unidos.

Aqui, o nosso Gabriel Garcia Marquez transformou em literatura a figura grotesca de um patriarca no seu outono. Eles caíram e tivemos a nossa primavera. Lá, a mudança da estação começou, mas é o tempo apenas do imprevisto.

Foto: Getty Images

Kadafi vivendo seu outono


26 de fev de 2011

Juiz suspende licença para obras de Belo Monte

BRASIL
Juiz suspende licença para obras de Belo Monte
O Ministério Público Federal e a OAB, defendem que as obras não comecem antes da obtenção de uma licença de instalação definitiva. O procurador da República Ubiratan Cazetta salienta que há previsão de que 100 mil pessoas sejam atraídas a Altamira no início das obras, dobrando a população atual, sem que se tenha projetado um aumento da já deficiente infraestrutura local, que por certo entrará em colapso. Segundo Renata Pinheiro, integrante do Movimento Xingu Vivo para Sempre, o início das obras será como uma "declaração de guerra aos povos indígenas da região".

Foto: Reuters

Vista aérea da tribo Bacajá, da etnia Chicrin, nas margens do rio Bacajá, um afluente do rio Xingu, a 220 km de onde pretendem construir a Usina de Belo Monte. Um mundo quase intocado que será contaminado de forma irreversível.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: O Liberal, BBC Brasil…, Diário do Pará, Jornal do Brasil

Segundo texto do jornalista João Fellet para BBC Brasil, a Justiça Federal no Pará ordenou nesta sexta-feira a suspensão de licença parcial que autorizou a instalação do canteiro de obras para a construção da usina de Belo Monte, no rio Xingu (PA).

O juiz Ronaldo Destêrro considerou que as pré-condições para o início da construção não foram cumpridas. A decisão ainda proíbe o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de transferir recursos à Nesa (Norte Energia SA), empresa formada para o empreendimento.

A liminar suspendendo a licença foi pedida pelo Ministério Público Federal do Pará, que argumentou não haver, no sistema legal brasileiro, a possibilidade de conceder uma licença parcial.

A autorização, outorgada em 26 de janeiro pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais), permitia à Nesa desmatar 238 hectares e erguer os acampamentos dos sítios Pimental e Belo Monte, onde serão feitas as duas barragens da usina.

A licença autorizava também a implantação e obras de melhorias em estradas de acesso e a realização de terraplanagem.

Ao conferir a permissão, a diretora de licenciamento do Ibama, Gisela Forattini, afirmou que 24 das 40 pré-condições pedidas pelo órgão para a instalação da usina haviam sido cumpridas.

Entre as pré-condições, tecnicamente chamadas de condicionantes, estão medidas como a recuperação de áreas degradadas, a melhoria da infraestrutura urbana em Altamira e programas de apoio a indígenas.

No entanto, o Ibama disse que a licença parcial não significava que a usina seria erguida: para isso, a Nesa teria de cumprir com as condicionais restantes.

O Ministério Público Federal e a OAB, porém, defendem que as obras não comecem antes da obtenção de uma licença de instalação definitiva.

"Há três tipos de licença: a prévia, a de instalação e a de operação. O Ibama fez um fatiamento, autorizando o início dos canteiros mesmo reconhecendo que as condicionantes não foram cumpridas", afirmou à BBC Brasil o procurador da República Ubiratan Cazetta.

Segundo Cazetta, as condicionantes prioritárias a serem cumpridas são as referentes à saúde, educação, saneamento e segurança pública.

Ele diz que há previsão de que 100 mil pessoas sejam atraídas a Altamira no início das obras, dobrando a população atual.

"Com a população de hoje, a infraestrutura já não aguenta a demanda por hospitais, educação etc. Se derem início às obras sem implementação dos serviços, condenarão a cidade ao caos e, em vez de preparatórias, as políticas terão de ser reparatórias."

O procurador diz ainda que nada foi feito para aproveitar a mão-de-obra local, outra pré-condição imposta aos construtores.

Segundo Renata Pinheiro, integrante do Movimento Xingu Vivo para Sempre, que congrega organizações sociais e ambientalistas, o início das obras será como uma "declaração de guerra aos povos indígenas da região".

"Haverá conflitos por aí", disse ela à BBC Brasil. Para Pinheiro, a construção da usina causará uma "catástrofe social".

Foto: Getty Images

Diante do Congresso Nacional em Brasília, índio de diversas etnias originários do Xingu, protestaram devido a construção da hidroelétrica em suas terras.

No início de fevereiro, representantes de comunidades ribeirinhas, de grupos indígenas e de ONGs entregaram no Palácio do Planalto um documento pedindo a suspensão do licenciamento de Belo Monte.
Eles afirmam que a usina causará grande prejuízo ao meio-ambiente e à população que vive na região.

Caso seja construída, a usina de Belo Monte será a terceira maior do mundo em capacidade instalada (11.233 MW), atrás da chinesa Três Gargantas (22,5 mil MW) e da binacional Itaipu (14 mil MW).

Seu custo foi estimado em até R$ 30 bilhões pela iniciativa privada. Se o cronograma de implantação for cumprido, ela deve começar a operar parcialmente em 2015.

A Nesa, consórcio liderado pela Queiroz Galvão e pela Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf), venceu, em abril de 2010, o leilão de geração promovido pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) para a construção da usina.

O projeto inicial foi mudado várias vezes até a concessão do licenciamento ambiental prévio. No plano original, quatro usinas seriam construídas, e uma área de 1.500 km² ficaria submersa. Agora, o empreendimento compreende uma usina e dois reservatórios, com área alagada de 500 km².

Foto: Getty Images

Em abril do ano passado a atriz ganhadora do Oscar, Sigourney Weaver juntou-se aos manifestantes, em Nova Iorque que protestavam contra a construção da Usina de Belo Monte no rio Xingu.


DILMA, mãe dos sonegadores

BRASIL
DILMA, a mãe dos sonegadores
A presidenta acomodou nas tetas federais os sonegadores e os parlamentares de moral duvidosas. Usa esses apoios comprados para buscar governar de forma ditatorial e desenfreada. Pela cara dos seus aliados e protegidos vê-se para onde está se encaminhando o seu governo

Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Ensina um secular provérbio: “Dizem-me com que andas que te direi quem és”

Postado por Toinho de Passira

Concluiu-se o processo de votação do projeto do Salário Mínimo, no tempo recorde de duas semanas. Depois da aprovação na câmara, foi à vez dos senadores votarem esmagadoramente favorável ao projeto enviado pela presidenta Dilma Rousseff.

Não ocorreu nenhuma contribuição, nenhuma correção, nenhuma emenda ao texto vindo do Planalto, que virou lei no seu formato original, do jeito que o governo queria, resultando na fixação do valor em R$ 545,00.

A chamada base aliada do governo, os partidos que dão sustentação a Dilma Rousseff, foram domados por promessas de cargos comissionados no segundo escalão do governo.

No afã de conseguir os restos da festa da posse do novo governo - um emprego nos cabides dos ministérios e nas estatais, para a clientela - os deputados e senadores de Dilma não tiveram pudor inclusive de abrir mão dos seus direitos constitucionais de legislar, para qual foram eleitos.

Dilma segura da elasticidade moral dos seus aliados parlamentares, aproveitou ainda, para introduzir no bojo do projeto penduricalhos imorais, como o já comentado antidemocrático dispositivo que permite a presidenta, de agora em diante, até 2015, determinar o valor do salário mínimo por decreto presidencial, imperialmente, sem ter que consultar o Congresso.

Os deputados e senadores abriram mão dos direitos e obrigações de legislar e de fiscalizar o governo, tarefas elencadas na constituição federal, que juraram defender quando foram diplomados após a eleição.

A presidenta Dilma Rousseff promove um mensalão tal qual aquele que seu antecessor patrocinou. Só que ao invés de depositar valores nas contas dos deputados e senadores, utiliza os cargos comissionados do serviço público, como moeda vil de troca a favores e simpatias dos legisladores de moral pouco consistente.

Porém não é só isso, o projeto apresenta também um dispositivo, que passou despercebido durante os debates, para a grande imprensa, uma norma tornada legal, que o Blogueiro Josias de Souza, da Folha de São Paulo, chamou de “contrabando fiscal” ou “bolsa-sonegador”.

As disposições contidas no artigo 6º da lei do Salário Mínimo, praticamente anula os efeitos da lei 9.430, de 1996, que instituía penas de prisão aos responsáveis pelas empresas pilhadas sonegando tributos e contribuições previdenciárias.

No momento em que se fala em cortes brutais de gastos e põe-se ao suposto déficit da previdência, como empecilho para se conceder um salário mínimo mais adequado, é surpreendente que Dilma esforce-se para facilitar a vida do sonegador.

Será que os sonegadores fizeram doações de campanha em troca desse refresco? No Brasil quem paga tributos em dia e corretamente é considerado otário. Por isso, as grandes empresas têm departamentos jurídicos especializados em evitar que os impostos sejam pagos, ou que seja pagos ao mínimo, ou em acordos de parcelamentos sempre em prejuízo aos cofres públicos.

Dilma virou a mãe dos sonegadores.

A lei antiga obrigava a receita Federal a informar ao Ministério Público, para o devido encaminhamento processual, sempre que houvesse constatação de sonegação.

Por obra e graça do novo governo, está aberta uma janela, por onde o sonegador pode escapar do risco de ir para a cadeia, basta que requeira o parcelamento da dívida. Simples assim.

A empresa comete o crime de não recolher os valores a previdência social, inclusive embolsando dinheiro recolhido, na boca do cofre, da folha de pagamento do trabalhador e não sofre nenhuma sanção, não é lindo?

Sabe-se que sonegador que é bom, faz acordo de parcelamento e também não paga as parcelas. Formam-se um novo montante que novamente é parcelado e assim o Brasil, com a ajuda de mãe Dilma vai se tornando cada vez mais a terra do crime compensatório.

A oposição, Democratas e Tucanos, vai entrar com recurso no Supremo Tribunal Federal contra esses dispositivos, alegando inconstitucionalidade. E por que não, imoralidade e golpismo?


23 de fev de 2011

LÍBIA : Kadafi resiste em meio a um banho de sangue

LÍBIA
Kadafi resiste em meio a um banho de sangue
A rebelião líbia é até agora a mais sangrenta das revoltas que varreu o mundo árabe com uma velocidade surpreendente, nas últimas semanas, derrubando autocratas no Egito e na Tunísia, e desafiando os outros no Bahrein e Iêmen. Mesmo os que já esperavam uma reação cruel e violenta por parte do coronel Kadafi, assutam-se com o que já aconteceu e temem com o que estar por vir

Foto: Líbia televisão estatal, via Associated Pres

""Não sou presidente, não posso renunciar. Se tivesse um cargo renunciaria" , disse Kadafi na TV estatal

Postado por Toinho de Passira
Fontes: The New York Times, El Universal, ”thepassiranews”, Reuters, , El Pais, Estadão, Guardian,

O líder líbio, coronel Muamar el Kadafi, prometeu nesta terça-feira, num pronunciamento pela TV, morrer na Líbia como um mártir.

"Eu não vou deixar esta terra, morrerei aqui como um mártir", disse Kadafi na televisão estatal. Recusando os pedidos feitos por seus próprios diplomatas, soldados e aos manifestantes das ruas que exigem o fim de seu governo de quatro décadas.

"Muammar Kadafi é o líder da revolução. Não sou um presidente para renunciar... Este é o meu país. Muammar não é um presidente para deixar o cargo, Muammar é o líder da revolução até o final dos tempos."

"Eu permanecerei aqui desafiador", completou Kadafi, falando do lado de fora de uma de suas residências, bastante danificada num bombardeio dos Estados Unidos de 1986 durante uma tentativa de assassiná-lo.

Foto: El Pais

Diante do edifício, de onde ele falou, há um monumento de um punho gigante esmagando um caça norte-americano.

No pronunciamento, sinuoso como de hábito, Kadafi, que fala, dele mesmo, na terceira pessoa, pediu que seus partidários saíssem às ruas, dizendo que os manifestantes estavam condenados à pena de morte. Ele também prometeu uma reformulação vaga nas estruturas do governo.

Kadafi disse ainda que os responsáveis pelos distúrbios são "ratos e mercenários" que querem transformar a Líbia em um Estado islâmico.

O líder afirmou que vai "limpar casa a casa da Líbia" se os manifestantes não se renderem.

Ironicamente disse que ainda não usou a força contra os manifestantes, mas que o fará se for necessário.

"Protestos pacíficos são uma coisa, mas rebelião armada é outra", disse.

Foto: The New York Times

Cerca de 10.000 partidários do líder líbio, coronel Kadafi, reuniram–se em Tripoli, depois do seu discurso à nação, para lhe manifestar apoio

Mais cedo, testemunhas que atravessaram a fronteira da Líbia com o Egito disseram que Kadafi estava usando tanques, caças e mercenários no esforço de sufocar a rebelião, aparentemente incontrolável.

Na cidade de Tobruk, no leste do país, um correspondente da Reuters no local afirmou que agora só podiam ser ouvidas explosões esporádicas, um sinal recente de diminuição do poder de fogo de Kadafi.

Foto: Reuters

"Todas as regiões do leste estão fora do controle de Kadafi agora...O povo e o Exército estão juntos ali", afirmou o ex-major do Exército Hany Saad Marjaa.

A agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para os refugiados, pediu que os vizinhos da Líbia concedam refúgio aos que fogem da insurreição, deflagrada por décadas de repressão e pelas revoltas populares que derrubaram os líderes da Tunísia e do Egito.

No lado líbio da fronteira com o Egito, rebeldes anti-Kadafi armados com porretes e fuzis Kalashnikov saudavam os visitantes. Um homem levava um retrato de Kadafi de ponta cabeça com as palavras "o tirano carniceiro, assassino de líbios", disse um correspondente da Reuters que entrou na Líbia pela fronteira.

Milhares de egípcios - há cerca de 2 milhões na Líbia - que lá trabalhavam e residiam estão abandonando o país, 15.000 já haviam cruzado a fronteira.

Na cidade de Al Bayda, no leste do país, o morador Marai Al Mahry disse à Reuters por telefone que 26 pessoas, incluindo seu irmão Ahmed, foram mortos a tiros durante a noite por simpatizantes de Kadafi.

"Eles atiram em você apenas por andar nas ruas", disse ele, soluçando sem parar enquanto pedia ajuda.

Manifestantes foram atacados com tanques e aviões de guerra, afirmou ele.

"Foi uma quantia obscena de tiros", disse uma testemunha, segundo o “The New York Times” falando também do confronto de Trípole. "Eles metralhavam as pessoas que corriam em todas as direções."

"O tiroteio não foi concebido para dispersar os manifestantes", disse um morador, identificado apenas como Waleed. "Ele foi utilizado para matá-los."



A Human Rights Watch afirmou que 62 pessoas morreram nos confrontos em Trípoli nos últimos dois dias, somando-se à conta anterior de 233 mortos. Grupos de oposição apontam para um número muito maior.

A chefe dos direitos humanos da ONU, Navi Pillay, afirmou que a matança poderá ser considerada crime contra a humanidade e exigiu uma investigação internacional.

Foto: Al Jazeera

O ditador líbio, coronel Muamar el Kadafi

Desde que se falou que as revoltas que foram bem sucedidas na Tunísa e no Egito espalhar-se-ia pelo mundo árabe, sabia-se que quando esse surto de anseio de liberdade chegasse à Líbia as coisas iam ser mais difíceis, mais cruéis, mais desumanas.

O ditador líbio, coronel Muamar el Kadafi, 68 anos, é um homem violento na essência, está no poder por quase 42 anos, e governa com as mãos ensanguentadas, desde 1 de Setembro de 1969, quando liderou uma revolução e depôs o velho rei Idris I, 91 anos, que estava há 18 anos no trono.

Logo após a tomada do poder Kadafi declarou ilegais as bebidas alcoólicas e os jogos de azar, exigiu e obteve a retirada americana e inglesa de bases militares e expulsou as comunidades judaicas.

Nos anos 90 passou a ser o vilão do planeta por financiar toda a espécie de terrorismo contra americanos e seus aliados, principalmente contra Israel.

Entre as proezas de financiamento terroristas de Kadafi, estão o “atentado de Lockerbie” quando uma bomba explodiu no voo 103 da Pan Am em 21 de dezembro de 1988, quando sobrevoava a cidade escocesa de Lockerbie, matando 270 pessoas (259 no avião e 11 na terra). Entre os mortos 189 eram cidadãos americanos.

Também financiou e apoiou o grupo terrorista conhecido como Setembro Negro responsável pelo massacre de Munique, onde 11 atletas israelenses foram assassinados durante as Olimpíadas de 1972.

Nos últimos 11 anos, por ter adotado uma política externa sem agressões diretas, começou a ser aceito pela lentamente pela comunidade internacional. Havia ficado livre das sanções que lhe haviam sido impostas tanto pela ONU, quanto pelos Estados Unidos.

Agora Kadafi sente o hálito da multidão no seu cangote autoritário e reage como um leão enfurecido.

Nesta segunda-feira surgiram especulações de que Khadafi havia deixado Trípoli.O chanceler britânico, William Hague, disse ter informações sobre uma possível ida de Khadafi à Venezuela, o que foi negado pelo governo venezuelano e depois pelo próprio Kadafi, que fez uma breve aparição na TV estatal, para dá fim aos rumores:

"Eu quero mostrar que estou em Trípoli e não na Venezuela", disse Kadafi, para cameras. Aproveitou para chamar os proprietários dos canais de notícias que haviam informado sua fuga do país, de "cães vadios".

O correspondente da BBC no Cairo Jon Leyne relata que Khadafi aparentemente perdeu o apoio da maioria dos setores da sociedade.

Foto: Seth Wenig/Associated Press

Abdurrahman Mohamed Shalgham, o chefe da delegação da Líbia, na ONU, um dos poucos diplomatas que continua fiel a Kadafi, de quem se diz amigo de infância: "Eu posso criticá-lo, mas não posso atacá-lo."

Nesta segunda-feira, em ato de rompimento com o líder, membros da delegação de diplomatas da Líbia na Organização das Nações Unidas pediram uma intervenção internacional contra a onda de violência no país.

O vice-embaixador da Líbia, na ONU, Omar Al-Dabbashi, fez um apelo por proteção aos cidadãos, alegando que está em curso um "genocídio" patrocinado pelo governo líbio contra manifestantes.

O embaixador da Líbia nos Estados Unidos, Ali Aujali, renunciou e pediu a saída de Muamar Kadafi do poder, junta-se a outros embaixadores da Índia, China e Austrália, que decidiram deixar o cargo em protesto contra o uso da violência. De acordo com o jornal “Quryna”, o ministro da Justiça, Mustafa Abdal Khalil, também renunciou pelo mesmo motivo.

Al Manara, um site Web da oposição, informou que um alto oficial militar, o coronel Abdel Fattah Younes em Benghazi, resignado, o jornal Asharq al-Awsat informou que o coronel Kadafi havia ordenado que um dos seus principais generais, Abu Bakr Younes, ser colocado sob prisão domiciliar depois de desobedecer uma ordem para usar força contra manifestantes em várias cidades.

Foto: Reuters

Um dos pilotos líbios deixa o Mirage da Força Aérea da Líbia, em Malta. Os militares fugiram do país por negarem-se a obedecendo ordens de Kadafi de atirar nos manifestantes

Dois pilotos de caça da Líbia ordenou a bombardear os manifestantes mudaram de curso e, em vez desertou para Malta, de acordo com funcionários do governo maltês citado pela Reuters.

O governo líbio tem tentado impor um blecaute de informação do país. Os jornalistas estrangeiros não podem entrar. acesso à Internet foi quase totalmente cortado, apesar de alguns manifestantes parecem estar usando conexões via satélite. muitas novidades sobre o que está acontecendo veio a partir de entrevistas por telefone com as pessoas dentro do país. Vários moradores relataram que o serviço de telefonia celular foi para baixo, e até mesmo serviço de telefone fixo esporádicos.

"Há mortos nas ruas, você não pode mesmo buscá-los", disse ele por e-mail. "O Exército está atirando em todo mundo. Isso não impediu as pessoas de continuar. "

Embora o resultado da batalha é impossível determinar, alguns manifestantes disseram que o derramamento de sangue em Tripoli apenas redobrou sua determinação.

"Ele nunca vai abandonar seu poder", disse um deles, Abdel Rahman. "Este é um ditador, um imperador. Ele vai morrer num estalar de dedos. Já não estamos com medo. Estamos prontos para morrer depois do que vimos. "


22 de fev de 2011

ROMÁRIO: um peixe federal fora d’água

CONGRESSO NACIONAL
ROMÁRIO: um peixe federal fora d’água
Lembra que quando o jogo não estava bom, quando não mandavam bola para abastecer o ataque e o baixinho ficava em campo meio dorminhoco? O pessoal do Kibeloco publicou uma seqüência de fotos do baixinho atuando em seu novo time, o dos deputados federais, no plenário do Congresso, participando de uma sessão da câmara. Uniformizado de terno e gravata, longe da praia e sem entender o jogo, a luta do peixe, em sua nova equipe, é manter-se acordado.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Kibeloco

Fotos Kibeloco

- Peixe, quando será que esse troço vai acabar?


- Já ultrapassou em muito os 45 minutos do segundo tempo, que prorrogação é essa...?


- Acho que vou pegar no sono a qualquer momento...


- Será que dá para fingir uma contusão e pedir para sair?


- Quem é o técnico desse time?


- Que é que esses caras estão falando???
Meu Deus me leva para Ipanema... Eu quero futevôlei!


21 de fev de 2011

OPINIÃO: As bengaladas do pacifista - Lucas Mendes

OPINIÃO
As bengaladas do pacifista
A fonte dos movimentos árabes de libertação, segundo Lucas Mendes, são inspirados nos livro do pacifista e partidário da não violência, o americano Gene Sharp. Na receita do movimento para derrubar ditador ele prega 198 táticas de resistência pacífica. “O importante é parar a máquina do governo. Se os soldados não dispararem, se houver um curto circuito nas comunicações e o sistema de transporte parar, os ditadores poderão dar ordens, mas não acontecerá nada”.

Foto: Evan McGlinn/The New York Times

Gene Sharp, 83 anos: “As ditaduras existem porque o povo consente”

Postado por Lucas Mendes
Fonte: BBC Brasil, The New York Times

Ditadores bravos e mansos, cuidado com a bengala de Gene Sharp. Ele foi o inspirador e guia dos protestos que derrubaram Milosevic na Sérvia, os regimes da Ucrânia e Geórgia, os ditadores do Egito, da Tunísia, sacodem o Irã, Bahrein, Líbia, Iraque, Argélia. Quem mais? Incomodam Chávez, Putin e dezenas de democracias suspeitas.

Seu “Politics of Nonviolent Action” (Políticas de ação não-violenta) é um canhão de 902 páginas, publicado em 1973, mas sua arma mais usada é o breve e portátil “From Dictatorship to Democracy” (Da Ditadura à Democracia), de 90 páginas, traduzido para mais de 30 línguas. O download é fácil.

Quando foi publicado em russo, as duas livrarias que vendiam o livro pegaram fogo, uma delas por um coquetel molotov dos convencionais.

Os protestos na Tunísia e no Egito não foram espontâneos, sem líderes e sem planejamento. Embora ninguém esperasse um final tão rápido, foram muito bem coordenados, e sem Facebook e Twitter teriam fracassado.

Numa longa e minuciosa matéria, o New York Times revela as conexões dos jovens nas ruas e praças árabes com ativistas sérvios ligados ao Otpor, o movimento de resistência pacífica decisivo na queda de Milosevic que se orientou pelo manual de Gene Sharp e colaborou com tunisianos e egípcios.

Quando Ahmadinejad e Hugo Chávez se queixam que os protestos são inspirados e ensinados por agitadores internacionais, eles estão certos. Chávez já se referiu a ele em público e Ahmadinejad mandou fazer um filme de propaganda anti-americana rodado na TV estatal onde o personagem malvado é inspirado em Gene Sharp, um suposto agente da CIA.

Este agitador tem 83 anos, está frágil, caminha com uma bengala e mora numa casa modesta perto do aeroporto de Boston com estantes de livros cheias até no banheiro. No teto há uma estufa onde cultiva orquídeas, um antigo relaxante. No perfil de onde vieram algumas destas informações, Philip Shiskin conta que Sharp, nascido em Ohio, é extremamente tímido, nunca se casou nem teve filhos e, desde a infância, teve poucos amigos, porque o pai, um pastor, não parava em lugar algum.

Sharp foi bem educado, com doutorado em Oxford. Durante uma longa temporada em Harvard, criou a Albert Einstein Institution, dedicada à pesquisa e promoção de resistência pacífica a ditaduras. O nome é uma homenagem ao genial cientista pacifista, mas seu modelo de estudo e inspiração é Gandhi, não o Mahatma, o sonhador, e sim o Mohandas, que, além de guru maior da resistência pacifica que expulsou os ingleses da Índia, era “um político calculista”.

Afiado e conciso, Sharp explica: “As ditaduras existem porque o povo consente”. No livro ele dá uma receita com 198 táticas de resistência pacífica. “O importante é parar a máquina do governo. Se os soldados não dispararem, se houver um curto circuito nas comunicações e o sistema de transporte parar, os ditadores poderão dar ordens, mas não acontecerá nada”.

Numa entrevista em 2002, Sharp disse que os estudantes na Praça Celestial da Paz em Pequim quase derrubaram o governo chinês, mas faltou estratégia. “Os funcionários públicos jogavam dinheiro em cima dos estudantes, mas não entraram em greve e ninguém planejou parar o sistema de transportes.”

Sharp perdeu a verba que financiava seu Instituto Einstein e raramente sai de seu refúgio em Boston. O nome dele é destaque nos jornais, mas não tem dado entrevistas. Alimenta a subversão pacífica pelos livros e pela internet, mas em 1992, conta Shishkin, Sharp saiu de barco da Tailândia e entrou às escondidas em Mianmar para convencer os guerrilheiros a trocar a luta armada pela sua cartilha sem violência.

Para entender a explosão de protestos no mundo árabe não é preciso ler os livros de Sharp. Eles enriquecem a informação, mas o essencial já está nos jornais, como os movimentos egípcio, tunisiano e outros estão conectados há muito tempo pelo Facebook. Sharp, o inspirador dos protestos, não sabe se esta explosão vai desaguar em regimes livres e simpáticos ao Ocidente.

Vamos descobrir com ele se o gene da democracia está no DNA do mundo árabe.

18 de fev de 2011

Dilma, um jeito Chávez de ser - Toinho de Passira

BRASIL
Dilma, um jeito Chávez de ser
Na sua coluna no Estadão, Dora Kramer, realça que o governo Dilma, utiliza-se do estilo bolivariano de Hugo Chávez, para governar sem congresso. Embutindo no projeto que institui o novo salário mínimo, o governo introduziu um dispositivo que proíbe o congresso de discutir o valor do salário mínimo, de agora em diante, que passa a ser regulado apenas pela vontade do executivo. Não é lindo?

Foto: Roberto StuckertFilho/PR

Inspirada no seu guru, Hugo Chávez, Dilma, dá os primeiros sinais de que quer governar sem Congresso

Postado por Toinho de Passira
Fontes: ”thepassiranews”, Estadão, Revista Época

Com era se esperar, na primeira oportunidade que lhe foi concedida a ex-guerrilheira e terrorista Dilma Rousseff exibiu sua inclinação totalitária, optando por tentar governar sem o crivo do Congresso Nacional, tão comum nas ditaduras, que estão caindo no Oriente Médio, nos regimes fortes disfarçados de democracia estilizada reinante por essas bandas da América Latina.

Anteontem, junto com a aprovação do projeto de lei do novo salário mínimo na Câmara, os nossos deputados federais aprovaram um dispositivo do que retira do Congresso a discussão do valor do mínimo até o fim do mandato de Dilma Rousseff.

O dispositivo é inconstitucional, golpista e assemelha-se a “Lei Habilitante” que Hugo Chávez conseguiu aprovar no Congresso da Venezuela, dando-lhe poderes para governar, durante 18 meses, por decreto, sem necessitar de aprovação do parlamento.

Dora Kramer estranha que os nossos parlamentares sejam tão submissos ao Executivo que abram mão “de suas prerrogativas e ainda defenda ardentemente o direito do Palácio do Planalto de fazê-lo ao arrepio da Constituição”.

”O truque é o seguinte: fica estabelecido que conforme a política para o salário mínimo até 2014, os parâmetros para se chegar à proposta do governo são aqueles acertados com as centrais sindicais em 2007 - PIB dos dois anos anteriores mais a inflação do período -, sendo o valor fixado por decreto ano a ano”.

Assim pelos “pelos próximos três anos, se o Senado aprovar o projeto tal como está, o governo fica livre dessa discussão no Congresso. Uma graça o principal argumento do líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira: a medida elimina a "burocracia"”.

Conclui-se que os próprios parlamentares, eleitos para representar os interesses do povo, consideram-se “meros carimbadores das decisões do Planalto e veem o debate no Parlamento como um trâmite burocrático”.

Depois disso ficou fácil compreender porque o PT escolheu o notório “propineiro” João Paulo Cunha, para presidir a “Comissão de Constituição e Justiça da Câmara”, responsável de examinar a constitucionalidade das leis que vão ser debatida no Congresso, que examinou o tal dispositivo embutido na lei do salário mínimo, e não achou nada demais.

João Paulo Cunha e esposa Maria Regina Cunha, respondem no STF no processo do mensalão, por lavagem de dinheiro, peculato e corrupção passiva. Enquanto presidente da Camara, ele usava a mulher como “mula” para sacar o dinheiro que o bandido Marco Valério, dono da agência SMPB, depositava no Banco Rural em Brasília. O objetivo era privilegiar a agência na licitação que tramitava no Congresso Nacional.

A única voz destoante para evitar a aprovação da excrescência foi a deputado Roberto Freire (PPS/SP), que não teve apoio nem da base governista, como era de se esperar, muito menos da oposição, cada vez mais estranha. Freira ameaça recorrer ao Supremo Tribunal Federal com uma ação direta de inconstitucionalidade, caso o Senado aprove a lei como está, “baseada no dispositivo da Constituição segundo o qual o valor do salário mínimo deve ser fixado por lei” e não por decreto, como sugere Dilma.

”Argumenta Freire: “se for por decreto presidencial, só o poder público será obrigado a cumprir. A sociedade e a iniciativa privada poderão ignorar, pois seu parâmetro é a Constituição e não o Diário Oficial”.

Alguns parlamentares mais extremados chegaram a argumentar simplistamente que "se o cálculo está fixado em lei e o governo tem maioria no Congresso, o debate é sempre inútil". Chocante que eles se autoeliminem, sem nenhum pudor.

Se for assim, com cartas marcadas e subserviência absoluta, mais prático e mais barato seria, deixar de hipocrisia, e fechar de vez o Congresso Brasileiro.


* "Golpe de mão" é o título original do texto de Dora Kramer, no Estadão

OPINIÃO - A trajetória do PT - Editorial Estado de São Paulo

OPINIÃO
A trajetória do PT
”Uma vez no poder, o PT se transformou em praticamente o oposto de tudo o que sempre preconizou”.

Ilustração: Toinho de Passira

O Estado de São Paulo - Editorial
Fonte: Estadão

Quando foi fundado, o Partido dos Trabalhadores (PT) se proclamou agente das transformações políticas e sociais que, pautadas pelo rigor da ética e pelo mais genuíno sentimento de justiça social, mudariam a cara do Brasil. Trinta e um anos depois, há oito no poder, o PT pode se orgulhar de ter contribuído - os petistas acham que a obra é toda sua - para melhorar o País do ponto de vista do desenvolvimento econômico e da inclusão social. Mas nada no Brasil mudou tanto, nessas três décadas, como a cara do próprio PT. O antigo bastião de idealistas, depois de perder pelo caminho todos os mais coerentes dentre eles, transformou-se numa legenda partidária como todas as outras que antes estigmatizava, manobrada por políticos profissionais no pior sentido, e, como nem todas, submissa à vontade de um "dono", porque totalmente dependente de sua enorme popularidade. Esse é o PT de Lula 31 anos depois.

Uma vez no poder, o PT se transformou em praticamente o oposto de tudo o que sempre preconizou. O marco formal dessa mudança de rumo pode ser considerado o lançamento da Carta ao Povo Brasileiro, em junho de 2002, a quatro meses da eleição presidencial em que pela primeira vez Lula sairia vitorioso. Concebido com o claro objetivo de tranquilizar o eleitorado que ainda resistia às ideias radicais e estatizantes do PT no âmbito econômico, entre outras coisas a Carta arriou velhas bandeiras como o "fora FMI" e passou a defender o cumprimento dos contratos internacionais, banindo uma antiga obsessão do partido e da esquerda festiva: a moratória da dívida externa. Eleito, Lula fez bom uso de sua "herança maldita". Adotou sem hesitação os fundamentos da política econômico-financeira de seu antecessor, redesenhou e incrementou os programas sociais que recebeu, barganhou como sempre se fez o apoio de que precisava no Congresso e, bafejado por uma conjuntura internacional extremamente favorável, bastou manejar com habilidade os dotes populistas em que se revelou um mestre para tornar-se um presidente tão popular como nunca antes na história deste país.

E o balzaquiano PT? O partido que pretendia transformar o País passou a se transformar na negação de si mesmo. E foi a partir daí que começaram as defecções de militantes importantes, muitos deles fundadores, decepcionados com os novos rumos, principalmente com os meios e modos com que o partido se instalou no poder. O mensalão por exemplo.

Os anais da recente história política do Brasil registram enorme quantidade de depoimentos de antigos petistas que não participaram da alegre festa de 31.º aniversário do partido - na qual o grande homenageado foi, é claro, ele - porque se recusaram a percorrer os descaminhos dos seguidores de Lula. Um dos dissidentes é o jurista Hélio Bicudo, fundador do PT, ex-dirigente da legenda, ex-deputado federal, ex-vice-prefeito de São Paulo. Em depoimento à série Decanos Brasileiros, da TV Estadão, Bicudo criticou duramente os partidos políticos brasileiros, especialmente o PT: "O Brasil não tem partidos políticos. Os partidos, todos, se divorciaram de suas origens. E o PT é entre eles - digo-o tranquilamente - um partido que começou muito bem, mas está terminando muito mal, porque esqueceu sua mensagem inicial e hoje é apenas a direção nacional que comanda. Uma direção nacional comandada, por sua vez, por uma só pessoa: o ex-presidente Lula, que decide tudo, inclusive quem deve ou não ser candidato a isso ou aquilo, e ponto final".

Bicudo tem gravada na memória uma das evidências do divórcio de seu ex-partido com o idealismo de suas origens. Conta que, no início do governo Lula, quando foi lançado o Bolsa-Família, indagou do então todo-poderoso chefe da Casa Civil, José Dirceu, os objetivos do programa. Obteve uma resposta direta: "Serão 12 milhões de bolsas que poderão se converter em votos em quantidade três ou quatro vezes maior. Isso nos garantirá a reeleição de Lula".

De qualquer modo, há aspectos em que o PT é hoje, inegavelmente, um partido muito melhor do que foi: este ano, com base na contribuição compulsória de seus filiados, pretende recolher a seus cofres R$ 3,6 milhões. Apenas 700% a mais do que arrecadava antes de assumir o poder.

O PT está completamente peemedebizado.


*Acrescentamos subtítulo e ilustração ao texto original

17 de fev de 2011

As polemicas faxineiras sexy de Paris

FRANÇA
As polemicas faxineiras sexy de Paris
Um site francês que oferece serviços de faxineiras dispostas a limpar sua casa usando roupas sexies, está provocando polêmica no país. Prefeitos e associações pediram a proibição do site, alegando que ele representa “um insulto à imagem das mulheres”. O serviço, que fazia o maior sucesso, mesmo antes de parar no noticiário mundial, é suspeito de ser uma forma mal disfarçada de prostituição. A serviçal francesa de roupas curtas sempre ocupou espaço no imaginário masculino

Foto: Divulgação

A atriz americana Jennifer Aniston, de faxineira francesa, num dos episódios do seriado "30 Rock"

Postado por Toinho de Passira
Fonte: BBC Brasil, Fantasy House Cleaning, Frog Smoke, Top Strange, Crazy Cleaning,Le Parisien

O site francês “Sensual Clean Service” oferece à clientela masculina serviços que têm como única finalidade “a limpeza da casa e o divertimento visual”.

O portal mostra imagens de mulheres com espanadores ou ferros de passar roupa usando saias ultracurtas, decotes, lingerie e salto alto.

As faxineiras que realizam esse serviço, chamadas de “lady clean”, cobram 75 euros (cerca de R$ 170) por hora de trabalho, cerca de cinco vezes mais do que as tarifas, pagas também por hora, a profissionais que fazem limpeza em Paris.

“Nossas Lady Clean tiram o pó, passam o aspirador, arrumam a cama, varrem e podem ser úteis para pequenas tarefas comuns”, diz o site, afirmando ainda propor “os serviços de uma faxina impecável, acompanhados de um intenso toque de sensualidade”.

O criador do site, Johann Blazy, de 29 anos, afirma que os serviços oferecidos por sua empresa não são de prostituição.

“Está escrito no contrato que os clientes não têm direito de tocar a lady clean nem filmá-las”, afirmou Blazy ao jornal Le Parisien.

A “lady clean” é “sociável, divertida e muito sexy. O que pedir mais?”, diz o site.

Foto: Captura de tela do portal « Sensual Clean Service”

Imagem do portal “Sensual Clean Service”

A empresa provocou indignação em particular entre autoridades do sexo feminino e organizações feministas. “É escandaloso, consternador e sexista”, afirma em um comunicado a prefeita de Vénissieux, nos arredores de Lyon.

A prefeita-adjunta de Montpellier, Françoise Prunier, diz que a Sensual Clean Service “faz uma mercantilização inaceitável das mulheres”.

A diretora da associação Osez le Féminisme (Ouse o Feminismo) lançou um alerta contra “a multiplicação de sites que exploram e degradam a imagem das mulheres para se tornar conhecidos”.

A empresa, sediada em Toulouse, no sudoeste da França, foi criada há algumas semanas e já oferece serviços em Paris, Lyon, Bordeaux (também no sudoeste), Montpellier (no sul) e Lille (no norte do país).

“Nossa ideia é nova, talvez ela provoque inveja. Há inúmeras empresas que propõem strip-teases a domicílio, em aniversários, e não são alvo de polêmica”, diz Blazy.

Ele conta ter tido a ideia do site ao ouvir um amigo dizer que preferia “que uma mulher de biquíni viesse fazer faxina na sua casa”.

A idéia de Blazy não é nova, já existem há muito serviços de faxineiras sexies na internet. Na Republica Checa, por exemplo, o site Crazy Cleaning oferece esses serviços, inclusive de forma mais democrática, pois inclui faxineiros masculinos, entre as possibilidades do serviço. Urgh!

Foto: Ilustração

O cliente pode ter que esperar mais de um mês pelos serviços de determinadas funcionárias do “Sensual Clean Service”.  A serviçal Lara, uma das “lady clean” de Paris, não está disponível atualmente, as reservas dessa faxineira só podem ser feitas a partir de 21 de fevereiro. Melhor é contratar uma faxineira comum enquanto espera, senão o lixo vai lhe afogar


16 de fev de 2011

A revolução socialista de Eduardo Campos e Kassab

BRASIL
A revolução socialista de Eduardo Campos e Kassab
Tudo começou como uma possível e despretensiosa aliança entre um político dissidente e um partido disposto a abrigá-lo. No desenrolar das negociações, avolumaram-se as pretensões e as possibilidades. Ao final, segundo a Veja essa provável “aliança Kassab e Campos, engordará a base aliada do governo e poderá provocar a maior movimentação na política brasileira desde a fundação do PSDB, em 1988”. Uma triste notícia para a democracia brasileira.

Foto: Agência Estado/Abr

Kassab quer ser Governador de São Paulo e Eduardo Campos, presidente do Brasil, acreditam que unidos, chegarão lá.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Veja - 14/02/2011 , Blog Estadão, Diário de Pernambuco, Folha de Pernambuco

Um misto de destino, oportunismo e engenharia política, está propulsando uma poderosa aliança do partido presidido pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos e um grupo dissidente dos Democratas liderados pelo Prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.

Tudo começou com o descontentamento de Kassab ao constatar que o seu partido lhe negaria apoio para disputar a vaga de Governador de São Paulo em 2012, por comprometimento do diretório estadual com a candidatura a reeleição do tucano Geraldo Alckmin.

A princípio Kassab viu a possibilidade de migrar para o PMDB, via o vice-presidente Michel Temer. Mas as negociações parecem ter empacado, pelo mesmo motivo, o diretório paulista do PMDB, não é suficientemente confiável, aos olhos do Democrata.

No vácuo político entrou o governador de Pernambuco Eduardo Campos oferecendo a legenda que preside, o Partido Socialista Brasileiro, para apoiar o projeto do prefeito paulista. Embutida na proposta está incluso o sonho de Eduardo Campos de se viabilizar como candidato a presidente em 2012.

Conversa vai conversa vem os fatos evoluíram. Burocraticamente Kassab vai aguardara Convenção Nacional dos Democratas, no próximo 15 de março, para anunciar seu desligamento do Partido.

Tecnicamente kassab sairia do DEM para fundar um novo partido, que já tem até nome, o Partido da Democracia Brasileira (PDB), uma manobra legal que impediria a cassação do seu mandato e de outros dissidentes que estão de malas prontas para deixar os democratas.

O novo partido desde o começo seria da base aliada da Presidenta Dilma Rousseff e segundo cálculos sua formação daria uma baixa em 20% da tropa oposicionista, para gáudio do governo, que vê nisso a oportunidade de reduzir sua dependência do PMDB.

O PDB, terá vida curtíssima, trata-se apenas de um artifício legal transitório. Já nas eleições de Prefeito, em 2012, para Prefeitos e Câmaras Municipais, fundir-se-ia ao PSB, o Partido de Campos e a partir daí marchariam tonificados, para as eleições gerais de 2014.

O projeto inicialmente apenas uma manobra localizada, começou a tomar importância nacional, e já se fala que uma alternativa de poder para enfrentar a polarização entre petistas e tucanos, que se revezam na Presidência há quase duas décadas.

A nau dos dissidentes ganha cada vez mais importância com os anúncios de adesão que não para de crescer. Já se tem, como certo, nomes como o do governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo que virá acompanhado do senador Luis Henrique (PMDB/SC), da prefeita de Ribeirão Preto, Dárcy Vera, e de 20 deputados federais.

Fala-se ainda que a nova legenda arrastará, surpreendentemente, veementes oposicionistas, como a senadora e presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, Kátia Abreu (TO), o ex-senador Jorge Bornhausen (SC) e o respeitadíssimo senador Demóstenes Torres (GO).

Por isso a Veja concluiu que “Kassab e Campos querem provocar a maior movimentação na política brasileira desde a fundação do PSDB, em 1988”.

Essa não é uma boa notícia. Eduardo era do governo e continuou, mas essa enxurrada de opoisitores aderindo ao governo Dilma, representas mais deterioração na política brasileira. A democracia brasileira vai ao fundo poço.


14 de fev de 2011

Ronaldo, fenômeno, dá adeus aos gramados

BRASIL -FUTEBOL
Ronaldo, fenômeno, dá adeus aos gramados
Chegou ao fim nesta segunda-feira uma das mais brilhantes carreiras da história do futebol. Aos 34 anos, Ronaldo não resistiu à intensa batalha diária contra os desgastes físicos acarretados pelas oito cirurgias ao longo da sua trajetória, e anunciou que não jogará mais profissionalmente. É o fim para aquele que eternizou a camisa 9 com um talento que, não por acaso, lhe rendeu o apelido de Fenômeno e se transformou em um mito mundial

Foto: Reuters

O jogador que mais marcou gols na história das Copas do Mundo. Foram 475 gols como profissional, desde 1993. Em 97 partidas que disputou com a camisa da seleção brasileira fez 62 gols, dos quais 15 em Copas do Mundo.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Globo Esporte, La Gazzeta dello Sport, Dail Mail, Ole, UEFA, L’Èequipe , FIFA

Foram 475 gols como profissional, desde 1993. Em 97 partidas que disputou com a camisa da seleção brasileira fez 62 gols, dos quais 15 em Copas do Mundo. O jogador que mais gols fez em Copas do mundo. - Estou aqui para falar que estou encerrando a carreira como jogador profissional. E dizer que essa carreira foi linda, maravilhosa e emocionante - declarou Ronaldo, ao abrir o seu emocionante pronunciamento.

Em uma concorrida entrevista coletiva no Centro de Treinamento Joaquim Grava, em São Paulo, o craque comunicou, exatamente às 13h02m, que não continuará atuando pelo Corinthians, clube com o qual tinha contrato até 31 de dezembro de 2011.

Ronaldo assombrou o planeta aliando velocidade e técnica de forma nunca vista antes, mas sucumbiu ao tempo e ao próprio corpo. Agora, se dedicará à família, à vida de empresário, a um projeto social e à fortuna que acumulou sendo um gênio da bola.

Ronaldo chegou ao centro de treinamento às 10h30m, acompanhado de dois dos seus quatro filhos - Ronald e Alex. Vestido com traje casual caminhou até o gramado onde os outros jogadores treinavam e parou a atividade. Por cerca de cinco minutos, discursou para companheiros, membros da comissão técnica e diretoria. No fim, todos o aplaudiram de pé e o abraçaram em uma cena comovente, que representa bem o respeito que todos têm por ele.

Foto: Marcos Ribolli / GLOBOESPORTE

Ronaldo chora ao anunciar sua despedida do futebol

- Todos sabem do meu histórico de lesões. Tenho tido, nos últimos anos, uma sequência de lesões que vão de um lado para o outro, de uma perna para a outra, de um músculo para o outro. Essas dores me fizeram antecipar o fim da minha carreira. Além disso, há quatro anos eu descobri, quando estava no Milan, que sofria de hipotireoidismo. É um distúrbio que desacelera o metabolismo e que, para controlá-lo, é necessário tomar alguns hormônios proibidos no futebol, por poder acusar doping. Imagino que muitos devam estar arrependidos por terem feito chacota sobre o meu peso, mas eu não guardo mágoa de ninguém.

O pronunciamento, que durou 45 minutos, foi recheado de emoção. Por diversas vezes, o craque precisou parar de falar para se concentrar e segurar as lágrimas. Várias partes do seu discurso foram pausadas, com interrupções para que pudesse respirar mais fundo. Num papel ele trazia algumas palavras que ensaiou em casa na noite passada, mas teve muita dificuldade em seguir o script. Ronaldo não conseguiu... e chorou.

Foto: Marcos Ribolli/GLOBOESPORTE

Antes do adeus oficial, Ronaldo se despediu dos companheiros de clube e foi muito aplaudido. Não me imaginava viver sem o Corinthians" - Ronaldo

- Foi uma carreira linda, vitoriosa, emocionante... Tive muitas derrotas, infinitas vitórias, fiz amigos e não lembro de ter feito um inimigo. Tenho muitos agradecimentos a fazer. A todos os clubes em que passei: São Cristóvão, Cruzeiro, PSV, Barcelona, Inter de Milão, Real Madrid, Milan... O Corinthians eu agradecerei logo mais. Quero agradecer a todos os jogadores que atuaram comigo e aqueles que jogaram contra, aos que foram leais e aos que foram desleais também. Agradecer aos treinadores com os quais tive boa relação e aos que eu tive divergências. E também agradecer aos patrocinadores que sempre acreditaram em mim.

Foto: Reuters

No ano 2000 Ronaldo assistindo o desfile de 7 de setembro ao lado do Presidente Fernando Henrique Cardoso

Para se distrair e tentar não deixar as lágrimas escorrerem, Ronaldo rabiscava um pedaço de papel, postava comentários no Twitter e brincava com os filhos, que estavam sentados numa cadeira ao lado. Alex, o caçula de 5 anos, chegou a se esconder embaixo da bancada, arrancando risadas do pai. Como prometido, o Corinthians teve um capítulo especial na hora do seu adeus.

- Tudo começou com um café da manhã com o presidente Andrés Sanches no Rio de Janeiro. Acreditei no projeto, demos um aperto de mão e eu falei para ele "pode trazer o contrato que eu assino até em branco se precisar". Reuters

Foto: Getty Images

Ao lado dos filhos Alex e Ronald, o Fenômeno falou e se emocionou durante 45 minutos. Muitos devem estar arrependidos por fazer chacota sobre o meu peso. Tenho hipotireoidismo e preciso tomar um hormônio que é proibido no futebol" - Ronaldo

Ronaldo foi apresentado como reforço do Corinthians em dezembro de 2008. Era o principal nome do projeto de reconstrução do clube, que acabava de voltar de um doloroso rebaixamento à Série B do Campeonato Brasileiro, quando jogou a Segunda Divisão e retornava à elite. Pelo Timão, Ronaldo esteve em campo 69 vezes, marcou 35 gols e ganhou dois títulos em 2009: o Paulistão e a Copa do Brasil.

A perda de duas Libertadores, 2010 e 2011, foram os seus piores momentos. A última, inclusive, culminou numa reação violenta de parte da torcida. No retorno da Colômbia, onde o time foi eliminado ainda na primeira fase, o ônibus da delegação foi apedrejado, os atletas foram insultados e os muros do clube acabaram pichados. Ronaldo, claro, foi o principal alvo. Brasileiro Ronaldo

Foto: Getty Images

Ronaldo recebendo o título de melhor jogador do mundo, pela FIFA, em 2002, ao lado do francês Zinedine Zidane que ficou em terceiro lugar. Ronaldo foi eleito o melhor jogador do ano por três vezes, 1996, 1997 e 2002

- Tenho de fazer meu agradecimento a todos os brasileiros que choraram comigo quando eu chorei e que caíram comigo quando eu caí. Mas, dessa torcida brasileira toda, eu quero agradecer a do Corinthians. Nunca vi uma torcida tão vibrante, tão apaixonada e tão entregue ao seu time de futebol. É certo que em algumas vezes essa cobrança por resultado a torna agressiva e fora do controle. Mas eu não me imaginava viver sem o Corinthians. Agradeço ao Andrés, que é meu irmão, e digo que continuarei ligado ao clube da maneira que ele quiser. Muitas vezes vocês vão me encontrar torcendo pelo Corinthians no estádio. Aproveito e peço desculpas publicamente pelo fracasso no trajeto da Libertadores.


Ronaldo: 1993 no Cruzeiro, 44 partidas e 4 gols; 1994-1996 no PSV, 57 partidas e 54 gols; 1996-1997 no Barcelona, 49 partidas e 47 gols, 1997-2002 no Inter de Milão, 99 partidas e 59 gols.

Ao longo da carreira, ele balançou as redes 475 vezes, contando as passagens por Cruzeiro, PSV, Barcelona, Inter de Milão, Real Madrid, Milan, Corinthians e Seleção Brasileira. O Fenômeno foi também eleito três vezes o melhor jogador do mundo pela FIFA e deixa o futebol com o status de maior artilheiros das Copas do Mundo e com dois títulos da principal competição do planeta - em 1994 como reserva e em 2002 como estrela.


Ronaldo: 2002-2007 no Real Madrid, 177 partidas e 104 gols; 2007-2008 no AC Milan, 20 partidas, 9 gols; 2009-2011, no Corinthians, 69 partidas e 35 gols.

Já na condição de ex-jogador, o Fenômeno tem planejado o que fará da sua vida. Empresário, vai cuidar dos seus negócios. Em julho ele pretende reunir amigos para uma despedida oficial. E, em breve, anunciará a criação de um instituto social chamado "Criando Fenômenos". Acostumado a deixar para trás seus adversários, Ronaldo encerra sua carreira por causa de um obstáculo bem mais próximo, citado em uma frase emblemática:


Os joelhos de Ronaldo marcado por cirurgias radicais
- Perdi para o meu corpo.

O anúncio oficial da aposentadoria de Ronaldo virou assunto em sites de todo o mundo. Até a Fifa se rendeu ao ex-camisa 9 do Corinthians e exaltou a carreira do maior artilheiro das Copas do Mundo na manchete do site oficial: "Sempre um Fenômeno".

A página da Uefa também dá destaque ao final da carreira de Ronaldo, que passou por PSV, Barcelona, Inter de Milão, Real Madrid e Milan no futebol europeu. O site lembrou uma declaração do Fenômeno de que sua única decepção na vida foi não ter conquistado a Liga dos Campeões do continente.

A entrevista de Ronaldo desta segunda-feira ganhou manchetes nos sites dos principais jornais do mundo. Na Espanha, o "Marca", de Madri, dá destaque à frase "Perdi para o meu corpo"

Em Barcelona, o "Sport" destacou a declaração "É a minha primeira morte", que o Fenômeno usou ao lembrar uma frase do ex-meia Falcão. O italiano "La Gazzeta dello Sport" traz fotos e vídeos da carreira do camisa 9 e também o depoimento de Massimo Moratti, presidente do Inter de Milão que contratou o craque em 1997.

Captura da tela do Site da FIFA

"Sempre um Fenômeno", diz Fifa sobre o adeus do maior artilheiro das Copas do Mundo

- Ronaldo foi o maior centroavante da história. Tenho muito afeto e carinho. O site do jornal português "Record" diz que o ídolo deu "ponto final a uma carreira fenomenal". Na França, o "L'Equipe" exibiu uma foto de Ronaldo com a taça da Copa do Mundo de 2002 e destacou que a sala de imprensa do Corinthians estava lotada, com jornalistas até do lado de fora, para o anúncio oficial.

O "Daily Mail", da Inglaterra, chama o Fenômeno de "lenda brasileira" e lembrou que Ronaldo chorou bastante ao se despedir dos gramados. Mas, talvez, a melhor manchete tenha saído da Argentina: "O gol está triste", escreveu o "Olé", que colocou a notícia do camisa 9 como a principal do site na tarde desta segunda.

Foto: Getty Images

O DIA QUE RONALDO E O BRASIL PERDERAM: - Final da Copa do Mundo na França em 1998, o goleiro francês Fabien Barthez salta sobre Ronaldo para evitar o ataque da seleção brasileira, sobre o olhar de Lilian Thuram. Brasil perdeu para a França, pelo placar de 3 a 0 no fatídico dia 12 de julho de 1998, no estádio de Saint-Denis.